segunda-feira, 21 de março de 2016

A Festa da Árvore



A Festa da Árvore

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A minha participação na Festa da Árvore, iniciativa da Fundação do Jardim José do Canto, consistiu na orientação de um “Peddy Paper “As Árvores Notáveis do Jardim Botânico José do Canto e o Ensino da Física e da Química”, destinado aos alunos da disciplina de Física e Química A, da turma B do 10º ano de escolaridade, da Escola Secundária das Laranjeiras.

Com esta atividade pretendeu-se que, para além de educar para a valorização do património natural e aumentar o conhecimento e a consciência ambiental, os alunos fossem capazes de aplicar os conhecimentos teóricos aprendidos nas aulas a situações da vida real.

Assim, através do Peddy Paper os alunos foram desafiados a responder, entre outras, a questões sobre a vida de José do Canto, a orientarem-se a partir de um mapa, a recordarem conhecimentos de Química e de Física e a medirem a altura de uma árvore, usando conhecimentos de trigonometria.

Os 17 alunos participantes reagiram muito bem à atividade, tendo alguns deles mostrado a sua enorme satisfação pelo facto de terem, pela primeira vez, colaborado na plantação de algumas espécies que foi coordenada pelo Eng.. Manuel Moniz da Ponte.

Sobre a atividade, uma das alunas, a Tânia Cabral, escreveu o seguinte: “uma das principais coisas num peddy paper é o trabalho de equipa e a atenção a todas as pistas que nos são dadas. Foi até uma visita divertida, pois muitos dos alunos preferem sempre coisas dinâmicas”.

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Todos os jardins botânicos têm uma função educativa aberta à comunidade, sobretudo aos mais jovens. A Fundação do Jardim José do Canto tem facilitado a entrada, sem quaisquer custos, a associações e a escolas para o desenvolvimento de atividades educativas. A título de exemplo, visitei pela primeira vez o jardim integrado num grupo da Associação Amigos dos Açores, em 2014, o Dia Mundial do Ambiente foi comemorado por duas turmas do 11º ano da Escola Secundária das Laranjeiras e têm sido realizadas várias visitas para turmas de diversas escolas profissionais.

A Festa da Árvore, se não estou em erro, foi a primeira iniciativa organizada, pela Fundação do Jardim José do Canto, após a atual fase de recuperação do Jardim, “no âmbito das suas responsabilidades em matéria de educação ambiental” e teve como objetivo “dar a conhecer aos jovens micaelenses as árvores notáveis que povoam o Jardim Botânico José do Canto”.

Desta louvável iniciativa destaco a diversidade do público-alvo que foi constituído por alunos da Escola Profissional do Sindicato de Escritório e Comércio da Região Autónoma dos Açores, por alunos do chamado ensino regular da Escola Secundária das Laranjeiras, técnicos de turismo, professores e outros interessados.

Como já foi mencionado, a Festa da Árvore teve como motivo principal as árvores notáveis existentes no jardim que pelas suas especificidades, isto é raridade, porte monumental ou morfologia singular, são uma das razões para uma visita dos naturais e residentes na ilha de São Miguel e um polo importante de atração turística.

Embora o Jardim José do Canto possua um conjunto de árvores notáveis que o distingue dos demais existentes em São Miguel, considero que o jardim vale pelo seu todo, isto é pelo conjunto do seu património natural e pela sua carga histórica.

Teófilo Braga
(Atlântico Expresso, 8593, 21 de março de 2016, de 21 de março de 2016, p.4)

quarta-feira, 16 de março de 2016

Festa da Árvore realizada no Jardim José do Canto no dia 14 de março de 2016




Festa da Árvore realizada no Jardim José do Canto no dia 14 de março de 2016

Da parte de tarde, a Festa da Árvore, começou com a plantação de espécies exóticas, que existiram no jardim no tempo de José do Canto. e desapareceram:

- Albizia julibrissin (albizia)
- Calycantus floridus (carocha)
- Coffea arabica (cafézeiro)
- Ginkgo biloba (ginco)
- Liquidambar styraciflua (liquidambar)
- Plumeria rubra (pluméria)

Participaram na plantação, coordenada pelo Eng. Manuel Moniz da Ponte e pelo Professor Teófilo Braga, alunos da Escola Secundária das Laranjeiras e da Escola Profissional do Nordeste.
Entre as 15.30 e as 17 horas ocorreram duas atividades em paralelo:

Os alunos da Escola das Laranjeiras participaram no 'peddy paper' "As árvores notáveis do Jardim Botânico José do Canto e o ensino da Física e da Química" projetado e orientado pelo Professor Teófilo Braga.

