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terça-feira, 27 de agosto de 2019
A propósito do Dia Mundial da Floresta: É Urgente Preservar a Vegetação Autóctone
A propósito do Dia Mundial da Floresta: É Urgente Preservar a Vegetação Autóctone
Graças à feliz iniciativa da Câmara Municipal da Povoação, no passado dia 21 de Março tive a oportunidade de participar num colóquio, na Vila da Povoação, onde para além de apresentar uma comunicação acerca da necessidade de protegermos a vegetação autóctone dos Açores, foi-me dada a oportunidade de tecer algumas considerações sobre o papel que cabe a cada um de nós, cidadãos, na defesa do nosso património natural. Neste texto, vou tentar sintetizar parte do que foi dito naquele dia.
Apesar de ter consciência de que a sensibilização ambiental não se pode ficar pela simples comemoração do dia disto ou daquilo, e no caso do dia da árvore, pela distribuição de cartazes, folhetos e autocolantes em abundância e, como é usual, pela plantação de uma árvore que se deixa morrer de sede logo no Verão seguinte, considero que o dia 21 de Março é uma data que não pode ficar esquecida e que deverá ser aproveitada para acções de informação/ formação.
No que diz respeito aos Açores, de acordo com o Relatório do Estado do Ambiente dos Açores- 2001, 30% da superfície das ilhas está ocupada por floresta, sendo a criptoméria a espécie mais abundante, ocupando cerca de 58% da área total das matas da região. Por seu turno, a floresta natural, ocupa apenas 2,4% da área do arquipélago. No que toca à origem das espécies presentes no arquipélago, verifica-se que a esmagadora maioria é exótica, isto é 702 espécies, 37 das quais apresentam carácter invasor, enquanto que o número de espécies endémicas dos Açores é próximo de 60.
A situação preocupante em que se encontra a flora autóctone dos Açores já havia sido apresentada num abaixo assinado promovido por várias associações de defesa do ambiente, entre as quais os Amigos dos Açores, em 1990, onde era, também, proposto aos órgãos de poder nacional e regional, a criação de um plano de emergência para a salvaguarda da vegetação natural dos Açores,
Como resultado desta petição a Assembleia Legislativa Regional aprovou uma Resolução (nº 13/95/A) onde recomenda que o governo implemente um plano visando a protecção e conservação efectiva das zonas ecologicamente mais valiosas do Arquipélago, do ponto de vista botânico, tendo em consideração os seguintes pressupostos:
- deveria ser dada prioridade à classificação de áreas de protecção relativamente vastas e com elevado número de espécies endémicas ameaçadas, em que estejam representadas o máximo de comunidades vegetais, em lugar da classificação de numerosas áreas homogéneas, pequenas e isoladas, mas altamente vulneráveis.
- deveria ser condicionada a introdução de espécies animais e vegetais exóticas no Arquipélago, devido à fragilidade e vulnerabilidade dos ecossistemas insulares, e era fundamental iniciar programas de controlo das plantas exóticas invasoras existentes.
Pouco ainda foi feito em relação à primeira sugestão, com efeito não basta enunciar que a Área Classificada Terrestre, abrangendo, as áreas da Rede Natura 2000 (criadas a partir da Directiva Referida e da Directiva Aves (79/409/CEE) e as Áreas Protegidas regionais ocupa 37 138 ha, isto é 16% do território, é urgente a criação de Planos de Ordenamento e Órgãos de Gestão para as Áreas Protegidas existentes. No que diz respeito à segunda, muito há por fazer, basta vermos a distribuição, na ilha de São Miguel, de algumas plantas invasoras hoje e comparar com o que acontecia há dez anos.
(Publicado no Açoriano Oriental, 31 de Março de 2003)
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domingo, 24 de março de 2019
Da Árvore à Floresta: o desrespeito continua
Da Árvore à Floresta: o desrespeito continua
“Quem não tem jardins por dentro
Não planta jardins por fora” (Rubem Alves)
Tudo terá começado, em 1872, nos Estados Unidos da América, no Nebrasca, onde para colmatar a falta de árvores a população decidiu dedicar um dia, não fixo, à sua plantação.
