segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Virusaperiódico (201)

 


Virusaperiódico (201)

 

O dia 21 foi destinado a tratar de burocracias relacionadas com os canídeos que vivem cá em casa e a algumas leituras. Aproveitei para fotografar a primeira e penso que única fachada de uma casa, no Pico da Pedra, que esteve ornamentada com urtigas (cóleos) durante as festas da padroeira.

 

No dia 22 voltei à ilha Terceira para participar num colóquio sobre Jaime Brasil (https://www.youtube.com/watch?v=PvDvJ-PLzqg&t=3755s). Em Angra tive a oportunidade de observar pela primeira vez uma monumental Ficus microcarpa que merece ser classificada como árvore de interesse público.

 

O dia 23 foi dedicado a preparar todo o material para um próximo livro que vai dar muito que falar. Comecei a leitura de “Histórias da PIDE-vol. 2”, de José Pedro Castanheira.

 

No dia 24 entreguei na tipografia o texto e as imagens do livro já referido e voltei às pesquisas para confirmar a origem de algumas fotografias. No início da noite, vi, sem pegar no sono, um fraco jogo da seleção nacional de futebol.

 

No dia 25 passei pelo Jardim Botânico José do Canto quase exclusivamente para observar o crescimento dos bambus-gigantes e estive o resto da manhã a consultar jornais na Biblioteca Publica Regional de Ponta Delgada.

 

No sábado, dia 26, estive em Vila Franca do Campo a limpar bananas e bananeiras e a arrancar e cortar conteiras. Colhi as primeiras batatas yacon, alguns jambos e feijoas.

 

No domingo, dia 27, em casa estive a fazer pesquisas nos primeiros jornais A VILA publicados depois de 25 de Abril de 1974. Continuei a leitura do livro de José Pedro Castanheira e voltei às pesquisas sobre as plantas e as suas utilizações nos Açores.

 

27 de setembro de 2026

sábado, 26 de setembro de 2026

Jaime Brasil

 

Diário Insular, 22 de setembro de 2026

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Homenagem a Jaime Brasil

 

Avatar de A IDEIA: Revista de Cultura Libertária

Por A IDEIA: Revista de Cultura Libertária em setembro 23, 2026

No âmbito do 130.º aniversário do nascimento e do 60.º da morte de Jaime Brasil, a Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro (Ilha Terceira) organizou uma exposição e um colóquio com participação de Ricardo Alves e Teófilo Braga.

Para assistir ao colóquio, basta clicar no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=PvDvJ-PLzqg&t=3755s

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Virusaperiódico (200)

 


Virusaperiódico (200)

 

No dia 11, estive a ler alguns textos de Jaime Brasil publicados no Suplemento d’A Batalha, nos anos 20 do século passado. Confirmei que Brasil era desalinhado da maioria dos pensadores do seu tempo, mesmo dos que estavam na sua área ideológica.

 

O dia 12 de setembro foi passado quase todo na Ribeira Nova a mondar e a arrancar infestantes. Aproveitei a oportunidade para “inspecionar as colmeias”, tendo verificado que até agora há muito pouco mel.

 

A manhã do dia 13 foi passada no Porto Formoso a apreciar a maior exposição de urtigas (cóleos) que conheço e que merece ser classificada como património cultural municipal. A tarde foi para preguiçar, pois todos temos o direito, pouco reivindicado, à preguiça.

 

No dia 14 estive a preparar alguns vimes para depois usá-los em “empalhar” uma garrafa ou fazer um pequeno cesto. Recebi a oferta de cerca de uma centena e meia de livros. Terei tempo útil para ler algumas dezenas que me despertaram a atenção?

 

No dia 15 passei pelo Jardim Botânico José do Canto para acompanhar o crescimento dos novos rebentos do bambu-gigante e tentar localizar os jambeiros existentes. Verifiquei que há duas plantas adultas que ou não frutificam ou produzem muito poucos frutos  talvez por estarem em locais com muito pouca luz solar.

 

No dia 16, estive a ler os primeiros textos da revista “Flauta de Luz”, recentemente chegada e a reler uma publicação sobre o Dr. José Pereira Botelho.

