quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Boas Festas


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Em memória do Dr. Eduardo Andrade Pacheco


Correio dos Açores, 27 de Novembro de 2012



Conheci o Dr. Eduardo Pacheco, em 1973, era ele reitor do Liceu de Ponta Delgada e eu um aspirante a aluno daquela instituição. Lembro-me de ter ido ao seu gabinete, acompanhado de minha mãe e da senhora professora Mariana Carreiro, com o objetivo de ser esclarecido acerca do conjunto de disciplinas que deveria frequentar para uma conseguir um melhor preparação para poder prosseguir um curso superior na área da engenharia.
No ano de 1975, fazendo parte de um grupo de alunos que, incentivado pela Dr.ª Otília Moura, fez um estudo teórico-prático sobre a rádio, com ele me cruzei, por diversas vezes, no Laboratório de Física daquele estabelecimento de ensino, que era o nosso ponto de reunião e o local onde ele costumava trabalhar, possivelmente onde preparava as suas atividades letivas e onde terá elaborado o inventário do seu material didático.
Mais tarde, voltei a encontrar o Dr. Eduardo Pacheco no Instituto Universitário dos Açores, tendo sido seu aluno em algumas disciplinas que ele lecionou. Embora já se tenham passado muitos anos, recordo a sua simpatia, o rigor usado na linguagem, a clareza das suas explicações e o esforço titânico que fazia para que associadas à teoria existissem atividades experimentais, o que não era fácil, na altura, pois os laboratórios estavam muito mal equipados.
Quando em 1984 voltei ao Liceu já na qualidade de professor, depois de ter feito o estágio na Escola Secundária Domingos Rebelo e de ter trabalhado três anos na ilha Terceira, já não encontrei fisicamente o Dr. Pacheco mas quase todos os dias pensava nele. Com efeito, bastava olhar para algum material e lá estava uma legenda escrita com a sua inconfundível letra. Além disso, como fui durante vários anos diretor de instalações (laboratório) também me socorri dos inventários por ele feitos sempre que alguma dúvida surgia. O mesmo terá acontecido com o meu colega Dr. Bruno Couto que ao Dr. Pacheco se refere na introdução ao seu livrinho “Espólio Museu de Física”, editado, recentemente, pela Escola Secundária Antero de Quental.
Há três anos, o professor Rubens Pavão, num texto a propósito dos 90 anos do Dr. Eduardo Pacheco, mencionou as suas qualidades como cidadão exemplar, sempre disposto a ajudar os seus semelhantes, nomeadamente os da sua comunidade de São Roque. No mesmo texto, o professor Rubens Pavão referiu um facto que levou a que pela primeira vez o Dr. Eduardo Pacheco se zangasse.
Durante o tempo em que com ele tive contato, nunca o vi zangado e guardo na minha memória um episódio que me marcou e que me vem à memória, quase diariamente, quando estou em contato com os meus alunos menos disciplinados, que felizmente, este ano letivo, são muito poucos.
Num dos dias em que estávamos a trabalhar voluntariamente no Laboratório de Física a preparar a montagem do aparelho de rádio, entrou, sem que o esperássemos, o Dr. Pacheco, tendo encontrado alguns de nós sentados em cima das mesas. Apanhados de surpresa não nos mexemos, tendo depois de o saudar, continuado com a conversa.
O Dr. Pacheco aproximou-se de nós, pediu-nos para nos afastarmos um pouco da mesa e pegou em algumas cadeiras e colocou-as sobre aquela. Depois disso, disse-nos que já nos podíamos sentar sobre a mesa.
Não foram precisas mais palavras, aprendemos a lição. Santos tempos…
Apesar da sua idade, foi com pesar que li a notícia da sua morte, embora tenha a certeza de que o seu exemplo como cidadão e como professor perdurará para sempre e será transmitido às futuras gerações por todos os que o conheceram.
Conquanto todas as instituições que o Dr. Eduardo Pacheco serviu ao longo da sua vida possam e devam tomar a iniciativa de o recordar, acho que a Escola Secundária Antero de Quental, pelo fato de ele ter sido seu aluno, de ter feito parte do seu corpo docente e de ter sido reitor de 1969/70 até 1973/74 , devia tomar a iniciativa de organizar uma mais do que justa homenagem. Tenho a certeza de que o Conselho Executivo, se já não pensou no assunto, poderá contar com a colaboração de muitas pessoas da comunidade educativa, nomeadamente de todos os ex-alunos do Dr. Pacheco quer sejam ou não, atualmente, docentes daquele estabelecimento de ensino.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, , 5 de Dezembro de 2012)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Entra em Ação











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PORTUGUÊS

Caros/as amigos/as,
Pedimos a vossa ajuda no envio desta carta que pede a retirada de videos de touradas dos postos de turismo das ilhas dos Açores.


Agradecemos desde já!





Para: acoresturismo@mail.telepac.pt, info.turismo@azores.gov.pt



cc: presidencia@azores.gov.pt, srtt-Info@azores.gov.pt, pt.de.smg@azores.gov.pt, pt.f.smg@azores.gov.pt, pt.ae.smg@azores.gov.pt, pt.de.ter@azores.gov.pt, pt.ae.ter@azores.gov.pt, pt.fai@azores.gov.pt, pt.pic@azores.gov.pt, pt.sjo@azores.gov.pt, pt.gra@azores.gov.pt, pt.sma@azores.gov.pt, pt.flo@azores.gov.pt, dt.lis@azores.gov.pt, pt.por@azores.gov.pt, associacaoportasdomar@gmail.com, turismoacores@visitazores.com, info@artazores.com



Bcc: mcatacores@gmail.com





Exmo Senhor Diretor Regional do Turismo

c/c Secretário Regional do Turismo e Transportes, ao Presidente do Governo

Regional dos Açores e aos responsáveis pelas Delegações e Postos de  Turismo dos Açores



Temos conhecimento de que em vários estabelecimentos comerciais, sobretudo os especializados em produtos para turistas, são emitidos regularmente vídeos sobre touradas à corda.



Destes estabelecimentos é bom exemplo a Loja Açores situada nas Portas do Mar, em Ponta Delgada, onde é possível encontrar três grandes ecrãs a passar, simultaneamente, vídeos de “Marradas”, que conhecemos bem através da publicidade aos mesmos que é feita no Youtube (http://youtu.be/2h-WhhqFjv4).



Os mencionados vídeos, para além de transmitem imagens de violência contra os animais, mostram a brutalidade duma tradição que provoca sofrimento às pessoas que, participando são voluntariamente ou não, alvo de ferimentos, nalguns casos de elevada gravidade, ou que acabam por morrer, como já aconteceu este ano na Terceira e no Pico.





Como pessoa consciente e compassiva, venho manifestar a minha preocupação pelo facto da transmissão das referidas imagens constituírem um poderoso instrumento de deseducação para insensibilizar, habituar e até viciar crianças e adultos no abuso sobre animais, o que poderá induzir mais violência sobre animais e sobre pessoas.



Para além do referido, as imagens transmitidas constituem uma enorme vergonha para os Açores e poderão dissuadir o turismo de muitas pessoas provenientes de países onde este tipo de eventos é fortemente repudiado e até perseguido criminalmente



Temos conhecimento que a transmissão de marradas nos aeroportos, para além de já terem deixado horrorizados alguns turistas, tem causado perplexidade a algumas pessoas que têm visitado a Região, a convite de empresas ou do próprio governo regional, e embaraço aos seus acompanhantes.



Face ao exposto, venho solicitar a tomada de medidas no sentido de por fim à transmissão de vídeos de marradas e touradas em todos os locais onde os mesmos possam contribuir para a banalização do sofrimento de animais e pessoas e para manchar a imagem dos Açores junto de potenciais visitantes.





Atentamente,

(Nome)





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ESPAÑOL

Compañeros e Compañeras, les pedimos su ayuda en el envío de esta carta solicitando la eliminación de los vídeos de las corridas de toros en las oficinas de turismo de las islas Azores. 

Muchas gracias!







Para: acoresturismo@mail.telepac.pt, info.turismo@azores.gov.pt



cc: presidencia@azores.gov.pt, srtt-Info@azores.gov.pt, pt.de.smg@azores.gov.pt, pt.f.smg@azores.gov.pt, pt.ae.smg@azores.gov.pt, pt.de.ter@azores.gov.pt, pt.ae.ter@azores.gov.pt, pt.fai@azores.gov.pt, pt.pic@azores.gov.pt, pt.sjo@azores.gov.pt, pt.gra@azores.gov.pt, pt.sma@azores.gov.pt, pt.flo@azores.gov.pt, dt.lis@azores.gov.pt, pt.por@azores.gov.pt, associacaoportasdomar@gmail.com, turismoacores@visitazores.com, info@artazores.com



Bcc: mcatacores@gmail.com







Exmo. Sr. Director Regional de Turismo

c/c Secretario Regional de los Transportes e Turismo , Presidente del Gobierno Regional de

Azores, responsables por las Delegaciones y Puestos de Turismo de Azores







Tenemos conocimiento de que en varios establecimientos comerciales, concretamente los especializados en productos regionales para turistas, son emitidos regularmente videos de eventos tauromáquicos con toros ensogados.





