quarta-feira, 13 de março de 2019

NA LINHA DO MEM - MOVIMENTO DA ESCOLA MODERNA

NA LINHA DO MEM - MOVIMENTO DA ESCOLA MODERNA







INTRODUÇÃO/JUSTIFICAÇÃO


O alargamento da escolaridade obrigatória não significou o surgimento de uma “escola de todos que permita a cada um ir o mais longe possível no processo de aprendizagem e desenvolvimento” (Nóvoa, 2012).

Analisando os resultados escolares facilmente se conclui que estão longe do desejável, já que as retenções e o abandono precoce, apesar das várias medidas tomadas pelas entidades governamentais, continuam elevados. Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), sobre o assunto afirmam o seguinte: “A escola não tem promovido, em geral, a igualdade de oportunidades educativas para os alunos, visto que a sua organização foi concebida para alunos da cultura média dominante”.

Sérgio Niza, citado por Grave- Resendes e Júlia Soares (2002) defende que “só a partir de uma pedagogia diferenciada centrada na cooperação entre professor e os alunos e destes entre si se poderão por em prática os princípios da inclusão, da integração e da participação democrática, isto é, os Direitos da Criança”.

Desde 2015, temos participado em ações de formação promovidas pelo MEM- Movimento da Escola Moderna, associação de profissionais da educação, professores e educadores, que propõe a implementação, nas escolas, de um modelo pedagógico onde os alunos são envolvidos e corresponsabilizados pela sua aprendizagem.

Em anos anteriores, sobretudo no ensino básico apliquei algumas estratégias/técnicas e instrumentos de pilotagem usados pelo MEM. Este ano pretendo aplicar o Modelo Pedagógico do MEM de forma mais globalizada.

O que é o MEM?

O Movimento da Escola Moderna é uma Associação Pedagógica de Professores e de outros Profissionais da Educação. Criado nos anos 60, foi formalizado juridicamente como associação pedagógica em 1976.
Constituído por mais de dois mil profissionais empenhados na integração dos valores democráticos na vida das escolas, encontra-se hoje espalhado por quase todo o país e organiza-se em Núcleos Regionais.

Através dos Núcleos, desenvolve anualmente um vasto Plano de Formação, que se concretiza, predominantemente, em ações sistemáticas integradas nas estruturas de autoformação cooperada ou no quadro de formação contínua de professores – formação acreditada – promovida pelo Centro de Formação do MEM e apoiada pelo Centro de Recursos.

Em 2001 o MEM foi reconhecido como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública e em maio de 2004, no âmbito das comemorações do 30º aniversário do 25 de Abril, foi agraciado como Membro-Honorário da Ordem da Instrução Pública.

Em 2018, foi criado o Núcleo Regional de São Miguel, que tem promovido a formação de professores nos “Sábados Pedagógicos” que têm ocorrido na Escola Secundária das Laranjeiras.

Princípios Estratégicos

O Modelo Pedagógico do MEM , de acordo com Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), é “sociocêntrico cuja prática democrática da gestão dos conteúdos, das atividades, dos materiais, do tempo e do espaço se fazem em cooperação. A participação dos alunos na organização, gestão e avaliação cooperadas de toda a vida da turma constituem um exercício de cidadania democrática activa”.

A cultura pedagógica do MEM, segundo Sérgio Niza, citado por González (2002) está subordinada aos seguintes princípios estratégicos:

“1. Os meios pedagógicos veiculam (em si) os fins democráticos da educação.

2. A actividade escolar enquanto contrato social e educativo, explicitar-se-á através da negociação progressiva dos processos de trabalho que fazem evoluir a experiência pessoal para o conhecimento dos métodos e dos conteúdos científicos, tecnológicos e artísticos.

3. A prática democrática de planeamento (actividades e projectos) organização, avaliação e regulação social da vida escolar, partilhada por todos, institui-se em conselho de cooperação.
4. Os processos de trabalho escolar reproduzem os processos sociais autênticos da construção da cultura nas ciências, nas artes e no quotidiano (homologia de processos).


5. A informação partilha-se através de circuitos sistemáticos de comunicação dos saberes e das produções culturais dos alunos (ciclos de produção/consumo).


6. As práticas escolares darão sentido social imediato às aprendizagens dos alunos, através da partilha dos saberes e das formas de intervenção social.


7. Os alunos intervêm ou interpelam o meio social e integram na aula “actores” comunitários como fonte de conhecimento nos seus projectos.”



