Mostrar mensagens com a etiqueta MEM. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta MEM. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

MEM

 



O MEM-Movimento da Escola Moderna: um outro modo de educar/ensinar

quarta-feira, 15 de abril de 2020

As estratégias do MEM e o ensino à distância que aí vem




As estratégias do MEM e o ensino à distância que aí vem

No passado dia 12 de março, o Governo Regional dos Açores decidiu encerrar os estabelecimentos de ensino da Região devido à pandemia que a todos nos afeta. No passado dia 1 de abril, o mesmo governo decidiu, e bem, que enquanto as escolas estivessem encerradas todas as atividades letivas seriam ministradas em regime de ensino à distância.
A nível nacional, foi decidido que os alunos do secundário regressariam às escolas para terem as disciplinas que serão alvo de exames nacionais necessários para o prosseguimento de estudos universitários. Sobre esta decisão, tenho sérias dúvidas, pois os riscos para a saúde são enormes. Não seria possível, a título excecional, que este ano contassem apenas as avaliações internas?

Para a implementação do ensino à distância, fruto das circunstâncias, as escolas estão a preparar os seus planos e a maioria dos professores, por iniciativa própria, está a fazer autoformação com recurso à internet.

Alguns pais, pelo menos os que valorizam a instrução, estão aflitos porque passarão a ter de fazer um acompanhamento muito mais intensivo dos filhos, sobretudo dos mais pequenos, e porque terão de saber usar as plataformas digitais que vão ser usadas pelas escolas.

A falta de recursos informáticos e a ausência de conhecimentos por parte de alguns pais, por muita boa vontade que manifestem as escolas, fará com que se acentuem as desigualdades entre alunos.

De entre as práticas docentes, algumas poderão ajudar melhor os alunos a se adaptarem ao ensino à distância, como as que são “usadas” pelo MEM-Movimento da Escola Moderna. Assim, os alunos que já trabalhavam com as estratégias usadas pelo MEM estarão em vantagem em relação aos colegas, pois aquelas apostam no trabalho cooperativo, na autonomia e na autoavaliação.

Que estratégias (algumas) usam os professores do MEM e o que pensam os alunos?

A-               Lista de Verificação (listagem dos conteúdos distribuída aos alunos, no início do ano, em linguagem mais acessível).

A aluna B acha que perde menos tempo a procurar no livro as páginas onde estão determinados conteúdos e fica a saber exatamente o que deve estudar autonomamente. O aluno A pensa que é “uma maneira interessante de os alunos terem um guião de estudo”.

B-                O estudo autónomo (tempo utilizado pelos alunos, individualmente ou em pequenos grupos, para trabalharem em função das suas necessidades e interesses, desenvolverem atividades de treino das aprendizagens, estudarem e realizarem projetos, de acordo com um o PIT-Plano Individual de Trabalho).

A aluna C considera que um PIT permite que se oriente quando está perdida e o aluno T acha que, para além de ser “um método de organização”, com o PIT é obrigado a trabalhar mais.

C-    Aulas onde se dá ênfase à pesquisa, em detrimento das aulas meramente expositivas

A aluna M gosta mais das aulas de pesquisa porque o “aluno aprende sozinho” e não gosta das expositivas porque “só estamos a ouvir e não estamos a fazer nada” e a aluna B prefere as duas “porque gosto mais de pesquisar, mas o professor a explicar fica mais fácil de entender”. O aluno  A, por seu turno, considera que “as duas são boas e devemos encontrar um meio termo para utilizarmos os dois métodos. Os alunos ao pesquisarem estão a ser autónomos, mas o professor também deve falar para nós aprendermos a ter memória e a prestar atenção”.

D-    A aposta na autonomia dos alunos que estão habituados a avaliar o seu trabalho

Sobre o que era um aluno autónomo, as respostas dos alunos do 7ºano de escolaridade foram elucidativas da sua maturidade. Com efeito, segundo a aluna B “um aluno autónomo é um aluno que faz as coisas sozinho e que faz sem o professor o mandar, ou seja, por iniciativa própria” e segundo o aluno A “é um aluno que trabalha, investiga e questiona sozinho. Também tenta ultrapassar as suas dificuldades sozinho”.

