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domingo, 30 de junho de 2019
Educação Ambiental, mas qual?
Educação Ambiental, mas qual?
Do mesmo modo que quando se fala em movimentos de defesa do ambiente estamos a falar numa panóplia de vertentes, de que são exemplo o conservacionismo, que tem como preocupação central a protecção das espécies e dos sistemas naturais ou a ecologia social, de carácter libertário, que defende uma alternativa de administração ao estado centralizado, sendo o município “o lugar natural para modificações sociais, políticas e ambientais e o bairro e a cidade como a base duma nova política democrática”, também quando se aborda o tema educação ambiental estamos perante uma diversidade de “correntes”, isto é, diferentes formas de conceber e praticar a educação ambiental.
São inúmeros os esforços no sentido da classificação das várias correntes de educação ambiental que de acordo com Lima (1999) são “proporcionais, em número e, variedade, às tantas concepções de mundo, de sociedade, e de questão ambiental existentes”. No âmbito deste texto apresentaremos algumas “características” das três correntes de educação ambiental propostas, em 1994, por Ofélia Peña:
- a educação para a conservação, cujos adeptos defendem o regresso à natureza, recusam o desenvolvimento tecnológico e consideram que a solução para os problemas ambientais passa pela alteração dos valores de cada um. Os seus promotores educam pelo exemplo, constroem as suas casas ecológicas, produzem os seus próprios alimentos, fazem as suas roupas, etc.;
- a educação ecológica cujos promotores não põem em causa o modelo de desenvolvimento actual, defendendo apenas alguns ajustes. Usam métodos de educação tradicionais e autoritários e pseudo - participativos. Uma educação formal, onde o educador e o especialista ocupam um papel de destaque;
- a educação ambiental popular que defende a necessidade de superar a actual lógica neoliberal e propõe mudanças políticas e a redistribuição do poder e da riqueza, sendo o seu grande objectivo fazer com que as pessoas ao aprenderem a pensar e a serem autogestionárias recuperem o poder de decisão entretanto perdido. Os seus promotores, valorizam a educação não formal e como processo contínuo e permanente. Promovem métodos do tipo participativo e dialógico, onde entre educador e educando se estabelecem relações de colaboração e aprendizagem mútua.
Nos Açores, ao contrário do que afirmou recentemente, a uma revista regional, a Secretária Regional do Ambiente e do Mar, não existe qualquer estratégia regional de educação ambiental, desconhecendo-se que educação ambiental é perfilhada pelo Governo Regional dos Açores e pelas diversas entidades que fazem a gestão das ecotecas, espaços criados para a promoverem na região. Pelo contrário, faz-se alguma sensibilização e ensina-se muita biologia.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, 21 de dezembro de 2007)
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sábado, 29 de junho de 2019
Impactes Ambientais da Abertura ao Público de Grutas Vulcânicas
Impactes Ambientais da Abertura ao Público de Grutas Vulcânicas
O património geológico pode e deve desempenhar um papel fundamental como recurso para o ensino, nomeadamente da Geologia e da Vulcanologia, bem como contribuir para a formação de cidadãos conscientes, capazes de trabalhar em prol de um desenvolvimento sustentável.
A abertura ao público, tornando possíveis visitas a tubos ou algares vulcânicos com os mais diversos fins, nomeadamente educacionais ou turísticos, pode ser responsável por diversos impactes ambientais.
Os visitantes, para além de poderem deixar resíduos diversos, poderão destruir diversas estruturas geológicas, como estalactites e estalagmites. Nos Açores, sobretudo na ilha Terceira, onde há uma tradição de visita às cavidades vulcânicas é possível encontrar em grutas como a dos Balcões, a do Natal, a do Coelho e a das Agulhas restos de recipientes usados para transportar refeições e baterias eléctricas bem como observar diversas estruturas geológicas destruídas.
A introdução de sistemas de iluminação artificial poderá modificar as condições climáticas das cavidades, nomeadamente aumentar a temperatura, e alterar o seu ecossistema. Nos Açores, Paulo Borges e Fernando Pereira, numa comunicação apresentada em 2004) também, consideram que o decréscimo da densidade do artrópode endémico Trechus terceiranus no Algar do Carvão (ilha Terceira) está associado à utilização da luz artificial naquele algar.
Em casos de excesso de visitantes a concentração de dióxido de carbono poderá, também, sofrer aumentos significativos. Esta alteração poderá ameaçar a fauna cavernícola, sobretudo as espécies troglóbias, já que estas são muito sensíveis a pequenas alterações dos parâmetros ambientais.
Para minimizar alguns impactes, podem ser tomadas algumas medidas como limitar o período de visitação e o número de visitantes em cada visita, abrir ao público apenas alguns troços, em vez da luz branca utilizar iluminação cenográfica colorida, etc.
Como as soluções têm de ser diferentes para cada uma das cavidades vulcânicas sugere-se que sejam utilizados sistemas de monitorização das alterações climáticas provocadas pelos sistemas de iluminação e pelos visitantes e elaborados e implementados planos de gestão de todas as cavidades vulcânicas abertas ao público nos Açores.
