quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Recordando a Dr.ª Natália de Almeida


Recordando a Dr.ª Natália de Almeida

No passado dia 14 de setembro, faleceu a minha antiga professora de Introdução à Política, no ano letivo 1974/75, na Escola Secundária Antero de Quental e mais tarde minha colega no mesmo estabelecimento de ensino.

A disciplina de Introdução à Política surgiu, após o 25 de Abril de 1974, para substituir uma intitulada Organização Politica e Administrativa da Nação que se destinava a dar a conhecer aos alunos, entre outros conteúdos, a Constituição, o Código Administrativo e o Estatuto do Trabalho Nacional do Estado Novo.

Se as aulas de Organização Politica e Administrativa da Nação eram muito maçadoras e verdadeiramente desinteressantes, acredito que não por inteira culpa do professor, as de Introdução à Politica, eram completamente diferentes, não só devido aos tempos de esperança que então se viviam, mas também, ou sobretudo, fruto das qualidades didáticas da docente que a todos entusiasmava, apelando à participação ativa de todos os alunos.

Alguns anos mais tarde, como já referi, voltei a encontrar-me, no mesmo estabelecimento de ensino, com a Dr.ª Natália de Almeida, mas já na qualidade de professor de Física e Química, tendo na altura, colaborado com um projeto que ela manteve durante alguns anos, o suplemento cultural “O Pedagogo”.

O Pedagogo, segundo a Drª Natália de Almeida, tinha como desígnio “criar um espaço em que a cultura tenha lugar privilegiado. Queremos fazer deste suplemento um estímulo vário que ajude cada leitor a saber mais, a refletir melhor, a dialogar mais, a ascender a níveis mais elevados de fruição intelectual”.

Para além do meu pobre contributo com textos sobre a causa ambiental, “O Pedagogo” contou, no ano de 1989, com a colaboração de Eduardo Jorge Brum, Urbano Bettencourt, Dias de Melo, Judite Jorge, António Melo Sousa, Clotilde Cymbron, Maria Angelina Balacó Amaral, Victor de Lima Meireles e Fernando Aires.

Numa altura em que para além da crise económica, social, política e ambiental se assiste a uma perda de valores e a um regresso ao autoritarismo, ler os textos escritos pela Drª Natália de Almeida, para além de ficarmos melhor a conhecer o seu pensamento, poderá ajudar-nos a refletir e a agir nos dias de hoje para a construção de uma sociedade mais livre, democrática e mais justa.

Sobre a liberdade, a Dra. Natália de Almeida escreveu, no suplemento publicado a 14 de outubro de 1989, que a liberdade de pensamento não é a liberdade de pensar mas sim “o direito de exprimir o seu próprio pensamento perante os outros e de procurar com que os outros partilhem dele”. Ainda sobre este assunto, escreveu que “os regimes de força (ditaduras de esquerda e de direita nas suas mais sofisticadas formas) têm a liberdade de pensamento como o primeiro inimigo a abater. É impedindo a livre comunicação de ideias, críticas, denuncias, que os ditadores de todos os tempos se têm conseguido manter de pé”.

No suplemento nº 5, publicado a 25 de novembro de 1989, é abordada a noção de cultura. No seu texto a Dr.ª Natália de Almeida, depois de apresentar vários conceitos chama a atenção para o facto de ser “perigoso usar cultura sem especificar qual o sentido ou significado da palavra” e acrescenta:

“É que RESPEITAR A CULTURA PODE SER UMA FORMA DE DESINVESTIMENTO CULTURAL, ou seja pode-se afogar o que há de novo em nome da manutenção do que é tradicional, mesmo que seja pobre e atrasado (já que há que salvaguardar o que, sendo tradicional, é rico e autêntico).”

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 30769, 28 de outubro de 2015, p.12)

http://www.rtp.pt/acores/cultura/morreu-natalia-almeida_48110

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Os animais têm direitos?


Os animais têm direitos?

Uma princesa inglesa afirmou, recentemente, que os animais não têm direitos porque não têm conta bancária, não votam e que só deve ter direitos quem paga impostos.

Entre nós, um acérrimo defensor da tauromaquia afirmou que não há qualquer problema em torturar os touros por não terem quaisquer direitos já que só deverão ter direitos quem for capaz de resolver o teorema de Pitágoras.

Esta última afirmação, tal como a anterior, é deveras preocupante pois se a estendermos aos humanos, bebés, crianças e todos os que nunca aprenderam o dito teorema ou os que já o esqueceram não deverão ser titulares de quaisquer direitos, podendo consequentemente ser vítimas de maus tratos, discriminados, torturados, escravizados, etc.

