terça-feira, 30 de junho de 2026

A propósito de uma planta venenosa: a trombeteira

 


A propósito de uma planta venenosa: a trombeteira

 

Fui contactado por um jornalista para me pronunciar sobre uma planta que uma pessoa tinha observado e relativamente à qual considerava estranho não existir qualquer aviso a alertar para o facto de ser venenosa.

 

Através de uma fotografia que me foi enviada, verifiquei tratar-se de uma espécie do género Brugmansia, nativo da América Central e da América do Sul.

 

Algumas espécies deste género são utilizadas para provocar alterações da consciência ou como droga recreativa.

 

Na ilha de São Miguel, sobretudo em espaços ajardinados privados, existem algumas espécies deste género, uma vez que as suas flores são muito vistosas.

 

Não tenho conhecimento de que tenha ocorrido, até hoje, nos Açores qualquer caso de intoxicação resultante do uso indevido destas plantas, conhecidas pelo nome de trombeteiras.

 

Conheço apenas um caso de um jovem que morreu na ilha da Madeira, em 2006, alegadamente por ter ingerido uma infusão preparada com flores de uma trombeteira.

 

Tenho dúvidas de que a colocação de avisos junto destas plantas seja uma medida eficaz. Poderá, inclusivamente, provocar algum alarmismo desnecessário.

 

De qualquer modo, será útil que as pessoas conheçam algumas medidas destinadas a evitar problemas. Assim, recomenda-se que os trabalhadores utilizem luvas e que, caso tenham contacto com a planta, lavem cuidadosamente as mãos. Também não devem queimar os ramos resultantes das podas, uma vez que os fumos libertados são tóxicos.

 

As crianças merecem especial atenção e devem ser alertadas para não colocarem folhas ou flores na boca. Uma posição mais cautelosa será a de não cultivar trombeteiras em espaços frequentados por crianças.

 

Teófilo Braga

Membro da Direção da IRIS – Associação Nacional de Ambiente

 

Nota: Não sou especialista em botânica. Sou apenas um estudioso dos diversos usos que as pessoas fazem das plantas.

 

(Até ao presente não foi publicado qualquer texto sobre o assunto. 1 de julho de 2026)

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Virusaperiódico (189)

 


Virusaperiódico (189)

 

Quase todo o dia 24, Dia de São João, foi passado a repousar. Acabei a leitura do livro “E o Povo é quem mais ordena- Revolução dos Cravos 1974-1976”. Um bom livro que recomendo.

 

No fim do dia, a pedido de um jornalista, escrevi uma nota sobre as plantas do género Brugmansia, oriundas da América Central e do Sul que são usadas nos Açores com fins ornamentais.

 

Comecei o dia 25 com a leitura do livro “Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos”, de Luiz Pacheco. Do livro, sem contextualizar, tirei a frase seguinte, que merece uma reflexão: “No princípio criou Deus  o céu e a terra e destinou -os ambos a serem governados pelos Americanos”.

 

De manhã, com o D., andei por jardins a fotografar e a tirar medidas de árvores. Primeiro no Jardim da Universidade dos Açores, depois no Jardim Antero de Quental e por último, no Jardim António Borges. A tarde foi para ganhar forças …

 

O dia 26 foi dedicado ao ativismo ambientalista, relacionado com a classificação de arvoredo de interesse público e à leitura do livro de Luiz Pacheco.

 

No dia 27 estive em contacto com a natureza em Vila Franca do Campo.  Primeiro na Ribeira Nova, onde inspecionei as colmeias e corrigi um erro. Depois, na Courela, onde, apesar de algumas limitações, limpei algumas bananeiras e bananas.

 

Na Rua do Jogo conversei com um grande produtor de bananas, JN, que me disse que este ano tem sido mau. Foram as temperaturas muito baixas esta primavera e agora está a fazer falta alguma água. Para mim este está a ser o pior ano em termos de produção de bananas.

 

Comecei o dia 28 a divulgar nas redes sociais mais uma planta melífera, a Cymbalaria muralis, que pelo menos a Junta de Freguesia do Pico da Pedra não gosta de a ver nos muros.

 

Durante a tarde estive no quintal a fazer algumas mondas e a transplantar boninas e comecei a preparar garrafas para fazer armadilhas para a mosca da fruta.

 

No fim do dia, voltei a trabalhar em propostas de classificação de árvores de interesse público.

