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segunda-feira, 22 de julho de 2019
A proposta de classificar a Festa Brava, Património Imaterial da Humanidade nem é digna de ser apreciada
A proposta de classificar a Festa Brava, Património Imaterial da Humanidade nem é digna de ser apreciada
A Candidatura da denominada Festa Brava a Património Imaterial da Humanidade, alegadamente apresentada pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, à UNESCO, não é nada original, não terá apanhado ninguém de surpresa e peca pelo facto do anúncio público surgir associado a um evento, um congresso de ganadeiros de touros de lide, onde, ou à margem do qual, foram lançados vários apelos ao incremento do sofrimento animal, através da legalização da sorte de varas, primeiro passo para os tão ambicionados, para uns poucos, touros de morte.
A iniciativa referida não tem nada de original, pois não é mais do que a cópia do que tem sido feito, a nível mundial, pelo cada vez mais encurralado mundo da indústria tauromáquica que, actualmente, só consegue sobreviver à custa de dinheiros públicos, veja-se o apoio concedido pelo Governo Regional dos Açores e por algumas autarquias, e que pretende encontrar junto da UNESCO uma tábua de salvação.
Considerando que as touradas em nada contribuem para EDUCAR os cidadãos e cidadãs para o respeito para com os animais, para além de causarem sofrimento aos mesmos e porem em risco a vida das pessoas e dos próprios animais, não se coadunando com os valores humanistas do mundo de hoje, considero que a proposta de classificar as touradas como património imaterial da humanidade nem sequer é digna de ser apreciada.
Teófilo Soares Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, nº 482, p. 15, 5 de Novembro de 2010)
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terça-feira, 16 de julho de 2019
A PROPÓSITO DO DIA DO ANIMAL
A PROPÓSITO DO DIA DO ANIMAL
“É bendita a propaganda que se faça a favor dos animais; e é bendita, porque significa Bondade, porque sobretudo tende a minorar o sofrimento dos maiores amigos do homem” (Alice Moderno)
No próximo dia 4 de Outubro celebra-se o Dia Mundial do Animal que, de acordo com algumas fontes, terá sido declarado em 1929, num Congresso de Protecção Animal realizado na Áustria. A escolha do dia está relacionada com a data da morte de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 1226, que em sua vida amou e protegeu os animais, tendo chegado a comprar aves engaioladas apenas com o objectivo de as soltar e as ver de novo em liberdade.
Nos Açores, a comemoração do Dia do Animal tem de estar associada à homenagem a todos os que ao longo da sua vida tudo fizeram para que os animais tivessem uma vida mais digna. Entre estas pessoas, destaca-se a figura de Alice Moderno, fundadora e grande dinamizadora da SMPA- Sociedade Micaelense Protectora dos Animais.
Durante a presidência de Alice Moderno, entre 1914 e 1946, foram criadas as condições para o funcionamento da SMPA, como a aquisição de uma sede e de mobiliário e foram tomadas medidas conducentes a acabar com os maus tratos que eram alvo os animais usados no transporte de cargas diversas, nomeadamente os que transportavam beterraba para a fábrica do açúcar e para a educação dos mais novos, através do envio de uma comunicação aos professores “pedindo-lhes para que, mensalmente, façam uma prelecção aos seus alunos, incutindo no espírito dos mesmos a bondade para com os animais, que não é mais do que um coeficiente da bondade universal”.
Outra das preocupações de Alice Moderno foi a criação de um posto veterinário para tratamento de todos os animais o que se veio a concretizar dois anos após a sua morte.
Hoje, praticamente ultrapassados os problemas com os animais de tiro, há situações que continuam a merecer a nossa atenção, como a tentativa de incrementar as touradas onde não são tradicionais, a pretensão de legalizar as touradas picadas e os touros de morte e o abandono de animais de companhia.