No caso da Gruta do Carvão (Troço do Paim), algumas medidas preventivas foram tomadas, como é o caso do limite do número de participantes em cada visita que é de 15 pessoas, a iluminação em que se utiliza "luz fria", de baixa potência e que só é activada durante os períodos das visitas e a instalação, para breve, de um equipamento para monitorização da qualidade do ar interior, com medição de CO2, CO, Temperatura e Humidade Relativa.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, 23 de novembro de 2007)
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Património Geológico, Eterno Esquecido?
Património Geológico, Eterno Esquecido?
Durante muitos anos, a sociedade apenas valorizou o património cultural e biológico e praticamente ignorou o geológico. A este propósito, no prefácio ao livro “Património Espeleológico da Ilha de São Miguel”, editado, em 1994, pelos Amigos dos Açores- Associação Ecológica, o Prof. Doutor Victor Hugo Forjaz, depois de se referir ao facto do património geológico ter sofrido danos irremediáveis causados por obras públicas e privadas, escreve o seguinte: “Em altos cargos municipais e governamentais ainda há quem pense que o Ambiente apenas enquadra a “bicharada” e as espécies botânicas que nos rodeiam; a paisagem vulcânica, frequentemente apaixonante e por vezes rara, não os toca, não os sensibiliza”. Galopim de Carvalho, no livro “Introdução ao Estudo dos Minerais”, editado em 2002, diz-nos que não existe uma cultura geológica nacional a qual “está patente, por exemplo, na pobreza de terminologia geológica nos escassos diplomas legais onde, a custo, se pode encaixar o património geológico”. A provar que a situação não é apenas Regional ou Nacional, o Geólogo Espanhol Manuel Ortiz, em artigo publicado, no presente ano, na revista de Educação Ambiental “Aula Verde”, aponta como causas, para o facto do património geológico ser praticamente desconhecido da maior parte do grande público, a sua escassa divulgação por parte da “administração ambiental”.
Nos Açores, sobretudo devido à pressão exercida pelas mais diversas entidades, nos últimos anos, têm sido dados passos importantes para a conservação e valorização do património geológico, com a classificação de alguns espaços como Monumento Natural. São exemplos, a “Pedreira do Campo”, em Santa Maria, cuja proposta de classificação terá partido da Secção de Biologia Marinha (Dep. Biologia, Univ. Açores), CIRN/UA (Centro de Investigação de Recursos Naturais, Univ. Açores) e Ordem dos Biólogos (Delegação Regional dos Açores) (Cachão et al s/d) e o “Pico das Camarinhas e Ponta da Ferraria” e a “Gruta do Carvão”, na ilha de São Miguel, cujas propostas de classificação foram da responsabilidade dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica (Amigos dos Açores, 1987 e Amigos dos Açores, 1988).
A demonstrar a sensibilidade para com o património geológico por parte dos governantes regionais para a importância do património geológico está a criação, em 2002, do GESPEA – Grupo para o Estudo do Património Espeleológico dos Açores, de que fazem parte as duas Organizações Não Governamentais de Ambiente de âmbito regional, Amigos dos Açores e Montanheiros, o qual, por Resolução do Conselho do Governo n.º 103/2005, de 16 de Junho de 2005, ficou com a incumbência de elaborar o Plano Sectorial das Cavidades Vulcânicas e dos Monumentos Naturais Regionais existentes na Região Autónoma dos Açores, o qual tem, entre outros, o objectivo de “estabelecer orientações para a gestão territorial das Cavidades Vulcânicas e dos Monumentos Naturais Regionais, nomeadamente das grutas e algares vulcânicos, fendas e grutas de erosão e dos seus valores ecológicos, estéticos, científicos e culturais”.
Digno de registo está, ainda, o facto de a componente geológica ter tido um peso importante na classificação de uma parte significativa das cerca de 40 áreas protegidas terrestres dos Açores.
A nós açorianos, cabe o papel de continuar a pressionar, as mais diversas entidades responsáveis pela gestão do património geológico, no sentido deste passar a desempenhar um papel fundamental como recurso, não apenas para o turismo, mas sobretudo para o ensino, nomeadamente da Geologia e da Vulcanologia, bem como instrumento de Educação Ambiental ao serviço de uma Região mais justa, limpa e pacífica.
Teófilo Braga
(Terra Nostra, 26 de outubro de 2007)
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sexta-feira, 28 de junho de 2019
TRANSGÉNICOS
TRANSGÉNICOS
Uma acção de arranque de milho transgénico ocorrida no Algarve, curiosamente a primeira região do país declarada livre de plantações com organismos geneticamente modificados (OGM), pela respectiva Associação de Municípios, quase passou despercebida nos Açores.
