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terça-feira, 13 de agosto de 2019
Às Escuras
Às Escuras
No passado dia 7 de Julho, o GEOTA (Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e do Ambiente), Associação de Defesa do Ambiente de âmbito Nacional, enviou ao Ministro da Economia uma carta propondo 10 Medidas de Política de Energia. No documento em causa, aquela organização defendia que o sector energético só será sustentável se forem tomadas medidas no sentido de reduzir as necessidades energéticas, sem se perderem os níveis de conforto ou de produção de riqueza, se se tiver em conta a necessidade de minimizar os impactos ambientais das energias convencionais e se for feita uma aposta nas energias renováveis.
No mesmo sentido, a Associação Amigos dos Açores, no passado dia 1 de Outubro, numa carta dirigida ao Director Regional do Comércio Indústria e Energia, alertou para o facto de desde 1990 não terem sido tomadas quaisquer iniciativas públicas no domínio da sensibilização e incentivo à utilização racional da energia, dirigidas quer às famílias, quer às empresas.
Embora não tenha havido, até ao momento, qualquer reacção por parte da Direcção Regional que tutela o sector energético, acreditamos que o apelo e a proposta dos Amigos dos Açores não cairá em saco roto e que o Governo Regional dos Açores irá, a curto prazo, promover uma campanha de poupança de energia que terá vantagens para toda a Região, quer em termos ambientais, quer em termos económicos para os próprios consumidores individuais ou empresas.
A implementação de qualquer medida política, para o sector energético ou outro, não deve ser feita sem a participação da população e sem sabermos em concreto qual o nível de conhecimentos do sector que aquela possui. Apesar de pensarmos que alguns sectores da população, sobretudo os de maior escolarização, estão mais despertos para a problemática dos impactes ambientais inerentes às diversas actividades humanas, temos algumas dúvidas acerca dos conhecimentos que terá acerca do sector energético pois desde a campanha do “Clik Clube- A Grande Aventura da Energia”, que terá ocorrido há cerca de onze anos, nada mais foi feito.
Em Abril de 1990, no decorrer do 1º Encontro Regional sobre Energia, promovido pela Direcção Regional de Energia, foi apresentada uma comunicação intitulada “Opinião Pública sobre a Energia nos Açores”. Segundo as conclusões apresentadas pelo Eng. Francisco Botelho, autor da comunicação, o público dos Açores apresentava um grau de conhecimento do sector da energia inferior à média do todo nacional, desconhecendo o grau de dependência da Região face ao exterior, não se recordando (cerca de 90% dos inquiridos) de qualquer medida tomada nos últimos anos no sector e identificando economia de energia com o “radical deixar de consumir”.
Hoje, passada uma década, apenas nas escolas e em actividades de algumas associações de defesa do ambiente as questões energéticas são abordadas. Embora louváveis, aquelas iniciativas são insuficientes para que tenhamos um público bem (in)formado, capaz de entender os problemas e julgar e contribuir para as possíveis soluções. É preciso muito mais. É necessário e urgente que as acções pontuais sejam substituídas por outras de carácter permanente, é preciso apoiar as escolas e todas as organizações que estejam disponíveis para ajudar a formar os cidadãos.
Por último, não basta introduzirmos nos discursos o tão apregoado “desenvolvimento sustentável” quando nada se faz para que este o seja, ou, pior, quando se está a percorrer o caminho inverso, incentivando o desperdício e o crescimento a todo o custo. A este propósito escreveu o Professor Lebreton, da Universidade de Lyon:
“mesmo que o petróleo volte a correr a jorros, mesmo que as economias industriais se mostrem capazes de pagar o justo preço aos países fornecedores, ditos subdesenvolvidos, deveremos realmente a creditar que se tenham posto e resolvido os verdadeiros problemas? No entanto, há anos que os ecologistas denunciam o carácter suicida de uma expansão indefinida num mundo finito, de um empolamento que não poderá perpetuar-se por muito mais tempo, sem colocar irreversivelmente em perigo, a natureza, o ambiente e o próprio homem”.
