quinta-feira, 14 de março de 2019
Peso e massa
O desafio do ensino/aprendizagem dos conceitos de massa e de peso
Uma das aprendizagens essenciais do 7º ano de escolaridade da Disciplina de Físico-Química é “distinguir peso e massa de um corpo, relacionando-os a partir de uma atividade experimental, na qual constrói tabelas e gráficos”.
Embora pareça tarefa simples diferenciar peso de massa, o trabalho do professor esbarra com algumas dificuldades, sendo a primeira o quase não uso do conceito físico de massa em detrimento do de peso, que é usado, erroneamente, na linguagem do dia-a-dia.
Antes de fazermos referência à segunda dificuldade que é o ensino errado que é feito no 1º ciclo do ensino básico, induzido pelo programa oficial, por alguns manuais escolares e por alguns formadores dos docentes daquele nível de ensino, apresentamos os dois conceitos tal como são expostos no Projeto Desafios de Ciências Físico-Químicas destinado ao 7º ano de escolaridade, editado pela Santillana-Constância, em 2012.
De acordo com as autoras, a massa é uma grandeza física que caracteriza a quantidade de matéria que um corpo possui, não depende do local onde se encontra, tem como unidade no Sistema Internacional o quilograma (kg) e pode ser determinada utilizando uma balança. O peso, por seu lado, “corresponde à força de atração gravitacional da Terra sobre o corpo, depende do local onde o corpo se encontra, tem como unidade no Sistema Internacional o newton (N) e pode ser medido com dinamómetros”.
Face ao exposto não se compreende a razão pelo facto da massa ser, com muita frequência confundida com o peso e a gravidade de tal ato é maior quando tal confusão surge em documentos oficiais ou em manuais usados nas nossas escolas, como se pode confirmar através dos seguintes exemplos:
1- “A meloa pesa …quilograma (kg).” (documento distribuído aos professores do primeiro ciclo da RAA)
Como vimos o quilograma é unidade de massa, portanto não devia ser usado naquela situação.
2- “Nestes cestos, as bolas grandes pesam 9 kg e as bolas pequenas pesam 3 kg.” (Fichas de avaliação do 3º ano)
Erro semelhante ao anterior.
3- “Para medires a massa (peso) deves utilizar uma balança.” (ficha de um Caderno de Fim de Semana para o 3º ano)
Neste caso, o autor (ou autores?) une os dois conceitos num só o que não é correto.
Já vimos que peso e massa são grandezas diferentes, mas será que há alguma relação entre elas?
Num manual escolar para o 1º ano do Curso Complementar do ensino secundário (atual 10º ano de escolaridade) os seus autores, entre os quais se encontra o inesquecível Rómulo de Carvalho/António Gedeão, o peso era definido como “a força que determina a aceleração com que o corpo cai para a Terra”.
A sua equação de definição da sua intensidade, - não esquecer que o peso é uma grandeza vetorial e como tal para além daquela caraterística também apresenta uma direção, um sentido e um ponto de aplicação –, é:
P = mg
A letra m é a nassa do corpo e a g representa a aceleração da gravidade.
Sabendo-se que o valor da aceleração da gravidade é, em média, 9,8 m/s2, torna-se muito fácil estabelecer a relação entre o peso de um corpo e a sua massa. Assim, se um corpo qualquer tiver a massa de 1 kg, o seu peso será 9,8 N (newton):
P = 1 x 9,8= 9,8 N
No passado, também se usava como unidade de força o quilograma-força, cujo símbolo era kgf e equivalia ao peso de um corpo com a massa de um quilograma sujeito à ação da gravidade. Não sei se o seu uso não seria útil para ajudar a esclarecer que peso e massa são duas grandezas bem distintas. Assim, quando a massa fosse 1 kg o seu peso seria 1 kgf.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31777, 14 de março de 2019, p.12)
quarta-feira, 13 de março de 2019
NA LINHA DO MEM - MOVIMENTO DA ESCOLA MODERNA
NA LINHA DO MEM - MOVIMENTO DA ESCOLA MODERNA
INTRODUÇÃO/JUSTIFICAÇÃO
O alargamento da escolaridade obrigatória não significou o surgimento de uma “escola de todos que permita a cada um ir o mais longe possível no processo de aprendizagem e desenvolvimento” (Nóvoa, 2012).
Analisando os resultados escolares facilmente se conclui que estão longe do desejável, já que as retenções e o abandono precoce, apesar das várias medidas tomadas pelas entidades governamentais, continuam elevados. Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), sobre o assunto afirmam o seguinte: “A escola não tem promovido, em geral, a igualdade de oportunidades educativas para os alunos, visto que a sua organização foi concebida para alunos da cultura média dominante”.
Sérgio Niza, citado por Grave- Resendes e Júlia Soares (2002) defende que “só a partir de uma pedagogia diferenciada centrada na cooperação entre professor e os alunos e destes entre si se poderão por em prática os princípios da inclusão, da integração e da participação democrática, isto é, os Direitos da Criança”.
Desde 2015, temos participado em ações de formação promovidas pelo MEM- Movimento da Escola Moderna, associação de profissionais da educação, professores e educadores, que propõe a implementação, nas escolas, de um modelo pedagógico onde os alunos são envolvidos e corresponsabilizados pela sua aprendizagem.
Em anos anteriores, sobretudo no ensino básico apliquei algumas estratégias/técnicas e instrumentos de pilotagem usados pelo MEM. Este ano pretendo aplicar o Modelo Pedagógico do MEM de forma mais globalizada.
O que é o MEM?
O Movimento da Escola Moderna é uma Associação Pedagógica de Professores e de outros Profissionais da Educação. Criado nos anos 60, foi formalizado juridicamente como associação pedagógica em 1976.
Constituído por mais de dois mil profissionais empenhados na integração dos valores democráticos na vida das escolas, encontra-se hoje espalhado por quase todo o país e organiza-se em Núcleos Regionais.
Através dos Núcleos, desenvolve anualmente um vasto Plano de Formação, que se concretiza, predominantemente, em ações sistemáticas integradas nas estruturas de autoformação cooperada ou no quadro de formação contínua de professores – formação acreditada – promovida pelo Centro de Formação do MEM e apoiada pelo Centro de Recursos.
Em 2001 o MEM foi reconhecido como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública e em maio de 2004, no âmbito das comemorações do 30º aniversário do 25 de Abril, foi agraciado como Membro-Honorário da Ordem da Instrução Pública.
Em 2018, foi criado o Núcleo Regional de São Miguel, que tem promovido a formação de professores nos “Sábados Pedagógicos” que têm ocorrido na Escola Secundária das Laranjeiras.
Princípios Estratégicos
O Modelo Pedagógico do MEM , de acordo com Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), é “sociocêntrico cuja prática democrática da gestão dos conteúdos, das atividades, dos materiais, do tempo e do espaço se fazem em cooperação. A participação dos alunos na organização, gestão e avaliação cooperadas de toda a vida da turma constituem um exercício de cidadania democrática activa”.
A cultura pedagógica do MEM, segundo Sérgio Niza, citado por González (2002) está subordinada aos seguintes princípios estratégicos:
“1. Os meios pedagógicos veiculam (em si) os fins democráticos da educação.
2. A actividade escolar enquanto contrato social e educativo, explicitar-se-á através da negociação progressiva dos processos de trabalho que fazem evoluir a experiência pessoal para o conhecimento dos métodos e dos conteúdos científicos, tecnológicos e artísticos.
3. A prática democrática de planeamento (actividades e projectos) organização, avaliação e regulação social da vida escolar, partilhada por todos, institui-se em conselho de cooperação.
4. Os processos de trabalho escolar reproduzem os processos sociais autênticos da construção da cultura nas ciências, nas artes e no quotidiano (homologia de processos).
5. A informação partilha-se através de circuitos sistemáticos de comunicação dos saberes e das produções culturais dos alunos (ciclos de produção/consumo).
6. As práticas escolares darão sentido social imediato às aprendizagens dos alunos, através da partilha dos saberes e das formas de intervenção social.
7. Os alunos intervêm ou interpelam o meio social e integram na aula “actores” comunitários como fonte de conhecimento nos seus projectos.”
Estratégias/técnicas
Conselho de Cooperação Educativa
É composto por todos os membros da turma e alunos que se reúnem para:
- Regular as relações sociais na turma e instituir normas de convivência;
- Gerir eventuais conflitos na turma;
- Planear, acompanhar, orientar e avaliar as aprendizagens;
Tempo de Estudo Autónomo
É um tempo utilizado pelos alunos, individualmente ou em pequenos grupos, para trabalharem em função das suas necessidades e interesses, desenvolverem atividades de treino das aprendizagens, estudarem e realizarem projetos.
É o tempo ideal para o professor apoiar os alunos com dificuldades em determinadas áreas de aprendizagem.
Trabalho de Projeto
É uma modalidade de trabalho que existe há muito tempo, mas que não tem sido suficientemente ou devidamente utilizada.
De acordo com, Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), entre outros aspetos a considerar no MEM no trabalho de projeto:
“- Os autores dos projetos são os alunos;
- Não há um projeto único para toda a turma. Desenvolvem-se, em simultâneo, vários projetos em diferentes fases de execução;
- Não há grupos fixos. Formam-se segundo os interesses dos alunos pelos temas;
- Os processos e os produtos de cada projeto são objeto de comunicação à turma;
- Os alunos que comunicam elaboram questionários, fichas ou outros instrumentos destinados a averiguar até que ponto a sua comunicação contribuiu para a aprendizagem pelos seus colegas.