Apenas tivemos conhecimento, através de uma reportagem publicada num jornal diário, que um dirigente de uma associação de lavradores de São Miguel, sempre à procura de protagonismo e de conseguir “dinheiro fácil”, não se importando com que meios, para aqueles que diz defender, admitiu no futuro a utilização de milhos transgénicos nos Açores. Felizmente, mais bem informado e cauteloso, o presidente da Federação Agrícola dos Açores entende que “se deve aguardar por mais estudos sobre o que poderá advir para a saúde pública”.
Sabemos que, ao contrário do que dizem os defensores dos transgénicos, que afirmam a pés juntos que estes são inócuos para a saúde, nunca foram feitos estudos sérios e independentes para confirmar tal facto.
Os transgénicos, para além de potenciais riscos para a saúde e para a agricultura poderão ter um impacto muito grande na biodiversidade, não só das espécies selvagens, mas também das cultivares.
Outra questão que se levanta é a da subjugação dos agricultores aos interesses das grandes empresas. Com efeito, acordo com Manuel Batista, biólogo e geneticista, grandes firmas como a Monsanto “asseguram os seus lucros, vendendo aos agricultores,
não simplesmente sementes transgénicas, como também um contrato extremamente restritivo (por exemplo,o agricultor não pode oferecer as sementes a outro; tem de usar exclusivamente as tais sementes; é obrigado a aceitar consumir herbicidas e pesticidas da Monsanto, etc...).”
De acordo com informações recolhidas através da leitura dos jornais dos Açores, o Presidente do Governo Regional dos Açores terá assinado em 14 de Abril de 2005 uma petição para a Região integrar a "Rede Europeia das Regiões Livres de OGM". Aplaudimos o facto e apelamos para que as Secretarias Regionais do Ambiente e do Mar e a da Agricultura e Florestas, promovam debates com vista a esclarecer as poplulações acerca das razões que levaram a tal assinatura e acerca do que são os OGM, vantagens e inconvenientes consumo e cultivo dos mesmos nos Açores.
Nesta matéria, tal como em muitas outras, como a das radiações electromagnéticas, é preciso não esquecer e aplicar o principio da precaução, isto é “na ausência da certeza científica formal, a existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever este dano”.
E quando for o Estado (ou a Região) a ignorar e a desrespeitar tal princípio, aos cidadãos não lhes resta outra alternativa: a desobediência civil, não compactuando com injustiças e barbaridades cometidas em nome de interesses privados ou do pretenso interesse público.
(Publicado no Jornal “Terra Nostra”, 28 de setembro de 2007)
A Pegada Ecológica dos Açores
A Pegada Ecológica dos Açores
A pegada ecológica, como medida da exigência do homem na biosfera, foi um conceito desenvolvido pelos autores do livro “Our Ecological Footprint - Reducing Human Impact on the Earth” (1996), Mathis Wackernagel e William Rees.
A pegada ecológica, que pode ser definida como sendo a área produtiva equivalente de terra e mar necessária para produzir os recursos utilizados e para assimilar os resíduos gerados por uma dada unidade de população, tem crescido demasiado nos últimos anos. De acordo com o Relatório Planeta Vivo-2006, da responsabilidade do WWF- Rede de Organizações Não Governamentais, criada em 1961, cuja finalidade é “conter a degradação do ambiente e construir um futuro em que o homem viva em harmonia com a natureza”, a pegada ecológica global da humanidade, entre 1961 e 2003, quase que quadruplicou, tendo este aumento sido muito maior do que o da população mundial que, no mesmo período de tempo, apenas aumentou quase o dobro.
De acordo com o citado relatório, entre 1961 e 2003, uma das componentes da pegada ecológica, a do dióxido de carbono (CO2), resultante do uso dos combustíveis fósseis aumentou mais de 10 vezes. De acordo com o estudo “Perspectivas para a Sustentabilidade na Região Autónoma dos Açores”, publicado em 2006, no ano de 2003, era de 6,5 t de CO2 equivalente per capita o valor da emissão de GEE, nos Açores, sendo as fontes combustíveis responsáveis por 4,2 t equivalente por habitante e a meta de aumento da emissão de GEE estabelecida pelo Protocolo de Quioto já tinha sido ultrapassada nos Açores, desde 1988.
Ainda, segundo a publicação “Perspectivas para a Sustentabilidade na Região Autónoma dos Açores”, em 2002, a pegada ecológica dos Açores era de 3,9 ha/hab, sendo a bio-capacidade (área efectivamente existente) de 2,25 ha/hab o que significa que temos um deficit ecológico de -1,65 ha/hab. Assim sendo, para sustentar o actual estilo de vida necessitariamos de é 1,7 Açores.
Perante tal situação, há que repensar o actual modelo de desenvolvimento, baseado no crescimento económico ilimitado, há que adoptar uma nova ética, abandonando a actual antropocêntrica e caduca, e há que tomar medidas para que, com a partipação de todos os açorianos, se construa uma Região mais justa, limpa e pacífica.
