sexta-feira, 18 de agosto de 2017

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Percurso Pedestre Calhetas - Poços



Percurso Pedestre Calhetas - Poços


O trilho que propomos hoje tem uma extensão aproximada de 6,5 km e pode ser realizado em aproximadamente duas horas, estando classificado como fácil. O início deste percurso, que é praticamente plano, tanto pode ser feito nas Calhetas como na zona balnear dos Poços, em São Vicente.

Este trilho é um dos mais antigos que os turistas percorrem, sendo um dos mencionados para São Miguel no livro “The Azores – Garden Islands of the Atlantic”, da autoria de David Sayers e Albano Cymbron, publicado em 1991.

Propomos o começo do percurso junto à igreja da localidade, na freguesia das Calhetas, a mais pequena e a menos populosa do concelho da Ribeira Grande.

A primitiva igreja remonta a meados do século XVI, tendo sofrido várias alterações até que em 1830 foi decidido o seu aumento e passou a adquirir “a feição arquitetónica que hoje apresenta”.

Depois de uma breve caminhada, que se inicia na Rua da Boa Vista e prossegue num estreito carreiro sobre a arriba, chega-se ao local do Buraco de São Pedro. Neste ponto podemos observar a linha da costa que vai desde a Ponta da Agulha até à Ponta do Cintrão. Na paisagem, a Sul, sobressaem os cones de escórias do Complexo Vulcânico dos Picos.

Ao longo do percurso é possível observarmos, entre outras, as seguintes aves: o pombo da rocha, o pardal, o canário da terra, a gaivota, o garajau comum, o milhafre, o estorninho e, em alguns meses do ano, o garajau- comum.

Em relação à vegetação existente em redor do Buraco de São Pedro, destacamos a diabelha, fava da cova, o bracel e o feto falcão.

Continuando o percurso, e depois de percorrida a Rua de São Pedro, entra-se na Rua Infante D. Henrique, onde se situa um ponto de paragem sobranceiro ao mar. Daqui podemos apreciar uma bonita paisagem do litoral, onde se pode avistar a zona balnear dos Fenais da Luz e, à esquerda, a Igreja da localidade, o Morro das Capelas e a Ponta da Agulha.

Seguindo sempre próximo do litoral, depois de passarmos o casario dos Fenais da Luz vamos encontrar uma zona onde é possível observar relheiras, que são sulcos escavados pelas rodas dos carros de bois na rocha vulcânica, que existem em várias ilhas e que testemunham do trabalho árduo dos nossos antepassados e do esforço, muitas vezes não compensado ou reconhecido, dos animais de tiro que foram grandes auxiliares do homem até ao aparecimento dos veículos motorizados.

O percurso pedestre termina, na freguesia de São Vicente Ferreira, no lugar designado por Poços, depois de ter percorrido todo o litoral da freguesia dos Fenais da Luz. Ao longo do percurso entre aquelas duas localidades, é possível encontrar, entre outras, as seguintes espécies da flora dos Açores: diabelha, vidália, tintureira, usai-dela, murta e feto marítimo.

Os Poços são hoje uma das principais zonas balneares da costa norte de São Miguel e outrora foram sede da única fábrica de transformação de cetáceos da ilha de São Miguel, construída em 1934. A fábrica, que se encontra, hoje, em ruínas, deixou de laborar em 1972, data em que cessou a baleação no Grupo Oriental do Arquipélago dos Açores.

Hoje, como forma de relembrar a atividade que teve grande importância para a localidade e homenagear os baleeiros, realiza-se, desde 1991, a Semana Baleeira que anualmente apresenta um programa composto por várias atividades culturais, recreativas e desportivas.

É de assinalar, nos Poços, a existência de um moinho de vento, construído nos finais do século XIX que pertenceu ao Engª. Santos Simões, que o adquiriu aquando da sua permanência em São Miguel, onde escreveu o seu monumental livro Azulejaria nos Açores e na Madeira, editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1963.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31307, 18 de agosto de 2017, p.13)

Carnaval

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

A Energia Nuclear no Estado Novo


A Energia Nuclear no Estado Novo


Ao longo dos tempos, no nosso país, tem surgido a ideia da utilização da energia nuclear para a produção de eletricidade. Neste texto, darei a conhecer o que se pensava fazer no Estado Novo e algumas notícias e textos sobre o assunto publicados na ilha de São Miguel.
Num texto publicado na revista “Brotéria”, em 1954, Abílio Martins, escreveu que, dado o “progresso técnico” alcançado, acreditava que “a construção e exploração industrial duma central atómica, destinada a valorizar os nossos minérios uraníferos e dar um largo apoio efectivo ao plano em marcha da nossa eletrificação, haja de se afirmar oportunamente como uma realidade triunfal”.

