sábado, 7 de fevereiro de 2015

Manifesto

MANIFESTO CONTRA A LEGALIZAÇÃO DA SORTE DE VARAS NOS AÇORES



Somos todos Açores e qualquer prática legalizada numa das nossas ilhas implicará a Região no seu todo. Ora, a recente divulgação de que estará a ser preparada, por parte de um grupo de deputados à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, uma iniciativa legislativa que contempla a introdução da chamada “Sorte de Varas”, ou “Tourada Picada”, na ilha Terceira (o que significa, naturalmente, verter para os Açores essa pretensa legalização), tem gerado forte contestação na opinião pública. Muitas são as vozes, de todos os quadrantes da sociedade, mesmo entre os aficionados, que se têm posicionado contra esta prática de crueldade extrema para com o touro, proibida em todo o país e que não se reveste, nas nossas ilhas, de qualquer caráter cultural, tradicional ou identitário. Acrescente-se que se trata da terceira tentativa de legalização desta variante tauromáquica, tendo sido rejeitada em 2009 por parcos dois votos.
Somos todos Açores e, numa altura de forte aposta no Turismo Sustentável, no Turismo de Natureza, assente sobretudo no respeito ambiental e na estreita e harmoniosa ligação do Homem com a Terra e com o Mar, não consideramos compreensível esta pretensão, que remete para uma forma de sofrimento animal que não é admissível nos dias que correm, e que mancharia, cá dentro e para quem nos visita, a imagem dos Açores – abrindo, além do mais, gravíssimas fendas na sociedade açoriana, que se quer coesa e unida.
Somos todos Açores. Estas nove ilhas do verde e das águas límpidas, das belezas naturais e da comunhão com a Natureza, não merecem isto. Não merecem ficar conotados com uma nova forma de crueldade animal. Não merecem a mancha social e política que a legalização de uma prática deste teor traria para todo o arquipélago.
Porque somos todos Açores, e independentemente de a suposta iniciativa parlamentar chegar ou não à Assembleia Legislativa Regional, manifestamo-nos CONTRA a legalização da Sorte de Varas nos Açores.
Subscritores: Álamo Oliveira, Escritor; Alexandra Correia, Administrativa; Alexandra Patrícia Manes, Aux. Ação Educativa; Alexandre Pascoal, Sociólogo/Promotor Cultural; Álvaro Borralho, Prof. Univ.; Alzira Silva, Jornalista (ref.) e Ex-Dep. ALRAA; Ana Isabel Serpa, Prof; Ana Loura, Eng. Téc. Eletrotecnia; Ana Luísa Araújo, Hematologista; Ana Madeira, Prof.; Ana Paula Andrade, Pianista/Prof. Música; Ana Paula Marques, Prof. e Ex-Dep. ALRAA; Ana Rita Afonso, Prof.; Ana Teresa Almeida Bettencourt, Ass. Social; André Bradford, Dep. ALRAA; André Franqueira Rodrigues, Jornalista; Aníbal Pires, Dep. ALRAA; Aníbal