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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Le Grand


Gérald Le Grand

Sempre que se quiser fazer uma história da conservação da natureza nos Açores e se se quiser mencionar personalidades que deram o seu contributo para tal o nome do ornitólogo e ecologista francês Gérald Le Grand não pode ser esquecido.

Gérald Le Grand, ao contrário de muitos outros, não se limitou aos seus estudos teóricos na Universidade dos Açores e aos seus trabalhos de campo para melhor conhecer o património natural do nosso arquipélago. Com efeito, sempre que lhe era possível fez intervenções junto do grande público, através da comunicação social, e participou ativamente no movimento associativo de defesa do ambiente, sobretudo através da Delegação dos Açores do Núcleo Português de Estudos e Proteção da Vida Selvagem.

Hoje, em São Miguel, poucas pessoas, sobretudo entre as mais novas, não saberão o que é o priolo, ave endémica dos Açores conhecida desde os tempos mais remotos do povoamento da ilha de São Miguel e que durante algum tempo foi perseguido e abatido, o que terá ajudado a levá-lo à beira da extinção. Mas, quase ninguém sabe que a Gérald Le Grand, se deve o despertar do interesse pela sua proteção.

No que diz respeito ao associativismo, ele e o Eng. Duarte Furtado, foram os principais dinamizadores da Delegação dos Açores do Núcleo Português de Estudos e Proteção da Vida Selvagem, associação que teve sede em Vila Franca do Campo e que entre outras iniciativas publicou o boletim “Priôlo”.

No referido boletim, Gérald Le Grand foi autor de textos sobre a avifauna em geral e sobre o priolo, em particular e contra o uso “pacífico” da energia nuclear que produz resíduos que eram lançados “em pleno oceano longe de zonas habitadas…cujo condicionamento está muito longe de tomar em conta a nossa ignorância”.

Ainda no que diz respeito ao associativismo, Gérald Le Grand prestou grande apoio aos Amigos dos Açores, através da autorização que concedeu para a utilização dos seus textos e sobretudo dos seus desenhos, sendo ele o autor do seu logotipo.
Sobre a sua participação na imprensa, a título de exemplo, menciono a sua colaboração, em 1981, no jornal Açores, onde questionou as autoridades, nos seguintes termos: ”Pedimos uma vez mais aos Açorianos e ao Governo Regional para abrir o debate sobre a caça à baleia, para discutir sobre a reconversão de fábricas baleeiras e dos seus empregados, para discutir a promoção turística, caça fotográfica, regatas de baleeiras, festas de baleia… para discutir a criação de santuário para os mamíferos, as aves e tartarugas marinhas na ZEE dos Açores”.
Em 1980, em depoimento ao jornal a Ilha, o Prof. Doutor Vasco Garcia deu a conhecer a (re) descoberta do priolo, na vertente sul do Pico da Vara e informou que iriam “ser acionados todos os mecanismos a fim de aquela zona ser considerada protegida para a recuperação da ave rara”.
Terá sido na sequência daquela descoberta que foi elaborada uma proposta de classificação da área intitulada “Pico da Vara- uma zona de valor internacional a preservar”, da autoria de Géral Le Grand, Erik Sjogren e Duarte Soares Furtado.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30774, 3 de novembro de 2015, p.19)

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Recordando a Dr.ª Natália de Almeida


Recordando a Dr.ª Natália de Almeida

No passado dia 14 de setembro, faleceu a minha antiga professora de Introdução à Política, no ano letivo 1974/75, na Escola Secundária Antero de Quental e mais tarde minha colega no mesmo estabelecimento de ensino.

A disciplina de Introdução à Política surgiu, após o 25 de Abril de 1974, para substituir uma intitulada Organização Politica e Administrativa da Nação que se destinava a dar a conhecer aos alunos, entre outros conteúdos, a Constituição, o Código Administrativo e o Estatuto do Trabalho Nacional do Estado Novo.

Se as aulas de Organização Politica e Administrativa da Nação eram muito maçadoras e verdadeiramente desinteressantes, acredito que não por inteira culpa do professor, as de Introdução à Politica, eram completamente diferentes, não só devido aos tempos de esperança que então se viviam, mas também, ou sobretudo, fruto das qualidades didáticas da docente que a todos entusiasmava, apelando à participação ativa de todos os alunos.

Alguns anos mais tarde, como já referi, voltei a encontrar-me, no mesmo estabelecimento de ensino, com a Dr.ª Natália de Almeida, mas já na qualidade de professor de Física e Química, tendo na altura, colaborado com um projeto que ela manteve durante alguns anos, o suplemento cultural “O Pedagogo”.

O Pedagogo, segundo a Drª Natália de Almeida, tinha como desígnio “criar um espaço em que a cultura tenha lugar privilegiado. Queremos fazer deste suplemento um estímulo vário que ajude cada leitor a saber mais, a refletir melhor, a dialogar mais, a ascender a níveis mais elevados de fruição intelectual”.

Para além do meu pobre contributo com textos sobre a causa ambiental, “O Pedagogo” contou, no ano de 1989, com a colaboração de Eduardo Jorge Brum, Urbano Bettencourt, Dias de Melo, Judite Jorge, António Melo Sousa, Clotilde Cymbron, Maria Angelina Balacó Amaral, Victor de Lima Meireles e Fernando Aires.

Numa altura em que para além da crise económica, social, política e ambiental se assiste a uma perda de valores e a um regresso ao autoritarismo, ler os textos escritos pela Drª Natália de Almeida, para além de ficarmos melhor a conhecer o seu pensamento, poderá ajudar-nos a refletir e a agir nos dias de hoje para a construção de uma sociedade mais livre, democrática e mais justa.

Sobre a liberdade, a Dra. Natália de Almeida escreveu, no suplemento publicado a 14 de outubro de 1989, que a liberdade de pensamento não é a liberdade de pensar mas sim “o direito de exprimir o seu próprio pensamento perante os outros e de procurar com que os outros partilhem dele”. Ainda sobre este assunto, escreveu que “os regimes de força (ditaduras de esquerda e de direita nas suas mais sofisticadas formas) têm a liberdade de pensamento como o primeiro inimigo a abater. É impedindo a livre comunicação de ideias, críticas, denuncias, que os ditadores de todos os tempos se têm conseguido manter de pé”.

No suplemento nº 5, publicado a 25 de novembro de 1989, é abordada a noção de cultura. No seu texto a Dr.ª Natália de Almeida, depois de apresentar vários conceitos chama a atenção para o facto de ser “perigoso usar cultura sem especificar qual o sentido ou significado da palavra” e acrescenta:

“É que RESPEITAR A CULTURA PODE SER UMA FORMA DE DESINVESTIMENTO CULTURAL, ou seja pode-se afogar o que há de novo em nome da manutenção do que é tradicional, mesmo que seja pobre e atrasado (já que há que salvaguardar o que, sendo tradicional, é rico e autêntico).”

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 30769, 28 de outubro de 2015, p.12)

http://www.rtp.pt/acores/cultura/morreu-natalia-almeida_48110

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Os animais têm direitos?


Os animais têm direitos?

Uma princesa inglesa afirmou, recentemente, que os animais não têm direitos porque não têm conta bancária, não votam e que só deve ter direitos quem paga impostos.

Entre nós, um acérrimo defensor da tauromaquia afirmou que não há qualquer problema em torturar os touros por não terem quaisquer direitos já que só deverão ter direitos quem for capaz de resolver o teorema de Pitágoras.

Esta última afirmação, tal como a anterior, é deveras preocupante pois se a estendermos aos humanos, bebés, crianças e todos os que nunca aprenderam o dito teorema ou os que já o esqueceram não deverão ser titulares de quaisquer direitos, podendo consequentemente ser vítimas de maus tratos, discriminados, torturados, escravizados, etc.

Não pretendendo discutir aqui a questão dos direitos dos animais, o nosso objetivo com este curto texto é dar a conhecer um livro, publicado recentemente, intitulado “Sim! Os animais têm direitos”, da autoria de André Nunes, licenciado em direito pela Universidade Católica Portuguesa, que, desde 2009, se dedica ao estudo dos direitos dos animais, quer sob o ponto de vista jurídico, quer filosófico.