De este tipo de establecimientos constituye un buen ejemplo la “Loja Açores” situada en las Puertas del Mar, en Ponta Delgada, donde se encuentran tres grandes pantallas que pasan simultáneamente videos de “embestidas y cornadas” que son bien conocidos por la publicidad existente de ellos en Youtube (http://youtu.be/2h-WhhqFjv4).



Los videos mencionados, además de trasmitir imágenes de violencia contra los animales, muestran la brutalidad de una tradición que provoca sufrimiento a las personas que, participando o no de forma voluntaria, son objeto de daños corporales, en algunos casos de elevada gravedad, y que en ocasiones acaban incluso por fallecer, como ya sucedió este año en las islas de Terceira y Pico.



Como persona consciente y compasiva, quiero manifestar mi preocupación por el hecho de que la trasmisión de estas imágenes constituye sin duda un poderoso instrumento de deseducación que lleva a insensibilizar, habituar y hasta viciar a niños y adultos en el abuso contra animales, lo que podrá inducir en el futuro más violencia sobre animales y sobre personas.





Además, las imágenes trasmitidas constituyen una enorme vergüenza para las Azores y podrán disuadir para el turismo a muchas personas provenientes de países donde este tipo de eventos es fuertemente repudiado y hasta perseguido criminalmente.



Tenemos constancia de que la transmisión de estas “embestidas y cornadas” en los aeropuertos, además de dejar horrorizados a algunos turistas, ha causado una gran perplejidad a algunas personas que visitan la región, invitadas por empresas o por el propio gobierno, y un gran embarazo a sus acompañantes.



Considerando todo lo expuesto, solicito que se tomen medidas para poner fin a la trasmisión de estos videos en todos los lugares donde puedan contribuir para la banalización del sufrimiento de animales y de personas y donde puedan contribuir para manchar la imagen de las Azores frente a potenciales visitantes.





Atentamente

(Nombre)





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FRANÇAIS

Chers camarades
Nous demandons votre aide en envoyant cette lettre demandant le retrait des vidéos de corridas de bureaux de tourisme des îles Açores.
Je vous remercie à l'avance!








Envoyer à: acoresturismo@mail.telepac.pt, info.turismo@azores.gov.pt



cc: presidencia@azores.gov.pt, srtt-Info@azores.gov.pt, pt.de.smg@azores.gov.pt, pt.f.smg@azores.gov.pt, pt.ae.smg@azores.gov.pt, pt.de.ter@azores.gov.pt, pt.ae.ter@azores.gov.pt, pt.fai@azores.gov.pt, pt.pic@azores.gov.pt, pt.sjo@azores.gov.pt, pt.gra@azores.gov.pt, pt.sma@azores.gov.pt, pt.flo@azores.gov.pt, dt.lis@azores.gov.pt, pt.por@azores.gov.pt, associacaoportasdomar@gmail.com, turismoacores@visitazores.com, info@artazores.com



Bcc: mcatacores@gmail.com





Monsieur le Directeur Régional au Tourisme

c/c au Secrétaire Régional de Transport e Tourisme, au Président de la Région des Açores et aux responsables des Délégations et Offices de Tourisme des Açores





Nous avons appris que dans plusieurs établissements commerciaux, spécialement dans ceux spécialisés en produits destinés aux touristes, des vidéos de corridas à la corde sont exhibés régulièrement au public.



Le magasin Açores, situé à Portas do Mar, à Ponta Delgada en est un exemple, où trois grands écrans donnent à voir simultanément des vidéos de marradas , bien connues par la publicité diffusée sur Youtube (http://youtu.be/2h-WhhqFjv4).



Les vidéos mentionnées, en plus de projeter des images de violence contre des animaux, montrent la brutalité d'une « tradition » qui provoque même de la souffrance aux personnes, participantes, volontaires ou non, puisqu'elles sont souvent blessées grièvement ou même tuées, comme cela a été le cas cette année à Terceira et à Pico.



En tant que citoyen doué de conscience et de compassion, je tiens à manifester mon indignation vis à vis la diffusion de ces images, lesquelles constituent un puissant outil anti-pédagogique, ayant pour effet la désensibilisation et la banalisation de la cruauté envers les animaux, tout en incitant à la violence non seulement contre les animaux mais aussi contre les personnes.



Par ailleurs, ces images sont honteuses pour les Açores, pouvant dissuader plutôt qu'attirer les touristes, lesquels dans leur grande majorité, sont originaires de pays où ces pratiques barbares sont condamnées par la population et interdites par la Loi.



C'est un fait avéré que la diffusion de marradas dans les aéroports, en plus d'étonner les touristes, choquent ceux qui visitent la région invités par les entreprises ou par le gouvernement régional lui-même.



Cela étant dit, je sollicite que des mesures soient prises pour qu'on mette fin à cet étalage de violence gratuite dans tous ces lieux où il contribue à la banalisation de la souffrance animale et des personnes et où il porte préjudice à l'image même des Açores.



Cordialement,

(nome)





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ENGLISH

Dear Friends,
We ask your help in sending this letter requesting the removal of videos of bullfights of tourism offices of the Azores islands.
Thank you in advance! 






To: acoresturismo@mail.telepac.pt, info.turismo@azores.gov.pt



cc: presidencia@azores.gov.pt, srtt-Info@azores.gov.pt, pt.de.smg@azores.gov.pt, pt.f.smg@azores.gov.pt, pt.ae.smg@azores.gov.pt, pt.de.ter@azores.gov.pt, pt.ae.ter@azores.gov.pt, pt.fai@azores.gov.pt, pt.pic@azores.gov.pt, pt.sjo@azores.gov.pt, pt.gra@azores.gov.pt, pt.sma@azores.gov.pt, pt.flo@azores.gov.pt, dt.lis@azores.gov.pt, pt.por@azores.gov.pt, associacaoportasdomar@gmail.com, turismoacores@visitazores.com, info@artazores.com



Bcc: mcatacores@gmail.com









Mr. Regional Director for Tourism

c/c Regional Secretary of the Transportation and Tourism, the President of the Region of the Azores and leaders of delegations and the Azores Tourist



I have learned that in many commercial establishments, especially those specializing in products for tourists, videos of bullfighting are regularly exhibited to the public.



For example, the store Azores, located at Portas do Mar, Ponta Delgada contains three large screens that are used to show videos of marradas, which can be found on Youtube (http://youtu.be/2h-WhhqFjv4 )



The videos mentioned, in addition to projecting images of violence against animals, show the brutality of a "tradition" that causes suffering to both participants and observers who are often seriously injured or even killed, as was the case this year in Terceira and Pico.



As a citizen endowed with conscience and compassion, I wish to express my opposition towards the dissemination of these images, which have the effect of desensitizing and normalizing cruelty to animals, while inciting violence against both animals and people.



Moreover, these images are shameful for the Azores and deter tourists, the vast majority of whom are from countries where these barbaric practices are condemned by the public and prohibited by law.



In addition, the showing of marradas in airports shocks tourists who visit the region at the invitation of companies or by the regional government itself.



That being said, I ask that measures be taken to end this display of gratuitous violence in all those places where it contributes to the trivialization of the suffering of animals and people, and where it is detrimental to the image of Azores.



Sincerely,

(Name)




















segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Animais em circos deseducam




A todas as pessoas singulares ou coletivas, solicita-se o envio do correio electrónico, abaixo dirigido à diretora regional da educação do Governo regional dos Açores.
Muito obrigado

Enviar para:
dref.info@azores.gov.pt

Cc: apacores@gmail.com, cantinhoanimaisacores@hotmail.com, acoresmelhores@gmail.com



Exmos Senhores,,

Através da comunicação social tomamos conhecimento de um anúncio onde se mencionava a exibição de um circo “dentro do ginásio de uma escola” na freguesia dos Ginetes, na ilha de São Miguel (Açores).

Confirmando o que o senso comum nos induz, na recente Declaração de Cambridge sobre a consciência, assinada por uma plêiade dos mais competentes cientistas, afirma-se que muitas espécies animais, incluindo os mamíferos e as aves, além de serem seres sencientes, são seres conscientes, muito à semelhança dos seres humanos.
A utilização de animais em espetáculos circenses é cada vez mais condenada pelas sociedades contemporâneas. A utilização de animais para entretenimento já não faz qualquer sentido nos tempos que correm. Existem muitas razões para esta tomada de posição, nomeadamente, as condições inadequadas de cativeiro a que os animais são submetidos, o uso de violência nos treinos e condicionamento dos animais, a privação de liberdade e de contacto com membros da sua espécie, entre outras.
Uma outra razão que conduz a este repúdio prende-se com o facto dos supostos objetivos educacionais, resultantes da exibição de animais em atividades circenses, junto das crianças e jovens, falharem por completo. Quando as crianças e jovens observam os animais a “atuarem” num circo não são levados a refletir sobre a importância da proteção das espécies selvagens em liberdade. Muito pelo contrário.
Os animais utilizados nos circos são submetidos a restrições físicas e sociais graves, na medida em que estão privados de viver no seu meio ambiente natural e de interação com outros animais da mesma espécie. Estes animais são coagidos a ter comportamentos muito distintos dos que habitualmente têm no seu meio ambiente natural, pelo que, nos circos com animais, as crianças e jovens assimilam e interiorizam que é normal e socialmente aceite privar os animais da sua liberdade apenas para o nosso divertimento.
Os animais não escolheram ser artistas de circo e não é desta forma que queremos que as nossas crianças e jovens os vejam.

