quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Recordando a Dr.ª Natália de Almeida
Recordando a Dr.ª Natália de Almeida
No passado dia 14 de setembro, faleceu a minha antiga professora de Introdução à Política, no ano letivo 1974/75, na Escola Secundária Antero de Quental e mais tarde minha colega no mesmo estabelecimento de ensino.
A disciplina de Introdução à Política surgiu, após o 25 de Abril de 1974, para substituir uma intitulada Organização Politica e Administrativa da Nação que se destinava a dar a conhecer aos alunos, entre outros conteúdos, a Constituição, o Código Administrativo e o Estatuto do Trabalho Nacional do Estado Novo.
Se as aulas de Organização Politica e Administrativa da Nação eram muito maçadoras e verdadeiramente desinteressantes, acredito que não por inteira culpa do professor, as de Introdução à Politica, eram completamente diferentes, não só devido aos tempos de esperança que então se viviam, mas também, ou sobretudo, fruto das qualidades didáticas da docente que a todos entusiasmava, apelando à participação ativa de todos os alunos.
Alguns anos mais tarde, como já referi, voltei a encontrar-me, no mesmo estabelecimento de ensino, com a Dr.ª Natália de Almeida, mas já na qualidade de professor de Física e Química, tendo na altura, colaborado com um projeto que ela manteve durante alguns anos, o suplemento cultural “O Pedagogo”.
O Pedagogo, segundo a Drª Natália de Almeida, tinha como desígnio “criar um espaço em que a cultura tenha lugar privilegiado. Queremos fazer deste suplemento um estímulo vário que ajude cada leitor a saber mais, a refletir melhor, a dialogar mais, a ascender a níveis mais elevados de fruição intelectual”.
Para além do meu pobre contributo com textos sobre a causa ambiental, “O Pedagogo” contou, no ano de 1989, com a colaboração de Eduardo Jorge Brum, Urbano Bettencourt, Dias de Melo, Judite Jorge, António Melo Sousa, Clotilde Cymbron, Maria Angelina Balacó Amaral, Victor de Lima Meireles e Fernando Aires.
Numa altura em que para além da crise económica, social, política e ambiental se assiste a uma perda de valores e a um regresso ao autoritarismo, ler os textos escritos pela Drª Natália de Almeida, para além de ficarmos melhor a conhecer o seu pensamento, poderá ajudar-nos a refletir e a agir nos dias de hoje para a construção de uma sociedade mais livre, democrática e mais justa.
Sobre a liberdade, a Dra. Natália de Almeida escreveu, no suplemento publicado a 14 de outubro de 1989, que a liberdade de pensamento não é a liberdade de pensar mas sim “o direito de exprimir o seu próprio pensamento perante os outros e de procurar com que os outros partilhem dele”. Ainda sobre este assunto, escreveu que “os regimes de força (ditaduras de esquerda e de direita nas suas mais sofisticadas formas) têm a liberdade de pensamento como o primeiro inimigo a abater. É impedindo a livre comunicação de ideias, críticas, denuncias, que os ditadores de todos os tempos se têm conseguido manter de pé”.
No suplemento nº 5, publicado a 25 de novembro de 1989, é abordada a noção de cultura. No seu texto a Dr.ª Natália de Almeida, depois de apresentar vários conceitos chama a atenção para o facto de ser “perigoso usar cultura sem especificar qual o sentido ou significado da palavra” e acrescenta:
“É que RESPEITAR A CULTURA PODE SER UMA FORMA DE DESINVESTIMENTO CULTURAL, ou seja pode-se afogar o que há de novo em nome da manutenção do que é tradicional, mesmo que seja pobre e atrasado (já que há que salvaguardar o que, sendo tradicional, é rico e autêntico).”
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30769, 28 de outubro de 2015, p.12)
http://www.rtp.pt/acores/cultura/morreu-natalia-almeida_48110
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Os animais têm direitos?
Os animais têm direitos?
Uma princesa inglesa afirmou, recentemente, que os animais não têm direitos porque não têm conta bancária, não votam e que só deve ter direitos quem paga impostos.