Não pretendendo discutir aqui a questão dos direitos dos animais, o nosso objetivo com este curto texto é dar a conhecer um livro, publicado recentemente, intitulado “Sim! Os animais têm direitos”, da autoria de André Nunes, licenciado em direito pela Universidade Católica Portuguesa, que, desde 2009, se dedica ao estudo dos direitos dos animais, quer sob o ponto de vista jurídico, quer filosófico.

Por muito que custe a algumas cabeças pouco abertas à evolução das mentalidades, é cada vez maior o número de pessoas que em todo o mundo se preocupam com a vida dos animais não humanos e lutam para que a sua situação melhore. Segundo Paulo Borges, autor do prefácio, ao referido livro, “a ética animal, a par da ambiental, é hoje uma das áreas de investigação mais florescentes nos estudos académicos e a questão dos direitos dos animais e da natureza tornou-se central ao debate filosófico-jurídico contemporâneo”.

O livro, de fácil leitura, possui cinco capítulos, sendo o primeiro mais teórico, onde o autor define “o limite a partir do qual devem os animais ser considerados eticamente”. No segundo capítulo, o autor responde às objeções feitas à defesa dos direitos dos animais, no terceiro é rebatida a argumentação “que se centra mais no mensageiro do que na mensagem argumento”, no quarto capítulo é desmascarada a estratégia “assente no rótulo do tratamento bom e humanitário” nas várias indústrias de exploração de animais. Por último, no quinto capítulo o autor propõe-se “encontrar uma resposta para a questão: como devemos tratar os animais não-humanos””

As opiniões do autor, que não aceita “que a espécie humana se coloque a ela própria num patamar à parte” da mesma maneira que não aceita que os animais sejam colocados “numa redoma inquebrável”, com certeza irão causar algum desconforto a quem não tem o espírito aberto a admitir ideias diferentes das suas ou a quem, por preguiça mental, não está habituado a refletir, sem preconceitos, sobre os mais diversos assuntos.

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 30768, de 27 de outubro de 2015, p.6)

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Memória

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Ano Internacional da Luz

Fonte: http://parquedaciencia.blogspot.com/2014/03/isaac-newton-o-pai-da-fisica-moderna.html

O ano de 2015 foi proclamado, pelas Nações Unidas, como o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas na Luz., como forma de reconhecimento da importância das tecnologias baseadas na luz na promoção do desenvolvimento sustentável e na busca de soluções para os desafios mundiais nas áreas de energia, educação, agricultura, saúde, etc.

Se na maior parte das vezes as comemorações dos diversos anos internacionais pouco adiantam em termos de resolução dos problemas concretos das pessoas, no caso em apreço, pelo menos nos Açores, não se conhece qualquer iniciativa para o assinalar, por mais simbólica que seja.

No texto de hoje, sucintamente, apresentarei alguns físicos que com as suas teorias e investigações contribuíram para um melhor conhecimento da luz e consequentemente tornaram possível diversas aplicações das tecnologias nela suportadas.

O primeiro físico que vamos mencionar neste texto é o inglês Isaac Newton (1643-1727), conhecido pela sua obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, onde descreve a lei da gravitação universal e as três leis de Newton, que fundamentaram a mecânica clássica que é a que é ensinada, ainda hoje, nas nossas escolas, no terceiro ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário.

Mas, para além do seu monumental contributo para a física, Newton também se dedicou à astronomia, à matemática, à filosofia natural e à teologia.

No que à luz diz respeito, Newton propôs a teoria corpuscular segundo a qual a luz é constituída por pequenas partículas que são emitidas pelas fontes luminosas. A teoria corpuscular explicava muito bem os fenómenos da reflexão e da refração.

Newton, também, explicou por que razão a luz branca pode ser decomposta em “luzes de várias cores”. Este fenómeno ótico que se denomina dispersão foi observado por ele em 1672 quando fez atravessar por um prisma um feixe de luz branca.

Newton, que segundo o físico português Carlos Fiolhais conseguiu ofuscar “a grande maioria dos seus opositores” não foi capaz de fazer sombra ao físico holandês Christiaan Huygens (1629-1695) que defendeu que a luz era uma onda que se propagava no éter, o qual, no final do século XIX, se provou não existir.

Depois do confronto entre as duas teorias, que durou muito tempo, a ondulatória de Huygens ganhou adeptos pois conseguiu explicar os fenómenos da difração e interferência da luz que a corpuscular não era capaz de o fazer.

Mas, uma questão permanecia por responder: afinal, o que é a luz?

A resposta foi dada pelo físico e matemático escocês, James Maxwell (1831-1879), cujo trabalho em prol da ciência foi considerado por Albert Einstein “o mais profundo e frutífero que a física descobriu desde Newton". Para ele a luz estava relacionada com a eletricidade e com o magnetismo, sendo, segundo Pierre Guaydier, uma onda luminosa representada “pela associação de um campo magnético e de um campo elétrico periodicamente variáveis com uma frequência muito grande, propagando-se estas variáveis à velocidade de 300 000quilómetros por segundo”.

