sexta-feira, 3 de abril de 2026

Virusaperiódico (170)

 


Virusaperiódico (170)

29 de março (domingo)

Regressei à terra e dediquei parte do dia ao trabalho no quintal. Fiz mondas e envasei algumas plantas ornamentais de interior, num contacto simples, mas reconfortante com a terra. Reservei ainda algum tempo para o ativismo ambiental e social, numa fase em que sinto uma preocupante apatia generalizada, como se muitos aguardassem passivamente por soluções que nunca chegam por si mesmas.

30 de março (segunda-feira)

Iniciei o dia com a leitura de textos sobre Agostinho da Silva e com o Diário de Notícias, que trazia uma reportagem marcante sobre o assassinato do Padre Max e da estudante Maria de Lurdes, ocorrido em 1976 às mãos da extrema-direita.

 

Mais tarde, estive em Vila Franca do Campo. Passei pela Ribeira Nova e pela Courela, onde colhi alguma fruta. Visitei também o Jardim Antero de Quental, onde contemplei, entre outras espécies, duas magnólias imponentes que me deixaram particularmente impressionado.

31 de março (terça-feira)

De manhã, dirigi-me à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, onde requisitei um livro sobre a ação do Padre Avelino Soares na Paróquia de São Pedro, em Angra do Heroísmo, durante o período do marcelismo.

 

Passei ainda pelo Jardim Botânico José do Canto, onde, uma vez mais, me detive a observar as árvores centenárias, verdadeiros testemunhos vivos do tempo.

1 de abril (quarta-feira)

Dia das petas. Comecei a leitura do livro requisitado no dia anterior e dediquei-me também ao trabalho num livro que tenho vindo a escrever — um projeto que espero ver publicado um dia.

2 de abril (quinta-feira)

Data simbólica: a aprovação da Constituição da República de 1976. Passei o dia com o pensamento marcado pelo assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes, vítimas do terrorismo de extrema-direita. A memória desses acontecimentos reforça em mim a convicção: fascismo nunca mais!

 

De manhã, visitei a Feira Agrícola de Santana. À tarde, porém, fui surpreendido por um mal-estar físico ainda indefinido, que me impediu de fazer mais fosse o que fosse.

 

2 de abril de 2026

domingo, 29 de março de 2026

Virusaperiódico (169)

 





Virusaperiódico (169)

Diário — 23 a 28 de março de 2026

23 de março

Voltei a dedicar algumas horas ao livro sobre flores e avancei na leitura de mais algumas páginas do livro sobre Agostinho da Silva.

24 de março

De manhã, estive no Jardim Botânico José do Canto, onde é cada vez mais evidente a chegada da primavera, com muitas plantas já em floração. A guabiroba-de-folhas-crespas apresenta frutos particularmente saborosos nesta altura.

Durante a tarde, mantive-me ocupado com o estudo das plantas e flores, não tendo conseguido descansar nem regressar à leitura de Agostinho da Silva.

25 de março

Foi feita a entrega, na tipografia, de todos os ficheiros necessários para a produção do livro sobre flores.

Passei ainda pela Biblioteca Pública, onde consultei jornais relacionados com acontecimentos do ano de 1977.

26 de março

Dediquei o dia ao trabalho num livro sobre o Verão Quente nos Açores. Continuei também a leitura de textos sobre o filósofo Agostinho da Silva.

Organizei ficheiros de fotografias captadas no Jardim Botânico José do Canto.

27 de março

Visitei a Fábrica de Chá Porto Formoso, onde recolhi informações e fotografei um magnífico carvalho (Quercus robur).

Passei pela Mata do Dr. Fraga e constatei que permanece encerrada há mais de seis meses, o que é lamentável, sobretudo face ao aviso de abertura “brevemente”.

Estive em Vila Franca, onde procedi à limpeza de bananeiras e bananas, tendo a colheita sido bastante fraca.

28 de março

O dia foi dedicado ao ativismo ambiental. Estive presente, em Ponta Delgada, na sessão de escuta coletiva “…E TEMOS O POVO…”, onde ouvi todos os sons da primeira montagem radiofónica do 25 de Abril.

Foi uma experiência enriquecedora, embora não deixe de refletir que o 25 de Abril deveria ter conduzido a uma realidade melhor do que aquela em que atualmente vivemos.
Caminhamos, talvez, a passos largos para um “24 de abril”?...