Tendo tomado conhecimento que o Circo Família Cardinali exibe animais selvagens em escolas, e por todas as razões acima descritas, vimos, por este meio, manifestar a nossa desaprovação na utilização de animais em atividades circenses e, particularmente, na sua exibição em estabelecimentos escolares cuja população-alvo preferencial são crianças e jovens.

Cumprimentos

(Nome)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Entrar com o pé esquerdo



Nunca me pronunciei, nem o vou fazer aqui, sobre as pessoas que ocupam cargos políticos porque mais importante do que elas são as políticas que são implementadas e estas, a maior parte das vezes, não são da responsabilidade de quem as implementa, mas dos partidos políticos e dos interesses económicos e outros que estes são obrigados a satisfazer. Mas, uma coisa é certa, a composição do novo Governo Regional dos Açores, liderado pelo meu antigo aluno da Escola Secundária Antero de Quental, Dr. Vasco Cordeiro, apanhou de surpresa muito boa gente.
O elenco do atual governo causou pasmo a muitas das pessoas que comigo convivem ou partilham opiniões sobretudo porque, disseram elas, alguns dos atuais secretários podiam também o ser se as eleições tivessem sido ganhas pelo Partido Social Democrata (PSD).
A mim, nada me espanta. Se é grande a tentação para a “vã glória de mandar” também é uma caraterística do Partido Socialista (PS) a sua capacidade para a reutilização e reciclagem de pessoas de todos os quadrantes político/partidários, da esquerda extrema à extremada direita.
A aptidão referida não é apenas do PS mas sim de todos os partidos que ocupam ou são do arco do poder. Assim, a nível nacional, o PSD tem sido o partido âncora para vários ex-militantes da extrema esquerda com destaque, pelas posições que ocupam, para Durão Barroso e Nuno Crato.
Hoje, para além das pessoas, nada distingue os dois mais votados partidos políticos regionais, o PS e o PSD. Longe, vão os tempos em que o PPDA considerava a “social-democracia, situada no centro-esquerda das tendências políticas possíveis” como sendo a orientação com capacidade para “vencer o atraso económico com que nos debatemos e corrigir as situações existentes de profunda injustiça social” (Documentos Preliminares do PPDA, Julho de 1974) e o PS combatia “o sistema capitalista e a dominação burguesa” e estava “certo de que, em parte alguma, o neocapitalismo conseguirá instaurar uma sociedade inspirada pelos ideais de igualdade social, antes vai agravando, sob formas insidiosas, a exploração do maior número pela minoria” (Declaração de Princípios do Partido Socialista, Setembro de 1973).
Depois desta longa introdução, queria fazer uma referência à Secretaria Regional dos Recursos Naturais que é liderada pelo meu antigo colega da Escola Secundária Antero de Quental, Luís Nuno Ponte Neto de Viveiros, desejando-lhe, com toda a sinceridade, os melhores êxitos pessoais.
Propositadamente não lhe desejei sucesso a nível governativo porque considero que alguém lhe armou uma cilada, tendo muitas dúvidas sobre a sua capacidade para dela se desvencilhar com sucesso.
A designação da Secretaria tem muito que se lhe diga. Com efeito, depois de ter criado a Secretaria Regional do Ambiente, o Partido Socialista após colocar o socialismo na gaveta, agora arrumou o ambiente num armário onde ele não cabe. Assim, para esclarecer o mencionado, abaixo apresento os conceitos de recursos naturais (mas restrito) e de ambiente, extraído de um Vocabulário Básico de Recursos Naturais e Meio Ambiente:
Recursos naturais- Denominação aplicada a todas as matérias-primas, tanto aquelas renováveis como as não renováveis, obtidas diretamente da natureza, e aproveitáveis pelo homem.
Ambiente - Conjunto dos agentes físicos, químicos, biológicos e dos fatores sociais suscetíveis de exercerem um efeito direto ou mesmo indireto, imediato ou a longo prazo, sobre todos os seres vivos, inclusive o homem.
A segunda questão que levanto é a da dimensão da secretaria. A não ser que se transforme o ambiente num mero adorno, juntar “as políticas relativas à agricultura, ambiente e mar, quer no âmbito mais específico das pescas, quer no âmbito mais vasto de aproveitamento das potencialidades deste recurso natural que é o Mar dos Açores” é demais para um só secretário.
Por último, não podia deixar de mencionar o facto do Eng. Luís Viveiros, que não tem a obrigação de dominar todas as áreas, mas que para um bom desempenho tem de estar bem assessorado, ter cometido uma gaffe monumental quando pela primeira vez falou sobre o tratamento de resíduos sólidos e disse que nos Açores não está prevista a construção de incineradoras mas sim "unidades de valorização de resíduos não recicláveis".
De um recém-chegado à política esperava que apresentasse a opção do seu governo, mesmo não concordando com ela, e que não se escondesse atrás de sinónimos. Assim, não!
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 27297, 28 de Novembro de 2012)

Fim dos dinheiros públicos para as touradas

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Luís Viveiros na Lua


É triste vermos um colega de escola negar o que todos afirmam. Ignorância, tolice ou aprendizagem rápida do que é a porca da política?

TB

A Fraude da Incineração


Diário Insular, 23 de Novembro de 2012

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Tauromaquia: o futuro dos Açores está garantido




2012, ANO DE SUCESSO PARA A TAUROMAQUIA NOS AÇORES: PELO MENOS DOIS MORTES, UM NÚMERO DESCONHECIDO DE FERIDOS, MILHARES DE EUROS ESBANJADOS E A REVELAÇÃO DA INSENSATEZ E IGNORÂNCIA DE ALGUNS POLÍTICOS

Acabada a época tauromáquica, é tempo de fazer um balanço preliminar, necessariamente muito incompleto, pois o que é transmitido pela comunicação social aficionada ou pelos “especialistas” em tortura animal, mais ou menos suave, é apenas a parte mais “cor-de-rosa” da impropriamente denominada festa dos touros.

Esta época vai ficar marcada pelo desaparecimento de um jornal da Igreja Católica, A União, cujo diretor, o padre Marco Gomes, tomou partido pelo divertimento à custa do sofrimento dos touros e cavalos, tendo dado a voz aos adeptos das touradas, mesmo das mais cruéis e bárbaras, como as picadas e ignorado as associações que defendem os animais e que consideram anacrónicas as touradas ditas artísticas ou populares.

Este ano, também, vai ficar marcado pela continuação da integração nos programas das festas religiosas de algumas freguesias da aberração que é a da tortura animal, vulgo touradas, vacadas ou afins. Tal acontece numa altura em que as paróquias passam por dificuldades e a diocese anda de rastos, de tal modo que vai despedir trabalhadores do órgão de comunicação social referido e de que é proprietária.

Foi precisamente numa tourada integrada numa festa religiosa que na ilha do Pico, morreu (foi assassinado pela ignorância ou pela indústria tauromáquica) estupidamente uma pessoa. A propósito, para além daquela morte as touradas à corda também foram responsáveis pela morte de um homem, em São Bento, na Ilha Terceira, desconhecendo-se se houve mais alguma morte, pois mortes e feridos em touradas são mais do que segredo de estado.

Tal como não há isenção jornalística (nalguns casos, interesse) para divulgar o número de mortes e de feridos em touradas, o hospital de Santo Espírito da Terceira, também dá uma ajuda preciosa à falta de transparência, não divulgando qualquer informação, mesmo quando solicitado para o efeito.

Aproveitando a época de campanha eleitoral, a maioria dos políticos dos Açores, sem qualquer estatura moral para o exercício de qualquer cargo público ignorou o bárbaro “espetáculo” que podia ser cultural na era da escravatura humana mas que hoje é anacrónico ou, pior, pronunciou-se, revelando a sua ignorância ou a sua baixeza moral e ética.

Limitando-me aos três partidos mais votados, diria que não vale a pena gastar o teclado do computador para escrever muitas linhas sobre o líder do CDS-PP pois o mesmo, como um dos votantes a favor da legalização da sorte de varas, é um adepto confesso da tortura em grau mais elevado.