Estratégias/técnicas

Conselho de Cooperação Educativa

É composto por todos os membros da turma e alunos que se reúnem para:

- Regular as relações sociais na turma e instituir normas de convivência;

- Gerir eventuais conflitos na turma;

- Planear, acompanhar, orientar e avaliar as aprendizagens;


Tempo de Estudo Autónomo

É um tempo utilizado pelos alunos, individualmente ou em pequenos grupos, para trabalharem em função das suas necessidades e interesses, desenvolverem atividades de treino das aprendizagens, estudarem e realizarem projetos.

É o tempo ideal para o professor apoiar os alunos com dificuldades em determinadas áreas de aprendizagem.
Trabalho de Projeto

É uma modalidade de trabalho que existe há muito tempo, mas que não tem sido suficientemente ou devidamente utilizada.

De acordo com, Grave- Resendes e Júlia Soares (2002), entre outros aspetos a considerar no MEM no trabalho de projeto:

“- Os autores dos projetos são os alunos;
- Não há um projeto único para toda a turma. Desenvolvem-se, em simultâneo, vários projetos em diferentes fases de execução;
- Não há grupos fixos. Formam-se segundo os interesses dos alunos pelos temas;
- Os processos e os produtos de cada projeto são objeto de comunicação à turma;
- Os alunos que comunicam elaboram questionários, fichas ou outros instrumentos destinados a averiguar até que ponto a sua comunicação contribuiu para a aprendizagem pelos seus colegas.
- O professor apoia rotativamente os alunos.”


Materiais pedagógicos

- Manual adotado e outros

- Fichas

- Livros

- Computador com ligação à internet

- Filmes/vídeos

- Trabalhos dos alunos


Instrumentos de pilotagem

De entre os instrumentos de pilotagem existentes, pretendemos aplicar os seguintes:

- Planos anual (PA)

Consiste essencialmente de uma listagem de conteúdos e atividades cujo principal objetivo é dar o programa oficial em linguagem acessível aos alunos.

De acordo com Pires (2006), os alunos na elaboração do PA podem:

“- Apresentar interesses e expectativas, a serem contemplados no Plano Anual;

- Apresentar propostas de trabalho para o Plano Anual;

- Discutir e negociar (procurando o consenso) as várias propostas;

- Tomar decisões, em conjunto com o professor e os restantes colegas.”


- Plano Individual de Trabalho (PIT)

É um roteiro que guia o trabalho dos alunos, tendo um papel determinante no incremento da sua autonomia ao mesmo tempo que faz com que eles se comprometam e se responsabilizam pelo que têm de fazer.

No PIT para além de um espaço destinado às tarefas a realizar pelo aluno há uma área destinada à autoavaliação e à heteroavaliação


- Diário de Turma

É o registo do que se passa na turma, ocorrências positivas e negativas e do que de mais significativo foi realizado. Serve de suporte à negociação e à regulação da vida da turma.



Critérios de Avaliação

- Assiduidade

- Pontualidade

- Autonomia

- Trazer material necessário

- Respeitar as regras de conduta

- Capacidade de autoavaliação

- Observa e coloca questões pertinentes, relaciona ideias e persiste nas tarefas propostas.

- Interpreta enunciados, escolhe estratégias adequadas e verifica criticamente os resultados, justificando o seu raciocínio.

- Recolhe, organiza e interpreta, de forma criteriosa, informação relacionada com a física e a química.

- Realiza as tarefas propostas

- Realiza tarefas por iniciativa própria.

- Faz os registos das aulas

- Intervém de forma adequada

- Respeita as ideias dos outros

- Revela espírito de interajuda

- Reflete e critica o seu trabalho e o dos colegas

- Revela hábitos de trabalho




Instrumentos de Avaliação


- Grelhas de registos de observação

- Observação direta/participação no trabalho da aula

- Registos de participação oral e escrita

- Trabalhos individuais /a pares /em grupo

- Observação/correção dos trabalhos produzidos nas aulas

- Fichas de avaliação sumativas

- Fichas de avaliação formativas

- Fichas de auto e heteroavaliação

- Caderno diário


BIBLIOGRAFIA


González, P. (2002). O Movimento da Escola Moderna- um percurso cooperativo na construção da profissão docente e no desenvolvimento da pedagogia escolar. Porto: Porto Editora.

