terça-feira, 19 de agosto de 2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Hiroshima
A PROPÓSITO DA BOMBA DE HIROSHIMA
“De
todas as alterações que os homens introduziram na natureza a fissão nuclear em
escala industrial é sem dúvida a mais perigosa e a mais profunda. Em
consequência disso, as radiações ionizantes tornaram-se o mais sério agente de
poluição do meio ambiente e a mais grave ameaça à sobrevivência do homem sobre
a Terra.” Schumacher, Small is Beautiful
A
6 de Agosto de 1945, a Alemanha já estava derrotada, a Itália já se havia
rendido e Hitler e Mussolini, já se encontravam no Inferno a pagar pelos seus
pecados. Apenas restava o Japão que ainda resistia, mas já estava de joelhos.
Pelas
8 horas e 15 minutos do mencionado dia um avião dos Estados Unidos lançou uma
“ogiva secreta de quase 20 quilos e potência equivalente a quase 20 mil
toneladas de TNT”. O resultado, segundo Ireneu Gomes, foi a morte de 78 150
pessoas só no primeiro segundo após a detonação da bomba, 13 983 desaparecidos
e 130 mil pessoas mortas, ao longo dos anos, vítimas da radiação.
Como
se este horror fosse pouco, três dias depois outra bomba foi lançada sobre a
cidade de Nagasaki, onde terão morrido cem mil pessoas.
Para
alguns autores, a derrota do Japão estava assegurada pelo que o lançamento das
duas bombas atómicas foi um crime contra a humanidade já que as principais
vítimas foram populações indefesas e não passou de uma demonstração de força para
todo o mundo e em especial para a União Soviética.
A
rendição do Japão foi o fim da Segunda Guerra Mundial e o início da “guerra
fria”. Começou uma corrida louca aos armamentos, desde os ditos convencionais,
aos nucleares, passando pelos químicos, por parte das duas superpotências
imperialistas, os Estados Unidos da América e a União Soviética.
Hoje,
com a quantidade e a qualidade dos armamentos disponíveis, se algum dos
conflitos regionais se transformar numa guerra mundial as consequências para a
humanidade serão incalculáveis. Como muto bem escreveu Albert Einstein, que é
considerado um dos pais da bomba atómica e que se terá arrependido de ter
escrito uma carta, a 2 de Agosto de 1939, ao presidente dos Estados Unidos da
América, Franklin Roosevelt, onde mencionava a possibilidade da criação de um
novo tipo de bomba e sugeria os caminhos a serem seguidos: “Não sei que armas
serão empregadas numa Terceira Guerra Mundial. Mas tenho a certeza de que, se
houver uma Quarta Guerra Mundial, as armas serão paus e pedras”.
Nos
Açores, os jornais referiram-se ao evento, nos dias a seguir, tendo relatado o
ocorrido nas duas cidades japonesas e feito menção aos prodígios da energia
nuclear.
No
dia 9 de Agosto, o Correio dos Açores transcreveu uma notícia com origem em
Lisboa e datada do dia anterior, intitulada: “A bomba atómica lançada sobre
Hiroshima matou todos os seres vivos: homens e animais”. De acordo com a mesma
notícia o “segredo do novo invento “foi levado por “uma senhora que conseguiu
fugir da Alemanha para o campo aliado”.
Noutro
texto, publicado no Correio dos Açores, no mesmo dia, refere-se a revolução que
a descoberta da fissão nuclear trará para a humanidade. Assim, na altura,
acreditava-se que a invenção poderia “fazer mover, indefinidamente, toda a
espécie de veículos mecânicos, com uma quantidade diminuta de novos
combustíveis, e será o fim do petróleo e de todos os seus derivados, será o fim
das grandes fábricas que produzem energia” e resolveria “o problema das
comunicações interplanetárias”.
No
dia 16 de Agosto, o Correio dos Açores reproduz um texto publicado, em 1920,
pela revista portuguesa de engenharia “Eletricidade e Mecânica”. Neste, o
autor, para além de fazer uma descrição do átomo, hoje já ultrapassada, prevê a
utilização da energia atómica como substituta do carvão e refere as suas
possíveis utilizações.
A
dado passo do texto, o autor refere que Sir Oliver Lodge, numa comunicação na
Royal Society of Arts, em Londres, considerou que a energia atómica era tão
“rica de aplicações” que se congratulava pelo facto do homem ainda não a saber
utilizar. Segundo ele, a descoberta do modo como usar a energia atómica só
devia ocorrer quando o homem tivesse “a inteligência e a moralidade necessárias
para bem aplica-la, porque se esta descoberta for feita pelos maus, este
planeta tornar-se-á inabitável”.