A líder do PSD foi uma surpresa desagradável para todos os simpatizantes do seu partido que acreditavam na sua compaixão para com os animais. Com efeito, numa declaração à RTP - Açores, a Drª Berta Cabral afirmou que aprendeu a gostar de touradas à corda, que não reconhece qualquer violência nessas touradas e foi mais longe ao dizer que a tourada à corda é uma brincadeira em que quem leva a melhor é o touro. Destas declarações posso concluir que a senhora ou não está bem informada ou virou fundamentalista. Com isto quero dizer que ela deve rejubilar sempre que uma pessoa vai para o cemitério ou quando alguém vai para ao hospital. Por outro lado, a ex-líder do PSD não sabe, ou finge não saber que, tal como os seres humanos, os touros têm a capacidade de sentirem sofrimento físico e psicológico e que na tourada à corda alguns touros também morrem, ficam feridos, ficam exaustos, sofrem susto e ansiedade.

Se Berta Cabral surpreendeu alguns, Carlos César foi uma revelação, pois para além do elogio à tourada à corda, não se cansou de dar loas ao quinto touro (o álcool associado à tourada). Assim, foi por demais infeliz e afrontosa para todos os açorianos que acham injustificado o sofrimento animal para divertimento de uns poucos, por mais pequeno que seja, a seguinte afirmação: “Um açoriano que se preze gosta de tourada à corda”. Um vómito!

Em termos de dinheiros públicos para a tauromaquia, em 2012, continuamos a não saber quanto dos nossos impostos continuou a ser usado para a alimentar a indústria da deseducação e do sofrimento animal.

Mas, uma coisa é certa, a hipócrita da União Europeia continuou a financiar as touradas, com o argumento de que não se pronuncia sobre as práticas “culturais” de um país quando é capaz de impor regras para o tamanho dos pepinos e os governos e as autarquias continuam a financiar, direta ou indiretamente, através do apoio às festas locais, as touradas. Mesmo assim, não andaremos longe da verdade se dissermos que o dinheiro dos nossos impostos que foi transferido para aos bolsos de alguns terá no mínimo sido superior a quatrocentos mil euros.

Manuel Oliveira

6 de Novembro de 2012

Boletim Terra Livre, nº 51, Novembro de 2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Deligue a RTP Açores amanhã



O Movimento Cívico Abolicionista da tauromaquia nos Açores enviou hoje, dia 2 de Novembro, um pedido de esclarecimento à RTP-Açores, acerca dos critérios para incluir na sua programação do próximo sábado uma tourada às 15h.


Apelamos à participação de todos/as, enviando o texto abaixo.

Obrigad@!
http://iniciativa-de-cidadaos.blogspot.pt/


- - - - -

Para: rtpa@rtp.pt, telejornal.acores@rtp.pt, info.acores@programas.rdp.pt,


Ex.mos/as Senhores/as
Diretor e Programadores/as da RTP-Açores,

Foi com alguma surpresa que tomamos conhecimento de que a RTP Açores tem agendada a transmissão de uma tourada no próximo sábado, dia 3 de Novembro, pelas 15 horas.

De acordo com a liberdade de programação que cabe aos operadores de televisão, prevista no art. 26º, da lei nº 27/2007, de 30 de Julho (Lei da Televisão), surpreende-nos que a RTP-Açores, serviço público de televisão, ignore o seu necessário espírito crítico e aceite promover uma prática repudiada, por todas as pessoas de bom senso e sensíveis ao sofrimento, pelo seu carácter violento com animais e pessoas. Se dúvidas houvesse disto, basta termos em atenção que só neste ano já morreu um touro e duas pessoas, uma na Terceira e outra no Pico, nas touradas à corda.

Espera-se que A RTP-AÇORES, ao prestar um serviço inquestionável à população dos Açores, tenha bem presente uma preocupação social ao não promover a violência em horário acessível a todas as pessoas e idades, e especialmente às crianças.

Considerando que a função de qualquer órgão de comunicação social é o de, para além de informar com isenção, promover o saber, fomentar a educação e nunca estimular maus costumes, sejam ou não tradicionais (como o alcoolismo ou a violência doméstica), ou fazer perpetuar tradições anacrónicas como as touradas que, banalizando a violência, levam à apatia e à insensibilidade perante o sofrimento alheio;

Considerando que a RTP-A tem um importante papel pedagógico na partilha de informação e conhecimento entre a população açoriana, que contribua para o seu desenvolvimento social e cultural;

Considerando que inúmeros estudos aprovados pela comunidade científica reconhecem que as crianças que são expostas a comportamentos de violência e agressividade, contra pessoas ou animais, são potenciais futuros agressores;

Considerando que a RTPA, como serviço publico, tem inquestionavelmente uma responsabilidade para com a sociedade;

Gostaríamos de ser esclarecidos/as sobre os critérios de inclusão na programação do canal público de televisão de programas profundamente deseducativose que não contribuem em nada para o desenvolvimento ético e para bem-estar de todos os que vivem nos Açores.

Aguardamos a vossa resposta.


Com os nossos sinceros cumprimentos,
[Nome]

Quem paga o estado social?

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O sindicalismo docente




Tal como em anteriores colaborações para o Correio dos Açores, com este texto não pretendo atacar, pessoalmente, ninguém. Limitar-me-ei a manifestar a minha opinião e como é habitual relatar um pouco da minha experiência enquanto membro integrante do movimento sindical, no caso em apreço do docente, sem nunca ter ocupado uma posição de destaque nem ter dado um contributo relevante para o mesmo.

No meu caso, nunca estive de acordo com as orientações gerais dos sindicatos a que pertenci, mas como defensor do pluralismo de opiniões dei o meu contributo na medida do que me permitiram as organizações ou as minhas disponibilidades. Assim, em virtude das circunstâncias e por ter optado por ser voluntário noutros movimentos sociais, estou de consciência tranquila e acho que cumpri com o que diz o provérbio: “quem dá o que tem, a mais não é obrigado”.

A minha participação ativa na vida sindical iniciou-se, nos primeiros anos da década de oitenta do século passado, na Escola Secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade, integrado no SPRA – Sindicato dos Professores da Região Açores, onde pontificava uma direção, a nível da ilha Terceira, integrada por elementos do CDS.

Como a direção do sindicato preocupava-se mais (ou apenas?) com a ocupação de posições no aparelho e não manifestava qualquer interesse em dinamizar núcleos de base nas escolas (pelo menos naquela), foram alguns docentes da Escola Secundária Padre Jerónimo Emiliano de Andrade que decidiram auto-organizar-se e promover a eleição dos delegados sindicais que, se não estou em erro, nunca foram convocados para reuniões de delegados por parte da referida direção.

Penso que terei sido eleito, pela primeira vez, delegado sindical no ano letivo 1981-1982 e na altura, para além colaborar com os meus colegas, que tinham mais experiência do que eu, na preparação das lutas sindicais então travadas, também participava na elaboração e divulgação de um boletim da nossa inteira responsabilidade que tratava de assuntos de carácter sindical e pedagógico.

Regressei a São Miguel e no ano letivo 1983-1984 terei feito a minha transferência e continuei filiado no SPRA, liderado pelo professor Francisco de Sousa. Neste sindicato, em São Miguel, nunca ocupei qualquer cargo, mas sempre fui um ativista sindical, participando em todas as lutas travadas que levaram a que, durante alguns anos, os professores tivessem um Estatuto da Carreira Docente que, se não era o ideal, era bom.

Lembro-me de, por diversas vezes, ter participado em enormes plenários onde era esmagadora a adesão dos docentes do primeiro ciclo do ensino básico e quase residual a dos do terceiro ciclo e secundário, os senhores doutores, que achavam e parece que ainda acham que não se deviam misturar com a “arraia-miúda” ou com a ralé.

Diziam eles ou sobretudo elas (doutores e doutoras), aquando da realização de plenários, a propósito das nossas colegas do primeiro ciclo: “as sopeiras, que não querem trabalhar e que passam o dia a fazer crochet, fecharam as escolas e vieram para a cidade fazer compras”.

Hoje, incapazes de lutar pelos seus direitos, sempre arranjando uma desculpa para nada fazerem, culpando mais os sindicalistas e os sindicatos, de que muitos são sócios, do que as políticas governamentais, muitos colegas meus continuam a acusar os mesmos de sempre. É o povo que não trabalha nem quer trabalhar, são os que recebem o “rendimento mínimo”, não distinguindo quem é pobre e honesto e quem sempre trabalhou toda a vida, dos que nada fazem e não merecem respirar o ar que respiram, e são os professores do primeiro ciclo que se reformaram muito cedo.

Embora, crítico da CGTP, sempre considerei que era nela que devíamos estar, lutando para que esta não fosse o que alguns dizem ser: uma correia de transmissão de um determinado partido político. De igual modo, sempre discordei da UGT que foi criada para dividir os trabalhadores, mas que curiosamente ninguém diz que é a correia de transmissão das posições de dois partidos políticos que à vez vão desgovernando o país, em conjunto, a sós ou com muletas.

