domingo, 13 de agosto de 2023

Pepino


Pepino

O pepino é uma planta anual trepadeira com folhas largas recortadas em lóbulos obtusos de cor verde carregado. As flores são amarelas e os frutos são cilíndricos e alongados, lisos ou com verrugas espinhosas.

Oriundo da Índia, foi introduzido na região mediterrânica pelos egípcios, pelos gregos e pelos romanos.

O Dr. José Lyon de Castro, no seu livro “Medicina Vegetal”, refere que o fruto do pepino é rico “em vitamina C e possui traços de outras vitaminas, minerais, mucilagem, etc. Entre outros minerais, possui cálcio, fósforo e magnésio.”

Feijão (1986) apresenta as seguintes propriedades terapêuticas: “a emulsão das sementes, externamente, suaviza a dor das queimaduras, hemorroidas, herpes, abcessos, escoriações, tec., e internamente é excelente contra as inflamações do tubo digestivo, bexiga e uretra; o infuso da casca seca (30:1000) é excelente contra as cólicas; o fruto fresco é eficaz contra a gretadura dos lábios ou dos seios e para a conservação da pele do rosto.”

Corsépius (1997) menciona que o uso de “rodelas cruas, colocadas sobre o rosto são emolientes contra irritações e o envelhecimento.”

Em 1992, na freguesia das Calhetas (concelho da Ribeira Grande), para debelar as dores de barriga, bebia-se aguardente no qual previamente se havia colocado rodelas de pepino.

Bilhete de Identidade

Cucumis sativus L.

Nome vulgar: Pepino

Família: Cucurbitaceae

Origem: Índia

Bibliografia

Castro, J. (1981) Medicina Vegetal- Teoria e Prática conforme a Naturopatia. Mem Martins, Publicações Europa-América.374 pp.

Corsépius, Y. (1997). Algumas plantas medicinais dos Açores. Edição do autor.99 pp.

Feijão, R. (1986). Medicina pelas plantas. Lisboa, Progresso editora. 334 pp.
T. Braga

Diabelha


Diabelha

Muito abundante sobretudo nas zonas costeiras e nas bermas de caminhos, a diabelha ou engorda-ratos (Plantago coronopus L.) é uma planta herbácea, perene, com pequenas folhas em roseta e haste floral que pode atingir 30 cm de altura. As flores são esbranquiçadas.

Castro (1981) considera que a diabelha é “emoliente e algo adstringente (as folhas), a empregar, em forma de gargarejos, com mel. Tem grande aceitação em todas as formas de inflamação da garganta e da boca.”

O Dr. Oliveira Feijão (1986) também considera a planta emoliente e refere o uso “internamente em infuso ou cozimento (30: 1 000) em bochechos ou gargarejos (anginas, estomatites, etc.).”

Corsépius (1997) para além de referir que a diabelha “se usa em saladas, crua ou cozida, tendo um sabor amargo”, menciona as seguintes propriedades e indicações: diurética, emoliente e adstringente-inflamações da boca e garganta.”

Segundo a mesma autora, internamente, usam-se as folhas em infusão e externamente deve-se “bochechar ou gargarejar o chá.”

Na freguesia das Sete Cidades, em 2002, a diabelha era usada para combater a tosse. De acordo com o respondente, procedia-se do seguinte modo: “junta-se uma pequena porção [de folhas] à água e deixa-se ferver. Depois bebe-se cm um pouco de açúcar.”

Bilhete de Identidade

Plantago coronopus L.

Nome vulgar: Diabelha, engorda-ratos

Família: Plantaginaceae

Origem: Europa

Bibliografia

Castro, J. (1981) Medicina Vegetal- Teoria e Prática conforme a Naturopatia. Mem Martins, Publicações Europa-América.374 pp.

Corsépius, Y. (1997). Algumas plantas medicinais dos Açores. Edição do autor.99 pp.

Feijão, R. (1986). Medicina pelas plantas. Lisboa, Progresso editora. 334 pp.

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Trigo


TRIGO

O trigo foi uma das primeiras e mais monoculturas na história dos Açores, tendo o seu cultivo começado logo após o povoamento no século XV.