Toda a atividade foi acompanhada pelo vice-presidente do Conselho Executivo, Dr. Rui Gouveia.

Resultados do Peddy Paper
1º Lugar
Beatriz Botelho
Cristina Silva
Tânia Rodrigues
2º Lugar
Alexandra Matos
Filipa Frutuoso
Maria Cabral
Tânia Cabral
3º Lugar
António Dinis
Maria Dâmaso
Tânia Viveiros
4º Lugar
Ana Santos
Sabrina Pacheco
Vanessa Bento
5º Lugar
David Miranda
Diogo Botelho
Henrique Pacheco
Miguel Marques

A árvore na revista “O Vegetariano”


A árvore na revista “O Vegetariano”

“O naturismo tem por base o culto da árvore” (Celso Xavier)

Na passada segunda-feira, a Fundação do Jardim José do Canto organizou uma Festa da Árvore e na próxima semana teremos um dia a ela dedicado, o Dia Mundial da Floresta.

No texto de hoje vou socorrer-me da revista “O Vegetariano”, publicada em 1914, por parte da Sociedade Vegetariana de Portugal, para dar a conhecer a importância da árvore para os seguidores daquele regime alimentar.

A revista “O Vegetariano”, dirigida pelo Dr. Amílcar de Sousa (1876-1940), médico especialista em doenças de nutrição, licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, tinha como lema “Integrai-vos nas práticas salutares da Higiene Natural e gozareis cem anos de vida sã” e a Sociedade Vegetariana de Portugal tinha como fins “criar cursos de instrução popular e educação cívica, diurnos e noturnos, onde por meio de preleções se espalhem e vulgarizem os princípios da alimentação vegetal, suprimindo o morticínio antilógico e desnecessário de animais, favorecendo e enaltecendo a abnegação por amor da humanidade, da pátria, da família, do próximo e caridade para com os animais, combatendo o alcoolismo, o tabaco, os vícios e os erros, em geral, espelhando temperança nos hábitos e a morigeração dos costumes”.

Em janeiro, a revista “O Vegetariano”, através de um texto assinado por C. Brandão, saúda o surgimento, em Lisboa, da Associação do culto da árvore” que visava “tanto proteger a floresta como o pomar” e incita “ os naturistas a se inscreverem na associação, apresentando entre outros os seguintes argumentos: “É fora de dúvida que a árvore, pelas suas raízes, pela sua madeira, pelas suas folhas, exerce uma ação benéfica nas terras, nas indústrias, no clima. Porém, acima de tudo – para nós, naturistas- há o fruto que nos garante a saúde do corpo e da alma, a depuração do indivíduo e da raça.”

No mês de março, José Fontana da Silveira (1891-1974), escritor que se distinguiu pelos livros para crianças que publicou, traduziu um texto de André Fleuriet, onde este sobre a árvore escreveu o seguinte: “ Uma árvore bonita é um prazer para os olhos, e milhares de árvores constituem o bosque, manto de terra e riqueza dum país! Um país que não tem árvores é um país morto!...Quem planta uma árvore é um benfeitor da humanidade; quem as destrói inutilmente é um criminoso”.

No mês de outubro, a revista dedica um curto texto a elogiar o livro “O Culto da Árvore” da autoria de Manuel Vieira Natividade (1860-1918), historiador, arqueólogo, etnólogo e poeta de Alcobaça. Segundo o Dr. Amílcar de Sousa, o livro, “escrito para a festa das crianças da sua terra, é um dos mais perfeitos e úteis elogios à árvore que tenho lido”, onde o autor “esgotou o assunto sobre o valor comercial e cósmico, da árvore e do seu culto, felizmente posto em voga nos tempos de hoje como símbolo da alegria e fartura, de bondade e de bênçãos”.

Por último, no mês de novembro, o Dr., Amílcar de Sousa escreve um curioso texto intitulado “A única ginástica que convém aos homens é trepar às árvores”, onde confessa o seguinte: “Sei andar a pé, subir a árvores, encarrapitar-me nelas quando têm frutos e trepar cerros e penhascos abruptos. Sei qualquer coisa de ginástica natural e com ela tenho conseguido mais força e vigor que alguns sábios de afamados métodos.