Por muito que custe a algumas cabeças pouco abertas à evolução das mentalidades, é cada vez maior o número de pessoas que em todo o mundo se preocupam com a vida dos animais não humanos e lutam para que a sua situação melhore. Segundo Paulo Borges, autor do prefácio, ao referido livro, “a ética animal, a par da ambiental, é hoje uma das áreas de investigação mais florescentes nos estudos académicos e a questão dos direitos dos animais e da natureza tornou-se central ao debate filosófico-jurídico contemporâneo”.

O livro, de fácil leitura, possui cinco capítulos, sendo o primeiro mais teórico, onde o autor define “o limite a partir do qual devem os animais ser considerados eticamente”. No segundo capítulo, o autor responde às objeções feitas à defesa dos direitos dos animais, no terceiro é rebatida a argumentação “que se centra mais no mensageiro do que na mensagem argumento”, no quarto capítulo é desmascarada a estratégia “assente no rótulo do tratamento bom e humanitário” nas várias indústrias de exploração de animais. Por último, no quinto capítulo o autor propõe-se “encontrar uma resposta para a questão: como devemos tratar os animais não-humanos””

As opiniões do autor, que não aceita “que a espécie humana se coloque a ela própria num patamar à parte” da mesma maneira que não aceita que os animais sejam colocados “numa redoma inquebrável”, com certeza irão causar algum desconforto a quem não tem o espírito aberto a admitir ideias diferentes das suas ou a quem, por preguiça mental, não está habituado a refletir, sem preconceitos, sobre os mais diversos assuntos.

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 30768, de 27 de outubro de 2015, p.6)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Ano Internacional da Luz

Fonte: http://parquedaciencia.blogspot.com/2014/03/isaac-newton-o-pai-da-fisica-moderna.html

O ano de 2015 foi proclamado, pelas Nações Unidas, como o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas na Luz., como forma de reconhecimento da importância das tecnologias baseadas na luz na promoção do desenvolvimento sustentável e na busca de soluções para os desafios mundiais nas áreas de energia, educação, agricultura, saúde, etc.

Se na maior parte das vezes as comemorações dos diversos anos internacionais pouco adiantam em termos de resolução dos problemas concretos das pessoas, no caso em apreço, pelo menos nos Açores, não se conhece qualquer iniciativa para o assinalar, por mais simbólica que seja.

No texto de hoje, sucintamente, apresentarei alguns físicos que com as suas teorias e investigações contribuíram para um melhor conhecimento da luz e consequentemente tornaram possível diversas aplicações das tecnologias nela suportadas.

O primeiro físico que vamos mencionar neste texto é o inglês Isaac Newton (1643-1727), conhecido pela sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, onde descreve a lei da gravitação universal e as três leis de Newton, que fundamentaram a mecânica clássica que é a que é ensinada, ainda hoje, nas nossas escolas, no terceiro ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário.

Mas, para além do seu monumental contributo para a física, Newton também se dedicou à astronomia, à matemática, à filosofia natural e à teologia.

No que à luz diz respeito, Newton propôs a teoria corpuscular segundo a qual a luz é constituída por pequenas partículas que são emitidas pelas fontes luminosas. A teoria corpuscular explicava muito bem os fenómenos da reflexão e da refração.

Newton, também, explicou por que razão a luz branca pode ser decomposta em “luzes de várias cores”. Este fenómeno ótico que se denomina dispersão foi observado por ele em 1672 quando fez atravessar por um prisma um feixe de luz branca.

Newton, que segundo o físico português Carlos Fiolhais conseguiu ofuscar “a grande maioria dos seus opositores” não foi capaz de fazer sombra ao físico holandês Christiaan Huygens (1629-1695) que defendeu que a luz era uma onda que se propagava no éter, o qual, no final do século XIX, se provou não existir.

Depois do confronto entre as duas teorias, que durou muito tempo, a ondulatória de Huygens ganhou adeptos pois conseguiu explicar os fenómenos da difração e interferência da luz que a corpuscular não era capaz de o fazer.

Mas, uma questão permanecia por responder: afinal, o que é a luz?

A resposta foi dada pelo físico e matemático escocês, James Maxwell (1831-1879), cujo trabalho em prol da ciência foi considerado por Albert Einstein “o mais profundo e frutífero que a física descobriu desde Newton". Para ele a luz estava relacionada com a eletricidade e com o magnetismo, sendo, segundo Pierre Guaydier, uma onda luminosa representada “pela associação de um campo magnético e de um campo elétrico periodicamente variáveis com uma frequência muito grande, propagando-se estas variáveis à velocidade de 300 000quilómetros por segundo”.

Como é impossível fazer referência a todos os físicos que contribuíram para o estudo da luz, para terminar este texto, farei uma breve referência ao físico teórico alemão, naturalizado americano, Albert Einstein (1879-1955), que soube conciliar as duas teorias, a corpuscular e a ondulatória, dizendo que uma teoria explicava bem alguns fenómenos enquanto a outra explicava outros.

Para além disso, Einstein explicou, em 1905, o efeito fotoelétrico, o qual consiste em arrancar eletrões de uma superfície metálica quando sobre ela incide luz, o que lhe valeu, em 1921, o prémio Nobel da Física.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30763, 21 de outubro de 2015, p.13)

Garajaus


Foto: José Pedro Medeiros

Um espaço para os garajaus

Em Nota Zoófila anterior o tema foi a campanha SOS cagarro. Nesta, vou escrever sobre outras aves marinhas, os garajaus.

Para tentar explicar o que são os garajaus e sobretudo a diferença entre eles, transcrevo um excerto de um texto de apoio a uma sugestão para uma aula de educação ambiental cuja autoria é do Doutor Luis Monteiro:

“Os garajaus são aves marinhas coloniais, com caudas bifurcadas e de aspecto mais aerodinâmico do que as gaivotas. O garajau-comum apresenta as asas de um cinzento mais escuro do que as do garajau-rosado. A asa do garajau-comum é ligeiramente menor do que a do rosado e o bico é predominantemente vermelho (só a ponta é preta) enquanto o bico do garajau-rosado é predominantemente preto. No Verão o garajau-rosado apresenta o peito tingido com um tom róseo leve. Em voo nota-se que esta espécie é, de um modo geral, mais clara do que a outra”

Os garajaus, comum e rosado, foram, nos Açores, as primeiras aves marinhas a ser alvo de uma campanha de sensibilização, a qual foi lançada, em março de 1993, por iniciativa do Doutor Luís Monteiro, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e que contou com a colaboração da associação ecológica Amigos dos Açores que, naquele ano e em anos posteriores, editou milhares de folhetos sobre as duas espécies, que foram distribuídos essencialmente nas escolas, e promoveu pequenas exposições, também em escolas e em sedes de juntas de freguesia.

Dois anos antes do início da campanha referida, o Doutor Luís Monteiro, numa comunicação apresentada no 2º Encontro de Ambiente, Turismo e Cultura, realizado, em Janeiro, na cidade de Angra do Heroísmo, realçou a importância dos Açores tanto para o garajau comum como para o rosado. Segundo ele, os Açores eram a área de nidificação mais importante para o garajau rosado, na Europa, e a população nidificante do garajau comum representava cerca de 4% da população existente, também, na Europa.

Em termos de números, nidificavam nos Açores cerca de 1000 casais de garajau-rosado, o que correspondia a dois terços da população europeia e 4000 casais de garajau-comum.

Um levantamento estatístico, recentemente divulgado, revelou que no ilhéu da Praia, na Graciosa, existe a segunda maior colónia europeia de garajau-rosado, com cerca de 600 casais e que nos Açores nidificam cerca de 50% dos garajaus rosados da Europa.

Face aos números expostos e a alguns problemas existentes nas colónias faz todo o sentido continuar a investigação e a tomada de medidas para evitar a perturbação pelo homem e a predação por roedores.


