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segunda-feira, 9 de outubro de 2017
O voto dos animais
O voto dos animais
No concelho da Ribeira Grande, concorreram às eleições para a Câmara Municipal da Ribeira Grande quatro forças partidárias: O PSD- Partido Social Democrata, o PS – Partido Socialista, o BE- Bloco de Esquerda e a CDU- Coligação Democrática Unitária que junta o PCP – Partido Comunista Português e o PV- Partido Ecologista “Os Verdes”.
Após uma consulta aos seus “programas eleitorais” cheguei à conclusão de que apenas dois dos concorrentes apresentaram propostas relativamente à melhoria dos direitos dos animais no concelho, o PSD e o BE, o que não é má pois o tema em eleições anteriores nem era abordado.
O PSD, fazendo jus ao trabalho, embora insuficiente mas muito positivo, iniciado no mandato anterior, apresentou como propostas a criação de “um Programa Educativo de Sensibilização para o bem-estar animal, criando um espaço para atividades com animais”, a dinamização da “Casa dos Animais” com iniciativas que promovam a adoção de animais”, a continuação de “Campanhas de Esterilização e de Identificação de Animais” e o aumento do “valor do “Cheque Veterinário””.
O BE, que tem evoluído muito desde a sua fundação, sobretudo devido à sensibilidade dos seus militantes mais jovens, defendeu a “esterilização gratuita para animais de famílias carenciadas, animais adotados no município, e animais errantes”, a disponibilização de “cuidados veterinários a preços acessíveis para os animais de famílias carenciadas”, a “isenção do pagamento de licença e gratuidade na colocação do microchip” e propôs a recusa de “apoio institucional ou cedência de recursos para a realização de espetáculos com animais”.
Era de esperar a omissão do tema por parte da CDU, em virtude do conservadorismo do PCP em termos de abordagem de novos temas, ao seu apoio à tauromaquia em algumas regiões do continente português e ao pouco peso do partido “Os Verdes”, nos Açores. Em relação ao PS é de estranhar a omissão dado que há uma franja de militantes socialistas que é sensível à questão do bem-estar animal e aos direitos dos animais.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31351, 10 de outubro de 2017, p. 16)
domingo, 8 de setembro de 2013
Jogo Sujo
Vejam as tabelas constantes do texto publicado pelo Diário dos Açores.
Permitir candidaturas independentes que nunca poderão concorrer com os meios usados pelos partidos é fomentar uma "fraude".
É tudo um nojo.
Permitir candidaturas independentes que nunca poderão concorrer com os meios usados pelos partidos é fomentar uma "fraude".
É tudo um nojo.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
RAZÕES DA MINHA CANDIDATURA
Nasci na Ribeira
Seca de Vila Franca do Campo no seio de uma família de camponeses e lavradores.
Vivi a minha infância e juventude num meio bastante humilde, onde a pobreza
extrema afetava algumas famílias que foram obrigadas a emigrar em busca de uma
vida melhor.
Com 17 anos
assisti ao 25 de Abril que para além de ter determinado o fim de um regime
autoritário terá suscitado a esperança de uma vida melhor para todos. Na altura
pensava que os partidos políticos representavam diferentes classes, estratos
sociais ou ideologias políticas e que cada um à sua maneira procurava o melhor
para o país.
Pertenci a
partidos políticos, colaborei com outros na minha qualidade de independente,
nas eleições autárquicas votei na esquerda, no centro ou na direita, dependente
dos respetivos candidatos e neste momento encontro-me completamente desiludido,
pois cheguei à conclusão de que os partidos servem essencialmente os seus
dirigentes, que para além de procurarem protagonismo, servem-se do poder para
encontrar soluções para os seus problemas pessoais, os da sua família ou os dos
seus amigos.
Hoje, dou a cara
por uma candidatura independente à Assembleia Municipal de Vila Franca do
Campo, porque acho que a democracia, mesmo a representativa, não deve nem pode
ser exclusiva dos partidos que pela sua ação encontram-se desacreditados.
Também dou a
cara por Vila Franca do Campo porque considero que o concelho merece uma melhor
gestão, ao serviço dos munícipes e não dos caprichos de alguns.
Por acreditar
que a democracia só existe se houver a participação efetiva de todos em tudo o
que diz respeito à causa pública e como estou desiludido com todos os que se
dizem meus representantes, candidato-me, numa lista de independentes à Assembleia Municipal de Vila Franca do Campo, na certeza de que não quero representar
ninguém, mas sim ser a voz de todo os que me fizerem chegar as suas
preocupações e os seus anseios.