Segundo o Dr. Amílcar de Sousa a “única ginástica valiosa e proveitosa é trepar ou subir às árvores” pois não fica nenhum músculo por ser exercitado, mas “para isso é preciso ter força e jeito, equilíbrio e mesmo ainda não ter perdido o feitio arborícola”.

Através do mesmo texto ficamos as saber que o autor não se ficava pelas palavras, como se pode confirmar através do texto seguinte: “Ainda ontem estive a comer figos numa figueira empoleirado. Que deliciosos eram…Com os pés sem sandálias, não escorregava dos ramos, com uma mão agarrava-me, com a outra levava os figos…à boca.”

Termino desejando boas plantações, a quem nunca o fez que experimente visitar um pomar e comer os frutos apanhados das árvores e, por último, que tenham muito cuidado com os trambolhões que poderão ocorrer com subidas às árvores.


Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30886, 16 de março de 2016, p. 12)

terça-feira, 15 de março de 2016

Entregar um animal num canil é abandono


Entregar um animal num canil é abandono

De acordo com a Lei nº69/2014, “quem, tendo o dever de guardar, vigiar ou assistir animal de companhia, o abandonar, pondo desse modo em perigo a sua alimentação e a prestação de cuidados que lhe são devidos, é punido com pena de prisão até seis meses ou com pena de multa até 60 dias”.

Ir a um canil levar um animal, com quem se viveu durante vários anos, por estar velho ou doente é ou não abandono? Ir a um canil levar uma ninhada de cachorros porque não se quis esterilizar os animais que se tem em casa é ou não abandono? Ir, por exemplo, um dirigente partidário concelhio, a um canil levar dois cães saudáveis porque a família está à espera de um bebé é ou não abandono?

Ir a um canil levar um animal sem qualquer razão válida para o fazer não devia ser considerado abandono e punido como está previsto na lei?

Hoje, como é sabido, a grave situação existente nos canis, nos Açores, está relacionada com o abandono de animais um pouco por todo o lado , com a sua entrega nos canis e com a aceitação das “doações” por parte daqueles, sem qualquer penalização dos caridosos “ofertantes”.

Face ao exposto, devem os responsáveis pelos canis ficar de braços cruzados à espera das “doações” ou devem tomar medidas para dissuadir os abusadores que, embora sabendo que os canis são de abate, têm o descaramento de responsabilizar os veterinários municipais pelos abates?

Sem violar qualquer norma legal, os canis podem, diria mesmo, não devem aceitar animais entregues pelos seus detentores, a não ser em situações limite, como estes não terem meios, devidamente comprovados, para pagar um veterinário e os animais serem portadores de doença que possa contaminar outros e os humanos.

O escrito anteriormente não é nada de original, mas a descrição do que se passa em alguns dos canis no nosso país, como, por exemplo, em Cantanhede onde, segundo uma reportagem do jornal Aurinegra, publicada em dezembro de 2010, o seu “Centro não aceita animais entregues “em mãos”, a não ser que estes representem, comprovadamente, um perigo ou sejam portadores de uma doença irreversível, estejam em sofrimento ou possam contaminar seres humanos, até porque o veterinário considera que isso daria ao Centro “uma imagem de matadouro, uma imagem horrível”.

Por cá, por que razão se continua a facilitar a vida aos prevaricadores? Por que não há coragem de se tomar medidas semelhantes?

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30885, 13 de março de 2016, p.11)

terça-feira, 8 de março de 2016

A Festa da Árvore no Jardim José do Canto


A Festa da Árvore no Jardim José do Canto

“ O processo de aprendizagem com a terra, os animais e a “natureza” não pode ser frio e “científico”, tem de incluir o amor, a substância mágica do Universo” (Jack D. Forbes)

Este ano a Fundação do Jardim José do Canto, na sequência de outras iniciativas já desenvolvidas em matéria de educação ambiental, vai promover no próximo dia 14 de março uma Festa da Árvore que tem como objetivo geral dar a conhecer aos jovens micaelenses as árvores notáveis existentes no jardim.

Para além da plantação de espécies indígenas da Flora dos Açores e de espécies exóticas, haverá uma visita guiada “Roteiro das Árvores Notáveis do Jardim Botânico José do Canto”, para alunos do 2º e 3º ano do curso de Técnico de Recursos Florestais e Ambientais, da EPROSEC (Escola Profissional do Sindicato de Escritório e Comércio da Região Autónoma dos Açores, uma visita guiada “A importância das árvores notáveis do Jardim Botânico José do Canto para a afirmação de São Miguel no Turismo de Jardins”, para técnicos de turismo e outros interessados e um Peddy Paper “ As Árvores Notáveis do Jardim Botânico José do Canto e o Ensino da Física e da Química”, com alunos do 10º ano de escolaridade da Escola Secundária das Laranjeiras.