Teófilo Braga

(Correio dos Açores,30762, 20 de outubro de 2015, p.14)

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (6)


Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (6)

A 11 de Junho de 1938, o Correio dos Açores noticiou que em virtude de queixas apresentadas pela SMPA-Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, estavam presos um indivíduo das Calhetas que maltratou um cão e outro dos Fenais da Luz que havia atirado uma cabra do alto de uma rocha, provocando a morte do animal. Na mesma notícia é referido que o Secretário da SMPA havia feito “apreensões de aguilhões” e advertido “alguns condutores, cujos veículos eram deslocados por animais chagados” e que a SMPA havia fornecido ao posto zootécnico “vomitivos, clorofórmio e algodão hidrófilo”.
A 16 de Setembro de 1938, morre Alfredo da Câmara. A direção da SMPA, através de anúncio publicado no dia seguinte, no Correio dos Açores, convidou “todos os seus consócios a incorporarem-se no préstito fúnebre que acompanhará à sua última morada o seu prestante colega, sócio fundador da mesma agremiação”.
Em 1941, segundo o “Correio dos Açores”, de 8 de Março, com a devida autorização da Junta Geral e a solicitação da SMPA, o Posto Zootécnico de Ponta Delgada, passou a receber todos os animais feridos ou doentes encontrados na via pública que podiam ser entregues a qualquer hora do dia, pois no mesmo pernoitava um guarda.
A 14 de Maio de 1941, o Correio dos Açores, noticiava a abertura para breve de um Posto Veterinário que passaria a funcionar no Posto Zootécnico, dirigido pelo Dr. Vitor Machado Faria e Maia.
A SMPA colaborou com o referido posto através da oferta de medicamentos e da cedência de algum mobiliário.
Ainda de acordo com o que se pode ler na notícia referida, os tratamentos eram pagos, mas os sócios da SMPA tinham direito a desconto.
Em 1941, a SMPA subsidiava “monetariamente alguns animais abandonados, que tem sido necessário hospitalizar e a que é preciso fornecer alimento, enquanto não se lhes dá destino adequado”.
A 16 de Janeiro de 1944, realizou-se uma Assembleia Geral da SMPA, na sede da Associação dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, cedida para o efeito pelo seu comandante, o sr. Eduíno Geraldes Botelho.
De acordo com notícia publicada no Correio dos Açores de 24 de Janeiro de 1945, no ano anterior, 1944, o Posto Veterinário, que funcionava numa dependência do Posto Zootécnico, tratou 685 (seiscentos e oitenta e cinco) animais.
Ainda de acordo com a mesma notícia, a direção da SMPA encontrava-se a “reunir fundos suficientes para a construção de um Hospital Veterinário, e das quotas pagas pelos sócios fornecia os medicamentos solicitados pelo Dr. Vitor Faria e Maia para colmatar as necessidades do Posto Veterinário, para além de subsidiar o enfermeiro-veterinário em serviço no Posto, o sr. Moniz Berenguer. Estava a cargo da SMPA a recolha e o envio ao posto dos animais doentes ou feridos encontrados na via pública.
Em Agosto de 1945, ter-se-á realizado a última reunião assistida por Alice Moderno, com a presença de Olga Amélia Lima, Francisco Silveira Rodrigues, José Soares de Albergaria e Luciano Mota Vieira e Maria Evelina de Sousa, em representação de Oliveira S. Bento, na qual foi debatido o problema que preocupou a sociedade desde o início, o peso excessivo da carga que os animais eram obrigados a suportar.
Em 1948, quando entrou em funcionamento nas instalações do Posto Zootécnico o denominado Hospital Alice Moderno, faziam parte dos órgãos sociais Fedora Serpa Miranda, presidente da direção, Luciano de Rezende Mota Vieira, Francisco Silveira Rodrigues, Maria da Conceição Sequeira de Medeiros Gonçalves, Maria Eduarda Câmara Ataíde Mota, António de Lemos Alves de Sousa Gomes, Jacinto Viveiros, Victor da Silva Pedroso e Manuel Albano Botelho de Medeiros.

(Continua)

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30757, 14 de outubro de 2015, p.11)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Como se faz um aficionado de touradas?



Como se faz um aficionado de touradas?

Em todo o mundo, cresce a condenação à presença de crianças em espetáculos tauromáquicos, quer como participantes ativos, quer como simples assistentes, havendo alguma legislação que considera mau trato infantil, o mau trato animal cometido na presença de crianças.

O Comité dos Direitos da Criança da ONU já se pronunciou por duas vezes, em 2014, em relação a Portugal, e em 2015, em relação à Colômbia, sobre o assunto tendo-se manifestado contra a presença de crianças e adolescentes como participantes ou simples assistentes em touradas ou outras atividades tauromáquicas. O referido comité, também, recomendou que os mencionados países implementassem medidas para a aplicação efetivada Convenção dos Direitos da Criança e promovessem campanhas de informação sobre “a violência física e mental associada à tauromaquia e ao seu impacto nas crianças”.

Como é sabido, tanto a nível nacional como nos Açores, nada se faz para que as recomendações da ONU sejam respeitadas. Pelo contrário, a indústria tauromáquica, com a conivência das autoridades, continua a incentivar a presença de crianças em atividades tauromáquicas, promovendo, como a Tertúlia Tauromáquica Terceirense, atividades para elas especialmente dedicadas.

Então, por que razão nem o governo nacional, nem o regional fazem algo para travar a contínua investida da indústria tauromáquica no sentido de garantir que a sua atividade sangrenta e deseducativa perdure ao longo dos tempos?

Não temos dúvida que é a cobardia face a um poderoso lobby que não se importa de manchar o bom nome da região a nível internacional, pois o que lhe interessa é apenas prosseguir com a sua atividade ruinosa, para a economia regional, mas altamente rentável para as suas empresas, já que para elas são canalizados fundos de uma hipócrita Comunidade Europeia.

Além do exposto, os diretamente beneficiados com a indústria tauromáquica, eles também alvo de lavagens cerebrais enquanto crianças, para garantir os seus negócios sabem que apesar do repúdio inicial das crianças face aos maus tratos infligidos aos touros e cavalos, com a repetição, aquelas acabam por os aceitar e, tal como acontece com as drogas, acabam por ficar delas dependentes.

Para terminar, apresenta-se um extrato de um interessante livro da autoria do Dr. Augusto Ataíde, editado, em 2006, pela Bertrand, onde o autor explica como se tornou aficionado:

Ainda numa infância remotíssima, fui pela primeira vez com o Avô Valenças e os Pais à tourada na velha praça de Algés. Logo à chegada, marradas, cornetas e gritarias fizeram-me dar berros de pavor. Que obrigaram o meu pobre Pai, então gordíssimo, primeiro a furar pela multidão com o trambolho ao colo, tropeçando em direcção à saída e, depois — como oportunamente me tivesse calado e manifestasse o desejo de voltar para a Mãe — a subir o mesmo calvário na direcção inversa... Assinalo que o reencontro com a Mãe foi construtivo: logo assegurou o meu bom comportamento para o resto da tarde, não propriamente com o corte de orelhas ou rabo, mas por meio de um bom puxão das primeiras e de algumas palmadas no segundo. As minhas pazes com a «festa» ficaram estabelecidas logo ali e a afición, embora moderada e pouco assídua, durou a vida inteira.


Açores, 11 de outubro de 2015

Mariano Soares

Os animais têm partido?


Os animais têm partido?

