segunda-feira, 23 de março de 2026

Virusaperiódico (168)

 


Virusaperiódico (168)

16 de março

Comecei o dia em Ponta Delgada, onde tratei de vários assuntos ligados à apicultura. Mais tarde, desloquei-me ao apiário em Vila Franca do Campo para dar continuidade ao trabalho. Passei ainda pela Courela, na Ribeira Seca, onde colhi algumas bananas — poucas, mas suficientes para manter o contacto com a terra. No Pico da Pedra, entreguei-me às memórias da minha terra natal, a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, evocando vivências do início do século XX.

17 de março
Fiz uma visita rápida ao Jardim Botânico José do Canto. Aproveitei para fotografar algumas árvores notáveis, embora tenha ficado com dúvidas na identificação de uma delas — um pequeno mistério botânico que ficou por resolver.

18 de março
Dediquei o dia à reflexão sobre o passado da freguesia da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo. Continuei também a trabalhar sobre o chamado “Verão Quente” nos Açores, um período que se prolongou muito além do 25 de novembro de 1975.

19 de março
Entre tarefas domésticas, prossegui os trabalhos iniciados no dia anterior. Marquei presença nas assembleias gerais de duas associações ambientais: a APPAA e a IRIS – Associação Nacional de Ambiente, reforçando o compromisso com a defesa do património natural.

20 de março
Um dia quase inteiramente dedicado às flores e ao livro que está em preparação. Ainda assim, a minha ligação à Ribeira Seca manteve-se presente nos pensamentos.

21 de março
Voltei à Courela, onde limpei bananas e tratei das bananeiras. Na Ribeira Nova, cortei canas e inspecionei as colmeias. As abelhas deram um sinal claro: falta de espaço. Ou acrescento mais um andar às colmeias, ou correm o risco de partir — um ultimato inequívoco da natureza.

22 de março
Iniciei o dia a trabalhar sobre memórias de 1975 e no desenvolvimento do livro sobre as flores dos Açores, cuja publicação poderá acontecer em maio. Fui até Vila Franca do Campo para responder à exigência das abelhas, aumentando o espaço nas colmeias. Terminei o dia exausto, mas com a sensação de dever cumprido.

 

22 de março de 2026

sexta-feira, 20 de março de 2026

Dia Mundial da Floresta: associações açorianas apelam à valorização e proteção do arvoredo de interesse público

 



domingo, 15 de março de 2026

Virusaperiódico (167)

 


Virusaperiódico (167)

 

No dia 10 de março, depois de uma curta visita ao Jardim Botânico José do Canto, estive na Biblioteca Pública de Ponta Delgada a fazer pesquisas em jornais sobre o ano de 1975.

Em casa, após contactar uma pessoa que foi expulsa dos Açores em 1975, continuei a leitura de pequenos textos sobre Agostinho da Silva.

 

Soube também da morte, aos 83 anos, na ilha da Madeira, do engenheiro Melim Mendes, licenciado em Engenharia de Minas e doutorado em Energia Nuclear. Destacou-se pela contribuição para o desenvolvimento e modernização do setor energético da sua Região, nomeadamente através da introdução das energias renováveis.

 

No dia 11, voltei à Biblioteca Pública de Ponta Delgada para continuar as pesquisas em jornais sobre o ano de 1975 e sobre Simplício Gago da Câmara. De tarde, estive a trabalhar sobre plantas.

 

O dia 12 foi pouco produtivo: mais de metade das tarefas que constavam de uma lista ficaram por fazer. Li, no entanto, um magnífico texto do jornalista e escritor Fernando Dacosta sobre Agostinho da Silva. Retive uma frase deste último: “...o poder não passa de uma vaca. Devemos dar-lhe palmadas no rabo e tentar tirar-lhe o leite; é para isso que ele serve.” Ahahaha!

 

No dia 13, andei pela Ribeira Seca de Vila Franca, onde fui visitar as abelhas, que estão a deliciar-se com a grande quantidade de flores disponíveis, sobretudo as de incenso. Também estive a fazer algumas medições em árvores do Jardim Dr. António da Silva Cabral, na freguesia de São Pedro.

 

No dia 14, não saí do Pico da Pedra. Depois de fazer algumas sementeiras, sobretudo de limoeiro-galego, li mais alguns textos sobre Agostinho da Silva, nomeadamente um relatório que a PIDE escreveu sobre ele.

 

14 de março de 2026

sexta-feira, 13 de março de 2026

As abelhas, Einstein, Agostinho da Silva e nós

 


As abelhas, Einstein, Agostinho da Silva e nós

Ao famoso físico Albert Einstein, criador da Teoria da Relatividade, publicada em 1915, e Prémio Nobel da Física, em 1921, por ter explicado o efeito fotoelétrico, são atribuídas várias frases, sendo algumas delas apenas imaginação dos seus autores.

 

Uma das frases mais difundidas é a de que “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência”. Embora não se saiba se alguma vez Einstein fez aquela afirmação, o que é importante é que se trata de uma chamada de atenção para a importância das abelhas para a vida na Terra.

