quinta-feira, 30 de abril de 2026

Virusaperiódico (176)

 


Virusaperiódico (176)

 

Comecei o dia 26 a fazer limpezas no quintal e devido ao cansaço repousei bastante no resto do dia. Estive a selecionar livros para depositar na Biblioteca Pública de Ponta Delgada e li mais umas páginas do livro já referido sobre António Sérgio.

 

No dia 27, acabei de ler a Revista de História das Ideias, 5, que é dedicada a António Sérgio. Passei algumas horas na revisão do livro cujo título será “Açores 500 Flores”.

 

No dia 28, visitei o Jardim Botânico José do Canto, tendo focado a minha atenção no Roseiral, onde para além de várias roseiras lindíssimas é possível observar a roseira-verde, a roseira-do-espírito-santo e a roseira-da-madre-teresa-da- anunciada.

 

No dia 29 a minha atenção recaiu na análise da Portaria n.º 50/2026 de 29 de abril de 2026, que aprova o modelo de requerimento de classificação de arvoredo de interesse público. Há algumas exigências perfeitamente desnecessárias. Com que objetivo? Desincentivar a apresentação de propostas?

 

Grande parte do dia foi dedicado às flores e à revisão do livro “Açores 500 Flores”.

 

Comecei o dia 30 a organizar fotografias de plantas, algumas delas enviadas por uma pessoa amiga que fotografou pela primeira vez abelhas em flores da endémica ginjeira-do-mato.

 

No resto do dia, para além da revisão do livro que já está mais próxima do fim, estive a ler “Xeque-Mate a Goa”, de Maria Manuel Stocker.

 

Recebi uma publicação onde são apresentadas as emissões de CO2 pelas várias fontes produtoras de energia elétrica, sendo a maior a incineração de resíduos, a tal que é considerada energia renovável, segundo alguns palermas, e que era anunciada como energia limpa pela boca de outros tantos.

 

30 de abril de 2026

sábado, 25 de abril de 2026

Virusaperiódico (175)

 



Virusaperiódico (175)

 

No dia 22 de abril, Dia da Terra, celebrado com grande aparato por aqueles que, paradoxalmente, contribuem para a sua lenta degradação, vi-me impedido de ir a Vila Franca do Campo trabalhar na terra. Dediquei esse tempo a cuidar da saúde dos animais de estimação que, por escolha própria ou por adoção, fazem da minha casa o seu abrigo.

Entre leituras diversas, continuei a revisitar na memória o período conturbado vivido nos Açores nos anos imediatamente após o 25 de Abril, enquanto avancei na revisão de um livro sobre flores.

No dia 23 de abril, reservei mais algumas horas para cuidar das plantas e retomei a leitura de uma obra sobre o pedagogo António Sérgio. Apesar de dar nome a uma rua no Pico da Pedra, o seu pensamento, sobretudo enquanto defensor do cooperativismo, permanece pouco conhecido.

Na manhã de 24 de abril, comecei o dia com a leitura da correspondência recebida. Entre os textos, destacou-se um de António Eloy sobre o 25 de Abril, que aqui transcrevo:

“Viva o 25 de Abril, sempre!

Só com direitos podemos ter voz e resistir. O direito de respirar, o direito de ouvir e o direito de falar. O direito de defender a terra e o futuro desta. O direito de resistir, de resistir, de resistir.
O direito de gritar com todos os silêncios. O direito de expressão. O direito de negação. O direito de ser solidário. O direito de defender e de ser diferente. Todos, todos os direitos. Isso foi, é o 25 de Abril.”

No dia 25, já cansado das comemorações — onde se misturam os que verdadeiramente acreditam em Abril com aqueles que, de forma dissimulada, tudo têm feito para limitar a participação cívica e política nos Açores — optei por regressar ao essencial: trabalhar na terra. Se o 25 de Abril não servir para vivermos com dignidade e participação plena, então terá sido um esforço em vão. Fascismo nunca mais.

Seguindo o conselho do cardeal, poeta e teólogo madeirense Tolentino Mendonça, dediquei-me a “plantar jardins” no Pico da Pedra e em Vila Franca do Campo — um gesto simples, mas carregado de significado e esperança.

https://www.youtube.com/watch?v=gaLWqy4e7ls

25 de Abril de 2026

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Virusaperiódico (174)

 


Virusaperiódico (174)

 

Dia 17

O dia começou com uma visita à Nova Gráfica para acompanhar a paginação de um novo livro. Houve ainda tempo para uma conversa, em Ponta Delgada, sobre os tempos conturbados vividos nos Açores entre 1975 e 1978. A tarde foi quase inteiramente dedicada à revisão de provas, com atenção aos detalhes e ao registo de falhas a corrigir.

