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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

PÉROLAS A PORCOS - A gruta do Carvão


PÉROLAS A PORCOS

A GRUTA DO CARVÃO


No próximo mês, com o apoio da Secretaria Regional do Ambiente, uma delegação dos Amigos dos Açores irá participar no "X th International Symposiumon Volcanospeleology", onde apresentará alguns dos trabalhos desenvolvidos pela Associação, designadamente o IPEA- Inventário do Património Espeleológico dos Açores, a Base de Dados das Cavidades Vulcânicas dos Açores" e “A Gruta do Carvão Como Recurso Educacional”.

Conhecida desde o século XVI, a Gruta do Carvão é o maior tubo lávico da ilha de São Miguel e um dos mais importantes do arquipélago, com cerca de 5 km de extensão, tendo já sido explorados pelos Amigos dos Açores aproximadamente 1650 m. A Gruta do Carvão possui uma altura média na ordem dos 2 a 3 metros, havendo locais onde esta ultrapassa os 5 metros, e a sua largura é muito variável, atingindo valores superiores a 10 metros.

A Gruta do Carvão, sobretudo o troço compreendido entre os antigos Secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense e a Avenida Antero de Quental, tem sido muito visitada por espeleólogos nacionais e internacionais. Por decisão da Direcção dos Amigos dos Açores e do seu Grupo de Trabalho de Espeleologia, deixaram de ser feitas visitas guiadas para turistas enquanto não forem criadas as condições para que tal possa ser realizado com alguma dignidade e apenas se mantêm visitas, com carácter pedagógico- didáctico, destinadas sobretudo a grupos escolares.

O número de alunos dos mais diversos graus de ensino e das mais diversas escolas da ilha, do continente português e das comunidades de emigrantes tem vindo a crescer de tal modo que a associação tem tido dificuldade em satisfazer as solicitações, encontrando-se em estudo uma proposta de regulamento para as visitas de estudo de forma a limitar o seu número. A título de exemplo, refira-se que, no ano de 2001, 177 pessoas participaram nas cinco visitas realizadas e que, apenas no primeiro semestre deste ano, realizaram-se dez visitas, com um total de 334 participantes.

Pela sua localização, dimensões e estruturas vulcânicas que possui a Gruta do Carvão é a que maiores potencialidades turísticas e didácticas apresenta nos Açores.

Da sua riqueza natural, destacamos as estruturas conhecidas como “bolhas de gás” que são sectores da parede da gruta que “rebentaram” sob acção de gases acumulados no seu interior, as inúmeras estalactites, quer primárias (lávicas e em geral de forma cónica e superfície lisa), que resultam da solidificação de pingos de lava, quer secundárias, resultantes de fenómenos de alteração e deposição a partir das águas de escorrência que se infiltraram na gruta. Para além do referido, importa registar a presença de longos troços de balcões (ou bancadas) nas paredes da gruta, testemunho de antigos níveis de lava fluida que percorreram o interior do túnel, bem como a existências de lajes, morfologias do tipo aa, lava encordoada e injecções de lava muito fluida em zonas mais escoriáceas (tipo clinker).

Em 1994, no Primeiro Encontro das Instituições Museológicas dos Açores, realizado no Museu Carlos Machado, em Ponta Delgada, foi apresentada por João Paulo Constâcia, João Carlos Nunes e Teófilo Braga uma Proposta de Intervenção Museológica na Gruta do Carvão cujo objectivo passava pela sua classificação jurídica e pela sua abertura ao público assente num programa de intervenção museológica. Deste, faz parte a criação de um espaço expositivo exterior, que, localizado junto a uma entrada da gruta, inicie a visita, constituindo um centro de interpretação da temática vulcanológica e servindo de ponto de partida a diversas acções de dinamização pedagógica, de ocupação dos tempos livres e pólo de atracção turística.

Todo este potencial científico, turístico e educativo continua à espera que as mais diversas entidades, nomeadamente o Governo Regional dos Açores e a Câmara Municipal de Ponta Delgada, intervenham no sentido da sua recuperação e valorização. De promessas estamos fartos...

Bibliografia:

CONSTÂNCIA, J., NUNES, J., BRAGA, T., (1997), Proposta de Intervenção Museológica na Gruta do Carvão, Ilha de São Miguel, Ponta Delgada, Amigos dos Açores.