 

28 de junho de 2026

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Virusaperiódico (188)

 


Virusaperiódico (188)

 

No dia 19, de manhã e início da tarde  estive na Maia a conversar e a recordar o passado e fotografei um bonito exemplar de um dragoeiro. De tarde, estive a trabalhar sobre o passado, que merece ficar registado.

 

O trabalho na Courela, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, preencheu o dia 20. Limpei bananas e bananeiras e transplantei algumas.

 

À enorme alegria de ver as plantas crescerem e frutificarem está a associada a profunda tristeza de detetar que fui roubado. Um pequeno filho-de-puta, levou-me uma mandarineira que havia plantado o ano passado.

 

No fim do dia, com o corpo a pedir descanso, apenas li dois contos do 1º volume do livro “Guardadores de Memórias”, de Roberto Pereira Rodrigues.

 

No dia do solstício de Verão comecei a trabalhar muito cedo no computador, tendo começado a escrever um texto sobre o Jardim José do Canto e depois a contatar várias pessoas que estão a colaborar num projeto editorial que não vai permitir que a história seja contada e mal por alguns que são especialistas em deturpar factos, a omitir alguns e a inventar outros.

 

Com dificuldades de locomoção, desisti de trabalhar no quintal, tendo apenas lido algumas páginas do livro de Roberto Rodrigues já mencionado.

 

No dia 22 estive em Vila Franca do Campo em casa de um amigo a recordar o passado e em casa, impedido de ir ao quintal, apenas fiz algumas leituras.

 

No dia 23, a pedido da perna esquerda, apenas estive alguns minutos no Jardim Botânico José do Canto. O resto do dia foi passado a escrever alguns textos no computador e vi, sem pegar no sono, um desafio de futebol. Um dos jogadores passou de besta a bestial.

 

23 de junho de 2026

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Virusaperiódico (187)

 


Virusaperiódico (187)

 

O dia 15 foi para descansar a cabeça, depois de uns meses de muito trabalho “intelectual”.

 

No quintal, arranquei algumas ervas ditas daninhas que passaram a estar a fazer a cobertura do solo e em casa estive cerca de duas horas e meia a tirar favas das vagens e a cortar feijão verde que me haviam sido oferecidas no dia anterior. Se as pessoas imaginassem o trabalho que dá a quem trabalha a terra produzir favas ou feijões antes de chegarem ao prato, valorizavam mais a agricultura e os agricultores!

 

No dia 16 de manhã estive no Jardim José do Canto, onde optei por permanecer algum tempo num recanto. Lá observei pela primeira vez a fava-da-cova e a avenca. Além disso, registei a presença de um exemplar muito interessante de uma árvore-do-fogo e de uma monumental tipuana.

 

Apesar de alguma chuva, no dia 17, foi possível de manhã e no princípio da tarde, na companhia de D., tentar uma visita à Mata do Dr. Fraga. Escrevi tentar, pois apesar das promessas batemos com o nariz no portão.

 

Na Fábrica de Chá Gorreana, estivemos a apreciar algumas árvores, como um metrosídero (robusta) e três gincos, dois deles monumentais.

 

Depois estivemos no Porto Formoso onde observamos uma paulonia, árvore introduzida na Europa, em 1834, a partir do Japão. A seguir estivemos na Ribeira Grande, onde no Mercado, observamos e tiramos algumas medidas a três araucárias monumentais. No Parque Infantil- Jardim Paraíso, fizemos o mesmo à araucária lá existente.

 

Depois de alguns trabalhos domésticos, estive a organizar ficheiros e a ler mais algumas páginas do livro “O Povo é quem Mais Ordena. Revolução dos Cravos 1974-1976”, de Victor Pereira, e do livro “Terras do Espírito Santo”, de Teresa Tomé.

 

17 de junho de 2026

domingo, 14 de junho de 2026

Virusaperiódico (186)

 


Virusaperiódico (186)

 

O dia 10 de junho foi preenchido com trabalho no quintal, sobretudo a mondar a açafroa e o milho de vassoura e a derreter cera de abelha. Ao fim da tarde comecei a leitura do livro “Terras do Espírito Santo”, de Teresa Tomé.

 

Comecei o dia 11, a redigir um texto sobre as três espécies do género Rhododendron existentes no Jardim Botânico José do Canto que pelas árvores de porte monumental merece uma visita.