Teófilo Braga
(Publicado no Açoriano Oriental, 5 de Novembro de 2001)
terça-feira, 25 de junho de 2019
Escola, Eficiência Energética e Energias Renováveis
Escola, Eficiência Energética e Energias Renováveis
Se é verdade que as escolas existem para educar e não para poupar energia com o seu funcionamento, também é verdade que é necessário que nas escolas haja poupança de energia não só por razões de ordem económica, mas também por razões ambientais e educacionais.
A compreensão dos impactos ambientais do uso da energia, por parte dos alunos e da restante comunidade educativa, é uma das componentes da educação ambiental e cívica que levada à prática através de pequenas alterações comportamentais poderá levar à poupança de cerca de 10% da energia consumida.
São inúmeros os projectos que poderão ser implementados pelos professores com vista a tratarem o tema energia. Neste artigo, faremos uma breve referência aos Programas Eco-escolas, Carbono Force e Concurso Solar Padre Himalaya.
O Programa ECO-ESCOLAS, que pretende promover acções que conduzam a um melhor desempenho ambienta, a uma melhor gestão do espaço escolar e a uma maior sensibilização de toda a comunidade, tem como temas base a água, os resíduos e a energia. No corrente ano o grande tema é o das alterações climáticas o qual está intimamente relacionado com a produção / consumo de energia, ao nível das causas, e com os temas da água e da biodiversidade, ao nível das consequências.
Tendo por objectivo, entre outros, por em prática políticas sustentáveis na área da energia e transportes com vista à redução das emissões de CO2, o projecto CARBON FORCE – Missão Possível pretende introduzir nas escolas, de forma integrada e prática, os seguintes temas: alterações climáticas; energias renováveis e eficiência energética; transportes / mobilidade sustentável e consumo eficiente de água.
As duas iniciativas referidas, a primeira da responsabilidade da ABAE - Associação Bandeira Azul da Europa e a segunda do Instituto do Ambiente e do Instituto Superior Técnico (IST), têm o mérito de envolverem professores, como o principal meio de veiculação de informação e os alunos, futuros decisores, que não são tratados como meros receptores passivos, já que poderão participar na identificação e na implementação de medidas de eficiência energética e colaboram em auditorias energéticas e no controlo do consumo das próprias escolas.
Por último, o Concurso Solar Padre Himalaya, iniciativa da Sociedade Portuguesa de Energia Solar que nos Açores tem sido apoiado pela ARENA- Agência Regional da Energia e Ambiente da Região Autónoma dos Açores, visa divulgar informação sobre energias renováveis junto das camadas mais jovens da população e promover a aquisição de hábitos de cidadania conducentes a um uso mais racional dos recursos energéticos do planeta, através do envolvimento dos jovens em actividades experimentais. De entre os materiais que podem ser construídos pelos alunos destacam-se relógios solares, painéis solares, fornos solares e carrinhos solares.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, 13 de abril de 2007)
segunda-feira, 28 de maio de 2018
Questões aos candidatos ao Conselho Executivo da Escola Secundária das Laranjeiras
Questões aos candidatos ao Conselho Executivo da Escola Secundária das Laranjeiras
No próximo dia 5 de junho realizar-se-á a eleição para o Conselho Executivo da Escola Secundária das Laranjeiras. Ao contrário do que geralmente tem acontecido, desta vez haverá duas listas concorrentes.
Sabendo que a vontade de fazer melhor, ou pelo menos diferente, é a intenção das duas candidaturas, só podemos saudar quem se candidatou, embora sabendo que se é possível introduzir algumas alterações, os constrangimentos, internos e exteriores à escola, serão tantos que muitas das boas intenções ficarão pelo caminho.