(Publicado no Açoriano Oriental, 2 de Setembro de 2002)


terça-feira, 30 de julho de 2019

Conservação da Natureza, para quando?


Conservação da Natureza, para quando?


Preocupação muito antiga e inicialmente associada à defesa das espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção, a conservação da natureza só terá assumido carácter organizado com o movimento dos “naturalistas”, nos Estados Unidos, por volta de 1872, ano em que foi criado o Parque Nacional de Yellowstone.
Em Portugal, o primeiro movimento organizado, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN), só surgiu em 1948 e desde então desempenha um papel fundamental na educação e sensibilização para a conservação da natureza, sendo esta, “entendida, hoje, como a gestão da Biosfera, de modo a que o homem utilize os seus recursos de forma perene, satisfazendo as suas necessidades sem degradar o património, natural e cultural, que é uma herança que não nos pertence, porque pertence às gerações do futuro”.

Para garantir um desenvolvimento sustentado é necessário que a política de conservação abranja todo o território e seja uma componente das várias políticas sectoriais, não sendo de descurar a criação de Áreas Protegidas. Nos Açores, as primeiras Áreas Protegidas, foram criadas em 1974 e, passados 25 anos, a esmagadora maioria continua sem planos de ordenamento, nunca teve Órgaõs de Gestão. Além disso, por força do estipulado no Decreto-Lei nº 19/93, de 23 de Janeiro, todas as áreas protegidas dos Açores aguardam a sua reclassificação.

Para além do referido, a região não possui uma Estratégia Regional de Conservação da Natureza e da Biodiversidade que promova a conservação das várias componentes da biodiversidade e os elementos da geologia, geomorfologia e palentologia, a utilização de modo sustentável dos recursos da biodiversidade e a partilha de forma justa dos benefícios que advém da utilização daqueles recursos. Sabendo-se que já esteve em discussão uma proposta de Estratégia Nacional de Conservação da Natureza que pretendia estabelecer linhas estratégicas para aplicação no todo nacional, gostaríamos de conhecer qual foi a participação do Governo Regional na elaboração da proposta em causa e se foi solicitada a colaboração da Universidade dos Açores.

É do conhecimento público que a Associação Ecológica Amigos dos Açores apresentou ao longo dos últimos quatro anos quatro propostas de áreas que deverão fazer parte da Rede Regional de Áreas Protegidas, a saber:

1- Zona do Pico das Camarinhas - Ponta da Ferraria, tendo em consideração diversos aspectos, designadamente históricos, geográficos, geológicos, biofísicos, paisagísticos e sócio – económicos;

2- A Caldeira Velha, um local com aspectos únicos em toda a Região, possuindo interesse múltiplo: científico, paisagístico, turístico, recreativo e cultural, sendo, além disso detentora de motivos abundantes para o ensino da Geologia, Vulcanologia, História Natural, Botânica e Zoologia, que podem ser devidamente explorados e desenvolvidos.

3- Lagoas do Congro e Nenúfares, dado o valor paisagístico, a diversidade biológica e a singularidade da geologia do local que atribuem ao mesmo uma grande importância científica, pedagógica e de lazer e um acentuado potencial turístico.

4- Gruta do Carvão, o maior tubo lávico da Ilha de S. Miguel e um dos mais importantes do arquipélago como Monumento Natural Regional.

Atendendo a que os locais referidos estão perfeitamente enquadrados nos princípios gerais da legislação que a nível nacional regulamenta a classificação das áreas protegidas, não se percebe a razão pela qual ainda nada foi feito naquele sentido.

Aceitamos que tal não seja considerado prioritário em termos do programa do Governo Regional dos Açores, o que não podemos admitir é que se abandone as nossas Áreas Protegidas com a desculpa da necessidade de investir na Rede Europeia Natura 2000 que, não temos dúvida, é um importante instrumento de conservação da natureza pois visa a gestão e a conservação in situ das espécies faunísticas e florísticas e dos habitats mais importantes na União Europeia.