Raposo, Cantautor; Antero Ávila, Músico/Compositor; António Inocêncio, Dirig. Sindical; António Lucas, Prof./Pres. SPRA; António Manuel Amaral, Deleg. Sindical SITAVA; António Teixeira Maduro, Téc. Sup. (ref.); Armando Mendes, Jornalista; Benilde Oliveira, Dep. ALRAA; Bruno da Ponte, Editor; Bruno de Jesus Pereira, Piloto; Carla Rita Couto, Secretária; Carlos Cordeiro, Prof. Univ.; Carlos Costa Neves, Dep. AR e Ex-Ministro da Agricultura; Carlos Enes, Dep. AR; Carlos Frazão, Maestro; Carlos Arruda, Ortopedista; Carlos Manuel Martins do Vale César, Ex-Presidente do Governo Regional dos Açores; Carlos Medeiros, Músico; Carlos Mendonça, Fisioterapeuta/Pres. CMN e Ex-Dep. ALRAA; Carlos Oliveira, Prof.; Carlos Ribeiro, Prof. Univ.; Catarina Fraga, Dentista; Catarina Moniz Furtado, Dep. ALRAA; Catia Benedetti, Prof. Univ.; César Gonçalves, Médico Cl. Geral; Chrys Chrystello, Jornalista; Cipriano Pacheco, Padre; Clara Queirós, Prof. Univ. (ref.); Daniel Gonçalves, Prof./Escritor; Daniel Pavão, Prof; Davide Santos, Biólogo; Dinarte Oliveira Melo, Gestor; Diogo Caetano, Geólogo; Duarte Melo, Padre; Eduardo Ferraz da Rosa, Prof. Univ.; Elsa Violante Cavaleiro Lobo Ferreira, Téc Reinserção Social; Emanuel Couto, Solicitador; Emanuel Jorge Botelho, Prof. (ref.)/Escritor; Emília Mendonça, Prof (ref.).; Fabíola Jael Cardoso, Prof.; Fátima Mota, Prof. (ref.)/Galerista; Fernando Lopes, Prof Univ. e Ex-Dep. ALRAA; Filipe Cordeiro, Coord. Secção PDL do SBSI; Filipe Tavares, Produtor/Realizador; Filomena Maduro, Funcionária da ALRAA (ref.); Francisco César, Dep. ALRAA; Francisco Wallenstein Macedo, Biólogo; Gilberta Rocha, Prof. Univ., Dir. CES-UA e Ex-Dep. ALRAA; Graça Silva, Dep. ALRAA; Guilherme Figueiredo, Reumatologista; Hélder Medeiros (Helfimed), Téc. Sup./Humorista; Hélder Silva, Prof. Univ., Dir do DOP-UA e Ex-Dep. ALRAA; Henrique Schanderl, Prof. Univ.; Herberto Gomes, Jornalista; Hernâni Jorge, Jurista e Ex-Dep. ALRAA; Hugo Arruda, Magister d'Os Tunídeos; Inês Soares Sá, Secretária; Ivo Machado, Escritor; Joana Borges Coutinho, Empresária; Joana Félix, Poeta; Joana Sarmento, Eng. Ambiente; João Cordeiro, Ass. Imprensa; João de Melo, Escritor; João Decq Mota, Coord. USH; João Stattmiller, Sociólogo; Jorge Barata Almeida e Sousa, Eng. Mecânico; Jorge Kol, Arquiteto; Jorge Macedo, Dep. ALRAA; Jorge Santos, Neurologista, Pres. Deleg. Açores Ordem dos Médicos; José (Zeca) Medeiros, Realizador e Músico; José Andrade Melo, Prof.; José Carlos Frias, Empresário; José Cascalho, Prof. Univ., Ex-Dep. ALRAA; José Couto, Advogado; José de Sousa Rego, Prof. e Ex-Dep. ALRAA; José Decq Mota, Pres. C. Naval da Horta, Ex-Dep. 