Com eles, conscientes de que o ensino à distância não substitui o presencial, a trabalhar autonomamente, tudo faremos para que as distâncias se encurtem e para que tenhamos apenas saudades das aulas práticas no Laboratório de Química.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 32106, 15 de abril de 2020, p. 17)

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Educar de outra maneira: o Projeto Novas Rotas e o Movimento da Escola Moderna, em São Miguel (Açores)


Educar de outra maneira: o Projeto Novas Rotas e o Movimento da Escola Moderna, em São Miguel (Açores)

Teófilo Soares de Braga

“…Isso prova que o homem mais bem-dotado pela natureza só recebe faculdades, mas essas faculdades permanecem mortas se não forem fertilizadas pela ação benfazeja e poderosa da coletividade. Diremos mais. Quanto mais o homem é beneficiado pela natureza, mais ele apreende da coletividade; disso resulta que mais ele deverá devolver-lhe, com toda justiça.” (Mikhail Bakunin)
“…uma escola onde cada um aprenda por experiência com o seu próprio trabalho, tomando como ponto de partida a sua experiência vivida e os problemas por ela suscitados, autocontrolando os seus resultados e pondo-os ao serviço da formação da sua personalidade integrada numa comunidade escolar” (Aurélio Quintanilha)

Na ilha de São Miguel, desde o ano letivo de 2018-2019, está em funcionamento o Projeto Novas Rotas, um projeto de inovação pedagógica que veio ampliar a oferta educativa e permitir a liberdade efetiva dos encarregados de educação escolherem uma nova forma de organização escolar que é mais eficaz na promoção de valores e competências para os seus educandos.

O Projeto Novas Rotas, da Escola Básica Integrada de Capelas, São Miguel, Açores, é inspirado nos pressupostos teóricos da Educação Holística e na lógica organizativa do Projeto Âncora, Brasil, e da Escola da Ponte, uma escola pública criada por José Pacheco, em 1976, que funciona em São Tomé de Negrelos, concelho de Santo Tirso, distrito do Porto. De acordo com o que se pode ler na página Web da Escola da Ponte, “a organização que esta Escola põe em prática inspira uma filosofia inclusiva e cooperativa que se pode traduzir, de forma muito simplificada no seguinte: todos precisamos de aprender e todos podemos aprender uns com os outros e quem aprende, aprende a seu modo no exercício da Cidadania.”

No ano letivo 2019-2020, os 43 alunos que frequentam o Projeto Novas Rotas continuarão a aprender o currículo de forma diferente. Com efeito, de acordo com declarações recentes da sua Coordenadora, Conceição Medeiros, à Agência Lusa, “Não há aulas, não há turmas definidas, não há professores fixos por disciplina – tudo é mais flexível, as crianças vão aprendendo o currículo através do desenvolvimento de projetos, projetos de vida, projetos de intervenção comunitária, de consciência planetária e também projetos académicos”.
Uma realidade que faz com que este projeto se distinga do que se passa nas escolas públicas dos Açores é o forte envolvimento dos pais, sem os quais acreditamos que o projeto nunca seria implementado e a sua continuação estaria posta em causa. A título de exemplo, referimos que foram eles os grandes responsáveis pelas adaptações necessárias ao funcionamento do projeto no edifício onde está a funcionar e para este ano letivo foram eles, com apoios diversos, nomeadamente de voluntários vindos Chile, Espanha, Canadá, Inglaterra, Uruguai, Hungria, Israel e Austrália que construíram uma nova sala.

Na mesma ilha funciona um Núcleo Regional do Movimento da Escola Moderna (MEM) que, criado em 2018, promove a autoformação cooperada de professores, quer através de grupos cooperativos, quer nos “Sábados Pedagógicos” que têm ocorrido, na sua maioria, na Escola Secundária das Laranjeiras, em Ponta Delgada.