A atividade proposta pela Fundação do Jardim José do Canto, vai ao encontro do objetivo de “aumentar o conhecimento e a consciência ambiental e informar as pessoas a respeito da necessidade urgente de conservar as plantas “referido por Julia Willison na publicação “Educação Ambiental em Jardins Botânicos: Diretrizes para Desenvolvimento de Estratégias Individuais”.

De acordo com a publicação referida a existência de coleções de plantas vivas fazem com que todos os jardins botânicos, e o jardim José do Canto não foge à regra, sejam locais ideaias para o ensino “da incrível diversidade do Reino Vegetal; das relações complexas que as plantas desenvolvem com o meio ambiente; da importância das plantas em nossas vidas, em termos económicos, culturais e estéticos; das ligações entre as plantas e a população local e nativa; do meio ambiente local e seu contexto global; das principais ameaças que a flora mundial enfrenta e das consequências da extinção das plantas “.

No dia 14 de março as plantações far-se-ão sob a orientação do Doutor Raimundo Quintal e do Engenheiro Manuel Moniz da Ponte e os alunos serão acompanhados pelos seus professores/formadores, Engª. Lucília Agrela e Dra. Cátia Cardoso e por mim, no caso dos alunos da Escola Secundária das Laranjeiras.

No que aos alunos da Escola Secundária das Laranjeiras diz respeito, antes da visita terão acesso a uma curta biografia de José do Canto, cuja relação com a natureza, segundo Carlos Riley, se caracterizou ”sempre por interesses bastante mais científicos e racionalistas: explorar os campos segundo os princípios da emergente agronomia e ordenar, qual demiurgo do novo século, a natureza em parques e jardins ao gosto de uma sensibilidade estética caracteristicamente romântica”, bem como a um mapa do jardim com a localização das árvores notáveis que irão ser alvo das várias questões constantes do Peddy Paper.

Para responderem ao questionário do Peddy Paper e a duas questões suplementares os alunos terão de colher informação constante das placas identificativas de diversas plantas, ter lido a biografia de José do Canto, previamente entregue, possuir alguns conhecimentos básicos da flora e da fauna dos Açores e aplicar conhecimentos adquiridos nas aulas de Química, nomeadamente as noções de átomo, molécula e mole e de Física, como energia cinética, energia potencial, trabalho de uma força, forças conservativas e conservação da energia mecânica.

Para além do referido, será lançado o desafio que consistirá na medição da altura de uma árvore utilizando para tal um clinómetro rudimentar e uma fita métrica. Nesta tarefa os alunos terão de recorrer a conhecimentos básicos de trigonometria, como as noções de seno, de cosseno e de tangente de um ângulo.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30880 de 9 de março de 2016 p.14)

segunda-feira, 7 de março de 2016

Relheiras e animais de tiro



Relheiras e animais de tiro

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprovou, em 29 de outubro de 2015, uma resolução apresentada pelo Grupo Parlamentar do CDS-PP que recomenda que o Governo Regional dos Açores inventarie as relheiras existentes na Região, que considere a sua promoção como elemento turístico e que elabore, no prazo de 200 dias, um relatório que inclua, entre outros itens, uma inventariação e um plano de proteção.

As relheiras, que são sulcos escavados pelas rodas dos carros de bois na rocha vulcânica, existem em várias ilhas. Na ilha de São Miguel há nos Fenais da Luz e são o testemunho do trabalho árduo dos nossos antepassados e do esforço, muitas vezes não compensado ou reconhecido, dos animais de tiro que foram grandes auxiliares do homem até ao aparecimento dos veículos motorizados.

Quem fizer uma leitura dos jornais até à década de 70 do século passado verá que as denúncias sobre maus tratos aos animais eram relativos aos animais de companhia, sobretudo cães que eram abandonados, e aos animais de tiro, com destaque para os bois que percorriam grandes distâncias, como, por exemplo, entre a Maia e a fábrica do açúcar em Ponta Delgada no transporte de beterraba e que não só não eram bem alimentados como eram vítimas das aguilhadas.