Criei uma petição a solicitar a reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia (https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT130424).

28 de março de 2026

sábado, 28 de março de 2026

Pela reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia

 



Pela reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia

 

A Mata do Dr. Fraga, situada na freguesia da Maia, continua inexplicavelmente encerrada ao público. Seis meses após uma primeira tentativa frustrada de visita, voltei ontem, dia 27 de março, a deparar-me com o portão fechado e com o mesmo aviso: “Caros cidadãos, a Mata do Dr. Fraga encontra-se encerrada devido a manutenções. Pedimos desculpa pelo incómodo. Abriremos brevemente…”

 

Tendo visitado este espaço ajardinado em diversas ocasiões — inclusive acompanhado por alunos da Escola Básica Integrada da Maia — reconheço que eram necessárias algumas intervenções, nomeadamente a substituição das madeiras das escadas. No entanto, nada que justificasse um encerramento tão prolongado, que começa a assemelhar-se mais a abandono do que a manutenção.

 

A ausência de uma intervenção célere por parte da Junta de Freguesia não só contribui para a progressiva degradação deste património, como também revela uma preocupante falta de respeito pela memória do seu criador, o Dr. Guilherme João de Fraga Gomes. Acresce ainda o desrespeito por todos aqueles que contribuíram para a sua requalificação e reabertura em 2008, bem como por quem tem promovido a riqueza florística deste espaço ao longo dos anos.

 

Importa recordar que esse esforço de valorização culminou, em 2022, com a publicação da obra “Mata do Dr. Fraga – Herança Viva de um Madeirense”, recentemente integrada no Plano Regional de Leitura dos Açores 2025-2026, na categoria de Outros Públicos — um reconhecimento que reforça a importância cultural e educativa deste local.

 

Perante esta situação, é urgente que a Junta de Freguesia da Maia assuma a responsabilidade que lhe compete e promova, com a maior brevidade possível, uma intervenção eficaz que permita a reabertura da Mata ao público. A população merece voltar a usufruir deste espaço, que é não só um património natural, mas também um legado histórico e educativo da freguesia.

 

28 de março de 2026

Teófilo Braga (membro da direção nacional da IRIS-Associação Nacional de Ambiente, coautor do livro “Mata do Dr. Fraga – Herança Viva de um Madeirense”)

segunda-feira, 23 de março de 2026

Virusaperiódico (168)

 


Virusaperiódico (168)

16 de março

Comecei o dia em Ponta Delgada, onde tratei de vários assuntos ligados à apicultura. Mais tarde, desloquei-me ao apiário em Vila Franca do Campo para dar continuidade ao trabalho. Passei ainda pela Courela, na Ribeira Seca, onde colhi algumas bananas — poucas, mas suficientes para manter o contacto com a terra. No Pico da Pedra, entreguei-me às memórias da minha terra natal, a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, evocando vivências do início do século XX.

17 de março
Fiz uma visita rápida ao Jardim Botânico José do Canto. Aproveitei para fotografar algumas árvores notáveis, embora tenha ficado com dúvidas na identificação de uma delas — um pequeno mistério botânico que ficou por resolver.

18 de março
Dediquei o dia à reflexão sobre o passado da freguesia da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo. Continuei também a trabalhar sobre o chamado “Verão Quente” nos Açores, um período que se prolongou muito além do 25 de novembro de 1975.

19 de março
Entre tarefas domésticas, prossegui os trabalhos iniciados no dia anterior. Marquei presença nas assembleias gerais de duas associações ambientais: a APPAA e a IRIS – Associação Nacional de Ambiente, reforçando o compromisso com a defesa do património natural.

20 de março
Um dia quase inteiramente dedicado às flores e ao livro que está em preparação. Ainda assim, a minha ligação à Ribeira Seca manteve-se presente nos pensamentos.

21 de março
Voltei à Courela, onde limpei bananas e tratei das bananeiras. Na Ribeira Nova, cortei canas e inspecionei as colmeias. As abelhas deram um sinal claro: falta de espaço. Ou acrescento mais um andar às colmeias, ou correm o risco de partir — um ultimato inequívoco da natureza.

22 de março
Iniciei o dia a trabalhar sobre memórias de 1975 e no desenvolvimento do livro sobre as flores dos Açores, cuja publicação poderá acontecer em maio. Fui até Vila Franca do Campo para responder à exigência das abelhas, aumentando o espaço nas colmeias. Terminei o dia exausto, mas com a sensação de dever cumprido.

