Por A IDEIA: Revista de Cultura Libertária em setembro 23, 2026 |
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Por A IDEIA: Revista de Cultura Libertária em setembro 23, 2026 |
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Virusaperiódico (200)
No dia 11, estive a
ler alguns textos de Jaime Brasil publicados no Suplemento d’A Batalha, nos
anos 20 do século passado. Confirmei que Brasil era desalinhado da maioria dos
pensadores do seu tempo, mesmo dos que estavam na sua área ideológica.
O dia 12 de setembro
foi passado quase todo na Ribeira Nova a mondar e a arrancar infestantes.
Aproveitei a oportunidade para “inspecionar as colmeias”, tendo verificado que
até agora há muito pouco mel.
A manhã do dia 13 foi
passada no Porto Formoso a apreciar a maior exposição de urtigas (cóleos) que
conheço e que merece ser classificada como património cultural municipal. A
tarde foi para preguiçar, pois todos temos o direito, pouco reivindicado, à
preguiça.
No dia 14 estive a
preparar alguns vimes para depois usá-los em “empalhar” uma garrafa ou fazer um
pequeno cesto. Recebi a oferta de cerca de uma centena e meia de livros. Terei
tempo útil para ler algumas dezenas que me despertaram a atenção?
No dia 15 passei pelo
Jardim Botânico José do Canto para acompanhar o crescimento dos novos rebentos
do bambu-gigante e tentar localizar os jambeiros existentes. Verifiquei que há
duas plantas adultas que ou não frutificam ou produzem muito poucos frutos talvez por estarem em locais com muito pouca
luz solar.
No dia 16, estive a
ler os primeiros textos da revista “Flauta de Luz”, recentemente chegada e a
reler uma publicação sobre o Dr. José Pereira Botelho.
Na quinta-feira, 17, e
na sexta-feira, 18, andei por Vila Franca do Campo a conviver com familiares e
amigos e a fazer algumas (poucas) colheitas.
No dia 19, estive a
fazer algumas limpezas no quintal e a reler alguns textos sobre o escritor
injustamente esquecido Jaime Brasil.
Finalmente, no
domingo, 20, li alguns textos da revista “Ecossocialismo”. Como é dia de festa
no Pico da Pedra, também foi dia de convívio familiar.
20 de setembro de
2026
Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro
Virusaperiódico (199)
O dia 6 de setembro
foi passado na Courela e na Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do
Campo. Na Courela limpei bananas e bananeiras e estive a tirar algumas guias
dos quivis. Na Ribeira Nova, arranquei alguns feitos, tabaqueiras e conteiras
que em poucos meses estavam a cobrir as plantações de endémicas.
Apesar da desgraça
deste ano em termos de frutas, colhi poucas bananas e os primeiros jambos.
Porque me deitei muto
cedo, na madrugada de domingo dediquei algum tempo ao ativismo ambiental no
âmbito da IRIS, corrigi algumas informações do texto de um livro que irá para a
tipografia em breve e reli algumas partes do livro de João Freire: “Quatro Itinerários
anarquistas- Botelho, Quintal, Santana e Aquino”. Adriano Botelho era natural
da ilha Terceira, Emídio Santana e Tomás de Aquino estiveram presos na mesma
ilha.
Cansado do trabalho
no sábado, para além da leitura, semeei chocalheiras e estive a descascar
vimes.
O dia 7 foi atípico,
não consegui fazer nada de jeito a não ser correr roupa. Nada de jeito também foram
as notícias que recebi. A primeira, foi a de um ex-PCP (será que alguma vez foi
comunista?) era agora figura com algum destaque num partido de protofascistas
em que alguns nem sabem que o são. A segunda foi que na Ucrânia a prostituição
iria ser legalizada por uma boa causa, financiar a guerra.
No dia 8 passei pelo Jardim
Botânico José do Canto, onde observei o crescimento dos bambus (Bambu-gigante-
Bambusa bambos) e um cogumelo galinha-da-floresta (Laetiporus sulphureus).
O dia 9 foi passado a
cobrir (ou melhor a ver cobrir) um frasco de mel com vimes. Não ficou como o
esperado, pois não tínhamos a matéria-prima adequada.
No dia 10, comecei a
leitura do jornal MAPA e li alguns textos de Jaime Brasil publicados no Suplemento
Ilustrado d’A Batalha.
