domingo, 17 de maio de 2026

Virusaperiódico (180)

 


Virusaperiódico (180)

 

No dia 15, estive a ler sobre o conceito de terrorismo e sobre atividades terroristas em Portugal. Nos Açores de 1974 a 1980 existiu terrorismo ou apenas ações violentas?

 

No final do dia, estive a recordar o último dia de Antero de Quental. Aqui vão as notas que tirei :

 

Antero de Quental (18 de abril de 1842 – 11 de setembro de 1891)

11 horas- Almoçou com José Bensaúde.

14h 30 mim- Saiu de casa e foi ao Governo Civil onde entregou à irmã “umas dúzias de libras, pedindo-lhe que lhas guardasse, porque o preocupava tê-las”.

18 horas- Depois de visitar alguns amigos, comprou um revólver na loja de quinquilharias de Benjamim Ferin.

20 horas- Depois de visitar o primo Augusto Arruda Quental e de ter passado pelo Governo Civil, onde entregou à irmã o dinheiro que restou após a compra do revolver, com dois tiros suicidou-se.

Nota- O nome do jardim “Antero de Quental”, foi aprovado pela Câmara Municipal de Ponta Delgada no dia 11 de abril de 1942.

 

No dia 16, andei na Ribeira Seca de Vila Franca em contacto com a terra. Na Ribeira Nova estive a trabalhar no apiário e semeei milho de vassoura. Verifiquei que 8 anos depois de plantada a guabiroba-de-folha-crespa (Campomanesia reitziana) frutificou.

 

 Na Courela, foi dia de podar abrigos, trabalho que já não consigo fazer. A produção de bananas está fraquíssima.

 

No regresso a casa ouvi que o meu antigo aluno, João Afonso, foi o guarda-redes do Santa Clara no jogo com o Porto. Bom miúdo, espero que tenha uma boa carreira profissional.

 

Comecei o dia 17, a ler e a refletir sobre as festas do Espírito Santo que hoje perderam o significado que já tiveram. A solidariedade passou para segundo lugar, tendo dado lugar ao espetáculo. Permanece alguma autonomia em relação às instituições estatais.

 

Fiquei a saber que a Câmara da Ribeira Grande vai desperdiçar 13 000 euros na compra de confetes a usar na Festa da Flor. Autarcas sem tarelo, pois uma coisa é defender o ambiente e outra é dizer que o fazem.

 

17 de maio de 2026

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Virusaperiódico (179)

 


Virusaperiódico (179)

 

No dia 9, continuei em descanso forçado. O raio do corpo acha-se cansado, mas, felizmente, a alma não o acompanha. Não podendo trabalhar na terra, o computador que agora tem a mania de não querer ligar é que foi a vítima.

 

Apesar de “coxo”, ainda foi possível semear no quintal, durante escassos minutos, milho de vassoura e açafroa.

 

Comecei o dia 10 a elaborar um “PowerPoint” sobre a flora dos Açores e introdução de espécies ao longo dos tempos. Depois, ainda de manhã, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental, mais propriamente à educação ambiental, usando as redes sociais disponíveis, pois os jornais estão mais interessados em tricas partidárias.

 

Acabei a leitura do livro “Quarenta Árvores em discurso directo”, editado pela Porto Editora.

 

Na manhã do dia 11, passei a maior parte do tempo a recordar o que aconteceu em Vila Franca do Campo em 1974, nomeadamente sobre a substituição do elenco salazarista/marcelista da Câmara que continuou com filhos ideológicos do Estado Novo por muitos anos. Viraram a casaca, mas continuaram autoritários como sempre foram.

 

O dia 12 foi dedicado à revisão do livro “Açores 500 Flores”. Não houve tempo para mais nada.

 

Comecei o dia 13 pelas 3h 45 min a trabalhar na revisão do livro mencionado, tendo despendido cerca de 8 horas. De manhã, passei pela Biblioteca Pública de Ponta Delgada onde me encontrei com um amigo que já não via há mais de 45 anos.

 

Fiquei satisfeito porque depois de cerca de 10 dias sem poder conduzir, hoje já o fiz. As pernas é que ainda não voltaram ao normal.

 

O dia 14 foi quase de repouso absoluto, mas ainda dediquei algum tempo à revisão do livro que terá 316 páginas e 1211 fotografias de flores.

 

14 de maio de 2026

sábado, 9 de maio de 2026

Virusaperiódico (178)

 


Virusaperiódico (178)

 

Impossibilitado de fazer trabalhos manuais, passei grande parte do dia 4 a ler sobre os territórios de Goa, Damão e Diu para onde foram alguns militares açorianos, um dos quais João Bolota, da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo. Também estive algum tempo no computador a ler documentação que me foi enviada pelos Serviços Florestais relacionada com o arvoredo de interesse público.

 

Comecei o dia 5 a procurar fotografias da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo para uma exposição a realizar na localidade em junho. Acabei a leitura do livro sobre o fim da “Índia” que esteve dominada por Portugal. Para quem não está dentro do assunto, recomento.