Foi com surpresa que, na manhã de 5 de outubro, tomei conhecimento de que a Assembleia da República passaria a contar com um deputado de um novo partido politico, o PAN – Pessoas-Animais- Natureza, eleito curiosamente no Dia do Animal.
Se a eleição do deputado do PAN é uma vitória para os atuais dirigentes, pois não há muito tempo houve grandes divergências no seu interior que culminaram com a saída de vários membros, entre os quais o seu presidente, o professor de filosofia da Universidade de Lisboa, Paulo Borges, é, também, uma esperança para muitos defensores dos animais e para as associações animalistas.
A eleição do engenheiro civil André Silva, também, pode ser uma indicação do crescente peso da causa animal na sociedade portuguesa que supera, em termos de envolvimento cívico, o movimento ecologista/amboentalista que nunca conseguiu eleger, autonomamente um representante seu na Assembleia da República.
Sobre este assunto, relembro que até ao surgimento do PAN que também se diz ecologista, os partidos desta área, isolados, nunca conseguiram eleger um deputado. Com efeito, o Partido Ecologista “Os Verdes” tem estado representado, na Assembleia da República, integrado na Coligação Democrática Unitária e o MPT- Movimento Partido da Terra esteve lá presente através dos deputados Pedro Quartim Graça e Luís Carloto Marques, eleitos em listas do PSD.
Embora o PAN, que foi legalizado a 13 de janeiro de 2011 e que inicialmente chamava-se PPA- Partido pelos Animais, pretenda unificar as diferentes causas explícitas na sua atual designação “Pessoas- Animais- Natureza”, é a proteção dos animais a que mais mobiliza os seus filiados e simpatizantes, tal como mobiliza em todo o mundo milhões de pessoas a título individual ou agrupadas nas mais diversas associações.
Se se fizesse um inquérito a perguntar aos militantes da causa animal quais as suas orientações políticas e/ou filiações partidárias, não tenho dúvidas de que as respostas levariam à conclusão de que há quem seja do centro, da direita ou da esquerda e de que as filiações abrangeriam todo o leque de organizações partidárias existente em Portugal e outros, se calhar a maioria, não pertencem a qualquer partido político.
Em termos de síntese, se há partidos, uns mais do que outros, que abraçam a causa da proteção dos animais, estes não têm partido, precisando da compaixão e respeito de todos.
Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 30756,13 de outubro de 2015)

https://www.facebook.com/PANpartido?fref=ts

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ainda sobre livrarias e livros


Ainda sobre livrarias e livros

Em texto anterior, escrevi sobre algumas livrarias que sempre que posso costumo visitar e adquirir as novidades que muitas vezes não chegam aos Açores. Hoje, faço referência a outra, à Feira da Ladra e a alguns livros adquiridos este ano.
Uma livraria que vale a pena visitar é a Fonte das Letras, localizada em Évora. Com 15 anos de existência, a livraria que é generalista dedica uma atenção especial às pequenas editoras e possui um programa cultural ao longo do ano.
De entre as aquisições que fiz, destaco o boletim “O Gorgulho”, boletim informativo sobre biodiversidade agrícola da associação Colher para Semear, a separata nº 1 do Gorgulho, intitulada “Pierre Rabhi em Nome da Terra”, com uma seleção de textos de Pierre Rabhi, um agricultor francês que é “um dos pioneiros da agroecologia”, sendo um dos “grandes vultos que têm vindo a desbravar o terreno conducente a uma agricultura respeitadora dos princípios vitais de existência na Terra”.
Um livro, necessariamente polémico, que adquiri foi “Fátima, SA”; A beatice, contra a Fé de Jesus; O Dinheiro, contra Deus Abba-Mãe; A mítica deusa, contra Maria, a mãe de Jesus”, da autoria do controverso presbítero e jornalista Mário de Oliveira. O autor do livro é o conhecido e polémico Padre Mário da Macieira da Lixa que durante o Estado Novo foi duas vezes preso pela Pide, tendo sido acusado de subversão pelo Tribunal Plenário do Porto.
Outro livro que mais do que leitura deve ser de consulta obrigatória é o Dicionário no Feminino (séculos XIX e XX), com 900 páginas e 3000 entradas, editado pela Livros Horizonte, sob a coordenação de António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu e Maria Emília Stone.
Como no melhor pano cai a nódoa, o historiador José Pacheco Pereira considera que o mesmo foi uma oportunidade perdida, tendo notado várias ausências injustificadas. Sobre esse assunto, transcreve-se abaixo um excerto de um texto da sua autoria:

“Na área que conheço melhor, a da política oposicionista, o “Dicionário” é pouco útil apesar do seu título genérico e enganador, e a intenção expressa de retratar o “emergir das mulheres na vida da sociedade”. Lá vem uma lista detalhada de entradas sobre congregações religiosas, organizações republicanas e maçónicas mas muito pouco sobre organizações políticas de mulheres depois de 1926. Onde está o Movimento Democrático das Mulheres e os seus percursores? Onde está a Associação Feminina Portuguesa para a Paz, cujas listas são usadas, mas que não tem entrada autónoma como organização? Onde está a Obra das Mães para a Educação Nacional, ou o Movimento Nacional Feminino?
Um local onde se pode adquirir livros em segunda mão a bom preço é a Feira de Ladra, a mais antiga feira da cidade de Lisboa, que se realiza à terça-feira e ao sábado.
Este ano, comprei o Dicionário de Mulheres Rebeldes, editado, em outubro de 2006, pela Ela por Ela, a primeira editora feminista portuguesa, fundada e dirigida por Ana Barradas que é também a autora do livro.
No mencionado livro há referência a quatro mulheres açorianas ou com ligações aos Açores: Alice Moderno, Ana Sara Brito, Clarisse Canha e Fátima Sequeira Dias.
Sobre Alice Moderno o livro refere que foi uma “senhora de uma grande cultura geral… notada pelos seus conhecimentos de mitologia grega, a Bíblia, a história de Portugal e a história da Rússia”. Também refere que “manteve correspondência com Tolstoi, foi professora, jornalista, escritora e diretora de um jornal local, A Folha”.
Em relação a Ana Sara Brito que foi enfermeira e professora de enfermagem o livro menciona que “entre 1963 e 1965 esteve na direção do Programa de Proteção Materno-Infantil dos Açores”.
Acerca de Clarisse Canha, Ana Barradas escreve que foi militante católica antes do 25 de abril de 1974 e que “é membro da direção nacional da UMAR e da delegação nos Açores”.
Sobre Fátima Sequeira Dias, através da leitura do livro fica-se a saber que era professora universitária, foi membro da UMAR e colaborava na Revista Açorianíssima com artigos sobre a condição feminina.
Tal como a própria autora escreve no prefácio, a seleção apresenta “lacunas evidentes” e no caso dos Açores, nota-se a ausência da professora Maria Evelina de Sousa, de Ponta Delgada, e de Ana Augusta de Castilho, natural de Angra do Heroísmo.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30751, 7 de outubro de 2015, p.17)

O semi-aficionado de touradas Joel Neto


O semi-aficionado de touradas Joel Neto

Joel Neto publicou recentemente no Diário de Notícias um texto intitulado Tauromaquia, onde diaboliza, e muito bem, as touradas de praça e endeusa, e muito mal, as de corda.

Antes de demonstrar que Joel Neto asneirou, quero dar os parabéns por, finalmente, ter reconhecido que na tourada de praça o touro é massacrado. Mas como ainda no seu íntimo há uma pontinha de “afición” encontra “galhardia numa pega de caras”, depois do touro já se ter esvaído em sangue e de estar a pouco tempo de ser morto no matadouro.

Concordamos com Joel Neto que o grau de barbaridade numa tourada à corda é menor do que numa de praça. Contudo, as justificações apresentadas pelo senhor Neto para demonstrar a bondade para o touro das touradas à corda não passam de um chorrilho de asneiras, algumas muito comuns a todos os adeptos das touradas e outras originais da lavra de um ou mais professores universitários do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores completamente desacreditados.

Não vamos perder muito tempo, mas dizer que numa tourada à corda o que acontece é apenas isto: “O animal é preso a uma trela e passeado estrada fora” não passa de tolice pegada. O senhor Neto por acaso não vê, ao vivo ou nos famosos vídeos das marradas, touros ensanguentados, touros que ficam feridos e outros que por vezes morrem ao embaterem em muros e outras vedações?

Outra justificação característica dos aficionados da “tortura suave” é a de que enquanto o touro é respeitado, as pessoas é que se lixam. Vejam o que diz o senhor Neto:” Mas, no fim, é ele quem mais se diverte, ceifando bêbedos e debruçando-se às varandas”.

Como sabe o senhor Neto que o touro se diverte? Não é sadismo divertir-se com o sofrimento de outros humanos, mesmo que estejam “bêbados”?

Disparate que não devia ser repetido por alguém que devia usar o cérebro é afirmar que “Não há, nas nove ilhas dos Açores como na província portuguesa em geral, muitas regiões tão magnificamente preservada como o interior da Terceira. Esse milagre tem uma só origem: o toiro é o seu guardião”.

