Pois alevá...Diário de um Professor
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Virusaperiódico (161)
Virusaperiódico (161)
6 de
fevereiro
O dia foi horrível. Parecia que São Pedro andava a açambarcar água
e decidiu despejá-la toda nos primeiros dias deste mês. Só saí de casa para
tratar do Max e do Rex. De resto, fiquei recolhido, a ler um magnífico texto
sobre o país que se julga dono do mundo, para desgraça de todos nós.
7 de fevereiro
Finalmente apareceu o bom tempo — ou talvez tenha sido apenas uma
trégua no mau. Assim, permitiu-me trabalhar na Ribeira Nova. Consegui abrir um
acesso que liga duas áreas que até agora estavam separadas e colocar estacas de
leucena e de amoreira. Soube bem poder mexer na terra depois de tantos dias de
chuva.
Uma semana depois, reparei que a armadilha para a vespa asiática,
felizmente, não apanhou nenhuma. Em compensação, estava cheia de
moscas-da-fruta.
Ao atravessar a ribeira, dei conta dos estragos causados pelo
vento: um dragoeiro e uma enorme acácia tinham caído e, com eles, um abacateiro
e um jambeiro. Já não tenho forças para limpar tudo como antes. Vou limitar-me
a retirar os ramos que dificultam o acesso ao resto do terreno. Há que aceitar
os limites do corpo.
Ao final do dia, apenas tive ânimo para ler o texto “Genocídio, obra de Israel”. O autor,
norte-americano, confirma algo que já tinha lido noutras fontes: o Hamas foi,
em grande parte, uma criação de Israel. Há, de facto, Estados terroristas.
8 de fevereiro
O dia foi passado entre tarefas domésticas e algum tempo dedicado
ao ativismo ambiental. Li também um texto notável sobre a mentira da chamada
transição energética. O greenwashing
tornou-se uma especialidade dos governantes.
8 de fevereiro de
2026
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Virusaperiódico (160)
Virusaperiódico (160)
No dia 31 de janeiro, devido às más condições do tempo, o
trabalho foi quase todo feito à abrigada, tendo terminado de derreter a cera
das abelhas e feito limpeza em material apícola.
No Pico da Pedra, coloquei no Quintal um mirtilo (Vaccinium
myrtillus) e uma planta e algumas estacas de tamarilho,
tomateiro-arbóreo ou mamona (Solanum betaceum).
No pouco tempo em que foi possível estar em Vila Franca do
Campo, estive a colocar suportes em algumas plantas que estavam tombadas pelo
vento e canas para sinalizar as estacas de tamarilhos colocadas na terra na
semana passada. Coloquei muito próximo das colmeias uma armadilha para a vespa
asiática. Verifiquei que quatro acácias de grande porte haviam sido arrancadas
pelo vento.
Ocupei o dia 1 de fevereiro, dedicando algum
tempo ao ativismo ambiental e cívico. O resto do tempo foi passado em leituras
diversas, nomeadamente de textos da revista Flauta de Luz.
No dia 2, estive a trabalhar em dois livros
que, se tudo correr bem, serão editados este ano, um deles, em princípio, ainda
na primavera. Não houve tempo para leituras.
O dia 3 de fevereiro foi dedicado às plantas,
do Jardim, Botânico José do Canto, onde observei pela primeira vez o
lírio-pincel (Scadoxus puniceus), planta tropical que para o seu cultivo
requer muitos cuidados. Também foi dia de envasar espadas-de-são-jorge.
Nos dias 4 e 5 estive a trabalhar sobre plantas
e jardins, mas também dediquei algum tempo à memória dos tempos conturbados, que
se seguiram ao 6 de junho de 1975.
A morte de Serafim Riem, é um duro golpe no
movimento de defesa do ambiente no nosso país. Contatei com ele pela primeira
vez em 1985 e foi através dele que aderi à IRIS-Associação Nacional de Ambiente.