Grave-Resendes, L., Soares, J. (2002). Diferenciação Pedagógica. Lisboa: Universidade Aberta.

Nóvoa, a. (2012). Ética, pedagogia e democracia são exatamente a mesma coisa. In Nóvoa, A., Marcelino, F., Ramos do Ó, J. (orgs.), Sérgio Niza escritos sobre educação, Lisboa: Tinta da China

Pires, J. (2006). O Planeamento no Modelo Pedagógico do Movimento da Escola Moderna. In revista Escola Moderna, nº 17, pp 23-66

Setembro de 2018

sexta-feira, 8 de março de 2019

Beaucarnea recurvata Lem


Beaucarnea recurvata Lem
Nome comum: Nolina, Pata-de-elefente
Família: Asparagaceae
Origem: América do Norte, México
Local: Rua Nova da Misericórdia
26 de fevereiro de 2019

Plantas e Jardins em exposição


Plantas e Jardins em exposição

Até ao próximo dia 1 de maio estará aberta ao público, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, uma exposição, comissariada pela Professora Doutora Isabel Soares de Albergaria, intitulada “Plantas e Jardins: A paixão pela horticultura ornamental na ilha de São Miguel”.

Inaugurada no passado dia 22 de fevereiro, a exposição referida, pela informação disponibilizada, merece a visita de todos os amantes de plantas e jardins, bem como dos alunos dos estabelecimentos de ensino da ilha de São Miguel.

Uma leitura atenta merece o catálogo da exposição que “é constituído por duas partes, sendo a primeira votada a um conjunto de cinco estudos versando problemáticas diversas e incidindo sobre campos disciplinares distintos, tendo as plantas e os jardins de São Miguel como denominador comum. Na segunda parte apresentam-se os textos de enquadramento dos quatro núcleos que compõem a exposição, a saber: O Conhecimento das Plantas; Encomenda e Transporte; O Cultivo e Assimilação Cultural.”

Embora todos os textos mereçam ser lidos, destaco o da autoria de Rosalina Gabriel, intitulado “Não há rosas sem espinhos: O papel dos jardins na disseminação de espécies exóticas e invasoras – 13 plantas prioritárias para controlo ou erradicação nos Açores”, que chama a atenção para o perigo da introdução de espécies que se podem tornar invasoras. Se algumas delas foram introduzidas pelos criadores dos jardins históricos no século XIX, outras são de introdução mais recente, o que é inadmissível atendendo ao conhecimento que se possui atualmente sobre o comportamento invasor de algumas delas e por serem da responsabilidade de serviços oficiais.

Outro texto de leitura obrigatória é o da autoria do madeirense Raimundo Quintal, profundo conhecedor da flora e dos jardins dos Açores, intitulado “Árvores monumentais nos jardins, parques e matas de São Miguel – Proposta de Classificação”.

Antes de fazer referência ao texto mencionado, recordo que em 2016, no Correio dos Açores, levantei um conjunto de questões relacionadas com o desequilíbrio existente entre o número de árvores classificadas em São Miguel quando comparado com o de outras ilhas.

Na altura, fiz a seguinte pergunta que terá caído em saco roto: “Não haverá em São Miguel, mais nenhuma árvore que mereça ser classificada para além das sete (12% do número total) classificadas entre as 58 existentes, nos Açores?”

No texto referido, depois de ter considerado estranho o facto de na lista das árvores classificadas constarem plantas que já não existiam, recordei a minha não compreensão pelo facto do dragoeiro existente na Escola Secundária Antero de Quental, o qual, segundo o Eng.º Ernesto Goes, é o maior da ilha de São Miguel e terá sido plantado na altura do antigo Paço, iniciado em 1587, não se encontrar classificado.

Felizmente, Raimundo Quintal, inclui o dragoeiro referido na sua proposta de classificação que “abrange 75 árvores isoladas e sete conjuntos arbóreos, que representam 37 táxones (36 espécies e uma variedade).”

De entre as espécies propostas para serem classificadas, destaco duas endémicas dos Açores, o cedro-do-mato, do Campo de Golfe das Furnas, e o pau branco, do Jardim António Borges.

Originário dos arquipélagos da Madeira e das Canárias, é proposto para classificação o til existente no Jardim José do Canto e do Brasil e Argentina, a proposta inclui a sumaúma existente no Parque de Estacionamento da Rua São Francisco Xavier e um dos exemplares existentes no Viveiro dos Serviços Florestais, nas Furnas.