 

Nos dias 6 e 7, o corpo não me deixou trabalhar como queria, sobretudo na terra. Voltei à pesquisa sobre a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, à leitura do livro, do economista Bagão Félix, “Quarenta Árvores” e a pequenos trabalhos sobre a violência nos Açores depois de 1974.

 

No dia 8, logo pela manhã recebi a triste notícia da morte do meu antigo colega da Escola Secundária da Ribeira Grande, Manuel Francisco Aguiar que substituí no Conselho Diretivo. Os sentidos pêsames a toda a família.

 

O resto do dia foi passado em leituras diversas, nomeadamente de jornais regionais e do livro atrás referido.

 

8 de maio de 2026

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Virusaperiódico (177)

 


Virusaperiódico (177)

 

Comecei o dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador, a fazer investigações sobre a minha terra natal, a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.

 

De manhã, ainda tive tempo para percorrer o Pico da Pedra para fotografar os maios. Infelizmente só encontrei três, o que significa que a tradição está em declínio.

 

De tarde, estive a fazer a limpeza de algum material apícola e a retirar algumas ervas do quintal.

 

No fim do dia estive a ler “Xeque-Mate a Goa”. Tanta mentira aprendi na escola salazarenta e tanta mentira dizem os filhos ideológicos de Salazar.

 

O sindicalismo anda pelas ruas da amargura. Serão independentes do poder político e económico sindicatos que comemoram o 1º de Maio com o apoio do Governo Regional, de uma Câmara Municipal e de mais de uma dezena de empresas privadas.

 

No dia 2, o trabalho começou pelas 8 h e terminou depois das 19h. Foi dia de semear  açafroa e girassóis e fazer a cresta em Vila Franca do Campo. Para além do mel fui premiado com uma dose de apitoxina numa perna. No Pico da Pedra, estive a extrair o mel com a ajuda de uma centrifugadora e de uma prensa.

 

Comecei o dia 3 a selecionar fotografias relacionadas com a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, nomeadamente com as marchas de São João e a procissão dos enfermos. De manhã li mais umas páginas do livro sobre os territórios portugueses da Índia e sobre as mentiras do fascismo salazarista.

 

De tarde, voltei à extração do mel. Acabei o dia exausto! A idade está a pesar.

 

3 de maio de 2026

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Virusaperiódico (176)

 


Virusaperiódico (176)

 

Comecei o dia 26 a fazer limpezas no quintal e devido ao cansaço repousei bastante no resto do dia. Estive a selecionar livros para depositar na Biblioteca Pública de Ponta Delgada e li mais umas páginas do livro já referido sobre António Sérgio.

 

No dia 27, acabei de ler a Revista de História das Ideias, 5, que é dedicada a António Sérgio. Passei algumas horas na revisão do livro cujo título será “Açores 500 Flores”.

 

No dia 28, visitei o Jardim Botânico José do Canto, tendo focado a minha atenção no Roseiral, onde para além de várias roseiras lindíssimas é possível observar a roseira-verde, a roseira-do-espírito-santo e a roseira-da-madre-teresa-da- anunciada.

 

No dia 29 a minha atenção recaiu na análise da Portaria n.º 50/2026 de 29 de abril de 2026, que aprova o modelo de requerimento de classificação de arvoredo de interesse público. Há algumas exigências perfeitamente desnecessárias. Com que objetivo? Desincentivar a apresentação de propostas?

 

Grande parte do dia foi dedicado às flores e à revisão do livro “Açores 500 Flores”.

 

Comecei o dia 30 a organizar fotografias de plantas, algumas delas enviadas por uma pessoa amiga que fotografou pela primeira vez abelhas em flores da endémica ginjeira-do-mato.

 

No resto do dia, para além da revisão do livro que já está mais próxima do fim, estive a ler “Xeque-Mate a Goa”, de Maria Manuel Stocker.

 

Recebi uma publicação onde são apresentadas as emissões de CO2 pelas várias fontes produtoras de energia elétrica, sendo a maior a incineração de resíduos, a tal que é considerada energia renovável, segundo alguns palermas, e que era anunciada como energia limpa pela boca de outros tantos.

 

30 de abril de 2026

sábado, 25 de abril de 2026

Virusaperiódico (175)

 



Virusaperiódico (175)

 

No dia 22 de abril, Dia da Terra, celebrado com grande aparato por aqueles que, paradoxalmente, contribuem para a sua lenta degradação, vi-me impedido de ir a Vila Franca do Campo trabalhar na terra. Dediquei esse tempo a cuidar da saúde dos animais de estimação que, por escolha própria ou por adoção, fazem da minha casa o seu abrigo.

Entre leituras diversas, continuei a revisitar na memória o período conturbado vivido nos Açores nos anos imediatamente após o 25 de Abril, enquanto avancei na revisão de um livro sobre flores.

