quinta-feira, 16 de abril de 2026

Esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 


Inaceitável esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 

Em 2004, a associação ecológica Amigos dos Açores denunciou a presença de águas poluídas por esgotos na foz da ribeira da Ribeira Seca, em Vila Franca do Campo. Na altura, a Câmara Municipal informou que iria “providenciar no sentido da sua resolução, estando a respetiva intervenção programada no âmbito do próximo plano”.

 

Volvidos quase 22 anos, uma visita ao local permitiu constatar que a ribeira continua significativamente poluída, recebendo águas provenientes de um esgoto ali canalizado. A persistência desta situação é motivo de séria preocupação: para além dos maus odores, a presença de águas contaminadas num curso de água favorece a proliferação de vetores de doenças e representa um risco evidente para a saúde pública e para o ambiente.

 

A gravidade é acrescida pelo facto de estas águas desaguarem na denominada Praia da Leopoldina, colocando em causa a qualidade balnear e a segurança dos utilizadores.

 

Face a este cenário, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente exige uma intervenção urgente por parte da Junta de Freguesia da Ribeira Seca da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, da GNR-SEPNA e da Direção Regional do Ambiente no sentido de porem termo a esta situação inaceitável e salvaguardar a saúde pública e o equilíbrio ambiental.

 

Açores, 14 de abril de 2026

 

P’lo Núcleo Regional dos Açores da IRIS-Associação Nacional de Ambiente

 

Virusaperiódico (173)

 


Virusaperiódico (173)

 

No domingo, dia 12, para além das tarefas domésticas, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental, através da redação de um texto a denunciar a presença de um esgoto a céu aberto que está a conspurcar as águas da Praia da Leopoldina. Dediquei-me também ao ativismo animalista, divulgando um apelo à não transmissão de touradas — que considero uma forma de tortura — nos vários canais de televisão.

 

Ao verificar que a terra estava muito seca, estive a regar as plantas, talvez mais cedo do que em anos anteriores. Sinais dos tempos?

 

No dia 13, para além de continuar o meu envolvimento no ativismo ambiental, conversei com algumas pessoas que foram alvo de perseguições nos Açores durante o chamado Verão Quente.

 

No final do dia, depois de tentar, sem sucesso, resolver alguns problemas com máquinas que decidiram deixar de funcionar todas ao mesmo tempo, terminei a leitura do livro “In Memoriam de Agostinho da Silva”, um filósofo que me inspira num trabalho que estou a desenvolver e que será tornado público em junho.

 

No dia 14, de manhã, passei pelo Jardim Botânico José do Canto, mas tive de interromper a visita devido à chuva. A tarde foi aproveitada para descansar e para ler as primeiras páginas de um livro sobre António Sérgio.

 

Depois de, no dia 15, ter passado quase doze horas em visitas a hospitais, no dia 16 a vida começou lentamente a regressar à normalidade. Iniciei a leitura do livro de Raquel Varela, “Do 25 de Novembro aos nossos dias: história da contrarrevolução”.

 

16 de abril

domingo, 12 de abril de 2026

Virusaperiódico (172)

 


Virusaperiódico (172)

8 de abril

Foi um dia exigente. A doença de um familiar obrigou-me a permanecer mais por casa e a assumir tarefas fora da rotina. Ainda assim, consegui dedicar algum tempo ao quintal: mondei ervas que estavam a prejudicar algumas plantas e colhi meia dúzia de inhames.A leitura também marcou presença, com mais dois casos do livro de Ricardo Barros.

Pelo meio, surgiu um contratempo inesperado: o telemóvel dava sinais de estar prestes a “explodir”. Dirigi-me a uma loja e fiquei a saber que teria de ficar sem ele, pelo menos, quinze dias, pois a reparação terá de ser feita no Porto. A autonomia dos Açores revela muitas limitações e por vezes total dependência do exterior.

9 de abril

De manhã, estive na biblioteca pública a consultar o jornal A Vila, mas sem sucesso naquilo que procurava. Durante a tarde, regressei ao quintal por alguns minutos e avancei no trabalho de um livro que pretende dar visibilidade a uma parte da história dos Açores frequentemente omitida ou reinterpretada por quem não o deveria fazer.

10 de abril

O dia foi passado maioritariamente em casa, entre pequenas tarefas no quintal e leituras. Explorei partes de um livro sobre a correspondência entre Teófilo Braga e Inocêncio Francisco da Silva. Li também alguns textos do jornal A Batalha, antigo órgão da CGT, cuja assinatura mantenho há muitos anos, embora ultimamente não me tenha agradado tanto.

11 de abril

Um dia intensamente dedicado ao trabalho manual. De manhã, no Pico da Pedra, preparei um espaço para acolher várias plantas — algumas já envasadas, outras em processo de reprodução por estacaria.