Concordo que faz falta uma sala de alunos fora do edifício da escola, para acabar com o ruído perturbador das aulas, mas trata-se de uma intenção ou promessa que já vem de longe, sem que tenha sido posta em prática e não vejo que o seja, numa escola que continuamente perde alunos, por razões naturais, diminuição da natalidade, e por culpa dos sucessivos governos que, em nome de uma suposta liberdade de escolha, não tomam medidas para que haja uma distribuição equitativa daqueles pelos três estabelecimentos de ensino oficial de Ponta Delgada.
Embora pudesse ter feito as questões, que a seguir farei, apenas às listas candidatas, achei por bem torná-las públicas, já que poderão ter interesse para toda a comunidade educativa da escola ou mesmo para o público em geral.
Vou começar por levantar uma questão que não foi abordada por nenhuma das candidaturas e que tem a ver com a ostentação da Bandeira Verde do Programa Eco-Escolas.
Considero que uma escola que ostente uma Bandeira Verde, para além de ter de cumprir os requisitos do referido programa, que deixam muito a desejar, por serem muito poucos, devia usar com parcimónia os seus recursos, nomeadamente a água, o papel e a energia.
Embora saiba que o atual Conselho Executivo tem feito algum esforço para a redução dos consumos de água e de energia, acho que se poderia ter ir muito mais longe, nomeadamente no que diz respeito à instalação de equipamento que evite o consumo e pagamento de energia reativa. Que medidas pretendem tomar para a diminuição do uso do papel e para eliminar o consumo de energia reativa?
As plantas existentes em espaços públicos têm, entre outras duas finalidades, embelezar os locais e produzir sombra que atenue o calor do Verão.
Na nossa escola há árvores que quase só produzem sombra quando não há alunos na escola e outras que nunca chegam a florir, devido a podas tardias, excessivas ou desnecessárias. Qual vai ser a vossa posição em relação ao assunto?
As escolas devem estar abertas à comunidade e a Escola Secundária das Laranjeiras tem sabido estar como provam os protocolos existentes com várias instituições e as atividades que outras realizam nas instalações escolares, nomeadamente nas suas salas de aula ou no refeitório.
Até ao momento, as várias instituições sem fins lucrativos ou que promovem iniciativas que não envolvem qualquer pagamento por parte dos participantes usam as instalações da Escola título gratuito. O exemplo que melhor conhecemos é o do Movimento da Escola Moderna, associação de professores e de outros profissionais da educação, que primeiro usava as salas de aula e que depois, devido ao crescente número de participantes, alguns docentes do quadro da própria escola, passou a usar o anfiteatro.
Gostaria de saber que política será seguida pelo novo executivo, no que respeita à cedência das instalações da Escola?
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31532, de 29 de maio de 2018, p. 12)
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terça-feira, 5 de setembro de 2017
O hidrogénio: mito ou elixir?
O hidrogénio: mito ou elixir?
Por diversas vezes, várias vozes, não só de ambientalistas ou ecologistas, têm alertado para o esgotamento dos combustíveis fósseis e para a necessidade do homem procurar alternativas para os mesmos, não só por causa da sua crescente escassez mas sobretudo para acabar com os impactos ambientais negativos do seu uso.
Um dos processos há muito tempo conhecido é o do uso do hidrogénio que, ao contrário do que comumente se pensa, não é uma nova forma de energia, mas apenas um intermediário entre as energias primárias, que podem ser fósseis ou renováveis, e a energia final, de tipo elétrico.
O uso do hidrogénio nos automóveis ou outros meios de transporte não é de agora. Com efeito, o jornal Correio dos Açores, no dia 7 de fevereiro de 1958, publicou um artigo intitulado “Um italiano afirma que a água substituirá a gasolina”, onde é referido que “o velho sonho de utilização da água como combustível dos motores dos automóveis parece, finalmente, estar a ponto de concretizar-se”.
Ainda segundo o mesmo artigo, o inventor italiano Pietro Fasoli “explicou que o motor se baseia num sistema que, por eletrólise, liberta o hidrogénio; o carburante necessário ao motor que idealizou”.
