Ahhhhh Rolha!
Trata-se de um jogo de equipas, em que uma delas fica num determinado local de olhos fechados para não observar os movimentos da outra que se vai esconder num determinado local.
O objetivo da equipa que se escondeu é chegar com todos os elementos ao sítio onde a outra esteve e o desta é apanhar os elementos da outra equipa, bastando para tal apanhar um.
Na Rua do Jogo, o local que servia de base era a chamado “Cimento da Amélia”, zona cimentada que ficava em frente à casa de uma senhora já idosa chamada Amélia e os locais preferidos para esconderijos eram os terrenos situados no Canto da Ponta Garça.
Não encontrámos qualquer referência bibliográfica a este jogo que tem semelhanças com o Ferro Quente, pelo que o nome que escolhemos é o do grito que a equipa que se escondia dava para dar sinal que o jogo podia começar, isto é, já podia ser procurada.
sábado, 20 de outubro de 2018
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
terça-feira, 16 de outubro de 2018
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
A Escola de Ferrer, a de hoje e Agostinho da Silva
A Escola de Ferrer, a de hoje e Agostinho da Silva
Antes de dar a conhecer algumas ideias do pedagogo catalão Ferrer y Guardia (1859-1909) criador da Escola Moderna, tendo por base um livro que ele escreveu enquanto esteve preso na fortaleza de Montjuïc, esclareço que entre nós existe um Movimento da Escola Moderna, que não tem qualquer ligação com Ferrer, mas que foi inspirado no francês Célestin Freinet (1896-1966).
De acordo com Sílvio Gallo, Ferrer acreditava que se aprendia pelo afeto, isto é embora a aprendizagem “seja um ato mental, racional, nada se aprende se antes não passar pelo coração, se não mobilizar o desejo”.
Na Escola Moderna, seguia-se a “pedagogia racional” a qual segundo Sílvio Gallo é “um processo educativo que eduque pela razão, para que cada ser humano seja capaz de raciocinar por si mesmo, conhecer o mundo e emitir seus próprios juízos de valor, sem seguir nenhum mestre, nenhum guia”.
Começando pelas instalações escolares, Ferrer não aceitava uma escola fechada entre quatro paredes de modo que na sua Escola Moderna a par de salas bem decoradas, havia pátios destinados à realização de atividades ao ar livre. Além disso, toda a atividade escolar era complementada com visitas a fábricas e passeios diversos.
Num passado recente, nos Açores era fomentada a existência de clubes escolares e incentivava-se a realização de atividades extraescolares. Relativamente aos clubes, a Direção Regional da Educação chegou a editar um boletim intitulado “Clubismo” que no seu número oito, de dezembro de 1995, mencionava a existência nos Açores de trinta e um clubes. Hoje, restam muito poucos clubes que por vezes estão a funcionar com meia dúzia de alunos.
No que diz respeito a atividades extracurriculares, a recomendação é para a sua redução, com vista a não roubar tempo às aulas. Enfim, continua-se a privilegiar a transmissão de conhecimentos nas salas de aula, desligando a escola do meio onde se insere.
Sobre este assunto, Agostinho da Silva foi bem claro quando escreveu que “na escola aprendemos pouco e na vida aprendemos muito” e acrescentou: “só é viva a escola que estabelece com o ambiente uma série de trocas, que se deixa penetrar por ele amplamente e por sua vez o penetra e modifica”.
Embora não discutindo a utilidade de provas em alguma circunstância, o que é certo é que na Escola Moderna de Ferrer “não havia prémios nem castigos, nem provas em que houvessem alunos ensoberbecidos com nota dez, medianias que se conformassem com a vulgaríssima nota de aprovados nem infelizes que sofressem o opróbrio de se verem depreciados como incapazes”.
Ainda sobre a não existência de provas, Ferrer escreveu o seguinte: “os elementos morais que este ato imoral qualificado de prova inicia na consciência da criança são: a vaidade enlouquecedora dos altamente premiados; a inveja roedora e a humilhação, obstáculo de iniciativas saudáveis, aos que falharam; e em uns e outros, e em todos, os alvores da maioria dos sentimentos que formam os matizes do egoísmo”.
Agostinho da Silva, depois de referir que na escola tradicional são fomentados o isolamento e uma competição doentia, o que leva a que, ainda hoje, haja muitos alunos que não queiram trabalhar em grupo, escreveu que “a escola é uma carreira em que o aluno procura ultrapassar os camaradas e em que se sente sobretudo satisfeito quando for o primeiro da classe”.
Para Ferrer o “valor da educação reside no respeito à vontade física, intelectual e moral da criança”, assim o bom educador seria todo aquele que “contra as suas próprias ideias e suas vontades pode defender a criança, apelando em maior grau às energias próprias da própria criança”.