 

Na quinta-feira, 17, e na sexta-feira, 18, andei por Vila Franca do Campo a conviver com familiares e amigos e a fazer algumas (poucas) colheitas.

 

No dia 19, estive a fazer algumas limpezas no quintal e a reler alguns textos sobre o escritor injustamente esquecido Jaime Brasil.

 

Finalmente, no domingo, 20, li alguns textos da revista “Ecossocialismo”. Como é dia de festa no Pico da Pedra, também foi dia de convívio familiar.

 

20 de setembro de 2026

sábado, 19 de setembro de 2026

Jaime Brasil e o seu tempo

 



Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro

𝗖𝗼𝗹𝗼́𝗾𝘂𝗶𝗼 | 𝗢 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼 𝗱𝗲 𝗝𝗮𝗶𝗺𝗲 𝗕𝗿𝗮𝘀𝗶𝗹 (𝟭𝟵𝟮𝟲-𝟭𝟵𝟲𝟲)
No ano em que se celebram 50 anos da autonomia dos Açores, a BPARLSR organiza uma exposição e um colóquio em torno da personalidade de Jaime Brasil, um defensor intransigente da liberdade de pensamento, da justiça social e do espírito crítico — pilares fundamentais que também sustentam o percurso histórico e identitário dos Açores.
Embora tenha vivido grande parte da sua vida fora do arquipélago, Jaime Brasil encarnou o inconformismo e a abertura ao mundo característicos da alma açoriana. A sua trajetória como jornalista, escritor e opositor à censura reflete a autonomia intelectual e cívica que as comemorações dos 50 anos da autonomia visam celebrar, mostrando como o pensamento livre e a resistência cultural são essenciais para a construção de uma sociedade democrática e emancipada.
𝗢 𝗰𝗼𝗹𝗼́𝗾𝘂𝗶𝗼 𝗱𝗲𝗰𝗼𝗿𝗿𝗲𝗿𝗮́ 𝗻𝗼 𝗱𝗶𝗮 𝟮𝟮 𝗱𝗲 𝘀𝗲𝘁𝗲𝗺𝗯𝗿𝗼, 𝗮̀𝘀 𝟭𝟴𝗵𝟬𝟬 (𝗵𝗼𝗿𝗮 𝗹𝗼𝗰𝗮𝗹), 𝗻𝗼 𝗮𝘂𝗱𝗶𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗼 𝗱𝗮 𝗕𝗶𝗯𝗹𝗶𝗼𝘁𝗲𝗰𝗮, 𝗲 𝘀𝗲𝗿𝗮́ 𝘁𝗿𝗮𝗻𝘀𝗺𝗶𝘁𝗶𝗱𝗼 𝗲𝗺 𝗱𝗶𝗿𝗲𝘁𝗼. 𝗖𝗼𝗻𝘁𝗮𝗿𝗮́ 𝗰𝗼𝗺 𝗮 𝗽𝗿𝗲𝘀𝗲𝗻𝗰̧𝗮 𝗱𝗼𝘀 𝗰𝗼𝗻𝘃𝗶𝗱𝗮𝗱𝗼𝘀 𝗥𝗶𝗰𝗮𝗿𝗱𝗼 𝗔𝗹𝘃𝗲𝘀 𝗲 𝗧𝗲𝗼́𝗳𝗶𝗹𝗼 𝗕𝗿𝗮𝗴𝗮.
𝗥𝗶𝗰𝗮𝗿𝗱𝗼 𝗔𝗻𝘁𝗼́𝗻𝗶𝗼 𝗔𝗹𝘃𝗲𝘀 nasceu em Lisboa, em 1964, e é licenciado em História. É autor de 100 Cartas a Ferreira de Castro (1992; 2.ª ed., 2007), Ferreira de Castro / Roberto Nobre: Correspondência (1922–1969) (1994), Eça e os Vencidos da Vida em Cascais (1998), José da Cunha Brochado na Corte de Luís XIV (1999), Eça no Egito (2001), Anarquismo e Neorrealismo: Ferreira de Castro nas Encruzilhadas do Século (2002), Roberto Nobre: Uma Vida por Imagens (2003), Poezz: Jazz na Poesia em Língua Portuguesa (2004), Museu Ferreira de Castro: Catálogo (2005), Viajar com… Ferreira de Castro (2005; 2.ª ed., 2016), Jaime Brasil: Cartas a Ferreira de Castro (2006) e Fernando Lopes-Graça e a Presença (2013). Publicou ainda diversos artigos sobre estes autores, bem como sobre Almeida Garrett, Assis Esperança, Camilo Castelo Branco, Jaime Cortesão, Jorge Amado, Luís Cardim, Raul Brandão e Reinaldo Ferreira (Repórter X), entre outras figuras e temas da história cultural portuguesa, incluindo a revista Seara Nova.
𝗧𝗲𝗼́𝗳𝗶𝗹𝗼 𝗕𝗿𝗮𝗴𝗮 nasceu em Vila Franca do Campo, a 22 de outubro de 1957. Foi professor de Física e Química no 3.º ciclo do ensino básico e no ensino secundário. É bacharel em Ciências Físico-Químicas/Matemática pela Universidade dos Açores, possui o Curso de Estudos Superiores Especializados em Administração Escolar pelo Instituto Superior de Educação e Trabalho, do Porto, e é mestre em Educação Ambiental pela Universidade dos Açores.
Foi delegado sindical e membro dos órgãos sociais do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores. Defensor do cooperativismo, esteve ligado à delegação de Ponta Delgada da Cooperativa Semente e presidiu à Cooperativa de Consumo do Pico da Pedra.
Ligado, desde 1982, aos movimentos ecologista e de defesa dos animais, foi um dos fundadores e presidente da direção dos Amigos dos Açores – Associação Ecológica. Coordena o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente.
É autor e coautor de diversos roteiros de percursos pedestres e de várias publicações dedicadas à energia, ao ambiente e ao património natural. Entre as suas obras destacam-se Lagoas e Lagoeiros da Ilha de São Miguel (coautor), Património Espeleológico da Ilha de São Miguel: Grutas, Algares e Vulcões (coautor), Vidas Exemplares, Jardim Botânico José do Canto: 100 Árvores (coautor), Árvores dos Açores: Ilha de São Miguel (coautor), Mata do Dr. Fraga: Herança Viva de um Madeirense (coautor), Plantas Usadas na Medicina Popular nos Açores, A Família Miranda e os Açores: Resistência e Multiculturalismo (coeditor), Resistência e Liberdade: Dicionário de Opositores ao Estado Novo nos Açores, Plantas Maravilhosas e Açores: 500 Flores (coautor).
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Fonte: https://www.facebook.com/BPARLSR