Infelizmente,
a moralidade muitas vezes mete férias e a inteligência quando existe não é
usada.
Teófilo
Braga
(Correio
dos Açores, nº 30405, 6 de Agosto de 2014)
quarta-feira, 30 de julho de 2014
As odiadas árvores
As odiadas árvores
“O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente.” – Mário Quintana
1- O horror à árvore
É de todos conhecida a importância das árvores para o equilíbrio do planeta, sendo também conhecida a importância da sua presença em meios urbanos, tanto em jardins como nos arruamentos. No segundo caso, sabe-se que as árvores contribuem para a amenização da temperatura do ar, promovem a descontaminação atmosférica e são propiciadoras de sombra.
Apesar do conhecimento das virtudes das plantas ser quase generalizado, uma parte significativa das pessoas comporta-se perante as mesmas como se nada soubesse, agindo pensando apenas nos seus interesses materialistas de curto prazo.
Assim, um pouco por todo o lado, assiste-se a chamadas podas radicais e a abates de árvores a pedido de moradores, por vezes preocupados com a simples queda de folhas. A título de exemplo, refiro o caso de um morador das Capelas que, há alguns anos, queria abater um plátano porque o seu vizinho da frente, havia tido a autorização para abater um para tornar possível a abertura de um portão para a sua moradia recém- construída ou o caso, recente, de um cidadão de Vila Franca do Campo que achava que se deviam abater um conjunto de metrosiíderos pelo simples facto das suas flores caírem sobre os automóveis estacionados.
Quando não está em risco a vida das pessoas ou o estrago de bens, não consigo perceber o que leva algumas criaturas a não terem qualquer respeito pelas árvores.
Querem sombra, querem ver as suas terras ou ruas bonitas, mas não suportam ter o trabalho de recolher as folhas ou a as flores quando caiem.
Hoje, em que para todos os problemas a técnica tem uma solução, pelo menos pensam alguns, recomenda-se que as autarquias substituam as árvores existentes por árvores plásticas, isto apenas enquanto a engenharia genética, ou outra, não inventar árvores que não cresçam e sem folhas.
2- Em defesa da árvore
Alice Moderno, conhecida pela sua luta em defesa dos animais, também não foi indiferente às árvores de tal modo que, apesar das dificuldades momentâneas por que passou, nunca mandou “abater e reduzir a achas uma árvore que não tenha tido morte natural”.
Em 1940, a propósito de uma campanha movida contra os metrosíderos do “Largo 5 de Outubro”, Alice Moderno denunciou aqueles que pretendiam dar cabo dos mesmos, tendo afirmado que cabia a todos os que sabiam escrever “ser intérpretes perante as pessoas de quem depende a sorte das formosas árvores que constituem um dos patrimónios vegetais de Ponta Delgada”.
No mesmo texto, publicado no Correio dos Açores, Alice Moderno mencionou o caso do pianista Roger Godier e da mulher que ficaram comovidos ao assistirem ao corte de “lindas araucárias” no Largo Almirante Dunn.
Infelizmente, outrora como nos nossos dias, os residentes nem sempre dão valor ao que é seu.
Outra pessoa sensível ao (mau) tratamento das árvores foi o Eng. Silvicultor e Arquiteto Paisagista Ilídio Gonçalves. Natural de Vila Pouca de Aguiar, viveu na Horta e em Angra do Heroísmo, tendo sido professor convidado do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores.
A propósito das podas mal feitas, Ilídio Gonçalves escreveu em 1985: “Nós que purificamos o ar poluído das ruas; nós que vos damos a sombra refrescante no estio e o abrigo acolhedor no Inverno; nós que ajudamos a construir o vosso lar e aquecemos a vossa lareira; nós que vos deleitamos com cores garridas e variadas ou com aromas inebriantes …por que nos mutilais os ramos frondosos? Por que nos crivais de feridas que apodrecem o lenho valioso? Por que nos sangrais a seiva viçosa?”
