segunda-feira, 21 de novembro de 2022
terça-feira, 12 de outubro de 2021
A propósito do dragoeiro da Escola Secundária Antero de Quental
A
propósito do dragoeiro da Escola Secundária Antero de Quental
Tomei
conhecimento da existência do dragoeiro da Escola Secundária Antero de Quental
quando, em 1973, fui obrigado por lei a fazer o exame do antigo quinto ano
(atual 9º ano de escolaridade) naquele estabelecimento de ensino em virtude de
frequentar o Externato de Vila Franca do Campo.
Durante
os dois anos letivos (1973-74 e 1974-75) em que fui aluno da referida escola, altura
em que nas aulas de desenho livre do professor Silveira íamos para o jardim
desenhar alguma plantas entre as quais o dragoeiro, depois quando lá lecionei
(de 1983-84 a 1988-89) e mais tarde sempre que era convidado para dinamizar alguma
sessão para alunos fui acompanhando a evolução daquela árvore notável que não
percebo por que razão nunca foi alvo de qualquer classificação.
O
Eng. Silvicultor Ernesto Goes, autor do livro “Dragoeiros dos Açores”, editado
na Ribeira Chã, em 1994, por iniciativa do padre Flores, sobre o dragoeiro
referido escreveu o seguinte:
“Um,
no parque da Escola Secundária Antero de Quental, instalado no antigo Palácio
do Barão da Fonte Bela, na cidade de Ponta Delgada, que é o maior desta ilha,
tendo 4,22 m de P.A.P. (perímetro do tronco a 1,30 m do solo), 10 m de altura e
15 m de copa. Se bem que não se saiba a data da plantação deste dragoeiro, no
entanto, julgamos que deveria ter sido plantado na altura da construção do
antigo Paço, iniciado em 1587”.
O
dragoeiro (Dracaena draco (L.) L. subsp. draco), árvore da
família Asparagaceae que é originária da Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias
e Cabo Verde), que se encontra sobretudo a baixas altitudes, normalmente abaixo
dos 200 m.
O dragoeiro é uma árvore de folhas persistentes que
pode atingir 15 metros de altura, com folhas lanceoladas agrupadas nas
extremidades dos ramos. As suas flores, que aparecem entre junho e agosto,
estão dispostas em panículas de cor branca e os frutos são drupas, globosas e
amarelas.
São árvores de crescimento lento e com uma grande
longevidade. A propósito, Raimundo Quintal, na revista “Jardins” de setembro de
2016, escreveu que “segundo o naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769 –
1859), o famoso dragoeiro de Orotava, em Tenerife, derrubado por um tufão em
1867, teria mais de 6000 anos. Era uma notável árvore, com 23 m de altura e uma
copa com 24 m de perímetro.”
Os
dragoeiros existentes em várias ilhas dos Açores foram, na sua esmagadora
maioria plantados. Na ilha de São Miguel, para além do que vimos referindo, há,
entre outros, bonitos exemplares no Jardim António Borges, no Parque Terra
Nostra, no Jardim dos Fundadores da Irmandade do Hospital da Maia, no Jardim
Dr. António da Silva Cabral, em Vila Franca do Campo, e no Jardim da Casa do
Povo do Pico da Pedra.
Nos
Açores, a principal utilização do dragoeiro sempre foi como planta ornamental,
existindo quer em jardins quer em antigas quintas senhoriais. Contudo há
referências ao uso da sua seiva incolor que ao oxidar em contacto com o ar
solidifica e fica avermelhada.
Ernesto
Goes, no livro citado, refere que “antigamente, por incisão no tronco,
extraía-se uma resina de cor vermelha (sangue de draco) que era utilizada em
medicina caseira, em tinturaria e também como verniz, muito procurado e cotado
na Europa, para acabamento de violinos”.
Carreiro
da Costa, numa palestra proferida no Emissor Regional dos Açores, a 29 de maio
de 1964, mencionou o uso do sangue-de-drago, conhecido pelo povo como “poses de
adrago”, poses de Adragão ou “torresmilho”, para estimular o apetite dos
animais de criação.
Virgílio
Vieira, Mónica Moura e Luís Silva, no livro “Flora Terrestre dos Açores”,
mencionam o uso da seiva de dragoeiro como corante e em cosmética,
exemplificando a sua utilização pelas senhoras da ilha das Flores para pintura
das unhas.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 32557, 13 de outubro de 2021, p.15)
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Sá Couto demitiu-se da Comissão de Avaliação, quem será o próximo?
Avaliação leva à demissão de coordenador
Sá Couto vai demitir-se da presidência da comissão de coordenação da avaliação da Escola Secundária Antero de Quental, em Ponta Delgada, a que mais alunos tem na ilha de São Miguel. O professor tem sido uma das vozes mais activas na contestação ao novo modelo de avaliação.