No dia 23 de abril, reservei mais algumas horas para cuidar das plantas e retomei a leitura de uma obra sobre o pedagogo António Sérgio. Apesar de dar nome a uma rua no Pico da Pedra, o seu pensamento, sobretudo enquanto defensor do cooperativismo, permanece pouco conhecido.

Na manhã de 24 de abril, comecei o dia com a leitura da correspondência recebida. Entre os textos, destacou-se um de António Eloy sobre o 25 de Abril, que aqui transcrevo:

“Viva o 25 de Abril, sempre!

Só com direitos podemos ter voz e resistir. O direito de respirar, o direito de ouvir e o direito de falar. O direito de defender a terra e o futuro desta. O direito de resistir, de resistir, de resistir.
O direito de gritar com todos os silêncios. O direito de expressão. O direito de negação. O direito de ser solidário. O direito de defender e de ser diferente. Todos, todos os direitos. Isso foi, é o 25 de Abril.”

No dia 25, já cansado das comemorações — onde se misturam os que verdadeiramente acreditam em Abril com aqueles que, de forma dissimulada, tudo têm feito para limitar a participação cívica e política nos Açores — optei por regressar ao essencial: trabalhar na terra. Se o 25 de Abril não servir para vivermos com dignidade e participação plena, então terá sido um esforço em vão. Fascismo nunca mais.

Seguindo o conselho do cardeal, poeta e teólogo madeirense Tolentino Mendonça, dediquei-me a “plantar jardins” no Pico da Pedra e em Vila Franca do Campo — um gesto simples, mas carregado de significado e esperança.

https://www.youtube.com/watch?v=gaLWqy4e7ls

25 de Abril de 2026

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Virusaperiódico (174)

 


Virusaperiódico (174)

 

Dia 17

O dia começou com uma visita à Nova Gráfica para acompanhar a paginação de um novo livro. Houve ainda tempo para uma conversa, em Ponta Delgada, sobre os tempos conturbados vividos nos Açores entre 1975 e 1978. A tarde foi quase inteiramente dedicada à revisão de provas, com atenção aos detalhes e ao registo de falhas a corrigir.

Dia 18

Iniciei o dia a trabalhar no novo livro e a acrescentar conteúdos noutro que será publicado mais tarde. Li também mais algumas páginas da obra da historiadora Raquel Varela sobre o 25 de novembro de 1975.

Dia 19

Continuei o trabalho nos livros em preparação para publicação. Dediquei parte do tempo à análise e confronto de depoimentos sobre o chamado “verão quente” nos Açores — tempos difíceis, que acabaram por se dissipar com a habitual distribuição de cargos.

Dia 20

O dia foi novamente ocupado, quase por completo, com o estudo das flores dos Açores. Passei por Vila Franca, mas não consegui subir à Ladeira devido ao caudal elevado da ribeira Nova. Fica a visita adiada para o próximo sábado, caso o tempo permita.

Dia 21

Passei pelo Jardim Botânico José do Canto, onde observei duas plantas ainda por identificar e aproveitei para fotografar várias flores. À tarde, participei numa reunião dedicada ao tema do arvoredo de interesse público e retomei o trabalho no livro sobre flores.

Entretanto, a polémica do momento centra-se na proposta de alteração do CESA, que passaria a incluir uma estrutura com chefe de gabinete, três adjuntos, secretário pessoal e motorista. Será isto razoável? Interessante o parecer da UGT, que sugere aumentar o número de representantes do governo para avaliar propostas do próprio governo. Talvez, levado ao extremo, o mais simples fosse mesmo que todos os membros do CESA fossem indicados pelo governo — ficaria tudo, sem dúvida, em família.

21 de abril de 2026

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 


Inaceitável esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 

Em 2004, a associação ecológica Amigos dos Açores denunciou a presença de águas poluídas por esgotos na foz da ribeira da Ribeira Seca, em Vila Franca do Campo. Na altura, a Câmara Municipal informou que iria “providenciar no sentido da sua resolução, estando a respetiva intervenção programada no âmbito do próximo plano”.

 

Volvidos quase 22 anos, uma visita ao local permitiu constatar que a ribeira continua significativamente poluída, recebendo águas provenientes de um esgoto ali canalizado. A persistência desta situação é motivo de séria preocupação: para além dos maus odores, a presença de águas contaminadas num curso de água favorece a proliferação de vetores de doenças e representa um risco evidente para a saúde pública e para o ambiente.

 

A gravidade é acrescida pelo facto de estas águas desaguarem na denominada Praia da Leopoldina, colocando em causa a qualidade balnear e a segurança dos utilizadores.

 

Face a este cenário, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente exige uma intervenção urgente por parte da Junta de Freguesia da Ribeira Seca da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, da GNR-SEPNA e da Direção Regional do Ambiente no sentido de porem termo a esta situação inaceitável e salvaguardar a saúde pública e o equilíbrio ambiental.

