quarta-feira, 1 de julho de 2026

A(s) flor(es) do Espírito Santo

 


A(s) flor(es) do Espírito Santo

 

A cada época festiva estão associadas flores, que são usadas para ornamentar, as casas, os caminhos onde passam as procissões e os quartos, onde são colocados os santos, como os que vão na Procissão de São Miguel Arcanjo, em Vila Franca do Campo, ou os quartos do Espírito Santo, por ocasião das festas em sua honra em todas as ilhas dos Açores.

 

Neste texto, farei referência mais pormenorizada a uma flor de uma planta que não caiu em desuso ao longo dos tempos, a açucena (Lilium longiflorum), originária do Japão e de Taiwan, cujo período mais provável de floração ocorre nos meses de maio e junho.

 

Sobre o uso da planta referida, em 1962, o etnólogo lagoense, Francisco Carreio da Costa, no jornal “A Ilha”, de 10 de fevereiro de 1962, escreveu o seguinte:

 

 “No tempo do Espírito Santo, o perfume das açucenas e dos goivos é facilmente suportado por todos, o mesmo acontecendo durante o Verão com as flores da conteira e durante o Outono com as beladonas. Nos vasos das cómodas, como nas caçarolas das «floreiras», nos canudos das paredes como nas prateleiras das cozinhas, nas cantoneiras como nas copeiras, aí estão quase todas essas verduras e flores sem causarem a mínima dor de cabeça a quem quer que seja.”

Oriunda da Ásia, desde há muitos anos passou a ser cultivada em várias partes do mundo, tendo chegado a Inglaterra, em 1819, através de Carl Peter Thunberg, explorador, naturalista e botânico sueco.

 

Tal como muitas outras plantas, não podemos indicar com precisão a data nem o nome de quem introduziu a açucena nos Açores, mas a açucena já fazia parte das plantas existentes na primavera de 1856, no Jardim de José do Canto, em Ponta Delgada, que havia sido criado 10 anos antes.

 

A açucena é uma herbácea ereta que pode atingir de 40 cm a cerca de 1 metro de altura. Apresenta folhas verdes lanceoladas e brilhantes e flores grandes brancas, em forma de trombeta..

 

A açucena já foi cultivada, nos Açores, com fins económicos, como se pode depreender de um anúncio publicado no jornal “A Folha”, fundado e dirigido pela feminista e defensora dos animais, Alice Moderno:

AÇUCENAS

Alice Moderno encarrega-se de exportar

açucenas para New York.

Fornece todas as informações

Rua do Castilho nº 1

Ponta Delgada

 

De acordo com um texto publicado no “Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores”, nº 10, editado em 1949, da autoria do Dr. António da Silveira Vicente, professor do Liceu Antero de Quental e produtor de açucenas, em São Miguel cultivavam-se duas variedades: a “Formosum” e a “Harrisii”.

 

De acordo com a mesma fonte, a plantação de açucenas deve ocorrer na primeira quinzena de outubro, sendo os bolbos colocados a uma distância de 20 a 25 cm.

 

A açucena é alvo da escrita de vários autores. Por se assemelhar a várias quadras da cultura popular açoriana, transcrevo uma da brasileira, recolhida por João Simões Lopes Neto:

 

Açucena quando nasce,

Arrebenta pelo pé:

Assim arrebenta a língua

De quem diz o que não é.

 

Pico da Pedra, 1 de junho de 2026

 

Teófilo Braga

 

terça-feira, 30 de junho de 2026

A propósito de uma planta venenosa: a trombeteira

 


A propósito de uma planta venenosa: a trombeteira

 

Fui contactado por um jornalista para me pronunciar sobre uma planta que uma pessoa tinha observado e relativamente à qual considerava estranho não existir qualquer aviso a alertar para o facto de ser venenosa.

 

Através de uma fotografia que me foi enviada, verifiquei tratar-se de uma espécie do género Brugmansia, nativo da América Central e da América do Sul.

 

Algumas espécies deste género são utilizadas para provocar alterações da consciência ou como droga recreativa.

 

Na ilha de São Miguel, sobretudo em espaços ajardinados privados, existem algumas espécies deste género, uma vez que as suas flores são muito vistosas.

 

Não tenho conhecimento de que tenha ocorrido, até hoje, nos Açores qualquer caso de intoxicação resultante do uso indevido destas plantas, conhecidas pelo nome de trombeteiras.

 

Conheço apenas um caso de um jovem que morreu na ilha da Madeira, em 2006, alegadamente por ter ingerido uma infusão preparada com flores de uma trombeteira.

 

Tenho dúvidas de que a colocação de avisos junto destas plantas seja uma medida eficaz. Poderá, inclusivamente, provocar algum alarmismo desnecessário.

 

De qualquer modo, será útil que as pessoas conheçam algumas medidas destinadas a evitar problemas. Assim, recomenda-se que os trabalhadores utilizem luvas e que, caso tenham contacto com a planta, lavem cuidadosamente as mãos. Também não devem queimar os ramos resultantes das podas, uma vez que os fumos libertados são tóxicos.

 

As crianças merecem especial atenção e devem ser alertadas para não colocarem folhas ou flores na boca. Uma posição mais cautelosa será a de não cultivar trombeteiras em espaços frequentados por crianças.

