quinta-feira, 13 de julho de 2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

terça-feira, 11 de julho de 2017

Em defesa das baleias


Antero de Quental e o Anarquismo


Antero de Quental e o Anarquismo

Em 1864 foi criada em Londres a AIT-Associação Internacional dos Trabalhadores no seio da qual existiam diversas tendências socialistas que coexistiram no seu seio durante pouco tempo.

Alguns autores, como César de Oliveira e António Ventura, apontam como a data mais importante para a implantação do anarquismo em Portugal o ano de 1871, quando uma delegação espanhola da AIT, constituída por Anselmo Lorenzo, Francisco Mora e Tomaz Gonzalez Morago, se reuniu em Lisboa com José Fontana, operário nascido na Suiça, mais tarde caixeiro e sócio-gerente da Livraria Bertrand, e o poeta açoriano Antero de Quental.

Depois de um primeiro encontro em casa de Antero de Quental, houve algumas reuniões com outros jovens, entre os quais Jaime Batalha Reis, a bordo de um bote cacilheiro, no rio Tejo. Batalha Reis, depois de lembrar que a ideia do encontro fora de José Fontana que desconfiava que estava a ser seguido pela polícia, escreveu o seguinte: “ Nessa mesma noite fomos ao Aterro, o Antero e eu, pagámos a um barqueiro para nos deixar remar sozinhos no seu bote e fizemo-nos ao largo. A uma hora combinada aproximamo-nos dum outro cais onde o José Fontana nos esperava com os internacionalistas. E durante horas, nessa noite e nas seguintes, sobre o Tejo, enquanto eu remava, o Antero discutia, com os emissários socialistas, a revolução operária que já lavrava na Europa”.

Sobre Antero de Quental, o socialista espanhol Anselmo Lorenzo, cujas ideias eram mais próximas das do russo Mikhail Bakunine do que das do alemão Karl Marx, escreveu, no seu livro “El Proletariado Militante”, o seguinte: “…Quental pareceu-me mais velho e de aspecto não menos simpático e atraente; tinha residido muitos anos em Paris dedicado ao estudo das ciências e tinha uma ilustração vastíssima e um carácter franco e leal que o levava a adoptar os radicalismos que logicamente lhe impunham os seus extensos conhecimentos”.

Os objetivos das reuniões eram divulgar os objetivos da AIT e criar uma secção em Portugal, tarefa que ficou a cargo de José Fontana e de Antero de Quental.

No mesmo ano, é publicada, sem a indicação do autor, a brochura de Antero de Quental, “O que é a Internacional”, onde aquele, segundo Fernando Catroga defende ideias muito próximas das de Proudhon como a abstenção, a mutualidade de serviços e o crédito gratuito.

Antero de Quental, em carta dirigida a Teófilo Braga, confirma a sua pertença à Internacional e em carta a Oliveira Martins confirma nos seguintes termos a autoria do opúsculo “O que é a Internacional”: “Aí vai o primeiro folheto de Propaganda. Não sei se conhecerá que foi escrito por mim, por isso lho declaro (debaixo de sigilo Internacional!). V. sabe das minhas pretensões a Economista – por isso escusado é dizer-lhe a importância que dou às primeiras 20 páginas.”.

Antero de Quental distanciou-se das posições abstencionistas iniciais, tendo apelado à formação de um partido político e sido candidato em vários atos eleitorais, embora tenha declarado que não pretendia ser deputado.

Se é verdade que, numa carta dirigida a W. Storck, Antero de Quental desvalorizou as suas posições políticas anteriores, considerando-as «mistérios da incoerência da mocidade» também não é menos verdade que dois anos antes de morrer, escreveu um texto intitulado “O socialismo e a moral” onde reafirmou a sua concordância com o lema da Internacional “A emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos mesmos trabalhadores”, tendo acrescentado que “o problema do Socialismo é essencialmente o problema da organização do trabalho: ora a organização do trabalho depende antes de tudo da capacidade moral dos trabalhadores, isto é, da sua capacidade de ordem, disciplina e justiça”.

Sobre o percurso de Antero, enquanto o anarquista português Júlio Carrapato escreveu: “depois do entusiasmo inicial pela Associação Internacional dos Trabalhadores e da aventura parisiense, resvalou para o reformismo socialista e para um pessimismo místico e bipolar”, Anselmo Lorenzo, considerado "o avô do anarquismo espanhol", escreveu: “Daqueles dois jovens, mortos há já bastantes anos, conservo carinhosas recordações (...). Tenho ideia que os anarquistas portugueses inscrevem os nomes de Fontana e de Quental no catálogo dos bons.”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31276, 12 de julho de 2017, p.16)

Burros do Canadá



Burros do Canadá

Nos últimos tempos, a comunicação social, nomeadamente o jornal Correio dos Açores, tem trazido informações sobre a morte violenta de burros nas Feteiras, sem que até agora se tenha descoberto e castigado devidamente os autores dos mesmos.

A propósito do ocorrido nas Feteiras, lembrei-me de Alice Moderno que há cento e dois anos denunciou, no seu jornal “A Folha”, um tal “Joaquim São Pedro, nome que está em perfeita antítese com as ações que pratica, por ter “barbaramente esfaqueado um animal da raça asinina”, na freguesia do Faial da Terra.

