terça-feira, 28 de março de 2017

O jornal “Estrela Oriental” e as aves



O jornal “Estrela Oriental” e as aves

No início do século passado, o jornal “Estrela Oriental” por várias vezes publicou textos onde alguém abordava a importância das aves para a agricultura e como forma de algumas pessoas passarem os seus tempos livres.

Num texto publicado a 28 de abril de 1900, o autor refere-se ao importante papel de combate às pragas de algumas aves que devem ser acarinhadas pelos agricultores. Entre as espécies mencionadas, destacamos o mocho e as corujas que “além dos ratos que destroem, devoram numerosos insetos noturnos e crepusculares”, o melro que “limpa os jardins das lesmas e caracóis”, a toutinegra que “caça no ar as moscas e mosquitos, e limpa as árvores de pulgões” e as alvéolas que, “em número de vinte”, “limpam em um dia uma colheita de todo o gorgulho”.

O texto termina com um apelo à proteção das aves que são seres “salvadores das nossas colheitas e, ao mesmo tempo, os infatigáveis cantadores dos jardins, dos campos e das florestas”.

Noutro texto, de 7 de abril de 1901, o jornal relata a história de M. Pol, um reformado que se entretinha com as aves existentes num jardim de Paris.

De acordo com a notícia, o senhor Pol que atribuía um nome a algumas aves de acordo com as suas características, para passar o seu tempo, dava-lhes alimento e estas, sem qualquer receio, iam comer às suas mãos.

Este segundo texto termina apelando aos leitores para compararem “o divertimento de M. Pol com o dos caçadores de pássaros à rede, que os atraem para lhes roubar a vida!”

Hoje, ainda há muitas pessoas que se dedicam às aves e é grande o número de pessoas que têm como passatempo a observação de aves, sendo os Açores um destino muito procurado para observação não só da avifauna nativa, mas também de aves marinhas e migradoras.
Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 31191, 28 de março de 2017, p.16)

quarta-feira, 22 de março de 2017

O Dr. Guilherme Fraga Gomes e a sua mata (1)

O Dr. Guilherme Fraga Gomes e a sua mata (1)


O Dr. Guilherme João de Fraga Gomes, filho de Maria Carlota de Faria de Fraga (natural do Corvo) e de João Cipriano de Gouveia Andrade Gomes, nasceu no Funchal no dia 11 de junho de 1875 e faleceu na mesma cidade no dia 9 de outubro de 1952.

O Dr. Fraga Gomes, formado na Escola Médico-Cirúrgica do Funchal, tendo concluído o seu curso no dia 13 de julho de 1897, veio para São Miguel a convite do seu conterrâneo Dr. José Maria dos Passos Henriques que exercia medicina na freguesia da Bretanha.

A 23 de julho de 1898, chegou a São Miguel, tendo-se fixado na Bretanha onde permaneceu um ano. O Dr. Fraga Gomes concorreu ao partido médico municipal da Maia, tendo sido nomeado para ocupar o cargo, passando a viver na Maia a 7 de agosto de 1899. Foi na Maia que passou grande parte da sua vida a exercer clínica geral, segundo ele “ a princípio desde a Lomba de São Pedro até à Ladeira da Velha, três anos depois, da Lomba da Maia até ao Porto Formoso, Ladeira da Velha”.

O Dr. Fraga Gomes não se limitou a exercer medicina, teve, também, uma participação cívica exemplar, sendo segundo o Dr. Francisco Carreiro da Costa “um dos grandes beneméritos da terra”.

De acordo com numa nota publicada no segundo volume do “Apontamento Histórico-Etnográfico de São Miguel e Santa Maria”, publicado, em 1982, pela Direção Escolar de Ponta Delgada “a 27 de outubro de 1919, reuniu-se um grupo de amigos da Maia que elegeram uma comissão iniciadora e fundadora de um pequeno hospital, constituindo a Assembleia Geral o Professor Manuel Jacinto da Ponte, Jaime Hintze e o Dr. Jacinto Gago de Faria e Maia, e a Comissão executiva o Dr. Guilherme de Fraga Gomes, José Melo Nunes, Padre João Joaquim Borges, Manuel de Sousa Leite e José Bento do Couto”.

Só cerca de 24 anos depois, a 8 de agosto de 1943 foi colocada a primeira pedra e no ano seguinte, no dia 24 de setembro de 1944, o mesmo foi inaugurado.

Mas, não foi apenas à medicina e à solidariedade ao próximo que o Dr. Fraga Gomes se distinguiu e se dedicou. Sobre o assunto, ele escreveu “o que fiz na Maia fora da minha profissão – o meu violino, foi a floricultura e a arboricultura”.