Vila Franca do Campo, também, entra na lista das localidades com árvores classificadas. Com efeito, para além da classificação do eucalipto-limão existente no Jardim do Palácio de Santana, também é proposto o existente no Jardim Dr. António da Silva Cabral, na freguesia de São Pedro.

Dos conjuntos arbóreos propostos para classificação, destaco a Alameda dos Plátanos na Povoação e a dos Gincos, no Parque Terra Nostra.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 7 de março de 2019)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A Educação Popular, Ferrer y Guardia e a Educação Racional



Textos livres (1)
A Educação Popular, Ferrer y Guardia e a Educação Racional

Propriedade da Biblioteca da Sociedade Promotora da Educação Popular, editou-se, em Lisboa, a “Educação Popular”, publicação mensal, literária, educativa e anunciadora.

Dirigido por Benjamim Correia Pequeno, o jornal “Educação Popular” viu a luz do dia na 1 de abril de 1909, tendo por fim “conseguir com a sua venda, apurar receitas para aumentar a Biblioteca da nossa Sociedade, e comprar livros e mais expediente escolar para as alunas das aulas de primeiras letras e instrução primária, podendo, quando a receita para tal chegue, estender esta dádiva a outras aulas”.

Através da leitura dos números existentes na Biblioteca Nacional, não sabemos se todos os publicados, constata-se que o jornal “Educação Popular” recebia o jornal A Folha publicado em São Miguel por Alice Moderno e A Voz do Professor, da ilha Terceira, que se publicou em 1909 e 1910.

Nas suas páginas podem ser encontrados textos de, entre outros, Ladislau Batalha (1856-1939), um dos fundadores do Partido Socialista, João Black (1872-1955), sindicalista que foi autor do hino “A Batalha” e Magalhães Lima (1850-1928) republicano anticlerical.

Em diversos números do jornal há referências à Escola Moderna de Ferrer e Guardia e ao seu ensino racional e em dois números, 8 e 9, é abordada a prisão e o assassinato daquele pedagogo espanhol.

No nº 8 oito, de 3 de outubro de 1909, que tem como tema principal a comemoração do aniversário da Sociedade Promotora da Educação Popular, o jornal redozija.se pelo facto, mas não se esquece da situação em que se encontrava Ferrer y Guardia nos seguintes termos:

“Estramos em festa. Mas apesar de tanta alegria que nos circunda, uma coisa nos entristece. A prisão de Ferrer. Por isto, fazemos sinceros votos para que o protesto universal contra a prisão daquele intemerato educador seja ouvido pelo governo espanhol”
No número seguinte, publicado em novembro de 1909, sem data do dia, o jornal condena o assassinato de Ferrer. Sobre o assunto podemos ler o seguinte:

“Lançamos o anátema da nossa indignação sobre os factos inquisitoriais passados em Espanha que são uma afronta aos princípios da Liberdade. Condenamos, em nome da Razão e da Justiça a morte de Ferrer e dos seus companheiros. E para a Espanha que tal pratica, temos centelhas de ódio. Essa Espanha, porém, é a Espanha de Maura, a Espanha da reação clerical, a Espanha fanática e supersticiosa ainda agarrada ao passado.”

Nos textos sobre as propostas defendidas por Ferrer y Guardia há referência ao “ensino misto que consiste em que os meninos e as meninas obtenham educação idêntica” e valorizada a ciência que é considerada “a única mestra da vida”.

Sobre o ensino racionalista, o jornal transcreve no seu número 10 de janeiro de 1910 um texto de José Simões Coelho, onde este escreve a dado passo o seguinte:

“Ensino racionalista quer dizer: o ensino que tem como meio a razão e como fim a ciência; como esta ainda não disse a sua última palavra sobre qualquer assunto, resulta que o assunto racionalista não tem programa fixo. Pelo contrário.

Ao ensinar todos os dias os fenómenos físicos do universo e fenómenos sociais da humanidade, fá-lo com a especial reserva de que só tem mérito o que está comprovado, o que os sentidos admitem e a experiência sanciona.”

Pico da Pedra, 6 de fevereiro de 2019

Teófilo Braga

domingo, 27 de janeiro de 2019

Pata Cega ou Cabra Cega


Pata Cega ou Cabra Cega

O Dr. Urbano de Mendonça Dias escreve que este jogo, sem regras, é muito aceite pelas crianças que lhe acham muito engraçado.