- O professor apoia rotativamente os alunos.”
Materiais pedagógicos
- Manual adotado e outros
- Fichas
- Livros
- Computador com ligação à internet
- Filmes/vídeos
- Trabalhos dos alunos
Instrumentos de pilotagem
De entre os instrumentos de pilotagem existentes, pretendemos aplicar os seguintes:
- Planos anual (PA)
Consiste essencialmente de uma listagem de conteúdos e atividades cujo principal objetivo é dar o programa oficial em linguagem acessível aos alunos.
De acordo com Pires (2006), os alunos na elaboração do PA podem:
“- Apresentar interesses e expectativas, a serem contemplados no Plano Anual;
- Apresentar propostas de trabalho para o Plano Anual;
- Discutir e negociar (procurando o consenso) as várias propostas;
- Tomar decisões, em conjunto com o professor e os restantes colegas.”
- Plano Individual de Trabalho (PIT)
É um roteiro que guia o trabalho dos alunos, tendo um papel determinante no incremento da sua autonomia ao mesmo tempo que faz com que eles se comprometam e se responsabilizam pelo que têm de fazer.
No PIT para além de um espaço destinado às tarefas a realizar pelo aluno há uma área destinada à autoavaliação e à heteroavaliação
- Diário de Turma
É o registo do que se passa na turma, ocorrências positivas e negativas e do que de mais significativo foi realizado. Serve de suporte à negociação e à regulação da vida da turma.
Critérios de Avaliação
- Assiduidade
- Pontualidade
- Autonomia
- Trazer material necessário
- Respeitar as regras de conduta
- Capacidade de autoavaliação
- Observa e coloca questões pertinentes, relaciona ideias e persiste nas tarefas propostas.
- Interpreta enunciados, escolhe estratégias adequadas e verifica criticamente os resultados, justificando o seu raciocínio.
- Recolhe, organiza e interpreta, de forma criteriosa, informação relacionada com a física e a química.
- Realiza as tarefas propostas
- Realiza tarefas por iniciativa própria.
- Faz os registos das aulas
- Intervém de forma adequada
- Respeita as ideias dos outros
- Revela espírito de interajuda
- Reflete e critica o seu trabalho e o dos colegas
- Revela hábitos de trabalho
Instrumentos de Avaliação
- Grelhas de registos de observação
- Observação direta/participação no trabalho da aula
- Registos de participação oral e escrita
- Trabalhos individuais /a pares /em grupo
- Observação/correção dos trabalhos produzidos nas aulas
- Fichas de avaliação sumativas
- Fichas de avaliação formativas
- Fichas de auto e heteroavaliação
- Caderno diário
BIBLIOGRAFIA
González, P. (2002). O Movimento da Escola Moderna- um percurso cooperativo na construção da profissão docente e no desenvolvimento da pedagogia escolar. Porto: Porto Editora.
Grave-Resendes, L., Soares, J. (2002). Diferenciação Pedagógica. Lisboa: Universidade Aberta.
Nóvoa, a. (2012). Ética, pedagogia e democracia são exatamente a mesma coisa. In Nóvoa, A., Marcelino, F., Ramos do Ó, J. (orgs.), Sérgio Niza escritos sobre educação, Lisboa: Tinta da China
Pires, J. (2006). O Planeamento no Modelo Pedagógico do Movimento da Escola Moderna. In revista Escola Moderna, nº 17, pp 23-66
Setembro de 2018
INTRODUÇÃO/JUSTIFICAÇÃO
O alargamento da escolaridade obrigatória não significou o surgimento de uma “escola de todos que permita a cada um ir o mais longe possível no processo de aprendizagem e desenvolvimento” (Nóvoa, 2012).
Analisando os resultados escolares facilmente se conclui que estão longe do desejável, já que as retenções e o abandono precoce, apesar das várias medidas tomadas pelas entidades governamentais, continuam elevados. Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), sobre o assunto afirmam o seguinte: “A escola não tem promovido, em geral, a igualdade de oportunidades educativas para os alunos, visto que a sua organização foi concebida para alunos da cultura média dominante”.
Sérgio Niza, citado por Grave- Resendes e Júlia Soares (2002) defende que “só a partir de uma pedagogia diferenciada centrada na cooperação entre professor e os alunos e destes entre si se poderão por em prática os princípios da inclusão, da integração e da participação democrática, isto é, os Direitos da Criança”.
Desde 2015, temos participado em ações de formação promovidas pelo MEM- Movimento da Escola Moderna, associação de profissionais da educação, professores e educadores, que propõe a implementação, nas escolas, de um modelo pedagógico onde os alunos são envolvidos e corresponsabilizados pela sua aprendizagem.
Em anos anteriores, sobretudo no ensino básico apliquei algumas estratégias/técnicas e instrumentos de pilotagem usados pelo MEM. Este ano pretendo aplicar o Modelo Pedagógico do MEM de forma mais globalizada.
O que é o MEM?
O Movimento da Escola Moderna é uma Associação Pedagógica de Professores e de outros Profissionais da Educação. Criado nos anos 60, foi formalizado juridicamente como associação pedagógica em 1976.
Constituído por mais de dois mil profissionais empenhados na integração dos valores democráticos na vida das escolas, encontra-se hoje espalhado por quase todo o país e organiza-se em Núcleos Regionais.
Através dos Núcleos, desenvolve anualmente um vasto Plano de Formação, que se concretiza, predominantemente, em ações sistemáticas integradas nas estruturas de autoformação cooperada ou no quadro de formação contínua de professores – formação acreditada – promovida pelo Centro de Formação do MEM e apoiada pelo Centro de Recursos.
Em 2001 o MEM foi reconhecido como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública e em maio de 2004, no âmbito das comemorações do 30º aniversário do 25 de Abril, foi agraciado como Membro-Honorário da Ordem da Instrução Pública.
Em 2018, foi criado o Núcleo Regional de São Miguel, que tem promovido a formação de professores nos “Sábados Pedagógicos” que têm ocorrido na Escola Secundária das Laranjeiras.
Princípios Estratégicos
O Modelo Pedagógico do MEM , de acordo com Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), é “sociocêntrico cuja prática democrática da gestão dos conteúdos, das atividades, dos materiais, do tempo e do espaço se fazem em cooperação. A participação dos alunos na organização, gestão e avaliação cooperadas de toda a vida da turma constituem um exercício de cidadania democrática activa”.
A cultura pedagógica do MEM, segundo Sérgio Niza, citado por González (2002) está subordinada aos seguintes princípios estratégicos:
“1. Os meios pedagógicos veiculam (em si) os fins democráticos da educação.
2. A actividade escolar enquanto contrato social e educativo, explicitar-se-á através da negociação progressiva dos processos de trabalho que fazem evoluir a experiência pessoal para o conhecimento dos métodos e dos conteúdos científicos, tecnológicos e artísticos.
3. A prática democrática de planeamento (actividades e projectos) organização, avaliação e regulação social da vida escolar, partilhada por todos, institui-se em conselho de cooperação.
4. Os processos de trabalho escolar reproduzem os processos sociais autênticos da construção da cultura nas ciências, nas artes e no quotidiano (homologia de processos).
5. A informação partilha-se através de circuitos sistemáticos de comunicação dos saberes e das produções culturais dos alunos (ciclos de produção/consumo).
6. As práticas escolares darão sentido social imediato às aprendizagens dos alunos, através da partilha dos saberes e das formas de intervenção social.
7. Os alunos intervêm ou interpelam o meio social e integram na aula “actores” comunitários como fonte de conhecimento nos seus projectos.”
Estratégias/técnicas
Conselho de Cooperação Educativa
É composto por todos os membros da turma e alunos que se reúnem para:
- Regular as relações sociais na turma e instituir normas de convivência;
- Gerir eventuais conflitos na turma;
- Planear, acompanhar, orientar e avaliar as aprendizagens;
Tempo de Estudo Autónomo
É um tempo utilizado pelos alunos, individualmente ou em pequenos grupos, para trabalharem em função das suas necessidades e interesses, desenvolverem atividades de treino das aprendizagens, estudarem e realizarem projetos.
É o tempo ideal para o professor apoiar os alunos com dificuldades em determinadas áreas de aprendizagem.
Trabalho de Projeto
É uma modalidade de trabalho que existe há muito tempo, mas que não tem sido suficientemente ou devidamente utilizada.
De acordo com, Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), entre outros aspetos a considerar no MEM no trabalho de projeto:
“- Os autores dos projetos são os alunos;
- Não há um projeto único para toda a turma. Desenvolvem-se, em simultâneo, vários projetos em diferentes fases de execução;
- Não há grupos fixos. Formam-se segundo os interesses dos alunos pelos temas;
- Os processos e os produtos de cada projeto são objeto de comunicação à turma;
- Os alunos que comunicam elaboram questionários, fichas ou outros instrumentos destinados a averiguar até que ponto a sua comunicação contribuiu para a aprendizagem pelos seus colegas.
- O professor apoia rotativamente os alunos.”
Materiais pedagógicos
- Manual adotado e outros
- Fichas
- Livros
- Computador com ligação à internet
- Filmes/vídeos
- Trabalhos dos alunos
Instrumentos de pilotagem
De entre os instrumentos de pilotagem existentes, pretendemos aplicar os seguintes:
- Planos anual (PA)
Consiste essencialmente de uma listagem de conteúdos e atividades cujo principal objetivo é dar o programa oficial em linguagem acessível aos alunos.