Depois de dar exemplos de trabalhos mal executados, o Engº Ilídio Gonçalves termina o seu texto com o seguinte apelo: “Senhores responsáveis! Acreditem que estão errados; procurem o auxílio e o conselho de quem sabe e pode ajudar-vos a salvar as martirizadas árvores amigas que teimam em sobreviver!”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30399, 30 de Julho de 2014, p.14)
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Alice Moderno e a ALRA
Alice Moderno e a ALRA
Muito pouco se tem escrito sobre Alice
Moderno e quando se escreve, algumas vezes esconde-se partes da sua vida e
obra, outras vezes repetem-se falsas informações sem ter o cuidado de ir às
fontes primárias ou mesmo ir além das simples pesquisas na internet.
Não sei que fonte ou fontes consultou a
ALRA- Assembleia Legislativa Regional dos Açores para elaborar a nota
biográfica de Alice Moderno (http://base.alra.pt:82/Doc_Noticias/NI6520.pdf),
mas tenho, num caso, muitas dúvidas acerca do rigor de algumas das afirmações e,
no outro, tenho a certeza de que se trata de um engano ou erro, espero que não
voluntário.
Vejamos a primeira afirmação: “Republicana,
depois de 1910, com a implantação da República Portuguesa, passou a participar
ativamente na vida social e política de Ponta Delgada, designadamente na
campanha a favor da aprovação da lei do divórcio.”
Escrever que Alice Moderno passou a
tomar parte na vida social apenas depois de 1910 é ignorar que desde que
começou a sua “vida literária”, em 1883, até à implantação da República, a
“mulher piorneira” publicou “Aspirações”, “O Dr. Sandoval”, “Os mártires do
Amor”, “No Adro”, “Açores: Pessoas e Coisas”, “Os Mártires” e “Mater Dolorosa”.
É, também, passar uma esponja sobre a sua atividade jornalística, como
fundadora do jornal “Recreio das Salas”, colabora ativa do “Diário de Anúncios”
e fundadora do jornal “A Folha”.
Tanto quanto é do meu conhecimento, o
divórcio foi legalizado em Portugal através de um decreto publicado a 3 de
Novembro de 1910, portanto menos de um mês após a implantação da República,
pelo que tenho muitas dúvidas acerca da ocorrência de uma campanha realizada
entre 5 de Outubro de 1910 e 3 de Novembro do mesmo ano.
Aproveito, a oportunidade, para divulgar
o que Alice Moderno escreveu sobre o assunto. No jornal “A Folha” de 16 de
Outubro de 1910, pode ler-se:
“Informam
telegraficamente que em dezembro próximo será decretada a lei do divórcio.
Assim devia ser, e semelhante medida está perfeitamente de acordo com a
perfeita orientação do governo provisório da República Portuguesa. O divórcio é
permitido em todos os países em evidência pela sua supremacia intelectual, e,
muito longe de contribuir para a dissolução da família, é, pelo contrário, um
incentivo para a perfeita constituição da mesma”.
A 13 de Novembro, do mesmo ano, na
rubrica “URBI ET ORBI”, no mesmo jornal, o assunto do divórcio é referido do
seguinte modo:
“
Como noticiáramos no nosso último número, já foi decretada a lei do divórcio…Um
telegrama para um nosso colega diário diz ter essa lei dado origem a muitos
protestos. Suporão os protestantes
que o divórcio é obrigatório, como o serviço militar?!”
A
segunda afirmação “Legou os seus bens a
diversas causas de beneficência e adquiriu o imóvel das Capelas destinado à
Casa do Gaiato”, não faz qualquer sentido como se poderá verificar através da
apresentação de alguns dados.
No
dia 31 de Janeiro de 1946, Alice Moderno faz um testamento deixando como
herdeira proprietária dos seus bens a Junta Geral Autónoma do Distrito de Ponta
Delgada, ficando esta obrigada a criar um hospital para animais no prazo de
dois anos após a sua morte.
Alice
Moderno morre em Fevereiro de 1946 e menos de dois anos depois começou a
funcionar um espaço na Rua Coronel Chaves que mais parecia um canil do que um
hospital, passando depois para novas instalações que, segundo a prof. Conceição
Vilhena, “afirma-se, não tem aquelas dimensões desejadas pela sua fundadora”.
Depois
da morte do seu irmão, Vítor Rodrigues Moderno, em 1953, que era o usufrutuário
dos bens de Alice Moderno, a Junta Geral, em reunião realizada em 1954, decidiu
vender todos os bens e comprar uma casa e propriedade para a instalação da Casa
do Gaiato.