Entre nós, um acérrimo defensor da tauromaquia afirmou que não há qualquer problema em torturar os touros por não terem quaisquer direitos já que só deverão ter direitos quem for capaz de resolver o teorema de Pitágoras.
Esta última afirmação, tal como a anterior, é deveras preocupante pois se a estendermos aos humanos, bebés, crianças e todos os que nunca aprenderam o dito teorema ou os que já o esqueceram não deverão ser titulares de quaisquer direitos, podendo consequentemente ser vítimas de maus tratos, discriminados, torturados, escravizados, etc.
Não pretendendo discutir aqui a questão dos direitos dos animais, o nosso objetivo com este curto texto é dar a conhecer um livro, publicado recentemente, intitulado “Sim! Os animais têm direitos”, da autoria de André Nunes, licenciado em direito pela Universidade Católica Portuguesa, que, desde 2009, se dedica ao estudo dos direitos dos animais, quer sob o ponto de vista jurídico, quer filosófico.
Por muito que custe a algumas cabeças pouco abertas à evolução das mentalidades, é cada vez maior o número de pessoas que em todo o mundo se preocupam com a vida dos animais não humanos e lutam para que a sua situação melhore. Segundo Paulo Borges, autor do prefácio, ao referido livro, “a ética animal, a par da ambiental, é hoje uma das áreas de investigação mais florescentes nos estudos académicos e a questão dos direitos dos animais e da natureza tornou-se central ao debate filosófico-jurídico contemporâneo”.
O livro, de fácil leitura, possui cinco capítulos, sendo o primeiro mais teórico, onde o autor define “o limite a partir do qual devem os animais ser considerados eticamente”. No segundo capítulo, o autor responde às objeções feitas à defesa dos direitos dos animais, no terceiro é rebatida a argumentação “que se centra mais no mensageiro do que na mensagem argumento”, no quarto capítulo é desmascarada a estratégia “assente no rótulo do tratamento bom e humanitário” nas várias indústrias de exploração de animais. Por último, no quinto capítulo o autor propõe-se “encontrar uma resposta para a questão: como devemos tratar os animais não-humanos””
As opiniões do autor, que não aceita “que a espécie humana se coloque a ela própria num patamar à parte” da mesma maneira que não aceita que os animais sejam colocados “numa redoma inquebrável”, com certeza irão causar algum desconforto a quem não tem o espírito aberto a admitir ideias diferentes das suas ou a quem, por preguiça mental, não está habituado a refletir, sem preconceitos, sobre os mais diversos assuntos.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30768, de 27 de outubro de 2015, p.6)
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Ano Internacional da Luz
Fonte: http://parquedaciencia.blogspot.com/2014/03/isaac-newton-o-pai-da-fisica-moderna.html
O ano de 2015 foi proclamado, pelas Nações Unidas, como o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas na Luz., como forma de reconhecimento da importância das tecnologias baseadas na luz na promoção do desenvolvimento sustentável e na busca de soluções para os desafios mundiais nas áreas de energia, educação, agricultura, saúde, etc.
Se na maior parte das vezes as comemorações dos diversos anos internacionais pouco adiantam em termos de resolução dos problemas concretos das pessoas, no caso em apreço, pelo menos nos Açores, não se conhece qualquer iniciativa para o assinalar, por mais simbólica que seja.
No texto de hoje, sucintamente, apresentarei alguns físicos que com as suas teorias e investigações contribuíram para um melhor conhecimento da luz e consequentemente tornaram possível diversas aplicações das tecnologias nela suportadas.
O primeiro físico que vamos mencionar neste texto é o inglês Isaac Newton (1643-1727), conhecido pela sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, onde descreve a lei da gravitação universal e as três leis de Newton, que fundamentaram a mecânica clássica que é a que é ensinada, ainda hoje, nas nossas escolas, no terceiro ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário.
Mas, para além do seu monumental contributo para a física, Newton também se dedicou à astronomia, à matemática, à filosofia natural e à teologia.
No que à luz diz respeito, Newton propôs a teoria corpuscular segundo a qual a luz é constituída por pequenas partículas que são emitidas pelas fontes luminosas. A teoria corpuscular explicava muito bem os fenómenos da reflexão e da refração.