O Movimento da Escola Moderna surgido “a partir da atividade de seis professores que se constituíram, em fevereiro de 1965, num Grupo de Trabalho de Promoção Pedagógica impulsionado pelos cursos de aperfeiçoamento profissional de professores que Rui Grácio promoveu e dirigiu no Sindicato Nacional de Professores”, tem como principal mentor o pedagogo Sérgio Niza.

O MEM que se inspirou em vários pedagogos, entre os quais o francês Celestein Freinet apresenta em relação a este algumas diferenças. De acordo com declarações de Sérgio Niza, prestadas, em 1997, à revista Noésis: “Não partimos como Freinet da ideia de construir um modelo escolar, mas sim de nos formarmos como professores e dessa forma irmos fazendo avançar as nossas práticas. […] Isso não impede que ainda hoje utilizemos algumas técnicas Freinet, porque, em boa verdade, as técnicas Freinet não eram dele. Foram técnicas que estavam disponíveis e a que deu novo sentido”.

Os professores e educadores do MEM, que trabalham tanto em escolas públicas como particulares, perfilham um “modelo sociocêntrico de educação, acelerador do desenvolvimento moral e social das crianças e dos jovens, através de uma ação democrática exemplificante no decurso da educação formal”.

No modelo do MEM, o professor deixa de ser um mero transmissor de conhecimentos e é passa a ter como função principal a organização social das aprendizagens.

O MEM considera que na ação pedagógica a representatividade não é democrática. Sobre o assunto Sérgio Niza escreveu o seguinte:

“Todo o poder que se afirma por via da representatividade faz reproduzir a ideia de representação que pressupõe sempre uma ideia de elite. Há uns (que são) os eleitos e os outros…porque nós sabemos que (os eleitos) têm sempre mais poder, mais capacidade de intervenção. São questões fundamentais da democracia, que a democracia política não conseguiu resolver, mas que a democracia educativa poderá resolver”.

A democracia nas salas de aula concretiza-se na participação dos alunos na gestão dos conteúdos programáticos, na organização dos meios didáticos e dos tempos e dos espaços e é instituída num Conselho de Cooperação Educativa.

Para o MEM as crianças e jovens são cidadãos e nas aulas fazem a aprendizagem da Cidadania como demonstram, entre outros, dois dos postulados que sintetizam o modelo pedagógico do movimento:

- A cooperação e a interajuda dos alunos na construção das aprendizagens dão sentido ao desenvolvimento curricular;
- Os alunos intervêm no meio, interpelam a comunidade e integram na sala “atores” da comunidade educativa como fontes de conhecimento dos seus projetos de estudo e de investigação”

Para saber mais:

González, P. (2002) O Movimento da Escola Moderna. Porto: Porto Editora.
Morais, P. (2017). Voltemos à Escola. Lisboa: Contraponto Editores

http://www.escoladaponte.pt/novo/
https://novasrotasblog.wordpress.com/
http://www.movimentoescolamoderna.pt/
https://www.projetoancora.org.br/

Letra a Letra, nº 9, fevereiro de 2020
Nota: a revista Letra a Letra pode ser pedida através do seguinte contacto: jope103@hotmail.com

quinta-feira, 25 de julho de 2019

A propósito (ou não) de um Congresso sobre Educação


A propósito (ou não) de um Congresso sobre Educação

Na semana passada, entre os dias 18 e 20 de julho, realizou-se no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa o 41º Congresso do Movimento da Escola Moderna (MEM), uma associação pedagógica de professores e de outros profissionais da educação com dois núcleos nos Açores, um na ilha Terceira e outro em São Miguel.

No texto de hoje, para além de algumas impressões sobre o evento, apresentarei algumas preocupações relativas ao ano escolar que se avizinha, onde pela primeira vez se vai generalizar a todas as turmas de início de ciclo novas matrizes curriculares para o ensino básico.

Relativamente ao número de participantes no congresso, é impressionante que, depois de um ano letivo de muito trabalho e cansaço, mais de quinhentos professores e educadores se disponibilizaram para estar presentes e alguns (mais de 80) para partilhar as suas práticas durante três longos dias.