A nossa homenagem consistirá, enquanto forças houver, em continuar a luta por
um Mundo melhor.
5 de fevereiro de 2026
domingo, 1 de fevereiro de 2026
Virusaperiódico (159)
Virusaperiódico (159)
No dia 26 de janeiro continuei os meus
trabalhos sobre flores e jardins. Passei por Vila Franca do Campo em contato
com as abelhas que estavam recolhidas devido ao mau tempo e acolher alguma
fruta. Devido à chuva que foi caindo ao longo do dia, as duas ribeiras estavam
com muita água.
Fui informado de que a terceira edição do livro
“Plantas Usadas na medicina popular dos Açores” já poder ser adquirida online (https://www.letraslavadas.pt/as-plantas-na-medicina-popular-nos-acores2/) e que a partir de amanhã estará disponível na
Livraria Letras Lavadas, em Ponta Delgada.
No dia 27 passei pela Biblioteca Pública de
Ponta Delgada, onde consultei textos sobre o grande proprietário rural e
aventureiro, Simplício Gago da Câmara, e estive no Jardim José do Canto, onde
apreciei algumas arvores monumentais que merecem ser alvo de contemplação.
Comecei o dia 28 bem cedo, tendo passado quase
toda a manhã a escrever um texto sobre Simplício Gaga da Câmara que é quase
desconhecido na terra onde viveu, Vila Franca do Campo.
De tarde estive numa sessão do Clube de Leitura
da ASSP. Muito bem organizada e muito interessante pelas sugestões de leitura
apresentadas pelos vários oradores.
Na manhã dia 29 estive a pesquisar nos
manuscritos de José do Canto se havia a planta arália-de-papel no seu jardim e
a colocar num mapa do Jardim Botânico José do Canto algumas plantas que
observei na terça-feira passada. De tarde, estive a ler alguns textos do nº 11
da revista “Flauta de Luz”.
No dia 30 estive a derreter cera das abelhas e
andei por Vila Franca do Campo a colher alguma fruta. Felizmente o vento não
derrubou nenhuma árvore ou bananeiras.
30 de janeiro de 2026
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Virusaperiódico (158)
Virusaperiódico (158)
Este sábado, dia 24 de janeiro, foi uma exceção
à regra, não estive em contato com as plantas em Vila Franca do Campo. De
manhã, estive a trabalhar sobre o Jardim Botânico José do Canto. De tarde, fiz
alguns trabalhos domésticos e li mais algumas páginas da revista “A Ideia”.
Comecei o domingo, dia 25 de janeiro, com a
leitura de alguns textos de Antero de Quental que estão no livro “Antero de
Quental Prosas I”, edição de Ana Maria Almeida Martins.
Num dos textos Antero escreve: “Que os meus
quase patrícios de Portugal não se aterrem!” Esta frase tem servido de
argumento para alguns independentistas açorianos para justificar a sua causa.
Mas, Antero de Quental nunca é lido no seu todo, por exemplo no mesmo livro
Antero de Quental afirma o seguinte: “Somo português, e de português, nos
prezamos”. Eu, que considero “a minha pátria é o mundo inteiro” acho que se
devem procurar e expor sempre os melhores argumentos.
Se a vida e a obra de Antero é, em geral,
divulgada truncada, o famoso jornalista açoriano Jaime Brazil é praticamente desconhecido
na sua terra, talvez devido aos seus ideais libertários.
Através da leitura da revista “A Ideia”, fiquei
a saber mais pormenores sobre a sua prisão pelo regime salazarista que alguns, sobretudo
quem nele não viveu, pretendem que regresse, embora com roupagens populistas. Com
efeito Jaime Brazil, natural da ilha Terceira, ao regressar a Portugal no final
de 1940, depois do seu exílio em Paris, foi preso no dia 14 de janeiro de 1941,
tendo saído em liberdade, depois de cumpridos 600 dias de prisão correcional.
Que crime(s) cometeu? Escrevia o que lhe ia na alma!
