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quinta-feira, 20 de abril de 2017
quarta-feira, 30 de março de 2016
Alice Moderno e a Festa da Árvore
Alice Moderno e Festa da Árvore em 1914
Em texto anterior recordei o início das comemorações da Festa da Árvore em Portugal, em 1907, por iniciativa da Liga Nacional da Instrução, e divulguei o contributo da professora primária Maria Evelina de Sousa para a Festa da Árvore realizada na Escola de São José, em 1923, em Ponta Delgada.
Em 1914, em Ponta Delgada, as comemorações da Festa da Árvore contaram com o envolvimento das autoridades locais, como o governador civil que se interessou pela mesma, tendo nelas participado ativamente e a comissão administrativa de Ponta Delgada que as custeou.
Do programa das comemorações, constou uma reunião no palácio do Governador Civil, onde depois do discurso do governador, Dr. João Francisco de Sousa, houve uma preleção pelo Dr. Júlio Soromenho Romão dirigida às crianças sobre o significado da festa.
A seguir realizou-se um cortejo cívico por várias ruas de Ponta Delgada, onde foram plantadas árvores por alunos de várias escolas.
Para ficarmos com uma ideia da dimensão que terá tido o cortejo, a seguir indica-se algumas das entidades participantes: um piquete dos bombeiros voluntários, escolas do sexo feminino de São Roque, Arrifes, Relva, Fajã de Baixo, Fajã de Cima, Bom Despacho, duas escolas do sexo feminino da associação “O Século XX”, escolas do sexo masculino de São José, de São Roque, Fajã de Baixo, Arrifes, escola da Associação das Filhas de Maria, colégio Antero de Quental, colégio Lomelino, colégio Insulano, Escola Minerva, Colégio Manuel José de Medeiros, Escola Móvel, Escola de Desenho Industrial, Academia da Federação Operária, Associação dos Empregados do Comércio e Industrias, Filarmónica Lira de São Roque, Filarmónica Lira do Oriente, da Fajã de Baixo, Filarmónica Lira da Oliveira, da Fajã de Cima, Filarmónica Rival Outeirense, dos Arrifes, Filarmónica Rival das Musas e Filarmónica Lira Açoreana
Na Vila da Lagoa, a Festa constou de uma concentração das escolas da vila e das freguesias no Jardim da Câmara, seguida de cortejo cívico, plantação de uma árvore e discurso do professor José Furtado Leite, da escola masculina do Rosário
Alice Moderno para além de noticiar estas iniciativas e publicar uma reportagem no seu jornal “A Folha”, escreveu um texto intitulado “A Festa de Hoje”, que dedicou ao governador civil, Dr. João Francisco de Sousa, publicado no referido jornal, no dia 15 de março.
Depois de mencionar que a Festa da Árvore é celebrada em diversos países, Alice Moderno escreve que a mesma “tem muito principalmente razão de ser nos essencialmente agrícolas, como este, cujo solo privilegiado dá asilo a uma das floras mais completas de toda a Europa” e acrescenta “seja em que campo for que a exploremos, a terra portuguesa produz sempre, recompensa sempre ao agricultor os afetos com que a cultiva, enriquece e ornamenta”.
Sobre as virtudes da árvore, Alice Moderno apresenta um vasto conjunto de exemplos de que destacamos as seguintes:
“A árvore é a essência medicamentosa que fornecerá o alívio aos tormentosos males que cruciam a precária humanidade.
A árvore é a confidente discreta dos namorados e a desvelada protetora dos pássaros – esses poetas do ar.
A árvore é a maior riqueza da gleba, o maior tesouro dos campos e o maior encanto da paisagem!
A árvore é um dos fatores primos de várias indústrias, é o sustento da lareira, é o calor no inverno, como é a frescura no verão.
…
A árvore é a regularizadora da saúde, a mantedora da higiene, a fertilizadora dos campos, a amiga máxima do lavrador.
…
E quantas vezes é a árvore, o arbusto, a planta, a terra, enfim a alma mater, a amante fidelíssima, o refúgio supremo, a suprema consolação?!”
Palavras que ainda hoje não perderam a atualidade.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30897, 30 de março de 2016, p.13)
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terça-feira, 22 de março de 2016
segunda-feira, 21 de março de 2016
A Festa da Árvore
A Festa da Árvore
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A minha participação na Festa da Árvore, iniciativa da Fundação do Jardim José do Canto, consistiu na orientação de um “Peddy Paper “As Árvores Notáveis do Jardim Botânico José do Canto e o Ensino da Física e da Química”, destinado aos alunos da disciplina de Física e Química A, da turma B do 10º ano de escolaridade, da Escola Secundária das Laranjeiras.
Com esta atividade pretendeu-se que, para além de educar para a valorização do património natural e aumentar o conhecimento e a consciência ambiental, os alunos fossem capazes de aplicar os conhecimentos teóricos aprendidos nas aulas a situações da vida real.
Assim, através do Peddy Paper os alunos foram desafiados a responder, entre outras, a questões sobre a vida de José do Canto, a orientarem-se a partir de um mapa, a recordarem conhecimentos de Química e de Física e a medirem a altura de uma árvore, usando conhecimentos de trigonometria.
Os 17 alunos participantes reagiram muito bem à atividade, tendo alguns deles mostrado a sua enorme satisfação pelo facto de terem, pela primeira vez, colaborado na plantação de algumas espécies que foi coordenada pelo Eng.. Manuel Moniz da Ponte.
Sobre a atividade, uma das alunas, a Tânia Cabral, escreveu o seguinte: “uma das principais coisas num peddy paper é o trabalho de equipa e a atenção a todas as pistas que nos são dadas. Foi até uma visita divertida, pois muitos dos alunos preferem sempre coisas dinâmicas”.
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Todos os jardins botânicos têm uma função educativa aberta à comunidade, sobretudo aos mais jovens. A Fundação do Jardim José do Canto tem facilitado a entrada, sem quaisquer custos, a associações e a escolas para o desenvolvimento de atividades educativas. A título de exemplo, visitei pela primeira vez o jardim integrado num grupo da Associação Amigos dos Açores, em 2014, o Dia Mundial do Ambiente foi comemorado por duas turmas do 11º ano da Escola Secundária das Laranjeiras e têm sido realizadas várias visitas para turmas de diversas escolas profissionais.
A Festa da Árvore, se não estou em erro, foi a primeira iniciativa organizada, pela Fundação do Jardim José do Canto, após a atual fase de recuperação do Jardim, “no âmbito das suas responsabilidades em matéria de educação ambiental” e teve como objetivo “dar a conhecer aos jovens micaelenses as árvores notáveis que povoam o Jardim Botânico José do Canto”.
Desta louvável iniciativa destaco a diversidade do público-alvo que foi constituído por alunos da Escola Profissional do Sindicato de Escritório e Comércio da Região Autónoma dos Açores, por alunos do chamado ensino regular da Escola Secundária das Laranjeiras, técnicos de turismo, professores e outros interessados.
Como já foi mencionado, a Festa da Árvore teve como motivo principal as árvores notáveis existentes no jardim que pelas suas especificidades, isto é raridade, porte monumental ou morfologia singular, são uma das razões para uma visita dos naturais e residentes na ilha de São Miguel e um polo importante de atração turística.
Embora o Jardim José do Canto possua um conjunto de árvores notáveis que o distingue dos demais existentes em São Miguel, considero que o jardim vale pelo seu todo, isto é pelo conjunto do seu património natural e pela sua carga histórica.
Teófilo Braga
(Atlântico Expresso, 8593, 21 de março de 2016, de 21 de março de 2016, p.4)
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