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Virusaperiódico (199)

 


Virusaperiódico (199)

 

O dia 6 de setembro foi passado na Courela e na Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo. Na Courela limpei bananas e bananeiras e estive a tirar algumas guias dos quivis. Na Ribeira Nova, arranquei alguns feitos, tabaqueiras e conteiras que em poucos meses estavam a cobrir as plantações de endémicas.

 

Apesar da desgraça deste ano em termos de frutas, colhi poucas bananas e os primeiros jambos.

 

Porque me deitei muto cedo, na madrugada de domingo dediquei algum tempo ao ativismo ambiental no âmbito da IRIS, corrigi algumas informações do texto de um livro que irá para a tipografia em breve e reli algumas partes do livro de João Freire: “Quatro Itinerários anarquistas- Botelho, Quintal, Santana e Aquino”. Adriano Botelho era natural da ilha Terceira, Emídio Santana e Tomás de Aquino estiveram presos na mesma ilha.

 

Cansado do trabalho no sábado, para além da leitura, semeei chocalheiras e estive a descascar vimes.

 

O dia 7 foi atípico, não consegui fazer nada de jeito a não ser correr roupa. Nada de jeito também foram as notícias que recebi. A primeira, foi a de um ex-PCP (será que alguma vez foi comunista?) era agora figura com algum destaque num partido de protofascistas em que alguns nem sabem que o são. A segunda foi que na Ucrânia a prostituição iria ser legalizada por uma boa causa, financiar a guerra.