De acordo com Pires (2006), os alunos na elaboração do PA podem:
“- Apresentar interesses e expectativas, a serem contemplados no Plano Anual;
- Apresentar propostas de trabalho para o Plano Anual;
- Discutir e negociar (procurando o consenso) as várias propostas;
- Tomar decisões, em conjunto com o professor e os restantes colegas.”
- Plano Individual de Trabalho (PIT)
É um roteiro que guia o trabalho dos alunos, tendo um papel determinante no incremento da sua autonomia ao mesmo tempo que faz com que eles se comprometam e se responsabilizam pelo que têm de fazer.
No PIT para além de um espaço destinado às tarefas a realizar pelo aluno há uma área destinada à autoavaliação e à heteroavaliação
- Diário de Turma
É o registo do que se passa na turma, ocorrências positivas e negativas e do que de mais significativo foi realizado. Serve de suporte à negociação e à regulação da vida da turma.
Critérios de Avaliação
- Assiduidade
- Pontualidade
- Autonomia
- Trazer material necessário
- Respeitar as regras de conduta
- Capacidade de autoavaliação
- Observa e coloca questões pertinentes, relaciona ideias e persiste nas tarefas propostas.
- Interpreta enunciados, escolhe estratégias adequadas e verifica criticamente os resultados, justificando o seu raciocínio.
- Recolhe, organiza e interpreta, de forma criteriosa, informação relacionada com a física e a química.
- Realiza as tarefas propostas
- Realiza tarefas por iniciativa própria.
- Faz os registos das aulas
- Intervém de forma adequada
- Respeita as ideias dos outros
- Revela espírito de interajuda
- Reflete e critica o seu trabalho e o dos colegas
- Revela hábitos de trabalho
Instrumentos de Avaliação
- Grelhas de registos de observação
- Observação direta/participação no trabalho da aula
- Registos de participação oral e escrita
- Trabalhos individuais /a pares /em grupo
- Observação/correção dos trabalhos produzidos nas aulas
- Fichas de avaliação sumativas
- Fichas de avaliação formativas
- Fichas de auto e heteroavaliação
- Caderno diário
BIBLIOGRAFIA
González, P. (2002). O Movimento da Escola Moderna- um percurso cooperativo na construção da profissão docente e no desenvolvimento da pedagogia escolar. Porto: Porto Editora.
Grave-Resendes, L., Soares, J. (2002). Diferenciação Pedagógica. Lisboa: Universidade Aberta.
Nóvoa, a. (2012). Ética, pedagogia e democracia são exatamente a mesma coisa. In Nóvoa, A., Marcelino, F., Ramos do Ó, J. (orgs.), Sérgio Niza escritos sobre educação, Lisboa: Tinta da China
Pires, J. (2006). O Planeamento no Modelo Pedagógico do Movimento da Escola Moderna. In revista Escola Moderna, nº 17, pp 23-66
Setembro de 2018
sexta-feira, 8 de março de 2019
Beaucarnea recurvata Lem
Beaucarnea recurvata Lem
Nome comum: Nolina, Pata-de-elefente
Família: Asparagaceae
Origem: América do Norte, México
Local: Rua Nova da Misericórdia
26 de fevereiro de 2019
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Nolina,
Pata-de-elefente
Plantas e Jardins em exposição
Plantas e Jardins em exposição
Até ao próximo dia 1 de maio estará aberta ao público, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, uma exposição, comissariada pela Professora Doutora Isabel Soares de Albergaria, intitulada “Plantas e Jardins: A paixão pela horticultura ornamental na ilha de São Miguel”.
Inaugurada no passado dia 22 de fevereiro, a exposição referida, pela informação disponibilizada, merece a visita de todos os amantes de plantas e jardins, bem como dos alunos dos estabelecimentos de ensino da ilha de São Miguel.
Uma leitura atenta merece o catálogo da exposição que “é constituído por duas partes, sendo a primeira votada a um conjunto de cinco estudos versando problemáticas diversas e incidindo sobre campos disciplinares distintos, tendo as plantas e os jardins de São Miguel como denominador comum. Na segunda parte apresentam-se os textos de enquadramento dos quatro núcleos que compõem a exposição, a saber: O Conhecimento das Plantas; Encomenda e Transporte; O Cultivo e Assimilação Cultural.”
Embora todos os textos mereçam ser lidos, destaco o da autoria de Rosalina Gabriel, intitulado “Não há rosas sem espinhos: O papel dos jardins na disseminação de espécies exóticas e invasoras – 13 plantas prioritárias para controlo ou erradicação nos Açores”, que chama a atenção para o perigo da introdução de espécies que se podem tornar invasoras. Se algumas delas foram introduzidas pelos criadores dos jardins históricos no século XIX, outras são de introdução mais recente, o que é inadmissível atendendo ao conhecimento que se possui atualmente sobre o comportamento invasor de algumas delas e por serem da responsabilidade de serviços oficiais.
Outro texto de leitura obrigatória é o da autoria do madeirense Raimundo Quintal, profundo conhecedor da flora e dos jardins dos Açores, intitulado “Árvores monumentais nos jardins, parques e matas de São Miguel – Proposta de Classificação”.
Antes de fazer referência ao texto mencionado, recordo que em 2016, no Correio dos Açores, levantei um conjunto de questões relacionadas com o desequilíbrio existente entre o número de árvores classificadas em São Miguel quando comparado com o de outras ilhas.
Na altura, fiz a seguinte pergunta que terá caído em saco roto: “Não haverá em São Miguel, mais nenhuma árvore que mereça ser classificada para além das sete (12% do número total) classificadas entre as 58 existentes, nos Açores?”
No texto referido, depois de ter considerado estranho o facto de na lista das árvores classificadas constarem plantas que já não existiam, recordei a minha não compreensão pelo facto do dragoeiro existente na Escola Secundária Antero de Quental, o qual, segundo o Eng.º Ernesto Goes, é o maior da ilha de São Miguel e terá sido plantado na altura do antigo Paço, iniciado em 1587, não se encontrar classificado.
Felizmente, Raimundo Quintal, inclui o dragoeiro referido na sua proposta de classificação que “abrange 75 árvores isoladas e sete conjuntos arbóreos, que representam 37 táxones (36 espécies e uma variedade).”
De entre as espécies propostas para serem classificadas, destaco duas endémicas dos Açores, o cedro-do-mato, do Campo de Golfe das Furnas, e o pau branco, do Jardim António Borges.
Originário dos arquipélagos da Madeira e das Canárias, é proposto para classificação o til existente no Jardim José do Canto e do Brasil e Argentina, a proposta inclui a sumaúma existente no Parque de Estacionamento da Rua São Francisco Xavier e um dos exemplares existentes no Viveiro dos Serviços Florestais, nas Furnas.
Vila Franca do Campo, também, entra na lista das localidades com árvores classificadas. Com efeito, para além da classificação do eucalipto-limão existente no Jardim do Palácio de Santana, também é proposto o existente no Jardim Dr. António da Silva Cabral, na freguesia de São Pedro.
Dos conjuntos arbóreos propostos para classificação, destaco a Alameda dos Plátanos na Povoação e a dos Gincos, no Parque Terra Nostra.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 7 de março de 2019)
terça-feira, 5 de fevereiro de 2019
A Educação Popular, Ferrer y Guardia e a Educação Racional
Textos livres (1)
A Educação Popular, Ferrer y Guardia e a Educação Racional
Propriedade da Biblioteca da Sociedade Promotora da Educação Popular, editou-se, em Lisboa, a “Educação Popular”, publicação mensal, literária, educativa e anunciadora.
Dirigido por Benjamim Correia Pequeno, o jornal “Educação Popular” viu a luz do dia na 1 de abril de 1909, tendo por fim “conseguir com a sua venda, apurar receitas para aumentar a Biblioteca da nossa Sociedade, e comprar livros e mais expediente escolar para as alunas das aulas de primeiras letras e instrução primária, podendo, quando a receita para tal chegue, estender esta dádiva a outras aulas”.
Através da leitura dos números existentes na Biblioteca Nacional, não sabemos se todos os publicados, constata-se que o jornal “Educação Popular” recebia o jornal A Folha publicado em São Miguel por Alice Moderno e A Voz do Professor, da ilha Terceira, que se publicou em 1909 e 1910.
Nas suas páginas podem ser encontrados textos de, entre outros, Ladislau Batalha (1856-1939), um dos fundadores do Partido Socialista, João Black (1872-1955), sindicalista que foi autor do hino “A Batalha” e Magalhães Lima (1850-1928) republicano anticlerical.
Em diversos números do jornal há referências à Escola Moderna de Ferrer e Guardia e ao seu ensino racional e em dois números, 8 e 9, é abordada a prisão e o assassinato daquele pedagogo espanhol.
No nº 8 oito, de 3 de outubro de 1909, que tem como tema principal a comemoração do aniversário da Sociedade Promotora da Educação Popular, o jornal redozija.se pelo facto, mas não se esquece da situação em que se encontrava Ferrer y Guardia nos seguintes termos:
“Estramos em festa. Mas apesar de tanta alegria que nos circunda, uma coisa nos entristece. A prisão de Ferrer. Por isto, fazemos sinceros votos para que o protesto universal contra a prisão daquele intemerato educador seja ouvido pelo governo espanhol”
No número seguinte, publicado em novembro de 1909, sem data do dia, o jornal condena o assassinato de Ferrer. Sobre o assunto podemos ler o seguinte:
“Lançamos o anátema da nossa indignação sobre os factos inquisitoriais passados em Espanha que são uma afronta aos princípios da Liberdade. Condenamos, em nome da Razão e da Justiça a morte de Ferrer e dos seus companheiros. E para a Espanha que tal pratica, temos centelhas de ódio. Essa Espanha, porém, é a Espanha de Maura, a Espanha da reação clerical, a Espanha fanática e supersticiosa ainda agarrada ao passado.”
