quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Virusaperiódico (57)

 





Virusaperiódico (57)

 

Depois de um dia de cansaço, seguiu-se um dia de (quase) repouso. Hoje, 1 de dezembro escrevi um textículo que um dia verá a luz do dia e li o livro “1949 Acidente aéreo na Algarvia”. Consegui fazê-lo porque já conhecia muitos dos textos que haviam sido publicados nos jornais da época.

 

Depois de uma pausa, onde estive a meditar enquanto corria roupa, li as primeiras páginas de uma biografia de Tolstói.

 

No dia 2, de manhã, destaco as pesquisas efetuadas no Arquivo Regional de Ponta Delgada. De tarde, muito repouso e leituras diversas que me fizeram compreender as atividades de algumas pessoas que conheci(o) durante o PREC.

 

Comecei a manhã do dia 3 a preparar uma viagem e depois estive a aprender como podar mangas ou mangueiras (Mangifera indica). De tarde, li algumas páginas da biografia de Tolstói.

 

No dia 4 não houve forças para leituras. Todo o dia foi dedicado, primeiro à jardinagem, no Pico da Pedra, e depois a uma ida a Vila Franca para limpar e colher bananas e goiabas (goiavões).

 

No dia 5 andei por Vila Franca do Campo a cuidar das plantas e das abelhas que estão com pouco alimento.

 

5 de dezembro de 2024

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Virusaperiódico (55)

 



Virusaperiódico (55)

 

No dia 25 de novembro, de manhã andei em pesquisas na Biblioteca Pública de Ponta Delgada e de tarde, depois de alguns trabalhos em casa, li o pequeno livro “A Fonte Luminosa- sobre o 25 de Abril e o Soarismo”, de Godofredo de Vera-Cruz, pseudónimo de Francisco Nunes.

 

Não percebo por que passou a ser este dia comemorado por políticos, alguns dos quais também foram derrotados no 25 de novembro de 1975, e não se celebra o 11 de março de 1975 e o 28 de setembro de 1974. Farto de comemorações!

 

No dia 26, trabalhei na revisão de alguns textos do livro que está para vir e li umas páginas de um livro sobre a autossuficiência e a vida no campo escrito em 1907. O seu autor foi Bolton Hall e o título é “Três hectares de liberdade”.

 

Comecei o dia 27 a ler os títulos dos jornais regionais e a seguir dei o habitual passeio com os cães. Há dias em que posso livremente fazer o que quero, outros como hoje tinha quatro eventos, por coincidência de horários fui forçado a fazer escolhas.

 

Recebi mais um livro, desta vez da autoria de Adélio Amaro sobre o acidente aéreo ocorrido na Algarvia em 1949.

 

Comecei o dia 28 a rever alguns textos para o livro que terá por título “Plantas Maravilhosas”. Agora o trabalho vai ser selecionar fotografias, pedir a amigos as que não tenho ou que tenham melhor qualidade e completar a redação da introdução, etc. Tenho trabalho para alguns longos dias…

 

Comecei o dia 29 a ler dois textos do livro “Intervir na Paisagem”, do arquiteto paisagista Fernando Pessoa. O primeiro, com o título “Jardins Sustentáveis e Vegetação Local” e o segundo intitulado “E a Madeira? O ciclo infernal do fogo e da chuva”.

 

Li num jornal que a homenagem a António Borges Coutinho tinha sido promovida pela família e por comunistas. Haja pachorra para aturar tanta ignorância ou voltamos ao tempo da outra senhora (fascismo) em que quem não pensava como eles era comunista ou terrorista? Ler jornais, por vezes, é saber menos!

 

29 de novembro de 2024

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Teixo

 


Sobre o teixo

 

Num texto publicado em 1983, no fascículo II do Volume I da “Iconographia Selecta Florae Azoricae”, A. Fernandes, que foi presidente da Sociedade Broteriana, sobre o teixo (Taxus baccata) escreveu que aquela espécie, que existia na Europa, Argélia, Marrocos, Norte do Irão e do Afeganistão ao Butão, nos Açores podia ser encontrada nas ilhas do Corvo, Flores e Pico.

 

O teixo é uma planta de aspeto arbustivo que pode atingir 14 m de altura. O seu tronco apresenta uma casca castanho-avermelhada, as folhas são aciculares e as flores masculinas são globulares, branco-amareladas, e as femininas são ovais, e de início verdes.

 

Sendo uma planta considerada nativa, A. Fernandes coloca a hipótese de ser “de introdução muito antiga nos Açores e que esta tenha sido feita a partir de sementes levadas pelas aves migradoras que, voando do norte da Europa, faziam escala nas ilhas no seu caminho para Sul ou Oeste”.