 

Depois de mais uma sessão de trabalho a derreter cera de abelha e de alguns trabalhos domésticos voltei à leitura do manifesto “Por uma Revolução Ecossocialista”.

 

No dia 12 estive em Vila Franca do Campo, onde assisti à homenagem a alguns vila-franquenses por parte da Câmara Municipal. Entre os homenageados destaco Odete Braga, Simplício Gago da Câmara e Elias Sardinha. Apreciei a comunicação que foi feita pelo orador convidado, Carlos Vieira. Por último, também assisti a uma singela homenagem ao padre António José Pimentel Cassiano.

 

Ao chegar a casa, depois de alguns anos, voltei a ouvir o “piar” de um mocho juvenil.

 

Comecei o dia 13 a preparar uma imagem para uma campanha em curso em defesa das abelhas. Em Vila Franca do Campo, colhi as últimas laranjas e muito poucas bananas. Também limpei algumas bananas e bananeiras.

 

No domingo, dia 14, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental e a um livro que espero que veja a luz do dia ainda este ano.

 

Participei, como orador, na sessão solene de abertura das comemorações dos 25 anos da freguesia da Ribeira Seca do concelho de Vila Franca do Campo, a localidade onde nasci e onde fiz a instrução primária e onde hoje passo alguns dias da minha vida em contacto com a natureza.

15 de junho de 2026

sábado, 13 de junho de 2026

Quem foi Simplício Gago da Câmara?


 Fotografia: Instituto Cultural de Ponta Delgada


Quem foi Simplício Gago da Câmara?

 

Simplício Gago da Câmara, filho de Gil Gago da Câmara e de sua esposa Branca Guilhermina do Canto Medeiros, nasceu a 19 de maio de 1808 e foi batizado no dia 29 do mesmo mês, na igreja de São Pedro, em Ponta Delgada. Faleceu a 7 de agosto de 1888. Foi Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

 

Simplício Gago da Câmara foi um notável filantropo, funcionando a sua casa, em Vila Franca do Campo, como uma verdadeira Misericórdia. Com efeito, “o seu coração é grande, como larga é a sua mão: dá de comer aos que têm fome, consola os aflitos, anima os tímidos e fornece gratuitamente aos enfermos clínicos e medicamentos” (Simplício Gago da Câmara…, 1888).

 

Com o objetivo de promover o desenvolvimento da sua terra, Simplício Gago da Câmara, grande proprietário rural da ilha de São Miguel, criou ao longo da sua vida cinco navios e três grandes fábricas. Nas suas casas e propriedades empregou um elevado número de trabalhadores, garantindo‑lhes o sustento.

 

Grande amante e estudioso da natureza, realizou longas viagens pela Europa, América e Austrália, tendo recolhido vasta informação e elaborado um estudo sobre o cachalote.

 

O seu espírito aventureiro levou‑o à Austrália, onde procurou explorar jazigos de ouro, com o intuito de obter meios financeiros para estabelecer novas indústrias e desenvolver a sua terra. Embora a exploração aurífera não tenha sido bem‑sucedida, a estadia naquele continente permitiu‑lhe selecionar diversas espécies da flora australiana que mais tarde introduziu em São Miguel, nomeadamente eucaliptos, acácias e araucárias.

 

A par de José do Canto e de Ernesto do Canto, Simplício Gago da Câmara foi um dos grandes impulsionadores da reflorestação da ilha de São Miguel, através da oferta de centenas ou mesmo milhares de plantas provenientes dos seus viveiros, localizados no prédio do Convento, em Vila Franca do Campo. Mandou igualmente plantar, nas suas matas de São Brás e da Fajã do Calhau, para além das espécies já referidas, pinheiros, giestas e criptomérias.

 

Outra iniciativa que encetou, embora sem sucesso duradouro, foi a da pesca do bacalhau. Tentando introduzir esta atividade nos Açores, decidiu construir um navio no Porto Formoso, utilizando madeiras das suas próprias matas. Partiu para a Terra Nova, onde a pesca foi proveitosa, mas acabou por perder grande parte do bacalhau capturado durante o transporte para Vila Franca do Campo, onde pretendia proceder à sua secagem. Tratou‑se de uma experiência falhada, mas potencialmente exemplar para os armadores das ilhas.