Segundo ele, tapam-se os olhos a uma criança com uma venda, normalmente um lenço, consistindo o jogo na tentativa de aquela apanhar um dos restantes jogadores que andam de um lado para o outro e lhe tocam no corpo, perguntando quem lhe “bateu”. O jogador que for apanhado passa a ser o cabra cega.

Na descrição do jogo da autoria de três alunos, do ano letivo 1992/93, da Escola Preparatória da Horta, compilada pelo professor César Barreira, surgem algumas “regras” e há um diálogo entre os alunos. Assim, é escolhido um chefe de equipa que tira sortes para saber quem é o primeiro cabra cega.

Depois de escolhido o cabra cega e de lhe terem vendado os olhos, os restantes colocam-se em círculo envolvendo os dois e estabelece-se o seguinte diálogo:

Chefe- Cabra cega, donde vens?
Cabra cega- Venho do moinho.
Chefe- O que trazes?
Cabra cega- Farinha e farelo.
Chefe- Dá-me dela
Cabra cega- Não dou
Chefe- Para que é?
Cabra cega- Para fazer um bolo à minha velha
Chefe- Então vai ter com ela

O jogo prossegue com um dos participantes a bater nas costas do cabra cega, perguntando-lhe quem havia batido. Os jogadores fogem espalhando-se por um espaço previamente escolhido. Quando o cabra cega apanha alguém e se o reconhece, o apanhado passa a ser o novo cabra cega e o jogo recomeça.

De acordo com alguns alunos da turma B, do 9º ano de escolaridade do letivo 2018-19, a única diferença em relação ao descrito pelos alunos do Faial está no diálogo que é o seguinte:

Chefe- Cabra cega, donde vens?
Cabra cega- Venho do moinho.
Chefe- O que trazes para comer?
Cabra cega- Pão e vinho.
Chefe- Dás-me um bocadinho?
Cabra cega- Não dou
Chefe- Dás-me um “bocadão”?
Cabra cega- Não
Chefe- Então levas um empurrão.

Teófilo Braga
27 de janeiro de 2019

Imagem: http://varievo.com/infantil/brincadeiras-de-crianca-cabra-cega

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A Lanterna, um jornal anarquista da ilha Terceira


A Lanterna, um jornal anarquista da ilha Terceira

Em 1915, publicou-se na ilha Terceira um jornal de expressão anarquista, intitulado “A Lanterna., tendo como redator principal Aurélio Quintanilha e como editor João Ávila. O jornal que era propriedade do Grupo Editor de A Lanterna, foi impresso em Ponta Delgada, na Rua da Fonte Velha 34 e 36 e a redação e administração sediada na rua Visconde de Bruges, em Angra do Heroísmo.

O jornal apresentava como lema iluminar “corajosa e serenamente, uma nesga dessa estrada que há de conduzir à emancipação as multidões sedentas de justiça e liberdade”

Os responsáveis pelo jornal logo no primeiro número, publicado a 10 de julho de 1915, não tiveram ilusões quanto às dificuldades que o mesmo iria encontrar no meio terceirense, tendo a propósito escrito o seguinte: “… mas não se imagine que temos qualquer espécie de ilusões quanto à sua vida e situação. Um jornal desta natureza deve desagradar a muita gente que procurará sem dúvida fazê-lo desaparecer” e acrescentaram “A Lanterna publicar-se-á enquanto puder. Uma vez, porém, que não possa publicar-se com a orientação delineada preferimos suspendê-la, ou suprimi-la mesmo, a acomodarmo-nos ao meio.” Tal como previram, as dificuldades surgiram e apenas mais um número foi publicado, a 25 de julho de 1915.

Os responsáveis pelo jornal tentaram, em vão, que o mesmo fosse impresso na ilha Terceira, mas nenhuma das três tentativas teve êxito, havendo até o caso de um dos proprietários das tipografias ter recebido ameaças de perdas de fregueses e de ver a sua casa destruída por uma bomba de dinamite. A referida carta anónima também denunciava Aurélio Quintanilha nos seguintes termos: “um dos redatores do jornal é o Aurélio que foi expulso do país como anarquista”.