Em Portugal, a primeira “Festa da Árvore” ocorreu em 1907, tendo sido muito incentivada e comemorada nos primeiros anos da República, até 1917.
Na ilha de São Miguel terá acontecido o mesmo, tendo em 1914 as comemorações atingido o seu apogeu, com o envolvimento das diversas entidades oficiais e das escolas. De entre as personalidades que apoiaram, participaram ou publicitaram a festa destaco o Marquês de Jácome Correia, Alice Moderno, através do seu jornal “A Folha” e a professora Maria Evelina de Sousa, através da “Revista Pedagógica”.
Em 1971, a FAO estabeleceu o “Dia Mundial da Floresta” como forma de chamar a atenção para o papel da mesma na manutenção da vida na Terra. Três anos depois, em 1974, o dia foi celebrado pela primeira vez em Portugal a 21 de março, o primeiro dia de primavera no hemisfério norte.
Em 2012, por decisão da Assembleia Geral da ONU, o dia 21 de março foi declarado como Dia Internacional das Florestas.
Em 2019, ano declarado pela ONU como Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos, o tema escolhido para as celebrações foi “Florestas e Educação”.
Em Portugal, para o dia 21 de março, a Sociedade Portuguesa de Química (SPQ) tem uma atividade intitulada “Dia do Carbono 118 árvores para 118 elementos” que consiste na plantação de 118 árvores, o que corresponde a retirar 2,5 toneladas por ano de dióxido de carbono (CO2).
Nos Açores, a Escola Secundária das Laranjeiras, aderiu ao projeto da SPQ, através da exploração dos materiais pedagógicos disponíveis por aquela instituição, da visita ao Jardim do Palácio de Santana e da plantação de árvores.
Tal como o que se passa com os vários dias dedicados a qualquer coisa, celebrar a árvore e a floresta um dia por ano é muito pouco quando nos restantes dias se está a desrespeitar um ser que é vital para a humanidade.
Sabendo-se que a concentração das comemorações do Dia da Árvore/Floresta se concentra nas escolas, onde o público-alvo é mais recetivo, por que razão não se nota uma sensível melhoria no estado em que se encontram as nossas árvores não só nos estabelecimentos de ensino, mas também nos espaços públicos, como arruamentos, estradas, parques de estacionamento, etc.?
Não pretendendo fazer o elenco de todas as causas possíveis, aqui sugiro algumas:
- Falta de sensibilidade por parte de alguns responsáveis por serviços oficiais, governamentais ou camarários;
- Ausência de formação por parte de quem faz as podas, parecendo que por vezes a única possuída é a de por a funcionar uma motosserra;
- O desleixo de quem cuida dos relvados onde se encontram muitas árvores (arbustos), não deixando caldeiras à volta daquelas, fazendo que que as mesmas sejam vítimas das sedas ou dos discos das roçadoras;
- A preguiça de alguns “trabalhadores” que se queixam de muito trabalho na limpeza de alguns recintos devido à queda de folhas ou frutos;
- A ignorância de todos os que pensam que com as podas “radicais”, as árvores ornamentais são fortalecidas, rejuvenescem, tornam-se menos perigosas e o seu cuidado fica mais barato.
Termino com uma citação de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Teles: “Qualquer supressão de que resulta um aspeto definitivamente mutilado da árvore, deve considerar-se inadmissível visto comprometer definitivamente a finalidade estética da planta ornamental”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 31783, 21 de março de 2019, p. 12)
Assine e divulgue: https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT92430
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segunda-feira, 21 de março de 2016
No Dia Mundial da Floresta
No Dia Mundial da Árvore e da Floresta
Hoje, 21 de março, comemora-se mais um Dia Mundial da Árvore e da Floresta.
O Dia da Árvore, segundo alguns autores, foi instituído a 10 de abril de 1872, no Estado do Nebrasca, nos Estados Unidos da América.
Em Portugal, o culto da árvore foi institucionalizado com a implantação da República, que entre outros valores defendia o culto da árvore. Assim, foi criada a Associação Protetora da Árvore e anualmente passou a realizar-se a Festa da Árvore. Esta teve lugar, pela primeira vez, a 26 de maio de 1907, no Seixal, por iniciativa da Liga Nacional da Educação. Mais tarde, entre 1912 e 1915, a Festa da Árvore foi organizada pelo jornal “Século Agrícola”.