Pense um bocadinho e consulte toda a bibliografia disponível e verifique que um dos problemas para as espécies endémicas é o seu pisoteio. Esta afirmação consta de todos os documentos oficiais relativamente à Rede Natura 2000 cujos estudos foram feitos por quem na Universidade dos Açores vem agora dizer que os touros da Terceira contribuem para a conservação da natureza. Talvez fosse verdade, se os touros terceirenses soubessem distinguir endemismos e se tivessem asas.

José da Agualva.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Os cagarros estão quase de partida


Os cagarros estão quase de partida

As ações em defesa dos cagarros começaram em novembro de 1993, altura em que foi lançada a campanha “A escola e o cagarro” no âmbito da qual foi aplicado um inquérito, sobre a espécie, destinado a alunos das escolas, nomeadamente do 1º e 2º ciclos do ensino básico e distribuídos 10 mil folhetos informativos sobre a espécie.

Para a implementação da campanha, da iniciativa do Dr. Luís Monteiro, do Departamento de Oceanografia e Pescas das Universidade dos Açores e dos Amigos dos Açores, foi pedida a colaboração à Direção Regional da Educação, através da Dra. Ana Paula Pamplona Santos e da Dra. Ana Lúcia Gonçalves Almeida, respetivamente, Diretora de Serviços de Formação e Inovação e chefe de divisão de Inovação Educativa, que se responsabilizou pela distribuição dos materiais por todas as escolas dos Açores.

A campanha “SOS Cagarro”, por seu turno, foi criada dois anos depois também por iniciativa do Doutor Luís Monteiro, no âmbito do projeto LIFE “Conservação das comunidades de aves marinhas dos Açores”. Para a concretização do projeto a Direção Regional do Ambiente colaboraria com o DOP na coordenação e execução das ações de conservação direta e participaria nas ações de inventariação e monitorização de espécies. Por seu turno, os Amigos dos Açores apoiariam as ações de conservação direta, nomeadamente informação e sensibilização, tendo entrado com uma comparticipação de mil setecentos e sessenta escudos.

De então para cá, a campanha tem prosseguido anualmente, contando com a participação de muitos voluntários a título individual e com a colaboração de algumas organizações ambientalistas ou não, sendo, acreditamos, a campanha que mais pessoas mobiliza nos Açores.

Apesar do êxito em termos de participação cívica, a que não é alheio algum exibicionismo por parte de alguns autarcas que participam na mesma apenas simbolicamente, o trabalho que é feito anualmente é quase inglório pois a principal causa da queda em terra dos cagarros prossegue e pouco se faz para a alterar.

Sobre este assunto, em 2014, foi divulgado um texto intitulado MANIFESTO EM DEFESA DO CAGARRO, assinado pelos Amigos dos Açores - Associação Ecológica, pelos Amigos do Calhau - Associação Ecológica, pelo CAES - Coletivo Açoriano de Ecologia Social, e por 62 subscritores individuais onde era defendido “um compromisso para a redução efetiva da iluminação pública durante as duas semanas principais que dura a Campanha SOS Cagarro”, pois “mais da metade das aves que caem em terra tem por causa a exagerada iluminação pública de infraestruturas como portos de pesca, campos de futebol e estradas situadas junto ao litoral”.

Outra reivindicação do manifesto referido era a “construção de um Centro de Recuperação de Fauna (CRF) nas principais ilhas, com capacidade para acolher e tratar todos os cagarros feridos” e que também serviria, ao longo do ano, “para o tratamento de outras espécies de aves dos Açores e como depósito de animais apreendidos em situação ilegal, necessidade para a qual a própria GNR tem vindo a alertar repetidamente”.

Este ano, participe na campanha SOS Cagarro.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30750, 6 de outubro de 2015)

domingo, 4 de outubro de 2015

Alice Moderno no Dia do Animal


Correio dos Açores 4 de outubro de 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (5)



Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (5)

Na reunião de 5 de maio de 1935 da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, também, foram eleitos os membros dos órgãos sociais cuja composição passou a ser a seguinte:
Direção- Presidente, D. Alice Moderno; tesoureiro, João Leocádio Oliveira; secretário, Gil Afonso de Andrade Botelho; vogais, Dr. Aires S. d’Albergaria Tavares Silva, Breno de Vasconcelos, Cícero de Medeiros, Dr. José Jacinto Pereira da Câmara, Dr. Manuel da Silva Carreiro, Francisco Paula Nogueira Reis e João Bento.
Direção (substitutos) – Presidente, D. Maria Evelina de Sousa; tesoureiro, Dr. Victor Machado Faria e Maia, secretário, Dr. Alberto Paula de Oliveira; vogais, Francisco Carlos da Silveira Martins, António da Costa, José da Câmara Velho Melo Cabral, Manuel Ferreira de Almeida, Dra. D. Maria Macedo e D. Olga Amélia Lima.
Assembleia Geral – Presidente, Aires Jácome Correia; vice-presidente, Ruy Tavares do Canto; 1º secretário, Horácio Teves; 2º secretário, Luís Quintino Berquó de Aguiar; 1º vice-secretário, José Joaquim do Couto Santiago; 2º vice-secretário, Francisco de Araújo.
Conselho Fiscal- Presidente, Urbano Carreiro; secretário, José da Silva Alves; vogais, Artur Frederico Silva, Dinis José da Silva e João da Costa Benevides.
Júri- Presidente, Eduardo Soares de Albergaria; Relatores, Alfredo da Câmara, Eugénio Botelho da Câmara, Dr. Fernando Marques Moreira, José Peres Maldonado Jr., João Maria Sequeira e Manuel Joaquim de Matos.
Através do jornal Correio dos Açores de 26 de setembro de 1935, o presidente da delegação da SMPA, de Rabo de Peixe, alertou a autoridade policial para o facto de na localidade continuarem “os maus tratos aos animais domésticos, transitando pela mesma numerosos pequenos veículos, tirados por animais das espécies caprina e ovelhuns, obrigados, sob grossa pancadaria, a deslocar pesos muito superiores às suas forças”.
A 5 de Janeiro de 1936, realizou-se a Assembleia Geral da SMPA, presidida por Alice Moderno, devido à ausência por motivos de saúde do presidente da Assembleia Geral, Marquês de Jácome Correia.
Na reunião, entre outros, falou Maria Evelina de Sousa que lamentou a ausência de muitos associados e propôs votos de louvor ao Sr. Comandante da Polícia Distrital, Manuel Magro Romão, ao sr. Breno Dias de Vasconcelos que substituiu como secretário o sr. Gil Afonso Botelho e aos diretores dos jornais “sempre prontos a coadjuvar, por meio da mais esclarecida propaganda, a ação da sociedade na defesa dos direitos dos nossos irmãos inferiores”.
Na referida reunião foram eleitos os novos corpos gerentes, cuja composição passou a ser a seguinte:
Direção (efetivos) - Presidente, D. Alice Moderno; Secretário, Breno de Vasconcelos, tesoureiro, D. Maria Evelina de Sousa; vogais, D. José de Oliveira San Bento, José Rebelo de Bettencourt, João Bento da Silva, Francisco Silveira Rodrigues e Manuel Inácio de Melo.
Direção (substitutos) – Presidente, Gil Afonso de Andrade Botelho; tesoureiro, D. Maria Luísa Soares de Albergaria Leite Ataíde, secretário, Dr. Clemente Soares de Medeiros; vogais, João Domingues Vieira de Faria, Clemente de Vasconcelos, Horácio Silveira, Manuel Soares Brandão, Raul Pons e Mariano Marcelino Cabral.
Assembleia Geral – Presidente, Aires Jácome Correia; vice-presidente, Ruy Tavares do Canto; 1º secretário, Diogo Ivens Tavares; 2º secretário, José Joaquim do Couto Santiago; 1º vice-secretário, Victor da Silva Pedroso; 2º vice-secretário, D. Hortense Morais.
Conselho Fiscal- Presidente, Capitão Luís Faria e Maia da Cunha; secretário, José Soares de Albergaria; vogais, Carlos Faria e Maia de Aguiar, Jaime Nobre de Oliveira e Dr.ª Maria de Macedo.
Júri- Presidente, Dr. Guilherme Fisher Berquó Poças Falcão; Secretário, D. Maria Evelina Faria e Maia de Aguiar; Relatores, Dr.ª D. Maria Joana de Freitas Peeira, D. Olga Amélia de Lima, Dr. Tito Pires Coelho, D. Maria José Caupers Faria e Maia, António Torres, Manuel José Martins e José Pacheco de Melo.
(Continua)

