terça-feira, 18 de agosto de 2026

Virusaperiódico (196)

 


Virusaperiódico (196)

 

No dia 11 de agosto chegou a casa uma nova habitante, a Bella que tem agitado o dia-a-dia.

 

No dia 14 de agosto, andei pelo concelho da Povoação, onde juntei o útil ao agradável. Sem qualquer stresse, estive acompanhado de duas pessoas amigas a observar árvores, algumas delas que merecem a classificação de interesse público. Uma delas um azevinho, localizado numa pastagem onde é possível observar uma paisagem ímpar.

 

Fiquei desapontado com alguma degradação que observei no Museu do Trigo. Nas Furnas, nos Serviços Florestais para além da observação de duas árvores e de alguns patos num “lago” artificial não gostei de ver algumas aves engaioladas.

 

No início da noite, coisa rara, fui assistir a um concerto no Largo da Juventude. Pensava que era uma iniciativa da Filarmónica Aliança dos Prazeres, mas estava redondamente enganado.

 

No dia 16, fui visitar as minhas colmeias em Vila Franca do Campo, tendo numa delas colocado meia alça. O resto do dia foi passado com investigações históricas.

 

Para um trabalho que está em curso, em ritmo lento, estive na Biblioteca Pública de Ponta Delgada a fazer pesquisas sobre a oposição ao salazarismo

 

No dia 18, durante várias horas da madrugada estive a tirar apontamentos sobre a participação dos libertários no combate às ditaduras, militar e a salazarista/marcelista.

 

De manhã estive em Vila Franca do Campo para colher  bananas. Como não havia nada em condições de ser apanhado, aproveitei para rever a vista que se obtém a partir do Miradouro da Senhora da Paz.

 

18 de agosto de 2026

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

domingo, 2 de agosto de 2026

Virusaperiódico (195)

 


Virusaperiódico (195)

 

No dia 28 estive no Jardim Botânico José do Canto, onde observei com pormenor algumas plantas, como uma vidália que se encontra envasada e que em breve vai florir, uma gardénia que nunca vi florida e o bambu-gigante que está com rebentos e que pretendo acompanhar o crescimento.

 

Comecei o dia 29 a ler alguns textos de Jaime Brasil  publicados no Suplemento Ilustrado Semanal do Jornal “A Batalha”. De manhã, estive numa consulta de fisioterapia e espero em breve estar em condições de participar numa maratona. De tarde, descansei, porque o tempo não me deixou ir trabalhar no quintal.

 

No dia 30 continuei as minhas pesquisas na Biblioteca Pública de Ponta Delgada, sobre Jaime Brasil e Alice Moderno.

 

No dia 31, de manhã estive a reler alguns textos de Alice Moderno para averiguar se houve algum contacto entre ela e Jaime Brasil. De tarde, destaco a ida a Rabo de Peixe comprar plantas ornamentais e aromáticas.

 

O primeiro dia de agosto foi passado, de manhã no Pico da Pedra a fazer alguns trabalhos no quintal e de tarde, na Courela a limpar bananas e bananeiras. Depois de uma tarde cansativa, no final do dia, no meu quintal, estive a apanhar açafroa.

 

Comecei o dia 2 a ler cartas de Jaime Brasil e depois dediquei algum tempo a divulgar mais uma planta melífera, a açafroa, que também é uma planta medicinal, tintureira e usada como condimento.

 

Como este mês é o de férias para grande parte das pessoas, o meu dia-a-dia não vai sofrer grandes alterações, mas o rimo de trabalho será outro, isto é, vai passar a ser “devagar e devagarinho” e o vírus aparecerá quando achar por bem.

 

2 de agosto de 2026

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Virusaperiódico (194)

 


Virusaperiódico (194)

 

No dia 20 andei pela Maia, tendo verificado que os moradores também enfeitam as ruas com urtigas ou cóleos (Coleus scutellarioides).

 

Verifiquei que a açafroa que semeei no quintal já começou a florir. Amanhã penso já começar a colheita.

 

Hoje, recebi a oferta de dois livros. Um sobre Daniel de Sá, intitulado “Rememorando Daniel de Sá: escritor dos Açores e do Mundo” e o Deus dos últimos”, a autoria daquele escritor outro da sua autoria. Chegará o dia em que serão lidos!

 

O dia 21 foi um dia muito triste. Morreu o Rex, que também era conhecido por Barriga.

 

No dia 22 andei pelo Jardim dos Frades na Lagoa a apreciar duas árvores que merecem ser classificadas como de interesse público e pela Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, onde fiz algumas mondas e li alguns textos publicados na revista “Seara Nova” à sombra de uma critpoméria.