Muito antes da data mencionada o hidrogénio já era usado. Com efeito, em 1794, o primeiro gerador de hidrogénio terá sido construído em França e, em 1920, as primeiras células produtoras de hidrogénio foram comercializadas nos Estados Unidos.
O primeiro grande defensor do hidrogénio como alternativa às outras “formas de energia terá sido o cientista John Haldane que também teve o cuidado de apontar o principal entrave ao seu uso futuro. Assim, segundo ele, o grande obstáculo era o custo inicial elevado e as grandes vantagens seriam que com o tempo a energia seria tão barata, o mercado descentralizado e não haver produção de “cinza nem fumaça”.
Nos Açores, no início do presente século também se pensou na economia do hidrogénio, tendo estudos conducentes à sua produção sido iniciados, em 2001, pelo Laboratório de Ambiente Marinho e Tecnologia (LAMTec), localizado na Praia da Vitória (Ilha Terceira).
De acordo com uma notícia publicada no Correio dos Açores, cuja data precisa desconhecemos, mas do ano de 2008, o investigador da Universidade dos Açores, Mário Alves, previa que os Açores poderiam “estar, dentro de quatro ou cinco anos, a produzir 100 toneladas diárias de hidrogénio para consumo regional e exportação”. O mesmo investigador calculava que em vinte anos os Açores seriam não autossuficientes mas também exportadores de energia e acrescentava que na sua “estimativa, o arquipélago, dentro de 10 a 15 anos, será auto-suficiente ao produzir, para as suas necessidades, 30 por cento de energia geotérmica, 15-20 por cento de eólica, 5 por cento de hídrica e 50 por cento de hidrogénio”.
Depois do investimento de centenas de milhares de euros (?) da Região e de fundos europeus, deixou-se de falar no hidrogénio e não se conhece a razão por que não terá avançado o projeto.
Sobre o hidrogénio há quem tenha uma visão otimista, como Jeremy Rifkin que escreveu que “pode acabar com a dependência do petróleo, reduzir a emissão de dióxido de carbono e o aquecimento global, além de apaziguar guerras políticas e religiosas. O hidrogénio poderá se tornar o primeiro sistema energético democrático da história”.
Dale Allenm Pfeiffer, por seu lado, arrasa a economia do hidrogénio. Segundo ele “no melhor dos casos ela é ingénua, e no pior desonesta. Uma economia do hidrogénio seria na verdade uma coisa lamentável e paupérrima” e acrescenta “ao invés de desenvolver uma economia do hidrogénio, faz mais sentido — e fará sempre mais sentido — comprar um carro mais eficiente, usar transporte público, andar de bicicleta ou ir a pé.”
Que se pronunciem os especialistas e os governantes!
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31323, 6 de setembro de 2017, p17)
Saber mais: http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2017-07-02-O-futuro-da-mobilidade-com-automoveis-a-hidrogenio
Imagem: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/pilha-combustivel.htm
terça-feira, 29 de agosto de 2017
O minuto verde açoriano que não chegou a existir
O minuto verde açoriano que não chegou a existir
Na semana passada, escrevi sobre o projeto “Educar para a energia” que foi implementado, em 2008, por quatro alunos do Mestrado em Educação Ambiental da Universidade dos Açores.
No texto mencionado, referi que uma das componentes do projeto não foi concretizada, devido à doença de um dos alunos, o Veríssimo Borges, que acabou por falecer no dia 8 de outubro do referido ano. Contudo, apesar da doença que o acometia, o Veríssimo não se manteve parado e esteve a trabalhar na criação de algo semelhante ao que a Quercus produzia a nível nacional, desde 2006, a rubrica “Minuto Verde” e que se iria chamar “Um Minuto pelos Açores”.
Hoje, pretendo dar a conhecer parte dos sete textos elaborados pelo Veríssimo Borges que já tinha contactado para o efeito a Rádio Nova Cidade, da Ribeira Grande.