(Correio dos Açores, 30 de setembro de 2015)

Teófilo Braga

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Alice Moderno em Exposição


Notas Zoófilas (9)

Alice Moderno em exposição

“ Dos seus sentimentos de bondade fala eloquentemente a sua ação não só dentro da benemérita Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, mas também na imprensa, onde frequentemente a pena elegante da srª D. Alice Moderno firmava artigos na defesa vigorosa e inteligente daqueles seres, amigos e companheiros do homem que este, na sua ignorância e ingratidão, tantas vezes maltrata” (João Anglin)

No passado dia 25 de setembro, na sala de exposições da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, foi inaugurada a exposição Alice Moderno (1867-1946): cidadania e intervenção.

A exposição, que surgiu na sequência de uma sugestão do Coletivo Alice Moderno, é uma iniciativa da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta, tendo sido realizada por Ana Cristina Pereira, Iva Matos e Rute Gregório, sendo esta última também responsável pela sua coordenação.

Conhecida pela sua dedicação à causa da defesa animal, Alice Moderno foi uma das fundadoras, em 1911, da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais e sua presidente e principal dinamizadora, desde 1914 até à data da sua morte, em 1946.

No seu labor em defesa dos animais, Alice Moderno não fazia distinções. Com efeito, para além de solicitar às autoridades a criação de legislação que proibisse determinadas práticas que causavam sofrimento e que cuidassem ou modificassem o piso das ruas para facilitar o trabalho dos animais de tiro, denunciou o uso e abuso de aguilhadas, a sobrecarga que vitimava principalmente bois e cavalos, o uso de cabras e ovelhas para puxar carroças, que acabou por ser proibido por lei, a venda por farmácias de estricnina que era usada para matar os cães abandonados, os maus tratos que sofriam os bovinos nas festas do Espírito Santo, o sofrimento dos touros e dos cavalos nas touradas, que ela abominava, e a morte à paulada dos ouriços-cacheiros por parte sobretudo dos rapazes mas também por adultos nas freguesias rurais que ela para os salvar comprava para depois soltar no quintal.

Mas, Alice Moderno não se dedicou apenas à causa animal. Ela, que para sobreviver teve de trabalhar arduamente, pois não herdou nenhuma fortuna, também abraçou outras causas, que estão mencionadas nos vários painéis que integram a exposição, a saber: a instrução/educação, as letras, onde se inclui a poesia, o teatro e o romance, o jornalismo, de que se destaca a fundação, direção e redação do jornal “A Folha”, onde ela dá voz a diversas correntes de pensamento inovadoras e progressistas, o feminismo, onde, para além da luta pela emancipação da mulher, defende a participação cívica da mesma na vida social, a participação política que a desencantou já que muitas das promessas da República não passaram disso mesmo e, por último, o apoio aos mais carenciados que ela, contrária à “caridadezinha”, sempre o fez.

A exposição, que merece a visita de todos os interessados em conhecer a vida e a obra de uma mulher que lutou incansavelmente por uns Açores melhores para todos os seus habitantes, humanos ou não, estará aberta ao público até ao dia 16 de abril de 2016.

Teófilo Braga

terça-feira, 22 de setembro de 2015

O Vegetariano


O Vegetariano

O texto de hoje é sobre uma revista, “O Vegetariano”, que durante alguns anos divulgou, em Portugal, o vegetarianismo, o qual segundo alguns não é mais do que uma modernice que, tal como as outras, tem os seus dias contados e segundo outros é um regime alimentar que existe desde sempre e que está em expansão em todo o mundo.

Embora não pretenda fazer a apologia de qualquer dieta alimentar, estou de acordo com quem considera que a dieta vegetariana continuará a expandir-se não só por questões relacionadas com a saúde, mas devido aos impactos que o regime alimentar dominante atualmente, que inclui carne em excesso, tem na destruição da natureza e às questões relacionadas com o bem-estar e direitos dos animais.

Um sinal inequívoco de que as coisas estão a mudar é a publicação, este ano, pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde das “Linhas de orientação para uma alimentação vegetariana saudável” que foi recebido com satisfação pelos praticantes do vegetarianismo em Portugal.

A revista O Vegetariano- mensário naturista ilustrado foi o órgão da Sociedade Vegetariana de Portugal que terá sido fundada no Porto, em 1908, pelo médico Dr. Amílcar de Sousa, especialista em dietética e nutrição.

A Sociedade Vegetariana de Portugal cuja sede se localizou na Avenida Rodrigues de Freitas, nº 379, na cidade do Porto, a 20 de Novembro de 1914 possuía 3364 sócios, divididos pelas categorias de sócios efetivos (vegetarianos) e sócios protetores., espalhados pelas várias regiões do país, incluindo os arquipélagos dos Açores e da Madeira, pelas antigas colónias ultramarinas, pelo Brasil e por outros países, sobretudo da América Latina.

De acordo com os números da revista a que tivemos acesso, relativos ao ano de 1914, nos Açores existiam 12 membros da SVP, 2 efetivos, Pedro José Correia, do Faial, e João Batista Machado Bettencourt, do Pico e 10 protetores. Destes, em São Miguel viviam os associados António Medeiros Estrela Rego, João Pereira Abreu de Vasconcelos, Urbano Botelho do Rego, Joaquim Arruda e António de Medeiros Frazão, no Pico vivia Francisco Augusto Ramos da Silveira, na Terceira residia o Dr. Martiniano Dias da Silveira, na Graciosa residia Carlos Leão e no Faial, António Maria Martins e Joaquim Rocha Bettencourt.

Outra curiosidade muito interessante é que nos 11 números consultados do ano de 1914, entre a publicidade publicada figurava um anúncio da Água das Lombadas. Sobre a mesma pode-se ler o seguinte: “Água de mesa perfeitamente natural. O ácido carbónico que contém não é introduzido artificialmente. Nasce na Ilha de São Miguel num terreno vulcânico, no alto duma serra, longe do povoado, a 510 metros de altitude, onde o ar é puro”. Através do mesmo anúncio, é possível sabermos que a Água das Lombadas tinha um depósito geral na Avenida da Liberdade, em Lisboa, e estava à venda em todo o país, nas principais farmácias, drogarias, hotéis e restaurantes.

Para além da publicidade à Água das Lombadas, a revista recomendava a leitura de vários livros que eram vendidos com descontos para os membros da Sociedade. Entre eles, destacamos os seguintes: Vivamos de frutos, sobre o frugismo, O Naturismo, livro que versava “todos os assuntos relacionados com a vida humana. Análise e soluções naturistas às questões alimentares, higiénicas, médicas, educativas, sociais e humanitárias”, Partos sem dor, onde o autor faz uma “exposição clara e pormenorizada” e “demonstra e apresenta conselhos que a mulher deve seguir para dar à luz sem sofrimento” e Contra o Alcoolismo, onde são apresentadas “histórias verdadeiras e conselhos a toda a gente”.

Na revista nº12, relativa ao mês de Dezembro de 1914, também publicitava, entre outros, calçado higiénico, fruteiras, e plantas ornamentais, suco de uvas do Douro – Vinho sem Álcool, um hotel de descanso e de regímenes, um “Grande Hotel Fruti-vegetariano”, sabonetes naturistas ingleses, uma fábrica de guarda-sóis e um consultório médico naturista que oferecia “tratamento pelos regimes e métodos naturais: “vegetarismo, frugivorismo, fisioterapia e psicoterapia”. Este consultório, pertença do Dr. João de Vasconcelos, aceitava “chamadas a toda a hora” e disponibilizava “serviço gratuito às pessoas pobres”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30739 de 23 de setembro de 2015, p. 17)

Sentenças contra animais


Notas Zoófilas (8)

Sentenças contra animais

As atitudes e comportamentos humanos não evoluem ao ritmo do desenvolvimento da ciência e da técnica. Assim, muitos dos problemas que afligem a humanidade só não são debelados por não haver um envolvimento cívico por parte das populações e por não existir vontade política por parte dos governantes, a todos os níveis.