 

No dia 8 passei pelo Jardim Botânico José do Canto, onde observei o crescimento dos bambus (Bambu-gigante- Bambusa bambos) e um cogumelo galinha-da-floresta (Laetiporus sulphureus).

 

O dia 9 foi passado a cobrir (ou melhor a ver cobrir) um frasco de mel com vimes. Não ficou como o esperado, pois não tínhamos a matéria-prima adequada.

 

No dia 10, comecei a leitura do jornal MAPA e li alguns textos de Jaime Brasil publicados no Suplemento Ilustrado d’A Batalha.

 

10 de setembro de 2026

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Virusaperiódico (198)

 


Virusaperiódico (198)

 

No dia 29 de agosto, trabalhei no quintal, no Pico da Pedra, onde estive a arrancar uma trepadeira invasora e a fazer algumas podas. Em Vila Franca do Campo, estive a limpar bananas e bananeiras, na Courela, e a arrancar rícinos na Ribeira Nova, onde colhi alguns jambos.

 

Li num jornal que alguém considerou que havia pontos comuns entre o futebol e a tauromaquia. Esqueceu-se de dizer que uma coisa é massacrar uma bola e a outra é torturar um animal para pazear de alguns sádicos. Que rica tradição!

 

Comecei o domingo, dia 30, a acabar de rascunhar um texto sobre Jaime Brasil e os Açores e depois tentei identificar um  inseto que estava numa fotografia enviada por uma pessoa amiga. Trata-se de uma borboleta da espécie Agrius convolvuli que em criança conhecia como flintintim, mas que  também é conhecida como borboleta-da-batata-doce ou borboleta-caveira.

 

Ainda de manhã, antes de dar o passeio habitual com o Max, estive a divulgar mais uma planta melífera, desta vez as sécias que eram características dos enfeites das casas por ocasião das festas do Senhor da Pedra, em Vila Franca do Campo.

 

Comecei o dia 31 a ler um texto de Jaime Brasil sobre a educação sexual e depois a reescrever um texto sobre o seu trabalho como biógrafo e tradutor.

 

Hoje, 3 de setembro, de manhã fiz uma caminhada involuntária em Ponta Delgada, sendo a maior parte do percurso no litoral. As pernas acharam que 7 km era demasiado, para a idade ou para a falta de treino.

 

Para descansar um pouco a mente que anda atarefada com Jaime Brasil, estive a descascar vimes, numa maquineta que fiz.

 

3 de setembro de 2026

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

A propósito da rua António Sérgio

 


A propósito da rua António Sérgio

 

A freguesia do Pico da Pedra prestou uma merecida homenagem a António Sérgio ao atribuir o seu nome a uma rua localizada na Picolar. A escolha do arruamento não foi casual nem poderia ter sido mais adequada, pois integra uma cooperativa de habitação, evocando de forma simbólica a obra e o pensamento daquele que é considerado o maior impulsionador do cooperativismo em Portugal. Ensaísta, crítico, pedagogo, jornalista, historiador, sociólogo, político, cooperativista e filósofo, António Sérgio deixou uma marca profunda na defesa dos ideais cooperativos e na modernização da sociedade portuguesa.

 

Para a VOZ POPULAR, decidimos dar a conhecer um pouco melhor a figura e o legado de António Sérgio, dedicando-lhe dois textos. Neste primeiro, abordamos o seu pensamento e a sua visão sobre a educação; no próximo, centrar-nos-emos no seu contributo para o cooperativismo.

 

António Sérgio de Sousa, seu nome completo, nasceu em Damão, na Índia, a 3 de setembro de 1883, e faleceu em Lisboa, a 12 de fevereiro de 1969. Filho de um oficial da Armada, que na época desempenhava as funções de governador de Diu, cresceu num ambiente marcado pelo contacto com diferentes realidades culturais e sociais, experiência que influenciaria o seu pensamento.

 

Durante a Primeira República exerceu funções como ministro da Instrução Pública no governo de Álvaro de Castro, embora por um curto período, entre dezembro de 1923 e fevereiro de 1924.