Como é impossível fazer referência a todos os físicos que contribuíram para o estudo da luz, para terminar este texto, farei uma breve referência ao físico teórico alemão, naturalizado americano, Albert Einstein (1879-1955), que soube conciliar as duas teorias, a corpuscular e a ondulatória, dizendo que uma teoria explicava bem alguns fenómenos enquanto a outra explicava outros.

Para além disso, Einstein explicou, em 1905, o efeito fotoelétrico, o qual consiste em arrancar eletrões de uma superfície metálica quando sobre ela incide luz, o que lhe valeu, em 1921, o prémio Nobel da Física.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30763, 21 de outubro de 2015, p.13)

Garajaus


Foto: José Pedro Medeiros

Um espaço para os garajaus

Em Nota Zoófila anterior o tema foi a campanha SOS cagarro. Nesta, vou escrever sobre outras aves marinhas, os garajaus.

Para tentar explicar o que são os garajaus e sobretudo a diferença entre eles, transcrevo um excerto de um texto de apoio a uma sugestão para uma aula de educação ambiental cuja autoria é do Doutor Luis Monteiro:

“Os garajaus são aves marinhas coloniais, com caudas bifurcadas e de aspecto mais aerodinâmico do que as gaivotas. O garajau-comum apresenta as asas de um cinzento mais escuro do que as do garajau-rosado. A asa do garajau-comum é ligeiramente menor do que a do rosado e o bico é predominantemente vermelho (só a ponta é preta) enquanto o bico do garajau-rosado é predominantemente preto. No Verão o garajau-rosado apresenta o peito tingido com um tom róseo leve. Em voo nota-se que esta espécie é, de um modo geral, mais clara do que a outra”

Os garajaus, comum e rosado, foram, nos Açores, as primeiras aves marinhas a ser alvo de uma campanha de sensibilização, a qual foi lançada, em março de 1993, por iniciativa do Doutor Luís Monteiro, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e que contou com a colaboração da associação ecológica Amigos dos Açores que, naquele ano e em anos posteriores, editou milhares de folhetos sobre as duas espécies, que foram distribuídos essencialmente nas escolas, e promoveu pequenas exposições, também em escolas e em sedes de juntas de freguesia.

Dois anos antes do início da campanha referida, o Doutor Luís Monteiro, numa comunicação apresentada no 2º Encontro de Ambiente, Turismo e Cultura, realizado, em Janeiro, na cidade de Angra do Heroísmo, realçou a importância dos Açores tanto para o garajau comum como para o rosado. Segundo ele, os Açores eram a área de nidificação mais importante para o garajau rosado, na Europa, e a população nidificante do garajau comum representava cerca de 4% da população existente, também, na Europa.

Em termos de números, nidificavam nos Açores cerca de 1000 casais de garajau-rosado, o que correspondia a dois terços da população europeia e 4000 casais de garajau-comum.

Um levantamento estatístico, recentemente divulgado, revelou que no ilhéu da Praia, na Graciosa, existe a segunda maior colónia europeia de garajau-rosado, com cerca de 600 casais e que nos Açores nidificam cerca de 50% dos garajaus rosados da Europa.

Face aos números expostos e a alguns problemas existentes nas colónias faz todo o sentido continuar a investigação e a tomada de medidas para evitar a perturbação pelo homem e a predação por roedores.


Teófilo Braga

(Correio dos Açores,30762, 20 de outubro de 2015, p.14)

domingo, 18 de outubro de 2015

Ecologia, o que é?


30 de outubro de 1989

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (6)


Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (6)