 

22 de março de 2026

sexta-feira, 20 de março de 2026

Dia Mundial da Floresta: associações açorianas apelam à valorização e proteção do arvoredo de interesse público

 



domingo, 15 de março de 2026

Virusaperiódico (167)

 


Virusaperiódico (167)

 

No dia 10 de março, depois de uma curta visita ao Jardim Botânico José do Canto, estive na Biblioteca Pública de Ponta Delgada a fazer pesquisas em jornais sobre o ano de 1975.

Em casa, após contactar uma pessoa que foi expulsa dos Açores em 1975, continuei a leitura de pequenos textos sobre Agostinho da Silva.

 

Soube também da morte, aos 83 anos, na ilha da Madeira, do engenheiro Melim Mendes, licenciado em Engenharia de Minas e doutorado em Energia Nuclear. Destacou-se pela contribuição para o desenvolvimento e modernização do setor energético da sua Região, nomeadamente através da introdução das energias renováveis.

 

No dia 11, voltei à Biblioteca Pública de Ponta Delgada para continuar as pesquisas em jornais sobre o ano de 1975 e sobre Simplício Gago da Câmara. De tarde, estive a trabalhar sobre plantas.

 

O dia 12 foi pouco produtivo: mais de metade das tarefas que constavam de uma lista ficaram por fazer. Li, no entanto, um magnífico texto do jornalista e escritor Fernando Dacosta sobre Agostinho da Silva. Retive uma frase deste último: “...o poder não passa de uma vaca. Devemos dar-lhe palmadas no rabo e tentar tirar-lhe o leite; é para isso que ele serve.” Ahahaha!

 

No dia 13, andei pela Ribeira Seca de Vila Franca, onde fui visitar as abelhas, que estão a deliciar-se com a grande quantidade de flores disponíveis, sobretudo as de incenso. Também estive a fazer algumas medições em árvores do Jardim Dr. António da Silva Cabral, na freguesia de São Pedro.

 

No dia 14, não saí do Pico da Pedra. Depois de fazer algumas sementeiras, sobretudo de limoeiro-galego, li mais alguns textos sobre Agostinho da Silva, nomeadamente um relatório que a PIDE escreveu sobre ele.

 

14 de março de 2026

sexta-feira, 13 de março de 2026

As abelhas, Einstein, Agostinho da Silva e nós

 


As abelhas, Einstein, Agostinho da Silva e nós

Ao famoso físico Albert Einstein, criador da Teoria da Relatividade, publicada em 1915, e Prémio Nobel da Física, em 1921, por ter explicado o efeito fotoelétrico, são atribuídas várias frases, sendo algumas delas apenas imaginação dos seus autores.

 

Uma das frases mais difundidas é a de que “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência”. Embora não se saiba se alguma vez Einstein fez aquela afirmação, o que é importante é que se trata de uma chamada de atenção para a importância das abelhas para a vida na Terra.

 

Embora possa parecer inesperada a referência a Agostinho da Silva, um dos mais influentes filósofos e humanistas portugueses do século XX, a verdade é que ele também se dedicou à entomologia — o estudo dos insetos —, incluindo a investigação sobre as abelhas.

 

De entre as suas publicações de carácter técnico e pedagógico, destacamos a intitulada “Apicultura”, datada de 1943, integrada nos seus “Cadernos de Informação Cultural”. Na publicação mencionada, para além de descrever os tipos de colmeias e de apresentar vários conselhos aos apicultores, Agostinho da Silva apresenta uma listagem de plantas que não são aconselhadas a estar próximas dos apiários, bem como de outras que são muito úteis para as abelhas, indicando os respetivos períodos de floração. Para além do referido, Agostinho da Silva recomenda a plantação de várias espécies melíferas, como o ligustro ou alfenheiro, nas estradas, caminhos e vedações de terrenos.

