domingo, 27 de agosto de 2017

sábado, 26 de agosto de 2017

Para quê?

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Percurso Pedestre da Ribeira do Faial da Terra



Percurso Pedestre da Ribeira do Faial da Terra


Este percurso, que tem início na freguesia de Água Retorta, localiza-se, na sua maior parte, na freguesia do Faial da Terra, na costa Sul da ilha de São Miguel, a cerca de 5 km, a Este, da vila da Povoação.

Trata-se de um trilho linear, com cerca de 7 km de extensão, estando classificado com o grau de dificuldade médio.

Antes de iniciar o trilho recomenda-se uma visita ao Parque Florestal de Água Retorta, uma Reserva Florestal de Recreio criada pelo Decreto Regulamentar Regional nº 19/2003/A. A sua inauguração ocorreu a 9 de Julho de 2000, em cerimónia presidida pelo Presidente do Governo Regional dos Açores. No parque é de destacar a presença de algumas plantas endémicas como o cedro-do-mato, a ginja, o louro e o folhado. Para além destas, é de realçar a presença do pinheiro manso, do cipreste, da araucária, do carvalho e do castanheiro-da-índia.

O percurso inicial faz-se por um caminho de terra até se encontrar um antigo moinho de água. Junto ao moinho, a vegetação é luxuriante, distinguindo-se a presença de eucaliptos, acácias, incensos e conteiras.

Neste local e em quase todo o percurso é possível observar algumas espécies da avifauna local, como melros-negros, alvéolas, tentilhões, pombos torcazes e santantoninhos. Embora com maior dificuldade, também, é possível observarmos o coelho, espécie introduzida pelos primeiros povoadores e o morcego dos Açores.

A seguir ao moinho o percurso faz-se no interior de uma mata de criptoméria e de alguns incensos. Ao longo do trilho existem várias pontes de madeira construídas sobre pequenos afluentes que alimentam a Ribeira do Faial da Terra.

Continuando a caminhar em direção ao Sul chega-se ao trilho do Sanguinho. Aqui, o viajante tem as seguintes opções: vira à esquerda e desde um carreiro que o leva à bonita cascata do Salto do Prego ou continua a descer o trilho e um pouco mais à frente vira à direita e dirige-se ao Sanguinho.

Recomendamos uma descida até ao Salto do Prego, onde os mais corajosos poderão banhar-se nas águas frias mas límpidas da Ribeira do Faial da Terra. Aqui a vegetação não difere muito da que se encontra ao longo do trilho, mas é possível encontrar, junto à cascata, diversas espécies de fetos.

De entre as espécies de aves que se podem observar, destacamos a alvéola, uma ave que nunca foi perseguida pois dizia-se que era sagrada. Sobre esta espécie o padre vila-franquense Manuel Ernesto Ferreira escreveu o seguinte:

“Diz o povo micaelense: - Quando a Virgem Maria, fugindo à perseguição de Herodes, ia a caminho do Egipto, amaldiçoou o tremoço e a codorniz e abençoou a arvelinha. Ao tremoço, que com o ruído das suas vagens sêcas, denunciava a passagem da fugitiva Senhora, deu-lhe esta como castigo não poder o seu grão encher barriga nem matar fome. À codorniz que, adeantando-se, parecia com a sua voz dizer cá vai aos agentes do rei cruel, condenou-a a voar sempre rasteira. Mas à arvelinha, que com sua cauda ia diligentemente apagando todas as pegadas, bendisse-a a Virgem em recompensa de tam santo cuidado.”

Depois da visita ao salto do Prego, recomenda-se a passagem no Sanguinho, assim chamado, segundo cremos, devido à presença da planta endémica dos Açores denominada sanguinho que foi reintroduzida recentemente. Aqui, para além do casario, que continua em recuperação, avistam-se quintais com várias espécies de árvores de fruta, como araçazeiros, pessegueiros, macieiras, laranjeiras e bananeiras.
Continuando o percurso, depois de uma descida bastante íngreme, chega-se ao Burguete, onde se encontra um “Teatro” do Espírito Santo, cuja construção data de 1908.
Recomenda-se um passeio pela freguesia que é considerada o “Presépio da ilha”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31313, 25 de agosto de 2017, p.10)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Portugal, que ensino?

