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sexta-feira, 14 de junho de 2019
PERCURSO PEDESTRE “PRAIA- LAGOA DO FOGO”
PERCURSO PEDESTRE “PRAIA- LAGOA DO FOGO”
Ponto de Partida e de Chegada- Praia de Água d’Alto
Extensão: 12,5 km
Duração média: 5 h
O percurso tem início junto à ponte da Ribeira da Praia. Desta ponte tem-se uma magnífica vista do lugar da Praia, pequeno povoado que pelas suas características foi considerado “Lugar Classificado”. Nesta localidade, a EDA- Electricidade dos Açores, em sintonia com a Câmara Municipal de Vila Franca e com o objectivo de homenagear o pioneiro da electrificação nos Açores, o Eng. José Cordeiro, recuperou o edifício da central conhecida por “Fábrica da Praia”, transformando-a em Museu.
O segundo posto localiza-se junto às ruinas de uma antiga fábrica de desfibração de espadana. A espadana ou linho da Nova Zelândia, também conhecida por tabua (Phormium tenax), é uma planta oriunda da Nova Zelândia que foi introduzida em S.Miguel, em 1828, por Francisco Lopes Amorim.. Porém, a sua exploração industrial ter-se-á iniciado depois de 1880, ano em que José Bensaúde e José Jácome Correia adquiriram uma máquina para a sua desfibração e a instalaram em Ponta Delgada.
O terceiro ponto de paragem, localiza-se junto a uma pequena barragem e na origem do canal de derivação da central Nova. Esta central começou a produzir em 1927 com uma potência de “ 600 cavalos, aproveitando um caudal de 300 litros por segundo e uma altura de queda, artificial, de 290 metros”.Neste posto a vegetação é bastante baixa, com predomínio para a urze (Erica azorica) e para a queiró (Calluna vulgaris). Aqui, é possível observarmos algumas aves, como o tentilhão (Fringilla coelebs moreletti), o milhafre (Buteo buteo rothschildi) e a álveola (Motacilla cinerea patriciae).
O último posto localiza-se nas margens da lagoa do Fogo, uma das mais belas lagoas açorianas. A lagoa do Fogo, situada à altitude de cerca de 610 metros, ocupa o fundo da caldeira do Vulcão de Água de Pau, a qual possui 3 km de diâmetro e 100 a 300 m de profundidade e foi formada há cerca de 15 mil anos. A actual configuração da caldeira terá surgido há cerca de 5 mil anos e a última erupção ocorreu em 1563.
A Lagoa do Fogo possui uma área aproximada de 1,5 km2 e uma profundidade máxima de 30 metros, sendo o seu comprimento máximo de 2,4 km e a largura máxima de 1,2 km.Nas suas águas vivem, entre outras, as seguintes espécies piscícolas: a carpa(Cyprinos carpio) e a truta arco-íris(Salmo irideos), esta última introduzida pela primeira vez, em 1941, pela Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada.
Teófilo Braga
Terra Nostra, 275, 9 de dezembro de 2005
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sábado, 24 de junho de 2017
Percurso Pedestre Quatro Fábricas da Luz
Percurso Pedestre Quatro Fábricas da Luz
Esta nova rubrica do Correio dos Açores, que se manterá durante o período em que maioritariamente as pessoas gozam as suas férias, surge na sequência de um desafio lançado pelo jornalista João Paz e tem como objetivo dar a conhecer alguns trilhos pedestres da nossa terra, destacando a sua função didática, a sua ligação à proteção ambiental e o seu potencial turístico.
Praticante do pedestrianismo, na ilha de São Miguel, há cerca de 40 anos, foi com a minha participação nas atividades dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, há pouco mais de trinta anos, que passei estudar a atividade e a participar na elaboração de roteiros de percursos pedestres, um dos quais, sobre o trilho que é apresentado hoje, foi editado, no ano 2000, pela associação referida e pela Fundação Eng.º José Cordeiro, no âmbito das Comemorações do 1º Centenário da Luz Elétrica nos Açores.
No ano 2000, o roteiro do percurso pedestre previa a visita a 4 centrais hidroelétricas, de Norte para Sul: a Fábrica Nova, que na altura da sua construção, em 1927, era, no dizer do engenheiro Riley da Motta “a mais poderosa dos Açores”, a Fábrica da Cidade, que foi o segundo aproveitamento hidroelétrico da Ribeira da Praia, tendo entrado em funcionamento em 1903, a Fábrica da Vila que entrou em funcionamento em 1899, para servir Vila Franca do Campo, a primeira localidade dos Açores a receber energia elétrica e a Fábrica da Praia que começou a funcionar em 1911 e que em 1990 foi transformada em Museu pela EDA- Eletricidade dos Açores, com o objetivo de homenagear o engenheiro José Cordeiro, o pioneiro da eletrificação dos Açores.
No roteiro editado pelos Amigos dos Açores a proposta era a da realização de um trilho com cerca de 6,3 km, circular, com início e termo junto à Fábrica da Praia, no local da Praia, que foi habitado desde os primeiros tempos do povoamento da ilha de São Miguel.
Na sua descrição da ilha de São Miguel, Gaspar Frutuoso descreveu a Praia, na segunda metade do século XVI, nos seguintes termos: “...vem entrar no mar a grande ribeira da Praia, que dantes foi muito fresca, com uma fajã que estava ao longo dela, de uma e doutra parte, onde havia muita fruta de figos e uvas, do concelho, para quem quer que as queria; onde havia uma povoação de até sete ou oito casais de nobres e abastados moradores, chamados os Afonsos, da Praia”. Aquele cronista, também, mencionou a existência de “duas casas de moinhos que com ela moem, de duas pedras cada um, que servem de moendas a Vila Franca”.
Entre o casario e a Fábrica da Vila, o visitante pode observar a conduta forçada e a câmara de carga e decantação da fábrica da Praia. Para além de terrenos ainda cultivados ainda são visíveis vestígios de antigos pomares, onde se pode observar um conjunto de castanheiros, algumas laranjeiras, uma ou outra anoneira e azáleas.
Entre a Fábrica da Vila e a da Cidade, é possível observar várias espécies vegetais, com destaque para as conteiras, os incensos, as criptomérias, as acácias e os vinháticos.
O vinhático, que terá sido introduzido no nosso arquipélago por causa da sua excelente madeira, segundo Erik Sjogren, está naturalizado “nos Açores pelo menos desde há três séculos”. Conhecido como mogno da Madeira ou mogno das ilhas, a sua madeira foi muito usada em marcenaria e no fabrico de caixotes e a sua casca serviu para curtir peles.
Continuando o percurso, o caminheiro passa por um tanque, construído em 1906, que hoje alimenta a Central da Ribeira da Praia, um aproveitamento hidroelétrico datado de 1991.
Se continuar a caminhar, seguindo a conduta forçada que alimenta o tanque, chega-se a um caminho que liga a estrada regional às margens da Lagoa do Fogo. Virando à esquerda, e caminhando para Sul, chega-se ao ponto de partida.
Para quem quer fazer um percurso mais pequeno, praticamente a descer, sugere-se que inicie o percurso junto ao Parque Escutista dos Lagos. Se assim o fizer percorrerá o trilho com 2,1 km que passa por três das quatro fábricas da luz mencionadas e que está homologado pela Direção Regional de Turismo.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31260, 23 de junho de 2017, p. 15)
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