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quarta-feira, 11 de junho de 2025

Dia Mundial do Ambiente 2025

 


1 – Qual é o significado do Dia Mundial do Ambiente enquanto ambientalista açoriano?

 

Criado em 1972,durante a Conferência de Estocolmo, a primeira organizada pelas Nações Unidas para falar sobre ambiente, com este dia pretende-se sensibilizar todos os cidadãos para a necessidade de se proteger o Planeta Terra dos atentados que é vítima por parte de uma sociedade onde é incentivado o consumo desenfreado que está associado à sobre-exploração dos recursos naturais.

 

Um pessimista não teria razões para o celebrar, em virtude dos atentados diários de que é alvo todo o planeta. Embora apreensivo quanto ao futuro, considero que devemos continuar a espalhar a mensagem de que a nossa maior riqueza é o património natural e cultural e todos temos o dever de o conservar, não só neste, mas todos os dias.

 

2 - Quais são os principais desafios ambientais que os Açores enfrentam actualmente?

 

O grande desafio dos Açores é o da Educação. A região não está bem colocada a nível nacional em vários índices de que são exemplo o aproveitamento, a assiduidade e o abandono escolar.

 

No que diz respeito à educação ambiente, desde há alguns anos assiste-se a um retrocesso enorme. Este começou ainda com o governo da responsabilidade do Partido Socialista, com a extinção das Ecotecas e da Agência Regional da Energia e do Ambiente e o atual governo nada fez em sentido contrário..

 

Enquanto nos Açores não é possível, em Portugal continental as ONGA podem ter professores destacados para a organização e coordenação de projetos de educação para a sustentabilidade.

 

3 - De que forma a população açoriana pode contribuir para a preservação do meio ambiente?

 

Os açorianos não devem deixar nas mãos dos outros a decisão das grandes e pequenas questões que dizem respeito à vida das comunidades onde estão inseridos. A democracia deve ser direta tanto quanto for possível e muito mais participativa, os políticos devem ser forçados a ouvir os eleitores e não tomarem decisões por si. Na área ambiental, para que se consiga ter um ambiente equilibrado e uma melhor qualidades de vida, os cidadãos devem ter comportamentos amigos do ambiente, denunciar todas as infrações que tenham conhecimento e, sempre possível, desenvolver ações de sensibilização e de defesa do ambiente individualmente ou em grupo, integrados ou não em organizações formais ou informais.

 

4 - Considera que as políticas ambientais nos Açores têm sido eficazes?

 

Discordo em absoluto com a aposta na incineração de resíduos, as áreas protegidas terrestres estão quase e só no papel, as áreas marinhas protegidas idem (poderá vir a acontecer um retrocesso se for aprovada uma proposta de desclassificação de algumas), a aposta no restauro ecológico de algumas áreas é diminuta, as árvores continuam a ser vítimas de podas mal executadas, o Regime jurídico de classificação do arvoredo de interesse público na Região Autónoma dos Açores” continua por ser regulamentado há quase 3 anos, é insuficiente o combate às plantas invasoras e voltou a ser possível a utilização de herbicidas com glifosato em áreas urbanas. Fico por aqui, apresentando dois exemplos que acho inacreditável ainda não terem sido resolvidos, por desleixo ou inação das entidades responsáveis: a poluição das águas no Ilhéu de Vila Franca do Campo e a contaminação da praia do Monte Verde, na Ribeira Grande

 

5 - Que impacto têm as alterações climáticas nos ecossistemas açorianos?

 

Só um especialista na área poderá responder com precisão a esta questão, por isso apenas repito o que é do meu conhecimento geral. Os Açores não vão escapar ao aumento da intensidade e frequência de fenómenos extremos que afetarão a agricultura, a segurança e o próprio turismo. Preocupante será a diminuição da biodiversidade tanto terrestre como marinha e o favorecimento da proliferação de espécies invasoras

 

6 - Que papel devem desempenhar as escolas e os jovens na protecção ambiental?

 

Não se pode sobrecarregar as escolas  e os professores com a responsabilidade da educação ambiental,  que deverá ser continua ao longo da vida, formal e não formal, nem passar para os jovens a responsabilidade pela resolução dos problemas ambientais que os adultos estão continuamente a criar. Todos os cidadãos, mas todos, têm o dever de proteger o ambiente.

 

7 - Como vê o equilíbrio entre o desenvolvimento turístico e a preservação ambiental nos Açores?

 

A aposta no turismo, que dizem sustentável, não está a ser feita, pois os responsáveis esquecem-se que dos três pilares do desenvolvimento sustentável, só o económico, a curto prazo e ao serviço só de alguns, é que conta.  Opilar ambiental e o social são esquecidos.

 

A pressão humana sobre alguns espaços é muito grande, nomeadamente em áreas protegidas pelo que deviam ser tomadas medidas para limitar o acesso a algumas delas, como por exemplo a Reserva Natural da Lagoa do Fogo.