 

Açores, 14 de abril de 2026

 

P’lo Núcleo Regional dos Açores da IRIS-Associação Nacional de Ambiente

 

Virusaperiódico (173)

 


Virusaperiódico (173)

 

No domingo, dia 12, para além das tarefas domésticas, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental, através da redação de um texto a denunciar a presença de um esgoto a céu aberto que está a conspurcar as águas da Praia da Leopoldina. Dediquei-me também ao ativismo animalista, divulgando um apelo à não transmissão de touradas — que considero uma forma de tortura — nos vários canais de televisão.

 

Ao verificar que a terra estava muito seca, estive a regar as plantas, talvez mais cedo do que em anos anteriores. Sinais dos tempos?

 

No dia 13, para além de continuar o meu envolvimento no ativismo ambiental, conversei com algumas pessoas que foram alvo de perseguições nos Açores durante o chamado Verão Quente.

 

No final do dia, depois de tentar, sem sucesso, resolver alguns problemas com máquinas que decidiram deixar de funcionar todas ao mesmo tempo, terminei a leitura do livro “In Memoriam de Agostinho da Silva”, um filósofo que me inspira num trabalho que estou a desenvolver e que será tornado público em junho.

 

No dia 14, de manhã, passei pelo Jardim Botânico José do Canto, mas tive de interromper a visita devido à chuva. A tarde foi aproveitada para descansar e para ler as primeiras páginas de um livro sobre António Sérgio.

 

Depois de, no dia 15, ter passado quase doze horas em visitas a hospitais, no dia 16 a vida começou lentamente a regressar à normalidade. Iniciei a leitura do livro de Raquel Varela, “Do 25 de Novembro aos nossos dias: história da contrarrevolução”.

 

16 de abril

domingo, 12 de abril de 2026

Virusaperiódico (172)

 


Virusaperiódico (172)

8 de abril

Foi um dia exigente. A doença de um familiar obrigou-me a permanecer mais por casa e a assumir tarefas fora da rotina. Ainda assim, consegui dedicar algum tempo ao quintal: mondei ervas que estavam a prejudicar algumas plantas e colhi meia dúzia de inhames.A leitura também marcou presença, com mais dois casos do livro de Ricardo Barros.

Pelo meio, surgiu um contratempo inesperado: o telemóvel dava sinais de estar prestes a “explodir”. Dirigi-me a uma loja e fiquei a saber que teria de ficar sem ele, pelo menos, quinze dias, pois a reparação terá de ser feita no Porto. A autonomia dos Açores revela muitas limitações e por vezes total dependência do exterior.

9 de abril

De manhã, estive na biblioteca pública a consultar o jornal A Vila, mas sem sucesso naquilo que procurava. Durante a tarde, regressei ao quintal por alguns minutos e avancei no trabalho de um livro que pretende dar visibilidade a uma parte da história dos Açores frequentemente omitida ou reinterpretada por quem não o deveria fazer.

10 de abril

O dia foi passado maioritariamente em casa, entre pequenas tarefas no quintal e leituras. Explorei partes de um livro sobre a correspondência entre Teófilo Braga e Inocêncio Francisco da Silva. Li também alguns textos do jornal A Batalha, antigo órgão da CGT, cuja assinatura mantenho há muitos anos, embora ultimamente não me tenha agradado tanto.

11 de abril

Um dia intensamente dedicado ao trabalho manual. De manhã, no Pico da Pedra, preparei um espaço para acolher várias plantas — algumas já envasadas, outras em processo de reprodução por estacaria.

Mais tarde, em Vila Franca, cuidei das abelhas e fiz algumas mondas. Acompanhei ainda uma jovem estudante de mestrado numa visita a vários moinhos, infelizmente em ruínas, ao longo da ribeira da Ribeira Seca.

Ao final do dia, já com poucas forças, consegui ainda ler o último conto do livro de Ricardo Barros. Uma leitura recomendável para quem procura algo interessante.

11 de abril de 2026

terça-feira, 7 de abril de 2026

Virusaperiódico (171)

 



Virusaperiódico (171)

3 de abril

Hoje faltaram-me as forças para ir ao quintal fazer algumas mondas, tarefa já necessária. Fiquei por casa e dediquei-me à leitura. Terminei o livro “Caso Insólito: Igreja ou Centro de Subversão?”, de Octávio Medeiros. Li ainda o primeiro conto de “Árvore Anciã – Contos”, de Ricardo Barros. Um texto notável, que, a meu ver, deveria ser leitura obrigatória nas aulas de cidadania — ao contrário de certos conteúdos que prefiro nem enumerar.

4 de abril

Graças ao paracetamol, consegui passar o dia inteiro a trabalhar na Courela e na Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.

Na Courela, limpei bananeiras e tratei das bananas, além de fazer algumas mondas. Já na Ribeira Nova, para além das últimas colheitas, visitei as colmeias: as abelhas estão saudáveis e a aproveitar bem a abundância de flores desta época. Fiz também algumas mondas e semeei os primeiros girassóis do ano.

No final do dia, ainda tive energia para ler o segundo conto do livro de Ricardo Barros.