 

Teófilo Braga

Membro da Direção da IRIS – Associação Nacional de Ambiente

 

Nota: Não sou especialista em botânica. Sou apenas um estudioso dos diversos usos que as pessoas fazem das plantas.

 

(Até ao presente não foi publicado qualquer texto sobre o assunto. 1 de julho de 2026)

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Virusaperiódico (189)

 


Virusaperiódico (189)

 

Quase todo o dia 24, Dia de São João, foi passado a repousar. Acabei a leitura do livro “E o Povo é quem mais ordena- Revolução dos Cravos 1974-1976”. Um bom livro que recomendo.

 

No fim do dia, a pedido de um jornalista, escrevi uma nota sobre as plantas do género Brugmansia, oriundas da América Central e do Sul que são usadas nos Açores com fins ornamentais.

 

Comecei o dia 25 com a leitura do livro “Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos”, de Luiz Pacheco. Do livro, sem contextualizar, tirei a frase seguinte, que merece uma reflexão: “No princípio criou Deus  o céu e a terra e destinou -os ambos a serem governados pelos Americanos”.

 

De manhã, com o D., andei por jardins a fotografar e a tirar medidas de árvores. Primeiro no Jardim da Universidade dos Açores, depois no Jardim Antero de Quental e por último, no Jardim António Borges. A tarde foi para ganhar forças …

 

O dia 26 foi dedicado ao ativismo ambientalista, relacionado com a classificação de arvoredo de interesse público e à leitura do livro de Luiz Pacheco.

 

No dia 27 estive em contacto com a natureza em Vila Franca do Campo.  Primeiro na Ribeira Nova, onde inspecionei as colmeias e corrigi um erro. Depois, na Courela, onde, apesar de algumas limitações, limpei algumas bananeiras e bananas.

 

Na Rua do Jogo conversei com um grande produtor de bananas, JN, que me disse que este ano tem sido mau. Foram as temperaturas muito baixas esta primavera e agora está a fazer falta alguma água. Para mim este está a ser o pior ano em termos de produção de bananas.

 

Comecei o dia 28 a divulgar nas redes sociais mais uma planta melífera, a Cymbalaria muralis, que pelo menos a Junta de Freguesia do Pico da Pedra não gosta de a ver nos muros.

 

Durante a tarde estive no quintal a fazer algumas mondas e a transplantar boninas e comecei a preparar garrafas para fazer armadilhas para a mosca da fruta.

 

No fim do dia, voltei a trabalhar em propostas de classificação de árvores de interesse público.

 

28 de junho de 2026

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Virusaperiódico (188)

 


Virusaperiódico (188)

 

No dia 19, de manhã e início da tarde  estive na Maia a conversar e a recordar o passado e fotografei um bonito exemplar de um dragoeiro. De tarde, estive a trabalhar sobre o passado, que merece ficar registado.

 

O trabalho na Courela, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, preencheu o dia 20. Limpei bananas e bananeiras e transplantei algumas.

 

À enorme alegria de ver as plantas crescerem e frutificarem está a associada a profunda tristeza de detetar que fui roubado. Um pequeno filho-de-puta, levou-me uma mandarineira que havia plantado o ano passado.

 

No fim do dia, com o corpo a pedir descanso, apenas li dois contos do 1º volume do livro “Guardadores de Memórias”, de Roberto Pereira Rodrigues.

 

No dia do solstício de Verão comecei a trabalhar muito cedo no computador, tendo começado a escrever um texto sobre o Jardim José do Canto e depois a contatar várias pessoas que estão a colaborar num projeto editorial que não vai permitir que a história seja contada e mal por alguns que são especialistas em deturpar factos, a omitir alguns e a inventar outros.

 

Com dificuldades de locomoção, desisti de trabalhar no quintal, tendo apenas lido algumas páginas do livro de Roberto Rodrigues já mencionado.

 

No dia 22 estive em Vila Franca do Campo em casa de um amigo a recordar o passado e em casa, impedido de ir ao quintal, apenas fiz algumas leituras.

 

No dia 23, a pedido da perna esquerda, apenas estive alguns minutos no Jardim Botânico José do Canto. O resto do dia foi passado a escrever alguns textos no computador e vi, sem pegar no sono, um desafio de futebol. Um dos jogadores passou de besta a bestial.

 

23 de junho de 2026

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Virusaperiódico (187)

 


Virusaperiódico (187)

 

O dia 15 foi para descansar a cabeça, depois de uns meses de muito trabalho “intelectual”.

 

No quintal, arranquei algumas ervas ditas daninhas que passaram a estar a fazer a cobertura do solo e em casa estive cerca de duas horas e meia a tirar favas das vagens e a cortar feijão verde que me haviam sido oferecidas no dia anterior. Se as pessoas imaginassem o trabalho que dá a quem trabalha a terra produzir favas ou feijões antes de chegarem ao prato, valorizavam mais a agricultura e os agricultores!

 

No dia 16 de manhã estive no Jardim José do Canto, onde optei por permanecer algum tempo num recanto. Lá observei pela primeira vez a fava-da-cova e a avenca. Além disso, registei a presença de um exemplar muito interessante de uma árvore-do-fogo e de uma monumental tipuana.

 

Apesar de alguma chuva, no dia 17, foi possível de manhã e no princípio da tarde, na companhia de D., tentar uma visita à Mata do Dr. Fraga. Escrevi tentar, pois apesar das promessas batemos com o nariz no portão.

