As abelhas, Einstein, Agostinho da Silva
e nós
Ao famoso físico
Albert Einstein, criador da Teoria da Relatividade, publicada em 1915, e Prémio
Nobel da Física, em 1921, por ter explicado o efeito fotoelétrico, são
atribuídas várias frases, sendo algumas delas apenas imaginação dos seus
autores.
Uma das frases mais
difundidas é a de que “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a
humanidade terá apenas mais quatro anos de existência”. Embora não se saiba se
alguma vez Einstein fez aquela afirmação, o que é importante é que se trata de
uma chamada de atenção para a importância das abelhas para a vida na Terra.
Embora possa parecer
inesperada a referência a Agostinho da Silva, um dos mais influentes filósofos
e humanistas portugueses do século XX, a verdade é que ele também se dedicou à
entomologia — o estudo dos insetos —, incluindo a investigação sobre as abelhas.
De entre as suas
publicações de carácter técnico e pedagógico, destacamos a intitulada
“Apicultura”, datada de 1943, integrada nos seus “Cadernos de Informação
Cultural”. Na publicação mencionada, para além de descrever os tipos de
colmeias e de apresentar vários conselhos aos apicultores, Agostinho da Silva
apresenta uma listagem de plantas que não são aconselhadas a estar próximas dos
apiários, bem como de outras que são muito úteis para as abelhas, indicando os
respetivos períodos de floração. Para além do referido, Agostinho da Silva
recomenda a plantação de várias espécies melíferas, como o ligustro ou
alfenheiro, nas estradas, caminhos e vedações de terrenos.
Tendo em conta que os
polinizadores, como as moscas-das-flores, as borboletas e as abelhas, entre as
quais a abelha-do-mel (Apis mellifera), desempenham um papel essencial
nos ecossistemas, sendo fundamentais para a conservação da biodiversidade, a
produção agrícola e o bem-estar humano, e que os mesmos enfrentam várias
ameaças globais, incluindo alterações no uso do solo, invasões biológicas e
mudanças climáticas, é fundamental que todos os cidadãos assumam um papel ativo
e não fiquem à espera que apenas as entidades governamentais tomem medidas.
Muitas vezes, as decisões políticas acabam por ser condicionadas pelas pressões
de grandes grupos económicos, fazendo com que determinadas ações fiquem
esquecidas ou se limitem a intervenções superficiais, sem impacto real.
No passado dia 1 de
fevereiro, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de
Ambiente, organização que visa “contribuir para a recuperação e valorização dos
valores históricos, promover o restabelecimento do equilíbrio dos ecossistemas
e assegurar que bens essenciais como o ar, a água ou as florestas sejam geridos
de forma sustentável, sem comprometer o futuro”, divulgou um comunicado no qual
apelava à participação ativa dos cidadãos na defesa das abelhas e dos restantes
polinizadores.
Segue-se um excerto
desse comunicado, onde são apontadas algumas ações de fácil execução:
- Plantar espécies
nativas e diversificadas, especialmente plantas ricas em néctar e pólen, em
jardins, varandas ou mesmo em vasos;
- Evitar o uso de
pesticidas e herbicidas, sobretudo inseticidas, optando por métodos naturais de
controlo de pragas;
- Manter espaços verdes mais “naturais”,
deixando algumas áreas com flores espontâneas e evitando cortes frequentes da
relva;
- Apoiar a
agricultura sustentável, escolhendo produtos biológicos e locais que promovem
práticas mais amigas dos polinizadores;
- Valorizar e
proteger habitats naturais, respeitando áreas verdes e apoiando iniciativas de
conservação;
- Sensibilizar outras
pessoas, partilhando informação e promovendo atitudes amigas dos polinizadores
na comunidade.
Pico da Pedra, 17 de
fevereiro de 2026
Teófilo Braga






