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domingo, 9 de junho de 2019

ÁGUA RETORTA- SALTO DO PREGO-SANGUINHO- FAIAL DA TERRA


ÁGUA RETORTA- SALTO DO PREGO-SANGUINHO- FAIAL DA TERRA


Ponto de Partida - Parque Florestal de Água Retorta

Ponto de Chegada - Burguete (Faial da Terra)

Extensão- 7,5 km (aprox.)

Duração- 2,5 h (aprox.)


O percurso pedestre inicia-se no Parque Florestal de Água Retorta, uma Reserva Florestal de Recreio, localizada no Mato Simão. Este parque, cuja instalação remonta ao ano de 1987, ocupa uma área aproximada de 15 ha, sendo de realçar a presença do pinheiro manso (Pinus pinea), cipreste (Cupressus sempervirens), aurucária (Auracaria excelsa), carvalho (Quercus robur) e castanheiro da índia (Aesculus hippocastanum).

O segundo posto localiza-se junto a um antigo moinho de água. Aqui, a Ribeira do Faial da Terra, encontra-se envolta de inúmeras espécies de plantas, de entre as quais se destacam eucaliptos (Eucalyptus globulus), acácias (Acacia melanoxylon), incensos (Pittosporum undulatum) e conteiras (Hedychium gardneranum).

Após percorrida uma extensão de aproximadamente 4 km, desde o segundo posto, chega-se ao Salto do Prego, uma linda queda de água na ribeira do Faial da Terra. Neste local aprazível, é frequente observar algumas espécies da avifauna açoriana, como por exemplo o melro negro (Turdus merula), o tentilhão (Fringilla coelebs), o santantoninho (Erithacus rubecula), a alvéola (Motacilla cinerea patriciae) e o canário-da-terra (Serinus canaria).

No Sanguinho, assim chamado, segundo cremos, devido à presença da planta endémica da Madeira e dos Açores denominada sanguinho (Frangula azorica), avistam-se quintas com várias espécies de árvores de fruta, como araçaleiros (Psidium littorale), pessegueiros (Amygdalus persica), macieiras (Malus domestica), laranjeiras (Citrus sinensis), bananeiras (Musa sp.), abacaxis (Ananas comosus), etc.

A emigração dos anos sessenta do século passado, os maus acessos, a dificuldade de chegar à escola e à igreja, a ausência de conforto (devido essencialmente à falta de água canalizada) foram as causas próximas da desertificação humana deste lugarcom cerca de 20 casas que chegaram a albergar quase 200 pessoas.

O trilho termina no Burguete. Neste local encontra-se um “Teatro” do Espírito Santo, cuja construção data de 1908, bem como um dos seis moinhos de água da freguesia do Faial da Terra, que esteve a funcionar até ao final da década de 90 do século passado. Actualmente está prevista a transformação do referido moinho num espaço museológico.

Teófilo Braga
Terra Nostra, 261, 27 de maio de 2005

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Percurso Pedestre da Ribeira do Faial da Terra



Percurso Pedestre da Ribeira do Faial da Terra


Este percurso, que tem início na freguesia de Água Retorta, localiza-se, na sua maior parte, na freguesia do Faial da Terra, na costa Sul da ilha de São Miguel, a cerca de 5 km, a Este, da vila da Povoação.

Trata-se de um trilho linear, com cerca de 7 km de extensão, estando classificado com o grau de dificuldade médio.

Antes de iniciar o trilho recomenda-se uma visita ao Parque Florestal de Água Retorta, uma Reserva Florestal de Recreio criada pelo Decreto Regulamentar Regional nº 19/2003/A. A sua inauguração ocorreu a 9 de Julho de 2000, em cerimónia presidida pelo Presidente do Governo Regional dos Açores. No parque é de destacar a presença de algumas plantas endémicas como o cedro-do-mato, a ginja, o louro e o folhado. Para além destas, é de realçar a presença do pinheiro manso, do cipreste, da araucária, do carvalho e do castanheiro-da-índia.

O percurso inicial faz-se por um caminho de terra até se encontrar um antigo moinho de água. Junto ao moinho, a vegetação é luxuriante, distinguindo-se a presença de eucaliptos, acácias, incensos e conteiras.

Neste local e em quase todo o percurso é possível observar algumas espécies da avifauna local, como melros-negros, alvéolas, tentilhões, pombos torcazes e santantoninhos. Embora com maior dificuldade, também, é possível observarmos o coelho, espécie introduzida pelos primeiros povoadores e o morcego dos Açores.

A seguir ao moinho o percurso faz-se no interior de uma mata de criptoméria e de alguns incensos. Ao longo do trilho existem várias pontes de madeira construídas sobre pequenos afluentes que alimentam a Ribeira do Faial da Terra.

Continuando a caminhar em direção ao Sul chega-se ao trilho do Sanguinho. Aqui, o viajante tem as seguintes opções: vira à esquerda e desde um carreiro que o leva à bonita cascata do Salto do Prego ou continua a descer o trilho e um pouco mais à frente vira à direita e dirige-se ao Sanguinho.

Recomendamos uma descida até ao Salto do Prego, onde os mais corajosos poderão banhar-se nas águas frias mas límpidas da Ribeira do Faial da Terra. Aqui a vegetação não difere muito da que se encontra ao longo do trilho, mas é possível encontrar, junto à cascata, diversas espécies de fetos.

De entre as espécies de aves que se podem observar, destacamos a alvéola, uma ave que nunca foi perseguida pois dizia-se que era sagrada. Sobre esta espécie o padre vila-franquense Manuel Ernesto Ferreira escreveu o seguinte:

“Diz o povo micaelense: - Quando a Virgem Maria, fugindo à perseguição de Herodes, ia a caminho do Egipto, amaldiçoou o tremoço e a codorniz e abençoou a arvelinha. Ao tremoço, que com o ruído das suas vagens sêcas, denunciava a passagem da fugitiva Senhora, deu-lhe esta como castigo não poder o seu grão encher barriga nem matar fome. À codorniz que, adeantando-se, parecia com a sua voz dizer cá vai aos agentes do rei cruel, condenou-a a voar sempre rasteira. Mas à arvelinha, que com sua cauda ia diligentemente apagando todas as pegadas, bendisse-a a Virgem em recompensa de tam santo cuidado.”

Depois da visita ao salto do Prego, recomenda-se a passagem no Sanguinho, assim chamado, segundo cremos, devido à presença da planta endémica dos Açores denominada sanguinho que foi reintroduzida recentemente. Aqui, para além do casario, que continua em recuperação, avistam-se quintais com várias espécies de árvores de fruta, como araçazeiros, pessegueiros, macieiras, laranjeiras e bananeiras.
Continuando o percurso, depois de uma descida bastante íngreme, chega-se ao Burguete, onde se encontra um “Teatro” do Espírito Santo, cuja construção data de 1908.
Recomenda-se um passeio pela freguesia que é considerada o “Presépio da ilha”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31313, 25 de agosto de 2017, p.10)