5 de abril

Comecei o dia a rever textos antigos sobre a Ribeira Seca e a rascunhar novas notas. Espero que venham a ter interesse para os habitantes da localidade, sobretudo para os mais velhos, guardiões de tantas memórias.

Dediquei ainda algum tempo ao ativismo ambiental e à resposta a várias solicitações. Contudo, devido ao cansaço e à necessidade de concluir projetos em curso, vi-me obrigado a recusar alguns pedidos — pelo menos durante os próximos três meses.

6 de abril

Dia atípico. Visitei uma exposição de pintura de Florinda Pinheiro, na Junta de Freguesia do Pico da Pedra. Foi gratificante descobrir mais um talento naquela freguesia.

Por motivos familiares, não consegui fazer nada de significativo que mereça maior registo. A vida segue, nem sempre como desejamos.

7 de abril

Passei pela Biblioteca Pública de Ponta Delgada, onde consultei o jornal “A Vila”. Fiz depois uma breve visita ao Jardim Botânico José do Canto, apreciando algumas plantas em flor.

O resto do dia foi dedicado à escrita e à reflexão, enquanto aguardava, com inquietação, notícias do cenário internacional. É difícil compreender como um país que se afirma democrático pode eleger líderes responsáveis por decisões que conduzem ao sofrimento de tantos. Infelizmente, a história mostra que não se trata de um caso isolado.

7 de abril de 2026

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Virusaperiódico (170)

 


Virusaperiódico (170)

29 de março (domingo)

Regressei à terra e dediquei parte do dia ao trabalho no quintal. Fiz mondas e envasei algumas plantas ornamentais de interior, num contacto simples, mas reconfortante com a terra. Reservei ainda algum tempo para o ativismo ambiental e social, numa fase em que sinto uma preocupante apatia generalizada, como se muitos aguardassem passivamente por soluções que nunca chegam por si mesmas.

30 de março (segunda-feira)

Iniciei o dia com a leitura de textos sobre Agostinho da Silva e com o Diário de Notícias, que trazia uma reportagem marcante sobre o assassinato do Padre Max e da estudante Maria de Lurdes, ocorrido em 1976 às mãos da extrema-direita.

 

Mais tarde, estive em Vila Franca do Campo. Passei pela Ribeira Nova e pela Courela, onde colhi alguma fruta. Visitei também o Jardim Antero de Quental, onde contemplei, entre outras espécies, duas magnólias imponentes que me deixaram particularmente impressionado.

31 de março (terça-feira)

De manhã, dirigi-me à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, onde requisitei um livro sobre a ação do Padre Avelino Soares na Paróquia de São Pedro, em Angra do Heroísmo, durante o período do marcelismo.

 

Passei ainda pelo Jardim Botânico José do Canto, onde, uma vez mais, me detive a observar as árvores centenárias, verdadeiros testemunhos vivos do tempo.

1 de abril (quarta-feira)

Dia das petas. Comecei a leitura do livro requisitado no dia anterior e dediquei-me também ao trabalho num livro que tenho vindo a escrever — um projeto que espero ver publicado um dia.

2 de abril (quinta-feira)

Data simbólica: a aprovação da Constituição da República de 1976. Passei o dia com o pensamento marcado pelo assassinato do Padre Max e de Maria de Lurdes, vítimas do terrorismo de extrema-direita. A memória desses acontecimentos reforça em mim a convicção: fascismo nunca mais!

 

De manhã, visitei a Feira Agrícola de Santana. À tarde, porém, fui surpreendido por um mal-estar físico ainda indefinido, que me impediu de fazer mais fosse o que fosse.

 

2 de abril de 2026

domingo, 29 de março de 2026

Virusaperiódico (169)

 





Virusaperiódico (169)

Diário — 23 a 28 de março de 2026

23 de março

Voltei a dedicar algumas horas ao livro sobre flores e avancei na leitura de mais algumas páginas do livro sobre Agostinho da Silva.

24 de março

De manhã, estive no Jardim Botânico José do Canto, onde é cada vez mais evidente a chegada da primavera, com muitas plantas já em floração. A guabiroba-de-folhas-crespas apresenta frutos particularmente saborosos nesta altura.

Durante a tarde, mantive-me ocupado com o estudo das plantas e flores, não tendo conseguido descansar nem regressar à leitura de Agostinho da Silva.

25 de março

Foi feita a entrega, na tipografia, de todos os ficheiros necessários para a produção do livro sobre flores.

Passei ainda pela Biblioteca Pública, onde consultei jornais relacionados com acontecimentos do ano de 1977.

26 de março

Dediquei o dia ao trabalho num livro sobre o Verão Quente nos Açores. Continuei também a leitura de textos sobre o filósofo Agostinho da Silva.

Organizei ficheiros de fotografias captadas no Jardim Botânico José do Canto.

27 de março

Visitei a Fábrica de Chá Porto Formoso, onde recolhi informações e fotografei um magnífico carvalho (Quercus robur).

Passei pela Mata do Dr. Fraga e constatei que permanece encerrada há mais de seis meses, o que é lamentável, sobretudo face ao aviso de abertura “brevemente”.