Mas, não se pense que os maus tratos a que eram sujeitos os bois se devia apenas à ganância ou ignorância dos seus donos, pois maus exemplos eram também dados pela Câmara Municipal de Ponta Delgada. Com efeito, em 1925, o “lastimoso estado de magreza” dos bois camarários era tal que o Correio dos Açores publicou o seguinte apelo dirigido à Sociedade Micaelense Protetora dos Animais:

“O estado esquelético em que os pobres bois municipais quotidianamente andam pelas encovadas ruas desta cidade, puxando carroças de lixo, não é um motivo de compaixão.

Indagando a causa de tanta magreza, viemos a saber factos espantosos que se dão com a alimentação destes animais. Como, porém, somos suspeitos ante as pessoas que devem fiscalizar estes serviços, chamamos, humanamente, a atenção da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais para este caso que também envergonha o nosso meio social”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30879, 8 de março de 2016, p.11)

quarta-feira, 2 de março de 2016

A Festa da Árvore em 1923


A Festa da Árvore em 1923

“Plantar árvores é não só amar a natureza. Mas ainda ser previdente quanto ao futuro, e generoso para com as gerações vindouras. Cortá-las ou arrancá-las a esmo, sem um motivo justo, é praticar um acto de selvajaria” (Alice Moderno, A Folha, 16/2/1913).
Através da leitura do discurso, do Dr. Jacinto Gusmão de Vasconcelos Franco, proferido na Festa da Árvore realizada na Escola Normal Primária de Ponta Delgada, publicado no jornal Correio dos Açores, no dia 20 de maio de 1923, tomei conhecimento de que a primeira festa da árvore ocorreu em Portugal, na primeira quinzena de março de 1908, por iniciativa da Liga da Instrução Pública.

Através de pesquisas efetuadas cheguei à conclusão de que o nome correto da organização promotora da Festa da Árvore foi a LNI-Liga Nacional da Instrução, instituição fundada em maio de 1906, por proposta de Trindade Coelho, que tinha como objetivos, segundo Sara Pereira, a promoção da educação nacional, e em particular da escola primária, o combate ao analfabetismo e a promoção da educação cívica, através da divulgação da Festa da Árvore.

De acordo com Sara Pereira e Inês Queirós, a primeira Festa da Árvore, iniciativa da LNI não se realizou em 1908 mas sim a 26 de maio de 1907, no Seixal. Depois, foi o jornal O Século Agrícola a impulsionar as Festas da Árvore realizadas entre 1912 e 1915.

A Festa da Árvore realizada, em 1923, em Ponta Delgada, deve a sua existência, segundo uma nota publicada no Correio dos Açores de 3 de maio de 1923, a uma portaria governamental que estabeleceu “que se realizasse em todos os estabelecimentos de ensino do país a Festa da Árvore, dentro do mês de abril, em dia escolhido pelas direções dos referidos estabelecimentos”.

Na festa realizada naquele ano na escola oficial de São José, depois de um discurso proferido pela professora Maria Evelina de Sousa, os alunos recitaram poesias e em seguida dirigiram-se à Praça 5 de outubro onde “brincaram alegremente em volta das árvores que ensombram aquele aprazível local”.

Maria Evelina de Sousa, militante republicana convicta, depois de elogiar o facto da realização da festa se dever ao “carinho generoso” que merece a educação popular por parte do “Governo da nossa Pátria”, passou a enumerar alguns benefícios das árvores para a Humanidade.

Segundo ela, há os seguintes benefícios “utilitários”:

“Purificadoras da atmosfera, dando aos animais o oxigénio de que necessitam os seus pulmões, absorvem ainda o carbono que tão prejudicial é à espécie humana.

São elas, as boas árvores, que defendem os povoados das avalanches produzidas pela acumulação da neve e dos gelos; são elas que diminuem e quebram a velocidade dos ventos e a impetuosidade dos ciclones; são elas que distribuem e atraem as águas tão úteis à agricultura; elas ainda que obstam à invasão das dunas e constituem os mais primitivos para-raios”.

Maria Evelina de Sousa não se ficou por estes papéis “utilitários”, também referiu no seu discurso à sua beleza, tendo mencionado que não se pode ignorar o facto de as árvores constituírem um dos maiores encantos da Natureza.

Passados tantos anos, tantas comemorações do Dia da Floresta, tantas aulas de ciências da natureza e de biologia, tantas sessões de plantação de árvores nas escolas e não só, não se percebe por que razão continua a árvore a ser tão maltratada, quer pelo cidadão comum, quer por responsáveis autárquicos ou governamentais.

Será que nos Açores, tal como acontece com outras maleitas, há muita gente a sofrer de dendrofobia?

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30874, 2 de março de 2016, p. 13)