 

Intelectual profundamente empenhado na renovação da sociedade portuguesa, António Sérgio nunca aceitou a instauração da ditadura. Depois de concluir que o regime de Salazar era incapaz de se liberalizar, passou a defender a sua substituição através de um golpe militar.

 

A sua oposição ao Estado Novo teve elevados custos pessoais. Viveu no exílio, foi preso em 1933, 1935, 1948 e 1958, viu várias das suas obras apreendidas pela censura e foi alvo de sucessivas campanhas de difamação. Faleceu em Lisboa, em 1969, deixando uma obra vasta e uma influência duradoura nos domínios da educação, da cidadania e do cooperativismo.

 

No que respeita à educação, António Sérgio foi um dos mais importantes pensadores portugueses do século XX. Sobre a escola do seu tempo, no Dicionário de Educadores Portugueses, dirigido por António Nóvoa, encontramos a seguinte reflexão do próprio António Sérgio:

 

"A escola, até hoje, tem sido um acervo de coisas maléficas, de tratos diabólicos, de prescrições tirânicas: e já é importantíssima reforma a simples anulação das coisas más. Grande programa: não fazer mal! A imobilidade nas aulas, os estudos sem gosto, os rígidos programas, a apreensão passiva, as angústias dos exames, etc., etc., produzem transtornos de muita espécie. Estabeleçamos a comparação: em um dos pratos da balança – os muito contestáveis benefícios que tudo isso pode trazer, no outro -, os danos sabidos que com certeza traz…, Ah, imenso programa: liberdade ao aluno; não fazer mal."

 

Para António Sérgio, a escola do futuro deveria assentar em dois princípios fundamentais: autonomia e trabalho. Segundo a mesma obra, "dois grandes objetivos incumbem à escola do futuro: um deles, a anulação progressiva dos antagonismos sociais, e a instauração da sociedade justa, pela Escola Única do Trabalho; o outro a realização da Liberdade na vida da gente adulta, pela educação das crianças no regime da Liberdade".

 

A autonomia ocupava, aliás, um lugar central no seu pensamento. Considerava que tanto na sociedade como na escola ela não podia ser concedida por decreto, mas antes conquistada pelos cidadãos através da sua participação ativa. Como escreveu, "não pode ser-nos presenteada pelos governantes; tem de ser conquistada pelos governados, pacientemente, todos os dias".

 

Por fim, importa referir a sua conceção de Educação Cívica. O autor da biografia que temos vindo a citar sublinha que, para António Sérgio, a defesa da autonomia assenta na convicção de que "a autonomia e a educação cívica aprendem-se praticando, e não através de um qualquer ensino ou disciplina".

 

Uma ideia que continua a suscitar reflexão e que contrasta com a forma como, frequentemente, a educação para a cidadania é hoje entendida e organizada nas escolas.

 

Pico da Pedra, 10 de agosto de 2026

 

Teófilo Braga

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Flintintim

 


Flintintim

 

No passado dia 28 de agosto, recebi de uma pessoa amiga, MHC, uma fotografia de um inseto, com a indicação de ter sido a primeira vez por ela observado.

 

Mal o vi, a minha mente recuou sessenta anos e identifiquei imediatamente a espécie como sendo um flintintim, uma borboleta que via na Rua do Jogo da Ribeira Seca, em Vila Franca do Campo, a voar atraída pelas luzes das lâmpadas da iluminação pública.

 

À falta de melhor passatempo, os rapazes capturavam os flintintins. Como estas borboletas possuem uma tromba longa para sugar o néctar das flores mais profundas, atavam-lhes uma linha de costura nessa mesma tromba e percorriam as ruas a fazê-las voar, mantendo-as presas.

 

Numa pergunta que fiz numa das redes sociais, pedi o nome pelo qual era conhecida a borboleta. Para além do nome que eu conhecia, apresento de seguida alguns dos nomes indicados: besouro, borboleta-caveira, borboleta-da-batata-doce, bicho-da-batata-doce, flinto-grande e ferrintintim.

 

O flintintim (Agrius convolvuli) é uma borboleta noturna que, embora normalmente vista ao anoitecer, por vezes pode ser observada de dia.