Vila Franca
merece melhor.
ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS
- Nasceu na Ribeira
Seca de Vila Franca do Campo, onde frequentou a respetiva Escola do 1º Ciclo.
- Frequentou o
Externato de Vila Franca, tendo sido o melhor aluno do 5º ano (atual 9º ano),
no ano letivo 1972-1973.
- É bacharel em Ciências Físico- Químicas/
Matemática, pela Universidade dos Açores.
- Possui o Curso de
Estudos Superiores Especializados em Administração Escolar (equiparado a
Licenciatura) pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho do Porto.
- É mestre em Educação
Ambiental, pela Universidade dos Açores.
-
Exerceu o cargo de Vice- Presidente do Conselho Diretivo da Escola Secundária
das Laranjeiras.
~Foi
presidente do Conselho Executivo, do Conselho Pedagógico e da Assembleia de
Escola da Escola Secundária da Ribeira Grande.
-
É professor de Física e Química na Escola Secundária das Laranjeiras.
-
Foi diretor da Agência Regional da Energia da Região Autónoma dos Açores.
-
Foi presidente da direção da Cooperativa de Consumo do Pico da Pedra.
-
Foi presidente dos Amigos dos Açores- Associação Ecológica.
- É membro de várias associações de defesa do ambiente e
dirigente de associações de Protecção dos Animais.
- É autor e coautor de
diversas publicações nas áreas da energia, do ambiente e do pedestrianismo, de
que se destacam alguns roteiros de percursos pedestres no concelho de Vila
Franca do Campo.
- Proferiu diversas comunicações em conferências e workshops,
algumas das quais promovidas pelas Escola EBI de Vila Franca do Campo e Escola
Profissional de Vila Franca do Campo.
- Na qualidade de membro dos Amigos dos Açores foi um dos
redatores da proposta de classificação das Lagoas do Congro e dos Nenúfares
como áreas protegidas.
- Foi e é colaborador de várias revistas e jornais, entre os
quais A Vila, Terra Nostra e Correio dos Açores.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Democracia moribunda
1- A escola não
educa
Durante grande parte da minha vida, acreditei que com o tempo a democracia,
instaurada com o golpe militar de vinte e cinco de Abril de 1974, se
aperfeiçoaria, que as gritantes desigualdades económicas e sociais se
esbateriam e que a escola seria um dos principais instrumentos para a
concretização do sonho de uma vida melhor para todos os seres humanos.
Hoje, passados trinta e nove anos, a minha desilusão é total e, tal como muitas
outras vozes que se têm manifestado, considero que a democracia representativa
está esgotada, que os partidos políticos, sem exceção, estão desacreditados,
que os cidadãos foram lenta e progressivamente levados, pelas elites que nos
têm governado, à apatia e ao descrédito.
Os partidos políticos que deveriam representar classes sociais, correntes
de opinião ou ideologias políticas descaracterizaram-se e hoje parecem-se mais
com autênticos sacos de gatos, de várias cores e raças, juntos quase e tão só para
satisfazer clientelas e para promoção pessoal de dirigentes, de familiares e
amigos chegados.
A escola com as diversas disciplinas que vai tendo, como Desenvolvimento
Pessoal e Social, Educação para a Cidadania, etc. poderia ter dado um
contributo para fazer com que a democracia representativa deixasse de ser
apenas a rotina periódica de votar ciclicamente em pessoas que por vezes não
têm quaisquer escrúpulos em prometer o que não podem cumprir, em não ouvir as
pessoas que dizem representar e em “roubar” o dinheiro de todos os
contribuintes.
Mas, ao contrário do que seria de esperar a escola pouco fez ou faz
porque mais não é do que o reflexo da sociedade e, se tal como sem
ovos não se fazem omeletes, também sem democratas convictos não se pratica a democracia.
Basta estarmos atentos aos acontecimentos dos últimos tempos para percebermos que
maus exemplos são transmitidos pelas escolas, desde associações de estudantes
que são correias de transmissão, a tomadas de posição de órgãos de gestão, que a
comunidade escolar toma conhecimento pelos órgãos de comunicação social, até à
existência de um órgão, a Assembleia de Escola, que não ausculta a opinião da
comunidade educativa e que não presta contas do seu trabalho a ninguém.