No primeiro texto, intitulado “As alterações climáticas já são o drama dos nossos dias”, o Veríssimo referiu-se ao facto de “na origem das alterações climáticas que estão a mudar o mundo em que vivemos e a hipotecar o futuro dos nossos filhos, estão as formas como produzimos e gerimos a energia que utilizamos no dia-a-dia” e deu a conhecer o que seria tratado na rubrica nos seguintes termos: “abordaremos temas ambientais e de cidadania, começando por nos centrar nas questões energéticas, não só nas vertentes de produção, mas principalmente na vertente da gestão equilibrada do consumo energético de cada cidadão, de cada família”.
No segundo texto “É preciso saber gerir os nossos recursos”, ao contrário do que os detratores costumam afirmar, não havia qualquer apelo ao regresso às cavernas, mas sim à arte de “poupar e gerir as nossas necessidades energéticas sem por em causa a qualidade de vida desejada”.
No terceiro texto “É preciso saber diminuir a conta da eletricidade” é feito um apelo à diminuição dos consumos elétricos, não só das máquinas existentes nas casas, mas sobretudo na iluminação. O texto terminava com a recomendação do uso de lâmpadas eficientes, pois “gerir a sua casa com economia é também, neste caso, proteger o Ambiente e o Planeta”.
No quarto texto “Será que as lâmpadas economizadoras têm efeitos ambientais colaterais negativos”, Veríssimo Borges, apesar de continuar a defender que as lâmpadas economizadoras eram a opção mais correta, não esconde que “tal como as lâmpadas fluorescentes normais, produzem uma luz branca crua e pouco “quente” que desagrada a alguns” e que “na área de resíduos, contendo pequenas quantidades de mercúrio, são classificadas como resíduos perigosos […] duram muito mais anos diminuindo a quantidade de resíduos produzidos, são relativamente compactas e difíceis de partir e irão merecer especial atenção da parte da gestão dos seus resíduos e reciclagem por parte dos responsáveis europeus e locais”.
No minuto quinto “Resumo da Semana” é anunciado que a Rádio Nova Cidade aos domingos iria fazer uma repetição dos minutos da semana (de segunda a quinta-feira), com a presença em estúdio de um ou dois elementos dos Amigos dos Açores/Quercus, havendo a possibilidade destes entrarem em diálogo com os ouvintes.
O sexto minuto “É preciso saber gerir os nossos recursos” é dedicado aos eletrodomésticos. Nele, Veríssimo Borges defende que “sem ser nosso objetivo abdicar de muitos destes eletrodomésticos podemos otimizar o seu custo por melhor utilização destes assim como pela aquisição de máquinas com melhor comportamento energético”.
No último minuto “É preciso saber comprar os nossos eletrodomésticos”, como o nome indica, o tema volta a ser o mesmo do anterior. Nele, para além da referência a como fazer uma boa compra, é recomendado o uso dos eletrodomésticos com eficácia e dá o exemplo de “só lavar com máquina cheia e abrir poucas vezes o frigorífico”.
Foi uma pena esta componente do projeto “Educar para a Energia” não ter avançado e uma “injustiça” profunda o Veríssimo não estar entre nós pois, embora não haja insubstituíveis, continua a fazer muita falta.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31317, 30 de agosto de 2017, p.16)
terça-feira, 22 de agosto de 2017
Educar para a Energia, um projeto que não teve continuidade
Educar para a Energia, um projeto que não teve continuidade
No ano de 2008, no âmbito do Mestrado em Educação Ambiental da Universidade dos Açores, existia uma disciplina intitulada “Projetos de Intervenção Ambiental” que tinha como docentes o Professor Doutor António Félix Rodrigues e o Professor Doutor Pedro González.
Tratava-se, como o nome sugere, de uma disciplina essencialmente prática, onde os mestrandos eram obrigados a criar e implementar projetos de intervenção junto das comunidades. Um dos projetos intitulou-se “Educar para a Energia” e foi implementado por Cláudia Tavares, Helena Primo, Teófilo Braga e Veríssimo Borges.