Digna de registo é a idade da grande maioria dos participantes que, sendo baixa, revela que há razões para se ter esperança no futuro da educação no que diz respeito ao empenhamento e alteração de práticas nas salas de aula, onde os meios pedagógicos passem a vincular os fins democráticos da educação e o professor deixe de ser o único detentor da “verdade” e passe a ser o organizador das aprendizagens.

Outra informação que colhemos e que é preocupante é a inadmissível ingerência de alguns dirigentes de escolas sobretudo particulares e dos pais nas salas de aula, obrigando os professores a não usar estratégias inovadoras e fazendo-os a regressar às aulas expositivas. Para além disso, numa altura em que se apela à participação e à cooperação é uma aberração inqualificável alguns pais impedirem que os seus educandos ajudem colegas com mais dificuldades.

Para além do referido, o contato com alguns colegas de várias regiões do país leva-me a concluir que há um forte desejo de mudança, mas que uma das principais causas de não avançarem é o seu isolamento. Não estando o movimento implantado em muitas localidades, a solução só pode passar pelo recurso às novas tecnologias de informação e comunicação, através da criação de grupos cooperativos com membros de vários núcleos regionais ou da partilha de informações, materiais pedagógicos ou instrumentos de pilotagem.

Nas conversas mantidas com outros colegas, também, fiquei a saber que em alguns locais há quem frequente os Sábados Pedagógicos com o objetivo único de replicar ou adaptar as estratégias ou os instrumentos de pilotagem usados no MEM para uso em contextos onde se pretende apenas obter bons resultados em termos de aquisição de conhecimentos e não a formação integral dos alunos.

Embora considere que ninguém é obrigado a seguir o modelo pedagógico daquele movimento e saiba que há outros modelos e correntes pedagógicas que com toda a legitimidade possam ser seguidos pelos meus colegas, recordo o que sobre o assunto escreveu Maria Gutierrez: “Nem os instrumentos nem as técnicas têm sentido em si mesmos, pois pode-se muito bem conhecer e aplicar uma técnica e continuar a utilizá-la num contexto tradicional baseado na passividade do aluno”.

Não podendo comentar todas as sessões a que assisti, optei por fazer uma referência ao painel “Educação, sustentabilidade e economia circular” onde destaco um conjunto de informações importantes acerca dos desperdícios de recursos nas nossas sociedades e a experiência da construção de uma horta numa escola.

Não vou debruçar-me sobre o conceito de economia circular, mas parece-me que será ou poderá ser outro chavão a juntar ao de desenvolvimento sustentável usado pelos nossos políticos para continuarem a destruir o nosso planeta.

Por último, um aviso à navegação. A escola sozinha não muda a sociedade e a educação nunca é neutra. Como muito bem escreveu Paulo Freire, a atividade dos educadores “desenvolve-se ou para a libertação dos homens - a sua humanização -, ou para a sua domesticação - o domínio sobre eles”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31885, 25 de agosto de 2019, p.16)

quarta-feira, 13 de março de 2019

NA LINHA DO MEM - MOVIMENTO DA ESCOLA MODERNA

NA LINHA DO MEM - MOVIMENTO DA ESCOLA MODERNA







INTRODUÇÃO/JUSTIFICAÇÃO


O alargamento da escolaridade obrigatória não significou o surgimento de uma “escola de todos que permita a cada um ir o mais longe possível no processo de aprendizagem e desenvolvimento” (Nóvoa, 2012).

Analisando os resultados escolares facilmente se conclui que estão longe do desejável, já que as retenções e o abandono precoce, apesar das várias medidas tomadas pelas entidades governamentais, continuam elevados. Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), sobre o assunto afirmam o seguinte: “A escola não tem promovido, em geral, a igualdade de oportunidades educativas para os alunos, visto que a sua organização foi concebida para alunos da cultura média dominante”.

Sérgio Niza, citado por Grave- Resendes e Júlia Soares (2002) defende que “só a partir de uma pedagogia diferenciada centrada na cooperação entre professor e os alunos e destes entre si se poderão por em prática os princípios da inclusão, da integração e da participação democrática, isto é, os Direitos da Criança”.

