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terça-feira, 3 de setembro de 2019

domingo, 1 de setembro de 2019

sábado, 31 de agosto de 2019

Teixo

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Em defesa da árvore


Correio dos Açores, 21 de março de 1984

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Notas sobre Agostinho Sá Vieira


Notas sobre Agostinho Sá Vieira

A leitura do livro, de Augusto Cymbron, “Açorianos Ilustres” que reúne notas biográficas de alguns açorianos que de algum modo se distinguiram, fez-me pensar num conjunto de outros que também mereciam figurar entre os que é justo não ficarem esquecidos.

Antes de dar a conhecer alguns aspetos da vida de Agostinho Sá Vieira, um dos açorianos que, parafraseando Camões, da lei da morte se libertou, recomendo a leitura e a divulgação junto dos mais novos do livro referido que poderá ser ponto de partida para trabalhos de investigação ou pequenos trabalhos de projeto nas escolas.

Ainda relativamente ao livro, numa eventual futura reedição, sugiro que seja revista a bibliografia, pois tal como está, não obedecendo a nenhuma regra por mim conhecida, dificulta quem quer pistas para aprofundar os seus conhecimentos sobre as personalidades escolhidas pelo autor.

Agostinho de Sá Vieira (1896-1988), advogado natural da Ribeira Seca da Ribeira Grande, dedicou parte da sua vida aos outros e com coragem combateu o regime ditatorial instalado em Portugal depois da Primeira República.

O primeiro facto que se recorda é a sua participação na Primeira Guerra Mundial, onde como posto de alferes integrou o Corpo Expedicionário Português, tendo sido ferido e feito prisioneiro na Batalha de La Lys, em França. No regresso a Portugal foi promovido a capitão e condecorado. Sobre o assunto, o jornal “A República, de 27 de fevereiro de 1919, regsita o seguinte: “…sr. Alferes Agostinho Sá Vieira, nosso patrício e que em França, desde a primeira hora afirmou grandes qualidade de valentia e competência. Pende-lhe do peito a Cruz de Guerra e esse simples facto mostra bem os seus relevantes serviços à Pátria”.

Em 1931, Agostinho Sá Vieira participou na chamada Revolta da Madeira ou dos Deportados que se estendeu aos Açores, tendo feito parte da Junta Revolucionária em representação dos micaelenses. Com a derrota dos revoltosos que pretendiam “a instalação definitiva da perfeita Democracia – governo do povo pelo povo e para o povo- e única garantia da unidade e prosperidade da República de Portugal”, Sá Vieira foi afastado do exército e preso.

Se é muito conhecida a participação política de Agostinho Sá Vieira como opositor ao Estado Novo, menos divulgada é a sua dedicação ao próximo. Com efeito, em 1972, de acordo com notícia publicada no Diário dos Açores, de 8 de novembro daquele ano, aquele “instituiu um prémio anual de 5 mil escudos para galardoar o aluno do Externato Ribeira-grandense, natural da Ribeira Seca, sua terra natal, que melhor classificação obtivesse no curso geral dos liceus”. O prémio foi atribuído pela primeira vez, em 1973, à aluna Maria da Conceição Arruda Botelho.

De acordo com a notícia citada, outra prova do seu altruísmo foi a doação, à Junta de Freguesia da Ribeira Seca, de 20 mil euros destinados “à compra dum terreno para a construção de moradias para as pessoas necessitadas”.

Com a chamada Revolução dos Cravos, Agostinho Sá Vieira volta à sua terra, trinta e quatro anos depois de ter saído, tendo saudado os seus conterrâneos nos seguintes termos: “Com o espírito em alvoroço, apetece-me saudar os homens da minha terra, que não me voltaram a cara, que não me olhavam torvamente quando a pisava e afirmar-lhes com a dura experiência de 48 anos de ostracismo a que nos restaram os esbirros de negregado fascismo que a Democracia, bem compreendida e justamente interpretada, é o único sistema de vivência humana capaz de satisfazer todas as aspirações e todas as carências do trabalhador, em qualquer departamento da vida social” (A Ilha, 25 de maio de 1974).

