domingo, 12 de abril de 2026

Virusaperiódico (172)

 


Virusaperiódico (172)

8 de abril

Foi um dia exigente. A doença de um familiar obrigou-me a permanecer mais por casa e a assumir tarefas fora da rotina. Ainda assim, consegui dedicar algum tempo ao quintal: mondei ervas que estavam a prejudicar algumas plantas e colhi meia dúzia de inhames.A leitura também marcou presença, com mais dois casos do livro de Ricardo Barros.

Pelo meio, surgiu um contratempo inesperado: o telemóvel dava sinais de estar prestes a “explodir”. Dirigi-me a uma loja e fiquei a saber que teria de ficar sem ele, pelo menos, quinze dias, pois a reparação terá de ser feita no Porto. A autonomia dos Açores revela muitas limitações e por vezes total dependência do exterior.

9 de abril

De manhã, estive na biblioteca pública a consultar o jornal A Vila, mas sem sucesso naquilo que procurava. Durante a tarde, regressei ao quintal por alguns minutos e avancei no trabalho de um livro que pretende dar visibilidade a uma parte da história dos Açores frequentemente omitida ou reinterpretada por quem não o deveria fazer.

10 de abril

O dia foi passado maioritariamente em casa, entre pequenas tarefas no quintal e leituras. Explorei partes de um livro sobre a correspondência entre Teófilo Braga e Inocêncio Francisco da Silva. Li também alguns textos do jornal A Batalha, antigo órgão da CGT, cuja assinatura mantenho há muitos anos, embora ultimamente não me tenha agradado tanto.

11 de abril

Um dia intensamente dedicado ao trabalho manual. De manhã, no Pico da Pedra, preparei um espaço para acolher várias plantas — algumas já envasadas, outras em processo de reprodução por estacaria.

Mais tarde, em Vila Franca, cuidei das abelhas e fiz algumas mondas. Acompanhei ainda uma jovem estudante de mestrado numa visita a vários moinhos, infelizmente em ruínas, ao longo da ribeira da Ribeira Seca.

Ao final do dia, já com poucas forças, consegui ainda ler o último conto do livro de Ricardo Barros. Uma leitura recomendável para quem procura algo interessante.

11 de abril de 2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

Virusaperiódico (171)

 



Virusaperiódico (171)

3 de abril

Hoje faltaram-me as forças para ir ao quintal fazer algumas mondas, tarefa já necessária. Fiquei por casa e dediquei-me à leitura. Terminei o livro “Caso Insólito: Igreja ou Centro de Subversão?”, de Octávio Medeiros. Li ainda o primeiro conto de “Árvore Anciã – Contos”, de Ricardo Barros. Um texto notável, que, a meu ver, deveria ser leitura obrigatória nas aulas de cidadania — ao contrário de certos conteúdos que prefiro nem enumerar.

4 de abril

Graças ao paracetamol, consegui passar o dia inteiro a trabalhar na Courela e na Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.

Na Courela, limpei bananeiras e tratei das bananas, além de fazer algumas mondas. Já na Ribeira Nova, para além das últimas colheitas, visitei as colmeias: as abelhas estão saudáveis e a aproveitar bem a abundância de flores desta época. Fiz também algumas mondas e semeei os primeiros girassóis do ano.

No final do dia, ainda tive energia para ler o segundo conto do livro de Ricardo Barros.

5 de abril

Comecei o dia a rever textos antigos sobre a Ribeira Seca e a rascunhar novas notas. Espero que venham a ter interesse para os habitantes da localidade, sobretudo para os mais velhos, guardiões de tantas memórias.

Dediquei ainda algum tempo ao ativismo ambiental e à resposta a várias solicitações. Contudo, devido ao cansaço e à necessidade de concluir projetos em curso, vi-me obrigado a recusar alguns pedidos — pelo menos durante os próximos três meses.

6 de abril

Dia atípico. Visitei uma exposição de pintura de Florinda Pinheiro, na Junta de Freguesia do Pico da Pedra. Foi gratificante descobrir mais um talento naquela freguesia.

Por motivos familiares, não consegui fazer nada de significativo que mereça maior registo. A vida segue, nem sempre como desejamos.

7 de abril

Passei pela Biblioteca Pública de Ponta Delgada, onde consultei o jornal “A Vila”. Fiz depois uma breve visita ao Jardim Botânico José do Canto, apreciando algumas plantas em flor.

O resto do dia foi dedicado à escrita e à reflexão, enquanto aguardava, com inquietação, notícias do cenário internacional. É difícil compreender como um país que se afirma democrático pode eleger líderes responsáveis por decisões que conduzem ao sofrimento de tantos. Infelizmente, a história mostra que não se trata de um caso isolado.