 

Embora possa parecer inesperada a referência a Agostinho da Silva, um dos mais influentes filósofos e humanistas portugueses do século XX, a verdade é que ele também se dedicou à entomologia — o estudo dos insetos —, incluindo a investigação sobre as abelhas.

 

De entre as suas publicações de carácter técnico e pedagógico, destacamos a intitulada “Apicultura”, datada de 1943, integrada nos seus “Cadernos de Informação Cultural”. Na publicação mencionada, para além de descrever os tipos de colmeias e de apresentar vários conselhos aos apicultores, Agostinho da Silva apresenta uma listagem de plantas que não são aconselhadas a estar próximas dos apiários, bem como de outras que são muito úteis para as abelhas, indicando os respetivos períodos de floração. Para além do referido, Agostinho da Silva recomenda a plantação de várias espécies melíferas, como o ligustro ou alfenheiro, nas estradas, caminhos e vedações de terrenos.

 

Tendo em conta que os polinizadores, como as moscas-das-flores, as borboletas e as abelhas, entre as quais a abelha-do-mel (Apis mellifera), desempenham um papel essencial nos ecossistemas, sendo fundamentais para a conservação da biodiversidade, a produção agrícola e o bem-estar humano, e que os mesmos enfrentam várias ameaças globais, incluindo alterações no uso do solo, invasões biológicas e mudanças climáticas, é fundamental que todos os cidadãos assumam um papel ativo e não fiquem à espera que apenas as entidades governamentais tomem medidas. Muitas vezes, as decisões políticas acabam por ser condicionadas pelas pressões de grandes grupos económicos, fazendo com que determinadas ações fiquem esquecidas ou se limitem a intervenções superficiais, sem impacto real.

 

No passado dia 1 de fevereiro, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente, organização que visa “contribuir para a recuperação e valorização dos valores históricos, promover o restabelecimento do equilíbrio dos ecossistemas e assegurar que bens essenciais como o ar, a água ou as florestas sejam geridos de forma sustentável, sem comprometer o futuro”, divulgou um comunicado no qual apelava à participação ativa dos cidadãos na defesa das abelhas e dos restantes polinizadores.

 

Segue-se um excerto desse comunicado, onde são apontadas algumas ações de fácil execução:

 

- Plantar espécies nativas e diversificadas, especialmente plantas ricas em néctar e pólen, em jardins, varandas ou mesmo em vasos;

 

- Evitar o uso de pesticidas e herbicidas, sobretudo inseticidas, optando por métodos naturais de controlo de pragas;

 

 - Manter espaços verdes mais “naturais”, deixando algumas áreas com flores espontâneas e evitando cortes frequentes da relva;

 

- Apoiar a agricultura sustentável, escolhendo produtos biológicos e locais que promovem práticas mais amigas dos polinizadores;

 

- Valorizar e proteger habitats naturais, respeitando áreas verdes e apoiando iniciativas de conservação;

 

- Sensibilizar outras pessoas, partilhando informação e promovendo atitudes amigas dos polinizadores na comunidade.

 

Pico da Pedra, 17 de fevereiro de 2026


Teófilo Braga

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A - uma oportunidade perdida de afirmar uma verdadeira política regional de valorização do património natural?

 


O Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A - uma oportunidade perdida de afirmar uma verdadeira política regional de valorização do património natural?

 

Na sequência de uma petição enviada à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRA) no dia 5 de abril de 2019, onde se chamava à atenção para uma realidade preocupante: a legislação regional relativa à classificação de arvoredo de interesse público encontrava-se claramente desatualizada e a Lei n.º 53/2012, que estabelece a nível nacional o regime jurídico desta matéria, nunca tinha sido devidamente regulamentada na Região Autónoma dos Açores.

 

A situação era particularmente reveladora de um atraso significativo na proteção do património natural do arquipélago. A lista de árvores classificadas nos Açores incluía apenas 58 exemplares, dos quais 37 no Faial, 14 na Terceira e apenas 7 em São Miguel — números manifestamente insuficientes para um território que possui um património arbóreo de enorme valor histórico, paisagístico e científico.

 

Paradoxalmente, no âmbito da exposição “Plantas e Jardins: A paixão pela horticultura ornamental na ilha de São Miguel”, inaugurada a 22 de fevereiro de 2019, o Doutor Raimundo Quintal apresentou uma proposta de classificação que identificava, apenas para a ilha de São Miguel, 75 árvores isoladas e sete conjuntos arbóreos com valor suficiente para merecer proteção. Esta discrepância demonstrava de forma evidente o atraso e a insuficiência do enquadramento legal existente.

 

Perante esta realidade, a Assembleia Legislativa aprovou por unanimidade o Decreto Legislativo Regional n.º 27/2022/A, de 28 de novembro, que estabelece o regime jurídico de classificação de arvoredo de interesse público na Região Autónoma dos Açores. Tratou-se de um passo importante e amplamente consensual, que reconhecia finalmente a necessidade de proteger de forma mais eficaz este património natural.