Para além do abastecimento à coroa portuguesa, o trigo dos Açores também serviu para acudir às carências de cereais existente nas praças portuguesas do Norte de África.

Por cá o trigo era usado na alimentação humana e de animais e associado ao seu cultivo desenvolveu-se a indústria da moagem de cereais, através da construção de moinhos de água junto às ribeiras.

O termo trigo é a designação de uma planta herbácea anual, existindo cerca de 20 espécies. As plantas podem atingir até 1,5 m de altura, os caules são ocos e as folhas planas, compridas e um pouco ásperas. O fruto, o grão de trigo, é do tipo cariopse.

Cunha, Silva e Roque (2003) indicam os seguintes usos etnomédicos e médicos:

- “Farinha: analétpica e obstipante (não cozida). Externamente como emoliente.

- Farelo: na obstipação e diverticulose intestinal. Em curas de emagrecimento. Na litíase cálcica; hiperlipidemias; diabetes.

- Óleo de embriões: arteriosclerose e hiperlipidemias.

De acordo com o padre Ernesto Ferreira (1993), “o trigo é o símbolo da abundância. Em algumas freguesias é uso oferecê-lo aos noivos, quando voltam da igreja, após a celebração do matrimónio.”

Ainda me lembro de, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, ser usado o “óleo do trigo” como forma de tratamento do cobrelo (herpes zóster). O “óleo de trigo” era preparado nos ferreiros, colocando os grãos sobre uma chapa de ferro aquecido até ao rubro.

Nome Científico: Triticum aestivum L.

Nome vulgar: trigo

Porte: herbácea

Família: Poaceae

Origem: Origem incerta, provavelmente Médio Oriente

Bibliografia

Ferreira, E. (1993). A Alma do Povo Micaelense. Vila Franca do Campo, Editora Ilha Nova. 232 pp.

Cunha, A., Silva, A., Roque, O. (2003). Plantas e produtos vegetais em fitoterapia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 701 pp.

Pico da Pedra, 11 de agosto de 2023

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

terça-feira, 8 de agosto de 2023

Fel-da-terra


FEL-DA-TERRA

Há muitos anos ouço falar no fel-da-terra como uma das plantas usadas na medicina popular na ilha de São Miguel.

Não me lembro de ver, até hoje, o fel-da-terra, embora toda a bibliografia consultada indique que a espécie existe na zona litoral em todas as ilhas dos Açores.

Recentemente uma pessoa amiga que esteve em Santa Maria fotografou uma planta no Miradouro das Lagoinhas, localizado na zona norte da ilha, na freguesia de Santa Bárbara.

O fel-da-terra (Centaurium erythraea Rafn.), espécie pertencente à família Gentianaceae, é originária da Europa, NW da África e SW da Ásia, tendo, nos Açores, o estatuto de naturalizada, isto é, “possui populações autossustentáveis, estabelecidas, reproduzindo-se com sucesso.” (Vieira, Moura e Silva, 2020).

O fel-da-terra é uma erva anual ou bianual com caule ereto que pode atingir 50 cm de altura com folhas de cor verde-pálido. As flores são cor-de-rosa, apresentando 5 pétalas.

De acordo com Cunha, Silva e Roque (2003) os principais usos do fel-da-terra são “sintomas dispépticos; anorexia”. Os mesmos autores avisam que “devido aos constituintes amargos não deve ser usada em mães que amamentam. Evitar em situação de úlceras gastroduodenais.”

No que diz respeito aos Açores, Cândido Abranches (1894) menciona o uso do fel-da-terra “nas farmácias e tomado em chá para combater as doenças de estômago”. Por sua vez, Silvano Pereira (1953), depois de referir que a planta é “espontânea nos matos”, regista que “a infusão das suas flores é usada como aperitivo e estimulante nas dispepsias.”

Yolanda Corsépius mais recentemente, em 1997, sobre as propriedades e indicações do fel-da-terra, escreveu o seguinte: “eupéptica e estomáquica; anti-inflamatória – pele inflamada, queimaduras do Sol; colerética; anti-diabética; vermífuga -parasitas intestinais; evita a queda do cabelo.”

Nos 538 questionários que aplicámos, entre 1989 e 2002, nenhum dos respondentes referiu o uso do fel-da-terra na medicina popular em São Miguel.