Por último, há que desmistificar, a ideia de que as questões ambientais são um campo das ciências biológicas ou das engenharias, bem como ultrapassar a noção que considera que o ambiente é o mesmo que natureza e os seus recursos. Sendo muito mais do que isso, a luta dos activistas (ambientalistas, ecologistas, etc.), deve ser feita em várias frentes, nomeadamente a técnica, a política e a ética.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal “Terra Nostra”, 3 de agosto de 2007)
quinta-feira, 27 de junho de 2019
ECO-ESCOLAS, SIM OU NÃO?
ECO-ESCOLAS, SIM OU NÃO?
O Programa Eco-Escolas, que se destina sobretudo às escolas do ensino básico, é coordenado a nível nacional pela Associação Bandeira Azul da Europa e tem como objectivos, para além da promoção de uma melhor gestão ambiental dos espaços escolares, a sensibilização da comunidade escolar (alunos, professores, pessoal não docente, famílias, etc.) para a necessidade da adopção de comportamentos mais amigos do ambiente.
Com uma metodologia própria que é constituída por sete passos (1. conselho Eco-Escolas 2.auditoria ambiental; 3. plano de acção, 4.monitorização/avaliação, 5.trabalho curricular, 6.divulgação à comunidade e 7. eco-código), as escolas participantes deverão abordar como temas base a água, os resíduos, e a energia, podendo, também, ser tratados os seguintes: biodiversidade, agricultura biológica, espaços exteriores, ruído e transportes.
Nos Açores, a participação das escolas no Programa Eco-Escolas tem vindo a crescer, embora o esforço dispendido pelos docentes não seja devidamente reconhecido pelas autoridades responsáveis pelo ensino a nível regional. Pelo contrário, apenas a Direcção Regional do Ambiente tem, na medida das suas possibilidades, acarinhado o projecto e anualmente proporcionado formação aos professores envolvidos. De igual modo, seria injusto não reconhecer o papel dos Directores das Ecotecas no incentivo e apoio aos professores envolvidos.
Para que seja possível alcançar os objectivos pretendidos, isto é levar à alteração do desempenho das escolas, por exemplo em termos de poupança de energia e água, e de uma correcta gestão dos resíduos, não basta o envolvimento de uma só turma ou clube escolar, por mais boa vontade e empenho que haja do coordenador de cada escola e de meia dúzia de professores. Pelo contrário, é necessário o envolvimento de toda a comunidade escolar e o apoio das mais diversas entidades, como Juntas de Freguesia, Casas do Povo, Câmaras Municipais, etc.
Po último, tal como é implementado em algumas escolas, onde se fazem actividades pontuais com a participação de um grupo reduzido de alunos e professores, não se faz mais em prol do ambiente e da qualidade de vida do que já o fazem centenas professores sem serem obrigados às burocracias das inscrições e dos relatórios. A única diferença é que estes últimos não têm o direito a verem hasteada nas suas escolas uma bandeira verde.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, 6 de julho de 2007)
quarta-feira, 26 de junho de 2019
A Participação Social
A Participação Social
Na legislação portuguesa é reconhecida a possibilidade, a todos os cidadãos, de intervir na formulação e execução da política de ambiente. Contudo, tal como defende António Barreto, “nem sempre as leis e as instituições primam pela clareza e pelo acesso fácil aos cidadãos. Ou porque estes não estão habituados a elas. Ou porque as burocracias tendem a tornar difícil o que não deveria ser”.
Outro aspecto relacionado com o referido anteriormente, é, segundo Sendim, a apatia dos cidadãos e o cepticismo e a desconfiança com que, por vezes, ainda, é encarado, entre nós, o exercício de direitos de cidadania. Por um lado, todas as pessoas têm a obrigação de conhecer os seus direitos e acreditar que podem ter um papel importante na correcção de disfunções do sistema jurídico. Por outro lado, há que ultrapassar a desconfiança com que são encaradas as pessoas que exercem um direito de cidadania, por exemplo uma consulta pública, cuja atitude é, por vezes, entendida como motivada por interesses pouco claros.
Entre nós, a participação pública na tomada de decisões parece ser um dos objectivos de quem ocupa os mais diversos cargos de decisão aos mais diversos níveis da vida política. Contudo, segundo nos parece, os nossos governantes da democracia apreciam mais a sua vertente representativa do que a participativa. Basta vermos o fraco empenho na discussão dos diversos temas de que é exemplo o funcionamento de alguns órgãos consultivos, como é o caso do Conselho Regional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável que quanto a nós deveria ser completamente reformulado.
Terminaria, reafirmando a necessidade de nos Açores se ultrapassar a simples participação consultiva, que, de acordo com Pretty, é um dos níveis mais baixos da participação pública já que não favorece a tomada de decisões por parte dos cidadãos.
(Publicado no Jornal Terra Nostra, 8 de junho de 2007)
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terça-feira, 25 de junho de 2019
AS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS DO AMBIENTE
AS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS DO AMBIENTE
Em Portugal, com a liberdade de expressão e de associação conquistadas com o 25 de Abril de 1974, por todo o país multiplicaram-se as organizações viradas para a protecção da natureza, para a defesa do consumidor, para o estudo do ambiente e da ecologia, bem como os grupos ecologistas propriamente ditos. Caracterizados por uma grande independência face ao poder e aos partidos políticos, muitos daqueles organismos, bem como os jornais e revistas por eles criados e apoiados, têm tido uma vida efémera.
