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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Poema de Júlio Oliveira

 


Poema de Júlio Oliveira

 

ao Teófilo Soares Braga 

 

das vidas inominadas e dos apelidos sem nome 

reconduzes na candeia luminosa das ruas sem espaço 

o seu tempo no nosso tempo tão escasso 

de conter as pessoas sem tanto ou quanto renome 

na memória colectiva de uma terra 

sem margens expressivas para comendas  

sem justiça civil que nos mereça louvar 

senão pelo demérito de quem dá mérito 

que o repões com tanto brio na sua justiça de o julgar 

 

vila-franquense que tu também vida exemplar 

das vidas tantas que tu nomeaste 

dos exemplos máximos que tu louvaste  

trouxeste do céu as memórias de quem revelou 

ao mundo os dons que gratuitamente doou: 

e tu vila-franquense sem manchas nódoas nem feitios 

que sempre soubeste onde andavas 

sopras somenos os méritos pelos favores 

e trazes à baila tanto os fervores 

de quem se revelou digno das tuas palavras 

 

assim despeço-me de ti ó digna vida 

que de prometida a exemplar a remetida 

para a cápsula eterna dos que eternos 

na história desta terra de gente ilustre 

por mais que nos digam que tanto custe 

valer a pena contar a nossa história 

brindemos então à tua memória 

e façamos um banquete juntos ó açorianos 

aos acéfalos dos próximos anos! 

domingo, 28 de novembro de 2010

Como é possível?

Texto de um colega professor dedicado a outro colega, após uma conversa a três em Ponta Delgada.
TB


(ao meu colega Rui Alcântara, à conta de uma conversa)

Como foi possível
a grande guerra?
Como foi possível
após dezoito
a barbaridade
de trinta e nove?
Como foi possível
Hitler, Franco, Salazar;
a delação instituída
e os assassínios da pide,
o garrote brutal
da brutal Espanha,
a morte cuidadosamente organizada
em regime industrial
das exterminações nazis?
Como foi possível?

Que classe social
é assim tão imune
ao sentir o que o outro sente;
que mancomunada parte
do tecido social
o próprio discurso tanto
reduz de sentido?
Como é possível?
Como é possível haver
colegas e colegas
a repetirem hoje
os mesmos gestos,
o mesmo egoísmo,
a mesma calculada indiferença,
a mesma fria exclusão?
Como é possível
depois de tanta evidência
dar corpo ainda à veste
remoçando a decrépita figura
do confisco burguês
actualizando-lhe
o capital instrumento
de intimação e saque?
Como é possível?

É que candeia
que vai à frente
ilumina duas vezes
e muito forte é o vento
por dentro e por fora
a soprar a luz
que mesmo assim
nem ela morre
nem soçobra
quem a produz.
Luz de um povo.
Luz de quem luta.
Luz de quem tem honra.
Luz de quem trabalha.
Luz ainda de quem lê
nas linhas e nas entrelinhas
da vida e do discurso;
mesmo daquele discurso
que é a menina dos olhos
de uma economia
e de tantos que em tal discurso
crêem o pão
uns,
outros
o luxo,
e o som sonegam
e isolam e calam
a nascente,
e à teoria lançam a infâmia,
e à prática o engano
a que há que ir fazendo
sem fraqueza o retrato
e a todos demonstrar
a par e passo
onde o logro faz casa
e como o ogro abater!


24/26 Nov 10

Pedro

sábado, 11 de outubro de 2008

Hino da Indignação.

Professores de Portugal
Gente nobre e dedicada
Força fértil e vital
Desta Pátria sufocada
Acorrei todos à praça
Resgatar a Educação
Perdida na nevoaça
Do Outono da Nação

Está na hora de lutar
Com a nossa indignação
Está na hora de bradar
É preciso dizer NÃO

NÃO à condição servil
NÃO à vã mediocridade
NÃO à demissão de Abril
Aos chacais da liberdade
NÃO ao sonho amordaçado
NÃO ao silêncio da voz
NÃO à perda do legado
Da Escola de todos nós

Está na hora de lutar
Com a nossa indignação
Está na hora de bradar
É preciso dizer NÃO

Luís Costa

(recebido por mail)