segunda-feira, 21 de abril de 2008

A Via Negocial

SINDICATO DOS PROFESSORES DA REGIÃO AÇORES CONSEGUE, NO PLANO REGIONAL, MAIS UMA VITÓRIA PARA OS EDUCADORES E PROFESSORES.

O SPRA, privilegiando sempre a via negocial, congratula-se pelo facto de o Governo Regional dos Açores, através da Vice-Presidência, em reunião extraordinária de 14/04/2008, ter sido sensível aos seus argumentos, reconhecendo a justeza das suas pretensões, ao fazer justiça aos Professores e Educadores que trabalham nesta Região, que vêem, assim, reconhecido o tempo de serviço congelado, num total de, sensivelmente, dois anos e quatro meses, recuperado para efeitos de integração e progressão na carreira, ainda que de forma faseada, sendo 50% desse tempo considerado em 1 de Setembro de 2008 e os outros 50% em 1 de Setembro de 2009.

Relativamente à integração nos Quadros, os docentes não irão beneficiar das normas de excepcionalidade, concedidas aos demais funcionários públicos, nas condições e nos termos apresentados nesta Proposta de Decreto Legislativo Regional, justificadas pelo facto de a administração regional não ter aberto concurso para ingresso nos Quadros da Função Pública desde 2004 e de esta ser a última oportunidade que os funcionários públicos têm para usufruírem desta relação jurídica de emprego, passando os demais a contrato por tempo indeterminado. Contudo, os Professores e Educadores mantêm salvaguardada a legislação específica sobre concursos, que lhes continua a garantir a integração progressiva nos Quadros, com vínculo de nomeação definitiva.

Comentário Meu- Não se trata de mais uma vitória do Sindicato. Trata-se de repor uma situação injusta. Quanto à insistência na via negocial, não vejo a necessidade da afirmação, a não ser que algum dirigente considera o cargo que ocupa como trampolim para o Governo ou Assembleia Regional.

domingo, 13 de abril de 2008

Professores Traídos Pela Plataforma Sindical

Pois é colegas, fomos traídos pela plataforma sindical.
Tenho 17 anos de serviço e fui sindicalizado até à 2 anos atrás.
Fartei-me de descontar os meus poucos euros de ordenado porque cada dia que passava menos me revia nos meus representantes sindicais.
Depois proliferavam como a peste, ele era dos licenciados, dos Norte, do Sul das ilhas, deixem-me adivinhar, já deve estar na calha o dos titulares, dos avaliadores, sei lá.
Os sindicatos foram importantes na organização, na logística da manifestação dos 100000 mas desenganem-se se os sindicatos tiveram alguma coisa a ver com as nossas convicções. Os sindicatos deram uma prova irrefutável de que são coniventes com este ou qualquer governo desde que lhes acenem com a cenoura à frente do nariz.
Fomos traídos pela plataforma sindical, temos que apagar rapidamente da comunicação social a imagem do "vitória dos professores" qual vitória, qual conquista, está tudo rigorosamente igual. Já agora alguém explique à oposição, ou espécie dela, que isto não se resume a bombons por causa do aproximar das eleições, essa gente percebe tanto de ensino como... o que sabem é o que têm lido nos blogues, nos jornais e dos lamentos de um parente próximo. Mete dó ouvir alguns líderes partidários a falar da nossa vida profissional.
Voltando aos sindicatos, VÃO DAR AULAS!
Já agora, não se arranjam uns escritos ou imagens do Dr. Miguel S Tavares a insultar os professores?
É que o homem disse que era tudo mentira e eu quase acreditei.
Quanto à Internet ser um veículo cobarde de promoção de campanhas a denegrir a imagem das pessoas, eu penso que cobarde é ter tempo de antena na TVI uma vez por semana em horário nobre e vomitar cá para fora baboseiras infundadas sobre tudo que é assunto.

milones

(recebido por mail)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Para que Serve o Manual Escolar

Para nada. Fiquei a saber hoje, ao interrogar os meus alunos acerca de quantas vezes o haviam consultado.