 

Comecei o dia 23 a escrever sobre a araucária do Jardim dos Frades e voltei à Lagoa para tirar algumas medidas da araucária referida. Voltei à Ribeira Seca de Vila Franca para visitar o bananal, tendo antes passado pela Vinha da Areia. O mar estava calmíssimo.

 

No dia 24, depois de uma curta caminhada na Lagoa, andei por casa a divagar. Li que a população de milhafres está a diminuir. Consequência do desenvolvimento sustentável açoriano?

 

Telefonicamente recebi uma proposta, que para concretizar me vai dar muito trabalho. Não aceitei de imediato. Adiei a resposta até ao dia 12 de agosto.

 

No sábado, dia 25, ao contrário do habitual, não trabalhei na terra. Descansei e li o livro, de Felícia Cabrita, intitulado “A comunista e o PIDE”, sobre a vida de Carolina Loff, que se apaixonou por um PIDE. Ela traiu o PCP e ele, Júlio Almeida, abandonou a polícia política.

 

Recebi várias fotografias de uma planta herbácea de nome comum margarida-de-são-miguel (Symphyotrichum novi-belgii), oriunda da América do Norte, que neste momento está em flor. Mais uma espécie que nunca tinha visto.

 

Comecei o dia 26 a ler os títulos dos jornais e num deles é referido que a alga invasora poderá ter vários usos. Felizmente não referiram que poderia se uma fonte de riqueza para os Açores tal como no passado foi afirmado para o lagostim de água doce que apareceu na Lagoa do Peixe, em São Miguel.

 

De manhã, depois de divulgar mais uma planta melífera, desta vez a couve, estive a fazer pesquisas sobre o escritor Jaime Brasil.

 

De tarde, fiz algumas mondas no quintal e li algumas páginas de um livro de Edgar Rodrigues.

 

26 de julho de 2026

domingo, 19 de julho de 2026

Virusaperiódico (193)

 


Virusaperiódico (193)

 

No dia 13, de manhã,  terminei a leitura do livro “Temas de História Açoriana, volume II”, de Carlos Enes. Pelos temas tratados gostei mais do 1º volume, que também recomendo, e retomei a leitura do livro “Terras do Espírito Santo”, de Teresa Tomé.

 

Para além de ter feito uma pesquisa sobre uma planta que está presente no Jardim José do Canto e que já existia no tempo do seu criador, estive a derreter cera das abelhas e passeei com os dois cães, o Rex e o Max.

 

No dia 14, de manhã estive no Jardim José do Canto e de tarde voltei a pesquisar sobre árvores.

 

No dia 15, com o D., estive no Porto Formoso e nas Furnas a fotografar e a tirar medidas de árvores que merecem ser classificadas como de interesse público. Recebi a oferta de uma interessante publicação sobre as urtigas de Nossa Senhora da Graça, padroeira do Porto Formoso.

 

 Comecei o dia 16 a fazer pesquisas sobre as urtigas (Coleus soutellarioides) de que tenho algumas variedades no quintal e no viveiro. Depois estive a fazer alterações num texto que não há maneira de ficar em condições de estar em condições de ser tornado público.

 

De tarde, estive algum tempo no quintal a arrancar algumas ervas ditas daninhas e dediquei algum tempo ao ativismo ambiental. Li vários disparates em jornais regionais que mostram que o jornalismo anda pelas ruas da amargura e que alguns textos para além de serem mera propaganda governamental são boas peças de deseducação ambiental. Ler jornais por vezes é saber menos!

 

Impedido de trabalhar no quintal, devido à chuva miudinha, descansei e li algumas páginas do livro, de Stefano Mancuso, “A Cidade Viva”.

 

No dia 17, esperei sentado pela saída dos resultados dos exames nacionais. Nunca assisti a uma trapalhada tão grande.

O dia 18 foi passado na Ribeira Nova a trabalhar na terra. Cansei o corpo e descansei a alma.

 

Comecei o dia 19 a divulgar nas redes sociais mais uma planta que para além de ser ornamental e medicinal é melífera, a bonina (Calendula officinalis).

 

O que mais me espantou neste domingo foi o facto de algumas escolas estarem abertas, por causa do reformismo do ministro e do desgoverno de Portugal. Espero que não tenha afetado a afluência às missas.

 

Durante a tarde, voltei à leitura do livro  “A Cidade Viva”. Maravilhoso!

 

19 de julho de 2026

quinta-feira, 16 de julho de 2026

É possível salvar as araucárias gémeas de Santa Maria?

 

É possível salvar as araucárias gémeas de Santa Maria?

