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quinta-feira, 11 de julho de 2019
A Campanha SOS- Cagarro e os Ambientalistas de Alcatifa
A Campanha SOS- Cagarro e os Ambientalistas de Alcatifa
Em Novembro de 1993, coordenada pelos Amigos dos Açores, teve inicio a campanha "A Escola e o Cagarro", no âmbito da qual foi aplicado um inquérito, sobre a espécie, destinado a alunos das escolas, nomeadamente do 1º e 2º ciclos do ensino básico, e distribuídos 10 mil folhetos.
Foi esta iniciativa, que teve como principal mentor o Eng. Luís Monteiro, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, que deu origem à actual campanha “SOS- Cagarro”. Esta tem como objectivo principal salvar o maior número possível de cagarros, a ave marinha mais abundante dos Açores, cujo número se encontra em regressão a nível mundial.
Não sendo o cagarro propriedade de ninguém, das entidades oficiais espera-se, apenas, a disponibilização de informação e meios ao cada vez maior número de voluntários que todas as noites, nos meses de Outubro e de Novembro, se disponibilizam para participar nas brigadas que se têm constituído para a recolha de cagarros e sua posterior devolução ao mar.
Para além dos voluntários já referidos, é de louvar o papel de algumas associações ou grupos informais, como os Amigos dos Açores e os Amigos do Calhau, de São Miguel, e o CADEP, de Santa Maria, que têm coordenado o trabalho voluntário e promovido a defesa daquela espécie sobretudo no Grupo Oriental dos Açores.
De igual modo, embora não seja de estranhar, as mais de trinta associações reconhecidas como tal pela Assembleia Legislativa Regional dos Açores mantêm um silêncio absoluto sobre o assunto e têm-se abstido de qualquer participação activa nesta campanha.
Embora respeitemos a pluralidade do denominado movimento ambientalista, não compreendemos a sua descoordenação e muito menos a tentativa periódica, de alguns, de criar estruturas que têm apenas como o objectivo de lá se colocarem com vista a tornarem-se visíveis para posteriores voos.
A obsessão em serem representantes de outros em comissões ou nos variados conselhos consultivos e a fobia em trabalharem no terreno, junto das populações, onde estão localizados os problemas ambientais, que mais não são do que problemas sociais, faz com que eles pertençam a uma tipologia especial: a dos ambientalistas de alcatifa.
T.Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, nº 429, p.20, 30 de outubro de 2009)
quarta-feira, 10 de julho de 2019
GRUTA DO CARVÃO- UMA PROMESSA QUE URGE CUMPRIR
GRUTA DO CARVÃO- UMA PROMESSA QUE URGE CUMPRIR
Ao pobre não prometas…
Na primeira metade da década de oitenta do século passado, incentivado pelo Dr. George Hayes e com a sua imprescindível companhia e de outros amigos e familiares, iniciámos a exploração de grutas vulcânicas da ilha de São Miguel, entre elas a Gruta do Carvão.
Após aquela data e quase até hoje, temos investido muito do nosso tempo naquela cavidade vulcânica, através do seu estudo, da inventariação da sua riqueza em termos de estruturas, no acompanhamento de dezenas de visitas de estudo com alunos de diversas escolas, na elaboração de uma proposta de classificação da mesma como área protegida, em trabalhos de limpeza de que resultaram a retirada de algumas toneladas de lixos e entulhos, etc.
Em ofícios recebidos pela Associação Amigos dos Açores, da qual fomos presidente da direcção, o então Secretário Regional da Habitação e Equipamentos, Dr. José Contente, comunicou que, após a construção do abrigo de acesso situado na “Variante à ER 1-1ª em Ponta Delgada, Trecho Nó de São Gonçalo - Aeroporto” entregaria a posse útil do mesmo à Associação Amigos dos Açores.
Ainda na qualidade de presidente da direcção dos Amigos dos Açores efectuamos diligências, junto da Vice-Presidência do Governo Regional dos Açores, com a concordância da Senhora Secretária Regional do Ambiente, Dr.ª Ana Paula Marques, com vista a que aquela promessa fosse cumprida.
Já não tendo quaisquer funções de direcção nos Amigos dos Açores, tomei conhecimento que contrariando o que anteriormente estava acordado a actual tutela do ambiente não pretende cumprir o anteriormente prometido.
Hoje, desencantado com quem gere a coisa pública e com a chamada sociedade civil que está apática perante as injustiças e não participa, como seria seu dever, quer na denúncia de todas as irregularidades e mesmo ilegalidades, quer na construção de alternativas, pouco me resta senão continuar a exigir publicamente que o uso do abrigo de acesso da Gruta do Carvão seja cedido aos Amigos dos Açores.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, nº 418, p.23, 21 de agosto de 2009)
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terça-feira, 9 de julho de 2019
BEM-ESTAR ANIMAL
BEM-ESTAR ANIMAL
“A grandeza de uma nação e o seu progresso moral podem ser medidos pelo modo como os seus animais são tratados”(Gandhi)
A nossa recente participação num movimento cívico de oposição à introdução da sorte de varas e nos movimentos de contestação às anteriores tentativas, bem como a colaboração na campanha anual em prol do salvamento de cagarros e na recolha e tratamento, pontuais, de outros animais selvagens, leva-nos a chegar à conclusão de que a sociedade açoriana evoluiu no que diz respeito à preocupação com o bem-estar animal.