Nos textos sobre as propostas defendidas por Ferrer y Guardia há referência ao “ensino misto que consiste em que os meninos e as meninas obtenham educação idêntica” e valorizada a ciência que é considerada “a única mestra da vida”.
Sobre o ensino racionalista, o jornal transcreve no seu número 10 de janeiro de 1910 um texto de José Simões Coelho, onde este escreve a dado passo o seguinte:
“Ensino racionalista quer dizer: o ensino que tem como meio a razão e como fim a ciência; como esta ainda não disse a sua última palavra sobre qualquer assunto, resulta que o assunto racionalista não tem programa fixo. Pelo contrário.
Ao ensinar todos os dias os fenómenos físicos do universo e fenómenos sociais da humanidade, fá-lo com a especial reserva de que só tem mérito o que está comprovado, o que os sentidos admitem e a experiência sanciona.”
Pico da Pedra, 6 de fevereiro de 2019
Teófilo Braga
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Educação Racional,
Ferrer y Guardia
domingo, 27 de janeiro de 2019
Pata Cega ou Cabra Cega
Pata Cega ou Cabra Cega
O Dr. Urbano de Mendonça Dias escreve que este jogo, sem regras, é muito aceite pelas crianças que lhe acham muito engraçado.
Segundo ele, tapam-se os olhos a uma criança com uma venda, normalmente um lenço, consistindo o jogo na tentativa de aquela apanhar um dos restantes jogadores que andam de um lado para o outro e lhe tocam no corpo, perguntando quem lhe “bateu”. O jogador que for apanhado passa a ser o cabra cega.
Na descrição do jogo da autoria de três alunos, do ano letivo 1992/93, da Escola Preparatória da Horta, compilada pelo professor César Barreira, surgem algumas “regras” e há um diálogo entre os alunos. Assim, é escolhido um chefe de equipa que tira sortes para saber quem é o primeiro cabra cega.
Depois de escolhido o cabra cega e de lhe terem vendado os olhos, os restantes colocam-se em círculo envolvendo os dois e estabelece-se o seguinte diálogo:
Chefe- Cabra cega, donde vens?
Cabra cega- Venho do moinho.
Chefe- O que trazes?
Cabra cega- Farinha e farelo.
Chefe- Dá-me dela
Cabra cega- Não dou
Chefe- Para que é?
Cabra cega- Para fazer um bolo à minha velha
Chefe- Então vai ter com ela
O jogo prossegue com um dos participantes a bater nas costas do cabra cega, perguntando-lhe quem havia batido. Os jogadores fogem espalhando-se por um espaço previamente escolhido. Quando o cabra cega apanha alguém e se o reconhece, o apanhado passa a ser o novo cabra cega e o jogo recomeça.
De acordo com alguns alunos da turma B, do 9º ano de escolaridade do letivo 2018-19, a única diferença em relação ao descrito pelos alunos do Faial está no diálogo que é o seguinte:
Chefe- Cabra cega, donde vens?
Cabra cega- Venho do moinho.
Chefe- O que trazes para comer?
Cabra cega- Pão e vinho.
Chefe- Dás-me um bocadinho?
Cabra cega- Não dou
Chefe- Dás-me um “bocadão”?
Cabra cega- Não
Chefe- Então levas um empurrão.
Teófilo Braga
27 de janeiro de 2019
Imagem: http://varievo.com/infantil/brincadeiras-de-crianca-cabra-cega
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
A Lanterna, um jornal anarquista da ilha Terceira
A Lanterna, um jornal anarquista da ilha Terceira
Em 1915, publicou-se na ilha Terceira um jornal de expressão anarquista, intitulado “A Lanterna., tendo como redator principal Aurélio Quintanilha e como editor João Ávila. O jornal que era propriedade do Grupo Editor de A Lanterna, foi impresso em Ponta Delgada, na Rua da Fonte Velha 34 e 36 e a redação e administração sediada na rua Visconde de Bruges, em Angra do Heroísmo.
O jornal apresentava como lema iluminar “corajosa e serenamente, uma nesga dessa estrada que há de conduzir à emancipação as multidões sedentas de justiça e liberdade”
Os responsáveis pelo jornal logo no primeiro número, publicado a 10 de julho de 1915, não tiveram ilusões quanto às dificuldades que o mesmo iria encontrar no meio terceirense, tendo a propósito escrito o seguinte: “… mas não se imagine que temos qualquer espécie de ilusões quanto à sua vida e situação. Um jornal desta natureza deve desagradar a muita gente que procurará sem dúvida fazê-lo desaparecer” e acrescentaram “A Lanterna publicar-se-á enquanto puder. Uma vez, porém, que não possa publicar-se com a orientação delineada preferimos suspendê-la, ou suprimi-la mesmo, a acomodarmo-nos ao meio.” Tal como previram, as dificuldades surgiram e apenas mais um número foi publicado, a 25 de julho de 1915.
Os responsáveis pelo jornal tentaram, em vão, que o mesmo fosse impresso na ilha Terceira, mas nenhuma das três tentativas teve êxito, havendo até o caso de um dos proprietários das tipografias ter recebido ameaças de perdas de fregueses e de ver a sua casa destruída por uma bomba de dinamite. A referida carta anónima também denunciava Aurélio Quintanilha nos seguintes termos: “um dos redatores do jornal é o Aurélio que foi expulso do país como anarquista”.
Se relativamente à expulsão de Aurélio Quintanilha a afirmação não é verdadeira, no que diz respeito à sua militância em organizações revolucionárias não há qualquer dúvida. Com efeito, em 1915, Aurélio Quintanilha estava a estudar em Lisboa, primeiro na Faculdade de Medicina e depois na Faculdade de Ciências de Lisboa, tendo representado as Juventudes Sindicalistas num congresso internacional contra a guerra realizado em Ferrol, onde no dia 30 de abril terá sido detido e conduzido à fronteira com os restantes portugueses presentes.
Embora não haja referência explícita, sabemos que na rua da Fonte Velha, 34 e 36 localizava-se a residência e a Tipografia de Alice Moderno, ativista do movimento de defesa dos direitos das mulheres e dos direitos dos animais, tendo sido uma das fundadoras e principal dirigente da SMPA- Sociedade Micaelense Protetora dos Animais. Assim sendo, os dois números do jornal só foram possíveis devido ao espírito de abertura e tolerância de Alice Moderno.
No primeiro número, destacamos, para além de uma crónica internacional, uma seção literária, uma rubrica intitulada Lira Revolucionária, onde é transcrito o poema “O Pão” de João de Barros, outra denominada Feixes de Luz, que dá a conhecer várias citações e um apelo do grupo editor de “A Sementeira” e uma Revista de Jornais..
Assinado por AC (Aurélio Quintanilha?) há um pequeno texto sobre o Esperanto que é apresentado como uma língua que é um dos “meios de propaganda para conseguir o aniquilamento das fronteiras e a consequente fraternidade dos povos”.
Como textos principais, destacamos um, assinado por um caixeiro, intitulado “Os caixeiros e a regulamentação das horas de trabalho”, outro da responsabilidade do Comandante Peary sobre “Os esquimós do Polo Norte” e “A criança de mama”, da responsabilidade de Michel Petit.
No texto sobre a duração do horário de trabalho, depois da apresentação de vários argumentos a defender a sua redução sob o ponto de vista moral, intelectual e de saúde, o articulista denunciou a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo por não ter regulamentado a legislação nacional, o que fazia com que os caixeiros estivessem a ser “roubados em duas horas de trabalho por dia”. O artigo termina com um apelo à união da classe dos caixeiros nos seguintes termos: “Temos pelo nosso lado a Razão e a lei. Mas isto como se vê não basta. É necessária pois, que nos unamos para termos também a força”.
No texto sobre os esquimós, o autor descreve uma sociedade que poderia ser modelo para as ditas civilizadas. Sobre o assunto, podemos ler o seguinte: “são selvagens, mas não são brutos; não têm nenhuma forma de governo, e no entanto, não são desordenados, nem licenciosos, se se julgarmos pela nossa maneira de entender a educação, não são educados, mas são dotados d’uma inteligência desenvolvida em alto grau ….Sem religião, e sem a menor ideia de um Deus, repartem a sua comida com qualquer faminto. Considera-se, entre eles, uma coisa natural, o auxílio aos desvalidos e aos anciãos”.
Por fim, no texto sobre as crianças, são abordados temas como os maus tratos às que são indesejadas, a alimentação e a mortalidade infantil.
O segundo, que também foi o último, número do jornal, apresenta como temas principais, o parlamentarismo, o ensino, a regulamentação do trabalho no comércio e a guerra/paz.
A questão do parlamentarismo foi abordada por Aurélio Quintanilha que denunciou as guerras partidárias, a farsa das eleições e a incompetência dos parlamentares e apontou como caminho a aposta nas associações de classe.
Sobre a (in)competência dos parlamentares, Aurélio Quintanilha escreveu: “Assim é que, sobre qualquer medida apresentada no parlamento, votam, conscientemente, uma meia dúzia de deputados, apenas os que têm conhecimentos específicos sobre esse ramo da atividade humana. De facto, quem resolve, quem aprova ou reprova é sempre – e será sempre enquanto houver parlamento – uma maioria esmagadora de incompetentes. Verdade à primeira vista paradoxal, mas perfeitamente demonstrada, teórica … e praticamente.