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Jorge; Manuel Conde Bettencourt, Prof.; Manuel Faria, Tenente Coronel (na reserva); Manuel Moniz, Jornalista; Marco Coelho, Oficial de Placa; Marco Melo, Veterinário; Mª Alexandra Pacheco Vieira, Advogada; Mª Antónia Fraga, Prof (ref.); Mª das Mercês Pacheco, Empresária; Mª do Carmo Barreto, Prof Univ.; Mª do Céu Guerra, Atriz; Mª Fernanda Mendes, Psiquiatra e Ex-Dep. ALRAA; Mª Helena Frias, Livreira; Mª Isabel Lopes, Enfermeira; Mª Manuel Arruda, Prof. (ref.); Mª Margarida Lopes, Designer; Mário Abrantes, Eng. Silvicultor; Mário Furtado, Prof./Pres. Junta da Matriz da RG; Mário Roberto Carvalho, Artista; Marta Cabral, Veterinária; Marta Couto, Dep. ALRAA; Martim Cymbron, Artista Plástico; Martinho Baptista, Empregado Comercial; Miguel Balacó Amaral, Veterinário e Pres. CR Açores Ordem dos Médicos Veterinários; Milagres Paz, Bailarina e Prof. Dança; Milton Mendonça, Bancário/Vice-Pres. CMN; Milton Sarmento, Advogado; Nélia Amaral, Psicóloga e Ex-Dep. ALRAA; Nélio Lourenço, Sociólogo; Nelson Cabral, Ator e Encenador; Nuno Tomé, Jurista; Onésimo Teotónio de Almeida, Prof. Univ. e Escritor; Orlando Guerreiro, Eng. Ambiente; Paulo Borges, Prof. Univ. e Ex-Dep. ALRAA; Paulo Linhares Dias, Advogado; Paulo Marques, Coord. USSMSM; Paulo Matos, Técnico de Óticas; Paulo Mendes, Psicólogo e Ex-Dep. ALRAA; Paulo Pacheco, Veterinário; Paulo Sanona, Ajudante de Reabilitação; Paulo Santos, Advogado; Paulo Valadão, Veterinário e Ex-Dep. ALRAA; Pedro Bradford, Acupunctor; Piedade Lalanda, Prof. Univ. e Ex-Dep. ALRAA; Renata Correia Botelho, Dep. ALRAA; Ricardo Rodrigues, Advogado, Pres. CMVFC e Ex-Dep. AR; Ricardo Serrão Santos, Prof. Univ./Eurodeputado; Rita Blanco, Atriz; Roberto Correia Batista, Secretário; Rogério Sousa, Promotor Cultural; Rogério Veiros, Dep. ALRAA; Rosa Chaves, Designer de Comunicação; Rui Coutinho, Prof. Univ.; Rui Goulart, Jornalista; Rute Rocha, Professora; Sandra Medeiros, Dermatologista; Sara Carreiro, Administrativa; Sara Coutinho, Jornalista; Sílvia Torres (Sonasfly), Cantautora; Sónia Pastor Furtado, Secretária; Sónia Nicolau, Prof.; Suzete Frias, Psicóloga e Pres. Dir. ARRISCA; Tânia Fonseca, Psicóloga/Vice-Pres. CMRG; Teófilo Braga, Prof.; Tiago Matias, Ass. Imprensa; Tiago Miranda, Pres. Juv. Monárquica dos Açores; Tiago Redondo, Secretário; Tomás Silva, Arquiteto; Urbano Bettencourt, Prof. e Escritor; Urbano Resendes, Artista Plástico; Valentina Matos, Bióloga; Vamberto Freitas, Prof. Univ. e Escritor; Vera Pires, Func. SATA; Vítor Marques, Promotor Cultural; Vítor Silva, Coord. CGTP Açores; Zuraida Soares, Dep. ALRAA.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nunca!