Teófilo Braga

(Açoriano Oriental, 12 de Fevereiro de 2001)


quarta-feira, 10 de julho de 2019

GRUTA DO CARVÃO- UMA PROMESSA QUE URGE CUMPRIR



GRUTA DO CARVÃO- UMA PROMESSA QUE URGE CUMPRIR

Ao pobre não prometas…

Na primeira metade da década de oitenta do século passado, incentivado pelo Dr. George Hayes e com a sua imprescindível companhia e de outros amigos e familiares, iniciámos a exploração de grutas vulcânicas da ilha de São Miguel, entre elas a Gruta do Carvão.
Após aquela data e quase até hoje, temos investido muito do nosso tempo naquela cavidade vulcânica, através do seu estudo, da inventariação da sua riqueza em termos de estruturas, no acompanhamento de dezenas de visitas de estudo com alunos de diversas escolas, na elaboração de uma proposta de classificação da mesma como área protegida, em trabalhos de limpeza de que resultaram a retirada de algumas toneladas de lixos e entulhos, etc.
Em ofícios recebidos pela Associação Amigos dos Açores, da qual fomos presidente da direcção, o então Secretário Regional da Habitação e Equipamentos, Dr. José Contente, comunicou que, após a construção do abrigo de acesso situado na “Variante à ER 1-1ª em Ponta Delgada, Trecho Nó de São Gonçalo - Aeroporto” entregaria a posse útil do mesmo à Associação Amigos dos Açores.
Ainda na qualidade de presidente da direcção dos Amigos dos Açores efectuamos diligências, junto da Vice-Presidência do Governo Regional dos Açores, com a concordância da Senhora Secretária Regional do Ambiente, Dr.ª Ana Paula Marques, com vista a que aquela promessa fosse cumprida.
Já não tendo quaisquer funções de direcção nos Amigos dos Açores, tomei conhecimento que contrariando o que anteriormente estava acordado a actual tutela do ambiente não pretende cumprir o anteriormente prometido.
Hoje, desencantado com quem gere a coisa pública e com a chamada sociedade civil que está apática perante as injustiças e não participa, como seria seu dever, quer na denúncia de todas as irregularidades e mesmo ilegalidades, quer na construção de alternativas, pouco me resta senão continuar a exigir publicamente que o uso do abrigo de acesso da Gruta do Carvão seja cedido aos Amigos dos Açores.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, nº 418, p.23, 21 de agosto de 2009)

sábado, 29 de junho de 2019

Impactes Ambientais da Abertura ao Público de Grutas Vulcânicas



Impactes Ambientais da Abertura ao Público de Grutas Vulcânicas


O património geológico pode e deve desempenhar um papel fundamental como recurso para o ensino, nomeadamente da Geologia e da Vulcanologia, bem como contribuir para a formação de cidadãos conscientes, capazes de trabalhar em prol de um desenvolvimento sustentável.

A abertura ao público, tornando possíveis visitas a tubos ou algares vulcânicos com os mais diversos fins, nomeadamente educacionais ou turísticos, pode ser responsável por diversos impactes ambientais.

Os visitantes, para além de poderem deixar resíduos diversos, poderão destruir diversas estruturas geológicas, como estalactites e estalagmites. Nos Açores, sobretudo na ilha Terceira, onde há uma tradição de visita às cavidades vulcânicas é possível encontrar em grutas como a dos Balcões, a do Natal, a do Coelho e a das Agulhas restos de recipientes usados para transportar refeições e baterias eléctricas bem como observar diversas estruturas geológicas destruídas.

A introdução de sistemas de iluminação artificial poderá modificar as condições climáticas das cavidades, nomeadamente aumentar a temperatura, e alterar o seu ecossistema. Nos Açores, Paulo Borges e Fernando Pereira, numa comunicação apresentada em 2004) também, consideram que o decréscimo da densidade do artrópode endémico Trechus terceiranus no Algar do Carvão (ilha Terceira) está associado à utilização da luz artificial naquele algar.

Em casos de excesso de visitantes a concentração de dióxido de carbono poderá, também, sofrer aumentos significativos. Esta alteração poderá ameaçar a fauna cavernícola, sobretudo as espécies troglóbias, já que estas são muito sensíveis a pequenas alterações dos parâmetros ambientais.

Para minimizar alguns impactes, podem ser tomadas algumas medidas como limitar o período de visitação e o número de visitantes em cada visita, abrir ao público apenas alguns troços, em vez da luz branca utilizar iluminação cenográfica colorida, etc.

Como as soluções têm de ser diferentes para cada uma das cavidades vulcânicas sugere-se que sejam utilizados sistemas de monitorização das alterações climáticas provocadas pelos sistemas de iluminação e pelos visitantes e elaborados e implementados planos de gestão de todas as cavidades vulcânicas abertas ao público nos Açores.