Com a entrada de Portugal na 1ª Grande Guerra Mundial, as comemorações entraram em declínio e em 1923 o ministro da instrução pública tentou reanimá-la, sem grande sucesso. De qualquer modo naquele ano realizou-se a Festa da Árvore em pelo menos duas escolas de Ponta Delgada, a Escola Normal Primária de Ponta Delgada e a Escola Primária de São José.
Segundo José Neiva Vieira, durante o Estado Novo e até 1970 a Festa da Árvore não tem significado”
Em 1970, a Direção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas e a Liga para a Proteção da Natureza propuseram que no âmbito de um conjunto de iniciativas que estavam a promover se celebrasse o Dia da Árvore. A proposta foi aceite pela Secretaria de Estado da Agricultura e desde então até aos nossos dias passou a celebrar-se anualmente.
Em 1974, o Dia Mundial da Floresta foi comemorado oficialmente pela primeira vez, depois de a FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura ter fixado a data de 21 de Março e a nova designação mais abrangente que a anterior.
Ao longo da história dos Açores várias pessoas e organizações têm chamado a atenção para os perigos da desflorestação ou para as consequências nefastas em termos patrimoniais para a perda da biodiversidade.
Neste texto, que não pretende aprofundar o tema, apenas faremos referência a algumas personalidades e organizações que contribuíram para o melhor conhecimento da flora dos Açores ou alertaram para a destruição da Floresta Primitiva dos Açores.
O botânico, nascido na ilha Terceira, Rui Teles Palhinha (1871-1957) foi um dos pioneiros dos estudos da flora dos Açores. Como resultado de diversas excursões botânicas publicou vários textos na revista “Açoriana”, bem como noutras revistas nacionais e internacionais. Das obras da sua autoria destaca-se o “Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores”, publicado, em 1966, pela Sociedade de Estudos Açorianos Afonso Chaves.
A 30 de setembro de 1903, o padre vila-franquense Manuel Ernesto Ferreira (1880-1943) alertou para o desaparecimento de algumas espécies da “flora indígena”, “umas definhando-se progressivamente, outras exterminadas pela mão do homem”. No mesmo texto, publicado na revista “A Phenix”, o Padre Manuel Ernesto Ferreira sugeriu a criação de viveiros ou a sua colocação em jardins, pois segundo ele “a representação dos exemplares da flora indígena, ao mesmo tempo que seria um ótimo serviço à ciência, mostraria o bom gosto de quem a fizesse e significaria também um ato de veneração e respeito pelo passado”.
Hoje, fruto dos estudos desenvolvidos na Universidade dos Açores e da pressão exercida pelas associações não-governamentais de ambiente, com destaque para a Quercus e para os Amigos dos Açores, existe uma maior consciência ambiental por parte de um setor, infelizmente restrito, da população e alguma, menos do que a desejada, dinâmica conservacionista por parte de algumas entidades oficiais.
De entre as incitavas daquelas associações destaca-se um abaixo-assinado, lançado em 1990, que apresentava a situação preocupante em que se encontrava a flora autóctone dos Açores e propunha aos órgãos de poder nacional e regional, a criação de um plano de emergência para a salvaguarda da vegetação natural dos Açores,
Entre as medidas positivas que desde algum tempo têm sido implementadas, destaca-se alguma aposta na propagação e plantio de espécies da flora açoriana e a criação do Jardim Botânico do Faial que foi inaugurado, em 1990, precisamente no Dia Mundial da Floresta.
As comemorações anuais do Dia da Floresta só fazem sentido se, a par das plantações que devem ser bem pensadas para que as árvores não tenham que ser decepadas poucos anos depois por não serem adequadas aos espaços, se entretanto não tiverem morrido de sede no verão seguinte, no referido dia ou nos anteriores houver uma reflexão sobre a importância das árvores que não se esgota na produção de madeira e de outras matérias-primas.
Termino com uma citação de Ernesto Bono: “Plante uma árvore sim, mas não para garantir isto e aquilo; plante uma árvore, ou mais de uma, plante todas as árvores do mundo, mas simplesmente por carinho à árvore e por amor à natureza. E se não plantar, deixe então que a natureza se plante a si mesma”.