Por cima de tudo isso há ainda a acrescentar que, na prática, a representação da soberania popular é uma comédia. A maioria é sempre do governo, e os deputados em vez de representarem a vontade do povo, representam, mas é a vontade dos chefes dos partidos ou das comissões políticas que os fizeram eleger.”
Sobre o estafado argumento de que é preciso votar, não deixando a decisão nas mãos dos outros Aurélio Quintanilha escreveu:
“Se se entende por coisa pública a maior ou menor probabilidade que cada um tem de se alimentar, segundo as suas necessidades, de habitar uma casa higiénica, de poder educar e dar uma profissão aos seus filhos, então estamos de acordo - ninguém se deve alhear da coisa pública.
No que discordamos com certeza é quanto à maneira porque cada um se deve interessar pela coisa pública, ao passo que eles entendem que é votando neste ou naquele cavalheiro, que depois ainda se ri dos parvos que o elegeram, eu sou de parecer que esse interesse deve manifestar-se por intermédio das associações de classe, organizadas para a luta pelo bem estar moral e material dos seus associados, para a criação de consciências retas e vontades firmes, que possam ir desde já abrindo caminho a uma organização social mais justa, mais humana e igualitária.”
Sobre a questão do horário de trabalho dos caixeiros, o autor do texto lamentou que a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo não tenha feito nada, continuando os trabalhadores do comércio a serem prejudicados em relação aos seus colegas de outras localidades. Sobre o assunto podemos ler:
“Quando qualquer pobre diabo rouba um pão, para matar a fome, vai para a cadeia; mas os snrs. do município de Angra continuam à solta depois de terem roubado à nossa classe centenas de horas de trabalho – e trabalho é dinheiro.”
Relativamente ao ensino, o jornal contrapõe ao ensino neutro estabelecido pelo República em 1911, o ensino racionalista proposto por Ferrer, “que tem como meio a razão, e como guia a ciência”.
O texto sobre a guerra é um Manifesto da Conferência Internacional das Mulheres Socialistas que denuncia quem ganhava com a guerra, como os fabricantes de armamento, alertando para o facto de com ela os trabalhadores nada terem a ganhar, arriscando-se “a perder tudo o que lhes era querido.
O texto referido termina com um apelo às mulheres nos seguintes termos:
“Toda a humanidade tem os olhos em vós, trabalhadoras dos países em guerra. Deveis ser vós as heroínas, as libertadoras.
Uni-vos numa só vontade, numa só ação!
Proclamai incessantemente: Os trabalhadores de todos os países são um povo de irmãos. Só a vontade unida desse povo pode por termo à guerra. Só o socialismo poderá trazer à humanidade uma paz duradoira!”
Teófilo Braga
(A Batalha, VI Série- Ano XLV- n~282, Nov/Dez 2018)
terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Jogo da Barca ou do Barqueiro
Jogo da Barca ou do Barqueiro
Para este jogo recomenda-se a participação de mais do que dez jogadores.
Dois deles, os barqueiros, combinam entre si um nome para cada um (prenda), que pode ser uma fruta, por exemplo, ananás e maçã, o nome de uma planta, de uma freguesia, etc. Os restantes colocam-se, em fila, atrás uns dos outros, cada um com as mãos nos ombros do da frente.
Os barqueiros ficam em frente um do outro com os braços levantados, formando um arco por onde os demais passam, cantando o seguinte:
Que linda barquinha que lá vem
É uma barquinha que vem de Belém
Vou pedir ao senhor barqueiro
Que me deixe passar,
Tenho filhos pequeninos,
Não os posso sustentar.
Os barqueiros respondem:
Passará, passará
Mas algum deixará
Se não for o da frente,
Há-de ser o de trás.
Em determinado momento os barqueiros baixam os braços e um dos participantes fica dentro da barca. Quando isto acontece, aqueles perguntam qual das prendas prefere. Depois da escolha, este vai para trás do barqueiro correspondente.
O jogo continua até que acabem os participantes que estavam na fila. Quando isto acontece todos dão as mãos e cada grupo puxa para o seu lado até que um solte a mão, perdendo a sua equipa que vai para o “inferno”. A equipa ganhadora vai para a “barca de Nossa Senhora”.
A descrição deste jogo baseou-se na feita pelos alunos Dora Gaspar, Alexandra Teixeira e Mónica Silva, da Escola do Ciclo Preparatório da Horta e por alunos do 9º ano, turma B, da Escola Secundária das Laranjeiras, do ano letivo 2018-2019.
Para os alunos da Escola das Laranjeiras a primeira quadra é difere um pouco da apresentada acima, sendo:
Senhores passageiros
Deixem-nos passar
Tenho muitos filhos
Para sustentar
22 de janeiro de 2019
Bibliografia
Barreira, C. (1993). Jogos Tradicionais. Horta: Edição do organizador.
Imagem daqui: https://www.youtube.com/watch?v=EB_7JBk2-BM
domingo, 30 de dezembro de 2018
José Henrique Borges Martins, o Ferreirinha das Bicas e o Bravo
José Henrique Borges Martins, o Ferreirinha das Bicas e o Bravo
Neste último texto da rubrica que intitulei “Com os pés na terra”, que foi publicada no Correio dos Açores, entre 13 de abril de 2011 e 9 de outubro de 2018, e depois desta data no meu blogue “Pois alevá…diário de um professor”, em virtude de naquele jornal, sem qualquer explicação, não ter sido publicado um texto sobre Paulo Freire, farei uma singela homenagem ao poeta terceirense José Henrique Borges Martins e a dois improvisadores da ilha Terceira que ele tão sabiamente acarinhou e de algum modo os imortalizou, Francisco Ferreira dos Santos (o Ferreirinha das Bicas) e Manuel Borges Pêcego (o Bravo).
José Henrique Borges Martins que comigo esteve presente em diversas reuniões, onde um grupo de cidadãos preparou a criação, em Angra do Heroísmo, de um jornal independente dos poderes instalados, o “Directo”, que foi dirigido pelo meu colega da Escola Secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade, António Neves Leal, foi um poeta de mérito e um destacado investigador da cultura popular, tendo elaborado, entre outos, e publicado trabalhos sobre os cantadores e improvisadores populares e sobre crendices e feitiçarias.
Para além de dar o seu contributo ao “Directo”, Borges Martins, que combateu o Estado Novo com a sua poesia, colaborou com o extinto jornal “A União” e com o “Jornal da Praia”.
Com os livros “Cantadores e improvisadores da ilha Terceira”, de 1984, e “Improvisadores da Ilha Terceira. suas vidas e cantorias”, de 1993, Borges Martins homenageou alguns heróis do povo, os cantadores populares.
De entre eles, destacamos o Ferreirinha das Bicas que terá sido, segundo alguns, o maior de entre eles, e o Bravo que foi um homem livre e que por isso teve problemas com as autoridades por dizer verdades que as incomodavam.
O Ferreirinha das Bicas nos seus improvisos mostrou preocupações sociais e denunciou as desigualdades e a sociedade hipócrita onde vivia.
As duas quadras abaixo ilustram bem o pensamento do seu autor:
Vai preso quem rouba um pão
Por sua necessidade,
Mas quem rouba meio milhão
Passeia pela cidade
Eu conheço falsos sábios
Que pregam religião
Que mostram Cristo nos lábios
E o diabo no coração
A temática das desigualdades sociais, também, foi por diversas vezes abordada por Manuel Borges Pêcego. Para além de ilustrar a sua condição social, a quadra abaixo revela o seu espírito crítico:
Fui pagar a contribuição,
Mas não foi com dinheiro falso,
P’ra calçar tanto ladrão
Que por mim, ando descalço
O Bravo teve problemas com a polícia que o mandou internar na casa de saúde de São Rafael. A causa terá sido uma quadra dita em frente à cadeia, onde denunciou as injustiças deste mundo:
Oh, como esta vida é feia
Presos, meditai a fundo.
Só nunca vão à cadeia
Os maiores ladrões do mundo.
Pico da Pedra, 31 de dezembro de 2018
Teófilo Braga
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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Açoriano e mestre em Educação Ambiental lidera abaixo-assinado contra regresso do gado ao Parque Ecológico do Funchal, Associação avança com Providência Cautelar
DEZ 25, 2018 - 11:24:59 PMHENRIQUE CORREIA
Açoriano e mestre em Educação Ambiental lidera abaixo-assinado contra regresso do gado ao Parque Ecológico do Funchal, Associação avança com Providência Cautelar
Henrique Correia, 25 de dezembro de 2018
Teófilo Braga, açoriano, professor, mestre em Educação Ambiental, fundador da Associação Ecológica Amigos dos Açores, é o primeiro subscritor de um abaixo-assinado que visa pressionar a atual gestão da Câmara do Funchal, liderada por Paulo Cafôfo, contra o eventual regresso do gado ao Parque Ecológico.
Ontem, a Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, presidida por Raimundo Quintal, já tinha tornado público que interpôs “uma Providência Cautelar, no Tribunal Administrativo do Funchal, visando a suspensão imediata da eficácia da decisão da Câmara do Funchal de autorizar a criação de gado no Parque Ecológico”.
Hoje, Teófilo Braga dá conta que está já a circular o abaixo-assinado no sentido de contrariar essa decisão, O primeiro subscritor já visitou o Parque Ecológico por diversas vezes e participou, como voluntário, numa jornada de plantação de espécies nativas”.