Da proibição do aguilhão à legalização da “puya”

Em 1928, alguns jornais dos Açores denunciavam o “processo bárbaro de estimular os animais”, tendo sido encontrada a pele de um animal jovem, proveniente da ilha Graciosa, com mais de duas mil cicatrizes de feridas provocadas por um aguilhão.
Na altura, as razões apontadas para a proibição do uso do aguilhão tinham mais a ver com alguma sensibilidade para com o sofrimento animal, mas, sobretudo, com aspetos económicos. Com efeito, o jornal “A União” foi claro relativamente ao assunto quando publicou um texto, mais tarde transcrito no Correio dos Açores, onde se pode ler: “Haverá pois toda a conveniência em que as autoridades competentes façam cumprir rigorosamente o decreto que acaba de ser publicado, proibindo o uso do aguilhão, e isso não só como medida de “caridade” mas também como proteção a uma indústria da nossa terra [fábrica de curtumes] ”.
Através do artigo 3º do referido decreto, datado de 27 de setembro de 1928, ficava proibida “o uso do aguilhão ou de qualquer instrumento perfurante na condução de animais, quer em transporte, quer em trabalho, excepto na condução e trabalho de bovinos da raça brava”. Curioso é que então como hoje há sempre animais que não são animais, isto é, os interesses da tortura para divertimento sempre falaram mais alto.
O decreto mencionado esteve em vigor por muito pouco tempo, tendo sido revogado a 16 de março de 1929 por outro que permitia “em todo o território da República Portuguesa o uso do aguilhão para guiar bovinos adultos em trabalhos de lavoura e carretagem”.
A barbaridade para com os animais continuou de tal modo que, durante cerca de duas décadas, uma das principais lutas de Alice Moderno e da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais foi contra o uso do aguilhão, mas agora por razões humanitárias e por compaixão pelos animais que ela dizia que eram “os seus irmãos inferiores”.
Varrido dos Açores o uso do aguilhão, acreditamos que, mais do que por imposições legais, pela evolução dos meios de transporte, isto é, com a caída em desuso das carroças e afins e sua substituição pelos veículos motorizados, continuou a prática imoralmente legal de torturar animais com bandarilhas nas praças de touros.
Não satisfeitos com a barbaridade que são as touradas de praça como as existentes, um grupo de amantes do sofrimento animal quer que o mesmo seja levado ao extremo, através da legalização das touradas picadas ou sorte de varas,, para posteriormente evoluírem para os touros de morte. Sobre esta horrenda barbaridade é bom recordar que, em 1989, houve uma proposta neste sentido que chegou a ser apresentada na ALRA por um membro do governo regional de então.
Quando pensávamos que o planeta Terra estava a girar normalmente em torno do seu eixo e que os deputados estavam preocupados com as gentes que os elegeram, quando acreditávamos que estavam a trabalhar para minimizar os impactos na vida de muitas famílias do desemprego que surgirá com a saída dos militares americanos da ilha Terceira, caiu como uma bomba a notícia que estavam a trabalhar numa atualização do Regulamento Tauromáquico que pretende legalizar a sorte de varas nos Açores ou apenas na ilha Terceira.
Em 2009, sobre o assunto interrogava-me o que teria levado a que alguns deputados apresentassem “ uma proposta legislativa no sentido de legalizar a sorte de varas, prática não tradicional, bárbara, aspiração de uma minoria e vergonhosa para a região, caso seja aprovada?”
Na altura, pensava que teria sido uma “ uma atitude impensada de desrespeito pelo bem-estar animal e pelo querer das pessoas de bom senso, confiantes que sairiam impunes perante a opinião pública açoriana, nacional e internacional” e acrescentava que os deputados ainda estavam a tempo de arrepiar caminho.
Hoje, perante a repetência de alguns, e pensando que sabem bem o que são as touradas picadas e que conhecem as dimensões dos instrumentos de tortura, as “puyas”, já não tenho qualquer vontade de repetir o apelo pois não os considero pessoas de bem.
A todos os opositores da barbaridade que é a sorte de varas, deputados ou não, a minha solidariedade e apoio, no que me for possível, para impedir que alguns sádicos manchem o bom nome dos Açores.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30548, de 4 de fevereiro de 2015)
Assine a petição: http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT75986