Se relativamente à expulsão de Aurélio Quintanilha a afirmação não é verdadeira, no que diz respeito à sua militância em organizações revolucionárias não há qualquer dúvida. Com efeito, em 1915, Aurélio Quintanilha estava a estudar em Lisboa, primeiro na Faculdade de Medicina e depois na Faculdade de Ciências de Lisboa, tendo representado as Juventudes Sindicalistas num congresso internacional contra a guerra realizado em Ferrol, onde no dia 30 de abril terá sido detido e conduzido à fronteira com os restantes portugueses presentes.


Embora não haja referência explícita, sabemos que na rua da Fonte Velha, 34 e 36 localizava-se a residência e a Tipografia de Alice Moderno, ativista do movimento de defesa dos direitos das mulheres e dos direitos dos animais, tendo sido uma das fundadoras e principal dirigente da SMPA- Sociedade Micaelense Protetora dos Animais. Assim sendo, os dois números do jornal só foram possíveis devido ao espírito de abertura e tolerância de Alice Moderno.

No primeiro número, destacamos, para além de uma crónica internacional, uma seção literária, uma rubrica intitulada Lira Revolucionária, onde é transcrito o poema “O Pão” de João de Barros, outra denominada Feixes de Luz, que dá a conhecer várias citações e um apelo do grupo editor de “A Sementeira” e uma Revista de Jornais..

Assinado por AC (Aurélio Quintanilha?) há um pequeno texto sobre o Esperanto que é apresentado como uma língua que é um dos “meios de propaganda para conseguir o aniquilamento das fronteiras e a consequente fraternidade dos povos”.

Como textos principais, destacamos um, assinado por um caixeiro, intitulado “Os caixeiros e a regulamentação das horas de trabalho”, outro da responsabilidade do Comandante Peary sobre “Os esquimós do Polo Norte” e “A criança de mama”, da responsabilidade de Michel Petit.

No texto sobre a duração do horário de trabalho, depois da apresentação de vários argumentos a defender a sua redução sob o ponto de vista moral, intelectual e de saúde, o articulista denunciou a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo por não ter regulamentado a legislação nacional, o que fazia com que os caixeiros estivessem a ser “roubados em duas horas de trabalho por dia”. O artigo termina com um apelo à união da classe dos caixeiros nos seguintes termos: “Temos pelo nosso lado a Razão e a lei. Mas isto como se vê não basta. É necessária pois, que nos unamos para termos também a força”.

No texto sobre os esquimós, o autor descreve uma sociedade que poderia ser modelo para as ditas civilizadas. Sobre o assunto, podemos ler o seguinte: “são selvagens, mas não são brutos; não têm nenhuma forma de governo, e no entanto, não são desordenados, nem licenciosos, se se julgarmos pela nossa maneira de entender a educação, não são educados, mas são dotados d’uma inteligência desenvolvida em alto grau ….Sem religião, e sem a menor ideia de um Deus, repartem a sua comida com qualquer faminto. Considera-se, entre eles, uma coisa natural, o auxílio aos desvalidos e aos anciãos”.

Por fim, no texto sobre as crianças, são abordados temas como os maus tratos às que são indesejadas, a alimentação e a mortalidade infantil.

O segundo, que também foi o último, número do jornal, apresenta como temas principais, o parlamentarismo, o ensino, a regulamentação do trabalho no comércio e a guerra/paz.

A questão do parlamentarismo foi abordada por Aurélio Quintanilha que denunciou as guerras partidárias, a farsa das eleições e a incompetência dos parlamentares e apontou como caminho a aposta nas associações de classe.

Sobre a (in)competência dos parlamentares, Aurélio Quintanilha escreveu: “Assim é que, sobre qualquer medida apresentada no parlamento, votam, conscientemente, uma meia dúzia de deputados, apenas os que têm conhecimentos específicos sobre esse ramo da atividade humana. De facto, quem resolve, quem aprova ou reprova é sempre – e será sempre enquanto houver parlamento – uma maioria esmagadora de incompetentes. Verdade à primeira vista paradoxal, mas perfeitamente demonstrada, teórica … e praticamente.

Por cima de tudo isso há ainda a acrescentar que, na prática, a representação da soberania popular é uma comédia. A maioria é sempre do governo, e os deputados em vez de representarem a vontade do povo, representam, mas é a vontade dos chefes dos partidos ou das comissões políticas que os fizeram eleger.”

Sobre o estafado argumento de que é preciso votar, não deixando a decisão nas mãos dos outros Aurélio Quintanilha escreveu:

“Se se entende por coisa pública a maior ou menor probabilidade que cada um tem de se alimentar, segundo as suas necessidades, de habitar uma casa higiénica, de poder educar e dar uma profissão aos seus filhos, então estamos de acordo - ninguém se deve alhear da coisa pública.