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Educar para a Energia, um projeto que não teve continuidade


Educar para a Energia, um projeto que não teve continuidade

No ano de 2008, no âmbito do Mestrado em Educação Ambiental da Universidade dos Açores, existia uma disciplina intitulada “Projetos de Intervenção Ambiental” que tinha como docentes o Professor Doutor António Félix Rodrigues e o Professor Doutor Pedro González.

Tratava-se, como o nome sugere, de uma disciplina essencialmente prática, onde os mestrandos eram obrigados a criar e implementar projetos de intervenção junto das comunidades. Um dos projetos intitulou-se “Educar para a Energia” e foi implementado por Cláudia Tavares, Helena Primo, Teófilo Braga e Veríssimo Borges.

Embora já se tenham passado nove anos, as razões para a implementação do projeto permanecem atuais. Com efeito, a energia continua a ser um recurso indispensável para a vida, ao bem-estar dos cidadãos e ao desenvolvimento socioeconómico, de todas as sociedades e também continua a ser um forte fator de pressão ambiental. Além disso, continua a não existir um programa continuado de educação que promova o uso racional dos recursos naturais e a conservação da qualidade do ambiente e no caso da energia continua-se a dar ênfase à produção e esqueceu-se, quase por completo, a aposta na eficiência energética, combatendo a irracionalidade e o desperdício.

Relativamente à educação para a energia, a Região já esteve em melhor situação, quando possuía uma verdadeira rede de ecotecas, geridas pelas mais diversas associações, e quando possuía uma Agência Regional de Energia, que em pouco tempo muito fez em termos de sensibilização da opinião pública e de educação para um consumo mais eficaz dos recursos energéticos. Curiosamente tanto as ecotecas como a agência foram destruídas, pelo governo do mesmo partido político que as criou, sem ter sido feita qualquer avaliação ao trabalho desenvolvido.

No que diz respeito ao projeto “Educar para a Energia”, em menos de um ano, três dos seus membros estiveram envolvidos em diversas atividades ou promoveram outras que, com todo o gosto, a seguir darei a conhecer aos leitores do Correio dos Açores. Mas antes de o fazer, esclareço que um dos participantes do projeto, o Veríssimo Borges, por razões de saúde, não pode participar, mas esteve a preparar uma das componentes do projeto que não chegou a ver a luz do dia e que em próximo artigo divulgarei.

No que diz respeito aos produtos resultantes do projeto, destaco a publicação de um “Guião para uma Auditoria Energética às Escolas” que permitia a quantificação dos consumos, tornando possível a identificação das melhores opções para a melhoria do desempenho energético das escolas.

Para além do guião referido, salienta-se a edição da brochura “Viagem no tempo”, destinada a crianças com idades compreendidas entre os 8 e 11 anos de idade, onde foram abordadas, para além das energias renováveis, as alterações climáticas e a poupança energética.

Para os mais pequeninos, alunos do 1º e do 2º ciclo do ensino básico, foi editada uma monofolha sobre energia eólica, onde para além de ensinar a construir um moinho de vento, informava sobre as potencialidades do vento, a sua importância e utilização na produção de energia e, ainda, sobre as vantagens e desvantagens da energia eólica.
No âmbito do projeto foram implementados três ateliers de construção de carrinhos fotovoltaicos e fornos solares, dois na Escola Secundária das Laranjeiras, com a participação de 32 alunos, e um na Ecoteca da Ribeira Grande, com a participação de 19 alunos da Escola Básica Integrada Gaspar Frutuoso.

Também foram realizadas quatro sessões de esclarecimento sobre Energias Renováveis e Eficiência Energética, destinadas a alunos do 1º e 2ºciclos de várias escolas que contaram com a participação de um total de 107 alunos.

Hoje, os materiais editados já se encontram esgotados, mas a versão digital de alguns deles pode ser consultada na página dos Amigos dos Açores e no blogue do projeto (http://educarparaaenergia.blogspot.pt/).

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31311, 23 de agosto de 2017, p.16)