Dia 18

Iniciei o dia a trabalhar no novo livro e a acrescentar conteúdos noutro que será publicado mais tarde. Li também mais algumas páginas da obra da historiadora Raquel Varela sobre o 25 de novembro de 1975.

Dia 19

Continuei o trabalho nos livros em preparação para publicação. Dediquei parte do tempo à análise e confronto de depoimentos sobre o chamado “verão quente” nos Açores — tempos difíceis, que acabaram por se dissipar com a habitual distribuição de cargos.

Dia 20

O dia foi novamente ocupado, quase por completo, com o estudo das flores dos Açores. Passei por Vila Franca, mas não consegui subir à Ladeira devido ao caudal elevado da ribeira Nova. Fica a visita adiada para o próximo sábado, caso o tempo permita.

Dia 21

Passei pelo Jardim Botânico José do Canto, onde observei duas plantas ainda por identificar e aproveitei para fotografar várias flores. À tarde, participei numa reunião dedicada ao tema do arvoredo de interesse público e retomei o trabalho no livro sobre flores.

Entretanto, a polémica do momento centra-se na proposta de alteração do CESA, que passaria a incluir uma estrutura com chefe de gabinete, três adjuntos, secretário pessoal e motorista. Será isto razoável? Interessante o parecer da UGT, que sugere aumentar o número de representantes do governo para avaliar propostas do próprio governo. Talvez, levado ao extremo, o mais simples fosse mesmo que todos os membros do CESA fossem indicados pelo governo — ficaria tudo, sem dúvida, em família.

21 de abril de 2026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 


Inaceitável esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 

Em 2004, a associação ecológica Amigos dos Açores denunciou a presença de águas poluídas por esgotos na foz da ribeira da Ribeira Seca, em Vila Franca do Campo. Na altura, a Câmara Municipal informou que iria “providenciar no sentido da sua resolução, estando a respetiva intervenção programada no âmbito do próximo plano”.

 

Volvidos quase 22 anos, uma visita ao local permitiu constatar que a ribeira continua significativamente poluída, recebendo águas provenientes de um esgoto ali canalizado. A persistência desta situação é motivo de séria preocupação: para além dos maus odores, a presença de águas contaminadas num curso de água favorece a proliferação de vetores de doenças e representa um risco evidente para a saúde pública e para o ambiente.

 

A gravidade é acrescida pelo facto de estas águas desaguarem na denominada Praia da Leopoldina, colocando em causa a qualidade balnear e a segurança dos utilizadores.

 

Face a este cenário, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente exige uma intervenção urgente por parte da Junta de Freguesia da Ribeira Seca da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, da GNR-SEPNA e da Direção Regional do Ambiente no sentido de porem termo a esta situação inaceitável e salvaguardar a saúde pública e o equilíbrio ambiental.

 

Açores, 14 de abril de 2026

 

P’lo Núcleo Regional dos Açores da IRIS-Associação Nacional de Ambiente

 

Virusaperiódico (173)

 


Virusaperiódico (173)

 

No domingo, dia 12, para além das tarefas domésticas, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental, através da redação de um texto a denunciar a presença de um esgoto a céu aberto que está a conspurcar as águas da Praia da Leopoldina. Dediquei-me também ao ativismo animalista, divulgando um apelo à não transmissão de touradas — que considero uma forma de tortura — nos vários canais de televisão.

 

Ao verificar que a terra estava muito seca, estive a regar as plantas, talvez mais cedo do que em anos anteriores. Sinais dos tempos?

 

No dia 13, para além de continuar o meu envolvimento no ativismo ambiental, conversei com algumas pessoas que foram alvo de perseguições nos Açores durante o chamado Verão Quente.

 

No final do dia, depois de tentar, sem sucesso, resolver alguns problemas com máquinas que decidiram deixar de funcionar todas ao mesmo tempo, terminei a leitura do livro “In Memoriam de Agostinho da Silva”, um filósofo que me inspira num trabalho que estou a desenvolver e que será tornado público em junho.

 

No dia 14, de manhã, passei pelo Jardim Botânico José do Canto, mas tive de interromper a visita devido à chuva. A tarde foi aproveitada para descansar e para ler as primeiras páginas de um livro sobre António Sérgio.

 

Depois de, no dia 15, ter passado quase doze horas em visitas a hospitais, no dia 16 a vida começou lentamente a regressar à normalidade. Iniciei a leitura do livro de Raquel Varela, “Do 25 de Novembro aos nossos dias: história da contrarrevolução”.