Hoje, cada vez mais encontramos pessoas, dos mais diversos estratos sociais, que participam na campanha SOS- Cagarro e que recolhem milhafres, mochos e outras espécies e se preocupam com a sua recuperação e devolução à natureza. Na campanha referida, anteriormente, confirmamos que, sobretudo na ilha Terceira, as pessoas que gostam das touradas à corda têm um respeito para com o touro, sendo muito sensíveis ao modo como aquele é tratado, não admitindo os maus tratos que os animais sofrem noutro tipo de actividades tauromáquicas e pugnando pela introdução de melhorias nos regulamentos daquelas de modo a garantir um melhor tratamento dos touros e a diminuição dos riscos para as pessoas.
Face ao querer e sentir dos açorianos, a ALRA- Assembleia Legislativa Regional tem que criar um corpo legislativo que promova o bem-estar animal, fomente a cidadania e tenha por base os princípios constantes da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada pela Unesco em 27 de Janeiro de 1978. A propugnar o referido, recentemente, a Associação dos Amigos dos Animais da Ilha Terceira remeteu à ALRA uma petição com 2121 assinaturas de habitantes daquela ilha.
De igual modo, os Municípios açorianos deverão aprovar e implementar regulamentos concelhios que promovam o bem-estar animal, adoptem princípios de precaução contra actos que inflijam sofrimento aos animais e incentivem o voluntariado e a cooperação com as associações zoófilas existentes ou que se venham a constituir.
Estando em ano de eleições autárquicas, e sabendo que vários municípios têm problemas nomeadamente com animais de companhia abandonados, desafiamos todos os candidatos a apresentarem publicamente o que pensam fazer para promover, nos seus concelhos, o bem-estar animal.
TB
(Publicado no Jornal Terra Nostra, nº 406, p.23, 22 de maio de 2009)
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segunda-feira, 8 de julho de 2019
Política e touradas
Política e touradas
A recente campanha contra a introdução da sorte de varas e de touradas de morte nos Açores, iniciativa do Blogue Terra Livre/CAES - Colectivo Açoriano de Ecologia Social e que contou, até ao momento, com a adesão de duas das principais associações açorianas, a Associação de Amigos dos Animais da Ilha Terceira e os Amigos dos Açores - Associação Ecológica, e do CADEP, de Santa Maria, tem constituído, para nós, uma surpresa. Surpresa pelo facto de ser um tema que tem unido pessoas de diferentes orientações politico - partidárias e de diferentes organizações de várias ilhas dos Açores, tanto junto dos defensores do bem- estar animal como dos partidários da introdução das práticas bárbaras e não tradicionais que são as touradas picadas e os touros de morte.
Quer através dos depoimentos recebidos por correio electrónico que dos que têm sido publicados na comunicação social constata-se que curiosamente são os terceirenses os que mais veementemente se opõem ao desrespeito da tradição e à introdução de práticas mais bárbaras, havendo alguns que inclusive se opõem a todo o tipo de touradas.
Contra as corridas picadas também se manifestam os aficionados e amantes da corrida à portuguesa que afirmam que a sorte de varas é o prazer de meia dúzia de pseudo - aficionados.
Curiosa, ou talvez não, é a união de alguns conservadores da ala direita e da ala esquerda do espectro político que, por minguarem-lhes os argumentos, consideram que a campanha é obra dos imperialistas micaelenses que querem acabar com a cultura do povo da Terceira.
Embora não sejamos adeptos de qualquer tipo de tourada, achamos que as touradas à corda valem pelo convívio que proporcionam enquanto consideramos imoral a venda, como espectáculo, da tortura infligida ao touro que são as touradas de praça. Assim, achamos que, não só pelos animais, mas também, pelo risco de vida que correm os próprios homens deveriam ser repensadas as primeiras e abolidas as segundas. Felizmente, nesta luta não estamos sós. Basta lermos João Ilhéu que fala na evolução que sofreram as touradas à corda ao longo dos tempos e outro ilustre, mas pouco conhecido, terceirense que foi o libertário Adriano Botelho que afirmou: ”fazem-se por outro lado, reclames entusiastas de espectáculos, como as touradas de praça onde por simples prazer se martirizam animais e onde os jorros de sangue quente, os urros de raiva e dor e os estertores da agonia só podem servir para perverter cada vez mais aqueles que se deleitam como aparato dessa luta bruta e violenta, sem qualquer razão que a justifique”.
A recente investida foi precedida da tentativa de “exportar” para outras ilhas touradas à corda, de que são exemplo algumas touradas realizadas em São Miguel, lideradas por Joaquim Pires e João Ponte.