No texto do abaixo-assinado, refere que “foi com alguma estranheza que tomámos conhecimento de que a Câmara Municipal do Funchal autorizou, recentemente, a criação de gado no Parque Ecológico do Funchal. Como a realidade dos factos demonstra, após a retirada do gado, em 1995, foi possível verificar, no Parque Ecológico do Funchal, a recuperação da biodiversidade, a qual a par da água e do solo são recursos vitais para a Madeira, apesar do revés provocado pelo incêndio de origem criminosa ocorrido em agosto de 2010”.
O mesmo texto que suporta o documento que está já a circular, aponta que “a medida agora tomada, a concretizar-se, será um duro golpe no trabalho que tem sido feito até agora, isto é a reflorestação com vista à recuperação das formações vegetais primitivas, à redução da erosão, à diminuição dos efeitos das cheias e ao reforço das nascentes. Estamos solidários com os trabalhos desenvolvidos ao longo de cerca de vinte anos pela Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal e apoiamos a tomada de posição daquela contrária ao regresso do gado ao Parque Ecológico”.
Face ao exposto, refere, “apelamos ao bom senso do senhor Presidente da Câmara Municipal para que volte atrás na sua decisão, respeitando o que é afirmado na página 83 do Plano de Gestão do Parque Ecológico do Funchal: “Não estão identificadas quaisquer áreas com a função de silvo pastorícia, nem se vislumbra considerar esta atividade como um objetivo futuro para estas áreas”.
Fonte: Notícias do Funchal
https://funchalnoticias.net/2018/12/25/acoriano-e-mestre-em-educacao-ambiental-lidera-abaixo-assinado-contra-regresso-do-gado-ao-parque-ecologico-do-funchal-associacao-avanca-com-providencia-cautelar/?fbclid=IwAR2qi_2zGNTmuGl5h_Yhio1hnr6B6qSoeivEJEEgdfgwte7IKo7gfpUa7TU
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Petição
terça-feira, 25 de dezembro de 2018
Em defesa do Parque Ecológico do Funchal
Assine aqui:
https://www.change.org/p/presidente-da-c%C3%A2mara-municipal-do-funchal-regresso-de-gado-ao-parque-ecol%C3%B3gico-do-funchal
REGRESSO DE GADO AO PARQUE ECOLÓGICO do FUNCHAL
Foi com alguma estranheza que tomámos conhecimento de que a Câmara Municipal do Funchal autorizou, recentemente, a criação de gado no Parque Ecológico do Funchal.
Como a realidade dos factos demonstra, após a retirada do gado, em 1995, foi possível verificar, no Parque Ecológico do Funchal, a recuperação da biodiversidade, a qual a par da água e do solo são recursos vitais para a Madeira, apesar do revés provocado pelo incêndio de origem criminosa ocorrido em agosto de 2010.
A medida agora tomada, a concretizar-se, será um duro golpe no trabalho que tem sido feito até agora, isto é a reflorestação com vista à recuperação das formações vegetais primitivas, à redução da erosão, à diminuição dos efeitos das cheias e ao reforço das nascentes.
Estamos solidários com os trabalhos desenvolvidos ao longo de cerca de vinte anos pela Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal e apoiamos a tomada de posição daquela contrária ao regresso do gado ao Parque Ecológico.
Face ao exposto, apelamos ao bom senso do senhor Presidente da Câmara Municipal para que volte atrás na sua decisão, respeitando o que é afirmado na página 83 do Plano de Gestão do Parque Ecológico do Funchal: “Não estão identificadas quaisquer áreas com a função de silvo pastorícia, nem se vislumbra considerar esta atividade como um objetivo futuro para estas áreas”.
Primeiro Subscritor: Teófilo Braga, açoriano, professor, mestre em Educação Ambiental, fundador da Associação Ecológica Amigos dos Açores. Já visitou o Parque Ecológico do Funchal por diversas vezes e participou, como voluntário, numa jornada de plantação de espécies nativas, organizada pela Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal.
Algumas notas a propósito das Narrativas Insulanas
Com os pés na terra (399)
Algumas notas a propósito das Narrativas Insulanas
Com um prefácio de Avelino de Freitas Meneses que não acrescenta nada à obra, a “Letras Lavadas Edições” publicou, em março de 2018, o livro “Narrativas Insulanas” da autoria de Sebastião Carlos da Costa Brandão e Albuquerque, visconde do Ervedal da Beira, por decreto do mal-amado Rei D. Carlos.
Embora não se trate de um livro que se compare ao que de melhor um não natural escreveu sobre a ilha de São Miguel, como foi o caso dos irmãos Buller, recomendamos a sua leitura a quem quer conhecer um pouco mais a vida na nossa ilha em 1894. De entre o que o autor escreveu, sem a pretensão de publicar, destacamos uma visita ao Pico da Cruz, a sua ida às Furnas e às Sete Cidades e a descrição das visitas aos três jardins de Ponta Delgada: António Borges, Jácome Correia e José do Canto. No que diz respeito às tradições, destaco o relato de uma coroação do Espírito Santo e das Festas do Santo Cristo dos Milagres.
Neste texto apenas vou fazer referência a alguns aspetos que por algum motivo achei por bem dar a conhecer a quem não teve, ainda, a oportunidade de ler o livro referido.
Sobre a minha terra de nascimento, Vila Franca do Campo, o autor relata uma ida à Lagoa do Fogo, não muito bem-sucedida devido ao mau tempo, a partir da Prainha de Água d’Alto. Como o autor apenas esteve de passagem pela vila, no regresso das Furnas a caminho de Ponta Delgada, sobre a mesma apenas escreveu o seguinte: “Passámos em Vila Franca do Campo às quatro horas da tarde, só pudemos ver galinhas, e eram tantas que a mim e ao Matos deu-nos para fazer a estatística delas, no espaço de cem metros e só à volta do carro contámos, eu noventa e oito e ele oitenta e sete, os galos não entravam na conta.”
Quando se diz hoje que a preocupação com os direitos dos animais é uma moda recente, o autor mostra-nos que tal afirmação está errada, pois já no século XIX ele escreveu sobre o assunto. Com efeito, na descrição da visita às Sete Cidades que foi feita com o apoio de burros e de um macho, o autor refere o seguinte: “Despedi-me, primeiro do macho, e depois do acessório, ao Sr. José Jacinto Raposo, industrial moageiro de Feteiras, satisfiz os honorários combinados, dei-lhe ainda uma gorjeta, e pedi-lhe em seu nome que por aquele dia desse férias ao bom animal, e não fosse prendê-lo de novo à moenga, ele assim o prometeu, mas quem sabe se cumpriria!”.
A descrição dos jardins de Ponta Delgada é fabulosa, pelo que só por ela não me arrependi de ter adquirido o livro. Não vou transcrever o que sobre cada um deles o autor escreveu, limito-me, apenas, a referir a introdução que ele fez. Assim, segundo ele “há três parques em Ponta Delgada que por forma alguma não devem deixar de ver-se, pois são admiravelmente belos e alguns deles ricos em plantas, arbustos e primores. …O primeiro, que fica do lado poente é do Sr. António Borges, o segundo é do Sr. Conde Jácome, e o terceiro do Sr. José do Canto. O primeiro revela um artista e poeta; o segundo um fidalgo; o terceiro um sábio inteligente amante adorador da natureza em toda a realidade das suas forças e expansões.”
Termino este texto, com uma referência a dois aspetos que não agradaram ao visconde do Ervedal da Beira. Segundo ele, “a gente da ilha em geral é boa e afável, muito atenciosa e dedicada ao trabalho, acolhe muito bem as pessoas que por ali passam. Tem, contudo, defeitos que lhe não posso perdoar. Os homens comem canários e as mulheres não só comem os canários, o que é mais agravante da parte de quem deve ter maior sensibilidade no coração, mas além disso envolvem-se nuns medonhos e horríveis capelos (capotes) ou capuzes que as transformam em bruxas ou feiticeiras.”
Uma vez mais recomendo a leitura do livro e dou os meus parabéns à editora.
Pico da Pedra, 26 de dezembro de 2018
Teófilo Braga
domingo, 23 de dezembro de 2018
Manhãs de Páscoa
Com os pés na terra (398)
Manhãs de Páscoa
Numa conhecida rede social tenho vindo a divulgar algumas espécies existentes nos Açores, dando a conhecer o seu nome científico, o nome comum, a origem, a família e o local onde podem ser encontradas.
Uma das espécies que mais despertou a atenção dos leitores foi a Euphobia pulcherrima, a qual apresenta, entre outros, o nome comum de Manhãs de Páscoa. A maioria estranhou aquela designação, pois floresce por altura do Natal e houve um que disse que a conhecia pelo nome de Repúblicas.
Neste texto, para além de tentar esclarecer a questão dos nomes comuns, que variam de terra para terra e que são atribuídos pelas mais diversas razões, darei a conhecer um pouco mais a espécie referida que é oriunda do México.
O roubo de plantas da espécie referida dos Jardins de Ponta Delgada, noticiado recentemente pelo jornal Correio dos Açores, monstra que o vandalismo continua a ser prática corrente na nossa ilha, e prova que a planta tem interesse económico, pois quem o faz, fá-lo porque quer embelezar a sua casa sem gastar dinheiro ou para ganhar dinheiro fácil, através da sua venda.
Não tendo dados sobre a importância económica da espécie nos Açores, menciono, abaixo, a informação recolhida num artigo publicado na “Revista Mexicana de Biodiversidad”, em junho de 2015.
De acordo com os autores do artigo citado, a espécie é uma das plantas ornamentais de maior importância económica em todo o mundo, superando as suas vendas anuais os 100 milhões de dólares, nos Estados Unidos da América.