25 de janeiro de 2026
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Virusaperiódico (157)
Virusaperiódico (157)
De manhã, no dia 19, estive em Vila Franca do
Campo, onde fiz colheitas de alguma fruta e dei alimento às abelhas. De tarde,
estive a recordar alguns acontecimentos ocorridos em 1975. Como o futuro parece
sombrio, recordar é viver!
No dia 20, de manhã, estive no Jardim Botânico
José do Canto, onde observei algumas plantas e a tentei colocar num mapa a sua
localização. De tarde, estive a responder a um conjunto de solicitações, de
amigos e de alguns desconhecidos, quase todas relacionadas com plantas e o seu
uso.
No dia 21, para além de uma ida a uma consulta
médica, pois a idade não perdoa, estive em Vila Franca do Campo onde fui colher
alguma da pouca fruta que ainda há. De tarde, todo o meu tempo foi passado a trabalhar
sobre plantas ornamentais.
Comecei e acabei o dia 22, a trabalhar num futuro
livro sobre flores dos Açores. Li algumas páginas da revista “A Ideia”.
No dia 23 voltei a estar ocupado na preparação
do livro sobre flores e estive a pesquisar sobre plantas existentes no tempo de
José do Canto no seu jardim e que hoje lá não se encontram.
Voltei às pesquisas sobre Simplício Gago da Câmara (1808-1888), grande proprietário
rural da ilha de São Miguel e aventureiro que muito contribui para a
modernização da agricultura.
Recebi a agradável notícia de que a partir da próxima
semana estará disponível para todos os interessados a terceira edição do meu
livro “Plantas usadas na medicina popular nos Açores” que tal como as
anteriores edições é da responsabilidade da Letras Lavadas.
23 de janeiro de 2026
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Virusaperiódico (156)
Virusaperiódico (156)
Comecei o dia 15, em Vila Franca do Campo, em
contacto com a natureza, na Ribeira Nova e na Courela, sobretudo em colheitas
diversas. De tarde, continuei as minhas pesquisas sobre a violência ocorrida
nos Açores a seguir ao 6 de junho de 1975.
No dia 16 andei pela Biblioteca Pública de
Ponta Delgada em pesquisas sobre jardins e estive a conversar com um professor
universitário do IST, natural das Capelas. Nas pesquisas, confirmei que foi a
SPEA a responsável pela introdução da endémica vidália (Azorina vidalii)
no ilhéu de Vila Franca do Campo. Boa iniciativa? Há quem ache que não!
O dia 17 foi dedicado por inteiro ao trabalho
na terra em Vila Franca do Campo. De manhã, na Courela, estive a cortar ramos
secos em laranjeiras e a limpar bananas e bananeiras. De tarde, estive na
Ribeira Nova a podar novelões e a ajudar a colocar na terra estacas de
tamarilhos ou mamonas e de roseiras-do-japão ou camélias. Quando as forças me
faltaram regressei ao Pico da Pedra, mas passei pela Ribeira Chã, onde fui
observar uma colónia de arália-do-papel ou planta-do-papel-de-arroz (Tetrapanax
papyrifer), espécie que apresenta um comportamento invasor. Por agora
desconheço quando foi introduzida nos Açores e com que fim ou fins, se é que
existiram para além do ornamental.
No dia 18 de janeiro, recordei o que aconteceu em
1934 na Marinha Grande e em outras localidades de Portugal continental, isto é
a chamada “Revolta da Marinha Grande”, um evento importante da luta dos
trabalhadores contra o Estado Novo de Salazar. Nos Açores, a comunicação social
apenas elogiou o ditador.
Hoje, democraticamente parece que estamos a
caminhar para uma ditadura par(a)lamentar, pois democracia económica, isto é,
sem exploração da força de trabalho, nunca houve.
Se neste não é fácil, não me apetece nada
voltar a viver num regime fascistoide!
18 de janeiro de 2026