Sobre a sua paixão pelas plantas, o Dr. Carreiro da Costa, em artigo publicado no jornal “Açores”, de 11 de novembro de 1952, escreveu:

“ O seu amor às flores e às árvores esse ficou para sempre traduzido na magnífica mata do Outeiro Redondo, por ele criada e desenvolvida e hoje considerada uma das mais belas e ricas coleções botânicas existentes em São Miguel, a avaliar pelo que nos deixou escrito sobre “A Beleza dos Fetos”, ali existentes, em primoroso artigo publicado no nº 10 do Boletim da C.R.C.A.A. [1949]”.

No blogue da Associação Amigos da Mata, pode-se ler que a construção da mata “remonta ao século XIX, tendo sido finalizada na parte final dos anos 90 quando o seu proprietário terá introduzido a maior parte dos melhoramentos que são conhecidos com o propósito de valorizar a coleção botânica” e mais adiante refere-se à visita régia nos seguintes termos: “Conta-se que foi neste local que o rei D. Carlos e D. Amélia foram recebidos aquando da visita régia a São Miguel, em 1901”.

Temos algumas dúvidas em relação ao atrás mencionado, a não ser que a mata tenha começado a ser construída antes da chegada do Dr. Fraga Gomes à Maia e relativamente ao acolhimento dos reis de Portugal, até ao momento, não encontramos nenhum documento que o comprove.

O único relato que conhecemos da visita dos reis às Furnas com passagem pela Ribeira Grande é da autoria de Hintze Ribeiro e foi transcrito no jornal “A Estrela Oriental”, de 3 de agosto de 1901, não fazendo qualquer referência à mata. De acordo com o mesmo na Ribeira Grande ocorreu “a mais tocante e grandiosa receção”. Depois do acolhimento na então vila nortenha “ o almoço foi a meio caminho da Ribeirinha (….). Às 6 horas da tarde chegaram Suas Majestades às Furnas, hospedando-se em casa do Sr. Marquês da Praia”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31186, de 22 de maro de 2017, p.16)

terça-feira, 21 de março de 2017

Um parque zoológico que condena a Povoação ao ostracismo



Um parque zoológico que condena a Povoação ao ostracismo

Nos primeiros dias de fevereiro, foi divulgado um "Livro Negro do Parque Zoológico da Povoação" e um manifesto assinado por cerca de 100 pessoas propondo o encerramento daquele espaço que estará aberto há alguns anos apesar de desrespeitar a legislação em vigor.

Para os autores dos documentos mencionados, o parque zoológico tal como está ou com a remodelação anunciada, para além de não passar de uma prisão para os animais, não beneficia a economia local e, pelo contrário, é motivo para afastamento de visitantes ao centro da vila.

Para além dos relatos presentes, no livro citado, de cidadãos, sobretudo de outros países, que descrevem as más condições existentes para os animais, recebemos e divulgamos o depoimento de uma sócia de uma conhecida Agência de Viagens que afirmou ser "chocante" e "uma verdadeira vergonha… tratar animais dessa maneira", e acrescentou o seguinte: "Quando tenho grupos de turistas prefiro não parar no centro de Povoação para não mostrar uma vergonha e um crime …. A Camara devia fechar o espaço".

Sobre o referido parque no início deste ano circularam notícias que referem a morte, numa mesma semana, de dois macacos, um babuíno e um macaco-verde, sem que até hoje os responsáveis pelo espaço, indagados por uma associação local, tenham dado uma explicação para tal.

Termino, referindo que não se compreende que um espaço que não respeita a legislação, nomeadamente o Decreto-Lei nº 59/2003, de 1 de abril, alterado pelo Decreto-Lei nº 104/2012, de 16 de maio, continue aberto ao público, contribuindo para dar uma má imagem de um concelho que possui um património natural único no mundo, a freguesia das Furnas com todas as suas manifestações de vulcanismo e com os seus jardins botânicos e já possuiu uma rede de trilhos pedestres que metia inveja aos restantes concelhos da ilha.

Ao contrário do que propalam os autarcas a atração pelo centro da Vila não se fará só pelas fofas e muito menos pela remodelação do Parque Zoológico.

Ponham a imaginação a funcionar!

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31185, 21 de março de 2017, p. 13)

terça-feira, 14 de março de 2017

Mário Dionísio e o ensino

Retrato por João Abel Manta, 1949

Mário Dionísio e o ensino

Neste texto, pretendemos dar a conhecer um pouco do pensamento de Mário Dionísio (1916-1993) sobre a temática da educação, tendo por base o que ele escreveu e que está compilado no livro “O quê? Professor?!

Antes de entrarmos no assunto proposto, apresentamos sucintamente o percurso profissional de Mário Dionísio que foi pedagogo, poeta, ensaísta e pintor, tendo-se licenciado em Filologia Românica, em 1940, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

A sua dedicação ao ensino começou ainda antes da licenciatura, onde deu lições particulares e prosseguiu após esta. Concluiu o estágio pedagógico, em 1958, no Liceu Pedro Nunes, tendo prosseguido, até 1978, a lecionação no Liceu Camões.