No caso da Gruta do Carvão (Troço do Paim), algumas medidas preventivas foram tomadas, como é o caso do limite do número de participantes em cada visita que é de 15 pessoas, a iluminação em que se utiliza "luz fria", de baixa potência e que só é activada durante os períodos das visitas e a instalação, para breve, de um equipamento para monitorização da qualidade do ar interior, com medição de CO2, CO, Temperatura e Humidade Relativa.

Teófilo Braga

(Publicado no Jornal Terra Nostra, 23 de novembro de 2007)

terça-feira, 4 de junho de 2019

Gruta do Carvão


Gruta do Carvão

A Gruta do Carvão, o maior túnel lávico da Ilha de S. Miguel, está situada na zona poente da cidade de Ponta Delgada. Actualmente, é possível percorrer uma extensão de cerca de 1500 metros desta gruta, em dois troços separados. O troço mais a Sul estende-se ao longo de cerca de 600 metros, desde a Rua de Lisboa, junto aos antigos secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense, até ao cruzamento da Rua Pintor Domingos Rebelo com a Avenida Antero de Quental. A parte mais a Norte desenvolve-se para Noroeste dos depósitos de água da Câmara Municipal de Ponta Delgada., situados na Rua do Paim, em direcção à Rua da Saúde, na freguesia dos Arrifes.

A riqueza da Gruta do Carvão reside, sobretudo, na grande variedade de aspectos geológicos, estruturas e fenómenos típicos do vulcanismo que aí se podem observar. É o caso das “bolhas de gás” que correspondem a sectores da parede da gruta que “rebentaram” sob acção de gases acumulados no seu interior, ou a presença de fendas nas paredes e tecto da gruta, resultantes do arrefecimento da escoada lávica.

Do tecto da gruta pendem inúmeras estalactites, quer primárias (lávicas e, em geral, de forma cónica e superfície lisa), que resultam da solidificação de pingos de lava, quer secundárias (predominantemente irregulares, de tonalidade esbranquiçada e muito frágeis), resultantes de fenómenos de alteração e deposição a partir das águas de escorrência que se infiltraram na gruta. Estas águas de escorrência são também responsáveis por fenómenos de oxidação das rochas basálticas que formam a Gruta do Carvão, conferindo-lhes, em muitos locais, tonalidades avermelhadas ou alaranjadas junto às fendas e outros locais de infiltração.

Tal como é possível observar em outras grutas dos Açores e da Ilha de S. Miguel, na Gruta do Carvão estão presentes longos troços de balcões (ou bancadas) nas suas paredes, testemunho de antigos níveis de lava fluida que percorreram o interior do túnel.

De uma forma geral, as potencialidades da Gruta do Carvão podem ser repartidas em aspectos científicos, didácticos e turísticos. É reconhecida a importância desta gruta na interpretação de fenómenos vulcânicos e como local privilegiado para uma abordagem da temática vulcanológica. Em termos didácticos poderá constituir um excelente cenário para a dinamização de visitas de estudo e de acções de educação ambiental. Atendendo ainda à sua localização, imponência das estruturas geológicas, esta gruta vulcânica assume, também, um inegável interesse turístico.

Com o intuito de proteger esta notável formação espeleológica, os Amigos dos Açores- Associação Ecológica, apresentou, em 1997, à Direcção Regional do Ambiente, uma proposta para a classificação jurídica desta gruta, como Monumento Natural Regional. Passados quase sete anos, não aceitamos, por mais argumentos que nos queiram impingir, que a Gruta do Carvão não faça, ainda, parte da Rede de Áreas Protegidas dos Açores.

Bibliografia

CONSTÂNCIA, J., NUNES, J., BRAGA, T., (1998), Património Espeleológico da Ilha de S. Miguel- Grutas, Algares e Vulcões, Amigos dos Açores, Ponta Delgada.