Estive em Vila Franca, onde procedi à limpeza de bananeiras e bananas, tendo a colheita sido bastante fraca.

28 de março

O dia foi dedicado ao ativismo ambiental. Estive presente, em Ponta Delgada, na sessão de escuta coletiva “…E TEMOS O POVO…”, onde ouvi todos os sons da primeira montagem radiofónica do 25 de Abril.

Foi uma experiência enriquecedora, embora não deixe de refletir que o 25 de Abril deveria ter conduzido a uma realidade melhor do que aquela em que atualmente vivemos.
Caminhamos, talvez, a passos largos para um “24 de abril”?...

Criei uma petição a solicitar a reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia (https://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT130424).

28 de março de 2026

sábado, 28 de março de 2026

Pela reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia

 



Pela reabertura da Mata do Dr. Fraga, na Maia

 

A Mata do Dr. Fraga, situada na freguesia da Maia, continua inexplicavelmente encerrada ao público. Seis meses após uma primeira tentativa frustrada de visita, voltei ontem, dia 27 de março, a deparar-me com o portão fechado e com o mesmo aviso: “Caros cidadãos, a Mata do Dr. Fraga encontra-se encerrada devido a manutenções. Pedimos desculpa pelo incómodo. Abriremos brevemente…”

 

Tendo visitado este espaço ajardinado em diversas ocasiões — inclusive acompanhado por alunos da Escola Básica Integrada da Maia — reconheço que eram necessárias algumas intervenções, nomeadamente a substituição das madeiras das escadas. No entanto, nada que justificasse um encerramento tão prolongado, que começa a assemelhar-se mais a abandono do que a manutenção.

 

A ausência de uma intervenção célere por parte da Junta de Freguesia não só contribui para a progressiva degradação deste património, como também revela uma preocupante falta de respeito pela memória do seu criador, o Dr. Guilherme João de Fraga Gomes. Acresce ainda o desrespeito por todos aqueles que contribuíram para a sua requalificação e reabertura em 2008, bem como por quem tem promovido a riqueza florística deste espaço ao longo dos anos.

 

Importa recordar que esse esforço de valorização culminou, em 2022, com a publicação da obra “Mata do Dr. Fraga – Herança Viva de um Madeirense”, recentemente integrada no Plano Regional de Leitura dos Açores 2025-2026, na categoria de Outros Públicos — um reconhecimento que reforça a importância cultural e educativa deste local.

 

Perante esta situação, é urgente que a Junta de Freguesia da Maia assuma a responsabilidade que lhe compete e promova, com a maior brevidade possível, uma intervenção eficaz que permita a reabertura da Mata ao público. A população merece voltar a usufruir deste espaço, que é não só um património natural, mas também um legado histórico e educativo da freguesia.

 

28 de março de 2026

Teófilo Braga (membro da direção nacional da IRIS-Associação Nacional de Ambiente, coautor do livro “Mata do Dr. Fraga – Herança Viva de um Madeirense”)

segunda-feira, 23 de março de 2026

Virusaperiódico (168)

 


Virusaperiódico (168)

16 de março

Comecei o dia em Ponta Delgada, onde tratei de vários assuntos ligados à apicultura. Mais tarde, desloquei-me ao apiário em Vila Franca do Campo para dar continuidade ao trabalho. Passei ainda pela Courela, na Ribeira Seca, onde colhi algumas bananas — poucas, mas suficientes para manter o contacto com a terra. No Pico da Pedra, entreguei-me às memórias da minha terra natal, a Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, evocando vivências do início do século XX.

17 de março
Fiz uma visita rápida ao Jardim Botânico José do Canto. Aproveitei para fotografar algumas árvores notáveis, embora tenha ficado com dúvidas na identificação de uma delas — um pequeno mistério botânico que ficou por resolver.

18 de março
Dediquei o dia à reflexão sobre o passado da freguesia da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo. Continuei também a trabalhar sobre o chamado “Verão Quente” nos Açores, um período que se prolongou muito além do 25 de novembro de 1975.

19 de março
Entre tarefas domésticas, prossegui os trabalhos iniciados no dia anterior. Marquei presença nas assembleias gerais de duas associações ambientais: a APPAA e a IRIS – Associação Nacional de Ambiente, reforçando o compromisso com a defesa do património natural.

20 de março
Um dia quase inteiramente dedicado às flores e ao livro que está em preparação. Ainda assim, a minha ligação à Ribeira Seca manteve-se presente nos pensamentos.

21 de março
Voltei à Courela, onde limpei bananas e tratei das bananeiras. Na Ribeira Nova, cortei canas e inspecionei as colmeias. As abelhas deram um sinal claro: falta de espaço. Ou acrescento mais um andar às colmeias, ou correm o risco de partir — um ultimato inequívoco da natureza.