Depois do 25 de Abril de 1974, foi presidente da Comissão de Estudo da Reforma Educativa e da Comissão Coordenadora dos Textos de Apoio que substituíram os antigos programas das várias disciplinas e terminou a sua vida profissional como Professor Associado Convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Mário Dionísio, depois do 25 de abril, recusou por duas vezes o convite para ser Ministro da educação, tendo também declinado o convite para presidir à instalação da Universidade Aberta.

Rui Canário, no prefácio ao livro citado, destaca quatro tópicos no pensamento pedagógico de Mário Dionísio. Neste texto, apenas, mencionamos três.

O primeiro diz respeito à profissão docente. Para Mário Dionísio “ser professor é uma profissão e não um emprego” e acrescenta” Um professor é para mim alguém de personalidade vincada, de sensibilidade aguda, de cultura geral apreciável e cultura especializada indiscutível”.

Sobre a pedagogia de Mário Dionísio, o autor citado considera-o “tributário de uma pedagogia racional (que integra as contribuições da sociologia e da pedagogia) e que se entrelaça com uma tradição que remonta aos libertários e à Escola Nova”. Para Mário Dionísio, “crítico da memorização inútil” …mas crítico também de conceções de não directividade” o ensino e a aprendizagem são: “ …uma responsabilidade dividida, mas nem por isso menos dirigida […] com a noção exata de que dirigir será fundamentalmente seduzir, atrair, guiar, guiar até à reflexão em comum e à prática comum, ponte de acesso para o desejo e o prazer da descoberta.”

Por último, Mário Dionísio defendeu a articulação entre a educação e a arte.

Mário Dionísio, que um dia escreveu: “faça-se negócio com tudo, menos com a educação e a saúde”, explicou por que razão escolheu ser professor, numa época em que “a imagem de professor estava intimamente ligada à de uma carreira humilde e pobretana”:

“ Pelo apelo inesquecível que havia nos olhinhos brilhantes daqueles pobres alunos tão vivos uns, tão mortiços outros, mas todos escandalosamente ludibriados nesse colégio de má morte? Pelo interesse que percebi ser capaz de despertar nalguns deles e pelo que eles pouco a pouco em mim foram despertando? Pela consciência nascente da importância humana e nacional da função do ensino? Por cedo ter compreendido que a criação literária em liberdade exigia não depender economicamente dela e o ensino me parecer a atividade (complementar) que com ela melhor se coadunaria?”

Mário Dionísio se hoje fosse vivo ficaria ainda mais desiludido com a situação do ensino em Portugal. Com efeito, em 1979, ele já denunciava “o contínuo abaixamento do nível da qualidade do ensino. Que não vem do 25 de abril, nem foi causado por ele. Que vem muito e muito de trás. E que se ele era (e é) muito útil aos propósitos do fascismo, só pode ser motivo de alarme e da mais profunda apreensão para todos nós.”

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31180, 15 de março de 2017, p.16)

Desmontando alguns argumentos mais comuns contra a incineração de resíduos


Desmontando alguns argumentos mais comuns contra a incineração de resíduos

Os detratores da incineração de resíduos são contra a mesma porque dizem que a energia produzida não é renovável.

Como vivemos numa sociedade de consumo e de esbanjamento de recursos, o que interessa é fazer o máximo de resíduos para depois serem usados para produzir eletricidade e tanto faz esta ser proveniente de fontes de renováveis ou não, o que importa é termos energia disponível para ser usada pelas pessoas.

A energia elétrica da incineradora de São Miguel é bem-vinda e se houver eletricidade a mais, não há problema. Com efeito, faz-se como na ilha Terceira, isto é, obriga-se as renováveis a ficarem paradas, mesmo que tenham de ser pagas para isto.

O negócio estará garantido pois serão sempre os consumidores a pagar. Não existem para isso?

Dizem, os que são contra a incineração, que esta cria menos postos de trabalho que a reciclagem.

Não se percebe por que razão há quem se preocupe com as questões do emprego. Na nossa sociedade o que interessa é que haja trabalho para alguns para manter a economia a funcionar.

Para os verdadeiros empresários o que é preciso é que haja muita mão-de-obra disponível para que os salários possam ser mantidos baixos, tornando assim as empresas competitivas.

Para o governo é importante que haja muito desemprego, pois só assim consegue manter os programas ocupacionais e disponibilizar o Rendimento Básico de Inserção, criando a ilusão de que estão a fazer um favor a quem está com dificuldades.

Por último, sem pessoas a viver na miséria como se manteriam as várias organizações oficiais ou particulares ditas de solidariedade social? Se tal acontecesse, acabava-se a caridade e há muita gente a arrotar que ficava sem nada para fazer.
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As incineradoras não são uma opção de manipulação de resíduos economicamente rentável e as incineradoras disfarçadas, como a gaseificação, ainda menos.