7 de abril de 2026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Virusaperiódico (170)

 


Virusaperiódico (170)

29 de março (domingo)

Regressei à terra e dediquei parte do dia ao trabalho no quintal. Fiz mondas e envasei algumas plantas ornamentais de interior, num contacto simples, mas reconfortante com a terra. Reservei ainda algum tempo para o ativismo ambiental e social, numa fase em que sinto uma preocupante apatia generalizada, como se muitos aguardassem passivamente por soluções que nunca chegam por si mesmas.

30 de março (segunda-feira)

Iniciei o dia com a leitura de textos sobre Agostinho da Silva e com o Diário de Notícias, que trazia uma reportagem marcante sobre o assassinato do Padre Max e da estudante Maria de Lurdes, ocorrido em 1976 às mãos da extrema-direita.

 

Mais tarde, estive em Vila Franca do Campo. Passei pela Ribeira Nova e pela Courela, onde colhi alguma fruta. Visitei também o Jardim Antero de Quental, onde contemplei, entre outras espécies, duas magnólias imponentes que me deixaram particularmente impressionado.

31 de março (terça-feira)

De manhã, dirigi-me à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, onde requisitei um livro sobre a ação do Padre Avelino Soares na Paróquia de São Pedro, em Angra do Heroísmo, durante o período do marcelismo.

 

Passei ainda pelo Jardim Botânico José do Canto, onde, uma vez mais, me detive a observar as árvores centenárias, verdadeiros testemunhos vivos do tempo.

1 de abril (quarta-feira)

Dia das petas. Comecei a leitura do livro requisitado no dia anterior e dediquei-me também ao trabalho num livro que tenho vindo a escrever — um projeto que espero ver publicado um dia.

2 de abril (quinta-feira)

Data simbólica: a aprovação da Constituição da República de 1976. Passei o dia com o pensamento marcado pelo assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes, vítimas do terrorismo de extrema-direita. A memória desses acontecimentos reforça em mim a convicção: fascismo nunca mais!

 

De manhã, visitei a Feira Agrícola de Santana. À tarde, porém, fui surpreendido por um mal-estar físico ainda indefinido, que me impediu de fazer mais fosse o que fosse.

 

2 de abril de 2026

domingo, 29 de março de 2026

Virusaperiódico (169)

 





Virusaperiódico (169)

Diário — 23 a 28 de março de 2026

23 de março

Voltei a dedicar algumas horas ao livro sobre flores e avancei na leitura de mais algumas páginas do livro sobre Agostinho da Silva.

24 de março

De manhã, estive no Jardim Botânico José do Canto, onde é cada vez mais evidente a chegada da primavera, com muitas plantas já em floração. A guabiroba-de-folhas-crespas apresenta frutos particularmente saborosos nesta altura.

Durante a tarde, mantive-me ocupado com o estudo das plantas e flores, não tendo conseguido descansar nem regressar à leitura de Agostinho da Silva.

25 de março

Foi feita a entrega, na tipografia, de todos os ficheiros necessários para a produção do livro sobre flores.

Passei ainda pela Biblioteca Pública, onde consultei jornais relacionados com acontecimentos do ano de 1977.

26 de março

Dediquei o dia ao trabalho num livro sobre o Verão Quente nos Açores. Continuei também a leitura de textos sobre o filósofo Agostinho da Silva.

Organizei ficheiros de fotografias captadas no Jardim Botânico José do Canto.

27 de março

Visitei a Fábrica de Chá Porto Formoso, onde recolhi informações e fotografei um magnífico carvalho (Quercus robur).

Passei pela Mata do Dr. Fraga e constatei que permanece encerrada há mais de seis meses, o que é lamentável, sobretudo face ao aviso de abertura “brevemente”.

Estive em Vila Franca, onde procedi à limpeza de bananeiras e bananas, tendo a colheita sido bastante fraca.

28 de março

O dia foi dedicado ao ativismo ambiental. Estive presente, em Ponta Delgada, na sessão de escuta coletiva “…E TEMOS O POVO…”, onde ouvi todos os sons da primeira montagem radiofónica do 25 de Abril.

Foi uma experiência enriquecedora, embora não deixe de refletir que o 25 de Abril deveria ter conduzido a uma realidade melhor do que aquela em que atualmente vivemos.
Caminhamos, talvez, a passos largos para um “24 de abril”?...

Criei uma petição a solicitar a reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia (https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT130424).