22 de março
Iniciei o dia a trabalhar sobre memórias de 1975 e no desenvolvimento do livro sobre as flores dos Açores, cuja publicação poderá acontecer em maio. Fui até Vila Franca do Campo para responder à exigência das abelhas, aumentando o espaço nas colmeias. Terminei o dia exausto, mas com a sensação de dever cumprido.

 

22 de março de 2026

sexta-feira, 20 de março de 2026

Dia Mundial da Floresta: associações açorianas apelam à valorização e proteção do arvoredo de interesse público

 



domingo, 15 de março de 2026

Virusaperiódico (167)

 


Virusaperiódico (167)

 

No dia 10 de março, depois de uma curta visita ao Jardim Botânico José do Canto, estive na Biblioteca Pública de Ponta Delgada a fazer pesquisas em jornais sobre o ano de 1975.

Em casa, após contactar uma pessoa que foi expulsa dos Açores em 1975, continuei a leitura de pequenos textos sobre Agostinho da Silva.

 

Soube também da morte, aos 83 anos, na ilha da Madeira, do engenheiro Melim Mendes, licenciado em Engenharia de Minas e doutorado em Energia Nuclear. Destacou-se pela contribuição para o desenvolvimento e modernização do setor energético da sua Região, nomeadamente através da introdução das energias renováveis.

 

No dia 11, voltei à Biblioteca Pública de Ponta Delgada para continuar as pesquisas em jornais sobre o ano de 1975 e sobre Simplício Gago da Câmara. De tarde, estive a trabalhar sobre plantas.

 

O dia 12 foi pouco produtivo: mais de metade das tarefas que constavam de uma lista ficaram por fazer. Li, no entanto, um magnífico texto do jornalista e escritor Fernando Dacosta sobre Agostinho da Silva. Retive uma frase deste último: “...o poder não passa de uma vaca. Devemos dar-lhe palmadas no rabo e tentar tirar-lhe o leite; é para isso que ele serve.” Ahahaha!

 

No dia 13, andei pela Ribeira Seca de Vila Franca, onde fui visitar as abelhas, que estão a deliciar-se com a grande quantidade de flores disponíveis, sobretudo as de incenso. Também estive a fazer algumas medições em árvores do Jardim Dr. António da Silva Cabral, na freguesia de São Pedro.

 

No dia 14, não saí do Pico da Pedra. Depois de fazer algumas sementeiras, sobretudo de limoeiro-galego, li mais alguns textos sobre Agostinho da Silva, nomeadamente um relatório que a PIDE escreveu sobre ele.

 

14 de março de 2026

sexta-feira, 13 de março de 2026

As abelhas, Einstein, Agostinho da Silva e nós

 


As abelhas, Einstein, Agostinho da Silva e nós

Ao famoso físico Albert Einstein, criador da Teoria da Relatividade, publicada em 1915, e Prémio Nobel da Física, em 1921, por ter explicado o efeito fotoelétrico, são atribuídas várias frases, sendo algumas delas apenas imaginação dos seus autores.

 

Uma das frases mais difundidas é a de que “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência”. Embora não se saiba se alguma vez Einstein fez aquela afirmação, o que é importante é que se trata de uma chamada de atenção para a importância das abelhas para a vida na Terra.

 

Embora possa parecer inesperada a referência a Agostinho da Silva, um dos mais influentes filósofos e humanistas portugueses do século XX, a verdade é que ele também se dedicou à entomologia — o estudo dos insetos —, incluindo a investigação sobre as abelhas.

 

De entre as suas publicações de carácter técnico e pedagógico, destacamos a intitulada “Apicultura”, datada de 1943, integrada nos seus “Cadernos de Informação Cultural”. Na publicação mencionada, para além de descrever os tipos de colmeias e de apresentar vários conselhos aos apicultores, Agostinho da Silva apresenta uma listagem de plantas que não são aconselhadas a estar próximas dos apiários, bem como de outras que são muito úteis para as abelhas, indicando os respetivos períodos de floração. Para além do referido, Agostinho da Silva recomenda a plantação de várias espécies melíferas, como o ligustro ou alfenheiro, nas estradas, caminhos e vedações de terrenos.

 

Tendo em conta que os polinizadores, como as moscas-das-flores, as borboletas e as abelhas, entre as quais a abelha-do-mel (Apis mellifera), desempenham um papel essencial nos ecossistemas, sendo fundamentais para a conservação da biodiversidade, a produção agrícola e o bem-estar humano, e que os mesmos enfrentam várias ameaças globais, incluindo alterações no uso do solo, invasões biológicas e mudanças climáticas, é fundamental que todos os cidadãos assumam um papel ativo e não fiquem à espera que apenas as entidades governamentais tomem medidas. Muitas vezes, as decisões políticas acabam por ser condicionadas pelas pressões de grandes grupos económicos, fazendo com que determinadas ações fiquem esquecidas ou se limitem a intervenções superficiais, sem impacto real.