A 11 de Junho de 1938, o Correio dos Açores noticiou que em virtude de queixas apresentadas pela SMPA-Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, estavam presos um indivíduo das Calhetas que maltratou um cão e outro dos Fenais da Luz que havia atirado uma cabra do alto de uma rocha, provocando a morte do animal. Na mesma notícia é referido que o Secretário da SMPA havia feito “apreensões de aguilhões” e advertido “alguns condutores, cujos veículos eram deslocados por animais chagados” e que a SMPA havia fornecido ao posto zootécnico “vomitivos, clorofórmio e algodão hidrófilo”.
A 16 de Setembro de 1938, morre Alfredo da Câmara. A direção da SMPA, através de anúncio publicado no dia seguinte, no Correio dos Açores, convidou “todos os seus consócios a incorporarem-se no préstito fúnebre que acompanhará à sua última morada o seu prestante colega, sócio fundador da mesma agremiação”.
Em 1941, segundo o “Correio dos Açores”, de 8 de Março, com a devida autorização da Junta Geral e a solicitação da SMPA, o Posto Zootécnico de Ponta Delgada, passou a receber todos os animais feridos ou doentes encontrados na via pública que podiam ser entregues a qualquer hora do dia, pois no mesmo pernoitava um guarda.
A 14 de Maio de 1941, o Correio dos Açores, noticiava a abertura para breve de um Posto Veterinário que passaria a funcionar no Posto Zootécnico, dirigido pelo Dr. Vitor Machado Faria e Maia.
A SMPA colaborou com o referido posto através da oferta de medicamentos e da cedência de algum mobiliário.
Ainda de acordo com o que se pode ler na notícia referida, os tratamentos eram pagos, mas os sócios da SMPA tinham direito a desconto.
Em 1941, a SMPA subsidiava “monetariamente alguns animais abandonados, que tem sido necessário hospitalizar e a que é preciso fornecer alimento, enquanto não se lhes dá destino adequado”.
A 16 de Janeiro de 1944, realizou-se uma Assembleia Geral da SMPA, na sede da Associação dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, cedida para o efeito pelo seu comandante, o sr. Eduíno Geraldes Botelho.
De acordo com notícia publicada no Correio dos Açores de 24 de Janeiro de 1945, no ano anterior, 1944, o Posto Veterinário, que funcionava numa dependência do Posto Zootécnico, tratou 685 (seiscentos e oitenta e cinco) animais.
Ainda de acordo com a mesma notícia, a direção da SMPA encontrava-se a “reunir fundos suficientes para a construção de um Hospital Veterinário, e das quotas pagas pelos sócios fornecia os medicamentos solicitados pelo Dr. Vitor Faria e Maia para colmatar as necessidades do Posto Veterinário, para além de subsidiar o enfermeiro-veterinário em serviço no Posto, o sr. Moniz Berenguer. Estava a cargo da SMPA a recolha e o envio ao posto dos animais doentes ou feridos encontrados na via pública.
Em Agosto de 1945, ter-se-á realizado a última reunião assistida por Alice Moderno, com a presença de Olga Amélia Lima, Francisco Silveira Rodrigues, José Soares de Albergaria e Luciano Mota Vieira e Maria Evelina de Sousa, em representação de Oliveira S. Bento, na qual foi debatido o problema que preocupou a sociedade desde o início, o peso excessivo da carga que os animais eram obrigados a suportar.
Em 1948, quando entrou em funcionamento nas instalações do Posto Zootécnico o denominado Hospital Alice Moderno, faziam parte dos órgãos sociais Fedora Serpa Miranda, presidente da direção, Luciano de Rezende Mota Vieira, Francisco Silveira Rodrigues, Maria da Conceição Sequeira de Medeiros Gonçalves, Maria Eduarda Câmara Ataíde Mota, António de Lemos Alves de Sousa Gomes, Jacinto Viveiros, Victor da Silva Pedroso e Manuel Albano Botelho de Medeiros.

(Continua)

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30757, 14 de outubro de 2015, p.11)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Como se faz um aficionado de touradas?



Como se faz um aficionado de touradas?

Em todo o mundo, cresce a condenação à presença de crianças em espetáculos tauromáquicos, quer como participantes ativos, quer como simples assistentes, havendo alguma legislação que considera mau trato infantil, o mau trato animal cometido na presença de crianças.

O Comité dos Direitos da Criança da ONU já se pronunciou por duas vezes, em 2014, em relação a Portugal, e em 2015, em relação à Colômbia, sobre o assunto tendo-se manifestado contra a presença de crianças e adolescentes como participantes ou simples assistentes em touradas ou outras atividades tauromáquicas. O referido comité, também, recomendou que os mencionados países implementassem medidas para a aplicação efetivada Convenção dos Direitos da Criança e promovessem campanhas de informação sobre “a violência física e mental associada à tauromaquia e ao seu impacto nas crianças”.

Como é sabido, tanto a nível nacional como nos Açores, nada se faz para que as recomendações da ONU sejam respeitadas. Pelo contrário, a indústria tauromáquica, com a conivência das autoridades, continua a incentivar a presença de crianças em atividades tauromáquicas, promovendo, como a Tertúlia Tauromáquica Terceirense, atividades para elas especialmente dedicadas.

Então, por que razão nem o governo nacional, nem o regional fazem algo para travar a contínua investida da indústria tauromáquica no sentido de garantir que a sua atividade sangrenta e deseducativa perdure ao longo dos tempos?

Não temos dúvida que é a cobardia face a um poderoso lobby que não se importa de manchar o bom nome da região a nível internacional, pois o que lhe interessa é apenas prosseguir com a sua atividade ruinosa, para a economia regional, mas altamente rentável para as suas empresas, já que para elas são canalizados fundos de uma hipócrita Comunidade Europeia.

Além do exposto, os diretamente beneficiados com a indústria tauromáquica, eles também alvo de lavagens cerebrais enquanto crianças, para garantir os seus negócios sabem que apesar do repúdio inicial das crianças face aos maus tratos infligidos aos touros e cavalos, com a repetição, aquelas acabam por os aceitar e, tal como acontece com as drogas, acabam por ficar delas dependentes.