Mais tarde, em Vila Franca, cuidei das abelhas e fiz algumas mondas. Acompanhei ainda uma jovem estudante de mestrado numa visita a vários moinhos, infelizmente em ruínas, ao longo da ribeira da Ribeira Seca.

Ao final do dia, já com poucas forças, consegui ainda ler o último conto do livro de Ricardo Barros. Uma leitura recomendável para quem procura algo interessante.

11 de abril de 2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

Virusaperiódico (171)

 



Virusaperiódico (171)

3 de abril

Hoje faltaram-me as forças para ir ao quintal fazer algumas mondas, tarefa já necessária. Fiquei por casa e dediquei-me à leitura. Terminei o livro “Caso Insólito: Igreja ou Centro de Subversão?”, de Octávio Medeiros. Li ainda o primeiro conto de “Árvore Anciã – Contos”, de Ricardo Barros. Um texto notável, que, a meu ver, deveria ser leitura obrigatória nas aulas de cidadania — ao contrário de certos conteúdos que prefiro nem enumerar.

4 de abril

Graças ao paracetamol, consegui passar o dia inteiro a trabalhar na Courela e na Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.

Na Courela, limpei bananeiras e tratei das bananas, além de fazer algumas mondas. Já na Ribeira Nova, para além das últimas colheitas, visitei as colmeias: as abelhas estão saudáveis e a aproveitar bem a abundância de flores desta época. Fiz também algumas mondas e semeei os primeiros girassóis do ano.

No final do dia, ainda tive energia para ler o segundo conto do livro de Ricardo Barros.

5 de abril

Comecei o dia a rever textos antigos sobre a Ribeira Seca e a rascunhar novas notas. Espero que venham a ter interesse para os habitantes da localidade, sobretudo para os mais velhos, guardiões de tantas memórias.

Dediquei ainda algum tempo ao ativismo ambiental e à resposta a várias solicitações. Contudo, devido ao cansaço e à necessidade de concluir projetos em curso, vi-me obrigado a recusar alguns pedidos — pelo menos durante os próximos três meses.

6 de abril

Dia atípico. Visitei uma exposição de pintura de Florinda Pinheiro, na Junta de Freguesia do Pico da Pedra. Foi gratificante descobrir mais um talento naquela freguesia.

Por motivos familiares, não consegui fazer nada de significativo que mereça maior registo. A vida segue, nem sempre como desejamos.

7 de abril

Passei pela Biblioteca Pública de Ponta Delgada, onde consultei o jornal “A Vila”. Fiz depois uma breve visita ao Jardim Botânico José do Canto, apreciando algumas plantas em flor.

O resto do dia foi dedicado à escrita e à reflexão, enquanto aguardava, com inquietação, notícias do cenário internacional. É difícil compreender como um país que se afirma democrático pode eleger líderes responsáveis por decisões que conduzem ao sofrimento de tantos. Infelizmente, a história mostra que não se trata de um caso isolado.

7 de abril de 2026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Virusaperiódico (170)

 


Virusaperiódico (170)

29 de março (domingo)

Regressei à terra e dediquei parte do dia ao trabalho no quintal. Fiz mondas e envasei algumas plantas ornamentais de interior, num contacto simples, mas reconfortante com a terra. Reservei ainda algum tempo para o ativismo ambiental e social, numa fase em que sinto uma preocupante apatia generalizada, como se muitos aguardassem passivamente por soluções que nunca chegam por si mesmas.

30 de março (segunda-feira)

Iniciei o dia com a leitura de textos sobre Agostinho da Silva e com o Diário de Notícias, que trazia uma reportagem marcante sobre o assassinato do Padre Max e da estudante Maria de Lurdes, ocorrido em 1976 às mãos da extrema-direita.

 

Mais tarde, estive em Vila Franca do Campo. Passei pela Ribeira Nova e pela Courela, onde colhi alguma fruta. Visitei também o Jardim Antero de Quental, onde contemplei, entre outras espécies, duas magnólias imponentes que me deixaram particularmente impressionado.

31 de março (terça-feira)

De manhã, dirigi-me à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, onde requisitei um livro sobre a ação do Padre Avelino Soares na Paróquia de São Pedro, em Angra do Heroísmo, durante o período do marcelismo.

 

Passei ainda pelo Jardim Botânico José do Canto, onde, uma vez mais, me detive a observar as árvores centenárias, verdadeiros testemunhos vivos do tempo.

1 de abril (quarta-feira)

Dia das petas. Comecei a leitura do livro requisitado no dia anterior e dediquei-me também ao trabalho num livro que tenho vindo a escrever — um projeto que espero ver publicado um dia.