 

 

Na ilha de Santa Maria existem várias araucárias introduzidas nos Açores durante o século XIX. A maioria pertence à espécie Araucaria heterophylla, originária da ilha de Norfolk. No entanto, da espécie Araucaria columnaris (araucária-colunar ou pinheiro-da-Nova-Caledónia) existem apenas dois exemplares na ilha, ambos localizados na Baía de São Lourenço.

 

Estas duas árvores possuem um valor natural, paisagístico e patrimonial excecional. Com uma idade centenária, apresentam um porte notável, atingindo 33,7 e 34,7 metros de altura, respetivamente, e exibem a inclinação característica da espécie. Sendo os únicos exemplares de Araucaria columnaris existentes em Santa Maria, constituem um elemento singular e emblemático da paisagem da Baía de São Lourenço.

 

Importa ainda recordar que estas araucárias foram retratadas, em 1939, num quadro do pintor Domingos Rebelo, atualmente exposto no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada. Acresce que ambas integram a Rede de Árvores Singulares da Macaronésia, reconhecimento que reforça o seu elevado valor histórico, cultural e ambiental.

 

Recentemente, tivemos conhecimento da intenção de proceder ao abate destes dois exemplares, alegadamente por representarem um risco para um edifício construído nas proximidades e para a segurança dos seus ocupantes. Simultaneamente, fomos contactados por diversos marienses, incluindo antigos residentes da Baía de São Lourenço e visitantes habituais daquele local, que manifestaram profunda preocupação e tristeza perante a possibilidade de desaparecerem duas árvores que fazem parte da memória coletiva de várias gerações.

 

É evidente que a segurança das pessoas e dos bens deve constituir a prioridade absoluta. Contudo, precisamente por estarmos perante exemplares de elevado valor patrimonial, entendemos que a decisão de os abater só deverá ser tomada depois de esgotadas todas as alternativas viáveis.

Assim, defendemos que seja realizada uma avaliação técnica independente e rigorosa do estado fitossanitário e estrutural das árvores, bem como um estudo das soluções que possam compatibilizar a sua preservação com a segurança pública. Entre essas soluções poderão incluir-se intervenções de estabilização, poda especializada, monitorização contínua, criação de zonas de segurança ou outras medidas de engenharia e arboricultura que permitam minimizar o risco.

 

O abate deverá constituir apenas o último recurso, caso fique inequivocamente demonstrado, com base em pareceres técnicos fundamentados, que não existe qualquer alternativa capaz de garantir a segurança das pessoas e a preservação destas árvores singulares.

 

Salvar as araucárias gémeas da Baía de São Lourenço é preservar uma parte da história, da identidade e da paisagem de Santa Maria para as gerações futuras.

 

16 de julho de 2026

 

Núcleo Regional dos Açores da IRIS- Associação Nacional de Ambiente

 

 

 

 

domingo, 12 de julho de 2026

Virusaperiódico (192)

 


Virusaperiódico (192)

 

No dia 10 de julho, voltei à leitura do livro de Carlos Enes já referido e redigi algumas linhas de um texto que aguarda outros contributos.

 

No fim do dia, estive alguns minutos no quintal a tirar alguma junça junto de alguns pés de tomateiro que me ofereceram.

 

Comecei o dia 11 de julho a trabalhar na Courela, onde rocei alguma erva, tirei algumas guias dos quivis e estive a tirar do atalho ramos de incensos que haviam sido podados. Depois do almoço, estive na Ribeira Nova, onde apesar de muito cansado ainda estive a  roçar feitos que estavam a cobrir algumas fruteiras que havia reproduzido por estaquia.

 

No fim do dia voltei à leitura do livro de Carlos Enes que aborda entre outros temas as festas do Espírito Santo que segundo o autor estavam em declínio. Ao contrário de Carlos Enes, pelo menos em São Miguel, acho que estão mais pujantes, mas completamente adulteradas.

 

Na madrugada do dia 12 estive a trabalhar num texto sobre o eucalipto-limão do Jardim Dr. António da Silva Cabral, em Vila Franca do Campo e sobre as duas araucárias gémeas da Baia de São Lourenço que parece terem os dias contados. É uma pena, pois são duas árvores muito antigas e com porte considerável.

 

De tarde, depois de passar alguma roupa a ferro, estive a ler mais um capítulo do livro de Carlos Enes que recomendo.

 

A contaminação da ilha Terceira continua a dar que falar. Obrigar os responsáveis a corrigir o mal que fizeram é que não!

 

12 de julho de 2026

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Virusaperiódico (191)

 


Virusaperiódico (191)

 

Comecei o dia 5 de julho a tratar das plantas do viveiro e do quintal que estavam a precisar de água. Divulguei nas redes sociais mais uma planta melífera, desta vez a tipuana que neste momento está no período de floração.

