sábado, 9 de maio de 2026

Virusaperiódico (178)

 


Virusaperiódico (178)

 

Impossibilitado de fazer trabalhos manuais, passei grande parte do dia 4 a ler sobre os territórios de Goa, Damão e Diu para onde foram alguns militares açorianos, um dos quais João Bolota, da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo. Também estive algum tempo no computador a ler documentação que me foi enviada pelos Serviços Florestais relacionada com o arvoredo de interesse público.

 

Comecei o dia 5 a procurar fotografias da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo para uma exposição a realizar na localidade em junho. Acabei a leitura do livro sobre o fim da “Índia” que esteve dominada por Portugal. Para quem não está dentro do assunto, recomento.

 

Nos dias 6 e 7, o corpo não me deixou trabalhar como queria, sobretudo na terra. Voltei à pesquisa sobre a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, à leitura do livro, do economista Bagão Félix, “Quarenta Árvores” e a pequenos trabalhos sobre a violência nos Açores depois de 1974.

 

No dia 8, logo pela manhã recebi a triste notícia da morte do meu antigo colega da Escola Secundária da Ribeira Grande, Manuel Francisco Aguiar que substituí no Conselho Diretivo. Os sentidos pêsames a toda a família.

 

O resto do dia foi passado em leituras diversas, nomeadamente de jornais regionais e do livro atrás referido.

 

8 de maio de 2026

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Virusaperiódico (177)

 


Virusaperiódico (177)

 

Comecei o dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador, a fazer investigações sobre a minha terra natal, a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.

 

De manhã, ainda tive tempo para percorrer o Pico da Pedra para fotografar os maios. Infelizmente só encontrei três, o que significa que a tradição está em declínio.

 

De tarde, estive a fazer a limpeza de algum material apícola e a retirar algumas ervas do quintal.

 

No fim do dia estive a ler “Xeque-Mate a Goa”. Tanta mentira aprendi na escola salazarenta e tanta mentira dizem os filhos ideológicos de Salazar.

 

O sindicalismo anda pelas ruas da amargura. Serão independentes do poder político e económico sindicatos que comemoram o 1º de Maio com o apoio do Governo Regional, de uma Câmara Municipal e de mais de uma dezena de empresas privadas.

 

No dia 2, o trabalho começou pelas 8 h e terminou depois das 19h. Foi dia de semear  açafroa e girassóis e fazer a cresta em Vila Franca do Campo. Para além do mel fui premiado com uma dose de apitoxina numa perna. No Pico da Pedra, estive a extrair o mel com a ajuda de uma centrifugadora e de uma prensa.

 

Comecei o dia 3 a selecionar fotografias relacionadas com a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, nomeadamente com as marchas de São João e a procissão dos enfermos. De manhã li mais umas páginas do livro sobre os territórios portugueses da Índia e sobre as mentiras do fascismo salazarista.

 

De tarde, voltei à extração do mel. Acabei o dia exausto! A idade está a pesar.

 

3 de maio de 2026

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Virusaperiódico (176)

 


Virusaperiódico (176)

 

Comecei o dia 26 a fazer limpezas no quintal e devido ao cansaço repousei bastante no resto do dia. Estive a selecionar livros para depositar na Biblioteca Pública de Ponta Delgada e li mais umas páginas do livro já referido sobre António Sérgio.

 

No dia 27, acabei de ler a Revista de História das Ideias, 5, que é dedicada a António Sérgio. Passei algumas horas na revisão do livro cujo título será “Açores 500 Flores”.

 

No dia 28, visitei o Jardim Botânico José do Canto, tendo focado a minha atenção no Roseiral, onde para além de várias roseiras lindíssimas é possível observar a roseira-verde, a roseira-do-espírito-santo e a roseira-da-madre-teresa-da- anunciada.

 

No dia 29 a minha atenção recaiu na análise da Portaria n.º 50/2026 de 29 de abril de 2026, que aprova o modelo de requerimento de classificação de arvoredo de interesse público. Há algumas exigências perfeitamente desnecessárias. Com que objetivo? Desincentivar a apresentação de propostas?