Teófilo Braga
21 de março de 2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
A árvore na revista “O Vegetariano”
A árvore na revista “O Vegetariano”
“O naturismo tem por base o culto da árvore” (Celso Xavier)
Na passada segunda-feira, a Fundação do Jardim José do Canto organizou uma Festa da Árvore e na próxima semana teremos um dia a ela dedicado, o Dia Mundial da Floresta.
No texto de hoje vou socorrer-me da revista “O Vegetariano”, publicada em 1914, por parte da Sociedade Vegetariana de Portugal, para dar a conhecer a importância da árvore para os seguidores daquele regime alimentar.
A revista “O Vegetariano”, dirigida pelo Dr. Amílcar de Sousa (1876-1940), médico especialista em doenças de nutrição, licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, tinha como lema “Integrai-vos nas práticas salutares da Higiene Natural e gozareis cem anos de vida sã” e a Sociedade Vegetariana de Portugal tinha como fins “criar cursos de instrução popular e educação cívica, diurnos e noturnos, onde por meio de preleções se espalhem e vulgarizem os princípios da alimentação vegetal, suprimindo o morticínio antilógico e desnecessário de animais, favorecendo e enaltecendo a abnegação por amor da humanidade, da pátria, da família, do próximo e caridade para com os animais, combatendo o alcoolismo, o tabaco, os vícios e os erros, em geral, espelhando temperança nos hábitos e a morigeração dos costumes”.
Em janeiro, a revista “O Vegetariano”, através de um texto assinado por C. Brandão, saúda o surgimento, em Lisboa, da Associação do culto da árvore” que visava “tanto proteger a floresta como o pomar” e incita “ os naturistas a se inscreverem na associação, apresentando entre outros os seguintes argumentos: “É fora de dúvida que a árvore, pelas suas raízes, pela sua madeira, pelas suas folhas, exerce uma ação benéfica nas terras, nas indústrias, no clima. Porém, acima de tudo – para nós, naturistas- há o fruto que nos garante a saúde do corpo e da alma, a depuração do indivíduo e da raça.”
No mês de março, José Fontana da Silveira (1891-1974), escritor que se distinguiu pelos livros para crianças que publicou, traduziu um texto de André Fleuriet, onde este sobre a árvore escreveu o seguinte: “ Uma árvore bonita é um prazer para os olhos, e milhares de árvores constituem o bosque, manto de terra e riqueza dum país! Um país que não tem árvores é um país morto!...Quem planta uma árvore é um benfeitor da humanidade; quem as destrói inutilmente é um criminoso”.
No mês de outubro, a revista dedica um curto texto a elogiar o livro “O Culto da Árvore” da autoria de Manuel Vieira Natividade (1860-1918), historiador, arqueólogo, etnólogo e poeta de Alcobaça. Segundo o Dr. Amílcar de Sousa, o livro, “escrito para a festa das crianças da sua terra, é um dos mais perfeitos e úteis elogios à árvore que tenho lido”, onde o autor “esgotou o assunto sobre o valor comercial e cósmico, da árvore e do seu culto, felizmente posto em voga nos tempos de hoje como símbolo da alegria e fartura, de bondade e de bênçãos”.
Por último, no mês de novembro, o Dr., Amílcar de Sousa escreve um curioso texto intitulado “A única ginástica que convém aos homens é trepar às árvores”, onde confessa o seguinte: “Sei andar a pé, subir a árvores, encarrapitar-me nelas quando têm frutos e trepar cerros e penhascos abruptos. Sei qualquer coisa de ginástica natural e com ela tenho conseguido mais força e vigor que alguns sábios de afamados métodos.
Segundo o Dr. Amílcar de Sousa a “única ginástica valiosa e proveitosa é trepar ou subir às árvores” pois não fica nenhum músculo por ser exercitado, mas “para isso é preciso ter força e jeito, equilíbrio e mesmo ainda não ter perdido o feitio arborícola”.
Através do mesmo texto ficamos as saber que o autor não se ficava pelas palavras, como se pode confirmar através do texto seguinte: “Ainda ontem estive a comer figos numa figueira empoleirado. Que deliciosos eram…Com os pés sem sandálias, não escorregava dos ramos, com uma mão agarrava-me, com a outra levava os figos…à boca.”