Para terminar, apresenta-se um extrato de um interessante livro da autoria do Dr. Augusto Ataíde, editado, em 2006, pela Bertrand, onde o autor explica como se tornou aficionado:

Ainda numa infância remotíssima, fui pela primeira vez com o Avô Valenças e os Pais à tourada na velha praça de Algés. Logo à chegada, marradas, cornetas e gritarias fizeram-me dar berros de pavor. Que obrigaram o meu pobre Pai, então gordíssimo, primeiro a furar pela multidão com o trambolho ao colo, tropeçando em direcção à saída e, depois — como oportunamente me tivesse calado e manifestasse o desejo de voltar para a Mãe — a subir o mesmo calvário na direcção inversa... Assinalo que o reencontro com a Mãe foi construtivo: logo assegurou o meu bom comportamento para o resto da tarde, não propriamente com o corte de orelhas ou rabo, mas por meio de um bom puxão das primeiras e de algumas palmadas no segundo. As minhas pazes com a «festa» ficaram estabelecidas logo ali e a afición, embora moderada e pouco assídua, durou a vida inteira.


Açores, 11 de outubro de 2015

Mariano Soares

Os animais têm partido?


Os animais têm partido?

Foi com surpresa que, na manhã de 5 de outubro, tomei conhecimento de que a Assembleia da República passaria a contar com um deputado de um novo partido politico, o PAN – Pessoas-Animais- Natureza, eleito curiosamente no Dia do Animal.
Se a eleição do deputado do PAN é uma vitória para os atuais dirigentes, pois não há muito tempo houve grandes divergências no seu interior que culminaram com a saída de vários membros, entre os quais o seu presidente, o professor de filosofia da Universidade de Lisboa, Paulo Borges, é, também, uma esperança para muitos defensores dos animais e para as associações animalistas.
A eleição do engenheiro civil André Silva, também, pode ser uma indicação do crescente peso da causa animal na sociedade portuguesa que supera, em termos de envolvimento cívico, o movimento ecologista/amboentalista que nunca conseguiu eleger, autonomamente um representante seu na Assembleia da República.
Sobre este assunto, relembro que até ao surgimento do PAN que também se diz ecologista, os partidos desta área, isolados, nunca conseguiram eleger um deputado. Com efeito, o Partido Ecologista “Os Verdes” tem estado representado, na Assembleia da República, integrado na Coligação Democrática Unitária e o MPT- Movimento Partido da Terra esteve lá presente através dos deputados Pedro Quartim Graça e Luís Carloto Marques, eleitos em listas do PSD.
Embora o PAN, que foi legalizado a 13 de janeiro de 2011 e que inicialmente chamava-se PPA- Partido pelos Animais, pretenda unificar as diferentes causas explícitas na sua atual designação “Pessoas- Animais- Natureza”, é a proteção dos animais a que mais mobiliza os seus filiados e simpatizantes, tal como mobiliza em todo o mundo milhões de pessoas a título individual ou agrupadas nas mais diversas associações.
Se se fizesse um inquérito a perguntar aos militantes da causa animal quais as suas orientações políticas e/ou filiações partidárias, não tenho dúvidas de que as respostas levariam à conclusão de que há quem seja do centro, da direita ou da esquerda e de que as filiações abrangeriam todo o leque de organizações partidárias existente em Portugal e outros, se calhar a maioria, não pertencem a qualquer partido político.
Em termos de síntese, se há partidos, uns mais do que outros, que abraçam a causa da proteção dos animais, estes não têm partido, precisando da compaixão e respeito de todos.
Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 30756,13 de outubro de 2015)

https://www.facebook.com/PANpartido?fref=ts

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ainda sobre livrarias e livros