 

De tarde, acabei a leitura do livro, de Luiz Pacheco, intitulado “Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos”. Do livro transcrevo o provérbio chinês:

 

“Atrás dos dentes, foi-se-me o siso.

Depois do siso, foi-se-me a vergonha.

Estou pronto para a sepultura.”

 

Estou a caminho, tendo já percorrido a maior parte.

 

O dia 6 de julho foi dedicado às árvores, tendo começado com uma reunião num departamento governamental e terminado com uma visita ao Jardim António Borges.

 

De tarde, estive a fazer escavações em jornais com o objetivo de desenterrar alguns factos ocorridos nos anos de 1974 e 1976. No final do dia, recebi a oferta do magnífico livro: “As aves do Cabo da Praia-Um tesouro a descobrir, um património a preservar”. Editado pelas “Letras Lavadas”, são autores Carlos Pereira e Cecília Melo.

 

No dia 7 continuaram a ser as árvore o principal alvo da minha atenção, tendo estado a fotografar algumas no Jardim António Borges e no Parque Urbano. Destaco um agradável almoço com atingas colegas da Escola Secundária das Laranjeiras.

 

O dia 8 foi quase todo dedicado a pesquisas sobre o cedro-do-mato. Visitei um quintal, onde observei uma pereira com boa fruta e com bonitas ornamentais. Li mais umas páginas do livro, de Carlos Enes, “Temas de História Açoriana, volume II”.

 

No dia 9, de manhã voltei a ler o livro de Carlos Enes e de tarde, na companhia de JC e DS, andei por Vila Franca do Campo a apreciar e a medir algumas árvores notáveis existentes no Jardim Antero de Quental e no Jardim António da Silva Cabral.

 

9 de julho de 2026

sábado, 4 de julho de 2026

Virusaperiódico (190)

 



Virusaperiódico (190)

 

No dia 29 estive a cortar feitos, fetos-comuns ou feiteira (Pteridium aquilinum) no quintal que estavam a perturbar a açafroa e a pesquisar sobre plantas.

 

No dia 30, depois de passar pela Escola Secundária das Laranjeiras, onde encontrei alguns colegas, uma antiga aluna da Escola Roberto Ivens e um primo que não conhecia, neto do meu tio-avô António Braga. De tarde, acompanhei uma atividade de uma ação de formação realizada no Parque Urbano. Aproveitei para tirar fotografias de algumas plantas que estavam floridas.

 

A melhor notícia foi o regresso de minha tia Zélia a casa, depois de alguns dias internada no hospital de Ponta Delgada.

 

No dia 1 de julho, de manhã, visitei a Mata do Dr. Fraga, na estrada Regional das Furnas, na freguesia da Maia. De tarde, andei por casa a descansar e a ler textos  de Luiz Pacheco.

 

Comecei o dia 2 de julho a pesquisar sobre plantas e no início da tarde estive com o J-CM e o JPM, no Pinhal da Paz, a tirar medidas de algumas árvores. No fim do dia li mais algumas páginas do livro “Terras do Espírito Santo”.

 

No dia 3 de julho fiz uma pausa para respirar e fui ver os aviões….

 

Comecei o dia 4 de julho com a leitura de mais umas páginas do livro de Teresa Tomé já referido anteriormente e estive em Vila Franca do Campo a trabalhar na terra. Primeiro na Ribeira Nova onde arranquei ervas que estavam a cobrir uma sebe e plantei curcuma, depois na Courela limpei algumas bananas e bananeiras que só agora estão a dar o ar da sua graça, mas a precisar de alguma água.

 

Fotografei algumas plantas e como a freguesia da Ribeira Seca está em festa, fui observar o quarto do Espírito Santo das Crianças que está muito bonito. Já agora informo que gosto das boas tradições e não aprecio outras como o desperdício de dinheiro em roqueiras ou o desfile dos “gueixos”.

 

Recebi a oferta de algumas fotocópias do jornal Diário de Anúncios, do dia 10 de maio de 1894, então dirigido por Nuno Cordeiro. Recordo que Alice Moderno esteve ligada àquele jornal entre 1891 e 1893 e que a propósito do diretor que a substituiu escreveu o seguinte: …esse bombeiro que talvez perceba mais de incêndios do que de gramática”.

 

4 de julho de 2026

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A(s) flor(es) do Espírito Santo

 


A(s) flor(es) do Espírito Santo

 

A cada época festiva estão associadas flores, que são usadas para ornamentar, as casas, os caminhos onde passam as procissões e os quartos, onde são colocados os santos, como os que vão na Procissão de São Miguel Arcanjo, em Vila Franca do Campo, ou os quartos do Espírito Santo, por ocasião das festas em sua honra em todas as ilhas dos Açores.