Agostinho da Silva que acreditava que “toda a educação verdadeira e sólida é uma autoeducação”, é mais claro quando se refere ao papel do professor que deve deixar de ser um mero transmissor de conhecimentos para ser um orientador dos alunos. Vejamos o que escreveu a este propósito sobre a Faculdade de Letras do Porto que foi extinta pelo governo: “…os mestres, mais do que ensinar, estimulavam a aprender e onde ninguém tinha de se pautar pelas receitas habituais, mas de escolher os seus próprios caminhos, certos ou errados”.
Teófilo Braga
Correio dos Açores, 31643, 9 de outubro de 2018, p. 16)
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sábado, 6 de outubro de 2018
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
A Casa Azul de Natividade Ribeiro
A Casa Azul de Natividade Ribeiro
Depois de alguns anos de procura, foi no passado mês de julho que, na Ilha da Madeira, consegui adquirir o livro “A Casa Azul” da autoria da minha conterrânea Natividade Ribeiro.
Tal como muitos outros jovens vila-franquenses, Natividade Ribeiro estudou no antigo Externato de Vila Franca, tendo mais tarde ido para Lisboa, onde se licenciou em Filosofia. Foi durante muitos anos professora de português em Macau e depois lecionou (ou ainda leciona?) em Lisboa.
Da autora, para além do livro que abordo neste texto, já tive a grata oportunidade de ler “Os Três Lugares de uma Mulher” que também recomendo.
Neste livro que, também, pode ser considerado autobiográfico, Natividade Ribeiro retrata a vida em Vila Franca do Campo no final da década de 60 e início da de setenta do século passado.
Estando por escrever a história da Vila daquele período, este livro, embora de carácter literário, dá a conhecer a vida de um camponês com terra e da sua família, retrata a vida de jovens estudantes pertencentes a um estrato social médio e aborda ainda que levemente a política nos últimos anos do fascismo e o entusiasmo nos primeiros anos após o 25 de abril de 1974.
Para além das pessoas da família da autora, penso que não será difícil identificar os seus professores no Externato de Vila Franca e o ex-professor que era um “bufo amigo”.
O livro apresenta outra originalidade que é a descrição de vários locais onde a autora fazia piqueniques com os colegas estudantes e outros amigos. Assim, através da sua leitura fica-se a conhecer um pouco a geografia do concelho, como o Ilhéu, a Lagoa do Fogo, a Vinha d’Areia, a Lagoa do Congro, etc..
Sobre o Externato de Vila Franca, Natividade Ribeiro recorda o professor de Francês que “adorava fazer chamadas individuais a alunos que não tivessem estudado, quase como um prazer sádico”, o de Matemática que dizia que nos testes ninguém copiava pois ele sabia sempre mais uma cábula do que o aluno e o de “Ciências que tinha a mania que só os testes difíceis provavam a sua competência” e que fazia perguntas sobre conteúdos que não tinha ensinado, estando as respostas “nas notas de rodapé, em letra muito miudinha, nos manuais dos nossos irmãos mais velhos”.
Não se tratava do mero uso da pedagogia tradicional, para a qual foram treinados. Eram verdadeiros atos de malvadez de pessoas que, acabaram por ser, injustamente, homenageados em Vila Franca do Campo como grandes professores. Enfim, deviam ser reconhecidos por outros serviços prestados à comunidade, se os prestaram, e não como pedagogos.
A propósito da Casa Azul, hoje em ruínas, que era um mirante, Natividade Ribeiro apresenta as preocupações dos agricultores. Era a elevada produção de batata que não tinha venda, era a produção do vinho que não era boa, era a preocupação com a vinda de açúcar do continente que poderia prejudicar a cultura da beterraba que era “uma cultura que continua a ser rentável e pouco trabalhosa”.
Sobre a cultura do ananás os agricultores preocupavam-se com a eventual proibição da apanha de leiva. Sobre este assunto pode-se ler: “Dizem que já há picos muito devastados. Mas hão-de arranjar um substituto que não prejudique tanto a natureza”.
No capítulo intitulado “Piquenique na Vinha d’Areia”, a autora recorda que a mesma era conhecida por “Praia das Francesas”, que “fora comparada por umas francesas extravagantes que faziam nudismo nas varandas, para grande escândalo dos naturais”. Sobre as alterações sofridas pode-se ler: “A Vinha d’Areia actual é outra praia. É uma praia do progresso, do consumo. Igual a tantas outras que se foram descaracterizando pela construção do parque automóvel, balneários, bares, “Aqua Park”, marina.”
Muito ficou por dizer, daí que recomendo uma leitura e valia a pena uma reedição.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31640, 4 de outubro de 2018, p. 22)
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