Ainda sobre livrarias e livros

Em texto anterior, escrevi sobre algumas livrarias que sempre que posso costumo visitar e adquirir as novidades que muitas vezes não chegam aos Açores. Hoje, faço referência a outra, à Feira da Ladra e a alguns livros adquiridos este ano.
Uma livraria que vale a pena visitar é a Fonte das Letras, localizada em Évora. Com 15 anos de existência, a livraria que é generalista dedica uma atenção especial às pequenas editoras e possui um programa cultural ao longo do ano.
De entre as aquisições que fiz, destaco o boletim “O Gorgulho”, boletim informativo sobre biodiversidade agrícola da associação Colher para Semear, a separata nº 1 do Gorgulho, intitulada “Pierre Rabhi em Nome da Terra”, com uma seleção de textos de Pierre Rabhi, um agricultor francês que é “um dos pioneiros da agroecologia”, sendo um dos “grandes vultos que têm vindo a desbravar o terreno conducente a uma agricultura respeitadora dos princípios vitais de existência na Terra”.
Um livro, necessariamente polémico, que adquiri foi “Fátima, SA”; A beatice, contra a Fé de Jesus; O Dinheiro, contra Deus Abba-Mãe; A mítica deusa, contra Maria, a mãe de Jesus”, da autoria do controverso presbítero e jornalista Mário de Oliveira. O autor do livro é o conhecido e polémico Padre Mário da Macieira da Lixa que durante o Estado Novo foi duas vezes preso pela Pide, tendo sido acusado de subversão pelo Tribunal Plenário do Porto.
Outro livro que mais do que leitura deve ser de consulta obrigatória é o Dicionário no Feminino (séculos XIX e XX), com 900 páginas e 3000 entradas, editado pela Livros Horizonte, sob a coordenação de António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu e Maria Emília Stone.
Como no melhor pano cai a nódoa, o historiador José Pacheco Pereira considera que o mesmo foi uma oportunidade perdida, tendo notado várias ausências injustificadas. Sobre esse assunto, transcreve-se abaixo um excerto de um texto da sua autoria:

“Na área que conheço melhor, a da política oposicionista, o “Dicionário” é pouco útil apesar do seu título genérico e enganador, e a intenção expressa de retratar o “emergir das mulheres na vida da sociedade”. Lá vem uma lista detalhada de entradas sobre congregações religiosas, organizações republicanas e maçónicas mas muito pouco sobre organizações políticas de mulheres depois de 1926. Onde está o Movimento Democrático das Mulheres e os seus percursores? Onde está a Associação Feminina Portuguesa para a Paz, cujas listas são usadas, mas que não tem entrada autónoma como organização? Onde está a Obra das Mães para a Educação Nacional, ou o Movimento Nacional Feminino?
Um local onde se pode adquirir livros em segunda mão a bom preço é a Feira de Ladra, a mais antiga feira da cidade de Lisboa, que se realiza à terça-feira e ao sábado.
Este ano, comprei o Dicionário de Mulheres Rebeldes, editado, em outubro de 2006, pela Ela por Ela, a primeira editora feminista portuguesa, fundada e dirigida por Ana Barradas que é também a autora do livro.
No mencionado livro há referência a quatro mulheres açorianas ou com ligações aos Açores: Alice Moderno, Ana Sara Brito, Clarisse Canha e Fátima Sequeira Dias.
Sobre Alice Moderno o livro refere que foi uma “senhora de uma grande cultura geral… notada pelos seus conhecimentos de mitologia grega, a Bíblia, a história de Portugal e a história da Rússia”. Também refere que “manteve correspondência com Tolstoi, foi professora, jornalista, escritora e diretora de um jornal local, A Folha”.
Em relação a Ana Sara Brito que foi enfermeira e professora de enfermagem o livro menciona que “entre 1963 e 1965 esteve na direção do Programa de Proteção Materno-Infantil dos Açores”.
Acerca de Clarisse Canha, Ana Barradas escreve que foi militante católica antes do 25 de abril de 1974 e que “é membro da direção nacional da UMAR e da delegação nos Açores”.
Sobre Fátima Sequeira Dias, através da leitura do livro fica-se a saber que era professora universitária, foi membro da UMAR e colaborava na Revista Açorianíssima com artigos sobre a condição feminina.
Tal como a própria autora escreve no prefácio, a seleção apresenta “lacunas evidentes” e no caso dos Açores, nota-se a ausência da professora Maria Evelina de Sousa, de Ponta Delgada, e de Ana Augusta de Castilho, natural de Angra do Heroísmo.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30751, 7 de outubro de 2015, p.17)

O semi-aficionado de touradas Joel Neto


O semi-aficionado de touradas Joel Neto

Joel Neto publicou recentemente no Diário de Notícias um texto intitulado Tauromaquia, onde diaboliza, e muito bem, as touradas de praça e endeusa, e muito mal, as de corda.

Antes de demonstrar que Joel Neto asneirou, quero dar os parabéns por, finalmente, ter reconhecido que na tourada de praça o touro é massacrado. Mas como ainda no seu íntimo há uma pontinha de “afición” encontra “galhardia numa pega de caras”, depois do touro já se ter esvaído em sangue e de estar a pouco tempo de ser morto no matadouro.

Concordamos com Joel Neto que o grau de barbaridade numa tourada à corda é menor do que numa de praça. Contudo, as justificações apresentadas pelo senhor Neto para demonstrar a bondade para o touro das touradas à corda não passam de um chorrilho de asneiras, algumas muito comuns a todos os adeptos das touradas e outras originais da lavra de um ou mais professores universitários do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores completamente desacreditados.

Não vamos perder muito tempo, mas dizer que numa tourada à corda o que acontece é apenas isto: “O animal é preso a uma trela e passeado estrada fora” não passa de tolice pegada. O senhor Neto por acaso não vê, ao vivo ou nos famosos vídeos das marradas, touros ensanguentados, touros que ficam feridos e outros que por vezes morrem ao embaterem em muros e outras vedações?