Para tentar acabar ou pelo menos minimizar o problema e por não ser aceitável a política seguida actualmente para combater o abandono, que tem por principal pilar os abates dos animais que entram nos canis e que não conseguem ser adoptados, propomos que a nível regional, seja lançada uma campanha de esterilização com vista a adequar o número de animais de companhia ao dos donos responsáveis. Esta campanha, tal como é defendido a nível nacional, deverá assentar em três pontos:
1.Esterilização obrigatória de todos os animais que os canis municipais dão em adopção;
2. Celebração de protocolos entre as Câmaras Municipais e as associações de protecção animal com vista à esterilização dos animais abandonados que estas recolhem;
3. Esterilização gratuita dos animais para as famílias com dificuldades económicas, por parte das Câmaras Municipais.
Pico da Pedra, 26 de Setembro de 2010
Teófilo Braga
(Publicado no jornal Terra Nostra, nº 477, 1 de Outubro de 2010)
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Deseducar para incinerar o futuro
DESEDUCAR PARA INCINERAR O FUTURO
A questão da gestão dos resíduos sólidos urbanos nunca foi devidamente tratada na Região Autónoma dos Açores. Com efeito, não se percebe (ou percebe-se?) que numa região constituída por nove ilhas, com um território limitado, nunca se tenha apostado no primeiro R- reduzir, tendo-se ficado e digamos, mal, pelo segundo R- o reciclar, sabendo-se que por aqui parece não ser viável a instalação de qualquer instalação industrial para o efeito.
Ainda no que se refere ao arremedo de sistema de recolha selectiva de resíduos, levou pelo menos duas décadas a ser implementado, depois de serem lançados os primeiros alertas, e nunca foi generalizado a todos os concelhos e a todas as ilhas. Ainda hoje, recebemos denúncias da mistura dos resíduos por parte dos serviços de recolha e não há dia em que não encontramos vazadouros ilegais.
Mais recentemente, voltou à baila a solução milagrosa, a incineração, que irá de uma vez por todas acabar com os resíduos, esquecendo-se que nenhum processo de tratamento tem capacidade para reduzi-los a zero ou enviá-los todos para o espaço, através das chaminés.
Outro argumento usado é o da produção de energia. Trata-se de mais uma cenoura que é posta à frente do burro, mas que não funciona. Com efeito, uma análise detalhada do ciclo de actividade revela que as incineradoras gastam mais energia do que produzem. Isto é, com a reciclagem dos materiais queimados poupar-se-ia mais energia do que a que é libertada pela queima dos mesmos.
Mas, o que mais nos repugna são as atoardas, para não dizer outras coisas, que têm vindo a público nos últimos dias. Vejamos algumas:
- Em vez de se dizer que a incineração é uma tecnologia que está sujeita a controvérsia científica ou compará-la com outras e explicar a opção por ela, diz-se que a mesma é melhor do que um aterro (tolice, aterros sempre existirão, mesmo com incineradora, a não ser que se exporte para a Lua o que ficará após a queima) ou afirma-se que ela polui menos que uma noite de fogo-de-artifício, será que se está a falar em poluição luminosa? Ou que polui menos que uma central geotérmica, será que com esta afirmação pretende-se fechar uma das que está em funcionamento em São Miguel?
- Outra afirmação que ouvimos, é de que é muito mais fácil falar mal da incineração do que defendê-la. Puro engano, com efeito de entre as respostas que tenho ouvido para a não tomada de posição contra, as mais comuns são o trabalhar numa autarquia ou num organismo governamental. Tenho a certeza de que se a presidência da AMISM fosse de um autarca PSD e se o Governo continuasse a opor-se à incineração muitas mais vozes se fariam ouvir a defender uma solução “amiga” do ambiente.
Por último, relativamente ao estudo de impacto ambiental, que diz-se já estar em curso, já podemos divulgar a conclusão: não haverá qualquer problema para a saúde e para o ambiente.
Siga a procissão!
Teófilo Braga
29 de Junho de 2010
(Publicado no jornal “Terra Nostra”, nº 464, 2 de Julho de 2010, p.23)
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domingo, 14 de julho de 2019
sexta-feira, 12 de julho de 2019
quinta-feira, 27 de julho de 2017
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