 

Tendo em conta que os polinizadores, como as moscas-das-flores, as borboletas e as abelhas, entre as quais a abelha-do-mel (Apis mellifera), desempenham um papel essencial nos ecossistemas, sendo fundamentais para a conservação da biodiversidade, a produção agrícola e o bem-estar humano, e que os mesmos enfrentam várias ameaças globais, incluindo alterações no uso do solo, invasões biológicas e mudanças climáticas, é fundamental que todos os cidadãos assumam um papel ativo e não fiquem à espera que apenas as entidades governamentais tomem medidas. Muitas vezes, as decisões políticas acabam por ser condicionadas pelas pressões de grandes grupos económicos, fazendo com que determinadas ações fiquem esquecidas ou se limitem a intervenções superficiais, sem impacto real.

 

No passado dia 1 de fevereiro, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente, organização que visa “contribuir para a recuperação e valorização dos valores históricos, promover o restabelecimento do equilíbrio dos ecossistemas e assegurar que bens essenciais como o ar, a água ou as florestas sejam geridos de forma sustentável, sem comprometer o futuro”, divulgou um comunicado no qual apelava à participação ativa dos cidadãos na defesa das abelhas e dos restantes polinizadores.

 

Segue-se um excerto desse comunicado, onde são apontadas algumas ações de fácil execução:

 

- Plantar espécies nativas e diversificadas, especialmente plantas ricas em néctar e pólen, em jardins, varandas ou mesmo em vasos;

 

- Evitar o uso de pesticidas e herbicidas, sobretudo inseticidas, optando por métodos naturais de controlo de pragas;

 

 - Manter espaços verdes mais “naturais”, deixando algumas áreas com flores espontâneas e evitando cortes frequentes da relva;

 

- Apoiar a agricultura sustentável, escolhendo produtos biológicos e locais que promovem práticas mais amigas dos polinizadores;

 

- Valorizar e proteger habitats naturais, respeitando áreas verdes e apoiando iniciativas de conservação;

 

- Sensibilizar outras pessoas, partilhando informação e promovendo atitudes amigas dos polinizadores na comunidade.

 

Pico da Pedra, 17 de fevereiro de 2026


Teófilo Braga

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A - uma oportunidade perdida de afirmar uma verdadeira política regional de valorização do património natural?

 


O Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A - uma oportunidade perdida de afirmar uma verdadeira política regional de valorização do património natural?

 

Na sequência de uma petição enviada à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRA) no dia 5 de abril de 2019, onde se chamava à atenção para uma realidade preocupante: a legislação regional relativa à classificação de arvoredo de interesse público encontrava-se claramente desatualizada e a Lei n.º 53/2012, que estabelece a nível nacional o regime jurídico desta matéria, nunca tinha sido devidamente regulamentada na Região Autónoma dos Açores.

 

A situação era particularmente reveladora de um atraso significativo na proteção do património natural do arquipélago. A lista de árvores classificadas nos Açores incluía apenas 58 exemplares, dos quais 37 no Faial, 14 na Terceira e apenas 7 em São Miguel — números manifestamente insuficientes para um território que possui um património arbóreo de enorme valor histórico, paisagístico e científico.

 

Paradoxalmente, no âmbito da exposição “Plantas e Jardins: A paixão pela horticultura ornamental na ilha de São Miguel”, inaugurada a 22 de fevereiro de 2019, o Doutor Raimundo Quintal apresentou uma proposta de classificação que identificava, apenas para a ilha de São Miguel, 75 árvores isoladas e sete conjuntos arbóreos com valor suficiente para merecer proteção. Esta discrepância demonstrava de forma evidente o atraso e a insuficiência do enquadramento legal existente.

 

Perante esta realidade, a Assembleia Legislativa aprovou por unanimidade o Decreto Legislativo Regional n.º 27/2022/A, de 28 de novembro, que estabelece o regime jurídico de classificação de arvoredo de interesse público na Região Autónoma dos Açores. Tratou-se de um passo importante e amplamente consensual, que reconhecia finalmente a necessidade de proteger de forma mais eficaz este património natural.

 

Contudo, o que se seguiu foi um exemplo claro de morosidade administrativa e falta de prioridade política. Apesar de a lei prever um prazo para a sua regulamentação, esta apenas veio a ser publicada mais de três anos depois, através do Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A.

 

Mais grave ainda é que, após esta longa espera, o resultado fica muito aquém do que seria expectável. Em vez de uma regulamentação que refletisse as especificidades ecológicas, históricas e paisagísticas de uma região insular e politicamente autónoma, o documento aprovado limita-se, na prática, a reproduzir o regulamento nacional com ligeiras adaptações terminológicas.