Outra justificação característica dos aficionados da “tortura suave” é a de que enquanto o touro é respeitado, as pessoas é que se lixam. Vejam o que diz o senhor Neto:” Mas, no fim, é ele quem mais se diverte, ceifando bêbedos e debruçando-se às varandas”.

Como sabe o senhor Neto que o touro se diverte? Não é sadismo divertir-se com o sofrimento de outros humanos, mesmo que estejam “bêbados”?

Disparate que não devia ser repetido por alguém que devia usar o cérebro é afirmar que “Não há, nas nove ilhas dos Açores como na província portuguesa em geral, muitas regiões tão magnificamente preservada como o interior da Terceira. Esse milagre tem uma só origem: o toiro é o seu guardião”.

Pense um bocadinho e consulte toda a bibliografia disponível e verifique que um dos problemas para as espécies endémicas é o seu pisoteio. Esta afirmação consta de todos os documentos oficiais relativamente à Rede Natura 2000 cujos estudos foram feitos por quem na Universidade dos Açores vem agora dizer que os touros da Terceira contribuem para a conservação da natureza. Talvez fosse verdade, se os touros terceirenses soubessem distinguir endemismos e se tivessem asas.

José da Agualva.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Os cagarros estão quase de partida


Os cagarros estão quase de partida

As ações em defesa dos cagarros começaram em novembro de 1993, altura em que foi lançada a campanha “A escola e o cagarro” no âmbito da qual foi aplicado um inquérito, sobre a espécie, destinado a alunos das escolas, nomeadamente do 1º e 2º ciclos do ensino básico e distribuídos 10 mil folhetos informativos sobre a espécie.

Para a implementação da campanha, da iniciativa do Dr. Luís Monteiro, do Departamento de Oceanografia e Pescas das Universidade dos Açores e dos Amigos dos Açores, foi pedida a colaboração à Direção Regional da Educação, através da Dra. Ana Paula Pamplona Santos e da Dra. Ana Lúcia Gonçalves Almeida, respetivamente, Diretora de Serviços de Formação e Inovação e chefe de divisão de Inovação Educativa, que se responsabilizou pela distribuição dos materiais por todas as escolas dos Açores.

A campanha “SOS Cagarro”, por seu turno, foi criada dois anos depois também por iniciativa do Doutor Luís Monteiro, no âmbito do projeto LIFE “Conservação das comunidades de aves marinhas dos Açores”. Para a concretização do projeto a Direção Regional do Ambiente colaboraria com o DOP na coordenação e execução das ações de conservação direta e participaria nas ações de inventariação e monitorização de espécies. Por seu turno, os Amigos dos Açores apoiariam as ações de conservação direta, nomeadamente informação e sensibilização, tendo entrado com uma comparticipação de mil setecentos e sessenta escudos.

De então para cá, a campanha tem prosseguido anualmente, contando com a participação de muitos voluntários a título individual e com a colaboração de algumas organizações ambientalistas ou não, sendo, acreditamos, a campanha que mais pessoas mobiliza nos Açores.

Apesar do êxito em termos de participação cívica, a que não é alheio algum exibicionismo por parte de alguns autarcas que participam na mesma apenas simbolicamente, o trabalho que é feito anualmente é quase inglório pois a principal causa da queda em terra dos cagarros prossegue e pouco se faz para a alterar.

Sobre este assunto, em 2014, foi divulgado um texto intitulado MANIFESTO EM DEFESA DO CAGARRO, assinado pelos Amigos dos Açores - Associação Ecológica, pelos Amigos do Calhau - Associação Ecológica, pelo CAES - Coletivo Açoriano de Ecologia Social, e por 62 subscritores individuais onde era defendido “um compromisso para a redução efetiva da iluminação pública durante as duas semanas principais que dura a Campanha SOS Cagarro”, pois “mais da metade das aves que caem em terra tem por causa a exagerada iluminação pública de infraestruturas como portos de pesca, campos de futebol e estradas situadas junto ao litoral”.

Outra reivindicação do manifesto referido era a “construção de um Centro de Recuperação de Fauna (CRF) nas principais ilhas, com capacidade para acolher e tratar todos os cagarros feridos” e que também serviria, ao longo do ano, “para o tratamento de outras espécies de aves dos Açores e como depósito de animais apreendidos em situação ilegal, necessidade para a qual a própria GNR tem vindo a alertar repetidamente”.