Newton, também, explicou por que razão a luz branca pode ser decomposta em “luzes de várias cores”. Este fenómeno ótico que se denomina dispersão foi observado por ele em 1672 quando fez atravessar por um prisma um feixe de luz branca.
Newton, que segundo o físico português Carlos Fiolhais conseguiu ofuscar “a grande maioria dos seus opositores” não foi capaz de fazer sombra ao físico holandês Christiaan Huygens (1629-1695) que defendeu que a luz era uma onda que se propagava no éter, o qual, no final do século XIX, se provou não existir.
Depois do confronto entre as duas teorias, que durou muito tempo, a ondulatória de Huygens ganhou adeptos pois conseguiu explicar os fenómenos da difração e interferência da luz que a corpuscular não era capaz de o fazer.
Mas, uma questão permanecia por responder: afinal, o que é a luz?
A resposta foi dada pelo físico e matemático escocês, James Maxwell (1831-1879), cujo trabalho em prol da ciência foi considerado por Albert Einstein “o mais profundo e frutífero que a física descobriu desde Newton". Para ele a luz estava relacionada com a eletricidade e com o magnetismo, sendo, segundo Pierre Guaydier, uma onda luminosa representada “pela associação de um campo magnético e de um campo elétrico periodicamente variáveis com uma frequência muito grande, propagando-se estas variáveis à velocidade de 300 000quilómetros por segundo”.
Como é impossível fazer referência a todos os físicos que contribuíram para o estudo da luz, para terminar este texto, farei uma breve referência ao físico teórico alemão, naturalizado americano, Albert Einstein (1879-1955), que soube conciliar as duas teorias, a corpuscular e a ondulatória, dizendo que uma teoria explicava bem alguns fenómenos enquanto a outra explicava outros.
Para além disso, Einstein explicou, em 1905, o efeito fotoelétrico, o qual consiste em arrancar eletrões de uma superfície metálica quando sobre ela incide luz, o que lhe valeu, em 1921, o prémio Nobel da Física.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30763, 21 de outubro de 2015, p.13)
O ano de 2015 foi proclamado, pelas Nações Unidas, como o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas na Luz., como forma de reconhecimento da importância das tecnologias baseadas na luz na promoção do desenvolvimento sustentável e na busca de soluções para os desafios mundiais nas áreas de energia, educação, agricultura, saúde, etc.
Se na maior parte das vezes as comemorações dos diversos anos internacionais pouco adiantam em termos de resolução dos problemas concretos das pessoas, no caso em apreço, pelo menos nos Açores, não se conhece qualquer iniciativa para o assinalar, por mais simbólica que seja.
No texto de hoje, sucintamente, apresentarei alguns físicos que com as suas teorias e investigações contribuíram para um melhor conhecimento da luz e consequentemente tornaram possível diversas aplicações das tecnologias nela suportadas.
O primeiro físico que vamos mencionar neste texto é o inglês Isaac Newton (1643-1727), conhecido pela sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, onde descreve a lei da gravitação universal e as três leis de Newton, que fundamentaram a mecânica clássica que é a que é ensinada, ainda hoje, nas nossas escolas, no terceiro ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário.
Mas, para além do seu monumental contributo para a física, Newton também se dedicou à astronomia, à matemática, à filosofia natural e à teologia.
No que à luz diz respeito, Newton propôs a teoria corpuscular segundo a qual a luz é constituída por pequenas partículas que são emitidas pelas fontes luminosas. A teoria corpuscular explicava muito bem os fenómenos da reflexão e da refração.
Newton, também, explicou por que razão a luz branca pode ser decomposta em “luzes de várias cores”. Este fenómeno ótico que se denomina dispersão foi observado por ele em 1672 quando fez atravessar por um prisma um feixe de luz branca.
Newton, que segundo o físico português Carlos Fiolhais conseguiu ofuscar “a grande maioria dos seus opositores” não foi capaz de fazer sombra ao físico holandês Christiaan Huygens (1629-1695) que defendeu que a luz era uma onda que se propagava no éter, o qual, no final do século XIX, se provou não existir.