 

Grande parte do dia foi dedicado às flores e à revisão do livro “Açores 500 Flores”.

 

Comecei o dia 30 a organizar fotografias de plantas, algumas delas enviadas por uma pessoa amiga que fotografou pela primeira vez abelhas em flores da endémica ginjeira-do-mato.

 

No resto do dia, para além da revisão do livro que já está mais próxima do fim, estive a ler “Xeque-Mate a Goa”, de Maria Manuel Stocker.

 

Recebi uma publicação onde são apresentadas as emissões de CO2 pelas várias fontes produtoras de energia elétrica, sendo a maior a incineração de resíduos, a tal que é considerada energia renovável, segundo alguns palermas, e que era anunciada como energia limpa pela boca de outros tantos.

 

30 de abril de 2026

sábado, 25 de abril de 2026

Virusaperiódico (175)

 



Virusaperiódico (175)

 

No dia 22 de abril, Dia da Terra, celebrado com grande aparato por aqueles que, paradoxalmente, contribuem para a sua lenta degradação, vi-me impedido de ir a Vila Franca do Campo trabalhar na terra. Dediquei esse tempo a cuidar da saúde dos animais de estimação que, por escolha própria ou por adoção, fazem da minha casa o seu abrigo.

Entre leituras diversas, continuei a revisitar na memória o período conturbado vivido nos Açores nos anos imediatamente após o 25 de Abril, enquanto avancei na revisão de um livro sobre flores.

No dia 23 de abril, reservei mais algumas horas para cuidar das plantas e retomei a leitura de uma obra sobre o pedagogo António Sérgio. Apesar de dar nome a uma rua no Pico da Pedra, o seu pensamento, sobretudo enquanto defensor do cooperativismo, permanece pouco conhecido.

Na manhã de 24 de abril, comecei o dia com a leitura da correspondência recebida. Entre os textos, destacou-se um de António Eloy sobre o 25 de Abril, que aqui transcrevo:

“Viva o 25 de Abril, sempre!

Só com direitos podemos ter voz e resistir. O direito de respirar, o direito de ouvir e o direito de falar. O direito de defender a terra e o futuro desta. O direito de resistir, de resistir, de resistir.
O direito de gritar com todos os silêncios. O direito de expressão. O direito de negação. O direito de ser solidário. O direito de defender e de ser diferente. Todos, todos os direitos. Isso foi, é o 25 de Abril.”

No dia 25, já cansado das comemorações — onde se misturam os que verdadeiramente acreditam em Abril com aqueles que, de forma dissimulada, tudo têm feito para limitar a participação cívica e política nos Açores — optei por regressar ao essencial: trabalhar na terra. Se o 25 de Abril não servir para vivermos com dignidade e participação plena, então terá sido um esforço em vão. Fascismo nunca mais.

Seguindo o conselho do cardeal, poeta e teólogo madeirense Tolentino Mendonça, dediquei-me a “plantar jardins” no Pico da Pedra e em Vila Franca do Campo — um gesto simples, mas carregado de significado e esperança.

https://www.youtube.com/watch?v=gaLWqy4e7ls

25 de Abril de 2026

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Virusaperiódico (174)

 


Virusaperiódico (174)

 

Dia 17

O dia começou com uma visita à Nova Gráfica para acompanhar a paginação de um novo livro. Houve ainda tempo para uma conversa, em Ponta Delgada, sobre os tempos conturbados vividos nos Açores entre 1975 e 1978. A tarde foi quase inteiramente dedicada à revisão de provas, com atenção aos detalhes e ao registo de falhas a corrigir.

Dia 18

Iniciei o dia a trabalhar no novo livro e a acrescentar conteúdos noutro que será publicado mais tarde. Li também mais algumas páginas da obra da historiadora Raquel Varela sobre o 25 de novembro de 1975.

Dia 19

Continuei o trabalho nos livros em preparação para publicação. Dediquei parte do tempo à análise e confronto de depoimentos sobre o chamado “verão quente” nos Açores — tempos difíceis, que acabaram por se dissipar com a habitual distribuição de cargos.