 

Na Fábrica de Chá Gorreana, estivemos a apreciar algumas árvores, como um metrosídero (robusta) e três gincos, dois deles monumentais.

 

Depois estivemos no Porto Formoso onde observamos uma paulonia, árvore introduzida na Europa, em 1834, a partir do Japão. A seguir estivemos na Ribeira Grande, onde no Mercado, observamos e tiramos algumas medidas a três araucárias monumentais. No Parque Infantil- Jardim Paraíso, fizemos o mesmo à araucária lá existente.

 

Depois de alguns trabalhos domésticos, estive a organizar ficheiros e a ler mais algumas páginas do livro “O Povo é quem Mais Ordena. Revolução dos Cravos 1974-1976”, de Victor Pereira, e do livro “Terras do Espírito Santo”, de Teresa Tomé.

 

17 de junho de 2026

domingo, 14 de junho de 2026

Virusaperiódico (186)

 


Virusaperiódico (186)

 

O dia 10 de junho foi preenchido com trabalho no quintal, sobretudo a mondar a açafroa e o milho de vassoura e a derreter cera de abelha. Ao fim da tarde comecei a leitura do livro “Terras do Espírito Santo”, de Teresa Tomé.

 

Comecei o dia 11, a redigir um texto sobre as três espécies do género Rhododendron existentes no Jardim Botânico José do Canto que pelas árvores de porte monumental merece uma visita.

 

Depois de mais uma sessão de trabalho a derreter cera de abelha e de alguns trabalhos domésticos voltei à leitura do manifesto “Por uma Revolução Ecossocialista”.

 

No dia 12 estive em Vila Franca do Campo, onde assisti à homenagem a alguns vila-franquenses por parte da Câmara Municipal. Entre os homenageados destaco Odete Braga, Simplício Gago da Câmara e Elias Sardinha. Apreciei a comunicação que foi feita pelo orador convidado, Carlos Vieira. Por último, também assisti a uma singela homenagem ao padre António José Pimentel Cassiano.

 

Ao chegar a casa, depois de alguns anos, voltei a ouvir o “piar” de um mocho juvenil.

 

Comecei o dia 13 a preparar uma imagem para uma campanha em curso em defesa das abelhas. Em Vila Franca do Campo, colhi as últimas laranjas e muito poucas bananas. Também limpei algumas bananas e bananeiras.

 

No domingo, dia 14, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental e a um livro que espero que veja a luz do dia ainda este ano.

 

Participei, como orador, na sessão solene de abertura das comemorações dos 25 anos da freguesia da Ribeira Seca do concelho de Vila Franca do Campo, a localidade onde nasci e onde fiz a instrução primária e onde hoje passo alguns dias da minha vida em contacto com a natureza.

15 de junho de 2026

sábado, 13 de junho de 2026

Quem foi Simplício Gago da Câmara?


 Fotografia: Instituto Cultural de Ponta Delgada


Quem foi Simplício Gago da Câmara?

 

Simplício Gago da Câmara, filho de Gil Gago da Câmara e de sua esposa Branca Guilhermina do Canto Medeiros, nasceu a 19 de maio de 1808 e foi batizado no dia 29 do mesmo mês, na igreja de São Pedro, em Ponta Delgada. Faleceu a 7 de agosto de 1888. Foi Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

 

Simplício Gago da Câmara foi um notável filantropo, funcionando a sua casa, em Vila Franca do Campo, como uma verdadeira Misericórdia. Com efeito, “o seu coração é grande, como larga é a sua mão: dá de comer aos que têm fome, consola os aflitos, anima os tímidos e fornece gratuitamente aos enfermos clínicos e medicamentos” (Simplício Gago da Câmara…, 1888).

 

Com o objetivo de promover o desenvolvimento da sua terra, Simplício Gago da Câmara, grande proprietário rural da ilha de São Miguel, criou ao longo da sua vida cinco navios e três grandes fábricas. Nas suas casas e propriedades empregou um elevado número de trabalhadores, garantindo‑lhes o sustento.

 

Grande amante e estudioso da natureza, realizou longas viagens pela Europa, América e Austrália, tendo recolhido vasta informação e elaborado um estudo sobre o cachalote.

 

O seu espírito aventureiro levou‑o à Austrália, onde procurou explorar jazigos de ouro, com o intuito de obter meios financeiros para estabelecer novas indústrias e desenvolver a sua terra. Embora a exploração aurífera não tenha sido bem‑sucedida, a estadia naquele continente permitiu‑lhe selecionar diversas espécies da flora australiana que mais tarde introduziu em São Miguel, nomeadamente eucaliptos, acácias e araucárias.

 

A par de José do Canto e de Ernesto do Canto, Simplício Gago da Câmara foi um dos grandes impulsionadores da reflorestação da ilha de São Miguel, através da oferta de centenas ou mesmo milhares de plantas provenientes dos seus viveiros, localizados no prédio do Convento, em Vila Franca do Campo. Mandou igualmente plantar, nas suas matas de São Brás e da Fajã do Calhau, para além das espécies já referidas, pinheiros, giestas e criptomérias.

 

Outra iniciativa que encetou, embora sem sucesso duradouro, foi a da pesca do bacalhau. Tentando introduzir esta atividade nos Açores, decidiu construir um navio no Porto Formoso, utilizando madeiras das suas próprias matas. Partiu para a Terra Nova, onde a pesca foi proveitosa, mas acabou por perder grande parte do bacalhau capturado durante o transporte para Vila Franca do Campo, onde pretendia proceder à sua secagem. Tratou‑se de uma experiência falhada, mas potencialmente exemplar para os armadores das ilhas.