Termino desejando boas plantações, a quem nunca o fez que experimente visitar um pomar e comer os frutos apanhados das árvores e, por último, que tenham muito cuidado com os trambolhões que poderão ocorrer com subidas às árvores.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30886, 16 de março de 2016, p. 12)
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terça-feira, 8 de março de 2016
A Festa da Árvore no Jardim José do Canto
A Festa da Árvore no Jardim José do Canto
“ O processo de aprendizagem com a terra, os animais e a “natureza” não pode ser frio e “científico”, tem de incluir o amor, a substância mágica do Universo” (Jack D. Forbes)
Este ano a Fundação do Jardim José do Canto, na sequência de outras iniciativas já desenvolvidas em matéria de educação ambiental, vai promover no próximo dia 14 de março uma Festa da Árvore que tem como objetivo geral dar a conhecer aos jovens micaelenses as árvores notáveis existentes no jardim.
Para além da plantação de espécies indígenas da Flora dos Açores e de espécies exóticas, haverá uma visita guiada “Roteiro das Árvores Notáveis do Jardim Botânico José do Canto”, para alunos do 2º e 3º ano do curso de Técnico de Recursos Florestais e Ambientais, da EPROSEC (Escola Profissional do Sindicato de Escritório e Comércio da Região Autónoma dos Açores, uma visita guiada “A importância das árvores notáveis do Jardim Botânico José do Canto para a afirmação de São Miguel no Turismo de Jardins”, para técnicos de turismo e outros interessados e um Peddy Paper “ As Árvores Notáveis do Jardim Botânico José do Canto e o Ensino da Física e da Química”, com alunos do 10º ano de escolaridade da Escola Secundária das Laranjeiras.
A atividade proposta pela Fundação do Jardim José do Canto, vai ao encontro do objetivo de “aumentar o conhecimento e a consciência ambiental e informar as pessoas a respeito da necessidade urgente de conservar as plantas “referido por Julia Willison na publicação “Educação Ambiental em Jardins Botânicos: Diretrizes para Desenvolvimento de Estratégias Individuais”.
De acordo com a publicação referida a existência de coleções de plantas vivas fazem com que todos os jardins botânicos, e o jardim José do Canto não foge à regra, sejam locais ideaias para o ensino “da incrível diversidade do Reino Vegetal; das relações complexas que as plantas desenvolvem com o meio ambiente; da importância das plantas em nossas vidas, em termos económicos, culturais e estéticos; das ligações entre as plantas e a população local e nativa; do meio ambiente local e seu contexto global; das principais ameaças que a flora mundial enfrenta e das consequências da extinção das plantas “.
No dia 14 de março as plantações far-se-ão sob a orientação do Doutor Raimundo Quintal e do Engenheiro Manuel Moniz da Ponte e os alunos serão acompanhados pelos seus professores/formadores, Engª. Lucília Agrela e Dra. Cátia Cardoso e por mim, no caso dos alunos da Escola Secundária das Laranjeiras.
No que aos alunos da Escola Secundária das Laranjeiras diz respeito, antes da visita terão acesso a uma curta biografia de José do Canto, cuja relação com a natureza, segundo Carlos Riley, se caracterizou ”sempre por interesses bastante mais científicos e racionalistas: explorar os campos segundo os princípios da emergente agronomia e ordenar, qual demiurgo do novo século, a natureza em parques e jardins ao gosto de uma sensibilidade estética caracteristicamente romântica”, bem como a um mapa do jardim com a localização das árvores notáveis que irão ser alvo das várias questões constantes do Peddy Paper.
Para responderem ao questionário do Peddy Paper e a duas questões suplementares os alunos terão de colher informação constante das placas identificativas de diversas plantas, ter lido a biografia de José do Canto, previamente entregue, possuir alguns conhecimentos básicos da flora e da fauna dos Açores e aplicar conhecimentos adquiridos nas aulas de Química, nomeadamente as noções de átomo, molécula e mole e de Física, como energia cinética, energia potencial, trabalho de uma força, forças conservativas e conservação da energia mecânica.