Desde 2015, temos participado em ações de formação promovidas pelo MEM- Movimento da Escola Moderna, associação de profissionais da educação, professores e educadores, que propõe a implementação, nas escolas, de um modelo pedagógico onde os alunos são envolvidos e corresponsabilizados pela sua aprendizagem.

Em anos anteriores, sobretudo no ensino básico apliquei algumas estratégias/técnicas e instrumentos de pilotagem usados pelo MEM. Este ano pretendo aplicar o Modelo Pedagógico do MEM de forma mais globalizada.

O que é o MEM?

O Movimento da Escola Moderna é uma Associação Pedagógica de Professores e de outros Profissionais da Educação. Criado nos anos 60, foi formalizado juridicamente como associação pedagógica em 1976.
Constituído por mais de dois mil profissionais empenhados na integração dos valores democráticos na vida das escolas, encontra-se hoje espalhado por quase todo o país e organiza-se em Núcleos Regionais.

Através dos Núcleos, desenvolve anualmente um vasto Plano de Formação, que se concretiza, predominantemente, em ações sistemáticas integradas nas estruturas de autoformação cooperada ou no quadro de formação contínua de professores – formação acreditada – promovida pelo Centro de Formação do MEM e apoiada pelo Centro de Recursos.

Em 2001 o MEM foi reconhecido como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública e em maio de 2004, no âmbito das comemorações do 30º aniversário do 25 de Abril, foi agraciado como Membro-Honorário da Ordem da Instrução Pública.

Em 2018, foi criado o Núcleo Regional de São Miguel, que tem promovido a formação de professores nos “Sábados Pedagógicos” que têm ocorrido na Escola Secundária das Laranjeiras.

Princípios Estratégicos

O Modelo Pedagógico do MEM , de acordo com Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), é “sociocêntrico cuja prática democrática da gestão dos conteúdos, das atividades, dos materiais, do tempo e do espaço se fazem em cooperação. A participação dos alunos na organização, gestão e avaliação cooperadas de toda a vida da turma constituem um exercício de cidadania democrática activa”.

A cultura pedagógica do MEM, segundo Sérgio Niza, citado por González (2002) está subordinada aos seguintes princípios estratégicos:

“1. Os meios pedagógicos veiculam (em si) os fins democráticos da educação.

2. A actividade escolar enquanto contrato social e educativo, explicitar-se-á através da negociação progressiva dos processos de trabalho que fazem evoluir a experiência pessoal para o conhecimento dos métodos e dos conteúdos científicos, tecnológicos e artísticos.

3. A prática democrática de planeamento (actividades e projectos) organização, avaliação e regulação social da vida escolar, partilhada por todos, institui-se em conselho de cooperação.
4. Os processos de trabalho escolar reproduzem os processos sociais autênticos da construção da cultura nas ciências, nas artes e no quotidiano (homologia de processos).


5. A informação partilha-se através de circuitos sistemáticos de comunicação dos saberes e das produções culturais dos alunos (ciclos de produção/consumo).


6. As práticas escolares darão sentido social imediato às aprendizagens dos alunos, através da partilha dos saberes e das formas de intervenção social.


7. Os alunos intervêm ou interpelam o meio social e integram na aula “actores” comunitários como fonte de conhecimento nos seus projectos.”



Estratégias/técnicas

Conselho de Cooperação Educativa

É composto por todos os membros da turma e alunos que se reúnem para:

- Regular as relações sociais na turma e instituir normas de convivência;

- Gerir eventuais conflitos na turma;

- Planear, acompanhar, orientar e avaliar as aprendizagens;


Tempo de Estudo Autónomo

É um tempo utilizado pelos alunos, individualmente ou em pequenos grupos, para trabalharem em função das suas necessidades e interesses, desenvolverem atividades de treino das aprendizagens, estudarem e realizarem projetos.

É o tempo ideal para o professor apoiar os alunos com dificuldades em determinadas áreas de aprendizagem.
Trabalho de Projeto

É uma modalidade de trabalho que existe há muito tempo, mas que não tem sido suficientemente ou devidamente utilizada.