2 de abril (quinta-feira)

Data simbólica: a aprovação da Constituição da República de 1976. Passei o dia com o pensamento marcado pelo assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes, vítimas do terrorismo de extrema-direita. A memória desses acontecimentos reforça em mim a convicção: fascismo nunca mais!

 

De manhã, visitei a Feira Agrícola de Santana. À tarde, porém, fui surpreendido por um mal-estar físico ainda indefinido, que me impediu de fazer mais fosse o que fosse.

 

2 de abril de 2026

domingo, 29 de março de 2026

Virusaperiódico (169)

 





Virusaperiódico (169)

Diário — 23 a 28 de março de 2026

23 de março

Voltei a dedicar algumas horas ao livro sobre flores e avancei na leitura de mais algumas páginas do livro sobre Agostinho da Silva.

24 de março

De manhã, estive no Jardim Botânico José do Canto, onde é cada vez mais evidente a chegada da primavera, com muitas plantas já em floração. A guabiroba-de-folhas-crespas apresenta frutos particularmente saborosos nesta altura.

Durante a tarde, mantive-me ocupado com o estudo das plantas e flores, não tendo conseguido descansar nem regressar à leitura de Agostinho da Silva.

25 de março

Foi feita a entrega, na tipografia, de todos os ficheiros necessários para a produção do livro sobre flores.

Passei ainda pela Biblioteca Pública, onde consultei jornais relacionados com acontecimentos do ano de 1977.

26 de março

Dediquei o dia ao trabalho num livro sobre o Verão Quente nos Açores. Continuei também a leitura de textos sobre o filósofo Agostinho da Silva.

Organizei ficheiros de fotografias captadas no Jardim Botânico José do Canto.

27 de março

Visitei a Fábrica de Chá Porto Formoso, onde recolhi informações e fotografei um magnífico carvalho (Quercus robur).

Passei pela Mata do Dr. Fraga e constatei que permanece encerrada há mais de seis meses, o que é lamentável, sobretudo face ao aviso de abertura “brevemente”.

Estive em Vila Franca, onde procedi à limpeza de bananeiras e bananas, tendo a colheita sido bastante fraca.

28 de março

O dia foi dedicado ao ativismo ambiental. Estive presente, em Ponta Delgada, na sessão de escuta coletiva “…E TEMOS O POVO…”, onde ouvi todos os sons da primeira montagem radiofónica do 25 de Abril.

Foi uma experiência enriquecedora, embora não deixe de refletir que o 25 de Abril deveria ter conduzido a uma realidade melhor do que aquela em que atualmente vivemos.
Caminhamos, talvez, a passos largos para um “24 de abril”?...

Criei uma petição a solicitar a reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia (https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT130424).

28 de março de 2026

sábado, 28 de março de 2026

Pela reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia

 



Pela reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia

 

A Mata do Dr. Fraga, situada na freguesia da Maia, continua inexplicavelmente encerrada ao público. Seis meses após uma primeira tentativa frustrada de visita, voltei ontem, dia 27 de março, a deparar-me com o portão fechado e com o mesmo aviso: “Caros cidadãos, a Mata do Dr. Fraga encontra-se encerrada devido a manutenções. Pedimos desculpa pelo incómodo. Abriremos brevemente…”

 

Tendo visitado este espaço ajardinado em diversas ocasiões — inclusive acompanhado por alunos da Escola Básica Integrada da Maia — reconheço que eram necessárias algumas intervenções, nomeadamente a substituição das madeiras das escadas. No entanto, nada que justificasse um encerramento tão prolongado, que começa a assemelhar-se mais a abandono do que a manutenção.

 

A ausência de uma intervenção célere por parte da Junta de Freguesia não só contribui para a progressiva degradação deste património, como também revela uma preocupante falta de respeito pela memória do seu criador, o Dr. Guilherme João de Fraga Gomes. Acresce ainda o desrespeito por todos aqueles que contribuíram para a sua requalificação e reabertura em 2008, bem como por quem tem promovido a riqueza florística deste espaço ao longo dos anos.

 

Importa recordar que esse esforço de valorização culminou, em 2022, com a publicação da obra “Mata do Dr. Fraga – Herança Viva de um Madeirense”, recentemente integrada no Plano Regional de Leitura dos Açores 2025-2026, na categoria de Outros Públicos — um reconhecimento que reforça a importância cultural e educativa deste local.

 

Perante esta situação, é urgente que a Junta de Freguesia da Maia assuma a responsabilidade que lhe compete e promova, com a maior brevidade possível, uma intervenção eficaz que permita a reabertura da Mata ao público. A população merece voltar a usufruir deste espaço, que é não só um património natural, mas também um legado histórico e educativo da freguesia.

 

28 de março de 2026

Teófilo Braga (membro da direção nacional da IRIS-Associação Nacional de Ambiente, coautor do livro “Mata do Dr. Fraga – Herança Viva de um Madeirense”)