No que discordamos com certeza é quanto à maneira porque cada um se deve interessar pela coisa pública, ao passo que eles entendem que é votando neste ou naquele cavalheiro, que depois ainda se ri dos parvos que o elegeram, eu sou de parecer que esse interesse deve manifestar-se por intermédio das associações de classe, organizadas para a luta pelo bem estar moral e material dos seus associados, para a criação de consciências retas e vontades firmes, que possam ir desde já abrindo caminho a uma organização social mais justa, mais humana e igualitária.”

Sobre a questão do horário de trabalho dos caixeiros, o autor do texto lamentou que a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo não tenha feito nada, continuando os trabalhadores do comércio a serem prejudicados em relação aos seus colegas de outras localidades. Sobre o assunto podemos ler:

“Quando qualquer pobre diabo rouba um pão, para matar a fome, vai para a cadeia; mas os snrs. do município de Angra continuam à solta depois de terem roubado à nossa classe centenas de horas de trabalho – e trabalho é dinheiro.”

Relativamente ao ensino, o jornal contrapõe ao ensino neutro estabelecido pelo República em 1911, o ensino racionalista proposto por Ferrer, “que tem como meio a razão, e como guia a ciência”.

O texto sobre a guerra é um Manifesto da Conferência Internacional das Mulheres Socialistas que denuncia quem ganhava com a guerra, como os fabricantes de armamento, alertando para o facto de com ela os trabalhadores nada terem a ganhar, arriscando-se “a perder tudo o que lhes era querido.

O texto referido termina com um apelo às mulheres nos seguintes termos:
“Toda a humanidade tem os olhos em vós, trabalhadoras dos países em guerra. Deveis ser vós as heroínas, as libertadoras.
Uni-vos numa só vontade, numa só ação!

Proclamai incessantemente: Os trabalhadores de todos os países são um povo de irmãos. Só a vontade unida desse povo pode por termo à guerra. Só o socialismo poderá trazer à humanidade uma paz duradoira!”

Teófilo Braga
(A Batalha, VI Série- Ano XLV- n~282, Nov/Dez 2018)

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Jogo da Barca ou do Barqueiro


Jogo da Barca ou do Barqueiro

Para este jogo recomenda-se a participação de mais do que dez jogadores.
Dois deles, os barqueiros, combinam entre si um nome para cada um (prenda), que pode ser uma fruta, por exemplo, ananás e maçã, o nome de uma planta, de uma freguesia, etc. Os restantes colocam-se, em fila, atrás uns dos outros, cada um com as mãos nos ombros do da frente.
Os barqueiros ficam em frente um do outro com os braços levantados, formando um arco por onde os demais passam, cantando o seguinte:

Que linda barquinha que lá vem
É uma barquinha que vem de Belém

Vou pedir ao senhor barqueiro
Que me deixe passar,
Tenho filhos pequeninos,
Não os posso sustentar.

Os barqueiros respondem:

Passará, passará
Mas algum deixará
Se não for o da frente,
Há-de ser o de trás.

Em determinado momento os barqueiros baixam os braços e um dos participantes fica dentro da barca. Quando isto acontece, aqueles perguntam qual das prendas prefere. Depois da escolha, este vai para trás do barqueiro correspondente.

O jogo continua até que acabem os participantes que estavam na fila. Quando isto acontece todos dão as mãos e cada grupo puxa para o seu lado até que um solte a mão, perdendo a sua equipa que vai para o “inferno”. A equipa ganhadora vai para a “barca de Nossa Senhora”.

A descrição deste jogo baseou-se na feita pelos alunos Dora Gaspar, Alexandra Teixeira e Mónica Silva, da Escola do Ciclo Preparatório da Horta e por alunos do 9º ano, turma B, da Escola Secundária das Laranjeiras, do ano letivo 2018-2019.

Para os alunos da Escola das Laranjeiras a primeira quadra é difere um pouco da apresentada acima, sendo:

Senhores passageiros
Deixem-nos passar
Tenho muitos filhos
Para sustentar

22 de janeiro de 2019

Bibliografia
Barreira, C. (1993). Jogos Tradicionais. Horta: Edição do organizador.

Imagem daqui: https://www.youtube.com/watch?v=EB_7JBk2-BM