2- As eleições autárquicas em contexto de deseducação
Embora descrente, pois sinto que os meus representantes nunca cumpriram com
o que deles esperava e não querendo ser representante de ninguém, decidi
envolver-me nas próximas eleições autárquicas,
Pelos contatos que tenho tido com conhecidos e desconhecidos, tenho-me
apercebido de que, a par de um desinteresse generalizado por parte da grande
maioria que não acredita em ninguém, há pequenos grupos de pessoas que agem
como se os partidos políticos fossem clubes de futebol ou, pior do que isso,
fossem agências de emprego.
No que se refere a candidaturas ou candidatos, é possível assistir a um
pouco de tudo, de modo que a participação numa determinada lista não depende dos
projetos ou das ideologias das forças partidárias, mas dos previsíveis ganhos
pessoais que possam ser alcançados para si ou para familiares, dos conflitos
pessoais tidos com os cabeças das listas por que concorreram em eleições
anteriores ou mesmo pela ordem por que foram convidados.
Sobre este último ponto, convém esclarecer que as pessoas disponíveis são
muito poucas pelo que muitas delas já receberam convites por parte de todas as
candidaturas já anunciadas e de outras que irão surgir em breve, pelo que,
estando as cabeças vazias de projetos e de vontade de servir o bem comum, o
critério para a sua participação é o de aceitar o primeiro convite que
receberam.
A propósito de bem comum, parece que é objetivo que anda completamente
arredado da cabeça de muitos. A título de exemplo, conheço um candidato a
presidente de uma junta de freguesia que contatado por uma outra lista, depois
de agradecer o convite e de mostrar que se sentia honrado com o mesmo, declarou
que já havia sido abordado por outros, mas que estava à espera de saber o teor
do convite (ou melhor que cargo lhe seria oferecido), pois considerava que já
havia sido presidente da respetiva junta mas que a freguesia era muito pequena
pelo que o projeto não o motivava.
Como a pessoa referida surge como primeiro candidato à assembleia da freguesia
em causa, fico, sentado, à espera de saber que outra oferta lhe terá sido
feita.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 2847, 17 de Junho de 2013, p.
13)
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Há política para além do voto?
19 Setembro 2012
Em 1849, Proudhon, que foi deputado à Assembleia Nacional no seu país, escreveu que tinha ingressado naquele órgão com entusiasmo, o que tem qualquer principiante, e que fora assíduo, entrando pelas 9 horas da manhã e saindo ao anoitecer, “exaurido de cansaço e de desgosto”
Segundo ele, “absorvido pelas tarefas legislativas, perdia inteiramente de vista os acontecimentos do momento” e acrescentou “que só quem tenha “vivido naquela câmara de isolamento” podia “entender como, quase sempre, justamente os homens que mais completamente desconhecem a situação do país são aqueles que o representam”.
Não posso afirmar, categoricamente, se esta situação se mantém ainda hoje, mas pelas conversas que, esporadicamente, tenho mantido com alguns deputados, parece-me que não deve estar muito longe da realidade.
Preocupados com a “alta política”, muitos dos que dizem ser nossos representantes desconhecem, ou fingem desconhecer, a situação de penúria em que vive uma parte cada vez maior da população que, infelizmente, não se manifesta contra nada por ter sido “treinada” para estar calada, para estender a mão à caridade, para “roubar” a quem tem tão pouco ou um pouco mais do que eles.
Mas, tão grave como o desconhecimento é o silêncio que muitos deputados mantém perante os mais diversos temas. É porque não são os deputados escolhidos pelo seu partido para falar sobre o assunto. É porque não se informaram suficientemente e têm medo de por o pé na argola. É porque conscientemente ou pressionados estão ao serviço de interesses que não são o do bem comum. É porque têm receio de que as suas opiniões não sejam coincidentes com a “linha oficial” do partido. É porque vem aí as eleições e há que assegurar um bom lugar nas listas. É porque….
A propósito de listas, aqui apresento dois exemplos que gostaria que alguém me explicasse:
Que explicação, razoável para além da caça ao voto, existe para que o jornalista Pedro Moura (nada tenho contra o Pedro que sempre me deu tempo de antena no seu programa) esteja coloca do numa posição acima da do governante José Contente que já deu provas como político, goste-se ou não do que ele fez ou como o fez, partilhe-se ou não as suas ideias.
Como se explica a posição do deputado Rui Ramos na lista do seu partido? O seu desempenho ficou muito aquém do desejado?
Muito antes da campanha eleitoral ter começado ouvi várias pessoas a apelar ao voto no seu partido. A distração ou a ânsia de chegar à Assembleia Legislativa Regional dos Açores é tanta que um dos partidos políticos já tem vários painéis publicitários a pedir o voto aos eleitores.