Teófilo Braga

(Terra Nostra, 247, 12 de novembro de 2004)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (4)


A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (4)

Hoje, termino um conjunto de textos onde dei a conhecer o trabalho dos Amigos dos Açores em defesa da Gruta do Carvão, desde a criação da associação em 1984 até à abertura ao público do Troço da Rua do Paim
Após quase oito anos de espera, em 2005, a Gruta do Carvão foi classificada como Monumento Natural Regional, através do Decreto Legislativo Regional nº 4/2005/A, de 11 de Maio.
Entre Fevereiro de 2005 e Dezembro de 2006, decorreram as obras relativas à construção do edifício de acesso à Gruta do Carvão, sito à Rua do Paim – 2ª Circular à cidade de Ponta Delgada.
De Outubro a Dezembro de 2006, um grupo de voluntários membros dos Amigos dos Açores e familiares e amigos procederam a trabalhos de desobstrução e limpeza da Gruta do Carvão -Troço Paim. Na ocasião foram removidos do interior desta cavidade 22 toneladas de terras trazidas pelas águas de escorrência, pedras e resíduos introduzidos pelo Homem. Estiveram envolvidas nos trabalhos cerca de 50 pessoas, entre as quais as seguintes: Alice Afonso, António Barreto, António Medeiros, Arlinda Fonte, Cândida, Catarina Furtado, Diogo Caetano, Eduardo Almeida, Eduardo Santos, Eva Lima, Francisco Botelho, Frederico Cardigos, Goreti Sebastião, João Carlos Nunes, João Fontiela, João Manuel Vasconcelos, João Paulo Constância, Jorge Almeida, Jorge Silva, José Alfredo, José Carlos Santos, José Pedro Medeiros, Leonor Medeiros, Lúcia Ventura, Luís Noronha, Manuel Araújo, Manuela Livro, Maria Pereira, Mário Araújo, Mário Furtado, Norberto Carreiro, Nuno Ferreira, Osvaldo, Paulino Amaral, Paulo Garcia, Pedro Andrade, Pedro Nunes, Raul Valadão, Rodrigo Sousa, Rui Lopes, Ruy Ribeiro, Sara Medeiros, Teófilo Braga e Teresa Silva.
Não querendo destacar ninguém especial, pois considero que é através do trabalho coletivo e cooperativo que é possível alterar o mundo em que vivemos, registo a presença de Frederico Cardigos que na altura era Diretor Regional do Ambiente.

Como mencionei um Diretor Regional do Ambiente, seria injusto não referir o grande contributo do arquiteto Eduardo Mário do Val Mendes Carqueijeiro, que exerceu o mesmo cargo de 2001 a 2006 e que se destacou pela dedicação com que desempenhou o cargo, o seu apoio ao trabalho dos Amigos dos Açores não só para a recuperação da Gruta do Carvão e para a concretização de estudos espeleológicos mas também para a educação ambiental nos Açores.

No mesmo ano, a 30 de novembro, em Angra do Heroísmo, foi aprovado o Plano de Gestão da Gruta do Carvão- Troço do Paim. Neste ficou definida a organização das visitas e as regras a que todos os visitantes são obrigados a cumprir.

Em 2007, a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar anunciou a construção do “Centro de Interpretação e Receção de Visitantes” do Monumento Natural da Gruta do Carvão, na Rua de Lisboa, o qual até hoje não foi concretizado. No mesmo ano, a partir de Abril, o troço do Paim passou a estar aberto a visitas organizadas para escolas e grupos diversos e a partir de Agosto passou a estar diariamente aberto à visitação do público em geral.

Com a colaboração de “Os Montanheiros” entre 13 e 16 de Setembro realizaram-se os trabalhos de campo da campanha “Espeleo-Arcanjo 2007”, no âmbito da qual se procedeu à confirmação de acessibilidades à Gruta do Carvão/Paim na zona dos Arrifes, nomeadamente no Quartel dos Arrifes, “Loja do Madeira” e zonas vizinhas, tendo sido cartografados 130 novos metros desta gruta na zona da Rua da Saúde, na freguesia dos Arrifes.

Bibliografia

Amigos dos Açores, (2008). Estudos espeleológicos na ilha de S. Miguel e as potencialidades da Gruta do Carvão.

Garcia, P. (2008). Gruta do Carvão: Património Geológico da Ilha de São Miguel. Ponta Delgada: Amigos dos Açores-Associação Ecológica

(Correio dos Açores, 31410, 22 de dezembro de 2017, p. 14)

domingo, 10 de dezembro de 2017

A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (3)


A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (3)


Continuando a dar a conhecer os trabalhos desenvolvidos pelos Amigos dos Açores com vista à abertura da Gruta do Carvão ao público, hoje farei referência ao ocorrido entre 1995 e 2004

Em 1995, os Amigos dos Açores passaram a contar com uma parceria que deu excelentes frutos, a da Junta de Freguesia de São José. Foi no mês de Janeiro que, com a ajuda do Dr. Manuel Arruda, presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, a Junta de Freguesia de São José, presidida pelo Sr. Aguinaldo Almeida, sob a orientação dos Amigos dos Açores, iniciou os primeiros trabalhos de limpeza e desobstrução do troço da rua de Lisboa da Gruta do Carvão. Estes trabalhos de limpeza e desobstrução foram exemplares e pioneiros, pois para além de terem permitido a integração, pelo menos temporariamente, de alguns repatriados tornaram possível a circulação em todo o troço da Rua de Lisboa, numa extensão de cerca de seiscentos metros.

