quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Apontamentos sobre o NPEPVS-DA, a primeira organização ambientalista dos Açores (2)

 


Apontamentos sobre o NPEPVS-DA, a primeira organização ambientalista dos Açores (2)

 

Terminámos o texto anterior com a indicação dos principais assuntos tratados no primeiro número do boletim “Priôlo”, da responsabilidade do NPEPVS-DA. Hoje, continuamos a história daquela que foi a primeira organização ambientalista dos Açores.

 

No mesmo número do boletim, Geráld Le Grand relata o avistamento de um bando de uma nova espécie, o lugre (Carduelis spinus) que poderia tornar-se uma nova espécie para os Açores e são publicadas pequenas notícias, nomeadamente de observações de aves, como a de uma poupa em Santa Maria, pelo sr. Dalberto Pombo ou a da chegada dos cagarros à freguesia dos Mosteiros, em 23 de fevereiro de 1983, por Daniel Melo.

 

No dia 8 de fevereiro de 1983, por iniciativa do NPEPVS-DA, realizou-se uma conferência com projeção de slides sobre “O Mercantour”, um Parque Nacional francês com 68 500 hectares.

 

Em abril de 1983, foi publicada uma folha informativa em defesa das aves de rapina. Por não ter perdido atualidade, transcreve-se três das razões pelas quais as mesmas são úteis na natureza:

 

“- a cada uma que morre corresponde um aumento de proliferação de ratos, répteis e insetos, que fazem parte da sua alimentação habitação;

 

- grande parte das peças de caça que matam, é constituída por indivíduos doentes, feridos ou mais fracos;

 

- cada animal doente que as aves de rapina deixam de eliminar pode ser um foco de infeção para cada sadia.”

 

Com data de 12 de abril de 1983 foi divulgada uma circular onde são dadas notícias sobre a campanha de angariação de novos sócios e sobre a distribuição do boletim “Priôlo”. Na mesma circular foi publicado um texto sobre os golfinhos (toninhas) que continuavam a ser alvo de massacres e atrocidades cometidas pelo “homem”. No referido texto pode-se ler o seguinte:

 

“A Delegação dos Açores do NPEPVS opõe-se frontalmente à continuação deste morticínio, exigindo das entidades responsáveis e competentes a imediata publicação da lei que permita a salvaguarda de tal espécie.

 

Apelamos desde já a todos os nossos Consócios para diligenciarem junto das comunidades piscatórias sobre as razões por que não se deverá abater tão bela espécie de manífero marinho.”

 

Em maio de 1983, o NPEPVS-DA esteve presente, no hangar da marinha, na Exposição-Feira de Artesanato, com um pavilhão com material informativo, alertando para a importância de proteger a vida selvagem.

 

A 18 de junho de 1983, no âmbito das festas em honra de São João, foi inaugurada, em Vila Franca do Campo, a sede do NPEPVS, localizada na rua Padre Manuel José Pires, 11-13, na freguesia de São Pedro. A inauguração contou com a presença de António Daniel Carvalho Melo, presidente da Câmara Municipal e de Vasco Garcia, em representação do reitor da Universidade dos Açores.

 

No dia 16 de dezembro de 1983, o NPEPVA-DA promoveu uma exposição de cartazes alusivos à proteção do ambiente, no Externato Maria Isabel do Carmo Medeiros, na Povoação.

 

Na ocasião foram projetados slides e dois filmes. Na exposição que foi visitada por cerca de 500 pessoas, estiveram à venda autocolantes sobre avifauna e foram distribuídos panfletos sobre a importância da conservação das aves de rapina.

 

(Continua)

 

(Correio dos Açores, 32 666, 23 de fevereiro de 2022, p.17)

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