sexta-feira, 20 de junho de 2008

Avaliação de Professores na RAA

Colegas


(A propósito da avaliação de desempenho dos professores na Região Autónoma dos Açores)


A fábula tem de ser recontada?
O lobo agora obriga a vítima a enfarinhar-lhe a pata para a pôr no postigo para que se possa fazer passar por aquilo que quer parecer?
Logram-nos. E ainda nos obrigam a ter de preparar o logro?
Vejam o despudor da administração e a representação de impunidade que tem de si própria!
Os docentes que exerçam cargos ou funções que não envolvam a prestação efectiva de serviço lectivo são dispensados de avaliação de desempenho (Artigo 66º, 4). – Assim, pois, se promove e se premeia a deslealdade dos docentes destacados ou com carreiras nas secretarias, ministério e sindicatos, de que é exemplar o recente acordo de traição aos professores da chamada Plataforma Sindical com o Ministério da Educação. Pelos vistos Maria de Lurdes Rodrigues agora já não se revolta com os professores “que não dão aulas”!
Os membros dos conselhos executivos, das comissões executivas provisórias e das comissões executivas instaladoras são avaliados pelo director regional competente (Artigo 69º, 6). – Desta forma tenta também a hierarquia controlar quem, nas escolas, nalguns casos leccionando, tem de exercer funções de confiança política da administração, funções que se desenham, aliás, assaz coercivas e indecorosas. Não nos deve espantar, salvo honrosas excepções, a presteza de tantos executivos e dalguns outros não menos medrosos ou não menos devotos dos ventos que sopram para que tudo quanto venha da Secretaria e do Ministério tenha rápido e firme cumprimento.
Para os professores no activo a perspectiva é completamente outra.
Os professores que durante quatro anos seguidos tenham avaliação de desempenho de Excelente recebem um prémio pecuniário de montante equivalente ao de quatro vezes o valor mensal da retribuição a que tenham direito! Quem se candidata a tão “lauta” benesse? E quem se pode imaginar com tal classificação, quando tudo, inclusive as faltas, está sob a tutela directa da hierarquia e poder instituídos? Lembra-me, a propósito, o inegualável António Silva a fazer eleger a filha como rainha da festa! Isto quanto aos que mimam ou poderão vir a mimar o “Estatuto da Carreira Docente” aprovado pelo parlamento açoriano!
Mas para aqueles que repudiam este Estatuto e que este Estatuto pretende eliminar, reparem bem nisto! “Qualquer que seja a pontuação obtida (…) a menção qualitativa de Insuficiente” terá sempre que ser atribuída! (Artigo 76º, c). Basta que o professor tenha um comportamento “ético e profissional”! incompatível “com o perfil traçado no presente Estatuto” (Artigo 76º, c)!
Pergunto: revêem-se os meus colegas no perfil traçado por este “Estatuto da Carreira Docente”?
Pergunto mais: já idearam as consequências da efectiva operacionalização dum documento que historicamente visou exactamente o contrário do que afirma que enuncia?
Mais: que valor tem toda a sorte de “grelhas” quando praticamente tudo se resume a saber se o professor tem o perfil que circunstancialmente melhor garanta o que umas duas ou três dezenas de grandes bancos e instituições financeiras e uma meia centena de grandes grupos empresariais querem que no mundo se pense e se faça?
E ainda outra pergunta: será que o pretensamente e grosseiramente igualitário “suficiente” imposto actualmente pela administração como “avaliação” do nosso desempenho é razão suficiente para se abraçar um processo que visa fundamentalmente: 1. o controlo pessoalizado dos docentes. 2. a possibilidade sempre em aberto de despedimento legal sem qualquer indemnização quando muito bem convenha à administração, seja regional, seja central. 3. evitar, custe o que custar, a avaliação do sistema escolar instituído em Portugal e a avaliação dos políticos responsáveis pelo mesmo, assim como, cinicamente, fazer recair sobre os docentes a responsabilidade pelas consequências da sua implementação?

Grato por eventual atenção,


Escola Secundária Antero de Quental
18 de Junho de 2008


Pedro Albergaria Leite Pacheco

domingo, 1 de junho de 2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Professora Agredida




PS- É o pão nosso de cada dia. Não será agressão estar um professor perante uma turma em que metade dos alunos lá não está a fazer nada.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Escolas Para Ricos e Escolas Para Pobres

“A pior discriminação, a pior forma de exclusão é deixar a criança sair da escola sem ter adquirido nenhuma aprendizagem, nenhum conhecimento, sem as ferramentas mínimas para se integrar e participar activamente das sociedades do conhecimento.
Depois de ter feito muitos estudos sobre vários países em todo mundo, percebo que há uma tendência terrível: escolas para os meninos ricos centradas na aprendizagem e escolas para os meninos pobres centradas em tarefas sociais e assistenciais. Essa divisão, que tem aumentado nos últimos anos, configura a possibilidade de duas escolas diferentes para dois mundos sociais diferentes. Aceitar isso seria, definitivamente, o fim do programa histórico da escola pública, o fim de tudo aquilo que tentamos construir nos últimos 150 anos. Se não formos capazes de reverter esse ciclo, prestaremos o pior serviço possível às causas da inclusão e às causas dos mais desfavorecidos.”