No que diz respeito ao relacionamento dos (ditos) humanos com os animais a sensação que se tem é que hoje não há grandes diferenças em relação ao que se passava no passado. Assim, no que diz respeito aos maus tratos, a luta dos nossos antepassados continua a fazer sentido hoje pois aqueles continuam.

O combate de Alice Moderno e de outros, em São Miguel, contra o abandono de animais, pela criação de um hospital veterinário para tratar animais vítimas de abandono e de cuidadores sem posses e contra as abomináveis touradas, ainda faz todo o sentido.

Contudo, se pesquisarmos o passado, verificamos que houve alguma evolução, muito lenta para o nosso gosto. A título de exemplo, apresenta-se a seguir algumas sentenças proferidas contra os animais, que possivelmente faziam sentido na época e no contexto em que foram proferidas, publicadas a 25 de abril de 1840, no jornal Panorama, do distrito de Aveiro:

1120- Toupeiras e lagartas excomungadas por um bispo

1386- Porca mutilada e depois enforcada em virtude de ter despedaçado um menino;

1394- Porco enforcado por ter morto uma criança;

1488- Os vigários de uma determinada localidade ordenaram aos curas das freguesias para notificarem os gorgulhos para que deixassem de fazer estragos durante as missas e procissões, sob pena de excomunhão;

1499- Touro condenado à forca por ter morto um mancebo;

1554- Sanguessugas excomungadas por um bispo porque destruíam os peixes.

Hoje, sem qualquer condenação os touros das touradas de praça, depois de divertirem os assistentes, são mortos e também acabam por ser mortos a maioria dos cães que atacam e ou matam crianças.

Neste último caso, tal como em muitos da vida em sociedade, nunca se combatem as causas. Assim, permite-se que pessoas sem quaisquer condições, aqui não está em causa o estrato social, possuam animais que são mantidos em condições deploráveis, tolera-se e nada se faz para acabar com a reprodução de animais que vão acabar nos canis de abate, certificados ou não, e fecha-se os olhos ou fomentam-se algumas formas de maus tratos a animais.

Teófilo Braga
Correio dos Açores, 30738, 22 de setembro de 2015, p.13)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (4)



Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (4)

Em janeiro de 1934, realizou-se uma Assembleia Geral da SMPA- Sociedade Micaelense Protetora dos Animais onde foram eleitos os corpos sociais, tendo a sua composição sido a seguinte:
Direção- Presidente, D. Alice Moderno; tesoureiro, João Leocádio Oliveira; secretário, Gil Afonso de Andrade Botelho; vogais, Amâncio Joaquim da Rocha, Dr. Aires S. d’Albergaria Tavares Silva, Cícero de Medeiros, Dr. José Jacinto Pereira da Câmara, José Rebelo Bettencourt e Dr. Manuel da Silva Carreiro.
Direção (substitutos) – Presidente, D. Maria Evelina de Sousa; tesoureiro, Dr. Victor Machado Faria e Maia, secretário, Dr. Alberto Paula de Oliveira; vogais, Francisco Carlos da Silveira Martins, João Bento S. Silva, José da Câmara Velho Melo Cabral, Manuel Ferreira de Almeida, Dra. D. Maria Macedo e D. Olga Amélia Lima.
Assembleia Geral – Presidente, Aires Jácome Correia; vice-presidente, Ruy Tavares do Canto; 1º secretário, Horácio Teves; 2º secretário, Luís Quintino Berquó de Aguiar; 1º vice-secretário, José Joaquim do Couto Santiago; 2º vice-secretário, Francisco de Araújo.
Conselho Fiscal- Presidente, Urbano Carreiro; secretário, José da Silva Alves; vogais, Artur Frederico Silva, Dinis José da Silva e João da Costa Benevides.
Júri- Presidente, Eduardo Soares de Albergaria; Secretário, João Cândido Borges; Relatores, Alfredo da Câmara, Eugénio Botelho da Câmara, Dr. Fernando Marques Moreira, José Peres Maldonado Jr., João Maria Sequeira e Manuel Joaquim de Matos.
Na mesma reunião foram aprovados votos de louvor a Alice Moderno, a Gil Afonso Botelho e ao Marquês de Jácome Correia.
A 25 de agosto de 1934, o Correio dos Açores regista “a justíssima homenagem prestada à sra. D. Alice Moderno” por parte da Direção da Sociedade Protetora dos Animais, de Lisboa, ao conferir-lhe a medalha de prata daquela instituição. Tal facto deveu-se “não só à sua exemplaríssima dedicação pelos animais, mas também pela propaganda jornalística” a favor da causa zoófila.
No dia 22 de outubro de 1934, faleceu João Cândido Borges, agricultor e “negociante honesto e perfeito homem de bem”. Segundo Alice Moderno foi “sócio fundador da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, a cujas sessões ordinariamente assistia”.
No final de 1934, o senhor Agostinho Machado Bicudo Correia legou à SMPA 758$02 que foram depositados na Caixa de Crédito Micaelense. Com aquele legado o saldo da associação passou a ser de 2458$02, destinando-se à manutenção de um posto veterinário “quando o permitirem os respetivos juros”.
Em 31 de dezembro de 1934, de acordo com Alice Moderno, as contas da SMPA apresentavam um saldo positivo de 3055$79. Num texto publicado no Correio dos Açores de 15 de Maio de 1935, Alice Moderno explica que os principais contribuintes naquele ano foram “a menina D. Margarida da Cunha Álvares Cabral e o sr. Dr. Guilherme Poças Falcão que entregaram 100$00 cada um, a primeira para o fundo da Sociedade e o segundo como quota anual”.
Em 1935, a SMPA tinha 43 sócios contribuintes, variando o valor das quotas entre os 5$00 e os 200$. No ano mencionado, foram os seguintes os sócios que contribuíram com quotas superiores ou iguais a 50$00: Alice Moderno, Guilherme Berquó Poças Falcão, Marquês de Jácome Correia, Engº. E. Smith e Maria Luísa Leite de Ataíde.
A 5 de maio de 1935 reuniu a Assembleia Geral da SMPA sob a presidência do Marquês de Jácome Correia, sendo secretários Gil Afonso Botelho e Breno Dias de Vasconcelos.
Na reunião referida foi debatida a necessidade da implementação de uma “larga” campanha, na imprensa, em defesa dos animais, bem como aventada a necessidade da angariação de fundos com vista à criação de um posto de socorros.
(Continua)
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30733, 16 de setembro de 2015, p12)

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Acabar com os canis de abate no dia de São Nunca


Notas Zoófilas (7)

Acabar com os canis de abate no dia de São Nunca

No passado mês de Junho, a Assembleia da República aprovou um Projeto de Resolução, apresentado pelo Partido Ecologista "Os Verdes", que estabelece, em Portugal, o princípio de não abate de animais de companhia.

Entre os pontos aprovados na resolução constam os seguintes:

1- Estudar a formação de uma rede de canis municipais, com regras comuns, com o intuito de promover e facilitar a adoção de animais e de promover a esterilização como prática de controlo da população de animais de companhia, comunitários ou errantes;

2- Incentivar a adoção responsável de animais, por parte de, para além de pessoas singulares, pessoas coletivas, escolas, associações de moradores e empresas;

3- Assegurar o cumprimento do sistema SIFACE (Sistema de Identificação e Informação de Cães e Gatos) para identificação dos animais;

4– Promover campanhas de sensibilização à população para os cuidados a ter com os animais;

5- Estabelecer o princípio do não abate de animais, com exceções muito restritas, designadamente permitindo a prática de eutanásia em caso de irremediável sofrimento do animal ou por razões de saúde pública, sempre devidamente comprovados por veterinário.