 

A espécie, de origem subtropical, encontra-se nos Açores desde o século XVI.

 

As larvas da Agrius convolvuli alimentam-se de folhas de convolvuláceas, podendo causar alguns estragos na batata-doce.

 

No meu apiário, localizado na Ribeira Nova, em Vila Franca do Campo, tenho encontrado algumas a tentar entrar nas colmeias para se alimentarem de mel, mas sem sucesso, acabando por ser mortas pelas abelhas.

 

A.H. Botelho comunicou que se lembra «de os ver, depois de mortos, colocados no interior da porta da rua fixos com um alfinete». Segundo Carreiro da Costa, tal acontecia porque se acreditava que, «juntamente com uma ferradura, liberta[va] os donos da casa do "mau olhado"».

 

Aconselho, a todos os que quiserem saber mais pormenores sobre o flintintim, a leitura do livro do biólogo Virgílio Vieira, Borboletas dos Açores: Papilionoidea e Sphingoidea, do qual já saíram duas edições, a primeira em 2006 e a segunda em 2009.

 

Pico da Pedra, 31 de agosto de 2026

 

Teófilo Braga

 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Virusaperiódico (197)

 



Virusaperiódico (197)

 

Depois de alguns dias a repousar, passei o dia 22 de agosto nas Furnas num workshop de fibras a aprender a empalhar uma garrafa com recurso a vimes. Estou a preparar-me para morrer “sábio”.  No início da noite assisti a um concerto dado por dois pico-pedrenses, no Largo da Juventude.

 

Ainda de madrugada, no dia 23 de agosto, estive a ler sobre Jaime Brasil um libertário terceirense que foi um dos maiores jornalistas portugueses do seu tempo, que lutou contra o conservadorismo da ditadura salazarista em Portugal e que se correspondeu com o autonomista que aderiu ao Estado Novo, José Bruno Tavares Carreiro. De manhã, dediquei algum tempo ao ativismo ambiental que para uns tansos é a causa de todos os males.

 

Durante a tarde, estive a preparar tomates para serem desidratados e coloquei na terra, sementes de chocalheira, de papaeira e de uma planta ornamental cujo nome comum desconheço, mas que apresenta o seguinte nome científico: Diploglotis cunninghamii.

 

No dia 24 li alguns capítulos do romance autobiográfico de Vitorino Nemésio intitulado “Varanda de Pilatos” e fiz algumas limpezas no quintal. Li que na sociedade portuguesa as desigualdades aumentam, um dos sinais está no facto de apenas 3% dos estudantes pobres terem conseguido entrar para a universidade.

 

O dia 26 foi ocupado na sua totalidade com leituras diversas de textos de ou sobre Jaime Brasil.

 

Comecei o dia 27 a fazer um rascunho sobre a correspondência entre Jaime Brasil, libertário, e José Bruno Carreiro, autonomista conservador. De manhã voltei a trabalhar na terra, no quintal. Mondei, rocei e podei uma sebe de sabugueiros.

 

27 de agosto de 2026

domingo, 23 de agosto de 2026

Museu do Trigo

 


IRIS alerta para degradação do Museu do Trigo, na Povoação, e apela à intervenção urgente da Câmara Municipal

 

 A IRIS – Associação vem manifestar publicamente a sua preocupação perante o estado de degradação em que se encontra o Museu do Trigo, na Povoação, e apelar à Câmara Municipal da Povoação para que proceda, com a maior brevidade possível, às obras de recuperação e conservação necessárias daquele espaço, nomeadamente de uma escada exterior e da roda que fazia mover as máquinas.

 

As imagens obtidas no local no passado dia 14 de agosto são reveladoras da necessidade de uma intervenção. Elementos de madeira associados ao espaço museológico apresentam sinais evidentes de envelhecimento e degradação, existindo estruturas que aparentam encontrar-se fragilizadas e que, além de comprometerem a preservação do património, poderão representar riscos para a utilização e visita ao espaço.