Numa entrevista concedida ao Emissor Regional dos Açores, no dia 28 de maio de 1974, transcrita no jornal “A Ilha” no dia 1 de junho seguinte, perguntado sobre que deliberações deviam ser tomadas pelo governo, respondeu: “devem ser tomadas medidas de precaução e emergência tendentes a corrigir injustiças flagrantes e reparar danos inadiáveis de modo a proporcionar a formação de um clima nacional de harmonia e de compreensão que permita o melhor rendimento do trabalho e a sua mais adequada e justa remuneração, com vista ao progresso da Nação e bem estar de toda a gente”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31913, 28 de agosto de 2019, p.14)

terça-feira, 20 de agosto de 2019

Provedor do animal: será uma prioridade?



Provedor do animal: será uma prioridade?

A ideia da criação de um Provedor do Animal, em Portugal, é muito antiga. Lembro-me de nos Amigos dos Açores, na década de oitenta do século passado, recebermos muitas cartas de um senhor que defendia que sua existência contribuiria para a melhoria do bem-estar animal.

Não tendo vingado a criação de um Provedor do Animal de âmbito nacional, como algumas das competências relacionadas com os animais são das autarquias, a opção foi a da sua criação a nível autárquico.

Se não me falha a memória, a primeira autarquia a criar o cargo de Provedor do Animal foi a Câmara Municipal de Lisboa, em 2013. Tendo por missão “garantir a defesa e prossecução dos direitos e interesses legítimos dos animais de Lisboa, o provedor exerce “as suas funções, a título gratuito, de forma independente, autónoma e imparcial”.

Na Madeira, que na questão dos direitos dos animais vai um passo à frente dos Açores, pois foi a primeira região do país a aprovar a proibição do abate dos animais de companhia e errantes, a Assembleia Legislativa, a 3 de julho deste ano, recomendou à Associação de Municípios da Região Autónoma da Madeira, a criação da figura do Provedor do Animal, com competência e atuação transversal a todos os municípios da Madeira e com capacidade para atuar em todas as questões que digam respeito ao bem-estar animal.

Nos Açores, também se não estou em erro, terá sido o PAN- Pessoas, Animais e Natureza quem pela primeira vez terá abordado o assunto. Com efeito, em 2016, durante a campanha eleitoral para a Assembleia Legislativa Regional dos Açores, aquele partido defendeu a criação do Provedor do Animal.

A 2 de julho de 2019, o deputado do PPM, na ALRA apresentou um Projeto de Decreto Legislativo Regional com o fim de criar a figura do Provedor do Animal na Região Autónoma dos Açores, o qual foi rejeitado pela Presidência da Assembleia por, alegadamente, violar artigos da Constituição da República Portuguesa.
Não sei se será o efeito do crescimento eleitoral do PAN nas últimas eleições para o Parlamento Europeu realizadas em maio ou se se trata de uma genuína preocupação com a vida de outros seres que não os humanos, mas parece-me que se assiste a uma “animalização” dos discursos políticos, tal como no passado se assistiu ao seu “esverdeamento”.

Mas quando pensamos que já assistimos a tudo, eis que surge uma surpresa, não pela candidata com provas dadas no âmbito da proteção aos animais, mas pelo partido político que pouco tem feito em relação ao assunto. Refiro-me não só aos animais de companhia, mas também aos animais ditos de produção ou mesmo aos espetáculos onde animais são torturados, como as touradas. Sobre estas, ainda recentemente deputados do PS que se candidatam de novo à Assembleia da República, tal como alguns do PSD, estiveram presentes numa tourada realizada no Campo Pequeno. Com efeito, Sofia Ávila Lima, candidata do PS à Assembleia da República, defendeu a criação do Provedor do Animal para “proteger não só os animais errantes e domésticos, como também espécies e os habitats”.

Não sabemos se o órgão da comunicação social que citamos foi fiel na transcrição das palavras de Sofia Lima, mas acreditando que sim, a proposta apresenta não apenas um provedor dos animais, mas um provedor do ambiente.

Penso que não virá mal ao mundo se for criado um provedor do animal nos Açores ou nalguma autarquia açoriana. Mas, será uma prioridade?

Do meu ponto de vista, a grande prioridade é o maior envolvimento dos cidadãos, não só na proteção dos animais, mas em tudo o que à vida em sociedade diz respeito. Relativamente às propostas mencionadas, se querem agir com seriedade, não criando mais uma figura para inglês ver ou um provedor especista, a primeira proposta a ser feita será a abolição das touradas de praça.