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Einstein


Einstein, o revolucionário da ciência

“É a nós cientistas, que desencadeamos esta força prodigiosa, que compete dar a justificação dominante, transformando a energia atómica de tal maneira que fique ao serviço do bem da humanidade e não do seu aniquilamento” (Albert Einstein)
Albert Einstein, que nasceu a 14 de Março de 1879 em Ulm, na Alemanha, ao longo da sua vida mudou várias vezes de local e de país de residência.
De acordo com John e Mary Gribbi algum tempo depois de os seus pais terem decidido ir viver para Itália, em 1894, Albert Einstein renunciou à sua cidadania alemã e foi para Pavia. Segundo os autores mencionados, a “ânsia em deixar a Alemanha” era justificada pelo facto de que se “tivesse ficado até ter 17 anos, teria sido obrigado a cumprir o serviço militar”, o que não era aceite pelo jovem Albert, pois o mesmo era um pacifista “que detestava qualquer forma de disciplina ou autoridade”.
Depois de ter passado pela Suiça e por Praga, em 1914, Einstein regressa à Alemanha, mais propriamente a Berlim, onde permaneceu até 10 de Dezembro de 1932.
Com a chegada de Hitler ao poder na Alemanha, em Janeiro de 1930, o ódio dos nazis a Einstein que era pacifista e judeu fez-se sentir através da acusação de ser um agente comunista, de buscas à sua casa a que se seguiram a queima em público de livros de sua autoria.
Enquanto residiu em Zurique, Albert Einstein conviveu com o seu amigo Friedrich Adler, professor auxiliar de Física, filho de Vitor Adler que foi líder do partido social-democrata da Áustria. Foi com Friedrich Adler, lider da ala esquerda socialista, que Albert Einstein, segundo J. Shwartz e M. McGuinness, aprendeu “alguma coisa do socialismo revolucionário”.
Em 1923, Albert Einstein visitou a Catalunha com o objetivo de expor a sua teoria da relatividade, tendo a imprensa feito rasgados elogios, quer comparando-o com os grandes génios Galileu e Copérnico, quer considerando-o como o Newton do século XX.
Einstein fez questão em não abandonar Barcelona sem antes visitar a sede da central sindical anarco-sindicalista CNT onde foi recebido numa sala cheia de trabalhadores, tendo na altura feito elogios à classe trabalhadora, tendo chegado a afirmar que aqueles eram revolucionários das ruas enquanto ele era um revolucionário da ciência.
Ainda em 1923, Albert Einstein, que nunca visitou a União Soviética, foi um dos fundadores da Associação dos Amigos da Nova Rússia, tendo pertencido à sua comissão executiva.
O facto de fazer parte da mencionada associação não o coibiu de ter uma posição crítica em relação ao regime soviético. Assim, sobre Lenine escreveu: “venero nele o homem que dedicou toda a energia e se sacrificou pela realização de justiça social, mas não considero que o seu método seja adequado” e sobre a liberdade de expressão também escreveu: “Fora da Rússia; Lenine e Engels não são considerados pensadores científicos, pelo que ninguém pode estar interessado em refutá-los como tais. O mesmo não sucede na Rússia, mas ai ninguém pode arriscar-se a dizê-lo”.
Num artigo publicado numa revista norte-americana, em 1949, Einstein defendeu o socialismo tendo escrito a propósito que no capitalismo a concorrência sem limites levava a um “enorme desperdício de trabalho e à frustração da consciência social dos indivíduos” e que os problemas só poderiam ser superados “através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educativo orientado para metas sociais.”
A 2 de Agosto de 1939, receando que os alemães fabricassem uma bomba atómica, Eistein assina uma carta que foi endereçada ao presidente dos Estados Unidos, F. Roosevelt, chamando a tenção para as implicações militares da energia atómica. Na sequência da carta foi implementado o projeto Manhattan que culminou com o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima e Nagasaki, em Agosto de 1945.
Afastado do projeto dada a “sua natureza inconformista e a sua bem arejada propensão para o socialismo”, Einstein arrependeu-se de ter assinado a carta e até ao fim da vida levantou a sua voz contra o uso da energia atómica para fins militares e em defesa da paz mundial.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30543, 28 de janeiro de 2015, p.18)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Einstein

Einstein


“Se se provar que a relatividade está certa, os alemães vão chamar-me alemão, os suíços vão chamar-me cidadão suíço e os franceses vão chamar-me grande cientista.
Se se provar que ela está errada, os Franceses vão chamar-me suíço, os suíços são chamar-me alemão e os alemães vão chamar-me judeu.” (Albert Einstein)