Este ano, participe na campanha SOS Cagarro.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30750, 6 de outubro de 2015)

domingo, 4 de outubro de 2015

Alice Moderno no Dia do Animal


Correio dos Açores 4 de outubro de 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (5)



Apontamentos para a história da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais (5)

Na reunião de 5 de maio de 1935 da Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, também, foram eleitos os membros dos órgãos sociais cuja composição passou a ser a seguinte:
Direção- Presidente, D. Alice Moderno; tesoureiro, João Leocádio Oliveira; secretário, Gil Afonso de Andrade Botelho; vogais, Dr. Aires S. d’Albergaria Tavares Silva, Breno de Vasconcelos, Cícero de Medeiros, Dr. José Jacinto Pereira da Câmara, Dr. Manuel da Silva Carreiro, Francisco Paula Nogueira Reis e João Bento.
Direção (substitutos) – Presidente, D. Maria Evelina de Sousa; tesoureiro, Dr. Victor Machado Faria e Maia, secretário, Dr. Alberto Paula de Oliveira; vogais, Francisco Carlos da Silveira Martins, António da Costa, José da Câmara Velho Melo Cabral, Manuel Ferreira de Almeida, Dra. D. Maria Macedo e D. Olga Amélia Lima.
Assembleia Geral – Presidente, Aires Jácome Correia; vice-presidente, Ruy Tavares do Canto; 1º secretário, Horácio Teves; 2º secretário, Luís Quintino Berquó de Aguiar; 1º vice-secretário, José Joaquim do Couto Santiago; 2º vice-secretário, Francisco de Araújo.
Conselho Fiscal- Presidente, Urbano Carreiro; secretário, José da Silva Alves; vogais, Artur Frederico Silva, Dinis José da Silva e João da Costa Benevides.
Júri- Presidente, Eduardo Soares de Albergaria; Relatores, Alfredo da Câmara, Eugénio Botelho da Câmara, Dr. Fernando Marques Moreira, José Peres Maldonado Jr., João Maria Sequeira e Manuel Joaquim de Matos.
Através do jornal Correio dos Açores de 26 de setembro de 1935, o presidente da delegação da SMPA, de Rabo de Peixe, alertou a autoridade policial para o facto de na localidade continuarem “os maus tratos aos animais domésticos, transitando pela mesma numerosos pequenos veículos, tirados por animais das espécies caprina e ovelhuns, obrigados, sob grossa pancadaria, a deslocar pesos muito superiores às suas forças”.
A 5 de Janeiro de 1936, realizou-se a Assembleia Geral da SMPA, presidida por Alice Moderno, devido à ausência por motivos de saúde do presidente da Assembleia Geral, Marquês de Jácome Correia.
Na reunião, entre outros, falou Maria Evelina de Sousa que lamentou a ausência de muitos associados e propôs votos de louvor ao Sr. Comandante da Polícia Distrital, Manuel Magro Romão, ao sr. Breno Dias de Vasconcelos que substituiu como secretário o sr. Gil Afonso Botelho e aos diretores dos jornais “sempre prontos a coadjuvar, por meio da mais esclarecida propaganda, a ação da sociedade na defesa dos direitos dos nossos irmãos inferiores”.
Na referida reunião foram eleitos os novos corpos gerentes, cuja composição passou a ser a seguinte:
Direção (efetivos) - Presidente, D. Alice Moderno; Secretário, Breno de Vasconcelos, tesoureiro, D. Maria Evelina de Sousa; vogais, D. José de Oliveira San Bento, José Rebelo de Bettencourt, João Bento da Silva, Francisco Silveira Rodrigues e Manuel Inácio de Melo.
Direção (substitutos) – Presidente, Gil Afonso de Andrade Botelho; tesoureiro, D. Maria Luísa Soares de Albergaria Leite Ataíde, secretário, Dr. Clemente Soares de Medeiros; vogais, João Domingues Vieira de Faria, Clemente de Vasconcelos, Horácio Silveira, Manuel Soares Brandão, Raul Pons e Mariano Marcelino Cabral.
Assembleia Geral – Presidente, Aires Jácome Correia; vice-presidente, Ruy Tavares do Canto; 1º secretário, Diogo Ivens Tavares; 2º secretário, José Joaquim do Couto Santiago; 1º vice-secretário, Victor da Silva Pedroso; 2º vice-secretário, D. Hortense Morais.
Conselho Fiscal- Presidente, Capitão Luís Faria e Maia da Cunha; secretário, José Soares de Albergaria; vogais, Carlos Faria e Maia de Aguiar, Jaime Nobre de Oliveira e Dr.ª Maria de Macedo.
Júri- Presidente, Dr. Guilherme Fisher Berquó Poças Falcão; Secretário, D. Maria Evelina Faria e Maia de Aguiar; Relatores, Dr.ª D. Maria Joana de Freitas Peeira, D. Olga Amélia de Lima, Dr. Tito Pires Coelho, D. Maria José Caupers Faria e Maia, António Torres, Manuel José Martins e José Pacheco de Melo.
(Continua)

(Correio dos Açores, 30 de setembro de 2015)

Teófilo Braga