 

Neste texto, farei referência mais pormenorizada a uma flor de uma planta que não caiu em desuso ao longo dos tempos, a açucena (Lilium longiflorum), originária do Japão e de Taiwan, cujo período mais provável de floração ocorre nos meses de maio e junho.

 

Sobre o uso da planta referida, em 1962, o etnólogo lagoense, Francisco Carreio da Costa, no jornal “A Ilha”, de 10 de fevereiro de 1962, escreveu o seguinte:

 

 “No tempo do Espírito Santo, o perfume das açucenas e dos goivos é facilmente suportado por todos, o mesmo acontecendo durante o Verão com as flores da conteira e durante o Outono com as beladonas. Nos vasos das cómodas, como nas caçarolas das «floreiras», nos canudos das paredes como nas prateleiras das cozinhas, nas cantoneiras como nas copeiras, aí estão quase todas essas verduras e flores sem causarem a mínima dor de cabeça a quem quer que seja.”

Oriunda da Ásia, desde há muitos anos passou a ser cultivada em várias partes do mundo, tendo chegado a Inglaterra, em 1819, através de Carl Peter Thunberg, explorador, naturalista e botânico sueco.

 

Tal como muitas outras plantas, não podemos indicar com precisão a data nem o nome de quem introduziu a açucena nos Açores, mas a açucena já fazia parte das plantas existentes na primavera de 1856, no Jardim de José do Canto, em Ponta Delgada, que havia sido criado 10 anos antes.

 

A açucena é uma herbácea ereta que pode atingir de 40 cm a cerca de 1 metro de altura. Apresenta folhas verdes lanceoladas e brilhantes e flores grandes brancas, em forma de trombeta..

 

A açucena já foi cultivada, nos Açores, com fins económicos, como se pode depreender de um anúncio publicado no jornal “A Folha”, fundado e dirigido pela feminista e defensora dos animais, Alice Moderno:

AÇUCENAS

Alice Moderno encarrega-se de exportar

açucenas para New York.

Fornece todas as informações

Rua do Castilho nº 1

Ponta Delgada

 

De acordo com um texto publicado no “Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores”, nº 10, editado em 1949, da autoria do Dr. António da Silveira Vicente, professor do Liceu Antero de Quental e produtor de açucenas, em São Miguel cultivavam-se duas variedades: a “Formosum” e a “Harrisii”.

 

De acordo com a mesma fonte, a plantação de açucenas deve ocorrer na primeira quinzena de outubro, sendo os bolbos colocados a uma distância de 20 a 25 cm.

 

A açucena é alvo da escrita de vários autores. Por se assemelhar a várias quadras da cultura popular açoriana, transcrevo uma da brasileira, recolhida por João Simões Lopes Neto:

 

Açucena quando nasce,

Arrebenta pelo pé:

Assim arrebenta a língua

De quem diz o que não é.

 

Pico da Pedra, 1 de junho de 2026

 

Teófilo Braga

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

A propósito de uma planta venenosa: a trombeteira

 


A propósito de uma planta venenosa: a trombeteira

 

Fui contactado por um jornalista para me pronunciar sobre uma planta que uma pessoa tinha observado e relativamente à qual considerava estranho não existir qualquer aviso a alertar para o facto de ser venenosa.

 

Através de uma fotografia que me foi enviada, verifiquei tratar-se de uma espécie do género Brugmansia, nativo da América Central e da América do Sul.

 

Algumas espécies deste género são utilizadas para provocar alterações da consciência ou como droga recreativa.

 

Na ilha de São Miguel, sobretudo em espaços ajardinados privados, existem algumas espécies deste género, uma vez que as suas flores são muito vistosas.

 

Não tenho conhecimento de que tenha ocorrido, até hoje, nos Açores qualquer caso de intoxicação resultante do uso indevido destas plantas, conhecidas pelo nome de trombeteiras.

 

Conheço apenas um caso de um jovem que morreu na ilha da Madeira, em 2006, alegadamente por ter ingerido uma infusão preparada com flores de uma trombeteira.

 

Tenho dúvidas de que a colocação de avisos junto destas plantas seja uma medida eficaz. Poderá, inclusivamente, provocar algum alarmismo desnecessário.

 

De qualquer modo, será útil que as pessoas conheçam algumas medidas destinadas a evitar problemas. Assim, recomenda-se que os trabalhadores utilizem luvas e que, caso tenham contacto com a planta, lavem cuidadosamente as mãos. Também não devem queimar os ramos resultantes das podas, uma vez que os fumos libertados são tóxicos.