Nos Açores, a situação não é muito diversa e as poucas associações que foram criadas não se têm afirmado, sobretudo por falta de participação dos seus associados, por serem usadas como mero “trampolim” para a ocupação de cargos no aparelho do estado, pela pressão exercida sobre elas pelo poder político ou económico, pela inexistência de uma organização interna exemplar e transparente, etc.
A seguir, apresento alguns princípios orientadores que devem estar subjacentes a todas as actividades das ONGAS para que estas possam desempenhar um papel importante no incentivo à participação dos cidadãos e na implementação da educação ambiental, entendida esta não apenas como uma estratégia para o ensino das ciências naturais ou conservação dos recursos naturais.
1- Independência. As associações deverão ser independentes dos poderes políticos e dos interesses económicos, corporativos ou outros.
2- Diálogo e cooperação. A dimensão dos problemas e a urgência na sua resolução exigem colaboração e coordenação de esforços. Assim, as associações deverão promover o diálogo com governos, partidos políticos, universidades, sindicatos e organizações patronais, autarquias, outras associações, etc..
3- Voluntariado. As associações deverão desenvolver as suas actvidades tendo como base o trabalho voluntário dos seus membros, não devendo os cargos de direcção ser desempenhados por profissionais.
4- Competência. As associações devem recusar liminarmente o espectáculo e a demagogia. Todas as suas posições públicas deverão ser fundamentadas através do contributo das mais diversas áreas disciplinares e científicas.
5- Postura construtiva. As associações deverão evitar a crítica estéril, devendo previligiar a apresentação de alternativas positivas, por exemplo propor a utilização de energias renováveis e a eficiência energética, quando se ataca o nuclear ou um mundo baseado na não-violência quando se combate as armas nucleares e a violência.
6- Democracia e participação. As associações deverão apostar na participação directa dos cidadãos.
7- Associativismo. A autonomia e a especificidade das diferentes associações deverão ser respeitadas, sendo previligiado o trabalho “em rede”, em detrimento de qualquer estrutura centralizadora e dirigista, tão do agrado do poder político.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal “Terra Nostra”, 11 de maio de 2007)
Escola, Eficiência Energética e Energias Renováveis
Escola, Eficiência Energética e Energias Renováveis
Se é verdade que as escolas existem para educar e não para poupar energia com o seu funcionamento, também é verdade que é necessário que nas escolas haja poupança de energia não só por razões de ordem económica, mas também por razões ambientais e educacionais.
A compreensão dos impactos ambientais do uso da energia, por parte dos alunos e da restante comunidade educativa, é uma das componentes da educação ambiental e cívica que levada à prática através de pequenas alterações comportamentais poderá levar à poupança de cerca de 10% da energia consumida.
São inúmeros os projectos que poderão ser implementados pelos professores com vista a tratarem o tema energia. Neste artigo, faremos uma breve referência aos Programas Eco-escolas, Carbono Force e Concurso Solar Padre Himalaya.
O Programa ECO-ESCOLAS, que pretende promover acções que conduzam a um melhor desempenho ambienta, a uma melhor gestão do espaço escolar e a uma maior sensibilização de toda a comunidade, tem como temas base a água, os resíduos e a energia. No corrente ano o grande tema é o das alterações climáticas o qual está intimamente relacionado com a produção / consumo de energia, ao nível das causas, e com os temas da água e da biodiversidade, ao nível das consequências.
Tendo por objectivo, entre outros, por em prática políticas sustentáveis na área da energia e transportes com vista à redução das emissões de CO2, o projecto CARBON FORCE – Missão Possível pretende introduzir nas escolas, de forma integrada e prática, os seguintes temas: alterações climáticas; energias renováveis e eficiência energética; transportes / mobilidade sustentável e consumo eficiente de água.
As duas iniciativas referidas, a primeira da responsabilidade da ABAE - Associação Bandeira Azul da Europa e a segunda do Instituto do Ambiente e do Instituto Superior Técnico (IST), têm o mérito de envolverem professores, como o principal meio de veiculação de informação e os alunos, futuros decisores, que não são tratados como meros receptores passivos, já que poderão participar na identificação e na implementação de medidas de eficiência energética e colaboram em auditorias energéticas e no controlo do consumo das próprias escolas.