 

O seu anexo (valores de referência para os subparâmetros dendrométricos) é, de facto, uma cópia integral do anexo do regulamento nacional, sem qualquer esforço sério de adaptação à realidade açoriana. Não houve a preocupação de incluir espécies comuns nos Açores, de eliminar espécies praticamente inexistentes no arquipélago, nem sequer de atualizar alguns nomes científicos já desatualizados.

 

Este resultado fica além do esperado. A autonomia regional deveria permitir adaptar a legislação às características únicas do território, valorizando o conhecimento científico disponível e o património natural do arquipélago. Em vez disso, optou-se por uma solução burocrática e pouco ambiciosa, que ignora as especificidades dos Açores e reduz a autonomia legislativa a um mero exercício de transposição administrativa.

 

A proteção do arvoredo de interesse público não pode ser tratada como uma formalidade. Trata-se de preservar elementos vivos da história, da paisagem e da identidade dos Açores. Quando a legislação regional se limita a “copiar” regulamentos nacionais sem os adaptar à realidade local, perde-se não apenas eficácia normativa, mas também uma oportunidade de afirmar uma verdadeira política regional de valorização do património natural.

 

Açores, 12 de março de 2026

 

Teófilo Braga

 

(membro da direção da IRIS- Associação Nacional de Ambiente)

 

terça-feira, 10 de março de 2026

Virusaperiódico (166)


 


Virusaperiódico (166)

 

6 de março de 2026

 

Hoje denunciei publicamente o mau serviço prestado pelos CTT – Correios de Portugal no Pico da Pedra, situação que afeta sobretudo os mais frágeis, em particular os idosos, que muitas vezes dependem deste serviço essencial.

 

Ainda no Pico da Pedra, passei pelo Parque Maria das Mercês, onde fotografei as primeiras flores a anunciar a primavera. Apesar desse sinal de renovação, saí de lá com alguma tristeza. Há alguns meses escrevi à Junta de Freguesia a alertar para o facto de a ponte móvel do parque se encontrar danificada, mas tudo continua exatamente na mesma.

Fica também a constatação de que alguma formação — ou pelo menos informação — seria útil para quem opera roçadoras: cortar erva é uma coisa; mutilar os troncos das plantas é algo bem diferente.

 

7 de março de 2026

 

Passei grande parte do dia em Vila Franca do Campo, em trabalhos de limpeza de bananas e bananeiras, além de plantar alguns ligustros.

 

Passei também pelo centro da vila e fotografei a Casa da Balança. Não consigo compreender por que razão aquele espaço não está a ser devidamente aproveitado. Parece-me um desperdício evidente de um edifício com potencial.

 

8 de março de 2026 (domingo)

 

O dia foi dedicado à leitura da regulamentação do Decreto Legislativo Regional n.º 27/2022/A, de 28 de novembro, que estabelece o regime jurídico de classificação de arvoredo de interesse público na Região Autónoma dos Açores.

 

Não deixei de notar — com algum desalento — que o Governo Regional levou cerca de três anos para produzir um documento que, em grande medida, replica um diploma nacional. Fica a interrogação sobre a eficácia e o sentido prático de certos discursos autonomistas.

 

9 de março de 2026

 

Hoje tratei de várias bur(r)ocracias e fiz algumas pesquisas sobre plantas.

 

Passei também pelo Jardim Botânico José do Canto, onde entreguei algumas plantas que já existiam no tempo de José do Canto.

 

Retomei ainda a leitura de um livro de depoimentos sobre Agostinho da Silva. Continuo a tentar compreender melhor o seu pensamento e a sua obra, que permanecem profundamente estimulantes.

 

Terminei o dia com uma notícia que me deixou satisfeito: os livros “A Família Miranda e os Açores: Resistência e Multiculturalismo” e “Mata do Dr. Fraga – herança viva de um madeirense” foram integrados no Plano Regional de Leitura dos Açores 2025-2026, na categoria Outros Públicos.

 

9 de março de 2026

 Os livros "A Família Miranda e os Açores: Resistência e Multiculturalismo" e "Mata do Dr. Fraga - herança viva de um madeirense" integram o Plano Regional de Leitura dos Açores, 2025-2026, na categoria Outros Públicos.