28 de março de 2026

sábado, 28 de março de 2026

Pela reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia

 



Pela reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia

 

A Mata do Dr. Fraga, situada na freguesia da Maia, continua inexplicavelmente encerrada ao público. Seis meses após uma primeira tentativa frustrada de visita, voltei ontem, dia 27 de março, a deparar-me com o portão fechado e com o mesmo aviso: “Caros cidadãos, a Mata do Dr. Fraga encontra-se encerrada devido a manutenções. Pedimos desculpa pelo incómodo. Abriremos brevemente…”

 

Tendo visitado este espaço ajardinado em diversas ocasiões — inclusive acompanhado por alunos da Escola Básica Integrada da Maia — reconheço que eram necessárias algumas intervenções, nomeadamente a substituição das madeiras das escadas. No entanto, nada que justificasse um encerramento tão prolongado, que começa a assemelhar-se mais a abandono do que a manutenção.

 

A ausência de uma intervenção célere por parte da Junta de Freguesia não só contribui para a progressiva degradação deste património, como também revela uma preocupante falta de respeito pela memória do seu criador, o Dr. Guilherme João de Fraga Gomes. Acresce ainda o desrespeito por todos aqueles que contribuíram para a sua requalificação e reabertura em 2008, bem como por quem tem promovido a riqueza florística deste espaço ao longo dos anos.

 

Importa recordar que esse esforço de valorização culminou, em 2022, com a publicação da obra “Mata do Dr. Fraga – Herança Viva de um Madeirense”, recentemente integrada no Plano Regional de Leitura dos Açores 2025-2026, na categoria de Outros Públicos — um reconhecimento que reforça a importância cultural e educativa deste local.

 

Perante esta situação, é urgente que a Junta de Freguesia da Maia assuma a responsabilidade que lhe compete e promova, com a maior brevidade possível, uma intervenção eficaz que permita a reabertura da Mata ao público. A população merece voltar a usufruir deste espaço, que é não só um património natural, mas também um legado histórico e educativo da freguesia.

 

28 de março de 2026

Teófilo Braga (membro da direção nacional da IRIS-Associação Nacional de Ambiente, coautor do livro “Mata do Dr. Fraga – Herança Viva de um Madeirense”)

segunda-feira, 23 de março de 2026

Virusaperiódico (168)

 


Virusaperiódico (168)

16 de março

Comecei o dia em Ponta Delgada, onde tratei de vários assuntos ligados à apicultura. Mais tarde, desloquei-me ao apiário em Vila Franca do Campo para dar continuidade ao trabalho. Passei ainda pela Courela, na Ribeira Seca, onde colhi algumas bananas — poucas, mas suficientes para manter o contacto com a terra. No Pico da Pedra, entreguei-me às memórias da minha terra natal, a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, evocando vivências do início do século XX.

17 de março
Fiz uma visita rápida ao Jardim Botânico José do Canto. Aproveitei para fotografar algumas árvores notáveis, embora tenha ficado com dúvidas na identificação de uma delas — um pequeno mistério botânico que ficou por resolver.

18 de março
Dediquei o dia à reflexão sobre o passado da freguesia da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo. Continuei também a trabalhar sobre o chamado “Verão Quente” nos Açores, um período que se prolongou muito além do 25 de novembro de 1975.

19 de março
Entre tarefas domésticas, prossegui os trabalhos iniciados no dia anterior. Marquei presença nas assembleias gerais de duas associações ambientais: a APPAA e a IRIS – Associação Nacional de Ambiente, reforçando o compromisso com a defesa do património natural.

20 de março
Um dia quase inteiramente dedicado às flores e ao livro que está em preparação. Ainda assim, a minha ligação à Ribeira Seca manteve-se presente nos pensamentos.

21 de março
Voltei à Courela, onde limpei bananas e tratei das bananeiras. Na Ribeira Nova, cortei canas e inspecionei as colmeias. As abelhas deram um sinal claro: falta de espaço. Ou acrescento mais um andar às colmeias, ou correm o risco de partir — um ultimato inequívoco da natureza.

22 de março
Iniciei o dia a trabalhar sobre memórias de 1975 e no desenvolvimento do livro sobre as flores dos Açores, cuja publicação poderá acontecer em maio. Fui até Vila Franca do Campo para responder à exigência das abelhas, aumentando o espaço nas colmeias. Terminei o dia exausto, mas com a sensação de dever cumprido.

 

22 de março de 2026

sexta-feira, 20 de março de 2026

Dia Mundial da Floresta: associações açorianas apelam à valorização e proteção do arvoredo de interesse público