Uma demissão que surge numa altura em que o processo de avaliação está suspenso nos Açores, por estarem a ser discutidas alterações ao modelo e em que o próprio Sá Couto admite que "nada está feito" a esse nível porque os professores não sabem que regras hão-de seguir. Além disso, à demissão de Sá Couto da comissão de coordenação da avaliação da Escola Antero de Quental poderão seguir-se outras, sobretudo nas comissões das grandes escolas.
"A escola não é uma empresa e não deve estar ligada a processos empresariais. Quem não dá aulas não sabe como é que se sente quem as dá e a classe dos professores neste momento é muito fácil de ser atacada", afirma Sá Couto, uma das vozes que mais se faz ouvir na comunidade docente açoriana, numa entrevista em que, além de revelar a sua demissão, tece duras críticas ao novo modelo de avaliação dos professores, que acredita não vir a ser implementado este ano lectivo, pelo processo negocial actualmente em curso e pela eventual demissão de mais coordenadores da avaliação.
Sá Couto passa a explicar: "uma vez que as comissões de coordenação da avaliação são eleitas pelos próprios professores, se as comissões se demitirem os colegas vão aceitar que estamos a representá-los condignamente, uma vez que há unanimidade na rejeição deste modelo de avaliação". Um processo que ficou esta semana também marcado por uma polémica envolvendo uma comunicação da Direcção Regional da Educação aos conselhos executivos das escolas dos Açores, a dar conta de que o processo de avaliação nas escolas fica a aguardar enquanto se analisa uma "solução transitória" para este ano lectivo. Para Sá Couto, é tudo uma questão de palavras porque, no seu entender, o anúncio que os professores querem ouvir não é o da suspensão mas sim o da anulação do processo de avaliação. Neste momento, garante Sá Couto, "ninguém está a fazer nada. Há escolas que dizem que estão a fazer a avaliação, mas eu, que até agora presidi a uma comissão coordenadora da avaliação, nunca percebi como é que se pode iniciar um processo de avaliação se os parâmetros ainda não estão definidos e poderão nem sê-lo este ano".
O novo modelo de avaliação está neste momento em análise na Assembleia Regional e as escolas já enviaram as suas propostas de alteração ao documento. Segundo Sá Couto, "tem havido unanimidade apenas num ponto: a anulação modelo de avaliação". E o professor só receia que essa posição possa ser erradamente interpretada como a vontade dos professores em não serem avaliados, "o que não é verdade", garante, "porque sempre o foram até agora, exceptuando este reinado de Maria de Lurdes Rodrigues, em que desde há três anos todos os professores estão a passar na carreira sem avaliação e apenas por portaria".
Sá Couto não tem dúvidas: "existem bons e maus professores, como em todas as profissões", e já existe um órgão próprio para avaliar, que é a Inspecção Regional da Educação. "Agora, avaliar todos os professores, todos os anos, não faz sentido", garante.
Texto extraído do Açoriano Oriental, 16 de Janeiro de 2009
sábado, 29 de novembro de 2008
Executivo da Antero de Quental admite suspensão da avaliação
Resulta de um protocolo entre a Escola e o Museu e é a primeira vez que esta instituição expõe a sua colecção de brinquedos numa escola. Acresce que esta exposição insere-se numa das vertentes que a escola deve promover, neste caso a cultura.
Porquê o brinquedo?
Porque faz parte da nossa vivência e do nosso crescimento. Todos nós guardamos uma imagem de um brinquedo favorito, da importância que ele teve num determinado momento ou do seu carácter lúdico. O que nós queremos é transmitir aos alunos, e a quem nos visitar, a ideia de que temos memória e sabemos preservá-la num contexto muito especial que é o das instalações onde estamos: um palácio com um enorme valor patrimonial que tem vindo a merecer um restauro cuidado.
Como é que foi desenvolvida e equacionada a exposição?
Foi uma iniciativa do departamento de artes, nomeadamente através do Professor José Manuel Cruz. Os alunos ajudaram na concepção de todo o material promocional da exposição e a assessoria técnica é do próprio Museu.
A Escola Antero de Quental tem tido dias difíceis, com as obras. Como é que tem sido o dia a dia desta comunidade escolar, ampliada este ano com mais 300 alunos?
Cada dia esperamos que as coisas melhorem e penso que têm melhorado. Gostaria de deixar aqui uma palavra para toda a comunidade escolar, em especial docentes e pessoal auxiliar, que têm manifestado uma compreensão enorme face a este processo.
Como é que tem corrido o processo de avaliação de professores?
Há uma tendência para as pessoas pedirem a suspensão do processo de avaliação. Mas ao nível dos órgãos superiores da escola ainda não há uma decisão formal.Pessoalmente, acho que o processo tem coisas boas, que podem ser aproveitadas. Admito que haja aspectos que tenham que ser adequados à realidade escola. A avaliação é essencial numa sociedade organizada.