Face ao exposto, conclui-se que os maus tratos a burros não começaram hoje. Com efeito são tradição antiga que, tal como todas as outras que desrespeitam animais e humanos, deve ser banida quanto antes.

Mas os maus tratos de que são alvo os burros não acontecem só por cá. Com efeito, recebemos de uma familiar que reside no Canadá um conjunto de materiais relacionados com a proteção àqueles animais, entre os quais um bonito calendário para 2018, editado pelo “The Donkey Sanctuary of Canadá”.

Através dos materiais recebidos ficamos a saber que aquela organização, sem fins lucrativos, possui um espaço com cerca de 2900 alqueires de terra onde, desde 1992, proporciona um local seguro para burros resgatados que foram negligenciados, abusados ou que os seus proprietários já não podiam cuidar mais deles.

A organização que tem como objetivo reduzir o sofrimento dos burros, vítimas de negligência e maus tratos, e melhorar a sua vida através de interações positivas humanos-burros, permite visitas do público apenas um dia por semana e organiza eventos para famílias com a possibilidade de refeições com comida local, entretenimento e interações com os burros.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31275, 11 de julho de 2017, p.16)
http://www.thedonkeysanctuary.ca/

segunda-feira, 10 de julho de 2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Algumas notas sobre a importância de Planos Individuais de Trabalho nas Escolas



Algumas notas sobre a importância de Planos Individuais de Trabalho nas Escolas


No modelo pedagógico do Movimento da Escola Moderna, os alunos devem ter um papel ativo em todas as etapas do processo-ensino aprendizagem, desde a planificação até à avaliação. Em relação aos diversos planos, Júlio Pires (s/d), num texto intitulado “O Planeamento no Modelo Pedagógico da Escola Moderna” defende que a participação dos alunos no Plano Anual é menor do que no PIT - Plano Individual de Trabalho, onde aqueles devem ser os principais decisores. O autor mencionado destaca, ainda, a importância do PIT em virtude do seu “papel na promoção da autonomia do aluno, no seu comprometimento e responsabilização pela sua aprendizagem”.

Ana Martins (2012) por seu turno afirma que o PIT “pode também ser descrito como um instrumento de pilotagem e de registo individual, como instrumento que permite organizar, apoiar e regular o trabalho desenvolvido pelo aluno”.

Sobre a forma do PIT, Ana Martins (2012) escreve que se trata de “uma folha de papel” que contém o seguinte:

“- um espaço destinado ao nome do aluno e à data de realização do plano;
- um espaço que contém o elenco das atividades possíveis de realizar em que os alunos registam e quantificam aquilo que pretendem fazer no tempo do trabalho autónomo;
- um espaço destinado ao registo e à quantificação das atividades efetivamente realizadas;
- uma área destinada à autoavaliação;
- uma área destinada à avaliação e às sugestões do professor. “

No que diz respeito à experiência de implementar o PIT nas minhas aulas, apenas o fiz no 11º ano, onde foi elaborado um para cada um dos grandes temas do programa.
No que diz respeito à sua estrutura, numa página da folha de papel foi colocada uma tabela com quatro colunas:
- Na primeira, estavam registados os conteúdos de cada subtema.
- Na segunda coluna intitulada “O que penso fazer” havia várias linhas onde era sugerido aos alunos a realização de sínteses/ resumos dos conteúdos, exercícios do manual, exercícios do caderno de exercícios e outras atividades ou exercícios. Nesta coluna, por vezes fazia sugestões nomeadamente de alguns exercícios que considerava importantes para a melhor compreensão da matéria, mas os alunos tinham liberdade para fazer o seu trabalho mais ou menos aprofundado.
- Na terceira coluna os alunos registavam o que haviam feito, como o número do exercício e a página se o mesmo fosse do manual ou do caderno de exercícios, o resumo/síntese ou outra atividade.
- Na quarta coluna, os alunos registavam as dúvidas encontradas.
Na outa página da folha, havia um espaço para a autoavaliação do trabalho realizado, em termos de cumprimento ou não do que haviam proposto. Existia, também, outro espaço onde o aluno apresenta a sua opinião sobre o trabalho realizado e, por último, um espaço destinado a comentários e sugestões do professor.
Sobre este instrumento de pilotagem que, segundo Gonzalez (2002) é um dos que permite “ acompanhar, avaliar, orientar e reorientar o processo de aprendizagem do grupo e de cada um dos alunos”, os alunos reagiram de modo diferente. Alguns não deram importância, outros escreveram que “usavam outro método” e outros acharam que os ajudava.
Termino, transcrevendo a opinião de uma aluna: “Gostei do PIT, pois auxiliou-me a mim e, com certeza, a outras pessoas a orientar-me nas matérias a estudar e a motivar-me para resolver exercícios. Considero que o projeto deveria continuar, pois não só nós ficamos com a noção de quantos e quais exercícios fazemos, como também o professor tem mais “controlo” sobre o nosso trabalho. Para além disso, conseguimos receber com esta ficha o feedback do professor, positivo ou negativo.”
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31270, 5 de julho de 2017, p.16)