Penso que não cometerei nenhum erro se escrever que a grande maioria das pessoas que sabe quem foi Albert Einstein associa o seu nome à Teoria da Relatividade ou à invenção da bomba atómica, sendo por alguns considerado o “pai” da mesma.
O físico alemão que mais tarde foi viver para os Estados Unidos da América, também é muito conhecido pela famosa fórmula E= mc2, que relaciona a massa com a energia.
O que poucos saberão é que o famoso cientista, prémio Nobel da Física, em 1921, recebeu o prémio por ter apresentado uma explicação para o efeito fotelétrico.
Em termos escolares, o efeito fotelétrico é ensinado e aprendido, hoje, no décimo ano de escolaridade e consiste na “emissão de eletrões, especialmente por metais, sob a ação da luz (radiação) ” (Dantas e Ramalho, 2007).
A tecnologia do efeito fotoelétrico tem grande aplicação, através das células fotelétricas, no funcionamento de câmaras de televisão, portas automáticas, óculos de visão noturna, alarmes, etc….
A teoria da relatividade, por seu turno, embora faça parte do programa do 12º ano de escolaridade, acaba por nunca ser lecionada já que o Ministério da Educação, não me recordo se já sob o reinado do homem que o queria implodir, decidiu que os conteúdos que deviam ser lecionados em sete segmentos de quarenta e cinco minutos passassem a ser lecionados em apenas quatro. Face a esta incompreensível redução, a opção das várias escolas tem a sido a de eliminar o último capítulo, “Física Moderna”, que inclui os seguintes subcapítulos: “Teoria da Relatividade”, “Introdução à Física Quântica” e “Núcleos Atómicos e radioatividade”.

Todos os interessados em saber um pouco mais sobre Einstein e a teoria da relatividade têm à sua disposição vários livros de divulgação, dos quais destacamos os seguintes:
- “O que é a relatividade?”, da autoria de L. Landau e de Y. Rumer , dois físicos da então União Soviética, editado pela Portugália, em 1965;
- “Subtil é o senhor: vida e pensamento de Albert Einstein”, de A. Pais, que para além de físico conviveu com Einstein, editado pela Gradiva, em 1993;
- “Einstein para principiantes”, de Joseph Schwartz e Michael Mc-Guinness, editado pelas Publicações Dom Quixote, em 1980;
- “Einstein em 90 minutos”, de John e Mary Gribbin, editado pela Editorial Inquérito, em 1997.
De igual modo recomenda-se a leitura de um número especial da National Geographic intitulado “Einstein – A teoria da relatividade, o espaço é uma questão de tempo” da responsabilidade de David Blanco Laserna, físico e escritor, que contém os seguintes cinco capítulos: “A revolução eletromagnética”; “Todo o movimento é relativo”; “As deformações do espaço-tempo”; “As escalas do mundo” e “O exílio interior”.
Uma faceta menos conhecida de Einstein é o de divulgador científico. Com efeito, para além das inúmeras palestras que dava, é coautor com Leopold Infeld do livro “A Evolução da Física”, publicado pela primeira vez nos Estados Unidos em 1938.
Em Portugal, há várias edições desta fabulosa obra que tem como finalidade principal dar a conhecer, aos leigos, as “ideias desde os primitivos conceitos até à Relatividade e aos Quanta”. Sobre o mesmo livro, na contracapa de uma edição da “Livros do Brasil- Lisboa”, não datada, podemos ler o seguinte:
“Este clássico da divulgação científica, divulgação que os “puristas” têm vindo, ao longo do tempo, a considerar como supérflua ou, até, impossível, foi, e continua a ser, um livro básico para a compreensão – a nível do grande público, evidentemente – da física moderna e, em particular, da teoria da relatividade”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30537, 21 de Janeiro de 2015, p.14)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sujam o Verde