A inclusão na lista é um reconhecimento oficial da qualidade e relevância do nosso trabalho, permitindo que este chegue a um público ainda mais vasto e estruturado no contexto da promoção da literacia e da cultura, sendo também o reconhecimento da aposta da editora Letras Lavadas na divulgação do património natural e cultural dos Açores.





quinta-feira, 5 de março de 2026

Virusaperiódico (165)

 


Virusaperiódico (165)

29 de fevereiro de 2026

De manhã trabalhei como servente de pedreiro no Pico da Pedra — trabalho físico, duro, mas honesto. À tarde, na Ribeira Nova, ajudei na plantação de agapantos. Foram também plantados gladíolos e lançadas à terra sementes de facélia, planta originária dos Estados Unidos da América, muito apreciada como melífera.

No plano internacional, o dia ficou marcado pela notícia do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, com o objetivo declarado de impedir aquele país de desenvolver armas nucleares. Discordo frontalmente deste ataque, tal como discordo do regime iraniano. Não aceito que o Irão possua armas nucleares — mas também não aceito que Israel e os Estados Unidos as tenham. Sou a favor do desarmamento total.

Compreendo a posição oficial de Portugal, pois um lacaio segue sempre o seu amo. Não à guerra. A guerra é sempre um crime contra a humanidade!

1 de março de 2026 (domingo)

De manhã visitei a Quinta da Torre. Não me canso de ali regressar. Fiquei, porém, triste ao saber da queda de uma banksia monumental — cada árvore antiga que desaparece é uma pequena perda irreparável.

A tarde foi dedicada à leitura do livro Histórias da Pide, do jornalista José Pedro Castanheira. Uma obra que vale a pena ler para que não esqueçamos um passado sombrio da história portuguesa — um passado que alguns parecem querer revisitar, ainda que sob outras roupagens.

2 de março de 2026

Passei quase todo o dia deitado, devido a problemas de saúde passageiros. Limitei-me a ler mais algumas páginas do livro de José Pedro Castanheira e a cuidar dos animais. Dia lento, de recolhimento forçado.

3 de março de 2026

De manhã estive no Jardim Botânico José do Canto, em contacto com as plantas — um regresso reconfortante à natureza.

À tarde fui até à Biblioteca Pública de Ponta Delgada, onde me perdi entre livros e jornais. Entre o verde das folhas e o papel impresso, encontro sempre algum equilíbrio.

4 e 5 de março de 2026

Estes dois dias foram passados em casa, a organizar ficheiros acumulados e a avançar na leitura de dois livros de história.

5 de março de 2026

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Virusaperiódico (164)

 


Virusaperiódico (164)

Sexta-feira, dia 20
O dia foi quase inteiramente dedicado a trabalhos relacionados com as flores existentes nos Açores.

Sábado, dia 21
Mandei livros, jornais e computador às urtigas e dediquei-me ao contacto direto com a terra. No Pico da Pedra, foi podado um limoeiro, colhidos alguns inhames, mondada alguma erva e plantadas cebola-verde e macela. Na Ribeira Nova, colhi alguns frutos e coloquei estacas de várias plantas, com destaque para os sabugueiros.

A primavera começa já a dar ares da sua graça. As abelhas aproveitam as flores das laranjeiras, das cameleiras, das pitangueiras e dos incensos. Fotografei as primeiras flores de algumas plantas e, à hora de almoço, recebi a visita de uma estrelinha (Regulus regulus azoricus), subespécie endémica da ilha de São Miguel.

Domingo, dia 22
Parte significativa do dia foi dedicada à preparação do próximo livro, em colaboração com Raimundo Quintal.

Segunda-feira, dia 23
Continuei os trabalhos de preparação do livro que estamos a organizar.

Terça-feira, dia 24
De manhã, percorri o Jardim Botânico José do Canto, que se apresenta cada vez mais florido, anunciando a proximidade da primavera.

Quarta-feira, dia 25
Voltei à Biblioteca Pública de Ponta Delgada para pesquisar, nos jornais de 1977 e 1978, episódios de violência gratuita ocorridos nos Açores, período em que independentistas passaram a atacar outros independentistas, entretanto “arrependidos”.

Quinta-feira, dia 26
Dediquei o dia a trabalhos no computador relacionados com as plantas existentes no Jardim Botânico José do Canto.

26 de fevereiro de 2026

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Virusaperiódico (163)

 


Virusaperiódico (163)

15 de fevereiro

Hoje estive a mapear algumas plantas no Jardim Botânico José do Canto. Mais tarde, trabalhei um pouco no quintal: podei um diospireiro e uma romãzeira e coloquei na terra algumas estacas de roseiras, na esperança de que enraízem com vigor.