Em 1996, as obras da 2ª circular a Ponta Delgada afetaram o troço da Rua do Paim da Gruta do Carvão. Em várias visitas que fiz ao local falei com o Sr. Aguinaldo que, preocupado com a situação, manifestou todo o seu apoio aos Amigos dos Açores no sentido destes procurarem uma saída que tornasse possível a proteção da gruta. Assim, nos meses de Agosto e de Outubro do ano referido, a Junta de Freguesia de S. José, os Amigos dos Açores, alguns técnicos da Secretaria Regional da Habitação, Obras Públicas, Transportes e Comunicações e as empresas construtora e fiscalizadora da obra participaram em duas reuniões que tiveram por objetivo o estudo de medidas de salvaguarda da gruta e a garantia da acessibilidade à mesma, uma vez terminada a obra.

Em Agosto de 1997, representantes dos Amigos dos Açores, na presença do presidente da Junta de Freguesia de São José, encontraram-se o com o Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, tendo na ocasião oferecido o livro “Património Espeleológico da Ilha de São Miguel” e entregado um levantamento topográfico de pormenor e implantação da Gruta do Carvão na malha urbana, com vista à sua inclusão no PDM-Plano Diretor Municipal e no PGU-Plano Geral de Urbanização.

Em outubro de 1997, foi formalmente apresentada, à Secretaria Regional da Agricultura, Pescas e Ambiente, a “Proposta de Classificação da Gruta do Carvão como Monumento Natural Regional”. A proposta, para além de divulgada publicamente, foi dada a conhecer a diversas entidades, nomeadamente Presidente da Assembleia Legislativa Regional, Presidente do Governo Regional, Grupos Parlamentares da Assembleia Legislativa Regional, Secretaria Regional da Educação e Assuntos Sociais e Câmara Municipal de Ponta Delgada.

Depois de muitos pareceres e reuniões, em Março de 1998, a Direção Regional das Obras Públicas deu a conhecer, aos Amigos dos Açores, o Projeto de Execução do Acesso à Gruta do Carvão – Troço do Paim, a edificar nas proximidades da 2ª Circular a Ponta Delgada, o qual contemplou a maioria das sugestões apresentadas pelos Amigos dos Açores. A 5 de junho do mesmo ano, Carlos César anunciou a criação de um grupo de trabalho com a intensão de proceder à classificação de algumas grutas.

Em Março de 2000, através de expropriação de terreno foi declarada de utilidade pública uma parcela, para edificação de construção que garante o acesso à Gruta do Carvão – Troço do Paim. No mesmo ano, através do ofício 04684 da Secretaria Regional da Habitação e Equipamentos aquele departamento governamental comunica que irá “entregar a posse útil do acesso à gruta, à Associação Ecológica “Amigos dos Açores” após a conclusão do abrigo”

Entre 2001 e 2004 para além de muitas reuniões com a Secretaria Regional da Habitação e Equipamentos com o intuito de dar seguimento às obras subterrâneas iniciadas em 1998, na zona do Paim-2ª Circular foi emitido um parecer sobre o Projeto de Construção de Acesso à Gruta do Carvão – Troço do Paim.


Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31397, 6 de dezembro de 2017, p. 17)

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (2)


A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (2)

Hoje, no seguimento do texto publicado a semana passada, apresento um breve relato do ocorrido entre 1989 e 1994.

No ano seguinte, em 1989, a gruta do Carvão (os dois troços) voltou a ser visitada no âmbito de uma expedição científica em que participaram especialistas das Universidades de Edinburg (Escócia), La Laguna (Canárias) e Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, chefiados, respetivamente, por Nelson Ashmole, Pedro Oromi e Paulo Borges. Recordo aqui, que a visita ao troço do Paim, antes da construção do atual acesso, sempre foi possível graças à boa vontade do senhor António Belchior.