 

O contributo de Simplício Gago da Câmara para a modernização da agricultura micaelense foi de grande relevância, quer a título individual, quer através da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, na qual exerceu funções de secretário da Comissão Vinícola.

 

Agricultor, produtor de vinho e exportador de laranja, foi o responsável pela introdução em São Miguel da chamada “laranja sevilha”, a partir de sementes obtidas em Londres.

 

Na Gorreana, no concelho da Ribeira Grande, para além da plantação de matas, cultivou chá em conjunto com a sua filha, Ermelinda Pacheco Gago da Câmara (1832-1913), dando início à respetiva industrialização.

 

Enquanto produtor de vinho, explorou sobretudo as vinhas do prédio do Convento, na freguesia de São Pedro. Posteriormente, após adquirir o ilhéu de Vila Franca do Campo, introduziu aí plantações de vinha que subsistiram até meados do século XX.

 

Para além do cultivo do linho, em parte proveniente de sementes oriundas de Riga, cultivou igualmente trigo, tendo introduzido pequenas máquinas portáteis de debulhar, acionadas por dois homens. No domínio da mecanização agrícola, é‑lhe ainda atribuída a introdução de uma máquina a vapor multifuncional existente em São Miguel, utilizada tanto para moer trigo ou milho como para serrar madeira.

 

A criação de gado bovino constituiu igualmente uma das suas atividades, cultivando beterraba para alimentação de suínos, bois de engorda e vacas leiteiras.

 

Entre 1 de julho de 1863 e 1 de julho de 1868, exerceu o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo, período durante o qual saneou a administração daquela instituição, eliminando vícios e abusos que a afetavam. Durante o seu mandato, foram equilibradas as contas da Santa Casa, construída a enfermaria feminina e admitidos dois médicos. Após um período de afastamento motivado por calúnias, voltou a ser eleito provedor, procedendo à atualização dos estatutos, concluindo a enfermaria das mulheres e admitindo um farmacêutico.

 

Demonstrou ainda profunda preocupação com a instrução pública, tendo sido o maior apoio financeiro da Associação das Escolas Móveis, cuja missão era ministrar o ensino das primeiras letras às crianças, segundo o método de João de Deus. Para Vila Franca do Campo, requisitou a 32.ª missão, prestando um valioso auxílio ao professor da associação, José Gonçalves Martins.

 

Principal bibliografia consultada

 

- (1888). Simplício Gago da Câmara-biografia. Lisboa, Imprensa Minerva. 15 pp.

 

Braga, T. (2020). Vidas Exemplares. Ponta Delgada, Letra Lavadas. 327 pp.

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Virusaperiódico (185)

 


Virusaperiódico (185)

 

Logo pela manhã do dia 7, recebi a informação de que um destacado membro da Assembleia Municipal da Ribeira Grande plantou uma espécie invasora na sua propriedade no Porto Formoso, o chorão-trepadeira (Carpobrotus edulis) (ver https://azoresbioportal.uac.pt/pt/especies-dos-acores/carpobrotus-edulis-6374/). Eu que já participei numa ação de arranque daquela espécie, fiquei indignado, pois o que deve ser feito é a sua erradicação e não a sua propagação. Desconhecimento?

 

Ainda de manhã, estive a mondar as plantas que estão no viveiro e dei-lhes alguma água.

 

A tarde foi dedicada à leitura de mais algumas páginas do livro “O Povo é quem Mais Ordena. Revolução dos Cravos 1974-1976”, de Victor Pereira e do manifesto “Por uma Revolução Ecossocialista”, editado pelo Coletivo “Toupeira Vermelha”.

 

No dia 8, estive na Ribeira Nova e na Courela a colher alguma fruta e passei pela tipografia “A Crença” para comprar o livro de Carlos Vieira sobre as festas do Espírito Santo da Mãe de Deus.

 

No dia 9, depois de uma visita ao Jardim José do Canto, passei pela Biblioteca Pública de Ponta Delgada, onde assinei um auto de receção de documentação que lá depositei e pela Livraria Letras Lavadas, para assinar um livro, a pedido de uma compradora. Passei também pela Nova Gráfica, onde fui presenteado com dois livros: um de história e outro sobre literatura. Espero ter tempo para ler todos os livros que estão a aguardar uma leitura.

 

No fim da tarde, dediquei algum tempo à escrita de um pequeno texto sobre plantas.

 

9 de junho de 2026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

A Ponte da Ribeira Seca de Cima

 



A Ponte da Ribeira Seca de Cima

 

No dia 7 de novembro de 1862, o semanário “O Villa-Franquense”, publicou um texto onde chama a atenção para a utilidade de se construir uma ponte na “Ribeira Seca de Cima”. O autor do texto alude à possibilidade de a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo obter o donativo de “rs. 350$000” dos habitantes da Ribeira Seca e de outros vila-franquenses.