Aproveitei ainda para montar mais uma armadilha para a vespa asiática, cuja presença continua a exigir vigilância atenta.

Ao longo do dia, fiz também algumas pesquisas sobre o ano de 1976 e iniciei a leitura do texto “Vida e morte da extrema-direita”, de António Cândido Franco, publicado na revista A Ideia (2025).

16 de fevereiro

Logo pela manhã recebi a triste notícia do falecimento da sindicalista Manuela Medeiros, que muito me abalou.

Depois, passei pela Ribeira Nova, onde coloquei mais uma armadilha para a vespa asiática. Segui para a Courela, onde apanhei meia dúzia de laranjas maduras.

O resto do dia foi dedicado à leitura de um texto sobre ecofascismo e a algum trabalho relacionado com plantas herbáceas.

17 de fevereiro

De manhã, transplantei poejo e tomilho, reorganizando alguns canteiros.

Terminei a leitura da novela gráfica A Vida Secreta das Árvores, baseada no livro homónimo de Peter Wohlleben. Uma leitura que reforça a ideia de interdependência e comunicação no mundo vegetal.

Este ano não houve paciência para carnavais.

Durante o dia, dediquei-me ainda à redação de um texto sobre abelhas para o próximo número da Voz Popular, jornal da Casa do Povo do Pico da Pedra.

18 de fevereiro

Passei o dia a trabalhar em dois livros que aguardam ainda revisão e aperfeiçoamento antes de seguirem para a tipografia.

Ao final da tarde, iniciei a leitura de A Era dos Extremos, de Eric Hobsbawm, uma obra fundamental para compreender o turbulento século XX.

19 de fevereiro

Voltei a Vila Franca do Campo, onde estive a limpar algumas bananas e bananeiras. Observei que os incensos estão floridos, mas notei que as abelhas demonstram maior preferência pelas flores da pitangueira ali existente.

Depois do almoço, coloquei na terra estacas de uma cameleira (taça-de-formosura). Espero que pelo menos uma enraíze.

No final do dia, tomei conhecimento de que a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo aceitou uma proposta para uma homenagem a Simplício Gago da Câmara — uma notícia que me deixou satisfeito.

 

19 de fevereiro de 2026

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Virusaperiódico (162)

 


Virusaperiódico (162)

Dia 9

Passei quase todo o dia a realizar pesquisas sobre Simplício Gago da Câmara e sobre acontecimentos ocorridos nos Açores há cerca de cinquenta anos. Recebi a oferta do livro “Nova Gráfica – 40 anos, 40 testemunhos”, que muito me agradou.

Dia 10

De manhã, passei pelo Jardim Botânico José do Canto, onde continuei a registar a localização de algumas plantas e a admirar várias árvores notáveis, com especial destaque para as canforeiras. Durante a tarde, organizei as imagens captadas ao longo da manhã.

Dia 11

Estive em Vila Franca do Campo a realizar algumas colheitas, que estão já a acabar. Observei que alguns incensos se encontram floridos, o que constitui uma alegria para as abelhas. Recebi também o último número do Boletim do Núcleo Cultural da Horta, dedicado ao 25 de Abril de 1974. Na Terceira, tanto o Instituto Histórico como o Instituto Cultural revelam grande dinamismo. Em São Miguel, porém, o Instituto Cultural continua moribundo. Até quando?

Dia 12

Durante a manhã, li vários jornais sobre o incêndio na reitoria da Universidade dos Açores. Terá sido acidente ou fogo posto?

À tarde, visitei a Escola Secundária da Ribeira Grande, onde contactei com uma turma do Profij. Um dos alunos irá desenvolver um trabalho sobre plantas nativas e endémicas.

Dia 13

Passei a manhã em Vila Franca do Campo, a limpar bananas e bananeiras e a efetuar algumas colheitas. De tarde, trabalhei no livro sobre plantas, que está praticamente concluído e quase pronto para seguir para a tipografia.

Dia 14

Durante a manhã, deambulei pelo Jardim José do Canto, onde estive em contacto com várias espécies notáveis. À tarde, concluí a leitura da revista do Núcleo Cultural da Horta.

14 de fevereiro de 2026