A maioria dos alunos, fora da aula, desconhece o que é abrir o manual. Uma aluna respondeu mesmo: "Não me dou ao trabalho de o abrir em casa".

terça-feira, 18 de março de 2008

Anedota ou Talvez Não

Numa entrega de notas de final de período, um pai, ao ver as más classificações da filha,vira-se para esta e diz:

Minha filha, és tão burra que nem para professora serves.

domingo, 16 de março de 2008

Carta aberta aos encarregados de educação

Os professores e educadores estão em luta pela defesa da Escola Pública!
Neste momento delicado do ano escolar, quando a actividade lectiva está em pleno, quando decorre um processo de avaliação dos alunos em que a máxima serenidade deveria pontuar, os professores e educadores estão profundamente inquietos com o futuro da Escola Pública.
O Governo e os meios de Comunicação Social querem fazer crer à opinião pública que as recentes manifestações de professores e educadores visam reivindicações laborais egoístas e, muito concretamente, que os professores se recusam a ser avaliados.
TAL NÃO CORRESPONDE À VERDADE!
Efectivamente, os professores sempre têm sido avaliados: avaliados pelas provas prestadas, pelo trabalho diariamente desenvolvido e pelos resultados obtidos ; avaliados pelas acções de formação permanente que frequentam e as provas a que aí se sujeitam ; avaliados pelos colegas, pelos funcionários, pelas direcções das escolas e pelos serviços de inspecção do Ministério da Educação ; avaliados, ainda, pelos encarregados de educação que, em permanência, podem acompanhar a actividade desenvolvida pela escola junto dos seus educandos.
Para compreendermos a actual situação é necessário perceber que, mais do que um direito à educação e à instrução, a Escola Pública é um dever que envolve o Estado e os cidadãos.
O Estado tem, por esse motivo, a pesada obrigação de promover e manter uma Escola Pública com o máximo de ambição e qualidade. Por sua vez, os cidadãos - obrigados que são a frequentar a escola - têm todo o direito de exigir do Estado uma Escola onde as novas gerações possam beneficiar de uma vasta e segura formação que as capacite para o exercício pleno de uma vida adulta em sociedade.
Como profissionais do ensino - além de encarregados de educação e de cidadãos atentos que também são - os professores apercebem-se, em primeira linha, dos principais problemas que afectam a Escola e, desde sempre, têm vindo a alertar o Ministério para o tipo de mudanças que julgam ser as mais necessárias. O Ministério da Educação, para além de não ouvir os professores, tem vindo a pôr em prática, desde há muito, reformas que, apesar de terem alterado substancialmente a vida das escolas, nunca foram devidamente avaliadas.
Além disso, de há três anos para cá, o Ministério da Educação, confrontado com os fracos resultados obtidos pelos alunos, em comparação com os de outros países - e numa lógica baseada no cumprimento da agenda de Lisboa e dos prazos impostos pela União Europeia (2013) - achou por bem atribuir aos professores a responsabilidade pelo grave estado da educação em Portugal. É nesta linha que se insere uma avaliação do desempenho burocrática, penalizadora e hipócrita que apenas impede a progressão na carreira. O seu objectivo não é o verdadeiro sucesso escolar dos alunos, mas apenas produzir boas estatísticas em termos internacionais.
Estas medidas integram-se ainda num plano de contenção de despesas (encerramento de escolas, transferências de responsabilidades de gestão para os Municípios, medidas contra o ensino especial, etc.) de que só pode resultar a degradação da escola pública. As leis aprovadas (o Estatuto da Carreira Docente, o novo Estatuto do Aluno, as alterações ao regime do Ensino Especial, a alteração do modelo de gestão das escolas, o recurso a empresas para o fornecimento, em regime de trabalho precário, de monitores das Actividades de Enriquecimento Curricular no 1º Ciclo, a Escola a Tempo Inteiro, o programa Novas Oportunidades) apontam para a preparação de indivíduos para o mercado de trabalho precário, submissos e conformados a uma sociedade não democrática.
Os professores estão hoje unidos em defesa da Escola Pública, a única escola que, efectivamente, pode formar cidadãos emancipados e à qual todos, ricos ou pobres, têm garantido o acesso.
Apelamos assim aos encarregados de educação que juntem a sua voz à nossa para que, conjuntamente, saibamos definir os caminhos que levem à concretização de uma melhor escola para todos.
Esta carta aberta foi elaborada numa reunião de professores, educadores e encarregados de educação, realizada por iniciativa da Comissão de Defesa da Escola Pública, no passado dia 15 de Março, em Algés.