 

No passado dia 1 de fevereiro, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente, organização que visa “contribuir para a recuperação e valorização dos valores históricos, promover o restabelecimento do equilíbrio dos ecossistemas e assegurar que bens essenciais como o ar, a água ou as florestas sejam geridos de forma sustentável, sem comprometer o futuro”, divulgou um comunicado no qual apelava à participação ativa dos cidadãos na defesa das abelhas e dos restantes polinizadores.

 

Segue-se um excerto desse comunicado, onde são apontadas algumas ações de fácil execução:

 

- Plantar espécies nativas e diversificadas, especialmente plantas ricas em néctar e pólen, em jardins, varandas ou mesmo em vasos;

 

- Evitar o uso de pesticidas e herbicidas, sobretudo inseticidas, optando por métodos naturais de controlo de pragas;

 

 - Manter espaços verdes mais “naturais”, deixando algumas áreas com flores espontâneas e evitando cortes frequentes da relva;

 

- Apoiar a agricultura sustentável, escolhendo produtos biológicos e locais que promovem práticas mais amigas dos polinizadores;

 

- Valorizar e proteger habitats naturais, respeitando áreas verdes e apoiando iniciativas de conservação;

 

- Sensibilizar outras pessoas, partilhando informação e promovendo atitudes amigas dos polinizadores na comunidade.

 

Pico da Pedra, 17 de fevereiro de 2026


Teófilo Braga

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A - uma oportunidade perdida de afirmar uma verdadeira política regional de valorização do património natural?

 


O Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A - uma oportunidade perdida de afirmar uma verdadeira política regional de valorização do património natural?

 

Na sequência de uma petição enviada à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRA) no dia 5 de abril de 2019, onde se chamava à atenção para uma realidade preocupante: a legislação regional relativa à classificação de arvoredo de interesse público encontrava-se claramente desatualizada e a Lei n.º 53/2012, que estabelece a nível nacional o regime jurídico desta matéria, nunca tinha sido devidamente regulamentada na Região Autónoma dos Açores.

 

A situação era particularmente reveladora de um atraso significativo na proteção do património natural do arquipélago. A lista de árvores classificadas nos Açores incluía apenas 58 exemplares, dos quais 37 no Faial, 14 na Terceira e apenas 7 em São Miguel — números manifestamente insuficientes para um território que possui um património arbóreo de enorme valor histórico, paisagístico e científico.

 

Paradoxalmente, no âmbito da exposição “Plantas e Jardins: A paixão pela horticultura ornamental na ilha de São Miguel”, inaugurada a 22 de fevereiro de 2019, o Doutor Raimundo Quintal apresentou uma proposta de classificação que identificava, apenas para a ilha de São Miguel, 75 árvores isoladas e sete conjuntos arbóreos com valor suficiente para merecer proteção. Esta discrepância demonstrava de forma evidente o atraso e a insuficiência do enquadramento legal existente.

 

Perante esta realidade, a Assembleia Legislativa aprovou por unanimidade o Decreto Legislativo Regional n.º 27/2022/A, de 28 de novembro, que estabelece o regime jurídico de classificação de arvoredo de interesse público na Região Autónoma dos Açores. Tratou-se de um passo importante e amplamente consensual, que reconhecia finalmente a necessidade de proteger de forma mais eficaz este património natural.

 

Contudo, o que se seguiu foi um exemplo claro de morosidade administrativa e falta de prioridade política. Apesar de a lei prever um prazo para a sua regulamentação, esta apenas veio a ser publicada mais de três anos depois, através do Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A.

 

Mais grave ainda é que, após esta longa espera, o resultado fica muito aquém do que seria expectável. Em vez de uma regulamentação que refletisse as especificidades ecológicas, históricas e paisagísticas de uma região insular e politicamente autónoma, o documento aprovado limita-se, na prática, a reproduzir o regulamento nacional com ligeiras adaptações terminológicas.

 

O seu anexo (valores de referência para os subparâmetros dendrométricos) é, de facto, uma cópia integral do anexo do regulamento nacional, sem qualquer esforço sério de adaptação à realidade açoriana. Não houve a preocupação de incluir espécies comuns nos Açores, de eliminar espécies praticamente inexistentes no arquipélago, nem sequer de atualizar alguns nomes científicos já desatualizados.

 

Este resultado fica além do esperado. A autonomia regional deveria permitir adaptar a legislação às características únicas do território, valorizando o conhecimento científico disponível e o património natural do arquipélago. Em vez disso, optou-se por uma solução burocrática e pouco ambiciosa, que ignora as especificidades dos Açores e reduz a autonomia legislativa a um mero exercício de transposição administrativa.

 

A proteção do arvoredo de interesse público não pode ser tratada como uma formalidade. Trata-se de preservar elementos vivos da história, da paisagem e da identidade dos Açores. Quando a legislação regional se limita a “copiar” regulamentos nacionais sem os adaptar à realidade local, perde-se não apenas eficácia normativa, mas também uma oportunidade de afirmar uma verdadeira política regional de valorização do património natural.

 

Açores, 12 de março de 2026

 

Teófilo Braga

 

(membro da direção da IRIS- Associação Nacional de Ambiente)