Em abono da verdade, ambas as investidas, têm em comum o facto de tentar impor o que nem é tradição e tentar expandir um negócio que não estará a correr bem ou que se insere na lógica capitalista de crescer a todo o custo, desrespeitando animais e pessoas.
O silêncio dos deputados, sobretudo os do chamado arco governamental, é sintomático de que nos Açores poderemos assistir em breve a um “retrocesso civilizacional” se não continuarmos a campanha de sensibilização para a necessidade de promover uma educação, cultura e legislação que garantam os direitos dos animais.
Vamos desertar do medo e reforçar a luta pela alteração do modelo actual de produção e consumo que é responsável pela violação dos direitos humanos e ambientais da maior parte da humanidade, sendo também responsável pelo sofrimento infligido aos animais.
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, nº 398, p.7, 27 de março de 2009)
domingo, 7 de julho de 2019
A Propósito do Programa Eco-escolas e da Educação Ambiental
A Propósito do Programa Eco-escolas e da Educação Ambiental
No passado dia 10 de Janeiro, vários órgãos de comunicação social noticiavam o facto do projecto Eco-escolas atingir nos Açores a maior taxa de implementação do programa em Portugal e uma das mais elevadas na União Europeia.
Para nós, não só este projecto bem como a educação ambiental que se faz nos Açores mereciam uma reflexão aprofundada da parte de todos os interessados, professores e educadores, associações de defesa do ambiente e da tutela da área do ambiente, nos Açores.
Por falta de disponibilidade de tempo e de espaço, a seguir, apenas apresentamos algumas notas soltas.
1-A projecção do Eco-escolas, nos Açores, resulta sobretudo do trabalho voluntário de alguns professores e educadores que tem contado, nos últimos anos, com o apoio e incentivo de alguns directores das ecotecas;
2-O apoio que os professores têm tido da tutela do ambiente contrasta com as dificuldades que têm sido levantadas pela Secretaria Regional da Educação. A prova disto, são os entraves que ao longo dos anos têm sido colocados à participação dos professores nas formações anuais, quer nos Encontros Regionais de Educação Ambiental quer nos Encontros das Eco-escolas, de tal modo que alguns se têm realizado aos fins-de-semana.
3-Em algumas escolas o projecto não é assumido pelos Conselhos Executivos, não passando de uma actividade marginal desenvolvida por um ou dois professores e envolvendo apenas uma ou outra turma;
4-O galardão “Bandeira Verde” está banalizado, já que é atribuído a “qualquer” escola que faça uma ou duas actividades e que apresente um relatório final. Quanto a nós, para que tal acontecesse seria necessário que houvesse um envolvimento significativo na escola e que alguns parâmetros do seu desempenho fossem alterados, como redução do consumo de energia, de papel ou de água, limpeza dos espaços interiores e exteriores, etc. A título de exemplo, no final do ano passado estava a passar junto a um estabelecimento de ensino de Ponta Delgada que tinha hasteada a Bandeira Verde e cujos jardins exteriores pareciam um matagal. Uma situação destas nunca deveria ocorrer.
5-Em relação à Educação Ambiental, desde o início existiu algum voluntarismo na sua implementação, mas nunca houve uma reflexão séria sobre o que se pretende com ela, e nunca se pensou na criação e implementação de uma Estratégia Regional de Educação Ambiental.
O único documento que conhecemos, é um “Plano Estratégico” publicado no boletim Ecológico, nº 10, de Setembro/Outubro de 1999, assinado por Eduarda Goulart (1), que não foi suficientemente divulgado e nunca foi alvo de qualquer discussão pública.
6-A própria Rede Regional de Ecotecas tem sido criada sem estar sujeita a um plano devidamente pensado que tenha em conta as necessidades das populações-alvo. Vejamos dois exemplos:
a. Depois de anunciada a sua abertura para o primeiro trimestre de 1998 (ver “Ecológico nº1, Fev/Mar de 1998), a primeira Ecoteca que estava prevista para Santa Maria, acabou por ser implantada no Pico em 1999. Razões para esta alteração são desconhecidas.
b. Nunca houve qualquer explicação ou justificação aceitável para a instalação da Ecoteca da Lagoa. Com efeito, o concelho da Lagoa, pela sua dimensão, pelo número de crianças em idade escolar, pela sua proximidade a Ponta Delgada não deveria ser uma prioridade. Pelo contrário, já existindo o Centro de Interpretação do Priôlo no Nordeste fazia todo o sentido que a terceira ecoteca em São Miguel, depois da da Ribeira Grande e da de Ponta Delgada, ficasse instalada em Vila Franca do Campo ou na Povoação.
(1) Na altura, Directora Regional do Ambiente e ex-presidente da ONGA, com sede no Faial, “Azórica”
Teófilo Braga
(Publicado no Jornal Terra Nostra, nº 390, p.23, 30 de janeiro de 2009)
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domingo, 22 de julho de 2018
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
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