Por último, se dizem que o Estado é uma pessoa de bem, então deve ser respeitada a memória de Alice Moderno pelo que o seu hospital veterinário deve ser reaberto nas mesmas ou noutras instalações.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31907, 21 de agosto de 2019, p. 14)

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Dalberto Pombo, o naturalismo, os selos e a política



Dalberto Pombo, o naturalismo, os selos e a política

Com o objetivo de dar a conhecer o Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo e a vida e a obra do naturalista Dalberto Teixeira Pombo, natural de Almofala, Figueira de Castelo Rodrigo, está patente ao público, até ao final do mês de agosto, no Aeroporto de Santa Maria, uma exposição.

Conheci, muito bem, Dalberto Teixeira Pombo, com quem troquei correspondência e me encontrei algumas vezes. Nos encontros que tivemos, o tema da conversa sempre se centrou na proteção das espécies animais, nas campanhas que desenvolvia com o objetivo de descobrir novas espécies e no trabalho de sensibilização dos mais novos.

Da parte de Dalberto Pombo, nunca notei qualquer falta de entusiasmo, mas apenas alguma tristeza pelo facto das crianças mais entusiastas que participavam nas suas expedições, ao abandonarem a ilha para prosseguirem os seus estudos acabarem por desinteressar-se pelo estudo e conservação da natureza.

Outra coisa que o desgostava era o facto de não ter a participação de outros adultos. Sobre este assunto, costumava exemplificar com o caso de um seu conhecido que, num determinado dia, estando num café foi desafiado a acompanhá-lo num trabalho de campo e que lhe respondeu que, estava com muita pressa e já ia para casa. Qual não foi o seu espanto quando, ao regressar algumas horas depois, o tal amigo estava no mesmo lugar.

Se a faceta de naturalista é bastante conhecida, o que, penso ser (totalmente) desconhecido é o seu interesse pela política, assunto sobre o qual nunca falámos, e o facto de ter sido importunado pela PIDE por colecionar selos.

Começando pela política, assunto que muitas vezes se pretende omitir nas biografias para não estragar o “currículo”, o que discordo, pois o passado, desde que vivido com honestidade, nunca deve envergonhar ninguém, Dalberto Pombo, em 1973, fez parte da comissão de concelho da ANP- Ação Nacional Popular de Vila do Porto, que era presidida por outro interessado pela natureza e pela história dos Açores, Gualter Pereira Cordeiro.

Desconhecemos o seu grau de envolvimento na política, isto é, se acreditava nos ideais do Estado Novo ou se foi apenas um modo de não ser desagradável com o simpático e convincente presidente da Comissão de Distrito da ANP, Fernando Monteiro da Câmara Pereira.

No que diz respeito à filatelia, Dalberto Pombo colecionava selos de todo o mundo, não se preocupando com os regimes políticos existentes nos diversos países. Foi precisamente por receber selos da União Soviética que viu serem as suas cartas intercetadas pela PIDE e ser vigiado e denunciado por informadores daquela polícia política.

A 16 de outubro de 1957, um agente da PIDE do posto de Santa Maria comunicou superiormente, o seguinte: no posto dos correios do Aeroporto, foi entregue a Dalberto Pombo, uma carta “vinda da Rússia, ao que me parece, de Moscovo” e informou que “desconhecendo qual o fim de tal correspondência e sabendo que passado poucos minutos, por pessoa de toda a minha confiança que, no cinzeiro daquele havia uns papeis queimados…”

A 11 de novembro de 1957, o posto de Santa Maria recebeu, a seguinte informação: “… comunico que esta Polícia não vê inconveniente em que o referenciado troque correspondência, desde que a mesma tenha por fim expresso a troca de selos, no entanto poderá adverti-lo de que destes contatos com súbditos russos nada de útil lhe advirá”.

Para que não se esqueça os tentáculos e influência da PIDE na sociedade portuguesa, transcreve-se uma informação sobre Dalberto Pombo dada pelo Posto de Santa Maria, em 20 de outubro de 1953: “O referenciado reside neste aeroporto há menos de 1 ano, onde foi colocado como escriturário do Movimento. Foi proposto Tesoureiro da Fazenda Pública em Vimioso e depois S. João da Madeira. Pretende concorrer para o cargo de Tesoureiro. Quer moral quer politicamente nada consta em seu desabono”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31903,15 de agosto de 2019, p,14)