Embora descontente com a atuação do SPRA, lá ia permanecendo, tendo participado numa reunião aberta realizada no auditório Luís de Camões, em Ponta Delgada, promovida por pessoas ligadas aos TSD-Trabalhadores Sociais-Democratas que pretendiam criar um sindicato ligado à UGT, o que veio a acontecer mais tarde. Nesta reunião, não me recordo se fui o único, manifestei a minha posição contrária àquela pretensão.

Apesar disso, hoje, sou filiado no SDPA- Sindicato Democrático dos Professores dos Açores, sindicato pertencente à UGT, onde nunca ninguém me perguntou a filiação partidária, a minha orientação religiosa ou que ideologia professava. Fui acolhido com simpatia, nunca me senti discriminado e, pelo menos até hoje, sempre fui muito bem tratado.

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 24 de Outubro de 2012)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Gestão Democrática ou Democracia Real nas Escolas?




Há alguns dias li num jornal de São Miguel que um sindicato de docentes considerava como prioritária a salvaguarda da gestão democrática das escolas. O mesmo sindicato, de acordo com o texto consultado, rejeitava qualquer sistema que “centraliza o poder todo em alguém que é o único que presta declarações à administração e que serve de correia de transmissão”. No texto que vimos referindo, também, era mencionado que “a democracia também se aprende na escola”.

A gestão democrática das escolas públicas ter-se-á iniciado com o 25 de Abril de 1974, tendo sido regulamentada, pela primeira vez, através do Decreto-Lei nº 769-A/76, de 23 de Outubro.

Ao longo dos anos, de acordo com Formosinho “cresceram bastante os normativos centrais sobre a escola, ou seja, a quantidade de normativos que regulamentavam a vida da escola cresceu, sendo isso dificilmente conciliável com a gestão democrática”.

Não me oponho à eleição de todos os órgãos de gestão e administração das escolas e acho inaceitável, em termos de democracia, que os mesmos sejam nomeados pelos detentores do poder político com base em critérios de fidelidade partidária ou ideológica. De igual modo, também, defendo que as escolas deverão gozar da máxima autonomia pedagógica, científica, cultural e administrativa.~

Concordo com o referido sindicato quando afirma que a “democracia também se aprende na escola” e corroboro a afirmação de Sérgio Niza, do Movimento Escola Moderna: “se não formos capazes de praticar a democracia na Escola, mais tarde ou mais cedo perdemos a própria democracia”.

Pratica-se a democracia na escola? Que modalidade de democracia é praticada?

Se em democracia se exige participação, nas escolas, no que diz respeito ao órgão executivo, esta limita-se quase e tão só em votar de três em três anos, em muitos casos em listas únicas que se perpetuam, nalguns casos, ao longo de vários anos.

Quando algum docente ou grupo de docentes toma a iniciativa de intervir, utilizando de instrumentos que visem a manifestação de interesses, como petições, as suas iniciativas/propostas não são bem acolhidas ou são vistas com desconfiança e acabam no fundo das gavetas ou no caixote do lixo.

Em alguns casos são, mesmo, as deliberações do Conselho Pedagógico que não são levadas à prática pelo órgão executivo, sem que àquele seja dada qualquer explicação sobre a sua não implementação.

Não é aceite, com tolerância e abertura, o aparecimento de mais do que uma lista concorrente ao órgão executivo e quando tal acontece não tem levado, que seja do meu conhecimento, a um debate franco e aberto das propostas. Pelo contrário, por vezes assiste-se a algo de semelhante ao que de pior se passa nas campanhas eleitorais em que os protagonistas são os partidos políticos, como a avaliação das capacidades dos concorrentes, desvalorizando-as ou a “calúnias” sobre estes e os seus familiares, etc.

A presença de alunos e de outros membros da comunidade educativa no conselho pedagógico das escolas, órgão de coordenação e orientação educativa, nomeadamente nos domínios pedagógico-didáctico, da orientação e acompanhamento dos alunos e da formação inicial e contínua do pessoal docente e não docente, é uma pura ilusão de democracia, pois na maior parte dos casos são discutidos assuntos que pela sua natureza requerem uma formação adequada. Assim sendo, a valorização no discurso e no papel que é feita à presença dos alunos, dos pais e encarregados de educação ou dos funcionários naquele órgão é na realidade inversamente proporcional à sua efectiva participação. Façam a leitura das atas daquele órgão, em várias escolas, e facilmente chegarão à mesma conclusão.

Por último, uma breve referência à assembleia de escola.

Como se pode admitir que sendo esta “o órgão responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade da unidade orgânica, com respeito pelos princípios consagrados no presente regime jurídico e na lei”, mesmo em democracia representativa, não preste contas a ninguém?

Tal como não se fazem omeletes sem ovos, não há democracia sem participação efectiva e muito menos sem democratas.

Autor: Teófilo Braga

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Pelos animais


No Dia do Animal por uma nova política para os animais de companhia

Há um século foram fundadas as primeiras associações de proteção dos animais dos Açores que tinham como preocupação principal combater o abandono e os maus tratos de que eram alvo os animais de companhia e lutar por melhores condições de existência para os animais de tiro, nomeadamente cavalos, bois e burros, que eram vítimas de maus tratos, trabalhavam mesmo doentes e em muitos casos eram mal alimentados.

Desde então até hoje, muitos açorianos se têm dedicado à causa da proteção dos animais, sendo incompreensível como 34 anos depois de aprovada a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, na nossa região, como um pouco por todo o mundo, o flagelo do abandono e dos maus tratos aos animais de companhia não tenha sido erradicado.

Hoje, 4 de Outubro de 2012, um conjunto de associações e coletivos dos Açores, consciente da crescente preocupação da sociedade face à proteção dos direitos dos animais, vem manifestar a sua concordância e apoio à petição “Por uma nova política para os animais de companhia” (*), que já conta com mais de 1000 (mil) subscritores.

Assim, considerando também que a presença de animais de companhia no seio das famílias, desde que estas tenham condições para os ter, contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e pode constituir um precioso instrumento de educação das crianças, vimos apelar para que seja:

- Criada, pela Assembleia Legislativa Regional, legislação que promova uma política responsável para os animais de companhia, de forma a evitar o contínuo abate de animais abandonados nos canis municipais e baseada, por um lado, na esterilização dos animais errantes, como método mais eficaz do controlo das populações, e, por outro lado, na adoção responsável dos animais abandonados;

- Criados acordos com as associações de proteção dos animais dos Açores devidamente legalizadas para a implementação a nível local das políticas de defesa dos animais;

- Respeitada a memória de Alice Moderno, transformando o atual Hospital Veterinário Alice Moderno, em São Miguel, em hospital público, onde os animais temporariamente a cargo de associações de proteção ou de detentores com dificuldade ou incapacidade económica possam ter acesso a tratamentos, incluindo a esterilização, a preços simbólicos. Nas restantes ilhas, a função e propósitos do Hospital Alice Moderno deveria ficar a cargo de um Centro de Recolha Oficial.

(*) http://www.peticaopublica.com/?pi=P2012N28493

Açores, 4 de Outubro de 2012

(Nome das Associações por ordem alfabética)
Amigos dos Açores – Associação Ecológica
Amigos do Calhau – Associação Ecológica
Associação Açoreana de Proteção dos Animais
Associação Cantinho dos Animais dos Açores
Associação dos Amigos dos Animais da Ilha Graciosa
Associação Faialense dos Amigos dos Animais
CADEP-CN - Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural de Santa Maria
CAES – Coletivo Açoriano de Ecologia Social
MCATA – Movimento Cívico Abolicionista da Tauromaquia dos Açores

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Alice Moderno e Maria Evelina Sousa e a Proteção dos Animais


Rua Pedro Homem, 15, r/c - local onde funcionou a primeira sede da SMPA

O dia de amanhã, 4 de Outubro, desde 1930, é dedicado, por vários países do mundo, aos animais. Neste dia, são homenageados os nossos amigos animais que, infelizmente, continuam, ainda hoje, a ser desrespeitados por muitos humanos.

Neste texto, uma vez mais, vamos recordar duas pessoas que dedicaram a sua vida à proteção dos animais, Alice Moderno e Maria Evangelina de Sousa.

Alice Moderno, francesa por nascimento, nasceu a 11 de Agosto de 1868 e açoriana pelo coração, faleceu, em Ponta Delgada, a 20 de Fevereiro de 1946. A primeira estudante a frequentar o Liceu de Ponta Delgada perdurará para sempre na memória de todos os que, nos Açores, têm compaixão para com os animais, a quem ela, tal como São Francisco de Assis, designava por “nossos irmãos inferiores”.

Toda a vida de Alice Moderno foi dedicada à procura de melhores de condições de vida para os animais, nomeadamente os de tiro, como cavalos, bois, mulas e burros que transportavam pesadas cargas, por vezes insuportáveis para as suas forças, em muitos casos doentes e famintos, sendo alvo de pancadaria sempre que as suas forças faltavam ou tinham o azar de escorregar em caminhos mais íngremes. Os animais de companhia, nomeadamente os cães que abandonados e depois de recolhidos pelas carroças municipais eram envenenados pelos serviços camarários ou que não sendo apanhados pelas sinistras carroças vagueavam pelas ruas, incluindo as de Ponta Delgada, eram envenenados com doses de estricnina, também, não foram por ela esquecidos.