Verde, mas sujo

Depois de um longo período em que o ambiente, ou melhor a natureza, era uma preocupação de uns poucos que eram apodados pelos donos disto tudo de lunáticos, alguns problemas ambientais, nomeadamente catástrofes, como as de Seveso, Bophal ou Chernobil, fizeram com que crescesse o número de pessoas que se envolveram em movimentos criados para lutar pela defesa do ambiente e consequentemente por uma melhor qualidade de vida para todos os seres que com os humanos partilham a vida na Terra.
Para os mais esquecidos ou para quem nunca teve conhecimento, abaixo apresenta-se uma síntese do que foi cada uma das catástrofes.
A 10 de Julho de 1976, na cidade de Seveso, na Itália, uma instalação industrial libertou alguns quilos de uma dioxina que para além de contaminar os solos causou a morte direta de cerca de 3000 animais e fez com que outros 70 000 tivessem de ser abatidos para evitar a contaminação das cadeias alimentares. Além disso, desconhece-se se houve vítimas mortais humanas, mas sabe-se que no ano seguinte a taxa de defeitos congénitos aumentou mais de quarenta por cento.
Considerado como o mais grave desastre industrial ocorrido até hoje, a catástrofe de Bophal ocorreu a 3 de Dezembro de 1984 quando uma fábrica de pesticidas da Union Carbide, em Bhopal, na Índia, libertou 40 toneladas do gás isocianato metílico. Não se conhece exatamente a dimensão dos danos económicos e ambientais e o número de vítimas, mas Edward Goldsmith e Nicholas Hildyard estimaram o seguinte: pessoas mortas, entre 2 352 e 10 000; incapacitadas, 17 000 a 20 000, expostas, 200 000, evacuadas, 70 000.
A empresa, como é quase tradição, procurou fugir com o rabo à seringa, mas, segundo um relatório, o ocorrido deveu-se a “uma combinação de erros de gerência, equipamento mal concebido e má manutenção”.
Contrariando a propaganda da segurança infinita das centrais nucleares propalada pelos cientistas e dirigentes do capitalismo de estado russo, ou melhor soviético, a 26 de Abril de 1986, relativamente perto de Kiev, na Ucrânia, ocorreu um acidente numa central nuclear.
Como é habitual nestes casos onde as tecnologias são seguríssimas, nunca se saberá o número exato de vítimas, havendo uma previsão do professor John Gofman, da Universidade da Califórnia, que fala em mais de um milhão de vítimas.
Entre nós, não querendo ser alarmista, em breve vamos ter em funcionamento uma tecnologia também extra segura, que é a queima de resíduos para produção de energia elétrica que, pelo menos em parte do dia é desnecessária. Além disso, tem a vantagem de ser renovável, dizem eles, e verde, se pintarem as instalações de tal cor.
Verde também é a taxa que foi criada, pela Assembleia Legislativa Regional dos Açores, para penalizar o uso de sacos de plástico e que se traduzirá no saque de mais uns cobres a uma população que desinformada, deseducada, consumista e conformista irá pagar mais, em vez de mudar as suas atitudes e seus comportamentos. Se o que se pretende é reduzir até zero os sacos de plástico por que não se proíbe, de uma vez por todas ou gradualmente, o seu fabrico?
Verdes são também as taxas que vão inventando para sacar o máximo possível aos bolsos já depauperados de uma população que está exangue e exausta de tanto alimentar uma casta que se diz democrática, mas que não presta contas pela má gestão que levou o país à ruina.
Por que razão os nossos ambientalistas oficiais, defensores do aceite universalmente desenvolvimento sustentável que tanto gostam de louvar o princípio do poluidor- pagador, não alargam o conceito e criam o princípio do fazedor de dívida pública - pagador da mesma?
Se assim acontecesse, todos os políticos profissionais, ou afins, responsáveis por projetos megalómanos, inviáveis ou inúteis, todos os autarcas que derreteram as finanças das suas autarquias em obras de Santa Engrácia ou em aberrações de impossível manutenção, ficariam responsáveis, pessoalmente, pelo pagamento das dívidas que fizeram.
Só por si não era democracia a sério, mas era um bom começo.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30532, 14 de janeiro de 2015, p.17)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O metro