 

8 - Que mensagem gostaria de deixar neste Dia Mundial do Ambiente?

 

Apesar  das nuvens negras que estão a cobrir o mundo, não podemos ficar de braços cruzados. Que se siga o provérbio chinês: “Prefiro as lágrimas de não ter vencido à vergonha de não ter lutado”.

 

Pico da Pedra, 5 de junho de 2025

terça-feira, 6 de agosto de 2019

DIA MUNDIAL DO AMBIENTE: TEMOS MOTIVOS PARA COMEMORAR?



DIA MUNDIAL DO AMBIENTE: TEMOS MOTIVOS PARA COMEMORAR?


Todos nós sabemos que são vários os problemas ambientais que afectam o nosso planeta. Estes podem ser reunidos em três grupos: a poluição, a sobreexploração dos recursos naturais e as ameaças globais. Em grande parte, decorrentes dos dois anteriores, podemos incluir neste último grupo as alterações climáticas, devidas ao conhecido efeito de estufa causado pelo aumento da concentração na atmosfera de dióxido de carbono e de metano, a rarefacção da camada de ozono e a destruição da biodiversidade.

Neste pequeno texto, apenas, iremos referir-nos à posição recentemente assumida pelo país mais desenvolvido do mundo que é também o mais egoísta. Com efeito, segundo se diz, pressionado pelas grandes empresas petrolíferas que financiaram a sua campanha eleitoral, o presidente George Bush decidiu desrespeitar o Protocolo de Quioto, documento que previa a tomada de medidas conducentes à diminuição de gases causadores do efeito de estufa. Os Estados Unidos que desde o início tentaram diminuir os efeitos do referido protocolo, introduzindo os chamados “mecanismos de flexibilidade” e a possibilidade de contabilizar como redução de emissões a absorção do dióxido de carbono pelos bosques e, ultimamente, pelas pastagens, pela voz do seu presidente demonstram ignorância e desrespeito pela biodiversidade e clima planetários.

Pela atitude da nação mais “desenvolvida”, que se comporta como se fosse o “umbigo do mundo”, persistindo num modelo económico que não pode ser estendido a todo o planeta, não temos motivos para comemorar o Dia Mundial do Ambiente. Com efeito, nos Estados Unidos da América 6% da população mundial consomem 25% do petróleo. Se 24% da população do nosso planeta consumisse ao mesmo nível da população norte-americana consumiriam todo o petróleo não restando nada para os restantes76% da população mundial. Este é um exemplo, entre muitos outros que poderiam ser dados, que mostra que não é viável “dar à maioria da população uma forma de vida que se igualasse aos padrões dos países desenvolvidos, em consumo de energia, de proteínas, de escolaridade, de horas de trabalho, etc. É inviável porque os sistemas ecológicos existentes seriam incapazes de assimilar os impactos decorrentes da actividade desenfreada, decorrente de uma economia global girando ao triplo da sua intensidade actual”(Ruger, 1999).

No que respeita à situação regional, apesar da criação da Secretaria Regional do Ambiente, que julgávamos iria trazer uma nova dinâmica ao sector, motivos para comemorar também não existem. Assim, referiremos apenas três exemplos:

1- A 22 de Abril de 1990, num encontro que a associação Amigos dos Açores manteve com o então presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, foi advogada a necessidade das próprias populações gerirem mais convenientemente os seus resíduos de modo a diminuir a sua produção e a proceder à selecção dos restantes, facilitando a sua posterior reciclagem. Na mesma altura, foi defendida a implementação de um aterro sanitário. Hoje, ainda esperamos por ele e muito pouco foi feito para a implementação da política dos três R’s- Redução, Reutilização e Reciclagem.

2- Na mesma altura, os Amigos dos Açores alertaram para a necessidade da abertura ao público da Gruta do Carvão. Hoje, passados 11 anos, ainda está longe a criação de condições para a visita de turistas. Por outro lado, a sua classificação como monumento natural, cuja proposta foi enviada à Direcção Regional do Ambiente em 1997, tarda em chegar.

3- Desde 1993 aguarda-se que as Áreas Protegidas da Região Autónoma dos Açores sejam reclassificadas. Algumas das Áreas Protegidas foram criadas em 1974, ainda hoje aguardam pelos seus planos de ordenamento e nunca tiveram Órgãos de Gestão. Quanto tempo mais iremos esperar?

Apesar do quadro negro que traçamos, podemos apresentar como positivos os pequenos avanços alcançados, sobretudo na maior consciencialização por parte da sociedade em geral e sobretudo dos mais novos para as questões ambientais e da qualidade de vida. É essencialmente este o único motivo que temos para comemorar o Dia Mundial do Ambiente.
Teófilo Braga

(Açoriano Oriental, 18 de Junho de 2001)

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Dia Mundial do Ambiente


Partilha, nº 21, junho de 2008