O labor de Alice Moderno em defesa dos animais não se limitou à escrita, quer nos jornais que criou, como “A Folha”, quer noutros jornais dos Açores onde colaborou, como o Correio dos Açores, onde durante muito tempo manteve a seção “Notas Zoófilas”. Com efeito, para além de ter sido uma das fundadoras da SMPA - Sociedade Micaelense Protetora dos Animais, em 1911, foi sua presidente entre 1914 e 1946, data do seu falecimento.

Mas, a sua preocupação e amor pelos animais era tanta que vinte dias antes de morrer mandou redigir o seu testamento, onde deixou à Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada alguns dos seus bens com vista à criação de um hospital veterinário o qual, segundo o Diário dos Açores de 11 de Agosto de 1967, “à parte a dedicação dos técnicos “, não correspondia à importância do património legado. O mesmo jornal sugeria, na altura, que o mesmo fosse valorizado com vista “a honrar, com inteira justiça, a memória da sua instituidora”.

Na criação da SMPA outra mulher teve um papel de destaque. Com efeito, foi a professora do primeiro ciclo, Maria Evelina de Sousa, diretora da “Revista Pedagógica” quem, com base noutros estatutos, redigiu os da SMPA os quais foram aprovados com pequeníssimas alterações. Evelina de Sousa que também divulgou a causa animal na “Revista Pedagógica” foi colaboradora de Alice Moderno, ao longo da sua vida, tendo sido, também, membro da direção daquela associação.

Hoje, passadas mais de seis décadas do falecimento tanto de Alice Moderno como de Maria Evelina de Sousa, já não se vêm as barbaridades de então, sobretudo porque o progresso fez com que os animais de tiro fossem substituídos por veículos a motor, mas o abandono de animais de companhia não para de crescer como não para de crescer o número dos que são abatidos nos canis. De igual modo é quase diária a chegada de notícias de maus tratos aos animais de companhia um pouco por todo o lado e os animais de tiro que ainda existem nas freguesias rurais continuam a ser tratados como pedras de calçada.

Face ao exposto, para honrarmos a memória das duas pioneiras referidas e de todas as outras pessoas que ao longo dos anos têm dedicado as suas vidas a tentar mudar mentalidades, é fundamental exigir novas políticas públicas para o tratamento dos animais que acabem de uma vez por todas com a que é seguida até hoje e que é a do abate para combater o abandono e a sobrelotação dos canis.

Hoje, numa região que se diz civilizada, é necessário, a par da exigência de uma vida digna para todos os seres humanos, a reivindicação de melhores condições para os animais que connosco partilham a vida na Terra.

É este apelo que fazemos a todas as pessoas de boa vontade e a todas as associações de proteção dos animais que existem nas várias ilhas dos Açores.

Teófilo Braga

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Antero de Quental, esse desconhecido




«Não é lisonjeando o mau gosto e as péssimas ideias das maiorias, indo atrás delas, tomando por guia a ignorância e a vulgaridade, que se hão-de produzir as ideias, as ciências, as crenças, os sentimentos de que a humanidade contemporânea precisa»

Antero de Quental

Foi através da minha professora de Português no Externato de Vila Franca, Laura de Araújo Pimentel, que pela primeira vez ouvi falar em Antero de Quental. Mais tarde, logo depois do 25 de Abril de 1974, tive a oportunidade de ler o livro “O Socialismo de Antero”, de Ângelo Raposo Marques, que me foi oferecido pelo emigrante nos Estados Unidos da América, natural da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, Manuel de Amaral Brum.
Mas quem foi Antero de Quental? Que aspectos da sua vida são menos conhecidos?
Antero de Quental, o Santo Antero, é conhecido pela maior parte das pessoas como um grande poeta português, mas é quase ignorado, pelo menos pelo cidadão comum, o seu talento como ensaísta e a sua experiência de trabalho como operário.
Aos vinte e quatro anos, Antero de Quental, que nasceu em Ponta Delgada, foi viver para Lisboa onde trabalhou como tipógrafo, tendo também exercido a mesma profissão em Paris, em janeiro e fevereiro de 1867.
Em alguns ensaios, Antero de Quental, tal como outros seus companheiros da chamada geração de 70, denunciou as taras da classe dirigente e da igreja portuguesa do seu tempo. De acordo com Raposo Marques, Antero, que distinguia o cristianismo que vivia “da fé e da inspiração” do catolicismo que vivia do “dogma e da disciplina”, era tal como Proudhon, apologista do “ateísmo social que quer reconstruir o “mundo humano sobre as bases eternas da Justiça, da Razão e da Verdade”, com exclusão dos Deuses e das religiões “inúteis e ilusórias”; e adepto da “anarquia individual que exclui dessa “reconstrução”, “os reis, e os governos tirânicos”.
Quase desconhecida, pelo menos pelas gerações mais novas, é a sua ligação ao socialismo, que nada tem a ver com a adulteração do mesmo pelos partidos políticos actuais. Antero de Quental foi, segundo alguns, o primeiro tradutor de Proudhon em português e um dos fundadores do primeiro núcleo da AIT- Associação Internacional dos Trabalhadores, em Portugal.
A propósito de partidos, vejamos o que diz Antero num texto intitulado “A indiferença em política”:
“Um partido é sempre uma memória que pugna por um interesse particular; um povo, a maioria que caminha nas vias do interesse geral.
Já daqui vedes que entre um partido e um povo pouco pode haver de comum. A nação segue a bandeira nacional; o partido a bandeira da sua cor.”
No que diz respeito à AIT, Antero de Quental foi o autor de um opúsculo intitulado “O que é A Internacional?”, que foi publicado em 1871. Nessa publicação escreve Antero, a dado passo:
“O programa político das classes trabalhadoras, segundo o Socialismo, cifra-se em uma só palavra: abstenção. Deixemos que esse mundo velho se desorganize, apodreça, se esfacele, por si, pelo efeito do vírus interior que o mina. No dia da decomposição final, nós cá estaremos então, com a nossa energia e virtude conservadas puras e vivas longe dos focos de infecção desta sociedade condenada.”
A leitura do livro, de Gabriel Rui Silva, “ Manuel Ribeiro, o romance da fé” sobre a vida e a obra de Manuel Ribeiro (1878-1941), o autor mais lido na década de vinte do século passado que, depois de ter sido fundador do Partido Comunista Português converteu-se ao catolicismo, tendo em algumas das suas obras procurado uma aliança entre católicos e comunistas, despertou-me a atenção para a coerência que muitas vezes não existe entre o que se diz e o que se faz.
Para Gabriel Silva, falando na geração de 70, “muitos daqueles que pretendiam limpar o mundo pela afirmação moral, não deixam, neste
capítulo, de mostrar uma ambiguidade que pouco tem a ver com o escrúpulo de Antero”. Ainda sobre o assunto, aquele autor, considerando sempre que Antero foi excepção, menciona o facto de uma geração que foi de “socialistas, ferozmente aguerridos face ao poder e à presença clerical… arautos exemplares do novo que avança e da degenerescência ou decadência nacionais, cosmopolitas da tradição da sátira e do maldizer… se transformam em monárquicos, católicos e nacionalistas depois de jantados e Vencidos da Vida.”
Autor: Teófilo Braga

domingo, 23 de setembro de 2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Há política para além do voto?