Também no passado mês de junho, a Assembleia Legislativa da Madeira, por proposta do PCP, aprovou um decreto-lei que proíbe o abate de animais de companhia.

O decreto aprovado que mereceu a concordância das associações de defesa dos animais locais, por “uma questão de ética… por se tratar de uma matança indiscriminada e um péssimo cartaz turístico para a Madeira”, prevê a criação de um centro de esterilização e a obrigação municipal de recolha de animais errantes”.

Nos Açores, existe uma proposta de decreto-legislativo regional do PCP para que seja aprovada legislação semelhante que, tal como as anteriores, propõe como alternativa ao abate a esterilização e campanhas de sensibilização.

Embora as aprovações no parlamento nacional e no da Madeira signifiquem muito pouco, pois o que interessa efetivamente é a sua implementação, acabam por ser um primeiro passo extremamente positivo. Nos Açores, pelo contrário, o senhor Secretário Regional da Agricultura e do Ambiente, falando em nome das autarquias, no passado dia 1 de setembro, disse “não ser possível proibir de imediato o abate de animais” e acrescentou que era preciso dar tempo às autarquias para se prepararem para a nova prática”. Por último, não fixou ou sugeriu qualquer prazo, o que significa que poderá ser no dia de São Nunca.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30732 de 15 de setembro de 2015, p.12)

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Livrarias e livros


Livrarias e livros

Todos os anos no Verão, sempre que é possível, saio da ilha e durante um curto período de férias visito alguns locais desconhecidos, mas nunca me esqueço de visitar livrarias e alfarrabistas.

Depois de ter assistido ao desaparecimento de três livrarias, a do Diário de Notícias, localizada no Rossio, que havia sido fundada em 1938, a Portugal, localizada na rua do Carmo, fundada em 1941, e a Barateira, situada na rua Nova da Trindade, fundada em 1914, este ano pude constatar com satisfação que o espaço anteriormente ocupado pela Livraria Sá da Costa, localizada na Rua Garrett, no Chiado, que havia encerrado a sua atividade comercial a 20 de julho de 2013, 100 anos e quarenta dias após ter sido criada, continua aberto e a vender livros.

No ano passado, para contentamento de todos os que valorizam a leitura e os livros, a Livraria Sá da Costa reabriu como alfarrabista, possuindo no seu espólio uma grande quantidade de livros e revistas à disposição de todos os interessados.

Durante a visita ao espaço, pudemos constatar o referido anteriormente e verificar que há também espaço para muitas publicações sobre os Açores. A título de exemplo, vi, entre outros, os livros “O arcano da Ribeira Grande”, sobre a vida e a obra de Madre Margarida Isabel do Apocalipse, e “Moinhos da ribeira Grande”, ambos da autoria do Dr. Mário Moura.

Aproveitei a visita para adquirir um livrinho sobre a Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934, editado em Agosto de 1974, pelo Grupo Autónomo do Partido Socialista, e o número 17 da revista História, relativa ao mês de março de 1980, a qual, entre outros textos, traz um intitulado “Vulcões e sismos nos Açores, da autoria de Luciano R. Mota Vieira.

Este ano, pela primeira vez, visitei o “Espaço Ulmeiro”, localizado na avenida do Uruguai, que é uma livraria alfarrabista criada em 1969 e que possui um acervo generalista. O Espaço Ulmeiro é também muito conhecido pela sua mascote, o gato Salvador que “é figura pública na zona de Benfica”.

Na livraria é possível encontrar um pouco de quase tudo, tendo chamado a minha atenção jornais e revistas bem como alguns livros editados nos primeiros anos a seguir ao 25 de abril de 1974 cuja existência era para mim desconhecida.

No Espaço Ulmeiro adquiri a História de Portugal de Oliveira Martins e “Um ilustre penafidelense”, editado pela Câmara Municipal de Penafiel, em 1982. A aquisição deste último livro deveu-se ao facto de continuar a investigar a vida e a obra de Alice Moderno e, como é sabido, Joaquim de Araújo foi seu namorado, tendo também mantido correspondência com outros dois ilustres açorianos, Teófilo Braga, escritor e presidente da República Portuguesa e Antero de Quental, filósofo e poeta.

Joaquim de Araújo foi também um estudioso e divulgador da obra de Luís de Camões, tendo, em 1896, sido o editor de um soneto de Gaspar Frutuoso sobre o autor dos Lusíadas, cuja publicação foi “dedicada” ao casamento de D. Maria Guilhermina do Canto Brum, filha de José do Canto, com o Dr. Guilherme Poças Falcão.

Outra livraria/alfarrabista que visito sempre que me desloco a Lisboa é a Letra Livre, situada na calçada do Combro, que se define como uma “ pequena livraria, de livros novos e usados… especializada em literaturas de língua portuguesa e ciências humanas” e que dá destaque a diversas pequenas editoras independentes.

Este ano, entre outras aquisições, comprei “O movimento socialista em Portugal (1875-1934) de Maria Filomena Mónica, o número 67 da revista “Ler História” que inclui um dossier sobre as transformações culturais no pós 25 de abril de 1974 e uma coleção da revista “O Vegetariano”, mensário da Sociedade Vegetariana de Portugal, editado no Porto, que em todos os números relativos ao ano de 1914, publica um anúncio da, agora desprezada, Água da Lombadas, “água de mesa perfeitamente natural”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30727, 9 de setembro de 2015, p.13)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A Resolução nº 43/2015, de 24 de março


Notas Zoófilas (6)

A Resolução nº 43/2015, de 24 de março

No meio da quase completa escuridão que é toda a legislação que permite o apoio a uma atividade, a tauromaquia, que vive do fomento de maus tratos aos animais, os quais inevitavelmente estão associados ao sofrimento e morte de seres humanos que consciente ou inconscientemente se divertem com práticas anacrónicas, há a luz no fim do túnel que é a Resolução do Conselho de Governo nº 43/2015, de 24 de março.

De acordo com a resolução, a Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente fica autorizada a conceder apoios financeiros nos domínios da promoção da saúde e bem-estar animal e da proteção dos animais de companhia.

Segundo o ponto dois, os apoios financeiros destinam-se à realização de ações e projetos de desenvolvimento que prossigam, entre outros objetivos, a promoção de campanhas de sensibilização; o desenvolvimento de campanhas de vacinação e de controlo da reprodução de animais de companhia e errantes e, por último, a divulgação de informação técnica e científica.

Ainda segundo os pontos seis e sete, podem beneficiar dos apoios previstos “as associações sem fins lucrativos, cujos fins estatutários principais se enquadrem nos objetivos previstos no ponto 1da presente resolução, ou que, no âmbito da sua atividade, se proponham desenvolver ações enquadráveis no ponto 2 da presente resolução”. Para tal têm de estar legalmente constituídas, possuir a situação regularizada perante a administração fiscal e a segurança social, cumprir as condições legais necessárias ao exercício da respetiva atividade, nomeadamente em matéria de licenciamentos e dispor de contabilidade adequada.

Face ao exposto no parágrafo anterior, e se for exigida uma contabilidade consentânea com as (pequenas) dimensões das diversas organizações, estão em condições de se candidatarem aos apoios, entre outras, na ilha de São Miguel, as seguintes associações: AVIPAA- Associação Vilafranquense de Proteção dos Animais e do Ambiente, APA- Associação Açoreana de Proteção dos Animais, Cantinho dos Animais dos Açores e Animais de Rua-Núcleo de São Miguel

Para os interessados na apresentação de candidaturas convém estar a par do máximo de informação possível pelo que é importante a leitura da Portaria nº41/2015, de 7 de abril que determina os prazos de candidatura e procede à definição da tramitação dos processos.

Por último, não menos importante é a leitura do Despacho nº 804/2015, de 8 de abril que define os critérios de seleção e avaliação, bem como estabelece as prioridades das ações e projetos a desenvolver.

No âmbito das atividades das associações de proteção dos animais é considerado prioritário o “desenvolvimento de campanhas de vacinação e de controlo da reprodução de animais de companhia e errantes”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30726, 8 de setembro 2015, p.12)