 

As crianças merecem especial atenção e devem ser alertadas para não colocarem folhas ou flores na boca. Uma posição mais cautelosa será a de não cultivar trombeteiras em espaços frequentados por crianças.

 

Teófilo Braga

Membro da Direção da IRIS – Associação Nacional de Ambiente

 

Nota: Não sou especialista em botânica. Sou apenas um estudioso dos diversos usos que as pessoas fazem das plantas.

 

(Até ao presente não foi publicado qualquer texto sobre o assunto. 1 de julho de 2026)

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Virusaperiódico (189)

 


Virusaperiódico (189)

 

Quase todo o dia 24, Dia de São João, foi passado a repousar. Acabei a leitura do livro “E o Povo é quem mais ordena- Revolução dos Cravos 1974-1976”. Um bom livro que recomendo.

 

No fim do dia, a pedido de um jornalista, escrevi uma nota sobre as plantas do género Brugmansia, oriundas da América Central e do Sul que são usadas nos Açores com fins ornamentais.

 

Comecei o dia 25 com a leitura do livro “Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos”, de Luiz Pacheco. Do livro, sem contextualizar, tirei a frase seguinte, que merece uma reflexão: “No princípio criou Deus  o céu e a terra e destinou -os ambos a serem governados pelos Americanos”.

 

De manhã, com o D., andei por jardins a fotografar e a tirar medidas de árvores. Primeiro no Jardim da Universidade dos Açores, depois no Jardim Antero de Quental e por último, no Jardim António Borges. A tarde foi para ganhar forças …

 

O dia 26 foi dedicado ao ativismo ambientalista, relacionado com a classificação de arvoredo de interesse público e à leitura do livro de Luiz Pacheco.

 

No dia 27 estive em contacto com a natureza em Vila Franca do Campo.  Primeiro na Ribeira Nova, onde inspecionei as colmeias e corrigi um erro. Depois, na Courela, onde, apesar de algumas limitações, limpei algumas bananeiras e bananas.

 

Na Rua do Jogo conversei com um grande produtor de bananas, JN, que me disse que este ano tem sido mau. Foram as temperaturas muito baixas esta primavera e agora está a fazer falta alguma água. Para mim este está a ser o pior ano em termos de produção de bananas.

 

Comecei o dia 28 a divulgar nas redes sociais mais uma planta melífera, a Cymbalaria muralis, que pelo menos a Junta de Freguesia do Pico da Pedra não gosta de a ver nos muros.

 

Durante a tarde estive no quintal a fazer algumas mondas e a transplantar boninas e comecei a preparar garrafas para fazer armadilhas para a mosca da fruta.

 

No fim do dia, voltei a trabalhar em propostas de classificação de árvores de interesse público.

 

28 de junho de 2026

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Virusaperiódico (188)

 


Virusaperiódico (188)

 

No dia 19, de manhã e início da tarde  estive na Maia a conversar e a recordar o passado e fotografei um bonito exemplar de um dragoeiro. De tarde, estive a trabalhar sobre o passado, que merece ficar registado.

 

O trabalho na Courela, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, preencheu o dia 20. Limpei bananas e bananeiras e transplantei algumas.

 

À enorme alegria de ver as plantas crescerem e frutificarem está a associada a profunda tristeza de detetar que fui roubado. Um pequeno filho-de-puta, levou-me uma mandarineira que havia plantado o ano passado.

 

No fim do dia, com o corpo a pedir descanso, apenas li dois contos do 1º volume do livro “Guardadores de Memórias”, de Roberto Pereira Rodrigues.

 

No dia do solstício de Verão comecei a trabalhar muito cedo no computador, tendo começado a escrever um texto sobre o Jardim José do Canto e depois a contatar várias pessoas que estão a colaborar num projeto editorial que não vai permitir que a história seja contada e mal por alguns que são especialistas em deturpar factos, a omitir alguns e a inventar outros.

 

Com dificuldades de locomoção, desisti de trabalhar no quintal, tendo apenas lido algumas páginas do livro de Roberto Rodrigues já mencionado.

 

No dia 22 estive em Vila Franca do Campo em casa de um amigo a recordar o passado e em casa, impedido de ir ao quintal, apenas fiz algumas leituras.

 

No dia 23, a pedido da perna esquerda, apenas estive alguns minutos no Jardim Botânico José do Canto. O resto do dia foi passado a escrever alguns textos no computador e vi, sem pegar no sono, um desafio de futebol. Um dos jogadores passou de besta a bestial.

 

23 de junho de 2026

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Virusaperiódico (187)

 


Virusaperiódico (187)

 

O dia 15 foi para descansar a cabeça, depois de uns meses de muito trabalho “intelectual”.