 

Contudo, o que se seguiu foi um exemplo claro de morosidade administrativa e falta de prioridade política. Apesar de a lei prever um prazo para a sua regulamentação, esta apenas veio a ser publicada mais de três anos depois, através do Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A.

 

Mais grave ainda é que, após esta longa espera, o resultado fica muito aquém do que seria expectável. Em vez de uma regulamentação que refletisse as especificidades ecológicas, históricas e paisagísticas de uma região insular e politicamente autónoma, o documento aprovado limita-se, na prática, a reproduzir o regulamento nacional com ligeiras adaptações terminológicas.

 

O seu anexo (valores de referência para os subparâmetros dendrométricos) é, de facto, uma cópia integral do anexo do regulamento nacional, sem qualquer esforço sério de adaptação à realidade açoriana. Não houve a preocupação de incluir espécies comuns nos Açores, de eliminar espécies praticamente inexistentes no arquipélago, nem sequer de atualizar alguns nomes científicos já desatualizados.

 

Este resultado fica além do esperado. A autonomia regional deveria permitir adaptar a legislação às características únicas do território, valorizando o conhecimento científico disponível e o património natural do arquipélago. Em vez disso, optou-se por uma solução burocrática e pouco ambiciosa, que ignora as especificidades dos Açores e reduz a autonomia legislativa a um mero exercício de transposição administrativa.

 

A proteção do arvoredo de interesse público não pode ser tratada como uma formalidade. Trata-se de preservar elementos vivos da história, da paisagem e da identidade dos Açores. Quando a legislação regional se limita a “copiar” regulamentos nacionais sem os adaptar à realidade local, perde-se não apenas eficácia normativa, mas também uma oportunidade de afirmar uma verdadeira política regional de valorização do património natural.

 

Açores, 12 de março de 2026

 

Teófilo Braga

 

(membro da direção da IRIS- Associação Nacional de Ambiente)

 

terça-feira, 10 de março de 2026

Virusaperiódico (166)


 


Virusaperiódico (166)

 

6 de março de 2026

 

Hoje denunciei publicamente o mau serviço prestado pelos CTT – Correios de Portugal no Pico da Pedra, situação que afeta sobretudo os mais frágeis, em particular os idosos, que muitas vezes dependem deste serviço essencial.

 

Ainda no Pico da Pedra, passei pelo Parque Maria das Mercês, onde fotografei as primeiras flores a anunciar a primavera. Apesar desse sinal de renovação, saí de lá com alguma tristeza. Há alguns meses escrevi à Junta de Freguesia a alertar para o facto de a ponte móvel do parque se encontrar danificada, mas tudo continua exatamente na mesma.

Fica também a constatação de que alguma formação — ou pelo menos informação — seria útil para quem opera roçadoras: cortar erva é uma coisa; mutilar os troncos das plantas é algo bem diferente.

 

7 de março de 2026

 

Passei grande parte do dia em Vila Franca do Campo, em trabalhos de limpeza de bananas e bananeiras, além de plantar alguns ligustros.

 

Passei também pelo centro da vila e fotografei a Casa da Balança. Não consigo compreender por que razão aquele espaço não está a ser devidamente aproveitado. Parece-me um desperdício evidente de um edifício com potencial.

 

8 de março de 2026 (domingo)

 

O dia foi dedicado à leitura da regulamentação do Decreto Legislativo Regional n.º 27/2022/A, de 28 de novembro, que estabelece o regime jurídico de classificação de arvoredo de interesse público na Região Autónoma dos Açores.

 

Não deixei de notar — com algum desalento — que o Governo Regional levou cerca de três anos para produzir um documento que, em grande medida, replica um diploma nacional. Fica a interrogação sobre a eficácia e o sentido prático de certos discursos autonomistas.

 

9 de março de 2026

 

Hoje tratei de várias bur(r)ocracias e fiz algumas pesquisas sobre plantas.

 

Passei também pelo Jardim Botânico José do Canto, onde entreguei algumas plantas que já existiam no tempo de José do Canto.

 

Retomei ainda a leitura de um livro de depoimentos sobre Agostinho da Silva. Continuo a tentar compreender melhor o seu pensamento e a sua obra, que permanecem profundamente estimulantes.

 

Terminei o dia com uma notícia que me deixou satisfeito: os livros “A Família Miranda e os Açores: Resistência e Multiculturalismo” e “Mata do Dr. Fraga – herança viva de um madeirense” foram integrados no Plano Regional de Leitura dos Açores 2025-2026, na categoria Outros Públicos.

 

9 de março de 2026

 Os livros "A Família Miranda e os Açores: Resistência e Multiculturalismo" e "Mata do Dr. Fraga - herança viva de um madeirense" integram o Plano Regional de Leitura dos Açores, 2025-2026, na categoria Outros Públicos.

A inclusão na lista é um reconhecimento oficial da qualidade e relevância do nosso trabalho, permitindo que este chegue a um público ainda mais vasto e estruturado no contexto da promoção da literacia e da cultura, sendo também o reconhecimento da aposta da editora Letras Lavadas na divulgação do património natural e cultural dos Açores.