Não conhecemos qualquer utilização, nos Açores, da Euphobia pulcherrima para além da ornamental, mas há bibliografia que menciona diversos usos medicinais sobretudo relacionados com doenças de pele. Por outro lado, o livro Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais, inclui a espécie na lista de plantas ornamentais exóticas, tóxicas ou alergizantes.
Luís Franquinho e António da Costa, no seu livro “Madeira Plantas e Flores”, apresentam três nomes comuns para a Euphobia pulcherrima: Manhãs de Páscoa, Poinsétia e Eufórbia Cardeal. Raimundo Quintal, na lista de plantas do Jardim José do Canto, por seu turno, apresenta os seguintes nomes comuns: Poinsétia e Estrela-de-Natal. Ainda sobre os nomes comuns da espécie que vimnos referindo, a página Web “Paisagismo Digital”, apresenta os seguintes: Estrella-federal , Pascuero , Poinsetia , Flor-de-pascua , Flor-de-nadal, Pascuero , Árvore-república , Poisetia , Flores-de-páscoa , Manhãs-de-páscoa , Folha-de-sangue , Flor-de-páscoa , Poinsétia e Bico-de-papagaio .
Os nomes comuns dados nos Açores à espécie são, pelo menos tudo leva a crer, importados. Por razões de economia de espaço e tempo, e por alguns nos parecerem óbvios, apresentamos a seguir uma explicação ou uma tentativa de explicação para dois deles.
O nome Manhãs de Páscoa poderá ser devido ao facto de, em Espanha, “Felices Pascuas!” ser uma “forma tradicional de felicitar la Navidad” e o de Poinsétia é uma forma de homenagear o médico, botânico e estadista dos Estados Unidos da América, Joel Roberts Poinsett (1779 - 1851).
Pico da Pedra, 24 de dezembro de 2018
Teófilo Braga
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sábado, 22 de dezembro de 2018
quinta-feira, 20 de dezembro de 2018
O Visconde do Ervedal da Beira e os canários
Notas Zoófilas (136)
O Visconde do Ervedal da Beira e os canários
No livro “Narrativas Insulanas”, escrito por Sebastião Carlos da Costa Brandão e Albuquerque que viveu em Ponta Delgada, onde fora colocado como juiz no Tribunal da Relação dos Açores (Ponta Delgada) em janeiro de 1894 há duas referências que mostram alguma sensibilidade do autor relativamente à proteção dos animais.
A primeira diz respeito a um macho que participou numa visita do autor às Sete Cidades, em que aquele pagou ao seu proprietário o devido e deu-lhe uma gorjeta pedindo para que o animal fosse poupado ao trabalho no resto do dia.
A segunda referência diz respeito à apanha de canários para serem usados na alimentação, o que se verificou até quase ao fim do século XX. Com efeito, apesar da proibição da apanha continuaram a serem vendidos num conhecido restaurante na Ribeira Grande, tendo tal facto sido denunciados por várias vezes às autoridades pela associação Amigos dos Açores.
Sobre os canários, Sebastião Carlos da Costa Brandão e Albuquerque no livro citado, editado em março de 2018, pelas Letras Lavadas Edições, a par do uso do capote e capelo, considera que o seu uso na alimentação “são defeitos” que não pode perdoar às pessoas de São Miguel.
Na página 174, do livro que recomendamos a sua leitura, sobre o assunto podemos ler o seguinte:
“Os homens comem os canários, e as mulheres não só comem os canários, o que é mais agravante da parte de quem deve ter maior sensibilidade no coração, mas além disso envolvem-se nuns medonhos e horríveis capelos (capotes) ou capuzes que as transformam em bruxas ou feiticeiras.
Não se pode imaginar o quanto é agradável sair e percorrer os campos, e ver-se a gente acompanhado e saudado pelos suavíssimos gorjeios dos canários! Voam e cantam felizes e alegres pelos ares e arvoredos, e não têm o estrídulo cantar dos seus companheiros de outros países, embora de mais vistosas plumagens; as suas notas são brandas, melodiosas, os sons têm gemidos e tristezas, têm risos e alegrias. Que sacrilégio e que barbaridade a guerra de extermínio que lhes fazem e o canibalismo feroz com que os devoram!
Nas mesas dos hotéis aparecem terrinas cheias destes inocentes, que são devorados com a ferocidade e prazer de cafres; que horror!
Desculpam-se os seus perseguidores com a fava e grão-de-bico que as pobres avezinhas comem apenas para o seu sustento, e lhes pagam fidalga e generosamente com as suas encantadoras melodias!”
Pico da Pedra, 20 de dezembro de 2018
Teófilo Braga
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
Festas do Santo Cristo manchadas e a loucura das touradas em 1961
Com os pés na terra (397)
Festas do Santo Cristo manchadas e a loucura das touradas em 1961
Em 1961, as festas da cidade de Ponta Delgada, as maiores festas religiosas dos Açores, realizadas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres foram manchadas pelo derramamento de sangue de animais (touros) para pura diversão de alguns sádicos que se dizem humanos. Com efeito, a Agência de Publicidade SPAL voltou a colaborar com um grupo de terceirenses na organização de dois festivais tauromáquicos que se realizaram nos dias 8 e 11 de maio, respetivamente segunda-feira e quinta-feira do Santo Cristo.
Nesta segunda investida da indústria tauromáquica terceirense, em 1961, recorde-se que a primeira ocorreu pela Páscoa, para além de touros das ganadarias de José de Castro Parreira e José Diniz Fernandes, vieram da ilha Terceira os amadores Henrique Parreira e Amadeu Simões e o grupo de forcados chefiados pelo cabo Osvaldo Simões que na sua estreia terá feito uma pega de costas. Para as duas touradas de praça, veio “expressamente de Madrid” o famoso matador espanhol Luís Lucena.
Na segunda tourada realizada o cabo dos forcados foi levado pelo touro de um extremo ao outro da praça até embater num muro. Levado ao hospital pela ambulância dos bombeiros voluntários foi-lhe diagnosticada “uma simples comoção sem fracturas”.
Para além das duas touradas, realizou-se uma garraiada onde atuaram oito “neófitos micaelenses”.
De acordo com o jornal Correio dos Açores os três novilhos foram lidados por António Manuel da Câmara Cymbron, Luís Ricardo Vaz Monteiro de Vasconcelos Franco e Henrique Machado Soares e como forcados atuaram Victor Manuel Rebelo Borges de Castro, Luís Fernando da Câmara Cymbron e João de Sousa Duarte com o auxílio de Luís Manuel Athayde Mota e António Manuel Rebelo Borges de Castro.
Na altura, o entusiasmo pelas touradas era tanto que foi muito falada a construção de uma Praça de Touros em Ponta Delgada, tendo sido aventados um terreno pertencente à Câmara Municipal de Ponta Delgada na rua da Mãe de Deus, em frente ao Foral da Misericórdia, e um outro pertencente a particulares localizado em São Gonçalo.
A adesão de alguns micaelenses às touradas em 1961 causou algum pânico na ilha Terceira como se poderá confirmar através de alguns textos publicados nos jornais daquela ilha.
Assim, a 20 de Abril de 1961, a ANI transcreveu uma notícia do Diário Insular onde se afirmava que uma subscrição para a construção de uma praça de touros em São Miguel já havia recolhido cerca de 2000 contos. Na mesma notícia ainda se pode ler o seguinte: E a piada reside exactamente, desde que se confirme a notícia da tal subscrição, no facto de S. Miguel ameaçar desviar da Terceira o centro tauromáquico do arquipélago com a construção de uma praça que, naturalmente, destronaria a velha Praça de S. João” e continua: “Podem não achar-lhe qualquer piada os aficionados terceirenses, mas a verdade é que o facto não deixa de a ter. Ou não terá?”
De igual modo, o Jornal A União, citado pelo Correio dos Açores, de 4 de Maio de 1961, também publicou um texto intitulado “Virou-se o feitiço…” onde a dado passo pode ler-se:
“Por bem fazer…mal haver. A embaixada académica (Liceu) que foi a S. Miguel e quis levar até aos nossos irmãos micaelenses um pouco daquela descuidada alegria que as Touradas emprestam à mocidade terceirense, deve estar agora convencida de que, indo “por bem”, o seu esforço redundou num péssimo serviço prestado à ilha Terceira. Lançando em Ponta Delgada o “vírus” da Festa Brava, mudaram possivelmente o “eixo” desse atractivo até há pouco “exclusivamente terceirense” em terras Açorianas, criando-se mais uma situação “subsidiária” de que não será fácil furtar-nos dentro de pouco tempo”.
Ainda a atestar o interesse pelas touradas, o Correio dos Açores noticiou a organização de uma excursão de micaelenses à Terceira para assistirem a uma tourada de gala que se realizou a 3 de julho de 1961 e que contou com a participação do toureiro português António dos Santos e do “matador” espanhol Orteguita, onde foram corridos touros vindos do continente português.
Felizmente a barbaridade descrita hoje não existe na ilha de São Miguel, apesar dos incentivos dados por governantes sem escrúpulos e a conivência de parte da Igreja Católica.
Pico da Pedra, 18 de dezembro de 2018
Teófilo Braga
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
Duas notas sobre Francisco Soares Silva
Com os pés na terra (396)
Duas notas sobre Francisco Soares Silva
Por mais de uma vez escrevemos sobre o operário micaelense Francisco Soares Silva que foi diretor do jornal Vida Nova que se publicou em Ponta Delgada no início do século XX.