Depois do confronto entre as duas teorias, que durou muito tempo, a ondulatória de Huygens ganhou adeptos pois conseguiu explicar os fenómenos da difração e interferência da luz que a corpuscular não era capaz de o fazer.
Mas, uma questão permanecia por responder: afinal, o que é a luz?
A resposta foi dada pelo físico e matemático escocês, James Maxwell (1831-1879), cujo trabalho em prol da ciência foi considerado por Albert Einstein “o mais profundo e frutífero que a física descobriu desde Newton". Para ele a luz estava relacionada com a eletricidade e com o magnetismo, sendo, segundo Pierre Guaydier, uma onda luminosa representada “pela associação de um campo magnético e de um campo elétrico periodicamente variáveis com uma frequência muito grande, propagando-se estas variáveis à velocidade de 300 000quilómetros por segundo”.
Como é impossível fazer referência a todos os físicos que contribuíram para o estudo da luz, para terminar este texto, farei uma breve referência ao físico teórico alemão, naturalizado americano, Albert Einstein (1879-1955), que soube conciliar as duas teorias, a corpuscular e a ondulatória, dizendo que uma teoria explicava bem alguns fenómenos enquanto a outra explicava outros.
Para além disso, Einstein explicou, em 1905, o efeito fotoelétrico, o qual consiste em arrancar eletrões de uma superfície metálica quando sobre ela incide luz, o que lhe valeu, em 1921, o prémio Nobel da Física.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30763, 21 de outubro de 2015, p.13)
Garajaus
Foto: José Pedro Medeiros
Um espaço para os garajaus
Em Nota Zoófila anterior o tema foi a campanha SOS cagarro. Nesta, vou escrever sobre outras aves marinhas, os garajaus.
Para tentar explicar o que são os garajaus e sobretudo a diferença entre eles, transcrevo um excerto de um texto de apoio a uma sugestão para uma aula de educação ambiental cuja autoria é do Doutor Luis Monteiro:
“Os garajaus são aves marinhas coloniais, com caudas bifurcadas e de aspecto mais aerodinâmico do que as gaivotas. O garajau-comum apresenta as asas de um cinzento mais escuro do que as do garajau-rosado. A asa do garajau-comum é ligeiramente menor do que a do rosado e o bico é predominantemente vermelho (só a ponta é preta) enquanto o bico do garajau-rosado é predominantemente preto. No Verão o garajau-rosado apresenta o peito tingido com um tom róseo leve. Em voo nota-se que esta espécie é, de um modo geral, mais clara do que a outra”
Os garajaus, comum e rosado, foram, nos Açores, as primeiras aves marinhas a ser alvo de uma campanha de sensibilização, a qual foi lançada, em março de 1993, por iniciativa do Doutor Luís Monteiro, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e que contou com a colaboração da associação ecológica Amigos dos Açores que, naquele ano e em anos posteriores, editou milhares de folhetos sobre as duas espécies, que foram distribuídos essencialmente nas escolas, e promoveu pequenas exposições, também em escolas e em sedes de juntas de freguesia.
Dois anos antes do início da campanha referida, o Doutor Luís Monteiro, numa comunicação apresentada no 2º Encontro de Ambiente, Turismo e Cultura, realizado, em Janeiro, na cidade de Angra do Heroísmo, realçou a importância dos Açores tanto para o garajau comum como para o rosado. Segundo ele, os Açores eram a área de nidificação mais importante para o garajau rosado, na Europa, e a população nidificante do garajau comum representava cerca de 4% da população existente, também, na Europa.
Em termos de números, nidificavam nos Açores cerca de 1000 casais de garajau-rosado, o que correspondia a dois terços da população europeia e 4000 casais de garajau-comum.
Um levantamento estatístico, recentemente divulgado, revelou que no ilhéu da Praia, na Graciosa, existe a segunda maior colónia europeia de garajau-rosado, com cerca de 600 casais e que nos Açores nidificam cerca de 50% dos garajaus rosados da Europa.
Face aos números expostos e a alguns problemas existentes nas colónias faz todo o sentido continuar a investigação e a tomada de medidas para evitar a perturbação pelo homem e a predação por roedores.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores,30762, 20 de outubro de 2015, p.14)
domingo, 18 de outubro de 2015
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
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