Em colaboração com a Associação “Os Montanheiros” e a Universidade dos Açores, os Amigos dos Açores, entre 9 e 29 de Agosto de 1990, implementaram os trabalhos de campo do Projeto “BIOSPEL-S. Miguel”, tendo na altura procedido à caracterização topográfica e geológica da Gruta do Carvão. Entre outros, participaram nestes trabalhos Fernando Pereira e Manuel Aguiar, membros dos “Montanheiros”, da ilha Terceira, João Cabral, João Carlos Nunes, Lúcia Ventura e Teófilo Braga.

No ano de 1991, foi criado, no seio dos Amigos dos Açores, o “Grupo de Trabalho de Espeleologia”, coordenado por João Carlos Nunes, o qual, durante muitos anos, estudou e visitou as diversas cavidades subterrâneas da Ilha de S. Miguel, com especial destaque para a Gruta do Carvão, tendo para esta gruta elaborado, entre outros documentos, uma proposta de musealização e uma proposta de classificação como área protegida. Para além do referido, o grupo fez o levantamento do património espeleológico da ilha de São Miguel, foi responsável pela edição do livro “Património Espeleológico da Ilha de S. Miguel- Grutas, Algares e Vulcões”, deu um contributo importante para a elaboração da Base de Dados sobre as Grutas e Algares dos Açores e para um Sistema Classificativo do Património Espeleológico dos Açores e alguns dos seus membros integraram o GESPEA- Grupo de Trabalho para o Estudo do Património Geológico dos Açores, desde a sua criação em 1998 até dezembro de 2008. Ao grupo inicial constituído por João Carlos Nunes, João Paulo Constância e Teófilo Braga juntaram-se mais tarde, entre outros, Diogo Caetano e Eva Lima.

Em 1992, trabalhos de saneamento básico da Câmara Municipal de Ponta Delgada destroem uma parte do teto da Gruta do Carvão, na rua Pintor Domingues Rebelo. Na altura, para além de intervenções na comunicação social, recordo uma reportagem publicada no jornal Açoriano Oriental no dia 22 de abril, onde João Carlos Nunes refere que um grupo de geólogos que visitaram a gruta estranhou “o facto de a gruta não estar aberta ao público”.

Na ocasião, Teófilo Braga, munido de algumas fotografias do interior da gruta deslocou-se à Câmara Municipal de Ponta Delgada com o objetivo de sensibilizar o seu presidente para a necessidade de salvar aquele património natural, tendo aproveitado a oportunidade para o convidar para uma visita. Foi recebido pelo presidente e pelo senhor Dourado. Este disse que tinha sido ele o responsável pela canalização dos esgotos da Escola do Carvão para a gruta e ao convite o presidente afirmou: “Não sou coelho”.

Também em 1992, foi elaborado um documentário sobre a Gruta do Carvão, salientando a sua importância turística, didática e científica, tendo sido apresentado no “I Encontro Internacional de Vulcanoespeleologia das Ilhas Atlânticas”, que decorreu em Angra do Heroísmo. Os autores do texto, Teófilo Braga e João Carlos Nunes, com o videograma pretenderam “colmatar a carência de material escolar no domínio da vulcanologia, promover a tomada de consciência de problemas ambientais e possibilitar a criação de novos comportamentos.”

Em 1994, foi elaborada uma “Proposta de Intervenção Museológica na Gruta do Carvão, ilha de São Miguel”, da autoria de João Paulo Constância, João Carlos Nunes e Teófilo Braga, a qual foi apresentada publicamente em Março, durante os trabalhos do “1º Encontro das Instituições Museológicas dos Açores”, realizado em Ponta Delgada, no Museu Carlos Machado. A proposta foi publicada, em 1996, pelo Museu Carlos Machado no livro “1º Encontro das Instituições Museológicas dos Açores” e no ano seguinte, pelos Amigos dos Açores, em separata do livro referido.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31392, 29 de novembro de 2017, p. 16)

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (1)


A Gruta do Carvão: memória dos primeiros tempos (1)

Nos dias 6 e 7 de outubro realizou-se, em Ponta Delgada, promovido pelos Amigos dos Açores – Associação Ecológica, o colóquio “10 anos de abertura da Gruta do Carvão ao público” que pretendeu fazer um balanço da experiência iniciada em 2007.