Por último, o Concurso Solar Padre Himalaya, iniciativa da Sociedade Portuguesa de Energia Solar que nos Açores tem sido apoiado pela ARENA- Agência Regional da Energia e Ambiente da Região Autónoma dos Açores, visa divulgar informação sobre energias renováveis junto das camadas mais jovens da população e promover a aquisição de hábitos de cidadania conducentes a um uso mais racional dos recursos energéticos do planeta, através do envolvimento dos jovens em actividades experimentais. De entre os materiais que podem ser construídos pelos alunos destacam-se relógios solares, painéis solares, fornos solares e carrinhos solares.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, 13 de abril de 2007)
segunda-feira, 24 de junho de 2019
O MELHOR RESÍDUO É O QUE NÃO SE PRODUZ
O MELHOR RESÍDUO É O QUE NÃO SE PRODUZ
De acordo com alguns estudos, na Região Autónoma dos Açores a produção de resíduos sólidos urbanos apresenta uma tendência de evolução crescente, sendo que cada habitante é responsável por uma produção diária de cerca de 1,4 kg, valor que é superior ao verificado em Portugal Continental. Em ilhas de reduzidas dimensões, como as nossas, os resíduos exigem uma gestão integrada correcta e cuidadosa, constituindo o crescente consumo de recursos uma prática completamente insustentável.
É de lamentar que não se envolvam os cidadãos na gestão dos resíduos, uma vez que são eles os responsáveis pela sua produção, sendo importante inverter esta realidade através de uma aposta na educação ambiental. Considera-se, ainda, que é contraproducente ter uma recolha diária, porta-a-porta, dos resíduos sólidos urbanos, uma vez que assim se desincentivam os cidadãos de efectuar a separação dos resíduos e de se deslocar ao ecoponto mais próximo.
Além disso, não se entende que se enfatize tanto a reciclagem, já que esta acção, em termos de prioridade, corresponde ao 3.º e último R da política dos três R’S. É extremamente importante que se sensibilize e eduque o cidadão por forma a promover a implementação dos outros dois: a redução e a reutilização. Não se percebe por que não é lançada nenhuma campanha e não são tomadas quaisquer medidas que levem à redução da produção de resíduos, quer por parte do público quer das cadeias de distribuição. Por que razão não se penalizam as embalagens descartáveis e não se incentivam os sistemas de retorno de embalagens, contribuindo, assim, para a poupança de energia e de matérias-primas?
Estando uma parte importante da população das nossas ilhas dispersas por zonas rurais, e sendo uma percentagem significativa dos resíduos sólidos urbanos constituída por matéria orgânica, por que razão não é feito um esforço com vista a divulgar a compostagem doméstica? O composto produzido poderia ser utilizado nos própios quintais, evitando-se assim a chegada aos aterros sanitários de muitas toneladas de resíduos e poupando-se na aquisição de fertilizantes.
Existindo em algumas localidades recolhas diárias de resíduos indiferenciados, porta-a-porta, e sabendo-se que só assim se conseguem elevados níveis de recuperação de resíduos, por não apostam as respectivas autarquias na recolha selectiva?
Por último, e sabendo-se que, na sombra, os lobies da queima, continuam a tentar vender um modelo centralizado de eliminação de resíduos - incineração ou plasma - a política dos três R’S não se destina apenas a embalar as criancinhas?
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal “Terra Nostra”, 16 de Março de 2007)
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domingo, 23 de junho de 2019
Educação Ambiental
Educação Ambiental
Temos muita legislação e são muitas as instituições que se dedicam à causa ambiental. Contudo, tal como nos diz António Barreto (2002): “É, todavia, verdade que nem sempre as leis e as instituições primam pela clareza e pelo acesso fácil aos cidadãos. Ou porque estes não estão habituados a elas. Ou porque as burocracias tendem a tornar difícil o que não deveria ser”.
Urge, pois, ultrapassar a apatia dos cidadãos e o cepticismo e a desconfiança com que, por vezes, ainda, é encarado, entre nós, o exercício de direitos de cidadania. Por um lado, todas as pessoas têm a obrigação de conhecer os seus direitos e acreditar que podem ter um papel importante na correcção de disfunções do sistema jurídico. Por outro lado, há que ultrapassar a desconfiança com que são encaradas as pessoas que exercem um direito de cidadania, por exemplo uma consulta pública, cuja atitude é, por vezes, entendida como motivada por interesses pouco claros (Sendim, 2002).
O que fazer para alterar o actual estado das coisas?
A educação ambiental poderá dar um contributo nesse sentido. Mas, o que tem sido feito entre nós?
Procure-se saber o que se faz em nome da educação ambiental e não temos dúvida que em nome daquela ensina-se ciências naturais, sobretudo biologia e em menor escala geologia. Por outro lado, de acordo com Fernandes (1997), a educação ambiental é por oportunismo, muitas vezes transformada em mero acto de propaganda destinado à obtenção de meios financeiros ou de “bandeiras de qualidade”.
Na educação ambiental não pode ser perdido de vista o seu princípio geral:
“Fazer compreender às pessoas e às comunidades a natureza complexa resultante dos factores físicos, biológicos, sociais, económicos e culturais do ambiente natural e urbano e dar a estas pessoas ou comunidades a oportunidade de adquirir os conhecimentos, os valores, as atitudes e as aptidões práticas que lhes permitam ajudar de uma maneira responsável e eficaz a prever e resolver os problemas ecológicos e gerir a qualidade do ambiente.”