Bibliografia:

Abranches, J. (1894). Medicina Popular Michaelense. Ponta Delgada (doc. não publicado).

Corsépius, Y. (1997). Algumas plantas medicinais dos Açores. Edição do autor.99 pp.

Cunha, A., Silva, A., Roque, O. (2003). Plantas e produtos vegetais em fitoterapia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 701 pp.

Pereira, S. (1953). Plantas empregadas na medicina popular dos Açores. Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, nº 17. Ponta Delgada: 111–116.

Vieira, V., Moura, M., Silva, L. (2020). Flora Terrestre dos Açores-guia de campo. Ponta Delgada: Letras Lavadas edições. 356 pp.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

O CACAUEIRO NOS AÇORES


O CACAUEIRO NOS AÇORES

O cacaueiro (Theobroma cacao L.) que é uma árvore, que pode atingir 6 m de altura, originária da Amazónia, pertencente à família Malvaceae.

Em tempos muito antigos o cacaueiro foi levado para fora da sua região de origem, tendo chegado a Portugal em 1674, introduzido pelo padre José Bettendorf.

Desconhecemos quando terá chegado aos Açores, mas sabe-se que José do Canto planou no seu jardim cacaueiros, em 1865, vindos de Inglaterra e, em 1867, vindos do Rio de Janeiro.

Em 1990, o jornal “O Localista” publicou um texto da autoria do Dr. Eugénio Pacheco intitulado “A Cultura do Cacaoeiro”, onde aquele faz saber que o sr. João Maria Pimentel fornecia gratuitamente sementes daquela planta a quem quisesse “ensaiar entre nós, a cultura desta utilíssima Planta industrial”.

No mesmo texto, o autor refere que primeiro há que tentar saber se aquela planta tem capacidade para se adaptar aos nossos solos e clima e termina assim:

“… O problema da sua Aclimatação nada tem, portanto, que admirar scientificamente.

Mas, se a Temperatura do solo e do Ar não forem aqui suficientes para o natural desenvolvimento da Planta, cujo habitat é o das Zonas húmidas e cálidas do Equador, desse Facto nada podemos também à priori concluir para a Impossibilidade da cultura em Estufa.

E quem sabe se nisso está reservado um grande futuro, que nos compense da supressão da Indústria do Alcool?...”

Das sementeiras feitas não conhecemos os resultados, mas não estaremos errados se afirmarmos que não terão resultado.

Se atendermos à experiência da ilha da Madeira, talvez fosse possível, nos Açores, a cultura do cacaueiro em estufa. Sobre o assunto, Raimundo Quintal, na revista “Jardins”, de novembro de 2021, a propósito de uma exploração agroturística, localizada no sítio da Quebrada, na freguesia do Paul do Mar, escreveu o seguinte: “Os cacaueiros (Theobroma cacao), indígenas da Amazónia, têm dificuldade em frutificar ao ar livre, mas na estufa florescem e frutificam durante todo o ano. No dia 6 de outubro, uma dúzia de árvores estava florida, tinha frutos verdes e frutos maduros com as sementes prontinhas para a extração do cacau, o alimento dos deuses (Theobroma = Theo – deus e broma – alimento).”

Pico da Pedra, 6 de agosto de 2023

Teófilo Braga

Fotografia: Raimundo Quintal

domingo, 6 de agosto de 2023

O CAJUEIRO NOS AÇORES


O CAJUEIRO NOS AÇORES

No passado mês de julho, uma pessoa amiga ofereceu-me dois pés de cajueiro (Anacardium occidentale L.) que é uma árvore, que em condições favoráveis pode atingir 20 m de altura, originária da região nordeste do Brasil, pertencente à família Anacardiaceae. Neste momento, encontram-se num viveiro no Pico da Pedra à espera do outono para serem transplantados para um terreno em Vila Franca do Campo.

Os portugueses introduziram no oriente entre 1563 e 1578, tendo a partir daí e do Brasil terá sido levado para África.

Não sabemos quando chegou aos Açores, mas o cajueiro era uma planta existente, em 1856, no Jardim José do Canto.

Não conhecemos nenhuma planta adulta de cajueiro na ilha de São Miguel.

Pico da Pedra, 6 de agosto de 2023