10 de setembro de
2026
Virusaperiódico (198)
No dia 29 de agosto,
trabalhei no quintal, no Pico da Pedra, onde estive a arrancar uma trepadeira
invasora e a fazer algumas podas. Em Vila Franca do Campo, estive a limpar
bananas e bananeiras, na Courela, e a arrancar rícinos na Ribeira Nova, onde
colhi alguns jambos.
Li num jornal que alguém
considerou que havia pontos comuns entre o futebol e a tauromaquia. Esqueceu-se
de dizer que uma coisa é massacrar uma bola e a outra é torturar um animal para
pazear de alguns sádicos. Que rica tradição!
Comecei o domingo,
dia 30, a acabar de rascunhar um texto sobre Jaime Brasil e os Açores e depois
tentei identificar um inseto que estava
numa fotografia enviada por uma pessoa amiga. Trata-se de uma borboleta da
espécie Agrius convolvuli que em criança conhecia como flintintim, mas que
também é conhecida como
borboleta-da-batata-doce ou borboleta-caveira.
Ainda de manhã, antes
de dar o passeio habitual com o Max, estive a divulgar mais uma planta
melífera, desta vez as sécias que eram características dos enfeites das casas
por ocasião das festas do Senhor da Pedra, em Vila Franca do Campo.
Comecei o dia 31 a
ler um texto de Jaime Brasil sobre a educação sexual e depois a reescrever um
texto sobre o seu trabalho como biógrafo e tradutor.
Hoje, 3 de setembro,
de manhã fiz uma caminhada involuntária em Ponta Delgada, sendo a maior parte
do percurso no litoral. As pernas acharam que 7 km era demasiado, para a idade
ou para a falta de treino.
Para descansar um pouco
a mente que anda atarefada com Jaime Brasil, estive a descascar vimes, numa maquineta
que fiz.
3 de setembro de 2026
A propósito da rua António Sérgio
A freguesia do Pico da Pedra prestou
uma merecida homenagem a António Sérgio ao atribuir o seu nome a uma rua
localizada na Picolar. A escolha do arruamento não foi casual nem poderia ter
sido mais adequada, pois integra uma cooperativa de habitação, evocando de
forma simbólica a obra e o pensamento daquele que é considerado o maior
impulsionador do cooperativismo em Portugal. Ensaísta, crítico, pedagogo,
jornalista, historiador, sociólogo, político, cooperativista e filósofo,
António Sérgio deixou uma marca profunda na defesa dos ideais cooperativos e na
modernização da sociedade portuguesa.
Para a VOZ POPULAR,
decidimos dar a conhecer um pouco melhor a figura e o legado de António Sérgio,
dedicando-lhe dois textos. Neste primeiro, abordamos o seu pensamento e a sua
visão sobre a educação; no próximo, centrar-nos-emos no seu contributo para o
cooperativismo.
António Sérgio de Sousa, seu nome completo, nasceu em
Damão, na Índia, a 3 de setembro de 1883, e faleceu em Lisboa, a 12 de
fevereiro de 1969. Filho de um oficial da Armada, que na época desempenhava as
funções de governador de Diu, cresceu num ambiente marcado pelo contacto com
diferentes realidades culturais e sociais, experiência que influenciaria o seu
pensamento.
Durante a Primeira República exerceu funções como ministro da
Instrução Pública no governo de Álvaro de Castro, embora por um curto período,
entre dezembro de 1923 e fevereiro de 1924.
Intelectual profundamente empenhado na renovação da sociedade
portuguesa, António Sérgio nunca aceitou a instauração da ditadura. Depois de
concluir que o regime de Salazar era incapaz de se liberalizar, passou a
defender a sua substituição através de um golpe militar.
A sua oposição ao Estado Novo teve elevados custos pessoais.
Viveu no exílio, foi preso em 1933, 1935, 1948 e 1958, viu várias das suas
obras apreendidas pela censura e foi alvo de sucessivas campanhas de difamação.
Faleceu em Lisboa, em 1969, deixando uma obra vasta e uma influência duradoura
nos domínios da educação, da cidadania e do cooperativismo.