http://groups.google.com/group/escola-publica

escola.publica.portuguesa@gmail.com

quarta-feira, 12 de março de 2008

Acabou-se

Maria de Lurdes Rodrigues não tem condições para continuar a gerir o sistema de educação em Portugal. Porque já não é eficaz nessa função. Porque é um facto insofismável que o pessoal que ela administra não aceita a sua administração. Isso esvazia de conteúdo as suas funções. Já não está em causa a eficácia da sua política. A questão é que ela não vai conseguir implementar as boas ideias que tem, nem impor as más. O argumento de a manter no cargo para não "desautorizar" o Primeiro-ministro é falso e perigoso. Mantendo-a nas funções que desempenha a desautorização do governo de Sócrates é constante. Chegou a altura de ver que isso é mau para os alunos. Só podem ser eles quem está em causa. Não pode haver razões de defesa de imagem política que justifiquem esta intransigência porque a manutenção de um percurso de imposição administrativa começa a ser um risco de segurança nacional. É péssimo para o quotidiano escolar ter um sistema totalmente desautorizado com professores a desafiarem o governo e o governo a desautorizar-se em frémitos de afirmação de voluntarismo vazio.

Da necessidade de reformas sabe-se com fundamento científico desde o traba-lho de Ana Benavente que denunciou que um quarto dos portugueses mal sabia ler e que só dez por cento da população é que entendia completamente aquilo que está escrito. Mas esse estudo tem década e meia e nada de substancial foi feito no entretanto. Por isso, o que está em questão não é a avaliação de profes-sores. Apreciações de desempenho são meros pormenores de gestão de pessoal. O que é preciso, como consta de uma lúcida reflexão dos docentes da Escola Rainha D. Amélia, é fazer a escola cumprir com as suas funções na socialização de crianças e jovens. É promover a criação de hábitos de disciplina interiorizados que se multipliquem depois na vida adulta. Entre Cavaco Silva, o governante confrontado com o estudo de Ana Benavente, e José Sócrates, este processo de calamitosa estupidificação do país não foi interrompido por um projecto lúcido. O governo actuou agora como se o problema estivesse nos docentes e não no sistema de docência e nos curricula. Actuou como se o problema único de Portugal fosse o do excesso de privilégios e não o do defeito de cultura.

E assim as frágeis construções da demagogia política trouxeram, mesmo com a intimidação de PSPs à paisana e processos disciplinares da DREN, uma cen-tena de milhar para as ruas de Lisboa. E o Primeiro-ministro mostrou a sua fibra assistindo em silêncio ao martírio de Maria de Lurdes Rodrigues que se desdobrou nas TVs a tentar demonstrar o indemonstrável axioma socrático que a sua política é infalível e o défice de compreensão é do país. A resposta de Sócrates foi a de marcar uma manifestação de desagravo para o Porto. Primeiro era para ser na rua, depois numa praça, depois num pavilhão e vai sempre soar a falso no clamor sem fim das turbas dos indignados. Foi um contra-ataque ridículo no meio de muito comportamento bizarro. O Professor Augusto Santos Silva protagonizou o momento de infelicidade quando em Chaves quis assinalar os três anos de governação numa espécie de estágio para o anunciado comício do desagravo. Foi vaiado. Ripostou tentando conjurar os seus Manes. Invocou os nomes dos pais fundadores, dos velhos companheiros que diz serem os seus da luta que diz ser a sua. Salgado Zenha, Mário Soares e Manuel Alegre. E nenhum lhe respondeu. Tentou depois o exorcismo, amaldiçoando os seus demónios pessoais, os grandes e os mais pequenos. Álvaro Cunhal e Mário Nogueira. E nenhum lhe respondeu. Ouviu vaias cada vez mais altas e a voz embargou-se e disse: "eu não me calo...eles calam-se primeiro que eu." Depois repetiu, baixinho como que a querer convencer-se "...eles calam-se primeiro que eu". E não se calaram. Ao ouvir na Antena 1 este terrível registo de desgovernação só me ocorreram as sábias palavras de Juan Carlos para o tiranete venezuelano: "por que no te callas".


Mário Crespo, escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras (10.3.08)

domingo, 9 de março de 2008

VIDEO DA MANIFESTAÇÃO DE 6 DE MARÇO

Não vou falar aqui nas inverdades proferidas pelo Prof. Álamo Menezes a propósito do Estatuto da Carreira Docente dos Açores.

Basta fazer referência à primeira: eu também sou professor. A verdade é que ele nuna foi professor dos ensinos básico e secundário, ele apenas deu aulas. Ele é professor universitário e como tal com estatuto diferente do nosso.