 

No dia 28 de novembro de 1862, o referido jornal apresenta uma lista dos primeiros benfeitores que foram: Nuno Gusmão, Álvaro Pereira Bittencourt Lopes, João Borges Botelho de Gusmão, Arcenio Botelho de Gusmão, José Gomes Machado, D. Antónia Maria de Mello, Miguel da Costa Rapozo, Francisco da Costa Brum, Manoel Jacintho de Andrade, Nicolão Teixeira Brazil, João da Motta, José Ignacio, Bernardo José Ferreira, Manoel Tavares Soares, José Furtado de Medeiros Salema, José Jacintho da Costa, Antonio Soares de Oliveira, João Correia Calouro, Manoel Borges Assafrôa, Antonio Jacintho da Camara, Luiz. José Rapozo, Antonio José Rapozo, Francisco da Costa Fofo, José Pereira da Luz, Miguel de Medeiros, José Furtado, José de Amaral, Manoel de Araujo, Manoel Genipero, José de Medeiros, Manoel Luiz Barbeiro, João Furtado Augueiro, Joaquim Soares, Antonio Jacintho Tinxão, Nicolão Padre Cura e João Manoél Estrella.

 

A 5 de dezembro de 1862, o jornal mencionado continua a publicar uma lista de donativos, apresentando pela primeira vez os nomes de alguns habitantes da Ribeira Seca. Aqui vai a listagem: Fulgencio José do Couto, José da Camara, Antonio de Andrade, Francisco de Mattos Amarello, Manoel Valerio e Padre Miguel Furtado do Couto. Da Ribeira  Seca constam os seguintes nomes: Manoel de Andrade, José de Andrade, José de Pimentel, Antonio do Couto, Francisco de Andrade, Manoel Furtado Vinhateiro, Miguel Furtado Formiga, João do Couto, José Gomes, Francisco da Costa Piadura, Manoel de Amaral, Feliciano Rapozo, João Francisco Verdadeiro, Miguel Furtado Salema, João Faial, João Carreiro Violanta, João da Costa Estevão, Francisco da Costa Estevão, Manoel Carvalho, Francisco Ignacio, Manoel de Mattos, Duarte Ferreira, Antonio Furtado Vinhateiro, Manoel da Costa, João Furtado Lima, Manoel Cabral Capote, José Furtado Salema, Manoel Furtado Lima, Manoel de Souza, Manoel Furtado Salema Junior, Antonio Furtado Salema, Manoel de Medeiros Quarquez, Antonio de Souza, Francisco Escaler, Manoel Carreiro, João de Medeiros, Francisco Carreiro, Manoel Furtado Salema, João Escaler, Francisco Carreiro Braga e João Ignacio.

 

A 12 de dezembro do mesmo ano, “O Villa-Franquense” publica a última lista de donativos, agora com habitantes na Ribeira Seca e da Ribeira das Tainhas.  Da Ribeira Seca: Agostinho José, Manoel João Carreiro, Bento d’Andrade, João de Medeiros Bolota, Luiz Carreiro, João Carreiro Filho, Manoel Gomes Pimentel, Manoel de Souza Salgado, Antonio Vicente Rendeiro, José Caetano, José Carreiro, José Botelho, Miguel Botelho, Manoel Ferreira, Francisco Bento, Francisco de Souza Salgado, Manoel Furtado Garoupa, Jacintho Martins, Manoel Martins, Manoel Gomes, Manoel João Furtado, Francisco Botelho, Antonio de Lima Carvalho, Francisco Branco, José Branco, João Branco Filho, José da Costa, Antonio Carreiro Braga, Antonio Ferreira, Manoel Pacheco, Francisco Pacheco, Manoel Liborio, Manoel José de Souza, Manoel Pacheco, Manoel Furtado Feitor, José Ferreira, Antonio Galego, Antonio Sargo, Antonio d’Oliveira, Francisco de Souza Leite e Francisco Ferreira. Da Ribeira das Tainhas, contribuíram: Francisco da Carreira Piquete, Jacintho José Rapozo, Arcenio Moniz Furtado, Manoel Moniz Furtado, Manoel Furtado Lourença, Antonio Furtado Bragoim, Manoel Matheos, Antonio Furtado Duque, Antonio Furtado Lourença, Francisco Pacheco, José Furtado Fontes, Francisco Moniz Furtado, Exm.º Barão das Laranjeiras, Antonio Jacintho Jorge e Luiz Freitas da Silva Junior.

 

Atingidos os “rs. 350$000”, valor que não sabemos se foi suficiente para a construção da ponte, esta terá sido inaugurada em 1873, como indica uma inscrição existente na mesma gravada em pedra.

 

25 de maio de 2026

 

Teófilo Braga

sábado, 6 de junho de 2026

Virusaperiódico (184)

 


Virusaperiódico (184)

 

No primeiro dia de junho, continuei a divulgar o lançamento do livro “Açores 500 Flores”, estive a rever um texto sobre memórias do longo Verão Quente nos Açores e rascunhei um artigo para o jornal da Casa do Povo do Pico da Pedra.

 

O Rex regressou a casa, mas vai ficar sujeito a medicação enquanto vida tiver.

 

Comecei o dia 2 a organizar ficheiros de fotografias sobre plantas melíferas, tendo neste momento o registo de 74. É uma pena não haver uma publicação sobre o assunto nos Açores com o período de floração. Seria um instrumento de trabalho muito útil para os apicultores. Visitei um espaço ajardinado, onde encontrei algumas árvores mal classificadas. Há “especialistas” muito criativos.