De acordo com, Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), entre outros aspetos a considerar no MEM no trabalho de projeto:

“- Os autores dos projetos são os alunos;
- Não há um projeto único para toda a turma. Desenvolvem-se, em simultâneo, vários projetos em diferentes fases de execução;
- Não há grupos fixos. Formam-se segundo os interesses dos alunos pelos temas;
- Os processos e os produtos de cada projeto são objeto de comunicação à turma;
- Os alunos que comunicam elaboram questionários, fichas ou outros instrumentos destinados a averiguar até que ponto a sua comunicação contribuiu para a aprendizagem pelos seus colegas.
- O professor apoia rotativamente os alunos.”


Materiais pedagógicos

- Manual adotado e outros

- Fichas

- Livros

- Computador com ligação à internet

- Filmes/vídeos

- Trabalhos dos alunos


Instrumentos de pilotagem

De entre os instrumentos de pilotagem existentes, pretendemos aplicar os seguintes:

- Planos anual (PA)

Consiste essencialmente de uma listagem de conteúdos e atividades cujo principal objetivo é dar o programa oficial em linguagem acessível aos alunos.

De acordo com Pires (2006), os alunos na elaboração do PA podem:

“- Apresentar interesses e expectativas, a serem contemplados no Plano Anual;

- Apresentar propostas de trabalho para o Plano Anual;

- Discutir e negociar (procurando o consenso) as várias propostas;

- Tomar decisões, em conjunto com o professor e os restantes colegas.”


- Plano Individual de Trabalho (PIT)

É um roteiro que guia o trabalho dos alunos, tendo um papel determinante no incremento da sua autonomia ao mesmo tempo que faz com que eles se comprometam e se responsabilizam pelo que têm de fazer.

No PIT para além de um espaço destinado às tarefas a realizar pelo aluno há uma área destinada à autoavaliação e à heteroavaliação


- Diário de Turma

É o registo do que se passa na turma, ocorrências positivas e negativas e do que de mais significativo foi realizado. Serve de suporte à negociação e à regulação da vida da turma.



Critérios de Avaliação

- Assiduidade

- Pontualidade

- Autonomia

- Trazer material necessário

- Respeitar as regras de conduta

- Capacidade de autoavaliação

- Observa e coloca questões pertinentes, relaciona ideias e persiste nas tarefas propostas.

- Interpreta enunciados, escolhe estratégias adequadas e verifica criticamente os resultados, justificando o seu raciocínio.

- Recolhe, organiza e interpreta, de forma criteriosa, informação relacionada com a física e a química.

- Realiza as tarefas propostas

- Realiza tarefas por iniciativa própria.

- Faz os registos das aulas

- Intervém de forma adequada

- Respeita as ideias dos outros

- Revela espírito de interajuda

- Reflete e critica o seu trabalho e o dos colegas

- Revela hábitos de trabalho




Instrumentos de Avaliação


- Grelhas de registos de observação

- Observação direta/participação no trabalho da aula

- Registos de participação oral e escrita

- Trabalhos individuais /a pares /em grupo

- Observação/correção dos trabalhos produzidos nas aulas

- Fichas de avaliação sumativas

- Fichas de avaliação formativas

- Fichas de auto e heteroavaliação

- Caderno diário


BIBLIOGRAFIA


González, P. (2002). O Movimento da Escola Moderna- um percurso cooperativo na construção da profissão docente e no desenvolvimento da pedagogia escolar. Porto: Porto Editora.

Grave-Resendes, L., Soares, J. (2002). Diferenciação Pedagógica. Lisboa: Universidade Aberta.

Nóvoa, a. (2012). Ética, pedagogia e democracia são exatamente a mesma coisa. In Nóvoa, A., Marcelino, F., Ramos do Ó, J. (orgs.), Sérgio Niza escritos sobre educação, Lisboa: Tinta da China

Pires, J. (2006). O Planeamento no Modelo Pedagógico do Movimento da Escola Moderna. In revista Escola Moderna, nº 17, pp 23-66

Setembro de 2018