A leitura do livro “Os Alevantes da Memória”, da autoria de David Luna de Carvalho, editado em 1999, pelas Edições Salamandra dá-nos a conhecer a ligação de Francisco Soares Silva ao concelho do Nordeste, na ilha de São Miguel.
Tal como aconteceu com a democracia surgida com o 25 de abril de 1974, que foi construída essencialmente por adeptos do Estado Novo daí o estado em que o país e a região se encontram, a República implantou-se em terreno onde escasseavam os republicanos.
No caso do Nordeste, o autor referido menciona a pouca adesão à República, dando como prova o facto de apenas 43 pessoas terem assinado a sua proclamação. Ainda segunda a mesma fonte, para além do administrador do Concelho, “feito à pressa republicano”, apenas havia dois nomes que não estavam associados à monarquia como se pode ler através do seguinte extrato: …o único que não tinha a ver com o partido republicano era o médico-cirurgião, António Cabral de Mello. O outro nome, Francisco Soares da Silva, assumia-se como “Socialista-Libertário”.
Por que razão assinou Francisco Soares Silva, a proclamação da república nos Paços do Concelho do Nordeste?
De momento, desconhecemos já que nas pesquisas efetuadas até ao momento o seu nome aparece sempre ligado a Ponta Delgada.
Outro livro consultado, recentemente, que esclarece um pouco mais a ligação da feminista Alice Moderno com os principais responsáveis pelo jornal Vida Nova é o da autoria de Breno de Vasconcelos, intitulado “Paz Cinzenta …os Açores através de algumas figuras e episódios de uma época”, editado em Lisboa, em 1979.
Francisco Soares Silva foi um dos primeiros sócios da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, instituição fundada por Alice Moderno e Maria Evelina de Sousa. Foi também na tipografia de Alice Moderno que chegou a ser impresso o jornal Vida Nova de Francisco Soares Silva.
Através do livro de Breno de Vasconcelos ficamos a saber que um dos dirigentes do movimento operário em são Miguel, Manuel Medeiros Cabral, companheiro e vizinho de oficina de Francisco Soares Silva, possuía a sua “Agência Funerária Cabral” ao lado do escritório de Alice Moderno, no edifício que era pertença daquela ilustre escritora e defensora dos animais.
Sobre o débil movimento operário micaelense, onde o nome de Francisco Soares Silva, teve um papel ímpar, Breno de Vasconcelos escreveu o seguinte:
“No auge das campanhas proletárias que também surgirem em Ponta Delgada, mestre Cabral tomou parte activa, juntamente com um seu vizinho de oficina, Francisco Soares Silva, mais conhecido por “mestre Chico Manco”, que era bastante inteligente e foi um dos acérrimos defensores da classe operária”.
Pico da Pedra, 14 de dezembro de 2018
Teófilo Braga
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
domingo, 9 de dezembro de 2018
A Maçonaria nos Açores
A Maçonaria nos Açores
Muito pouco se tem escrito sobre a presença da Maçonaria nos Açores pelo que sobre a mesma apenas conhecemos um excelente livro da autoria de António Lopes, intitulado “A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935)”.
Instituição respeitável, como todas as outras está infiltrada por pessoas que se aproveitam para fins diversos dos da organização, nomeadamente para benefício pessoal ou de familiares e amigos.
Sendo uma organização secreta, que não se justifica nos dias de hoje, pouco se sabe acerca dela, nomeadamente nos Açores. Uma importante fonte para ficarmos a conhecer algumas “trafulhices” feitas por alguns dos seus membros é o livro publicado em 2013 pela Esfera dos Livros, intitulado “Segredos da Maçonaria Portuguesa” da autoria de António José Vilela.
O livro, entre outras informações, dá a conhecer “o vasto património da maçonaria, quem são os maçons eleitos para o Parlamento do GOL-Grande Oriente Lusitano, o que dizem as atas confidenciais das sessões, onde, entre outros assuntos, já se votou a criação de serviços de inteligence e as ligações do espião Jorge Silva Carvalho aos altos graus da maçonaria e ao atual ministro Miguel Relvas”.
Em relação aos Açores há pouca informação, mas dado o interesse ou o desconhecimento por parte da maioria dos açorianos, vamos divulga-la, abaixo.
Na página 235, pode ler-se que Ricardo Rodrigues, atual presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, partilhava o templo da Loja Maçónica Abade Correia da Serra, nº 69, com Adelino Cunha, José Gomes Ferreira e com os deputados do PSD Carlos Páscoa e José Manuel Canavarro.
Na página 121 há a referência à Loja “Renascer “, de Ponta Delgada, que tinha como venerável mestre António Joaquim Rodrigues Lopes.
Na página 259, há um quadro com os dirigentes da Loja do GOL em Angra do Heroísmo. Assim, a Loja “Vitorino Nemésio” tinha em 2006 os seguintes dirigentes:
Dimas Costa Lopes- Venerável mestre
Jorge Paulos Bruno – Representante e primeiro vigilante
Júlio Dinis Lopes da Silva-Representante (suplente) e segundo vigilante
Francisco Jorge Silva Teixeira – Primeiro experto
José Sousa
Açores, 8 de dezembro de 2018
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
O dia 13 de junho de 1974 na história de Vila Franca do Campo
O dia 13 de junho de 1974 na história de Vila Franca do Campo
Sobre o assalto à Câmara Municipal de Vila Franca do Campo conhecemos algumas versões do que terá ocorrido, todas elas ligadas a pessoas que estiveram de um ou do outro lado da barricada, isto é, dos que defendiam a substituição do executivo em exercício por um uma comissão ligada ao Movimento Democrático (MD) ou por outra que estava ligada ao Partido Popular Democrático Açoriano (PPDA).
Sobre este assunto já escrevi um texto que foi publicado no Correio dos Açores, no dia 24 de abril de 2013, com base em informações que possuía, oriundas de um livro do Dr. Manuel Barbosa, em dados recolhidos junto de pessoas que presenciaram o ato e de documentos, sobretudo folhetos, que recolhi na altura e do que presenciei, pois assisti ao referido assalto.
Volto ao tema, não para fazer juízos de valor sobre ninguém, mas porque recentemente tive acesso ao Processo sobre os acontecimentos que foi instruído pelo Governo Civil do Distrito Autónomo de Ponta Delgada.
Antes de fazer referência ao assalto propriamente dito, apresento os nomes das personalidades envolvidas no processo de “assalto ao poder” na Câmara Municipal da Vila.
O executivo municipal em exercício de funções quando se deu o 25 de Abril de 1974 era composto por Orlando Augusto Borges Brandão, António dos Santos Botelho e António Daniel de Carvalho e Melo.
Para substituir as pessoas referidas que, como era de esperar, estavam ligadas ao Estado Novo, o Movimento Democrático, apresentou uma comissão que tinha a seguinte composição: Raúl Eduardo do Vale Raposo Borges, Armando Botelho Henrique, Alfredo Moniz Gago da Câmara, Elias Pimentel Costa e João José Sardinha.
Curiosamente tal como acontece sempre que há mudanças de regimes ou mesmo mudanças de partidos no poder há sempre os adesivos ou lapas que mudam de opinião para se manterem na mó de cima. No caso em apreço na comissão referida há um elemento que sete meses antes era apresentado num jornal vila-franquense como como membro da Ação Nacional Popular, o partido que suportava o Estado Novo.
Insatisfeitos com a comissão proposta pelo Movimento Democrático foi apresentada aos vila-franquenses no dia 11 de junho, elementos do Partido Popular Democrático Açoriano no dia 13 pretenderam apresentar uma alternativa no mesmo local, o Jardim Antero de Quental.
Foram escolhidos para o efeito Eduíno Simas e Eduardo Calisto, que estando numa “Janela da “Construtora” não chegaram a dar a conhecer a equipa porque gritaria e o barulho feito com latas velhas e outros objetos pela multidão concentrada no local não o permitiu.
Relativamente aos responsáveis pelo boicote à sessão, através da leitura dos relatórios da PSP e do presidente da Câmara Municipal em exercício não restam dúvidas de que eram partidários da Comissão proposta pelo Movimento Democrático. Assim, enquanto Orlando Brandão culpa diretamente o MD e estranha a presença de Manuel Barbosa e Renato Resendes, acusando-os de por meio de apaniguados trazerem pessoas de Água d´Alto e de Ponta Graça, o relatório da PSP refere que três autocarros de passageiros trouxeram pessoas daquelas localidades para boicotar a sessão e refere que um dos filhos de Alfredo Gago da Câmara e o filho de Elias Pimentel da Costa andaram pelas casas pedindo latas e panelas velhas e que o chefe dos Correios de Vila Franca assumiu a responsabilidade dos rapazes terem ido para a rua perturbar a manifestação.
Sobre quem assaltou o edifício da Câmara Municipal o Relatório da PSP, através do depoimento do subchefe João Gomes, identificou as seguintes pessoas:
“O FILHO DE ELIAS PIMENTEL DA COSTA, que foi o primeiro da entrar com ANTÓNIO DA SILVA, vendedor de peixe, UM FILHO DESTE empregado comercial, que trabalha com o Laurindo, OS DOIS FILHOS do Alfredo Moniz Gago da Câmara, UM TAL DIONÍSIO, chefe dos Correios, que esteve na varanda, O FILHO DA PENICA (Laiola), o MANUEL ou JOSÉ RAINHA, pescador e ADELINO PIMENTEL CASIMIRO, que foi visto sair da Secretaria do Tribunal acompanhado de um rapaz”.
Teófilo Braga
5 de dezembro de 2018
Etiquetas:
1974,
Câmara Municipal de Via Franca do Campo
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