Dia 20

O dia foi novamente ocupado, quase por completo, com o estudo das flores dos Açores. Passei por Vila Franca, mas não consegui subir à Ladeira devido ao caudal elevado da ribeira Nova. Fica a visita adiada para o próximo sábado, caso o tempo permita.

Dia 21

Passei pelo Jardim Botânico José do Canto, onde observei duas plantas ainda por identificar e aproveitei para fotografar várias flores. À tarde, participei numa reunião dedicada ao tema do arvoredo de interesse público e retomei o trabalho no livro sobre flores.

Entretanto, a polémica do momento centra-se na proposta de alteração do CESA, que passaria a incluir uma estrutura com chefe de gabinete, três adjuntos, secretário pessoal e motorista. Será isto razoável? Interessante o parecer da UGT, que sugere aumentar o número de representantes do governo para avaliar propostas do próprio governo. Talvez, levado ao extremo, o mais simples fosse mesmo que todos os membros do CESA fossem indicados pelo governo — ficaria tudo, sem dúvida, em família.

21 de abril de 2026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 


Inaceitável esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 

Em 2004, a associação ecológica Amigos dos Açores denunciou a presença de águas poluídas por esgotos na foz da ribeira da Ribeira Seca, em Vila Franca do Campo. Na altura, a Câmara Municipal informou que iria “providenciar no sentido da sua resolução, estando a respetiva intervenção programada no âmbito do próximo plano”.

 

Volvidos quase 22 anos, uma visita ao local permitiu constatar que a ribeira continua significativamente poluída, recebendo águas provenientes de um esgoto ali canalizado. A persistência desta situação é motivo de séria preocupação: para além dos maus odores, a presença de águas contaminadas num curso de água favorece a proliferação de vetores de doenças e representa um risco evidente para a saúde pública e para o ambiente.

 

A gravidade é acrescida pelo facto de estas águas desaguarem na denominada Praia da Leopoldina, colocando em causa a qualidade balnear e a segurança dos utilizadores.

 

Face a este cenário, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente exige uma intervenção urgente por parte da Junta de Freguesia da Ribeira Seca da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, da GNR-SEPNA e da Direção Regional do Ambiente no sentido de porem termo a esta situação inaceitável e salvaguardar a saúde pública e o equilíbrio ambiental.

 

Açores, 14 de abril de 2026

 

P’lo Núcleo Regional dos Açores da IRIS-Associação Nacional de Ambiente

 

Virusaperiódico (173)

 


Virusaperiódico (173)

 

No domingo, dia 12, para além das tarefas domésticas, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental, através da redação de um texto a denunciar a presença de um esgoto a céu aberto que está a conspurcar as águas da Praia da Leopoldina. Dediquei-me também ao ativismo animalista, divulgando um apelo à não transmissão de touradas — que considero uma forma de tortura — nos vários canais de televisão.

 

Ao verificar que a terra estava muito seca, estive a regar as plantas, talvez mais cedo do que em anos anteriores. Sinais dos tempos?

 

No dia 13, para além de continuar o meu envolvimento no ativismo ambiental, conversei com algumas pessoas que foram alvo de perseguições nos Açores durante o chamado Verão Quente.

 

No final do dia, depois de tentar, sem sucesso, resolver alguns problemas com máquinas que decidiram deixar de funcionar todas ao mesmo tempo, terminei a leitura do livro “In Memoriam de Agostinho da Silva”, um filósofo que me inspira num trabalho que estou a desenvolver e que será tornado público em junho.

 

No dia 14, de manhã, passei pelo Jardim Botânico José do Canto, mas tive de interromper a visita devido à chuva. A tarde foi aproveitada para descansar e para ler as primeiras páginas de um livro sobre António Sérgio.

 

Depois de, no dia 15, ter passado quase doze horas em visitas a hospitais, no dia 16 a vida começou lentamente a regressar à normalidade. Iniciei a leitura do livro de Raquel Varela, “Do 25 de Novembro aos nossos dias: história da contrarrevolução”.

 

16 de abril