segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Jardim dentro de Jardim


Jardim dentro de Jardim

O Jardim José do Canto é membro do “Botanic Gardens Conservation International”, qualidade que foi recuperada em 2016, durante a implementação de um projeto de recuperação e revitalização, coordenado pelo Doutor Raimundo Quintal, que ocorreu entre janeiro de 2014 e dezembro de 2017.

Para pertencer ao organismo referido os jardins devem promover ações de sensibilização/ educação e possuir nas suas coleções de plantas, espécies nativas da região onde estão inseridos.

Embora já existissem, no Jardim José do Canto, espécies endémicas dos Açores, como o pau-branco, existindo um exemplar bastante antigo que pode ser visto muito perto do busto do rei D. Carlos, durante o projeto de recuperação foi criado, junto à estátua do criador do Jardim, José do Canto, um espaço para os endemismos açorianos.

Antes de fazer uma listagem das espécies endémicas existentes, sempre que possível mencionando os usos das mesmas no passado, apresento o ponto da situação da flora açoriana, recorrendo ao livro “Flora Vascular dos Açores-Prioridades em Conservação”, da autoria de Luís Silva, Mónica Martins, Graciete Maciel e Mónica Moura, publicado pelo Centro de Conservação e Proteção do Ambiente e pelos Amigos dos Açores, em 2009.

De acordo com os autores mencionados, “o número actual de plantas vasculares nos Açores será de aproximadamente 947 taxa”, sendo o número de espécies nativas reduzido (menos de 300) e o das endémicas bastante reduzido, isto é, 72, cerca de 7,2% do total das plantas vasculares. Os mesmos autores referem que “mais de dois terços da flora indígena açoriana, um património natural único dos Açores, corre sérios riscos de desaparecimento.”

Se é verdade que as plantas têm de ser protegidas nos seus habitats, não é menos verdade que ninguém protege o que não conhece, pelos que a presença de espécies endémicas nos jardins poderá contribuir para criar uma mais forte consciência ambiental nos cidadãos que poderão agir em defesa do património natural da sua terra ou pressionar as entidades governamentais para o fazerem.

No Jardim José do Canto, se não me enganei na contagem, existem cerca de 20 espécies nativas dos Açores, sendo o número de endémicas cerca de 15.

Que plantas endémicas pode o visitante observar?

Entre outras, as seguintes:

A mais interessante, a Vidália (Azorina vidalii), que ao contrário do que diziam alguns especialistas, propaga-se com extrema facilidade, podendo ser encontrada hoje em locais onde antes não existia, como o litoral da cidade da Ribeira Grande, o litoral de Ponta Delgada (entre a Praia das Milícias e o Miradouro do Rosto do Cão) e no Ilhéu de Vila Franca do Campo. Muito bonita como ornamental, encontra-se em alguns Jardins Botânicos fora dos Açores.

A ginja-do-mato (Prunus azorica), também é uma bonita ornamental, que também já pode ser vista em alguns jardins. A sua madeira foi, outrora, usada em marcenaria.

O azevinho (Ilex perado), que quando está com os seus frutos maduros, fica muito bonito, tem grandes potencialidades como planta ornamental, No passado a sua madeira foi usada em obras de marcenaria.

O louro (Laurus azorica), hoje, tem pouca utilização. No passado a sua madeira era utilizada para o fabrico de charruas e cangas para as juntas de bois e o óleo da baga de louro foi usado na iluminação e como remédio para curar feridas no gado.

O folhado (Viburnum treleasei) é uma bonita planta ornamental cuja madeira foi muito usado no fabrico de alfaias agrícolas.

O cedro-do-mato (Juniperus brevifolia) que foi usado em tinturaria e a sua madeira na construção de igrejas e barcos.

Teófilo Braga

13 de novembro de 2018

Gagarro 2018

Depois de ter estado envolvido na origem das campanhas de salvamento do cagarro, pensava que com a entrada em cena de muitos voluntários, alguns à força, estava dispensado. Mas, mais uma vez este ano não deixei para os outros o que foi possível fazer.

Hoje, foi a vez de um cagarro que se encontrava na Escola Secundária das Laranjeiras.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Encontro com uma profissão de Eduardo Calisto de Amaral (2)


Encontro com uma profissão de Eduardo Calisto de Amaral (2)

“A vida só é bela quando é uma empresa em benefício de outros homens e do mundo” (Agostinho da Silva)

Hoje, divulgamos a segunda parte da nota introdutória que fizemos ao livro “Encontro com uma profissão” da autoria do professor Eduardo Calisto de Amaral.

