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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Ana Augusta de Castilho uma açoriana esquecida na sua terra

Fonte: http://silenciosememorias.blogspot.pt/2015/08/1058-ana-augusta-de-castilho-iii.html

Ana Augusta de Castilho uma açoriana esquecida na sua terra

Ana Augusta de Castilho (1866-1916), natural de Angra do Heroísmo, foi escritora, militante republicana e ativista da causa feminista.
Ana Augusta de Castilho foi membro e ativista da mais importante organização feminista das duas primeiras décadas do século XX, a LRMP-Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, associação fundada em 1908.
Na LRMP que, segundo Ana Pires, tinha como temas norteadores “o voto, o direito à instrução, ao trabalho e à administração dos bens, o combate à prostituição e à mendicidade infantil”, Ana Castilho foi membro da sua direção, tendo sido vice- presidente, em 1912, e tesoureira, em 1913 e 1914 e integrou a Mesa da Assembleia Geral, em 1916. Também escreveu periodicamente no órgão da LRMP, o jornal “A Madrugada”, que foi publicado entre 1911 e 1918, sendo dirigido, nos primeiros seis anos por Maria Veleda e que teve como colaboradora a açoriana Alice Moderno.
Ana Castilho desempenhou também um papel de relevo na Obra Maternal, instituição criada em 1909 que, segundo João Esteves, tinha como objetivo principal o combate à mendicidade infantil, recolhendo e alimentando as crianças das ruas e educando-as até serem reintegradas na sociedade, “dotadas de capacidade para exercerem uma profissão”. Na Obra Maternal, Ana Castilho foi sua presidente em 1914 e 1915.
Para além do mencionado Ana Augusta Castilho faz parte do Grupo das Treze, “criado com a finalidade de combater a ignorância e todas as formas de superstição que afetavam a mulher portuguesa”, foi uma das integrantes da Comissão Feminina “Pela Pátria”, pertenceu aos órgãos sociais da Associação de Propaganda Feminista, tendo sido redatora do seu jornal “A Semeadora” e foi uma das acionistas da “Empresa de Propaganda Feminista e Defesa dos Direitos da Mulher.
Ana Augusta de Castilho foi uma das participantes na homenagem feita, a 15 de Agosto de 1912, pela LRMP, às açorianas republicanas e feministas Alice Moderno e Maria Evelina de Sousa.
O seu falecimento, em Dezembro de 1916, foi amplamente noticiado não só em Portugal como na imprensa feminista espanhola. Entre nós, o jornal “A Folha”, através de textos de Alice Moderno e de Maria Evelina de Sousa, dedicou-lhe a primeira página do número 670, publicado a 10 de janeiro de 1917.
No jornal referido, sobre Ana Castilho, Alice Moderno escreveu:
“O seu ideal supremo, a emancipação da mulher pelo trabalho, a reivindicação dos seus direitos pela justiça, apaixonou-a até ao leito em que a doença a prostrou por fim e onde a foi surpreender a morte, arrebatando-a ao fraternal convívio dos que a amavam como uma das mais dignas e respeitáveis do sexo e da classe!”
Por seu lado, no mesmo jornal, Maria Evelina de Sousa que figurava como secretária de redação, referiu-se a Ana Castilho nos seguintes termos:
“E assim a limitadíssima e restrita fileira das defensoras do Feminismo em Portugal acaba de sofrer um terrível golpe com a morte de Ana Castilho…a ilustre extinta era uma das mais entusiásticas, das mais convictas e das mais intemeratas propagandistas do Ideal santo da emancipação da mulher”.
“Vestem de luto as associações feministas de Portugal, e de pesar choram as suas camaradas, que bem avaliam a falta que aos trabalhos de propaganda feminista faz o desaparecimento de Ana Castilho, senhora de sublimes virtudes cívicas, mercê da sua inteligência vigorosa, da sua notável ilustração e do seu nobilíssimo carácter”.
O seu nome figura quer no Dicionário de Educadores Portugueses (2003) quer no Dicionário no Feminino (2005), principais fontes usadas na elaboração do presente texto, mas não consta da Enciclopédia Açoriana (http://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/Default.aspx), “projeto do Governo dos Açores, financiado através da Direção Regional da Cultura e executado pelo Centro de Estudos de Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30862,17 de fevereiro de 2016 p.14)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Educadores açorianos



O Professor Catedrático da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, é autor de uma obra fabulosa editada, em 2003, pelas Edições Asa intitulada “Dicionário de Educadores Portugueses”. Nesta obra o autor reúne 900 biografias de homens e mulheres que durante os séculos XIX e XX dedicaram as suas vidas à educação e ao ensino.