Durante o colóquio houve a apresentação de trabalhos técnicos e científicos, um espetáculo musical, e uma visita espeleológica. Convidado pelo presidente dos Amigos dos Açores, fiz uma comunicação onde recordei alguns marcos da luta pela abertura da Gruta do Carvão ao público, desde o ano da criação da associação até 2007.

A partir de hoje, dou a conhecer aos leitores do Correio dos Açores, o texto que serviu de base à comunicação referida.

De acordo com uma notícia publicada no jornal “Correio dos Açores”, de 24 de agosto de 2017, no ano de 2016, o Troço do Paim da Gruta do Carvão, cavidade vulcânica classificada como Monumento Natural, recebeu a visita de 20 720 (vinte mil setecentos e vinte) pessoas. Dos visitantes, segundo Diogo Caetano, presidente dos Amigos dos Açores-Associação Ecológica, cerca de 50% foram turistas estrangeiros, sendo os restantes foram turistas nacionais, visitantes locais e grupos que fizeram visitas gratuitas, no âmbito de visitas de estudo, nomeadamente de escolas.

Antes de entrar no tema proposto, quero dizer duas coisas: a primeira é que a iniciativa da classificação da gruta bem como da sua abertura e disponibilização para o ensino e para o turismo partiu da chamada sociedade civil, a associação de defesa do ambiente “Amigos dos Açores, que para tal recorreu ao trabalho voluntário dos seus dirigentes, associados e pessoas amigas; a segunda é que a infraestrutura que serve de acesso à gruta, sendo a possível, não é a desejável, estando ainda está por construir o prometido Centro de Interpretação Ambiental da Gruta do Carvão, à semelhança dos mais do que muitos que proliferam por esta região fora.

Embora a Gruta do Carvão seja conhecida desde os primeiros anos do povoamento da ilha de São Miguel, sendo muito divulgada a descrição da mesma por Gaspar Frutuoso e das cavidades vulcânicas daquela ilha terem despertado o interesse de ilustres visitantes estrangeiros, como George Hartung que, em 1821, visitou a Gruta do Carvão e John White Webster que, em 1921, descreveu uma gruta na zona dos Arrifes, a atividade espeleológica organizada, na ilha do Arcanjo São Miguel, só começou na década de 80 do século XX, por iniciativa dos Amigos dos Açores, associação fundada em 1984.

Embora a visita a grutas tenha começado logo após a criação da associação, foi no primeiro semestre de 1988 que ocorreu o seu estudo sistemático com o objetivo de enviar uma comunicação ao “5th International Symposium on Vulcanospeleology, que se realizou em novembro daquele ano, no Japão. Tal ocorreu a pedido do Dr. William Halliday, conhecido espeleólogo norte-americano que visitou a Gruta do Carvão, em 1980, a partir dos secadores da Fábrica de Tabaco Micaelense, tendo estimado o seu comprimento em cerca de 400 metros.

Em 1988, foram visitadas as seguintes cavidades: Gruta do Carvão (Rua de Lisboa), Gruta do Carvão (Rua do Paim), Gruta do Pico da Cruz (Pico da Pedra), Algar Batalha (Fenais da Luz), Gruta da Canada das Giestas (Rabo de Peixe), Gruta das Escadinhas (Ribeirinha), Algar da Ribeirinha, Gruta da Quinta Irene (Ribeirinha), Gruta das Arribanas (Arrifes), Grutas das Queimadas (Arrifes), Gruta da Soledade (Fajã de Cima), Gruta do Pico do Enforcado (Capelas), Gruta do Livramento, Gruta da Candelária e Gruta do Esqueleto (Ribeira Grande). Nas visitas referidas participaram, entre outros, Eduardo Pacheco Moniz, Francisco Botelho, George Hayes, Humberto Furtado Costa, João Luís Barreiro, João Vasconcelos, Lúcia Ventura, Manuel Resendes e Teófilo Braga.

A 8 de março de 1988, a primeira tentativa de percorrer a Gruta do Carvão- Troço da Rua de Lisboa, não foi bem-sucedida já que não foi possível ultrapassar o troço inicial que já havia sido iluminado artificialmente, pois a gruta estava obstruída com uma altura de mais de meio metro de areias. Mais tarde, o grupo voltou ao local e percorreu todo o troço da gruta, tendo para o efeito sido obrigado a rastejar durante algumas dezenas de metros.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31386, 22 de novembro de 2017, p. 13)