 

No quintal, arranquei algumas ervas ditas daninhas que passaram a estar a fazer a cobertura do solo e em casa estive cerca de duas horas e meia a tirar favas das vagens e a cortar feijão verde que me haviam sido oferecidas no dia anterior. Se as pessoas imaginassem o trabalho que dá a quem trabalha a terra produzir favas ou feijões antes de chegarem ao prato, valorizavam mais a agricultura e os agricultores!

 

No dia 16 de manhã estive no Jardim José do Canto, onde optei por permanecer algum tempo num recanto. Lá observei pela primeira vez a fava-da-cova e a avenca. Além disso, registei a presença de um exemplar muito interessante de uma árvore-do-fogo e de uma monumental tipuana.

 

Apesar de alguma chuva, no dia 17, foi possível de manhã e no princípio da tarde, na companhia de D., tentar uma visita à Mata do Dr. Fraga. Escrevi tentar, pois apesar das promessas batemos com o nariz no portão.

 

Na Fábrica de Chá Gorreana, estivemos a apreciar algumas árvores, como um metrosídero (robusta) e três gincos, dois deles monumentais.

 

Depois estivemos no Porto Formoso onde observamos uma paulonia, árvore introduzida na Europa, em 1834, a partir do Japão. A seguir estivemos na Ribeira Grande, onde no Mercado, observamos e tiramos algumas medidas a três araucárias monumentais. No Parque Infantil- Jardim Paraíso, fizemos o mesmo à araucária lá existente.

 

Depois de alguns trabalhos domésticos, estive a organizar ficheiros e a ler mais algumas páginas do livro “O Povo é quem Mais Ordena. Revolução dos Cravos 1974-1976”, de Victor Pereira, e do livro “Terras do Espírito Santo”, de Teresa Tomé.

 

17 de junho de 2026

domingo, 14 de junho de 2026

Virusaperiódico (186)

 


Virusaperiódico (186)

 

O dia 10 de junho foi preenchido com trabalho no quintal, sobretudo a mondar a açafroa e o milho de vassoura e a derreter cera de abelha. Ao fim da tarde comecei a leitura do livro “Terras do Espírito Santo”, de Teresa Tomé.

 

Comecei o dia 11, a redigir um texto sobre as três espécies do género Rhododendron existentes no Jardim Botânico José do Canto que pelas árvores de porte monumental merece uma visita.

 

Depois de mais uma sessão de trabalho a derreter cera de abelha e de alguns trabalhos domésticos voltei à leitura do manifesto “Por uma Revolução Ecossocialista”.

 

No dia 12 estive em Vila Franca do Campo, onde assisti à homenagem a alguns vila-franquenses por parte da Câmara Municipal. Entre os homenageados destaco Odete Braga, Simplício Gago da Câmara e Elias Sardinha. Apreciei a comunicação que foi feita pelo orador convidado, Carlos Vieira. Por último, também assisti a uma singela homenagem ao padre António José Pimentel Cassiano.

 

Ao chegar a casa, depois de alguns anos, voltei a ouvir o “piar” de um mocho juvenil.

 

Comecei o dia 13 a preparar uma imagem para uma campanha em curso em defesa das abelhas. Em Vila Franca do Campo, colhi as últimas laranjas e muito poucas bananas. Também limpei algumas bananas e bananeiras.

 

No domingo, dia 14, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental e a um livro que espero que veja a luz do dia ainda este ano.

 

Participei, como orador, na sessão solene de abertura das comemorações dos 25 anos da freguesia da Ribeira Seca do concelho de Vila Franca do Campo, a localidade onde nasci e onde fiz a instrução primária e onde hoje passo alguns dias da minha vida em contacto com a natureza.

15 de junho de 2026

sábado, 13 de junho de 2026

Quem foi Simplício Gago da Câmara?


 Fotografia: Instituto Cultural de Ponta Delgada


Quem foi Simplício Gago da Câmara?

 

Simplício Gago da Câmara, filho de Gil Gago da Câmara e de sua esposa Branca Guilhermina do Canto Medeiros, nasceu a 19 de maio de 1808 e foi batizado no dia 29 do mesmo mês, na igreja de São Pedro, em Ponta Delgada. Faleceu a 7 de agosto de 1888. Foi Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

 

Simplício Gago da Câmara foi um notável filantropo, funcionando a sua casa, em Vila Franca do Campo, como uma verdadeira Misericórdia. Com efeito, “o seu coração é grande, como larga é a sua mão: dá de comer aos que têm fome, consola os aflitos, anima os tímidos e fornece gratuitamente aos enfermos clínicos e medicamentos” (Simplício Gago da Câmara…, 1888).