 

Gonçalo Telles Palhinha, por sua vez, no Catálogo das Plantas Vasculares dos Açores, publicado em 1966, já após a morte do autor, sobre a distribuição geográfica do teixo refere que para além de existir nas três ilhas mencionadas, também pode ser encontrado na Madeira e em Portugal continental. Sobre a sua situação em termos de abundância, o mesmo autor refere o seguinte:

 

“Seubert di-la cultivada-in hortis et circa domos- e acrescenta que os habitantes diziam ser espontânea nas montanhas. Devido a cortes quase totais, para aproveitamento da madeira, só existe actualmente nas ilhas citadas, ao que julgo, em pouquíssima quantidade e em via de desaparecimento.”

 

Num texto intitulado “Salvar o teixo dos Açores da extinção”, cuja data desconhecemos, da autoria de Cátia Freitas e Pedro Casimiro, pode ler-se que sobretudo devido à exploração intensiva do teixo para a construção de mobiliário, entre 1450 e 1760, e para uso da madeira como combustível a espécie quase desapareceu de tal modo que só existiriam 5 indivíduos na ilha do Pico.

 

Ao descrever a ilha de São Miguel; Gaspar Frutuoso, nas Saudades da Terra, a dado passo ao enumerar as espécies de plantas existentes refere-se aos teixos do seguinte modo:

 

“…ginjas, azevinhos, urzes, tamujos, uveiras,[…] e alguns teixos, que já se vão acabando por serem muito prezados e buscados, para deles fazerem ricas mesas e bordas delas, cadeiras e fasquias para ricos escritórios, que com ele se guarnecem e já agora se ajudam com outros teixos trazidos da ilha do Pico, onde há muitos, e sem eles, suprindo em seu lugar, para as bordas e fasquias, o sanguinho que é também singular pau para isso.”

 

Mas não foi só nos Açores que o teixo foi explorado intensivamente. Com efeito, A. Fernandes referiu que o mesmo aconteceu na Europa. Segundo ele “graças à flexibilidade da sua madeira, o Teixo foi muito utilizado na Idade Média para construir arcos e flechas, funcionando, portanto, as florestas da época dessas árvores como verdadeiros arsenais de guerra”.

 

Num texto intitulado “Teixo: tanto amado como odiado” José Luís Louzada menciona que “as partes verdes desta espécie contêm um potente alcaloide venenoso, a taxina, capaz de causar graves efeitos no sistema nervoso e cardiovascular dos animais, podendo levar à sua morte. A sua toxicidade levou à associação do teixo ao culto dos mortos e tornou-o comum em cemitérios. Mas a morte dos cavalos e burros que acompanhavam os funerais, assim como de outros animais que comiam as suas folhas, acabou por levar a que fossem retirados de cemitérios e igrejas, e eliminados de locais tradicionais de pastoreio” e acrescenta que “embora seja venenoso, o teixo que conhecemos em Portugal é a fonte do precursor do Taxol, um dos medicamentos mais procurados para o tratamento do cancro.”

 

Se foi preciso ter ido à ilha da Madeira para ver um teixo pela primeira vez, em 1990 ou 1991, hoje os amantes das plantas poderão encontrá-lo na ilha de São Miguel, nomeadamente no Jardim António Borges, em Ponta Delgada, que está aberto ao público todos os dias ou no Parque Dona Beatriz do Canto, nas Furnas, que só costuma estar aberto ao público no mês de agosto e no Jardim Antero de Quental, em Vila Franca do Campo.

29 de novembro de 2024

terça-feira, 26 de novembro de 2024

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

Cletra

 


Cletra

 

A cletra, verdenaz, (folhado ou folhadeiro, na Madeira) (Clethra arborea Aiton) é uma espécie, da família Clethraceae, oriunda da Madeira, que nos Açores apenas existe na ilha de São Miguel, onde se encontra naturalizada e apresenta um carácter invasivo, isto é, afeta de forma negativa os ecossistemas naturais e seminaturais.

 

Na Madeira, a cletra existe na sua Laurissilva do til (Ocotea foetens) e é considerada extinta nas ilhas Canárias. De acordo com Quintal (2022), como cultivada é possível encontrar a cletra em vários espaços, como o Campo de Educação Ambiental do Santo da Serra, a Quinta do Santo da Serra, o Parque Florestal do Ribeiro Frio, a Quinta Monte Palace e a Quinta Jardins do Imperador.

 

Atualmente, segundo Vieira, Moura e Silva (2020), nos Açores, a cletra é “muito comum na floresta da Laurissilva, ravinas, taludes das estradas e zonas perturbadas; geralmente entre 500-1000 m de altitude.”

 

A cletra é uma árvore pequena que pode alcançar 8 a 10 m de altura, com ritidoma liso, acastanhado ou acinzentado. As folhas apresentam uma coloração verde-pálido, são serradas, glabras na página superior e pubescentes na inferior. As flores, que surgem de agosto a outubro, são brancas, muito aromáticas e dispostas em cachos. Os frutos são cápsulas acastanhadas muito pequenas e felpudas.