Isso quer dizer que a avaliação na Antero de Quental vai ser levada até ao fim?
Há uma tendência natural para pedir a suspensão por parte dos docentes que ainda não envolveu 50% dos departamentos, mas os órgãos da escola ainda não a decidiram. Julgo que o trabalho que temos pela frente é agilizar procedimentos e ver o que é que será possível concretizar até ao fim do ano. O Estatuto da carreira Docente é um documento muito denso que tem muitos aspectos positivos e sugere muitas soluções.
Os problemas surgem é na aplicação da grelha, porque avaliação sempre existiu.
Quando há exames nacionais, os docentes são confrontados com os resultados dos alunos e depois analisados pelos conselhos pedagógicos e pelos departamentos. Portanto há avaliação.
Com que regularidade?
Com alguma regularidade, embora não o façamos tantas vezes porque as exigências da escola são muitas. O nosso objectivo nas escolas é promover o ensino e a aprendizagem. É isso também que o legislador exige.
Não sente que muitas vezes está a trabalhar para as estatísticas?
Isso não é totalmente verdade. Os conselhos de turma têm muita autonomia e a Direcção regional não se intromete aí. Não há directiva nenhuma que imponha esta ou aquela avaliação.
A escola que dirige está sempre envolvida em questões de segurança e de toxicodependência. Adoptaram medidas concretas para lutar contra isso. Que resultados obtiveram?
Hoje a escola é mais segura. Está tudo mais controlado.Há males que vêm por bem e o último ano de vida, em função dos condicionalismos a que nos vimos obrigados, também fomos forçados a andar mais pela escola e a condicionar mais o acesso a determinados lugares.
Penso que aquilo que é um constrangimento acabou por dar outros frutos, melhorando as condições de segurança.
Mas continua a haver problemas e a polícia vai com alguma regularidade à escola?
Só quando há algum aluno envolvido em situações de tráfico. A acção da polícia deixe-me dizer tem sido discreta mas eficaz e muito valiosa. A escola está definitivamente mais segura. ||
Grelha de avaliação em causa
Os prazos e a ambição das grelhas são o “calcanhar de Aquiles” da avaliação a que os professores estão a ser sujeitos este ano lectivo, pela primeira vez.
Em causa estão os artigos 72 e 92 do diploma da avaliação. O primeiro prevê que a entrega das avaliações seja feita em Julho, quando há maior sobrecarga de trabalho com exames e matrículas. No caso do artigo 92º a “excessiva ambição” nos critérios da grelha de avaliação, quando por exemplo, se prevê a “necessidade do docente elaborar e executar, de forma sustentada e generalizada procedimentos de avaliação congruentes com as normas definidas”, ou seja, um trabalho de investigação aturado, pode prejudicar uma avaliação correcta que apenas prevê o medíocre ou o muito bom.
Algumas escolas admitem a suspensão do processo.
Outras estudam a possibilidade de implementação de alguns aspectos, “apenas os mais urgentes”, que no limite pode significar a avaliação de contratados e dos quadros de zona pedagógica.||
SPRAfaz exigências
O Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) fez ontem um alerta à nova secretária regional da Educação e Formação, afirmando que “não pode partir do pressuposto de que tudo está bem na Região, ao nível da Educação, só por existir um Estatuto diferente do que está em vigor no continente”.
Assim, o sindicato exige “o fim dos horários de trabalho pedagogicamente inadequados”, “dos condicionalismos que cerceiam os direitos de protecção na doença do docente”, e da desconsideração de “parte do tempo de serviço prestado pelos docentes contratados”.
O SPRA considera também ser urgente a reconsideração do sistema de avaliação dos docentes, “que não pode ser assumido como um instrumento da administração educativa para fins de gestão financeira”, mas sim como “um processo regulador da actividade docente, visando, em primeira instância, a melhoria do seu desempenho, a fim de garantir a qualidade de educação”. ||JC
Carmo Rodeia, Açoriano Oriental
sábado, 1 de novembro de 2008
Escola secundária Antero de Quental -Suspensão da Avaliação Docente
SUSPENSÃO IMEDIATA DA AVALIAÇÃO DOCENTE PRETENDIDA PELA SREC/ME
À medida que no Departamento de Artes Visuais e Informática os professores foram consciencializando a natureza, trâmites e implicações da avaliação docente pretendida pela Secretaria Regional da Educação e Ciência e Ministério da Educação foi-se-lhes tornando evidente o quanto a mesma atenta contra a idoneidade científica e princípios deontológicos e éticos da profissão, pelo que solicitam a imediata suspensão da mesma.
O Departamento de Artes Visuais e Informática