 

No dia 3, destaco o lançamento do livro “Açores 500 Flores” de que sou coautor com Raimundo Quintal. Registo a oferta que recebi do Editor das Letras Lavadas, um exemplar especial do livro.

 

No dia 4,visitei o Pinhal da Paz, almocei a ver aviões a aterrar e a levantar e acabei o dia a visitar a Mata do Pópulo. Um dia muito preenchido!

 

No dia 5, Dia Mundial do Ambiente, a principal atividade foi uma visita à Quinta do Agricultor na Relva. Um espaço que merece ser mais conhecido por parte de residentes e visitantes. No fim do dia ainda houve tempo para a leitura das primeiras páginas do livro “O Povo é quem Mais Ordena. Revolução dos Cravos 1974-1976”, de Victor Pereira, editado pela Fora de Jogo.

 

No dia 6, visitei a Mata do Dr. Fraga, na Maia, as “Terras do Chá”, na Lombinha da Maia, e a Fábrica de Chá, no Porto Formoso.

 

6 de junho de 2026

quarta-feira, 3 de junho de 2026

NO LANÇAMENTO DO LIVRO "AÇORES 500 FLORES"



 NO LANÇAMENTO DO LIVRO "AÇORES 500 FLORES"


Boa tarde,

 

Saúdo e agradeço a presença de todos.

 

Falar em último lugar é uma vantagem, pois tudo o que de importante havia para dizer já foi dito.

 

Assim, resta-me agradecer a todas as pessoas que tornaram esta obra possível.

 

Este livro, tal como os três anteriores, “Jardim Botânico José do Canto -100 árvores” (2018), Árvores dos Açores-Ilha de São Miguel”(2019) e “Mata do Dr. Fraga -Herança Viva de um Madeirense” (2022) é o resultado da parceria de um cidadão “endémico” da Madeira e de outro “endémico” dos Açores.

 

Tal como os anteriores, este não seria possível sem a colaboração de outras pessoas que aproveito para agradecer reconhecidamente. Destaco os seguintes nomes: José António Pacheco que nos honrou com a escrita do prefácio e com o “arranjo floral da sala”, Helena Melo Medeiros e Segismundo Martins pela leitura atenta do texto e das provas tipográficas bem como pelas sugestões apresentadas, Carina Costa, Francisco Ribeiro, Jean-Claude Maret, Lúcia Ventura, Manuel Moniz da Ponte e Maria Helena Câmara pela generosa cedência de fotografias.

 

Não podíamos também deixar de referir a  Editora Letras Lavadas, na pessoa do seu timoneiro Ernesto Rezendes, que prontamente acedeu à publicação do livro, bem como a equipa de trabalho da Nova Gráfica, em especial a Pedro Melo, pela paginação do livro e Jaime Serra, pela bela capa do mesmo.

 

Um agradecimento especial às pessoas que convidamos para apresentar o livro, o Dr. Gualter Furtado e o Eng. José António Pacheco.

 

Este livro, resultado de investigação histórica e de muito pesquisa de campo, não seria possível sem a colaboração de largas dezenas de pessoas que responderam a um inquérito sobre o uso ornamental das plantas realizado em 2025 e de muita conversa sobre o assunto que mantivemos com muitas outras, ao longo dos últimos anos. A todos o nosso muito obrigado.

 

Este “Açores 500 Flores”, foi o livro que mais prazer e talvez sofrimento me deu. Só refiro o agradável, recordei a minha infância, sobretudo a procissão dos Enfermos na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, nomeadamente a ornamentação da Rua do Jogo, que era totalmente coberta com verdura de criptoméria e cujo tapete central era feito exclusivamente com flores, a esmagadora maioria de azáleas. Como não havia flores suficientes em Vila Franca, a maioria era colhida nas Furnas, nas bermas das estradas e em prédios privados. Lembro-me de há cerca de 60 anos ter ido com ninha avó Maria dos Santos Verdadeiro, na camioneta do Varela, colher azáleas na Grená, pois por respeitarmos as plantas, era-nos dada permissão pelo senhor Manuel que era quem tomava conta da mesma.

 

Termino com a citação do texto “Amar as flores” que encontrei no nº de abril de 1849 do Agricultor Michaelense:

 

Quando me perguntam para que servem as flores ou arbustos, o meu primeiro desejo é examinar o comprimento das orelhas d’ um tal.

 

Pesa-me o coração estar a medir tudo pelo padrão da mera utilidade e proveito; e do coração me compadeço de todos os que não acham na vida outro prazer senão no lucro pecuniário, ou no gozo puramente animal de comer e beber.

 

Espero que o livro seja do agrado de todos.

 

Muito Obrigado!


3 de junho de 2026

 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Virusaperiódico (183)

 


Virusaperiódico (183)

 

Na companhia do D., no dia 28 de maio visitei o Jardim do Palácio de Santana  e o Pinhal da Paz. Observamos árvores dignas de serem classificadas como de interesse público em ambos os espaços verdes. No Pinhal da Paz, tiramos algumas medidas a um eucalipto (robusta) e a um vinhático.

 

De tarde, estive a trabalhar num livro que há-de surgir para o final do ano, se tudo correr bem.

 

Comecei o dia 29 a organizar as imagens tiradas no dia anterior, o que fez com que estivesse ocupado grande parte da manhã. Ainda de manhã, comecei a fazer a divulgação de uma visita guiada à Mata do Dr. Fraga, na Maia, no próximo dia 6 de junho.