Mais comedidos, alguns colegas professores, em conversa sobre a situação da região e sobre as previsões dos resultados das próximas eleições regionais, por diversas vezes, sabendo que costumo ser abstencionista, já apelaram para que, independentemente da minha opção, vá votar. O argumento é o do costume: se não fores votar os outros decidem por ti.
Que motivação tenho para votar se vou escolher alguém que já foi escolhido pelos “comités centrais” de todos os partidos?
Que motivação tenho para votar se o que vou fazer é sempre escolher o que eu penso que em determinado momento é o menos mau?
Que motivação tenho para votar quando sei que há pelo menos dois deputados que são eleitos com uma centena de votos?
É certo que, neste momento, ainda não decidi se vou deslocar-me a uma mesa de votos. Mas, custa-me muito responder afirmativamente ao pedido que me fazem e porquê?
Porque não admito que me peçam o voto quando depois dele nunca mais querem saber a minha opinião.
Porque não aceito que até hoje não se tenham criado mecanismos para os cidadãos participarem efetivamente na vida social e política da região.
Segundo ele, “absorvido pelas tarefas legislativas, perdia inteiramente de vista os acontecimentos do momento” e acrescentou “que só quem tenha “vivido naquela câmara de isolamento” podia “entender como, quase sempre, justamente os homens que mais completamente desconhecem a situação do país são aqueles que o representam”.
Não posso afirmar, categoricamente, se esta situação se mantém ainda hoje, mas pelas conversas que, esporadicamente, tenho mantido com alguns deputados, parece-me que não deve estar muito longe da realidade.
Preocupados com a “alta política”, muitos dos que dizem ser nossos representantes desconhecem, ou fingem desconhecer, a situação de penúria em que vive uma parte cada vez maior da população que, infelizmente, não se manifesta contra nada por ter sido “treinada” para estar calada, para estender a mão à caridade, para “roubar” a quem tem tão pouco ou um pouco mais do que eles.
Mas, tão grave como o desconhecimento é o silêncio que muitos deputados mantém perante os mais diversos temas. É porque não são os deputados escolhidos pelo seu partido para falar sobre o assunto. É porque não se informaram suficientemente e têm medo de por o pé na argola. É porque conscientemente ou pressionados estão ao serviço de interesses que não são o do bem comum. É porque têm receio de que as suas opiniões não sejam coincidentes com a “linha oficial” do partido. É porque vem aí as eleições e há que assegurar um bom lugar nas listas. É porque….
A propósito de listas, aqui apresento dois exemplos que gostaria que alguém me explicasse:
Que explicação, razoável para além da caça ao voto, existe para que o jornalista Pedro Moura (nada tenho contra o Pedro que sempre me deu tempo de antena no seu programa) esteja coloca do numa posição acima da do governante José Contente que já deu provas como político, goste-se ou não do que ele fez ou como o fez, partilhe-se ou não as suas ideias.
Como se explica a posição do deputado Rui Ramos na lista do seu partido? O seu desempenho ficou muito aquém do desejado?
Muito antes da campanha eleitoral ter começado ouvi várias pessoas a apelar ao voto no seu partido. A distração ou a ânsia de chegar à Assembleia Legislativa Regional dos Açores é tanta que um dos partidos políticos já tem vários painéis publicitários a pedir o voto aos eleitores.
Mais comedidos, alguns colegas professores, em conversa sobre a situação da região e sobre as previsões dos resultados das próximas eleições regionais, por diversas vezes, sabendo que costumo ser abstencionista, já apelaram para que, independentemente da minha opção, vá votar. O argumento é o do costume: se não fores votar os outros decidem por ti.
Que motivação tenho para votar se vou escolher alguém que já foi escolhido pelos “comités centrais” de todos os partidos?
Que motivação tenho para votar se o que vou fazer é sempre escolher o que eu penso que em determinado momento é o menos mau?
Que motivação tenho para votar quando sei que há pelo menos dois deputados que são eleitos com uma centena de votos?
É certo que, neste momento, ainda não decidi se vou deslocar-me a uma mesa de votos. Mas, custa-me muito responder afirmativamente ao pedido que me fazem e porquê?
Porque não admito que me peçam o voto quando depois dele nunca mais querem saber a minha opinião.
Porque não aceito que até hoje não se tenham criado mecanismos para os cidadãos participarem efetivamente na vida social e política da região.
Teófilo Braga
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