Para além do referido, será lançado o desafio que consistirá na medição da altura de uma árvore utilizando para tal um clinómetro rudimentar e uma fita métrica. Nesta tarefa os alunos terão de recorrer a conhecimentos básicos de trigonometria, como as noções de seno, de cosseno e de tangente de um ângulo.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30880 de 9 de março de 2016 p.14)
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quarta-feira, 2 de março de 2016
A Festa da Árvore em 1923
A Festa da Árvore em 1923
“Plantar árvores é não só amar a natureza. Mas ainda ser previdente quanto ao futuro, e generoso para com as gerações vindouras. Cortá-las ou arrancá-las a esmo, sem um motivo justo, é praticar um acto de selvajaria” (Alice Moderno, A Folha, 16/2/1913).
Através da leitura do discurso, do Dr. Jacinto Gusmão de Vasconcelos Franco, proferido na Festa da Árvore realizada na Escola Normal Primária de Ponta Delgada, publicado no jornal Correio dos Açores, no dia 20 de maio de 1923, tomei conhecimento de que a primeira festa da árvore ocorreu em Portugal, na primeira quinzena de março de 1908, por iniciativa da Liga da Instrução Pública.
Através de pesquisas efetuadas cheguei à conclusão de que o nome correto da organização promotora da Festa da Árvore foi a LNI-Liga Nacional da Instrução, instituição fundada em maio de 1906, por proposta de Trindade Coelho, que tinha como objetivos, segundo Sara Pereira, a promoção da educação nacional, e em particular da escola primária, o combate ao analfabetismo e a promoção da educação cívica, através da divulgação da Festa da Árvore.
De acordo com Sara Pereira e Inês Queirós, a primeira Festa da Árvore, iniciativa da LNI não se realizou em 1908 mas sim a 26 de maio de 1907, no Seixal. Depois, foi o jornal O Século Agrícola a impulsionar as Festas da Árvore realizadas entre 1912 e 1915.
A Festa da Árvore realizada, em 1923, em Ponta Delgada, deve a sua existência, segundo uma nota publicada no Correio dos Açores de 3 de maio de 1923, a uma portaria governamental que estabeleceu “que se realizasse em todos os estabelecimentos de ensino do país a Festa da Árvore, dentro do mês de abril, em dia escolhido pelas direções dos referidos estabelecimentos”.
Na festa realizada naquele ano na escola oficial de São José, depois de um discurso proferido pela professora Maria Evelina de Sousa, os alunos recitaram poesias e em seguida dirigiram-se à Praça 5 de outubro onde “brincaram alegremente em volta das árvores que ensombram aquele aprazível local”.
Maria Evelina de Sousa, militante republicana convicta, depois de elogiar o facto da realização da festa se dever ao “carinho generoso” que merece a educação popular por parte do “Governo da nossa Pátria”, passou a enumerar alguns benefícios das árvores para a Humanidade.
Segundo ela, há os seguintes benefícios “utilitários”:
“Purificadoras da atmosfera, dando aos animais o oxigénio de que necessitam os seus pulmões, absorvem ainda o carbono que tão prejudicial é à espécie humana.
São elas, as boas árvores, que defendem os povoados das avalanches produzidas pela acumulação da neve e dos gelos; são elas que diminuem e quebram a velocidade dos ventos e a impetuosidade dos ciclones; são elas que distribuem e atraem as águas tão úteis à agricultura; elas ainda que obstam à invasão das dunas e constituem os mais primitivos para-raios”.
Maria Evelina de Sousa não se ficou por estes papéis “utilitários”, também referiu no seu discurso à sua beleza, tendo mencionado que não se pode ignorar o facto de as árvores constituírem um dos maiores encantos da Natureza.
Passados tantos anos, tantas comemorações do Dia da Floresta, tantas aulas de ciências da natureza e de biologia, tantas sessões de plantação de árvores nas escolas e não só, não se percebe por que razão continua a árvore a ser tão maltratada, quer pelo cidadão comum, quer por responsáveis autárquicos ou governamentais.
Será que nos Açores, tal como acontece com outras maleitas, há muita gente a sofrer de dendrofobia?
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30874, 2 de março de 2016, p. 13)
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quarta-feira, 12 de março de 2014
Comemorações ...