19 Setembro 2012 

Em 1849, Proudhon, que foi deputado à Assembleia Nacional no seu país, escreveu que tinha ingressado naquele órgão com entusiasmo, o que tem qualquer principiante, e que fora assíduo, entrando pelas 9 horas da manhã e saindo ao anoitecer, “exaurido de cansaço e de desgosto”
Segundo ele, “absorvido pelas tarefas legislativas, perdia inteiramente de vista os acontecimentos do momento” e acrescentou “que só quem tenha “vivido naquela câmara de isolamento” podia “entender como, quase sempre, justamente os homens que mais completamente desconhecem a situação do país são aqueles que o representam”.
Não posso afirmar, categoricamente, se esta situação se mantém ainda hoje, mas pelas conversas que, esporadicamente, tenho mantido com alguns deputados, parece-me que não deve estar muito longe da realidade.
Preocupados com a “alta política”, muitos dos que dizem ser nossos representantes desconhecem, ou fingem desconhecer, a situação de penúria em que vive uma parte cada vez maior da população que, infelizmente, não se manifesta contra nada por ter sido “treinada” para estar calada, para estender a mão à caridade, para “roubar” a quem tem tão pouco ou um pouco mais do que eles.
Mas, tão grave como o desconhecimento é o silêncio que muitos deputados mantém perante os mais diversos temas. É porque não são os deputados escolhidos pelo seu partido para falar sobre o assunto. É porque não se informaram suficientemente e têm medo de por o pé na argola. É porque conscientemente ou pressionados estão ao serviço de interesses que não são o do bem comum. É porque têm receio de que as suas opiniões não sejam coincidentes com a “linha oficial” do partido. É porque vem aí as eleições e há que assegurar um bom lugar nas listas. É porque….
A propósito de listas, aqui apresento dois exemplos que gostaria que alguém me explicasse:
Que explicação, razoável para além da caça ao voto, existe para que o jornalista Pedro Moura (nada tenho contra o Pedro que sempre me deu tempo de antena no seu programa) esteja coloca do numa posição acima da do governante José Contente que já deu provas como político, goste-se ou não do que ele fez ou como o fez, partilhe-se ou não as suas ideias.
Como se explica a posição do deputado Rui Ramos na lista do seu partido? O seu desempenho ficou muito aquém do desejado? 
Muito antes da campanha eleitoral ter começado ouvi várias pessoas a apelar ao voto no seu partido. A distração ou a ânsia de chegar à Assembleia Legislativa Regional dos Açores é tanta que um dos partidos políticos já tem vários painéis publicitários a pedir o voto aos eleitores.
Mais comedidos, alguns colegas professores, em conversa sobre a situação da região e sobre as previsões dos resultados das próximas eleições regionais, por diversas vezes, sabendo que costumo ser abstencionista, já apelaram para que, independentemente da minha opção, vá votar. O argumento é o do costume: se não fores votar os outros decidem por ti.
Que motivação tenho para votar se vou escolher alguém que já foi escolhido pelos “comités centrais” de todos os partidos? 
Que motivação tenho para votar se o que vou fazer é sempre escolher o que eu penso que em determinado momento é o menos mau?
Que motivação tenho para votar quando sei que há pelo menos dois deputados que são eleitos com uma centena de votos? 
É certo que, neste momento, ainda não decidi se vou deslocar-me a uma mesa de votos. Mas, custa-me muito responder afirmativamente ao pedido que me fazem e porquê?
Porque não admito que me peçam o voto quando depois dele nunca mais querem saber a minha opinião.
Porque não aceito que até hoje não se tenham criado mecanismos para os cidadãos participarem efetivamente na vida social e política da região.

Teófilo Braga

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Escolas a abarrotar e as Laranjeiras com falta de alunos do ensino regular




44 turmas do ‘Secundário’ têm mais de 25 alunos em P. Delgada

19 Setembro 2012 [Regional]

Quarenta e quatro turmas do ensino Secundário em Ponta Delgada têm mais de 25 alunos contrariando uma orientação estabelecida pela secretária regional da Educação e Formação, Cláudia Cardoso, para implementar já este ano.
Foi a Escola Secundária Antero Quental que mais dificuldade teve em acatar a orientação da secretária da Educação. Praticamente 28 turmas do secundário do estabelecimento de ensino têm mais de 25 alunos. E só no sétimo ano conseguiu que as doze turmas tivessem menos do que o limite apontado pelo governo. No oitavo ano há cinco turmas com mais de 25 alunos e três têm mesmo 28 alunos cada. No nono ano há três turmas com mais de 25 alunos e, no décimo ano, em treze turmas, oito têm mais de 25 alunos. A turma ‘K’ tem 30 alunos.
No décimo primeiro ano da Escola Secundária Antero Quental, há seis turmas com mais de 25 alunos. As turmas ‘J’ e ‘N’ chegam a ter 31 alunos cada e a turma ‘D’ tem 28 alunos.
No décimo segundo ano da ‘Antero Quental’, há cinco turmas com mais de 25 alunos. A turma ‘C’ chega a ter 31 alunos e a ‘D’ tem 29 alunos.
Na Escola Secundária Domingos Rebelo há 15 turmas com mais de 25 alunos. Começa logo no oitavo ano com três turmas com mais de 25 alunos e, no nono ano, há duas turmas com 27 alunos. No décimo ano todas as turmas têm 25 alunos ou menos. Já no décimo primeiro ano, das oito turmas que a ‘Domingos Rebelo’ tem, sete têm mais de 25 alunos. Por fim, no décimo segundo ano, em treze turmas, há quatro com mais de 25 alunos. Uma das turmas, a ‘H’, tem 29 alunos e a ‘I’ tem 28 alunos.
Pela positiva, na Escola Secundária das Laranjeiras há apenas uma turma com mais de 25 alunos. É a turma ‘A’ do décimo primeiro ano.
 
Fora de Ponta Delgada, a Escola Secundária da Ribeira Grande tem cinco turmas com mais de 25 alunos, duas delas no décimo primeiro ano e três turmas no décimo segundo ano. Nesta escola, a turma ‘C’ do décimo segundo ano tem 29 alunos.
Na Escola Secundária da Lagoa, a turma ‘A’, no nono ano, tem 26 alunos.

O compromisso de 25 alunos

A 23 de Maio, Cláudia Cardoso ao intervir no lançamento da obra da Escola Básica e Integrada da Horta, revelou que executivo açoriano iria “reorganizar o trabalho escolar por forma a favorecer o cumprimento da escolaridade obrigatória e a optimizar as situações de aprendizagem”.
 
A governante assumiu, na altura, o compromisso de, “já a partir de Setembro diminuir o número máximo de alunos por turma”, na Região.
Explicou que uma das premissas para se desenvolver um trabalho de qualidade “é o ensino mais próximo, a grupos de alunos mais pequenos”.
Por esta razão, anunciou, “fixaremos grupos-padrão de 20 crianças por professor na educação pré-escolar, dos 3 aos 5 anos. No máximo de 23 alunos por docente nos 1.º, 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e no máximo de 25 alunos no ensino secundário”.
 
“Com esta medida”, acentuou a governante, “damos outra margem para o desenvolvimento do trabalho dos docentes” até porque “sabemos bem os desafios com que os professores são hoje confrontados e a heterogeneidade das turmas com que trabalham”.

Sindicato quer 20 alunos por turma

A governante está convencida que esta redução de alunos por turma “permitirá desenvolver um trabalho de maior qualidade”.
 
Cláudia Cardoso fez, então, uma relação com o que se passa no Continente. Esta medida, disse, “ganha ainda maior importância quando assistimos ao aumento do número de alunos por turma no continente, ao agrupamento abrupto de escolas, e ao corte de 864 M€ no Orçamento de Estado...”
Mo dia 14 do corrente, Cláudia Cardoso voltou a sublinhar o objectivo de redução de alunos por turma nos Açores. Só que, no caso de Ponta Delgada, as escolas secundárias tiveram grande dificuldade em seguir a orientação da governante.
O Sindicato Democrático dos Professores dos Açores relevou a diminuição pela secretaria regional da Educação e Formação da turma padrão do ensino básico que se encontra legislada (medida há muito defendida pelo SDPA) e deu nota de que “é necessário investir numa diminuição mais profunda (para os 20 alunos), atendendo ao elevado índice de falta de aproveitamento escolar na Região”.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

No dia Europeu do Pedestrianismo: os primeiros passos, nos Açores




No dia europeu do pedestrianismo, que hoje se comemora, importa, em primeiro lugar, tentar explicar o seu conceito e dar a conhecer os seus primeiros passos nos Açores.

De acordo com a Portaria n.º 1465/2004, de 17 de Dezembro, pedestrianismo é a “atividade de percorrer distâncias a pé, na natureza, em que intervêm aspetos turísticos, culturais e ambientais, desenvolvendo-se normalmente por caminhos bem definidos, sinalizados com marcas e códigos internacionalmente aceites.”

É antiga e perde-se nos tempos, a prática de participar em passeios a pé. Contudo, se quisermos falar em passeios a pé como prática organizada, sobretudo pelas famílias, recuaríamos ao século XVIII e como local apontaríamos a Inglaterra.

No século XIX, a prática de andar a pé em passeios organizados estende-se e passa a ser muito apreciada em França, na Alemanha, na Áustria, na Polónia e nos países escandinavos.

No pós-guerra, final da década de 40, princípio da década de 50 do século XX, em França, começa a implantação de percursos e, em Portugal, só na década de 80 do século passado é que começaram a ser sinalizados os primeiros percursos.

Não recuámos muito no tempo, fomos consultar algumas publicações da primeira metade do século XX e deparámo-nos com notícias relativas a algumas “excursões”. A título de exemplo, mencionamos uma excursão às Sete Cidades, onde parte do trajeto foi feita de “jerico, o mais clássico e tradicional meio de transporte destas paragens” (“Os Açores”, nº 1, Jan de 1928) e um passeio à Caldeira, no Faial, em Julho de 1928, feito a pé e de burro (“Os Açores”, nº9, Set 1928).

Nos primeiros anos da década de 70 do século passado, o Sr. Dr. George Hayes, descendente do comerciante inglês George Hayes (1816-1879) que se estabeleceu em São Miguel no século XIX, começou a organizar passeios pedestres, nalguns dos quais tivemos oportunidade de participar, que contavam com a adesão jovens seus explicandos e amigos.