 

O contributo de Simplício Gago da Câmara para a modernização da agricultura micaelense foi de grande relevância, quer a título individual, quer através da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, na qual exerceu funções de secretário da Comissão Vinícola.

 

Agricultor, produtor de vinho e exportador de laranja, foi o responsável pela introdução em São Miguel da chamada “laranja sevilha”, a partir de sementes obtidas em Londres.

 

Na Gorreana, no concelho da Ribeira Grande, para além da plantação de matas, cultivou chá em conjunto com a sua filha, Ermelinda Pacheco Gago da Câmara (1832-1913), dando início à respetiva industrialização.

 

Enquanto produtor de vinho, explorou sobretudo as vinhas do prédio do Convento, na freguesia de São Pedro. Posteriormente, após adquirir o ilhéu de Vila Franca do Campo, introduziu aí plantações de vinha que subsistiram até meados do século XX.

 

Para além do cultivo do linho, em parte proveniente de sementes oriundas de Riga, cultivou igualmente trigo, tendo introduzido pequenas máquinas portáteis de debulhar, acionadas por dois homens. No domínio da mecanização agrícola, é‑lhe ainda atribuída a introdução de uma máquina a vapor multifuncional existente em São Miguel, utilizada tanto para moer trigo ou milho como para serrar madeira.

 

A criação de gado bovino constituiu igualmente uma das suas atividades, cultivando beterraba para alimentação de suínos, bois de engorda e vacas leiteiras.

 

Entre 1 de julho de 1863 e 1 de julho de 1868, exerceu o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo, período durante o qual saneou a administração daquela instituição, eliminando vícios e abusos que a afetavam. Durante o seu mandato, foram equilibradas as contas da Santa Casa, construída a enfermaria feminina e admitidos dois médicos. Após um período de afastamento motivado por calúnias, voltou a ser eleito provedor, procedendo à atualização dos estatutos, concluindo a enfermaria das mulheres e admitindo um farmacêutico.

 

Demonstrou ainda profunda preocupação com a instrução pública, tendo sido o maior apoio financeiro da Associação das Escolas Móveis, cuja missão era ministrar o ensino das primeiras letras às crianças, segundo o método de João de Deus. Para Vila Franca do Campo, requisitou a 32.ª missão, prestando um valioso auxílio ao professor da associação, José Gonçalves Martins.

 

Principal bibliografia consultada

 

- (1888). Simplício Gago da Câmara-biografia. Lisboa, Imprensa Minerva. 15 pp.

 

Braga, T. (2020). Vidas Exemplares. Ponta Delgada, Letra Lavadas. 327 pp.

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Virusaperiódico (185)

 


Virusaperiódico (185)

 

Logo pela manhã do dia 7, recebi a informação de que um destacado membro da Assembleia Municipal da Ribeira Grande plantou uma espécie invasora na sua propriedade no Porto Formoso, o chorão-trepadeira (Carpobrotus edulis) (ver https://azoresbioportal.uac.pt/pt/especies-dos-acores/carpobrotus-edulis-6374/). Eu que já participei numa ação de arranque daquela espécie, fiquei indignado, pois o que deve ser feito é a sua erradicação e não a sua propagação. Desconhecimento?

 

Ainda de manhã, estive a mondar as plantas que estão no viveiro e dei-lhes alguma água.

 

A tarde foi dedicada à leitura de mais algumas páginas do livro “O Povo é quem Mais Ordena. Revolução dos Cravos 1974-1976”, de Victor Pereira e do manifesto “Por uma Revolução Ecossocialista”, editado pelo Coletivo “Toupeira Vermelha”.

 

No dia 8, estive na Ribeira Nova e na Courela a colher alguma fruta e passei pela tipografia “A Crença” para comprar o livro de Carlos Vieira sobre as festas do Espírito Santo da Mãe de Deus.

 

No dia 9, depois de uma visita ao Jardim José do Canto, passei pela Biblioteca Pública de Ponta Delgada, onde assinei um auto de receção de documentação que lá depositei e pela Livraria Letras Lavadas, para assinar um livro, a pedido de uma compradora. Passei também pela Nova Gráfica, onde fui presenteado com dois livros: um de história e outro sobre literatura. Espero ter tempo para ler todos os livros que estão a aguardar uma leitura.

 

No fim da tarde, dediquei algum tempo à escrita de um pequeno texto sobre plantas.

 

9 de junho de 2026