 

De tarde, estive a fazer trabalhos domésticos e a preparar materiais e equipamentos para levar para a terra amanhã.

 

Li que um membro do Governo Regional voltou a falar em hidrogénio verde. Há cerca de 20 anos, o hidrogénio já era apresentado como a grande solução para os problemas energéticos dos Açores. Até se falava que exportá-lo. Continuo a esperar, mas sentado.

 

No dia 30, São Pedro não foi meu amigo. Devido à chuva só estive em Vila Franca do Campo de manhã, ficando o trabalho na terra por fazer. De tarde, acabei de ler o nº 13 da revista Ecossocialismo e voltei a trabalhar sobre plantas e flores.

 

Tomei conhecimento da morte do pensador francês Edgar Morin. Dele possuo e li vários livros, penso que o primeiro foi "O Paradigma Perdido: a Natureza Humana". O Mundo ficou mais pobre.

 

Hoje, de urgência, o Rex foi ao veterinário e teve de ficar internado. A idade a causar estragos.

 

O dia 31 foi de descanso e de divulgação do lançamento do livro “Açores 500 Flores”.

31 de maio de 2026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Virusaperiódico (182)

 


Virusaperiódico (182)

 

Com o livro sobre as flores dos Açores a ser impresso, dediquei a manhã do dia 21 a outro que aí vem. De tarde, estive numa sessão promovida pela ASSP e passei pela Nova Gráfica, onde assisti à impressão de algumas páginas do livro mencionado.

 

No dia 22, acompanhei uma turma do 11º ano da Escola Secundária das Laranjeiras que visitou o Jardim Botânico José do Canto e depois fez uma parte do percurso de Antero de Quental no último dia da sua vida. Foi agradável rever alguns dos meus últimos alunos do 8º ano de escolaridade e que agora já estão a frequentar o 11º ano.

 

No dia 23, apesar de algumas limitações físicas, estive na Ribeira Seca de Vila Franca, primeiro na Ribeira Nova, onde semeei milho-de-vassoura e açafroa. Espero que as plantas consigam sobreviver ao ataque dos coelhos. Na Courela, para além de limpar algumas bananeiras e bananas, também semeei um rego de milho-de-vassoura e outro de açafroa. Recebi, a título de oferta, entre outras prendas, couves, batatas, nabos, ervilhas e doce de amora.

 

No domingo, dia 24, para além de algumas tarefas domésticas e de escrever um texto sobre a ponte da Ribeira Seca, estive a ler alguns textos do livro “Humor na Literatura Açoriana Antologia”.

 

Comecei a segunda-feira da Pombinha, dia 25, a divulgar o lançamento do livro “Açores 500 Flores” e a terminar o texto sobre a ponte da Ribeira Seca, cuja data de conclusão ainda não tenho confirmada.

 

Mais uma vez a ribeira da Ribeira Grande apareceu conspurcada por excrementos ou terra misturada com os mesmos. Li que a Câmara Municipal da Ribeira Grande iria criar um piquete ambiental. Espero estar enganado, mas penso que servirá para pouco. O que é preciso é evitar que haja escorrências para aquela linha de água e isto faz-se com um decente ordenamento e uso do território.

 

25 de maio de 2025

No Dia Nacional dos Jardins- O amor pelas plantas e jardins

 


No Dia Nacional dos Jardins- O amor pelas plantas e jardins

O cultivo de plantas ornamentais terá começado com os primeiros povoadores dos Açores, o que terá também ocorrido com a criação de jardins ou espaços ajardinados, como se prova pelas descrições do cronista Gaspar Frutuoso, nas “Saudades da Terra”.

 

No Livro IV, ao descrever a cidade de Ponta Delgada pode-se ler o seguinte: “… mas é tão populosa a cidade de gente tão rica que tudo pode, ainda que muita lhe custa, e a tem cercada ao redor de muitas quintas e pomares, afora os frescos jardins que dentro de si tem.”

 

No que diz respeito à cidade de Angra, no Livro VI, encontra-se, entre outos, o seguinte texto: “Afora a ribeira do Telhal, que corre pela parte do oriente, perto da freiguesia da Concepção, pelo meio desta cidade corre outra grossa ribeira de água, a qual vem ter ao porto, com que se regam muitos jardins que nela há…”

 

Na ilha de São Miguel, foram várias as pessoas que ao longo dos tempos manifestaram a sua paixão pelas plantas, nomeadamente as que criaram os grandes jardins, que ainda podem ser apreciados.

 

Em lugar de destaque, figura o nome de José do Canto (1820-1898), responsável pela criação do Jardim Botânico que, em Ponta Delgada, ostenta o seu nome, pela Mata-Jardim existente na margem da Lagoa das Furnas e pela Mata-Ajardinada da Lagoa do Congro. José do Canto terá introduzido cerca de 6 000 espécies.

 

António Borges da Câmara Medeiros (1812-1879) foi o criador do seu jardim em Ponta Delgada e do Jardim Pitoresco nas Sete Cidades.

 

José Jácome Correia (1816-1886), que tem o seu nome ligado ao Palácio de Santana e ao seu jardim, tal como seu primo José do Canto, foi responsável pela introdução em São Miguel de várias espécies vegetais.

 

Ernesto do Canto (1831-1900), em conjunto com José Jácome Correia, António Borges de Medeiros, José Maria Raposo d’Amaral e António Botelho de Sampaio Arruda, criou o Vale das Murtas, hoje conhecido como Parque Dona Beatriz, nas Furnas.