O autor referido, no seu texto, abordou a questão dos custos de produção das centrais atómicas que era mais elevado do que as centrais térmicas, mas mostrou-se otimista em relação ao assunto, como se depreende da leitura do seguinte extrato: “Ademais, a técnica da captação da energia nuclear encontra-se em decidida evolução, e tudo leva a crer que, dentro em breve, escolhendo bem o dimensionamento duma central “atómica”, possamos obter energia eléctrica a preços sensivelmente inferiores…”

Sobre o nuclear, o presidente do Conselho de Ministros, ao dar posse à Junta de Energia Nuclear, criada pelo Decreto-Lei nº 39580, de 29 de Março de 1954 e que tinha, entre outras atribuições, a de produzir e aproveitar combustíveis nucleares e produzir energia elétrica por via nuclear, disse: “…pode bem ser que a Providência, tendo-se mostrado avara connosco quanto a fontes conhecidas de energia – o carvão, os óleos minerais, mesmo a força hídrica – nos tenha compensado de alguma forma com um pouco de urânio e de outros minérios afins, mananciais a explorar no futuro”.

A 12 de fevereiro de 1958, o Dr. António Augusto Riley da Mota publicou no Correio dos Açores um longo texto intitulado “Milhões de graus…” onde abordou as duas formas de energia nuclear, a fissão, usada hoje nas centrais nucleares e que é fortemente contestada devido ao problema das radiações e dos resíduos nucleares, e a fusão que não tem os inconvenientes da fissão, sendo, portanto, uma forma de energia limpa.

No seu texto, o Dr. A. A. Riley da Mota, depois de referir que o cientista inglês Cockroft havia comunicado que “ele e os seus colaboradores estavam a ultimar uma grande descoberta”, escreveu o seguinte: “Tratar-se-ia da obtenção acessível de altíssimas temperaturas – da ordem de milhões de graus! – que permitiriam, dentro de poucos anos, fácil libertação de energia termonuclear a partir de elementos baratos, como o hidrogénio e semelhantes, especialmente o deutério, que abunda na água.”

A 10 de abril de 1958, o jornal “Correio dos Açores” publicou uma nota da ANI onde a dado passo se afirma que “dentro de dez anos a principal fonte de energia, para Portugal será atómica”. Na mesma notícia pode-se ler que estava a ser acelerada “a exploração dos jazigos de urânio no Norte do País” e em Angola e Moçambique estava “a ser executado um programa para a exploração de jazigos de urânio”. Por último, ainda se pode ler que “antes de dois anos, Portugal tenciona possuir a sua primeira estação geradora atómica”.

No dia 24 de dezembro de 1971, o Correio dos Açores publicou uma pequena nota onde se podia ler que sem centrais “electro-nucleares” não havia futuro e se previa que no ano dois mil 50% da energia elétrica seria produzida a partir de centrais nucleares.

A 3 de janeiro de 1974, o presidente da Junta de Energia Nuclear, general Kaúlza de Arriaga, considerou que aquele organismo era o “expoente maior da intelectualidade portuguesa e do conhecimento científico e da capacidade técnica nacionais” e acrescentou o seguinte: “Reactores térmicos de urânio natural ou ligeiramente enriquecido, reactores térmicos de urânio altamente enriquecido, reactores rápidos e fusão nuclear controlada constituirão, certamente, os marcos principais do caminho que salvará a Humanidade de uma penúria de energia que a conduziria a um retrocesso de séculos”.

Apesar das várias tentativas, não há centrais nucleares em Portugal e apesar da previsão otimista em relação à expansão da energia nuclear no mundo, em 2016, a energia nuclear era responsável por apenas 11% da energia elétrica produzida. A fusão nuclear, por seu turno, ainda não é uma realidade que se possa juntar às fontes renováveis de energia que estão em expansão no nosso planeta.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31306, 17 de agosto de 2017, p.13)

Charlot

terça-feira, 15 de agosto de 2017