No seu livro, António da Nóvoa não se esqueceu dos Açores, tendo apresentado as biografias de alguns açorianos, como Alice Moderno, Ana Augusta Castilho, António Augusto Riley da Mota, João Anglin e Maria Evelina de Sousa.

Em textos anteriores já fiz referência a alguns dos educadores mencionados acima, com destaque para Alice Moderno e Maria Evelina da Sousa, pelo contributo que deram à proteção dos animais, João Anglin, por na sua juventude ter sido adepto do anarquismo e António Augusto Riley da Mota, pela defesa do ensino experimental.

No caso do desprezo a que tem sido votado o ensino das ciências experimentais recordo que estamos a caminhar para a situação denunciada pelo Dr. António Augusto Riley da Mota que deu a conhecer o facto de ter feito o ensino liceal, em Ponta Delgada, entre 1905 e 1910, sem nunca “ter visto um tubo de ensaio, nem o ácido sulfúrico.”

Maria Evelina de Sousa, que foi professora primária oficial e jornalista, distinguiu-se pela criação da Revista Pedagógica, órgão do professorado oficial açoriano, que se publicou entre 1906 e 1916.

Republicana, como Alice Moderno, Maria Evelina de Sousa ainda durante o regime monárquico defendeu “a proibição do ensino de matéria religiosa nos estabelecimentos escolares, congratulando-se com o decreto republicano que extingue, nas escolas primárias e normais, a doutrina cristã”.

Até à relativamente pouco tempo desconhecida para mim, a terceirense Ana Augusta de Castilho (1866- 1916) que foi professora e escritora, distinguiu-se a nível nacional por ter participado ativamente em várias associações feministas e por ser considerada pelas pessoas que com ela conviveram e defenderam as mesmas causas “uma das mais prestigiadas defensoras dos direitos das mulheres”.

Sobre a sua dedicação à concretização dos seus ideais, Alice Moderno escreveu: “D. Ana de Castilho era uma figura neste meio desfalecido, apagado, em que as individualidades cedem aos preconceitos, atrofiando-se, aniquilando-se com medo do ridículo. Ela nunca receou o ridículo, nunca se importou com os sorrisos ineptos que se esboçavam à sua passagem, nunca perdeu a fé no seu credo social, no seu apostolado, de inteligência, de bem, de paz. Foi e era a alma de todas as associações femininas de propaganda e de beneficência que se têm fundado entre nós”.

Segundo Maria Evelina de Sousa, Ana Augusta de Castilho “procurava sempre, com brilho e eloquência, demonstrar a necessidade absoluta e inadiável de se praticar Justiça na humanidade, levantando-se o nível moral das sociedades pela emancipação da mulher como estabelecimento da igualdade de direitos e deveres entre os dois sexos de que essa humanidade se compõe, a fim de que a civilização não continue a ser uma palavra vã e possa significar a perfeição a que todo o ser aspira”.

Para terminar, apresento aqui um dos seus argumentos, extraídos da obra Republicanas quase desconhecidas, da autoria de Fina d’Armada, para combater quem era contrário ao direitos das mulheres votarem:

“Diz-se que a mulher, tendo o voto, descurará as suas ocupações domésticas. Que argumento tão pueril! Porventura o operário, que tem a faculdade de votar, abandona, por esse facto, o labor da sua profissão?”

Por último, para Ana Castilho a não concessão do voto à mulher é justificado porque “ é o predomínio, é o direito de posse [do homem], é a supremacia sobre a mulher de que ele não se quer ver privado”
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 2791, 8 de Maio de 2013, p.18)