Este argumento seria válido se a sociedade fosse homogénea, isto é, se não houvesse empreendedores e colaboradores ou como diziam os adeptos de Marx, donos dos meios de produção e vendedores da força de trabalho.

Como tal não acontece, as incineradoras são sempre um bom negócio para quem as vende e para as empresas que as constroem ou as gerem. Com efeito, vendendo mais ou menos eletricidade, quer esta seja necessária ou não, os lucros estão sempre garantidos pois são as famílias que são obrigadas a pagar as taxas de resíduos aos preços que os políticos (autarcas e governantes) quiserem.

As incineradoras ao competirem com os programas de reciclagem inviabilizam esta última.

Não é mentira nenhuma, mas não pensamos que haja algum mal nisto já que o que pretendemos é resolver o problema dos lixos sem incomodar as pessoas. Mas não é só com a questão dos resíduos que dispensamos a participação dos cidadãos na vida cívica, não temos qualquer interesse que se associem para resolver os problemas com que a sociedade se debate, a nossa única preocupação é com a abstenção nos atos eleitorais.

No que diz respeito aos resíduos há muitos anos perseguimos o sonho da incineração por isso nunca apostamos a sério na implementação da política dos 3 R e sobretudo nunca quisemos fazer nada para que a sociedade reduzisse a produção de lixos.

A verdade é que os ambientalistas, pelo menos a maioria, também nos têm dado uma grande ajuda, isto é, têm esquecido o primeiro R, a redução, e pouco falam no segundo, a reutilização. Além disso, também registamos com apreço a mudança de opinião de alguns deles que antes não aceitavam a incineração e hoje já a toleram e até propõem para São Miguel uma incineradora, mas com menor potência.

As modernas incineradoras de resíduos da Europa continuam contaminando o clima e provocam um sério risco para a saúde e queimam muito dinheiro quer na sua construção quer na manutenção.

È claro que há sempre contaminação, mas que interessa isso quando comparado com o dinheiro que vai para os bolsos dos promotores da incineração. Quanto ao risco para a saúde, toda a atividade humana está associada a riscos para a saúde e contaminação do ambiente.

Os detratores da incineração podem mostrar os estudos que quiserem que nós conseguimos também apresentar estudos a dizer que os riscos são mínimos e que compensam, pelo menos para a parte mais nobre da sociedade, os detentores do poder e os grupos económicos mais poderosos.
J.S.
Março de 2017

Preso defendido com recurso a lei de proteção de animais


Preso defendido com recurso a lei de proteção de animais

Em 1935, ocorreu no Brasil uma revolta comunista que foi chefiada pelo oficial do exército brasileiro Luís Carlos Prestes, cuja “biografia poética” foi parcialmente escrita pelo escritor Jorge Amado, no seu livro “O Cavaleiro da Esperança”.

A revolta fracassou e Luís Carlos Prestes acabou por ser preso, tal como muitos dos organizadores da mesma, entre os quais a sua mulher Olga Benário Prestes que grávida foi entregue à Alemanha nazi, tendo tido uma filha na prisão, Anita Leocádia Prestes, antes de ter sido uma das 200 mulheres executadas numa câmara de gás, em 1942, na cidade de Bernburg.

Outro dos prisioneiros foi o alemão Arthur Ewert que foi amnistiado em 1945 e que acabou por morrer, em 1959, na antiga República Democrática Alemã, sem ter recuperado a razão.

O advogado Sobral Pinto que era anticomunista mas que acreditava que se deve “odiar o pecado e amar o pecador” ofereceu-se para defender tanto Prestes como Ewert, embora sabendo que “o comunismo nega Deus, afronta Deus” mas compreendendo “que os comunistas façam isso por serem pecadores”.

Sobral Pinto foi bem-sucedido no seu trabalho, tendo conseguido que Prestes passasse a receber correspondência da família. No caso do comunista alemão, que fora, tal como muitos outros alvo de torturas diversas, Sobral Pinto socorreu-se de uma notícia que mencionava o caso de um cidadão que havia sido condenado a prisão por ter morto um cavalo por espancamento. Segundo, Fernado Morais, autor do livro “Olga - a vida de Olga Benário Prestes” que é a principal fonte usada neste texto, o mencionado advogado “recorreu a um artigo da Lei de Proteção dos Animais para tentar salvar a vida de Ewert. A lei dizia que “todos os animais existentes no país são tutelados do Estado” – e já que a lei dos homens era insuficiente para impedir o flagelo do alemão, pelo menos que fosse protegido como um animal para que as torturas cessassem”.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31179, 14 de março de 2017, p. 14)

segunda-feira, 13 de março de 2017