Para a implementação da educação ambiental é necessário reflectir sobre como integrá- la nos currículos escolares a todos os níveis de ensino, como deverá ser feita a formação dos professores, como e quem a fará na sua vertente não formal, quais os recursos necessários, que metodologias deverão ser usadas, etc.. Em suma, mais do que demonstrar alguma boa vontade, é importante, com urgência, elaborar uma Estratégia Regional de Educação Ambiental, tendo por base, entre outras, a Estratégia Internacional de Acção em Matéria de Educação e Formação Ambiental, adoptada pela Unesco e PNUA por ocasião do Congresso Internacional sobre Educação e Formação Ambiental, realizado em 1987 na cidade de Moscovo.
(Publicado no Jornal Terra Nostra, 16 de fevereiro de 2007)
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sexta-feira, 9 de novembro de 2018
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
domingo, 13 de agosto de 2017
quarta-feira, 8 de março de 2017
terça-feira, 7 de março de 2017
domingo, 23 de outubro de 2016
ONGA: VOLUNTARIADO E LIDERANÇA
ONGA: VOLUNTARIADO E LIDERANÇA
Síntese - Um dos temas que tem sido aflorado, nas aulas de Educação Ambiental em Contextos Diferenciados, é o da liderança. Dada a importância desta temática, quer quando se fala em educação ambiental, quer no funcionamento das Organizações Não-Governamentais de Ambiente, optei por apresentar um breve texto de reflexão, que tem por base a minha participação como voluntário em diversas associações privadas sem fins lucrativos e uma revisão bibliográfica.
Nas ONGAS- Organizações Não Governamentais de Ambiente, associações sem fins lucrativos, que, quanto a mim, deverão manter a sua independência dos poderes económico e político, os seus membros devem ser este garante e suporte, quer através da disponibilização do seu trabalho, em regime de voluntariado, necessário para o seu funcionamento democrático e implementação das suas actividades, quer para a participação pública e representação institucional da mesma (Nave e Fonseca, 2000).
A aprovação da Lei das Associações de Defesa do Ambiente (1987) e da Lei das ONGA (1998), fez com que as associações passassem a ser consideradas parceiros sociais, sendo ouvidas na definição das políticas públicas do ambiente (Nave e Fonseca, 2000). A institucionalização das associações, por via da legislação referida, abriu as portas. a algumas delas, para uma maior participação e visibilidade pública, levando em alguns casos ao seu crescimento e profissionalização. Por outro lado, a ausência de tradição de intervenção dos cidadãos na resolução dos problemas com se debate quotidianamente a sociedade portuguesa, em geral e a açoriana, em particular, aliada ao peso tutelar do Estado, levou a que a institucionalização das associações criasse “mecanismos de agrilhoamento”, para além de ter feito com que algumas delas passassem a viver na dependência de subsídios estatais (Nave e Fonseca, 2000 e Eloy, 1994).
A dependência das associações de apoios do Estado, levou a que a nível nacional houvesse uma cisão na Quercus, levando a que o grupo fundador daquela associação criasse o Fapas (Fundo de Apoio à Protecção de Animais Selvagens) (Eloy, 1994). A nível regional, a dependência levou, a alguma instrumentalização das principais associações por parte da Secretaria Regional do Ambiente, veja-se o caso dos Amigos dos Açores e dos Montanheiros que ao celebrar protocolos com aquele departamento governamental para a gestão de ecotecas foram “obrigadas” a ter ao “seu serviço” diversos profissionais para a implementação de um plano de actividades e de um orçamento que lhes é imposto e, muito recentemente, ao fecho da sede da Quercus de São Miguel.
Outras questões que estarão associadas à dependência estatal, será a falta de reflexão no seio das associações, acerca do papel do associativismo na sociedade de hoje, sobre o que se pretende com a educação ambiental, etc., e o não investimento “num dos seus maiores bens intangíveis – os voluntários” (Gomes, 2007, p. 35).
Com o trabalho voluntário, ganham os voluntários, em termos de desenvolvimento pessoal, maior estabilidade emocional e aumento das suas amizades ao contactar com outras pessoas e beneficiam as associações que podem fortalecer “os programas e serviços existentes da mesma forma que permite que novos talentos, habilidades e conhecimentos sejam adquiridos” (Gomes, 2007, p. 37).
Segundo Ducker (2006), citado por Gomes (2007): “uma das grandes forças de uma organização sem fins lucrativos é que as pessoas não trabalhem nela para viver, mas por uma causa, logo isso cria na instituição, através da sua liderança, a responsabilidade de manter viva essa chama e não permitir que o trabalho se torne um emprego”(p. 40).
Mas, o que se entende por liderança?