No que respeita à educação, António Sérgio foi um dos mais
importantes pensadores portugueses do século XX. Sobre a escola do seu tempo,
no Dicionário de Educadores Portugueses, dirigido por António Nóvoa,
encontramos a seguinte reflexão do próprio António Sérgio:
"A
escola, até hoje, tem sido um acervo de coisas maléficas, de tratos diabólicos,
de prescrições tirânicas: e já é importantíssima reforma a simples anulação das
coisas más. Grande programa: não fazer mal! A imobilidade nas aulas, os estudos
sem gosto, os rígidos programas, a apreensão passiva, as angústias dos exames,
etc., etc., produzem transtornos de muita espécie. Estabeleçamos a comparação:
em um dos pratos da balança – os muito contestáveis benefícios que tudo isso
pode trazer, no outro -, os danos sabidos que com certeza traz…, Ah, imenso
programa: liberdade ao aluno; não fazer mal."
Para António Sérgio, a escola do futuro deveria assentar em
dois princípios fundamentais: autonomia
e trabalho.
Segundo a mesma obra, "dois grandes objetivos incumbem à escola do futuro:
um deles, a anulação progressiva dos antagonismos sociais, e a instauração da
sociedade justa, pela Escola Única do Trabalho; o outro a realização da
Liberdade na vida da gente adulta, pela educação das crianças no regime da
Liberdade".
A autonomia ocupava, aliás, um lugar central no seu
pensamento. Considerava que tanto na sociedade como na escola ela não podia ser
concedida por decreto, mas antes conquistada pelos cidadãos através da sua
participação ativa. Como escreveu, "não pode ser-nos presenteada pelos
governantes; tem de ser conquistada pelos governados, pacientemente, todos os
dias".
Por fim, importa referir a sua conceção de Educação Cívica. O autor da
biografia que temos vindo a citar sublinha que, para António Sérgio, a defesa
da autonomia assenta na convicção de que "a autonomia e a educação cívica
aprendem-se praticando, e não através de um qualquer ensino ou
disciplina".
Uma ideia que continua a suscitar reflexão e que contrasta
com a forma como, frequentemente, a educação para a cidadania é hoje entendida
e organizada nas escolas.
Pico da Pedra, 10 de agosto de 2026
Teófilo Braga
Flintintim
No passado dia 28 de
agosto, recebi de uma pessoa amiga, MHC, uma fotografia de um inseto, com a
indicação de ter sido a primeira vez por ela observado.
Mal o vi, a minha
mente recuou sessenta anos e identifiquei imediatamente a espécie como sendo um
flintintim, uma borboleta que via na Rua do Jogo da Ribeira Seca, em Vila
Franca do Campo, a voar atraída pelas luzes das lâmpadas da iluminação pública.
À falta de melhor
passatempo, os rapazes capturavam os flintintins. Como estas borboletas possuem
uma tromba longa para sugar o néctar das flores mais profundas, atavam-lhes uma
linha de costura nessa mesma tromba e percorriam as ruas a fazê-las voar, mantendo-as
presas.
Numa pergunta que fiz
numa das redes sociais, pedi o nome pelo qual era conhecida a borboleta. Para
além do nome que eu conhecia, apresento de seguida alguns dos nomes indicados:
besouro, borboleta-caveira, borboleta-da-batata-doce, bicho-da-batata-doce,
flinto-grande e ferrintintim.
O flintintim (Agrius
convolvuli) é uma borboleta noturna que, embora normalmente vista ao
anoitecer, por vezes pode ser observada de dia.
A espécie, de origem
subtropical, encontra-se nos Açores desde o século XVI.
As larvas da Agrius
convolvuli alimentam-se de folhas de convolvuláceas, podendo causar alguns
estragos na batata-doce.
No meu apiário,
localizado na Ribeira Nova, em Vila Franca do Campo, tenho encontrado algumas a
tentar entrar nas colmeias para se alimentarem de mel, mas sem sucesso,
acabando por ser mortas pelas abelhas.
A.H. Botelho
comunicou que se lembra «de os ver, depois de mortos, colocados no interior da
porta da rua fixos com um alfinete». Segundo Carreiro da Costa, tal acontecia porque
se acreditava que, «juntamente com uma ferradura, liberta[va] os donos da casa
do "mau olhado"».
Aconselho, a todos os
que quiserem saber mais pormenores sobre o flintintim, a leitura do livro do
biólogo Virgílio Vieira, Borboletas dos Açores: Papilionoidea e Sphingoidea,
do qual já saíram duas edições, a primeira em 2006 e a segunda em 2009.
Pico da Pedra, 31 de
agosto de 2026
Teófilo Braga