A propósito das comemorações que se aproximam
No próximo dia 21 comemora-se o Dia Mundial da Floresta e no dia seguinte o Dia Mundial da Água.
A comemoração do primeiro dia da árvore iniciou-se em 1872 no estado do Nebraska, nos Estados Unidos da América, e expandiu-se para quase todo o mundo, tendo chegado a Portugal pela primeira vez em 1913. Mais tarde, foi estabelecido pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) a comemoração do Dia Mundial da Floresta, no dia 21 de Março, tendo o mesmo sido celebrado pela primeira vez, em Portugal, em 1972.
Por sua vez, o Dia Mundial da Água foi instituído pela Assembleia Geral da ONU e começou a ser comemorado a partir de 1993, de acordo com as recomendações constantes da Agenda 21, que nos Açores e não só nunca passou de letra de papel.
Neste momento, algumas entidades já estarão a elaborar os programas com vista à celebração daquelas datas. Assim, prevejo que no primeiro dia serão plantadas algumas árvores ou arbustos e no segundo serão distribuídos alguns folhetos a chamar a atenção para a escassez da água, sobretudo em África ou noutra qualquer região remota do Globo.
Como é hábito, não se costuma refletir sobre o que foi feito em anos anteriores, não se tirando, assim, lições do que falhou nem potenciando o que foi positivo. Assim, no que diz respeito ao dia da árvore vai-se continuar a plantar espécies em locais desadequados aos seus portes, vai-se continuar a plantar, sobretudo nas escolas, para abandonar as plantas no período de férias, acabando a esmagadora maioria delas por morrer.
Algumas autarquias vão continuar a fazer plantações nas bermas dos caminhos, sem fazerem caldeiras em redor das plantas, para depois estas acabarem por morrer vítimas das sedas ou das lâminas das roçadoras.
Já que fiz referência às autarquias, não podia deixar de mencionar a atitude arboricida que demonstram muitas delas e alguns serviços governamentais ao promoverem podas que transformam árvores bonitas e frondosas em postes telefónicos.
Perfeito disparate é importar, sem espírito crítico, algumas iniciativas que são implementadas noutras paragens, como por exemplo a instalação de ninhos artificiais, sem se ter estudado profundamente a necessidade dos mesmos. Com efeito, a instalação de ninhos para aves em zonas urbanas ou outras, não existindo nenhuma espécie com carência de locais de nidificação poderá ser contraproducente, pois poder-se-á estar a favorecer a propagação de uma espécie invasora, como é o pardal que, não sendo tonto, irá, quase de certeza, aproveitar a boleia.
Os atentados ao bom gosto e ao bom senso e ao património natural só são possíveis, entre outras, pelas seguintes razões:
- A grande massa das pessoas permanece apática face a todas as arbitrariedades e atentados cometidos por quem tinha a obrigação de atuar de outro modo;
- Os ditos responsáveis não seguem os pareceres técnicos ou não estão assessorados por técnicos devidamente preparados;
- Os responsáveis para além de não possuírem competências compatíveis com os cargos que desempenham não possuem a humildade democrática de ouvir opiniões idóneas;
- A educação ambiental, nos Açores, nunca foi uma opção assumida em pleno, sendo canalizada apenas para a camada etária mais jovem, a que estava em idade escolar;
- A educação ambiental foi desvirtuada e quase sempre substituída pela educação científica, isto é limitou-se ao ensino da componente biológica do ambiente;
- Apesar do referido, algum esforço que houve na promoção da educação ambiental foi, nos últimos anos, completamente colocado de parte pelas entidades que a deviam implementar.
Como considerações finais, aproveito para reafirmar o que tenho dito e escrito em várias ocasiões: embora seja importante não esquecer as comemorações desta ou daquela efeméride, o que verdadeiramente interessa é educar pelo e para o ambiente todos os dias. Além disso, não basta comemorar por comemorar, é importante não deseducar, como é o caso da plantação de árvores ou arbustos a cinco centímetros de paredes, a construção de ninhos para espécies que competem com as nativas dos Açores ou o lançamento de balões que não ficam na estratosfera até ao fim dos tempos.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30297, 12 de Março de 2014, p.11)
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