No início da década de 80, por iniciativa do Sr. Albano Cymbron, começam a ser organizados, em São Miguel, os primeiros passeios pedestres para turistas e, na ilha Terceira, os Montanheiros - Sociedade de Exploração Espeleológica começam a promover os primeiros passeios pedestres. Em 1985, no dia 4 de Maio, os Amigos dos Açores organizam o seu primeiro passeio pedestre que constou de uma subida à Lagoa do Fogo, a partir da Praia de Água d’Alto.

Em 1990, foi editado o livro “Landscapes of the Azores - S.Miguel”. Nele, o seu autor, Andreas Stieglitz, descreve 8 passeios pedestres.

Um ano mais tarde, em 1991, David Sayers e Albano Cymbron editam o livro “The Azores - Garden Islands of the Atlantic - A Guide Walks & Car Tours”, onde, para além de sugerirem diversos percursos de carro, apresentam 32 passeios a pé: 12, em São Miguel, 1 na Terceira, 3 na Graciosa, 8 em São Jorge, 3 no Faial e 5 no Pico.

Em 1992, o Circulo de Leitores, edita o livro “Roteiros da Natureza - Região Autónoma dos Açores”, de António Pena e José Cabral. Nele, os seus autores apresentam 15 circuitos de carro e propõem alguns troços a pé, com destaque para a subida da Montanha do Pico.

Em 1993, os Amigos dos Açores - Associação Ecológica editam o seu primeiro roteiro de um percurso pedestre, o da Ribeirinha, no concelho da Ribeira Grande.

Dois anos depois, em 1995, a Câmara Municipal das Lajes das Flores edita o livro “Roteiro dos Antigos Caminhos do Concelho das Lajes das Flores, Açores”, onde o seu autor, Pierluigi Bragaglia, descreve 26 itinerários, alguns dos quais de muito pequena extensão.

Em Julho do ano 2000, os Amigos dos Açores, no âmbito de um protocolo celebrado com a Secretaria Regional da Economia, promovem a ação de formação “Pedestrianismo e Percursos Pedestres” que contou com a participação de 25 formandos. A 23 de Setembro do mesmo ano, realizou-se a abertura simbólica do primeiro percurso pedestre sinalizado dos Açores, o da Serra Devassa, que contou com a presença do senhor Secretário Regional da Economia, Prof. Doutor Duarte Ponte.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 12 de Setembro de 2012)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

POÇOS DE MARÉ EM SÃO MIGUEL






Um amigo meu de longa data que muito tem contribuído para o conhecimento da fauna açoriana, nomeadamente a existente nas grutas vulcânicas perguntou-me, há algum tempo, se conhecia a existência, na ilha de São Miguel, de poços de maré com o objetivo de tentar encontrar pequenos crustáceos subterrâneos. Segundo ele, a presença de crustáceos subterrâneos, em poços de maré, já foi detetada nas ilhas do Faial, do Pico e de Santa Maria.
Tendo lançado um pedido de ajuda, através do correio eletrónico, fiquei a saber que a esmagadora maioria das pessoas contatadas não tem qualquer conhecimento da sua existência e alguns mesmos acharam que na ilha de São Miguel, dada a abundância de água, nunca houve a necessidade de os construir.
Antes de prosseguir, e para evitar a confusão com poças de maré,  locais onde as águas ficam paradas durante os períodos de maré baixa, esclarece-se que os poços de maré são construídos pelo homem, em locais próximos do mar, podendo a sua forma ser circular, retangular ou quadrangular.
Consultando vários textos da autoria do Dr. Carreiro da Costa, poder-se-á concluir que Ponta Delgada nos primeiros tempos da sua existência terá recorrido a poços de maré para o abastecimento dos seus habitantes. Num dos textos, o Dr. Carreiro da Costa refere a presença de “poços de água salobra”, em Ponta Delgada, e noutro ao falar na falta de água relata a necessidade do recurso aos antigos poços, tendo enumerado “o poço do Areal (do Areal de S. Francisco, junto à fortaleza de S. Brás), e “o poço de S. Pedro”.
Não estarão os nomes de alguns locais e ruas, como a rua do Poço, em Ponta Delgada, e a canada do Poço e o largo do Poço Velho, em São Roque, associados à presença de antigos poços de maré?
Vou continuar as minhas pesquisas bibliográficas e vou partir para o terreno à procura de antigos poços de maré, pois tenho já indicações da sua presença junto à Praia do Pópulo.
Os poços de maré são um marco da luta do homem pela sua sobrevivência em locais onde não existiam nascentes nem ribeiras. Em São Miguel, merecem ser inventariados (se ainda não o foram) e protegidos antes que desaparecem por completo.
Teófilo Braga
(Terra Nostra, nº 577, 31 de Agosto de 2012)

sábado, 25 de agosto de 2012

Entre em Ação

sábado, 18 de agosto de 2012

Ainda a Escola do passado: ordenados e crucifixos




Continuando a minha consulta aos documentos que pertenceram à professora do primeiro ciclo do ensino básico, Maria Ana Carreiro, encontrei dois cadernos onde ela registava as suas despesas e receitas: um relativo ao ano letivo de 1944-1945 e outro respeitante ao ano de 1946-1947.
Através de uma análise aos dois cadernos, verifica-se que, no primeiro ano letivo referido, o ordenado era de 766$30 e no segundo 869$30, no mês de outubro, tendo sido aumentado para 1008$50, no mês de Novembro de 1946. Tendo o cuidado de, com pormenor, analisar as despesas e as receitas, facilmente se chegará à conclusão que naquela época os professores não tinham uma vida desafogada. Com efeito, se a professora Maria Ana Carreiro não desse explicações, ela chamava lições, nomeadamente ao 1º, 2º e 3º anos e de admissão ao liceu, o seu ordenado mal daria para cobrir as suas despesas em alguns meses e noutros ficaria muito aquém daquelas.
Hoje, se continuarem os cortes salariais, incluo o não pagamento do subsídio de férias e do de Natal, a situação de muitos professores, que já não é boa, irá degradar-se tanto que muitos terão de recorrer a outras fontes de receitas, para equilibrar os seus frágeis orçamentos familiares.
O segundo aspeto que queria divulgar, hoje, está relacionado com a presença ou não de crucifixos nas escolas.
Antes de prosseguir, queria registar o facto de, para mim, ser indiferente a sua presença ou não. Considero que as crenças ou a fé, para além de não se encontrarem em qualquer parede, não se medem pelo número de crucifixos nas paredes de qualquer edifício. Contudo, também acho que sendo a escola pública laica e sendo o estado português laico não faz qualquer sentido a presença de cruxifixos e outras imagens religiosas nas escolas públicas, por isso aceito perfeitamente a afirmação do sociólogo Moisés Espírito Santo quando considera “sinal de civismo e maturidade” a sua não presença em escolas não cristãs.
Na década de quarenta do século passado, as circunstâncias eram outras e a polémica acerca dos crucifixos não se colocava. Pelo contrário, terá sido uma conquista para a professora Maria Ana Carreiro ter conseguido adquirir um para a escola do isolado local das Gramas, na Ribeirinha, o que só foi possível com a colaboração do “bom povo” da localidade.
No seu discurso proferido perante algumas autoridades, colegas e alunos, a professora Maria Ana Carreiro, depois de manifestar o seu embaraço por usar da palavra, justificou por que o fazia, dizendo que era grande a alegria por ver na sua escola alçada a Cruz de Cristo.
Para ela, “sendo a criança a mais carinhosa promessa da humanidade e a sua mais ridente esperança” era necessário envidar “todos os esforços na sua preparação para a vida” e acrescentou:
“Mas, nós, os professores primários, prepará-la-emos convenientemente, não só instruindo-a, porque a instrução só por si não basta. É até capaz de produzir monstros. É necessário aliar à instrução a educação, mas a educação cristã e tradicional do nosso querido Portugal.”
Depois de se referir a vários episódios da história de Portugal, sempre “à sombra da Cruz”, como a batalha de Ourique, os descobrimentos que tiveram um “duplo fim:- propagar a fé e dilatar o império”, a oradora ter-se-á referido à primeira república nos seguintes termos: “no entanto, durante algum tempo uma rajada de indiferentismo obscureceu o céu límpido da nossa Pátria e arrancou a tradição gloriosa de tantos séculos de existência cristã” e lembrou o que se estava a passar na Rússia e em Espanha.
Quase a terminar o seu discurso, como era costume na altura, a professora Maria Ana Carreiro falou na obra de António de Oliveira Salazar que foi Presidente do Conselho de Ministros, entre 1932 e 1968, nos seguintes termos:
“Foi por isso que o governo português sob a direção do grande estadista Dr. Oliveira Salazar, que muito se preocupa (com a preparação da juventude) com a educação das crianças, futuros homens, determinou que se colocasse a imagem de Jesus Cristo na escola, para lhes servir de modelo pela vida adiante, daquele Jesus que foi o maior pedagogo e só praticou o bem”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 15 de Agosto de 2012)