António Nóvoa , in Desafios do trabalho do professor no mundo contemporâneo., palestra.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A Via Negocial

SINDICATO DOS PROFESSORES DA REGIÃO AÇORES CONSEGUE, NO PLANO REGIONAL, MAIS UMA VITÓRIA PARA OS EDUCADORES E PROFESSORES.

O SPRA, privilegiando sempre a via negocial, congratula-se pelo facto de o Governo Regional dos Açores, através da Vice-Presidência, em reunião extraordinária de 14/04/2008, ter sido sensível aos seus argumentos, reconhecendo a justeza das suas pretensões, ao fazer justiça aos Professores e Educadores que trabalham nesta Região, que vêem, assim, reconhecido o tempo de serviço congelado, num total de, sensivelmente, dois anos e quatro meses, recuperado para efeitos de integração e progressão na carreira, ainda que de forma faseada, sendo 50% desse tempo considerado em 1 de Setembro de 2008 e os outros 50% em 1 de Setembro de 2009.

Relativamente à integração nos Quadros, os docentes não irão beneficiar das normas de excepcionalidade, concedidas aos demais funcionários públicos, nas condições e nos termos apresentados nesta Proposta de Decreto Legislativo Regional, justificadas pelo facto de a administração regional não ter aberto concurso para ingresso nos Quadros da Função Pública desde 2004 e de esta ser a última oportunidade que os funcionários públicos têm para usufruírem desta relação jurídica de emprego, passando os demais a contrato por tempo indeterminado. Contudo, os Professores e Educadores mantêm salvaguardada a legislação específica sobre concursos, que lhes continua a garantir a integração progressiva nos Quadros, com vínculo de nomeação definitiva.

Comentário Meu- Não se trata de mais uma vitória do Sindicato. Trata-se de repor uma situação injusta. Quanto à insistência na via negocial, não vejo a necessidade da afirmação, a não ser que algum dirigente considera o cargo que ocupa como trampolim para o Governo ou Assembleia Regional.

domingo, 13 de abril de 2008

Professores Traídos Pela Plataforma Sindical

Pois é colegas, fomos traídos pela plataforma sindical.
Tenho 17 anos de serviço e fui sindicalizado até à 2 anos atrás.
Fartei-me de descontar os meus poucos euros de ordenado porque cada dia que passava menos me revia nos meus representantes sindicais.
Depois proliferavam como a peste, ele era dos licenciados, dos Norte, do Sul das ilhas, deixem-me adivinhar, já deve estar na calha o dos titulares, dos avaliadores, sei lá.
Os sindicatos foram importantes na organização, na logística da manifestação dos 100000 mas desenganem-se se os sindicatos tiveram alguma coisa a ver com as nossas convicções. Os sindicatos deram uma prova irrefutável de que são coniventes com este ou qualquer governo desde que lhes acenem com a cenoura à frente do nariz.
Fomos traídos pela plataforma sindical, temos que apagar rapidamente da comunicação social a imagem do "vitória dos professores" qual vitória, qual conquista, está tudo rigorosamente igual. Já agora alguém explique à oposição, ou espécie dela, que isto não se resume a bombons por causa do aproximar das eleições, essa gente percebe tanto de ensino como... o que sabem é o que têm lido nos blogues, nos jornais e dos lamentos de um parente próximo. Mete dó ouvir alguns líderes partidários a falar da nossa vida profissional.
Voltando aos sindicatos, VÃO DAR AULAS!
Já agora, não se arranjam uns escritos ou imagens do Dr. Miguel S Tavares a insultar os professores?
É que o homem disse que era tudo mentira e eu quase acreditei.
Quanto à Internet ser um veículo cobarde de promoção de campanhas a denegrir a imagem das pessoas, eu penso que cobarde é ter tempo de antena na TVI uma vez por semana em horário nobre e vomitar cá para fora baboseiras infundadas sobre tudo que é assunto.

milones

(recebido por mail)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Para que Serve o Manual Escolar

Para nada. Fiquei a saber hoje, ao interrogar os meus alunos acerca de quantas vezes o haviam consultado.

A maioria dos alunos, fora da aula, desconhece o que é abrir o manual. Uma aluna respondeu mesmo: "Não me dou ao trabalho de o abrir em casa".