A propósito do anunciado desaparecimento do metro

No jornal Correio dos Açores, de 14 de Setembro de 1934, lemos um texto intitulado “O metro - unidade de comprimento - vai desaparecer”, onde o autor para além de se debruçar sobre a história daquela unidade de medida refere “que o sistema métrico não se generalizou no continente europeu até 1850”.
Antes de prosseguirmos, vamos tentar esclarecer o que se entende por sistema de unidades e por grandeza física.
De acordo com manuais escolares consultados, podemos denominar sistema de unidades “ao conjunto de unidades escolhidas para a totalidade das grandezas físicas”, sendo, por sua vez, grandeza física “toda a propriedade que é suscetível de ser medida e, portanto, de se lhe atribuir um valor numérico”. A título de exemplo, comprimento e massa são grandezas físicas, sendo unidades daquelas o metro e o quilograma.
De acordo com o Prof. Jorge Luiz Moretti de Souza, “a existência de um único sistema de unidades que internacionalmente permita um diálogo técnico uniforme onde se fale de dimensões sem recurso a conversões mais ou menos complexas, continua a ser um objetivo ainda não alcançado”.

O primeiro sistema de unidades surgiu no século XVIII, tendo após este surgido outros sempre tendo por critério a escolha para base dos mesmos “certas unidades que possam ser definidas sem necessidade de recorrer a quaisquer relações com outras unidades e que, tanto quanto possível, se possam concretizar em padrões”

Quando frequentamos as aulas de Física, na década de setenta do século passado, tanto no que hoje é denominado de terceiro ciclo como nos antigos sexto e sétimos anos (hoje, décimo e décimo primeiros anos do ensino secundário), ensinaram-nos que, entre outros, existiam dois sistemas de unidades o CGS (centímetro, grama e segundo) e o Sistema Internacional, que para a grandeza comprimento tem como unidade fundamental o metro (m), para a grandeza massa o quilograma (kg) e para a grandeza tempo o segundo (s).
Já há alguns anos, o sistema CGS deixou de merecer qualquer menção e o Sistema Internacional passou a ser o único a ser estudado, numa primeira fase de um modo sistemático, num capítulo denominado “Grandezas e Unidades Físicas” ou designado “Medições e Grandezas” e hoje as unidades são estudadas à medida que se vão ensinando conceitos e vão sendo abordadas as diferentes grandezas físicas.
No que diz respeito à unidade de comprimento, em 1791, a Assembleia Nacional de Franca decidiu que: “A fim de atingirmos a uniformidade de pesos e medidas, é necessário que estabeleçamos uma unidade natural e invariável de medida. O único meio de estendermos essa uniformidade para países estrangeiros e de comprometê-los com o uso de um novo sistema de medidas é escolher uma unidade que não tenha nada arbitrário ou peculiar à situação de uma pessoa no mundo. A Assembleia adota o comprimento de um quarto de um meridiano terrestre como a base para o novo sistema de medidas.”
O comprimento de um metro foi calculado com base nas medições do arco do meridiano que passa por Paris, realizadas entre Dunquerque e Barcelona, dividindo-se o comprimento do meridiano terrestre em quarenta milhões de partes iguais.
A partir da referida medição foi construído um protótipo com a forma de um X, feito de uma liga de platina e irídio que está depositado em Sevres, França, no Instituto Internacional de Pesos e Medidas.
Todos os países que aderiram à Convenção do Metro, em 1875, possuem cópias do padrão internacional, estando a portuguesa depositada no Instituto Geográfico e Cadastral de Lisboa.
Hoje, o metro não está relacionado com a medida do meridiano terrestre mas com “o comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo durante um intervalo de tempo de 1/299.792.458 s”.

Ao contrário do que previu o Correio dos Açores, embora ainda não haja um sistema de unidades único, o metro não desapareceu e o Sistema Internacional de Unidades, criado em 1960, pela 11ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, é usado, de acordo com o Prof. Jorge Luiz Moretti de Souza, na “maior parte de negócios e atividades técnicas em todo o mundo”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 30526, 7 de Janeiro de 2015, p.14)