sexta-feira, 13 de março de 2026

As abelhas, Einstein, Agostinho da Silva e nós

 


As abelhas, Einstein, Agostinho da Silva e nós

Ao famoso físico Albert Einstein, criador da Teoria da Relatividade, publicada em 1915, e Prémio Nobel da Física, em 1921, por ter explicado o efeito fotoelétrico, são atribuídas várias frases, sendo algumas delas apenas imaginação dos seus autores.

 

Uma das frases mais difundidas é a de que “se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência”. Embora não se saiba se alguma vez Einstein fez aquela afirmação, o que é importante é que se trata de uma chamada de atenção para a importância das abelhas para a vida na Terra.

 

Embora possa parecer inesperada a referência a Agostinho da Silva, um dos mais influentes filósofos e humanistas portugueses do século XX, a verdade é que ele também se dedicou à entomologia — o estudo dos insetos —, incluindo a investigação sobre as abelhas.

 

De entre as suas publicações de carácter técnico e pedagógico, destacamos a intitulada “Apicultura”, datada de 1943, integrada nos seus “Cadernos de Informação Cultural”. Na publicação mencionada, para além de descrever os tipos de colmeias e de apresentar vários conselhos aos apicultores, Agostinho da Silva apresenta uma listagem de plantas que não são aconselhadas a estar próximas dos apiários, bem como de outras que são muito úteis para as abelhas, indicando os respetivos períodos de floração. Para além do referido, Agostinho da Silva recomenda a plantação de várias espécies melíferas, como o ligustro ou alfenheiro, nas estradas, caminhos e vedações de terrenos.

 

Tendo em conta que os polinizadores, como as moscas-das-flores, as borboletas e as abelhas, entre as quais a abelha-do-mel (Apis mellifera), desempenham um papel essencial nos ecossistemas, sendo fundamentais para a conservação da biodiversidade, a produção agrícola e o bem-estar humano, e que os mesmos enfrentam várias ameaças globais, incluindo alterações no uso do solo, invasões biológicas e mudanças climáticas, é fundamental que todos os cidadãos assumam um papel ativo e não fiquem à espera que apenas as entidades governamentais tomem medidas. Muitas vezes, as decisões políticas acabam por ser condicionadas pelas pressões de grandes grupos económicos, fazendo com que determinadas ações fiquem esquecidas ou se limitem a intervenções superficiais, sem impacto real.

 

No passado dia 1 de fevereiro, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente, organização que visa “contribuir para a recuperação e valorização dos valores históricos, promover o restabelecimento do equilíbrio dos ecossistemas e assegurar que bens essenciais como o ar, a água ou as florestas sejam geridos de forma sustentável, sem comprometer o futuro”, divulgou um comunicado no qual apelava à participação ativa dos cidadãos na defesa das abelhas e dos restantes polinizadores.

 

Segue-se um excerto desse comunicado, onde são apontadas algumas ações de fácil execução:

 

- Plantar espécies nativas e diversificadas, especialmente plantas ricas em néctar e pólen, em jardins, varandas ou mesmo em vasos;

 

- Evitar o uso de pesticidas e herbicidas, sobretudo inseticidas, optando por métodos naturais de controlo de pragas;

 

 - Manter espaços verdes mais “naturais”, deixando algumas áreas com flores espontâneas e evitando cortes frequentes da relva;

 

- Apoiar a agricultura sustentável, escolhendo produtos biológicos e locais que promovem práticas mais amigas dos polinizadores;

 

- Valorizar e proteger habitats naturais, respeitando áreas verdes e apoiando iniciativas de conservação;

 

- Sensibilizar outras pessoas, partilhando informação e promovendo atitudes amigas dos polinizadores na comunidade.

 

Pico da Pedra, 17 de fevereiro de 2026


Teófilo Braga

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