 

16 de abril

domingo, 12 de abril de 2026

Virusaperiódico (172)

 


Virusaperiódico (172)

8 de abril

Foi um dia exigente. A doença de um familiar obrigou-me a permanecer mais por casa e a assumir tarefas fora da rotina. Ainda assim, consegui dedicar algum tempo ao quintal: mondei ervas que estavam a prejudicar algumas plantas e colhi meia dúzia de inhames.A leitura também marcou presença, com mais dois casos do livro de Ricardo Barros.

Pelo meio, surgiu um contratempo inesperado: o telemóvel dava sinais de estar prestes a “explodir”. Dirigi-me a uma loja e fiquei a saber que teria de ficar sem ele, pelo menos, quinze dias, pois a reparação terá de ser feita no Porto. A autonomia dos Açores revela muitas limitações e por vezes total dependência do exterior.

9 de abril

De manhã, estive na biblioteca pública a consultar o jornal A Vila, mas sem sucesso naquilo que procurava. Durante a tarde, regressei ao quintal por alguns minutos e avancei no trabalho de um livro que pretende dar visibilidade a uma parte da história dos Açores frequentemente omitida ou reinterpretada por quem não o deveria fazer.

10 de abril

O dia foi passado maioritariamente em casa, entre pequenas tarefas no quintal e leituras. Explorei partes de um livro sobre a correspondência entre Teófilo Braga e Inocêncio Francisco da Silva. Li também alguns textos do jornal A Batalha, antigo órgão da CGT, cuja assinatura mantenho há muitos anos, embora ultimamente não me tenha agradado tanto.

11 de abril

Um dia intensamente dedicado ao trabalho manual. De manhã, no Pico da Pedra, preparei um espaço para acolher várias plantas — algumas já envasadas, outras em processo de reprodução por estacaria.

Mais tarde, em Vila Franca, cuidei das abelhas e fiz algumas mondas. Acompanhei ainda uma jovem estudante de mestrado numa visita a vários moinhos, infelizmente em ruínas, ao longo da ribeira da Ribeira Seca.

Ao final do dia, já com poucas forças, consegui ainda ler o último conto do livro de Ricardo Barros. Uma leitura recomendável para quem procura algo interessante.

11 de abril de 2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

Virusaperiódico (171)

 



Virusaperiódico (171)

3 de abril

Hoje faltaram-me as forças para ir ao quintal fazer algumas mondas, tarefa já necessária. Fiquei por casa e dediquei-me à leitura. Terminei o livro “Caso Insólito: Igreja ou Centro de Subversão?”, de Octávio Medeiros. Li ainda o primeiro conto de “Árvore Anciã – Contos”, de Ricardo Barros. Um texto notável, que, a meu ver, deveria ser leitura obrigatória nas aulas de cidadania — ao contrário de certos conteúdos que prefiro nem enumerar.

4 de abril

Graças ao paracetamol, consegui passar o dia inteiro a trabalhar na Courela e na Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.

Na Courela, limpei bananeiras e tratei das bananas, além de fazer algumas mondas. Já na Ribeira Nova, para além das últimas colheitas, visitei as colmeias: as abelhas estão saudáveis e a aproveitar bem a abundância de flores desta época. Fiz também algumas mondas e semeei os primeiros girassóis do ano.

No final do dia, ainda tive energia para ler o segundo conto do livro de Ricardo Barros.

5 de abril

Comecei o dia a rever textos antigos sobre a Ribeira Seca e a rascunhar novas notas. Espero que venham a ter interesse para os habitantes da localidade, sobretudo para os mais velhos, guardiões de tantas memórias.

Dediquei ainda algum tempo ao ativismo ambiental e à resposta a várias solicitações. Contudo, devido ao cansaço e à necessidade de concluir projetos em curso, vi-me obrigado a recusar alguns pedidos — pelo menos durante os próximos três meses.

6 de abril

Dia atípico. Visitei uma exposição de pintura de Florinda Pinheiro, na Junta de Freguesia do Pico da Pedra. Foi gratificante descobrir mais um talento naquela freguesia.

Por motivos familiares, não consegui fazer nada de significativo que mereça maior registo. A vida segue, nem sempre como desejamos.

7 de abril

Passei pela Biblioteca Pública de Ponta Delgada, onde consultei o jornal “A Vila”. Fiz depois uma breve visita ao Jardim Botânico José do Canto, apreciando algumas plantas em flor.

O resto do dia foi dedicado à escrita e à reflexão, enquanto aguardava, com inquietação, notícias do cenário internacional. É difícil compreender como um país que se afirma democrático pode eleger líderes responsáveis por decisões que conduzem ao sofrimento de tantos. Infelizmente, a história mostra que não se trata de um caso isolado.

7 de abril de 2026