 

Como terá chegado a cletra a São Miguel e com que objetivo?

 

Tal como muitas outras plantas, a cletra foi introduzida, na nossa ilha, intencionalmente como ornamental em jardins.

 

Antes de responder à questão, regista-se que segundo Gabriel (2019) os primeiros registos da presença da cletra fora dos jardins foram efetuados por João do Amaral Franco, em 1960, no Espigão dos Bois, no Nordestinho.

 

Sobre a introdução propriamente dita, o botânico sueco Erik Sjögren (1984), escreveu o seguinte:

 

“Foi provavelmente introduzida em São Miguel há cerca de 20 a 25 anos. Alguns exemplares escapados foram encontrados em 1965 pelo autor na Região do Pico da Vara. Em 1982 encontravam-se perfeitamente estabelecidos na Laurissilva e em grandes extensões. É o mais recente exemplo nos Açores das consequências, muitas vezes inesperadas, da introdução de plantas exóticas.”

 

Embora sem qualquer documentação que confirme a data mencionada por Erik Sjögren, conheço um relato onde é afirmado que chegaram em data aproximada à referida plantas vindas da ilha da Madeira para os Serviços Florestais.

 

Apesar do afirmado acima, a verdade é que a presença da cletra a São Miguel já ocorria no século XIX. Com efeito, em 1856, numa lista das principais plantas existentes no jardim de José do Canto já constavam 4 espécies do género Clethra, entre as quais a arborea.

 

De acordo com Jardim, Sequeira e Capelo (2007) para além de ser cultivada em jardins, na ilha da Madeira, “a madeira foi no passado utilizada em embutidos, carpintaria, marcenaria, utensílios domésticos, bem como para lenha. Dos seus caules a população madeirense obtinha bordões, cabos para ferramentas agrícolas e varas para pesca.”

 

Na ilha de São Miguel, a cletra expandiu-se de tal modo que já é possível encontrá-la em quase toda a ilha, não sendo muito comum em jardins e espaços ajardinados.

 

Mas nem tudo é negativo relativamente à presença da cletra em São Miguel. Com efeito, de acordo com Jaime Ramos (2005), a cletra é uma importante fonte de alimento para o priolo (Pyrrhula murina), ave endémica da ilha de São Miguel, durante o inverno, pois as suas sementes são consumidas entre outubro e março.

 

25 de novembro de 2024

domingo, 24 de novembro de 2024

Virusaperiódico (54)

 


Virusaperiódico (54)

 A manhã do dia 21 foi passada a pintar (paredes). De tarde andei por Vila Franca do Campo a colher alguma fruta e visitei uma pessoa amiga na Fajã de Cima que, de acordo com o meu telemóvel, está no fuso horário de Lisboa.

 No dia 22, de manhã dediquei algum tempo ao ativismo ambiental, a pôr em dia a correspondência e a ler alguns textos do livro que o arquiteto paisagista Fernando Pessoa me ofereceu recentemente. De tarde, voltei à pintura até ficar sem tinta. Acabei o dia a selecionar publicações para depositar na Biblioteca Pública de Ponta Delgada.

Li que o Tribunal Penal Internacional expediu um mandado de prisão contra o primeiro-ministro de Israel. Neste mundo, que anda de pernas para o ar, é mais fácil ele receber um prémio da paz do que ir parar a uma prisão qualquer.

No dia 23, impedido de ir trabalhar na terra, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental e à leitura do romance de José Eduardo Agualusa. Para descansar um pouco a vista estive a ajudar a fazer limpezas na cave.

Comecei o dia 24 a ler sobre Óscar Wilde que escreveu o seguinte: “O progresso é a concretização de Utopias”.  Sobre a “caridadezinha” a seguinte frase tirada da Wikipédia merece uma reflexão profunda:

"[...] a maioria das pessoas estraga suas vidas com um altruísmo insalubre e exagerado - são forçadas a isso, de fato, e assim são estragadas: ao invés de perceber seus verdadeiros talentos, gastam seus tempo resolvendo problemas sociais causados pelo capitalismo, sem eliminar a causa comum deles. Assim, pessoas preocupadas "seria e muito sentimentalmente dão a si mesmas a tarefa de remediar os diabos que veem na pobreza, mas seus remédios não curam a doença: eles meramente a prolongam". Para Wilde, "o objetivo adequado é tentar e reconstruir a sociedade de modo que a pobreza seja impossível".

 O dia foi de alguma limpeza no quintal e de alguns trabalhos domésticos.

Recordo que no dia 24 de novembro de 1906 nasceu o professor, pedagogo e poeta Rómulo de Carvalho/António Gedeão.

 24 de novembro de 2024

https://www.youtube.com/watch?v=DuGbpW-pGYg

sábado, 23 de novembro de 2024