Como
se poderá concluir Alice Moderno não comprou a Casa do Gaiato, nem deixou em
seu testamento nenhuma indicação nesse sentido, tendo a aquisição sido da única
responsabilidade da Junta Geral.
Se estiver errado darei a mão à
palmatória.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30393, 23 de
Julho de 2014)
quarta-feira, 16 de julho de 2014
JJDD
José Joaquim Delgado Domingos
Muito
poucos são os professores universitários que não têm qualquer problema em vir
para a praça pública denunciar as políticas ruinosas seguidas pelos governantes
ou mesmo o compadrio de colegas com projetos desastrosos para a economia e para
a qualidade de vida dos cidadãos de um país.
Uma
das pessoas que fugiu à regra da subserviência aos poderes estabelecidos foi José
Joaquim Delgado Domingos, professor catedrático jubilado do Instituto Superior
Técnico, desde 2005, e que nos deixou no passado domingo, dia 6 de Julho, com
79 anos de idade.
Para
quem não conhece a sua obra, recomendo a consulta da página “Textos de José J.
Delgado Domingos (http://jddomingos.ist.utl.pt/)
onde poderão ter acesso ao seu Curriculum Vitae resumido e a um conjunto de
“textos pedagógicos e de intervenção pública bem como referências
bibliográficas” que ele reuniu.
Tive
o prazer de jantar uma vez em Lisboa com o professor Delgado Domingos a convite
de um amigo comum, o Engenheiro Luís Tavares, onde conversamos sobre alguns
projetos que os dois estavam a implementar no âmbito da associação “IDEA-
Iniciativa para o Desenvolvimento, A Energia e o Ambiente” de que eu era um dos
trinta e dois sócios fundadores.
Infelizmente,
muito pouco foi concretizado pois a associação teve uma duração efémera.
Contudo, foram publicados três boletins com textos de distintas personalidades
do mundo científico e da luta ecológica, como José Carlos Costa Marques,
Viriato Soromenho Marques, Jorge Paiva, Rui Cortes, Henrique Schwarz da Silva,
Manuel Gomes Guerreiro, José Mattoso, Gonçalo Ribeiro Telles, Ilídio de Araújo,
Fernando Santos Pessoa, Jacinto Rodrigues e Delgado Domingos.
No
número dois do boletim “Iniciativa”, num texto intitulado “Energia Nuclear:
para uns a energia, para os outros os resíduos”, Delgado Domingos, que segundo
Viriato Soromenho Marques, “todos nós lhe devemos um
contributo fundamental para impedir que Portugal entrasse no beco sem saída da
energia nuclear”, escreveu a propósito dos que defendem a segurança do nuclear:
“Essa segurança acaba sempre confiscando os direitos dos cidadãos. Porque os
cidadãos que pensam, … ou podem começar a pensar de modo autónomo, são a arma
mais temível para os vendedores dos dogmas e das drogas que os mantêm no
poder”.
Ainda
a propósito do mesmo tema, Delgado Domingos defendeu que a energia nuclear era
mais do que uma simples forma de energia, sendo “um modelo de sociedade e uma
cega visão de crescimento” e acrescentava: “visão cega, porque se recusa a
admitir a evidência que é o colapso para que se dirige e que a finitude e
estrutura do próprio planeta Terra inexoravelmente impõe. Demagógica porque
ilude no crescimento global o crescimento da diferença, na qualidade de vida
entre pessoas, entre regiões, entre países, e entre continentes. Desonesta,
porque os mais pobres ficam com as promessas e os mais ricos com os seus
frutos”.
Noutro
texto, publicado num número especial da “Iniciativa”, Delgado Domingos não perdoa
todos os que desvirtuam o conceito de desenvolvimento sustentável, e consideram
que tudo se limita a “boas ou más oportunidades de negócio” e a soluções
técnicas que resolvem todos os problemas, escrevendo o seguinte: “Este é o
triste retrato da incultura que muita da nossa Universidade exprime, mostrando
aonde pode levar a confusão entre Ciência e lobby quando se perdem as
referências culturais e a cultura se transforma em mimetismo.”
Aquando
do debate sobre a coincineração Delgado Domingues criticou os trabalhos da
denominada comissão científica independente, tendo escrito vários artigos. Num
deles, intitulado “A Coincineração e a Comunidade Científica”, acusa os membros
da referida comissão de se terem enganado e de não terem vindo a público pedir
desculpa. Segundo ele, “não só não o fizeram como substancialmente o agravaram
com declarações públicas amplamente difundidas. Em linguagem científica, a este
comportamento chama-se fraude científica”.