Embora já se tenham passado nove anos, as razões para a implementação do projeto permanecem atuais. Com efeito, a energia continua a ser um recurso indispensável para a vida, ao bem-estar dos cidadãos e ao desenvolvimento socioeconómico, de todas as sociedades e também continua a ser um forte fator de pressão ambiental. Além disso, continua a não existir um programa continuado de educação que promova o uso racional dos recursos naturais e a conservação da qualidade do ambiente e no caso da energia continua-se a dar ênfase à produção e esqueceu-se, quase por completo, a aposta na eficiência energética, combatendo a irracionalidade e o desperdício.
Relativamente à educação para a energia, a Região já esteve em melhor situação, quando possuía uma verdadeira rede de ecotecas, geridas pelas mais diversas associações, e quando possuía uma Agência Regional de Energia, que em pouco tempo muito fez em termos de sensibilização da opinião pública e de educação para um consumo mais eficaz dos recursos energéticos. Curiosamente tanto as ecotecas como a agência foram destruídas, pelo governo do mesmo partido político que as criou, sem ter sido feita qualquer avaliação ao trabalho desenvolvido.
No que diz respeito ao projeto “Educar para a Energia”, em menos de um ano, três dos seus membros estiveram envolvidos em diversas atividades ou promoveram outras que, com todo o gosto, a seguir darei a conhecer aos leitores do Correio dos Açores. Mas antes de o fazer, esclareço que um dos participantes do projeto, o Veríssimo Borges, por razões de saúde, não pode participar, mas esteve a preparar uma das componentes do projeto que não chegou a ver a luz do dia e que em próximo artigo divulgarei.
No que diz respeito aos produtos resultantes do projeto, destaco a publicação de um “Guião para uma Auditoria Energética às Escolas” que permitia a quantificação dos consumos, tornando possível a identificação das melhores opções para a melhoria do desempenho energético das escolas.
Para além do guião referido, salienta-se a edição da brochura “Viagem no tempo”, destinada a crianças com idades compreendidas entre os 8 e 11 anos de idade, onde foram abordadas, para além das energias renováveis, as alterações climáticas e a poupança energética.
Para os mais pequeninos, alunos do 1º e do 2º ciclo do ensino básico, foi editada uma monofolha sobre energia eólica, onde para além de ensinar a construir um moinho de vento, informava sobre as potencialidades do vento, a sua importância e utilização na produção de energia e, ainda, sobre as vantagens e desvantagens da energia eólica.
No âmbito do projeto foram implementados três ateliers de construção de carrinhos fotovoltaicos e fornos solares, dois na Escola Secundária das Laranjeiras, com a participação de 32 alunos, e um na Ecoteca da Ribeira Grande, com a participação de 19 alunos da Escola Básica Integrada Gaspar Frutuoso.
Também foram realizadas quatro sessões de esclarecimento sobre Energias Renováveis e Eficiência Energética, destinadas a alunos do 1º e 2ºciclos de várias escolas que contaram com a participação de um total de 107 alunos.
Hoje, os materiais editados já se encontram esgotados, mas a versão digital de alguns deles pode ser consultada na página dos Amigos dos Açores e no blogue do projeto (http://educarparaaenergia.blogspot.pt/).
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31311, 23 de agosto de 2017, p.16)
domingo, 9 de abril de 2017
quarta-feira, 8 de março de 2017
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Energia não é Ambiente
13 Fevereiro 2013
No passado mês de Setembro, realizou-se mais um Encontro Regional de Educação Ambiental e Eco-Escolas que, segundo a comunicação social teve por objectivos o enquadramento do programa eco-escolas, o lançamento de material pedagógico e a formação às escolas e ecotecas na área do ambiente.
Embora não tenha estado presente, pelas informações colhidas junto dos meus colegas professores, o encontro, talvez por razões económicas, não teve a pompa e a circunstância que tinham os primeiros Encontros Regionais de Educação Ambiental, que se realizavam apenas num local (ilha) e em que os participantes de outras ilhas tinham viagens, alojamentos e refeições garantidas pela organização. Os tempos são outros, não só os dinheiros são mais escassos, mas as prioridades também são outras. Com efeito, as grandes apostas têm sido noutras áreas da governação ou na construção de infraestruturas (betão) ligadas às Áreas Protegidas.