São várias as definições existentes. Para Davis (1967), citado por Bertrand e Guillemet (1994) liderança é “a habilidade para persuadir os outros a prosseguir com entusiasmo os objectivos estabelecidos. É o factor humano que reúne um grupo e o motiva para as intenções […] É, enfim o que permite transformar em sucesso o potencial de uma organização e dos recursos humanos” (p.173). Opinião semelhante é a defendida por Motta (1988), citado por Ceroni (2005) que a define como “o processo no qual um indivíduo influencia outros a se comprometerem com a busca de objectivos comuns” (p.55).
Embora, numa organização, todos tenham capacidade de influenciar os outros há sempre quem exerça mais influência do que receba, são estas pessoas que são designadas de líderes (Bertrand e Guillemet (1994). Estes, de acordo com Ceroni (2005), deverão ter “capacidade de saber ouvir, alinhavar ideias, questionar, inferir, traduzir posições e sintetizar uma política de acção com o propósito de coordenar eticamente o processo efectivo de responsabilidade social” (p.55). Para além destas características, Bertrand e Guillemet (1994) referem ainda outras duas que considero muito importantes: a capacidade para delegar tarefas e “a aptidão para se fazer respeitar e estimar na organização e fora dela” (p. 176).
Outra questão importante, que merece ser abordada neste trabalho, relaciona-se com os diversos estilos de liderança.
Embora não existam estilos puros, isto é uma mesma pessoa pode ter mais do que um estilo de liderança, pode utilizar um estilo ou outro consoante a equipa de trabalho ou pode variar de estilo em face das circunstâncias (motivação da equipa, por exemplo) nem haja nenhum estilo que seja o mais adequado para todas as situações, o estilo de liderança depende das características pessoais dos lideres. (UOI-FEUP, s/d).
Muitas são as tipologias de estilos de liderança, neste trabalho apresenta-se, sucintamente, a atribuída a White e Lilliput que consideram existir três estilos de liderança: autoritária, liberal (“deixa-andar”) ou democrática (UOI-FEUP, s/d e Bertrand e Guillemet, 1994).
Enquanto o líder autoritário ao definir todas as políticas, ao fixar as tarefas a efectuar por cada um e ao impor as equipas de trabalho, não deixa espaço para a criatividade, o líder liberal ao não impor quaisquer regras, dando total liberdade ao grupo, fomenta a confusão e a desorganização. Por último, o líder democrático ao partilhar com o grupo a participação nas decisões, promove o bom relacionamento e a amizade (UOI-FEUP, s/d e Bertrand e Guillemet , 1994).
Sabendo-se que uma das características da ONGAS dos Açores é manterem por décadas os seus órgãos de gestão, nomeadamente as presidências das direcções, veja-se o caso dos Montanheiros e dos Amigos dos Açores, seria de todo o interesse estudar a razão pela qual não há renovação, que estilos de liderança estão em causa, em que medida os mesmos são obstáculo a uma maior participação dos associados e se são ou não impeditivos do fomento do voluntariado.
Outra questão que gostaria de ver debatida é a levantada por Viegas (2004): “como é que as associações podem ter tantos efeitos cívicos e democráticos, quando apenas uma minoria se envolve nas associações, sendo ainda menor o número de indivíduos que participa de um modo activo?” (p.46)
Por último, deixo outra questão: sabendo-se que os contributos das associações para a deliberação democrática são fracos (Viegas, 2004), será que as alterações deverão passar, em primeiro lugar, pela renovação dos seus órgãos dirigentes?
Pico da Pedra, 19 de Janeiro de 2007
BIBLIOGRAFIA
BERTRAND, Y., GUILLEMET, P., (1994). Organizações: Uma Abordagem Sistémica. Lisboa: Instituto Piaget.
CERONI, M., (2005), A Conduta Ética do Líder nas Organizações, Revista Eletrônica de Ética e Cidadania, v. 1, n. 1, p. 51-65, Data de consulta: http://www.mackenzie.com.br/universidade/teologia.
ELOY, A. (1994). O ambiente e o ordenamento do território, in Reis; A: (Eds.) Portugal, Vinte Anos de Democracia. Lisboa: Círculo de Leitores.
GOMES, P. (2007). O trabalho voluntário nas organizações não governamentais e a importância do líder educador, Scientia Una, nº 8, p.33-44. Data de consulta: 17de Janeiro de 2008, de http://www.praticanet.com/clientes/focca/revista_cientifica_8.pdf#page=33.
NAVE, J., FONSECA, S., (2000). Fenomenologia e Mobilização de Recursos das Organizações Não-Governamentais do Ambiente, Comunicação apresentada ao IV Congresso Português de Sociologia. Coimbra.
UOI-FEUP, (s/d), Liderança e Gestão de Equipas.Data de consulta: 16 de Janeiro de 2008, de http://paginas.fe.up.pt/~contqf/qualifeup/UOI/documents/Docs_Workshops_Formacao/Manual%20de%20Lideranca%20e%20Gestao%20de%20Equipas.pdf.
VIEGAS, J., (2004), Implicações Democráticas das Associações Voluntárias- o caso português numa perspectiva comparada europeia, Sociologia, Problemas e Práticas, nº 46, pp. 33-50.
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