Empenhou-se
politicamente, tendo colaborado com o MPT na altura em que vários militantes
ecologistas, alguns dos quais oriundos dos Amigos da Terra- Associação
Portuguesa de Ecologistas, faziam parte do mesmo, tendo sido cabeça de lista
numa candidatura ao Parlamento Europeu.
A sua luta por uma Terra para todos não cairá no
esquecimento.
Teófilo Braga
(Correio dos
Açores, nº 30387, 16 de Julho de 2014, p.14)
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Roteiro de Alice Moderno na Cidade de Ponta Delgada (2)
Roteiro de Alice Moderno na Cidade de Ponta Delgada (2)
Neste número do jornal Correio dos Açores dou seguimento ao texto publicado neste jornal no passado dia 2 de Julho, continuando a apresentar alguns locais relacionados com Alice Moderno.
5 – Rua do Valverde
Numa casa que pertenceu ao Sr. João Luís da Câmara viveu o advogado, Dr. Henrique de Paula Medeiros, que segundo Alice Moderno terá sido quem pela primeira vez falou na necessidade da criação de uma sociedade protetora de animais.
Alice Moderno, que frequentava a casa, escreveu que o Dr. Henrique Medeiros, era um “extremoso defensor” dos cães, possuindo “alguns felizardos” e que o quintal da casa “ era um verdadeiro asilo para os felinos, que lá cresciam e se multiplicavam, conforme o preceito evangélico”.
6 – Rua Pedro Homem
Fundada em 1911, a Sociedade Micaelense Protetora dos Animais manteve-se quase inativa até 1914, ano em que Alice Moderno assumiu a presidência da mesma.
Foi sob a sua presidência que a SMPA foi dotada de uma sede que se situou na rua Pedro Homem, nº 15, rés-do-chão.
Para além da sede foi adquirido mobiliário e foram tomadas medidas conducentes a acabar com os maus tratos de que eram alvo os animais usados no transporte de cargas diversas, nomeadamente os que transportavam beterraba para a fábrica do açúcar, e para a educação dos mais novos, através do envio de uma comunicação aos professores “pedindo-lhes para que, mensalmente, façam uma preleção aos seus alunos, incutindo no espírito dos mesmos a bondade para com os animais, que não é mais do que um coeficiente da bondade universal”.
7 – Rua Coronel Chaves
No dia 31 de Janeiro de 1946, vinte dias antes de falecer Alice Moderno, em testamento, deixou alguns bens, à Junta Geral Autónoma do Distrito de Ponta Delgada, com a condição desta, no prazo de dois anos, criar um hospital para animais.
Um arremedo de hospital, começou a funcionar, em Janeiro de 1948, num pequeno pavilhão pouco espaçoso no canto norte da rua Coronel Chaves, onde até há alguns anos funcionou o CATE.
As suas minúsculas dimensões e por se assemelhar mais a um canil do que a um hospital fizeram com que o intendente de pecuária, Dr. Vítor Machado de Faria e Maia, não o tenha considerado digno de ser oficialmente inaugurado.
8 – Serviços de Desenvolvimento Agrário
Alguns anos mais tarde, a Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada construiu um edifício na Estação Agrária, em São Gonçalo, com um pouco mais de espaço. O mesmo foi dotado do material e da aparelhagem necessária, tendo a sua manutenção ficado a cargo dos rendimentos obtidos através do legado da benemérita Alice Moderno.
Nos primeiros anos, sob a administração da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, presidida pela Dona Fedora Serpa Miranda, com a colaboração da Junta Geral, foi assegurada a enfermagem permanente aos pequenos animais e a consulta diária a animais de todas as espécies, através do veterinário municipal de Ponta Delgada.
9 – Cemitério de São Joaquim
Alice Moderno faleceu a 20 de Fevereiro de 1946 e está sepultada no Cemitério de S. Joaquim de Ponta Delgada, num jazigo por ela mandado construir ainda em vida.
No mesmo jazigo encontra-se sepultada Maria Evelina de Sousa, outra mulher que teve um papel de destaque na criação da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais.
Maria Evelina de Sousa foi a professora do primeiro ciclo, diretora da “Revista Pedagógica”, redatora dos estatutos da SMPA e membro da direção daquela associação.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30381, 9 de Julho de 2014, p. 11)
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