 

Guilherme João de Fraga Gomes (1875-1952), médico natural da Madeira, apaixonado por fetos criou na Maia, a Mata do Outeiro Redondo, hoje designada Mata do Dr. Fraga.

 

Tomaz Hickling (1745-1834) construiu o que é hoje o magnifico Parque Terra Nostra, nas Furnas. A este jardim também está associado, entre outros, António Borges de Medeiros da Câmara e Sousa (1829-1913), que nele introduziu significativos melhoramentos.

 

Por último, uma referência a João Carlos Scholtz (1741-1823) que numa quinta na Arquinha, em Ponta Delgada, e numa propriedade que possuía nas Socas, na freguesia do Livramento, aclimatou diversas espécies com destaque para a canforeira (Laurus camphora), cuja designação atual é Cinnamomum camphora, e o tulipeiro (Liriodendron tulipifera).

 

Na ilha do Faial, entre as pessoas apaixonadas por jardins, destacamos Manuel Inácio de Sousa, licenciado em Cânones em Coimbra e Mateus José de Sequeira, cônsul de Espanha, que criaram os primeiros jardins de regalo na ilha na segunda metade do século XVIII (Arruda, 2015).

 

Alguns dos membros da família Dabney, que se instalou no Faial em 1806, também se interessaram pelas plantas e consequentemente por jardins.

 

John Bass Dabney construiu junta da villa "Bagatelle" um jardim que segundo Arruda (2015) poderá ter sido “, o primeiro campo de experimentação de espécies botânicas a ser instalado nos Acores”. De acordo com o mesmo autor, naquele espaço existiam “mais de 90 espécies de árvores de fruto, árvores ornamentais, arbustos (fruto e ornamental), flores e plantas aromáticas, e hortícolas.”

 

Charles William Dabney, filho de John Bass Dabney, também se interessou pelas plantas, tendo de algum modo, dado continuidade à paixão do pai. Segundo, Ricardo Madruga da Costa, num texto datado de 2003, publicado na Enciclopédia Açoriana, acolheu “naturalistas, viajantes e jornalistas que na sua residência e nos jardins da Bagatelle “encontram sempre acolhimento e motivo de encanto. A literatura de viagens da época dedica ao Faial encomiásticas páginas a que o nome de Charles William Dabney, invariavelmente, está associado, sendo certo que os jardins da sua residência inspiraram algumas das referências mais elogiosas”.

 

Na ilha do Faial, para além dos pequenos jardins existentes na cidade da Horta, é digno de visita o Jardim Botânico do Faial, criado em 1986, na Quinta de São. Lourenço, que tem aproximadamente 5600 m2 de superfície.

 

Organizado por áreas, há um espaço preenchido com espécies botânicas nativas e endémicas, há um com plantas medicinais e aromáticas, outro com plantas ornamentais e também um espaço destinado à multiplicação de endémicas.

 

Em 1995, foi criado um polo do Jardim Botânico do Faial, o Jardim Botânico de Pedro Miguel vocacionado para a conservação de habitats e espécies características da Laurissilva, com cerca de 60 000 m2.

 

Na ilha Terceira merece lugar de destaque o belga François Joseph Gabriel (1835-1897) que foi o autor do projeto inicial do Jardim Duque da Terceira. Antes de se fixar na Terceira, esteve em São Miguel, onde colaborou com António Borges e José Jácome Correia, nos seus jardins.

 

Na ilha Terceira, para além de ter colaborado em vários jardins particulares, trabalhou na Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, sendo o responsável pelo plantio das árvores na Praça Velha. Também foi da sua iniciativa a introdução e aclimatação de várias espécies, entre as quais o metrosídero [possivelmente Metrosideros excelsa], o eucalipto-limão [Corymbia citriodora] e a araucária [provavelmente Araucaria heterophylla].

 

Para além do Jardim Duque da Terceira existem na ilha Terceira, pequenos jardins particulares. No concelho de Angra do Heroísmo, segundo Bogas (2003), a Zona de São Carlos “por razões históricas e sociais [é] aquela onde o embelezamento das propriedades, recorrendo à implantação de jardins, é mais evidente e relevante”.

 

Na ilha do Pico destacou-se Francisco Inácio de Medeiros, que na sua Quinta das Rosas, com uma área de 3 hectares, colecionou várias espécies botânicas, com destaque para as roseiras.

 

 

Bibliografia

 

Arruda, L. (2015). Evolucionismo nos Açores e outros estudos. Angra do Heroísmo, Instituto Açoriano de Cultura. 438 pp.

 

Bogas, T. (2003). Os jardins como expressão da organização do Mundo Rural na transoceanidade dos Açores (Angra do Heroísmo). Relatório de estágio da Licenciatura em Engenharia Agrícola. Angra do Heroísmo, Universidade dos Açores. 170 pp.

 

Costa, F. (1989). Etnologia dos Açores, Vol.1, Lagoa, Câmara Municipal da Lagoa. 420 pp.

 

Quintal, R., Braga, T. (Árvores dos Açores - Ilha de São Miguel. Ponta Delgada, Letras Lavadas.240 pp.

 

O Agricultor Michaelense, nº 48, abril de 1848.

 

O Agricultor Michaelense, nº 26, fevereiro de 1850.