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terça-feira, 25 de agosto de 2020

O que visitar em Vila Franca do Campo?

 


O que visitar em Vila Franca do Campo?

 

Pediu-me o Correio dos Açores um texto sobre as principais referências do meu concelho de nascimento, Vila Franca do Campo, a serem visitadas. Dada o meu envolvimento na defesa do ambiente e a minha formação na área ambiental, limitarei o meu texto a aspetos relacionados com a componente natural do ambiente, nomeadamente lagoas, praias, passeios pedestres e jardins.

 

No concelho de Vila Franca do Campo, embora existam outras pequenas lagoas ou lagoeiros, merecem ser visitadas as seguintes: Lagoa do Fogo, Lagoa do Congro e Lagoa do Areeiro.

 

Para a visita à Lagoa do Fogo, que faz parte da Reserva Natural da Lagoa do Fogo, local onde se podem ver alguns exemplares da flora primitiva dos Açores, recomendo a utilização do trilho que tem início na localidade da Praia de Água d’Alto. Nesta localidade recomendo a visita à Central Hidroelétrica da Praia que está musealizada e a realização do percurso pedestre Fábricas da Luz, onde poderão observar o que resta das primeiras centrais hidroelétricas construídas em São Miguel.

 

Nos terrenos adjacentes à Lagoa do Congro cujo espelho de água possui cerca de 0,1 km2 de área, é possível encontramos o que resta da mata ajardinada mandada plantar pelo agricultor, bibliófilo, botânico e paisagista José do Canto com algumas espécies que ele primeiro aclimatou no seu jardim em Ponta Delgada, com destaque para o til, planta endémica dos arquipélagos da Madeira e das Canárias.

 

Para quem já está na Lagoa do Congro aconselha-se uma visita à, infelizmente bastante degradada, Lagoa dos Nenúfares que está muito próxima e à pequena e aprazível Lagoa do Areeiro, situada a noroeste daquelas duas, localizada no interior da cratera do cone vulcânico denominado Pico da Dona Guiomar que não fica muito distante do Monte Escuro.

 

A partir do Monte Escuro, aconselha-se um passeio pedestre até ao Pico da Vela que fica sobranceiro à Lagoa do Fogo. A partir deste pico e ao longo do trilho, tanto Vila Franca do Campo como a Lagoa do Fogo apresentam-se aos nossos olhos com outra fisionomia.

 

No litoral do Concelho de Vila Franca do Campo existem vários locais de fácil acesso onde, sobretudo fora da época balnear é possível, para além de desfrutar do sossego, observar paisagens revitalizantes e contatar com algumas espécies da flora característica das baixas altitudes como a urze, o visgo, o bermim, a erva-leiteira, a diabelha e o bracel, outrora usado pelos caiadores para fazer os pincéis.

 

Como zonas balneares, algumas não “oficiais”, no concelho existem mais de 2,3 km de praias de areia fina que, tal como toda a costa, devem ser mantidas em boas condições de salubridade, evitando a presença de resíduos e impedindo que cheguem ao mar águas residuais não tratadas. Aqui vão, de Oeste para Este, os nomes das praias: Prainha de Água d’Alto, Praia de Água d´Alto, Praia da Pedreira e Praia do Degredo, Praia do Corpo Santo, Praia da Vinha da Areia, Praia da Leopoldina, Calhau da Areia e Praia da Amora.

 

Os apaixonados pelas plantas e por flores não podem perder uma visita aos dois maiores jardins existentes no concelho, o Jardim Dr. António da Silva Cabral, na freguesia de São Pedro, e o Jardim Antero de Quental, na freguesia de São Miguel, que estão a precisar de uma atualização e substituição das placas de identificação das plantas.

 

Com plantas de quase todo o mundo, no Jardim Dr. António da Silva Cabral destaco a presença das seguintes espécies: eucalipto-limão, tulipeiro-arbóreo, cordilina e dragoeiro e no Jardim Antero de Quental merecem uma observação as magnólias, a árvore-do-fogo, a melaleuca, o carvalho-doce e a nolina.

 

Uma visita a Vila Franca do Campo, ficaria incompleta sem uma ida ao mais formoso ilhéu que há nas ilhas, no dizer do cronista Gaspar Frutuoso, e sem ver o panorama que se desfruta a partir do miradouro de Nossa Senhora da Paz.

 

Teófilo Braga

 

(Concelhos especial Correio dos Açores, 32216, 25 de agosto de 2020, p. 15)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Turismo e defesa dos animais



Turismo e defesa dos animais

Um relatório elaborado na sequência de uma investigação realizada pela Unidade de Pesquisa e Conservação da Vida Silvestre da Universidade de Oxford (WildCRU) revelou que 550.000 animais silvestres sofrem devido a atrações turísticas irresponsáveis.
No mesmo relatório é revelado que a maioria das pessoas desconhece que os animais são tratados com crueldade, mas que, ao tomar consciência do facto, decidem não mais visitar os locais onde os maus tratos são praticadas.
O relatório mencionado apresenta o que de pior e o que de melhor se faz na indústria do entretenimento e mapeia “as soluções para desenvolver uma indústria de turismo amiga dos animais, destacando o papel crítico do TripAdvisor”.
O TripAdvisor, que é a maior rede de avaliações turísticas online, disponível em cerca de 50 países e em cerca de 30 idiomas diferentes, por sua vez, no passado dia 11 de outubro, anunciou que vai deixar de vender bilhetes para experiências turísticas em que os viajantes entrem em contato físico com animais selvagens e espécies ameaçadas que estejam em cativeiro.
No que diz respeito às touradas, tal como outros “desportos de sangue”, a referida empresa reafirmou que são um dos negócios que vão manter-se fora da sua listagem de ofertas.
Para o próximo ano, a empresa comprometeu-se com o lançamento de diversas ações que se traduzirão na implementação de mudanças na sua política de venda de bilhetes para atrações com animais e no lançamento de um novo portal educacional com vista a “ajudar a informar os viajantes sobre os padrões de cuidado e proteção de espécies de animais selvagens, ameaçadas e em cativeiro no setor do turismo, sobre a interação destes animais com os turistas e o seu impacto na conservação da vida selvagem”.
Terminamos, saudando a posição da TripAdvisor e condenado todos os que nos Açores ainda não perceberam que o bem-estar animal e os direitos dos animais devem ser respeitados se queremos criar riqueza e distribuí-la equitativamente pelos seus habitantes.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31075, 8 de novembro de 2016, p.16)


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