 

Com o objetivo de promover o desenvolvimento da sua terra, Simplício Gago da Câmara, grande proprietário rural da ilha de São Miguel, criou ao longo da sua vida cinco navios e três grandes fábricas. Nas suas casas e propriedades empregou um elevado número de trabalhadores, garantindo‑lhes o sustento.

 

Grande amante e estudioso da natureza, realizou longas viagens pela Europa, América e Austrália, tendo recolhido vasta informação e elaborado um estudo sobre o cachalote.

 

O seu espírito aventureiro levou‑o à Austrália, onde procurou explorar jazigos de ouro, com o intuito de obter meios financeiros para estabelecer novas indústrias e desenvolver a sua terra. Embora a exploração aurífera não tenha sido bem‑sucedida, a estadia naquele continente permitiu‑lhe selecionar diversas espécies da flora australiana que mais tarde introduziu em São Miguel, nomeadamente eucaliptos, acácias e araucárias.

 

A par de José do Canto e de Ernesto do Canto, Simplício Gago da Câmara foi um dos grandes impulsionadores da reflorestação da ilha de São Miguel, através da oferta de centenas ou mesmo milhares de plantas provenientes dos seus viveiros, localizados no prédio do Convento, em Vila Franca do Campo. Mandou igualmente plantar, nas suas matas de São Brás e da Fajã do Calhau, para além das espécies já referidas, pinheiros, giestas e criptomérias.

 

Outra iniciativa que encetou, embora sem sucesso duradouro, foi a da pesca do bacalhau. Tentando introduzir esta atividade nos Açores, decidiu construir um navio no Porto Formoso, utilizando madeiras das suas próprias matas. Partiu para a Terra Nova, onde a pesca foi proveitosa, mas acabou por perder grande parte do bacalhau capturado durante o transporte para Vila Franca do Campo, onde pretendia proceder à sua secagem. Tratou‑se de uma experiência falhada, mas potencialmente exemplar para os armadores das ilhas.

 

O contributo de Simplício Gago da Câmara para a modernização da agricultura micaelense foi de grande relevância, quer a título individual, quer através da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, na qual exerceu funções de secretário da Comissão Vinícola.

 

Agricultor, produtor de vinho e exportador de laranja, foi o responsável pela introdução em São Miguel da chamada “laranja sevilha”, a partir de sementes obtidas em Londres.

 

Na Gorreana, no concelho da Ribeira Grande, para além da plantação de matas, cultivou chá em conjunto com a sua filha, Ermelinda Pacheco Gago da Câmara (1832-1913), dando início à respetiva industrialização.

 

Enquanto produtor de vinho, explorou sobretudo as vinhas do prédio do Convento, na freguesia de São Pedro. Posteriormente, após adquirir o ilhéu de Vila Franca do Campo, introduziu aí plantações de vinha que subsistiram até meados do século XX.

 

Para além do cultivo do linho, em parte proveniente de sementes oriundas de Riga, cultivou igualmente trigo, tendo introduzido pequenas máquinas portáteis de debulhar, acionadas por dois homens. No domínio da mecanização agrícola, é‑lhe ainda atribuída a introdução de uma máquina a vapor multifuncional existente em São Miguel, utilizada tanto para moer trigo ou milho como para serrar madeira.

 

A criação de gado bovino constituiu igualmente uma das suas atividades, cultivando beterraba para alimentação de suínos, bois de engorda e vacas leiteiras.

 

Entre 1 de julho de 1863 e 1 de julho de 1868, exerceu o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo, período durante o qual saneou a administração daquela instituição, eliminando vícios e abusos que a afetavam. Durante o seu mandato, foram equilibradas as contas da Santa Casa, construída a enfermaria feminina e admitidos dois médicos. Após um período de afastamento motivado por calúnias, voltou a ser eleito provedor, procedendo à atualização dos estatutos, concluindo a enfermaria das mulheres e admitindo um farmacêutico.

 

Demonstrou ainda profunda preocupação com a instrução pública, tendo sido o maior apoio financeiro da Associação das Escolas Móveis, cuja missão era ministrar o ensino das primeiras letras às crianças, segundo o método de João de Deus. Para Vila Franca do Campo, requisitou a 32.ª missão, prestando um valioso auxílio ao professor da associação, José Gonçalves Martins.

 

Principal bibliografia consultada

 

- (1888). Simplício Gago da Câmara-biografia. Lisboa, Imprensa Minerva. 15 pp.

 

Braga, T. (2020). Vidas Exemplares. Ponta Delgada, Letra Lavadas. 327 pp.