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quarta-feira, 20 de maio de 2020
quarta-feira, 7 de setembro de 2016
Maria Machado
Maria Machado uma açoriana resistente ao Estado Novo
Maria Machado (1890-1958), que usou o pseudónimo de Rubina, foi uma professora primária natural da ilha de São Jorge, tendo sido, de acordo com Pedro Benjamim, um dos mais destacados dirigentes do PCP – Partido Comunista Português, oriundo dos Açores, durante o Estado Novo.
Maria Machado nasceu na Vila da Calheta, a 25 de Fevereiro de 1890, tendo-se destacado, segundo o jornal Avante, de 26 de fevereiro de 2015, “desde muito cedo pelo seu empenhamento no combate contra a ignorância e o obscurantismo, que grassava não só nos Açores como por todo o País. Assumindo o ensino como ferramenta essencial para a aquisição de consciência social e cultura integral, Maria Machado funda uma biblioteca para os alunos da escola, que logo abre à restante população”
De São Jorge Maria Machado ruma a Lisboa onde nas escolas onde trabalhou utiliza os mesmos métodos inovadores baseados nos princípios da «Escola Activa» que já utilizava na sua terra.
Foi detida pela PVDE pela primeira vez a 1 de agosto de 1936 por ser professora de Português na Liga dos Esperantistas Ocidentais, que segundo as autoridades era “considerada um baluarte do PCP e das Juventudes Comunistas”. Esteve presa na Cadeia das Mónicas entre Setembro e Dezembro daquele ano.
Depois de ter viajado para os Açores em 1937, no ano seguinte instala-se em Paris onde desempenha tarefas no Comité da Frente Popular Portuguesa e foi delegada do PCP junto do PCF – Partido Comunista Francês.
Regressou a Portugal em 1942, tendo a partir de então ficado ligada às tipografias clandestinas do Avante.
Maria Machado é conhecida na história do PCP pelo facto de ter conseguido queimar toda a documentação existente na casa onde estava instalada uma tipografia clandestina do órgão oficial daquele partido, o jornal Avante, na localidade de Barqueiro, perto de Alvaiázere.
No assalto à tipografia que ocorreu em 1945, Maria Machado sacrificou-se, permitindo que, para além da destruição de documentos comprometedores, se salvassem outos dois militantes clandestinos.
De acordo com Ana Barradas, Maria Machado no seu percurso até ao posto da GNR aproveitou para informar as pessoas que não eram gatunos, mas gente amiga do povo e honrada. Durante o interrogatório, recusou-se a prestar declarações “por dever de comunista e por respeito à sua própria pessoa”.
Fernando Gouveia, no seu livro “Memórias de um inspector da PIDE 1. A organização clandestina do PCP”, que desvaloriza a importância de Maria Machado, afirmando a dado passo que era uma “senhora já com boa idade para ter juízo”, não nega que ela enganou o cabo da GNR, permitindo assim a fuga de dois militantes.
Na sequência deste caso, Maria Machado foi no ano seguinte, 1946, condenada a vinte e dois meses de prisão.
Para além desta prisão, Maria Machado voltou a ser presa em dezembro de 1953, sendo libertada em janeiro de 1954, tendo ocorrido o mesmo em Abril de 1954, tendo sido libertada em outubro do mesmo ano.
Proibida de ensinar, para sobreviver teve de se empregar como governanta numa casa particular e bordar tapetes de Arraiolos.
Faleceu a 4 outubro de 1956, depois de ter visto a sua saúde muito debilitada como resultado de privações e torturas.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31031 de 7 de setembro de 2016, p.16)
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Direita volver
Direita volver!?
Nos últimos tempos, tenho lido um conjunto de textos de pessoas ligadas ao Partido Social Democrata a chamar a atenção para a necessidade daquele partido retomar a matriz social-democrata que o caracterizava aquando da sua fundação.
Embora completamente desligado de quaisquer atividades partidárias e não siga com atenção a vida política atual, que é caraterizada essencialmente por uma guerra partidária por vezes entre partidos que têm mais em comum do que aquilo que os divide, de vez em quando procuro fazer comparações com o que se passava nos primeiros anos após a chamada Revolução dos Cravos.
No que diz respeito ao atual Governo da República, assistiu-se a algo inédito, isto é, os dois partidos com programas e ideologias (ou falta delas) mais próximas, Partido Social Democrata e Partido Socialista, não se entenderam, fazendo com que um político que se deveria ter demitido por ter alcançado um péssimo resultado passasse a ser primeiro-ministro.
Se nada me move contra a solução encontrada, não me esqueci do afastamento de António José Seguro que foi corrido da liderança socialista por ter ganho duas eleições por poucochinho.
No que se refere aos Açores, penso que o Partido Social Democrata está condenado à oposição por muitos anos, entre outras, por duas razões: por não ter sabido gerir o afastamento compulsivo do Dr. Mota Amaral e por ter perdido o seu espaço levemente social-democrata para o Partido Socialista que é hoje uma verdadeira União Nacional, digo União Regional, albergando no seu seio desde elementos ideologicamente da direita, extrema ou não, a ex-comunistas que despiram a vertente social da ideologia professada, mas que não abdicaram da ditadura que agora não é a dita do proletariado, mas a deles mesmos sobre todos os que não pensam como eles.
Os dois partidos da esquerda parlamentar que apoiam o atual Governo da República, que não é nem pode ser um governo de esquerda, também, ao longo dos tempos, têm evoluído da esquerda para o centro, tendo perdido ou pelo menos camuflado a sua matriz ideológica. Hoje, o Partido Comunista Português é um partido nacionalista com preocupações sociais e o o Bloco de Esquerda está muito longe das duas principais formações que lhe deram origem. a União Democrática Popular e o Partido Socialista Revolucionário.
Relativamente ao Partido Ecologista “Os Verdes”, que também suporta parlamentarmente o governo de António Costa, parece-me que está igual a si próprio, como prova a sua posição relativamente às eleições presidenciais que é a de impedir a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa e de Maria de Belém, cujas candidaturas são consideradas como “suportadas e corporizadas pelos grandes interesses económicos e apoiarem um modelo de sociedade que se afasta do projeto ecologista que o PEV defende para Portugal”.
Para terminar, no que diz respeito ao Partido Social Democrata, abaixo transcrevo um extrato de um texto publicado no jornal “A Ilha”, no dia 16 de novembro de 1974, que hoje não sei por quantos militantes daquele partido seria aceite:
“O Partido Popular Democrático:
- não é um partido conservador e capitalista, favorável à subsistência das estruturas sociais e económicas de antes de 25 de abril;
…
- não é um partido liberal no sentido económico, favorável a um sistema assente no lucro e na subalternização da justiça social à produção;
- não é um partido ao serviço do capitalismo, entendendo que este deve ser modificado através duma estratégia antimonopolista, pelo alargamento e gestão eficiente do sector público e através da transformação do estatuto da empresa.”
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30825, 6 de janeiro de 2016, p.14)
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