De qualquer modo, o número de inscritos rondou uma centena de pessoas e para além destes, ainda, estiveram envolvidos mais 40 pessoas ligadas à organização, aos oradores e membros da Rede Regional de Ecotecas.
Há uns anos, quando a gestão das Ecotecas estava a cargo das ONGA – Organizações não-governamentais de ambiente, havia quem dizia que aquelas mais se pareciam com “ecotocas” pois as pessoas que lá trabalhavam estavam muito fechadas nos seus espaços e o que era necessário fazer era com que saíssem e trabalhassem fora das sedes, nomeadamente nas escolas e noutros espaços frequentados pelos jovens. Penso que tal desiderato foi conseguido e tal aconteceu até ao “despejo” das ONG e a passagem das ecotecas para o controlo (in)directo da Secretaria Regional que tutela o ambiente, através da empresa AZORINA. Com a mudança de gestão, acabaram-se as “ecotocas” e as ecotecas, se não acabaram na prática, passaram à semiclandestinidade, com grandes prejuízos para a educação ambiental, nos Açores.
Um facto que surpreendeu muita gente foi a não realização de uma actividade relacionada com a energia por falta de interessados. Com efeito, considero tal ocorrência perfeitamente normal pois para a esmagadora maioria das pessoas, ambiente é apenas resíduos sólidos, plantas e animais, excluindo os humanos que são os grandes corresponsáveis pelo que está bem e pelo que de mal existe neste planeta.
Habituados a viver permanentemente com o vector energético electricidade nas suas casas e locais de trabalho que é “limpinho” e ignorando os transportes, a maioria das pessoas desconhece que nos Açores o consumo de energia é essencialmente de fontes fósseis e que a queima de os combustíveis fósseis é responsável por problemas ambientais como a degradação da qualidade do ar em muitas cidades, as chuvas ácidas, o aquecimento global e a contaminação dos oceanos.
Este desconhecimento é potenciado pelo facto das notícias que os órgãos de comunicação social divulgam, propositadamente ou não, confundirem produção e consumo de energia com produção e consumo de energia elétrica. Assim sendo, no caso dos Açores, parece que vivemos no melhor dos mundos pelo que não temos de nos preocupar com a energia.
A situação era assim, pelo menos até há pouco tempo. Com efeito, não pela tomada de consciência de que se desperdiçava energia, a torto e a direito, sem a produção de qualquer riqueza, mas pelo facto das autarquias e das famílias estarem a passar por dificuldades financeiras, as primeiras porque esbanjaram em festas e festarolas e as segundas, a maioria, devido ao desemprego e a reduções salariais, começou a haver poupança no consumo de eletricidade.
No caso das autarquias, penso que na esmagadora maioria, se antes consumiam eletricidade como se todos os dias fossem Natal, passaram quase para o extremo oposto, isto é cegamente começaram por apagar tudo ou quase tudo o que iluminava. A sociedade, por sua vez (mal) habituada reagiu mal (e nalguns casos bem) e passou a responsabilizar a falta de luz pelos furtos e roubos que nunca pararam.
É tempo de se pensar a sério no assunto energia e ter em consideração que não basta encarar a poupança de energia como uma penitência a fazer apenas na quaresma, ou no período das vacas magras, para tudo voltar a estar como antes ultrapassado aquele período.
É tempo de se pensar em ultrapassar a crença de que, no caso da energia tal como noutros, as soluções técnicas e científicas são mais do que suficientes para resolver problemas, não sendo necessário alterar estilos de vida ou modelos de organização social.
Autor: Teófilo Braga
Fonte: Correio dos Açores
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Centrais Hidroeléctricas da Ribeira da Praia (São Miguel)
Vídeo produzido pela Escola Secundária das Laranjeiras
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