Embora por vezes contando a colaboração da Direção de Obras Públicas e da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, todas as melhorias feitas na Escola da Ribeira Seca não seriam possíveis sem o muito trabalho voluntário de professores, contínuos e alunos, de muitos donativos e de receitas obtidas através de várias iniciativas.

Para além da lição que dá às presentes gerações e às futuras, o de contar sempre com as próprias forças, outra lição se pode tirar do que foi feito na Escola da Ribeira Seca e que mostra o pioneirismo e a ousadia de quem lá trabalhava, isto é, tendo sempre em conta o supremo interesse da educação e dos direitos das crianças, como sempre aconteceu, por vezes houve necessidade de desobedecer, como ocorreu quando foi decidido fechar os alpendres para “ver as crianças abrigadas em dias de chuva e vento” e fazer e manter uma ligação entre os recreios masculino e feminino, apesar de um vereador da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo ter dito que tal era ilegal e afirmado: “Vocês têm de fechar isso novamente”.

O professor catedrático Rogério Fernandes escreveu que depois do 25 de abril o professor deveria não só ser um transmissor de conhecimentos, mas também um dinamizador cultural do meio onde estava inserido. Sobre as funções dos professores, quer pela leitura do texto, quer pelo conhecimento pessoal, já que fui aluno da Escola da Ribeira Seca e morador na localidade, confirmo que o professor Eduardo Calisto não esperou pela instalação do regime democrático, nem pela nomeação do ministro Veiga Simão, onde segundo ele “tudo começaria a mudar, nesta altura, quer a nível pedagógico, quer até de ordenado”, para dinamizar o desporto e a cultura nas escolas e comunidades por onde passou. Com efeito, no Porto Formoso dinamizou o teatro e o voleibol, em Ponta Garça, colaborou nos ensaios “cujos números eram apresentados em Festas Escolares no salão ao lado da Igreja”, e na Ribeira Seca, através de uma peça de teatro e um ato de variedades que esteve em cena, para além do ensaio geral destinado às famílias, cinco vezes.

Não sei se o professor Eduardo Calisto alguma vez leu algum texto do pedagogo Álvaro Viana de Lemos, mas por aquilo que fez nas escolas e nas comunidades sou levado a concluir que para ele ser professor era muito mais do que ensinar a ler, a escrever e a contar pelo que seria capaz de subscrever a frase que aquele um dia proferiu: “A educação é tudo; a instrução quase nada!”

Para além da educação para a responsabilidade e para o gosto em cultivar e amar a terra, o professor Eduardo Calisto refere no seu livro que o prazer das crianças era tanto que preferiam “o amanho da terra”, esquecendo-se de “toda a sorte de brincadeiras” e acrescenta que “um dos pequenos, de nome Teófilo Feitor de Andrade chegava em férias a ir sozinho arranjar os terrenos, sem que para tal tivesse sido mandado por alguém”. Este relato lembra-me um dos grandes objetivos de quem quer verdadeiramente educar, que é o de promover a autonomia das crianças e recorda-me a frase de Rui Grácio: “os mestres são os que criam, ou libertam, a autonomia dos discípulos”.

Recomendo a leitura deste livro que é importante para a história do ensino na nossa Vila e apelo a todos os seus colegas para que também partilhem as suas memórias.

Depois de, por duas vezes, ter lutado para que o professor Eduardo Calisto Soares de Amaral fosse homenageado por tudo o que fez pela sua terra, destacando a obra realizada na minha freguesia, a Ribeira Seca, termino, reafirmando a minha profunda admiração pelo cidadão, pelo educador e pelo humanista que estará sempre entre nós.

Teófilo Braga

sábado, 3 de novembro de 2018

Jogos da minha infância (3)


Ferro Quente

É um jogo de um contra todos os outros, em número que pode variar.

Depois de escolhida um marco ou base que podia ser uma árvore, uma parte de uma parede que passa a chamar-se ferro quente um dos participantes que também passa a designar-se por ferro quente fica encostado e conta até um número combinado previamente.

Terminada a contagem o ferro quente corre com o objetivo de apanhar os outros que por sua vez tentam chegar ao marco sem serem apanhados, ganhando assim a imunidade. Quando um deles é apanhado vai substituir o ferro quente, prosseguindo assim o jogo.

Na Ribeira Seca um dos locais escolhidos para ferro quente era o Arco.