 

Para a IRIS, está em causa a salvaguarda de um património que testemunha uma atividade agrícola fundamental na história dos Açores e que constitui uma parte importante da memória coletiva da população da Povoação e de toda a ilha de São Miguel.

 

O Museu do Trigo assume, neste contexto, uma particular importância por ser o único museu de São Miguel dedicado especificamente à cultura do trigo, preservando conhecimentos, técnicas, instrumentos e elementos materiais relacionados com uma atividade que marcou profundamente a vida das comunidades rurais açorianas.

 

Esta posição do Núcleo Regional dos Açores da IRIS enquadra-se plenamente nos objetivos da associação, nomeadamente na conservação do património arquitetónico e paisagístico, na preservação do património cultural imaterial, na utilização sustentável dos recursos e na sensibilização da sociedade para a necessidade de preservar os valores naturais e culturais.

 

A conservação do património não pode limitar-se à sua identificação ou valorização documental. É necessário garantir a sua manutenção, recuperação e transmissão às gerações futuras. Um museu dedicado à cultura do trigo só cumpre verdadeiramente a sua função se o património que alberga estiver devidamente preservado e se as suas condições permitirem a sua fruição pública com segurança e dignidade.

 

A IRIS apela, por isso, à Câmara Municipal da Povoação para que avalie urgentemente o estado atual do Museu do Trigo e promova as intervenções necessárias à sua recuperação, conservação e valorização, evitando que a degradação atualmente visível se agrave.

 

A associação considera igualmente importante que seja definida uma estratégia de médio e longo prazo para aquele espaço, garantindo a sua manutenção regular, a valorização do seu espólio e a sua efetiva integração numa política de preservação e divulgação do património cultural e etnográfico da Povoação e de São Miguel.

 

Preservar o Museu do Trigo é preservar uma parte da história agrícola, cultural e social dos Açores.

17 de agosto de 2026

O Núcleo Regional dos Açores da IRIS- Associação Nacional de Ambiente

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Virusaperiódico (196)

 


Virusaperiódico (196)

 

No dia 11 de agosto chegou a casa uma nova habitante, a Bella que tem agitado o dia-a-dia.

 

No dia 14 de agosto, andei pelo concelho da Povoação, onde juntei o útil ao agradável. Sem qualquer stresse, estive acompanhado de duas pessoas amigas a observar árvores, algumas delas que merecem a classificação de interesse público. Uma delas um azevinho, localizado numa pastagem onde é possível observar uma paisagem ímpar.

 

Fiquei desapontado com alguma degradação que observei no Museu do Trigo. Nas Furnas, nos Serviços Florestais para além da observação de duas árvores e de alguns patos num “lago” artificial não gostei de ver algumas aves engaioladas.

 

No início da noite, coisa rara, fui assistir a um concerto no Largo da Juventude. Pensava que era uma iniciativa da Filarmónica Aliança dos Prazeres, mas estava redondamente enganado.

 

No dia 16, fui visitar as minhas colmeias em Vila Franca do Campo, tendo numa delas colocado meia alça. O resto do dia foi passado com investigações históricas.

 

Para um trabalho que está em curso, em ritmo lento, estive na Biblioteca Pública de Ponta Delgada a fazer pesquisas sobre a oposição ao salazarismo

 

No dia 18, durante várias horas da madrugada estive a tirar apontamentos sobre a participação dos libertários no combate às ditaduras, militar e a salazarista/marcelista.

 

De manhã estive em Vila Franca do Campo para colher  bananas. Como não havia nada em condições de ser apanhado, aproveitei para rever a vista que se obtém a partir do Miradouro da Senhora da Paz.

 

18 de agosto de 2026

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

domingo, 2 de agosto de 2026

Virusaperiódico (195)

 


Virusaperiódico (195)

 

No dia 28 estive no Jardim Botânico José do Canto, onde observei com pormenor algumas plantas, como uma vidália que se encontra envasada e que em breve vai florir, uma gardénia que nunca vi florida e o bambu-gigante que está com rebentos e que pretendo acompanhar o crescimento.

 

Comecei o dia 29 a ler alguns textos de Jaime Brasil  publicados no Suplemento Ilustrado Semanal do Jornal “A Batalha”. De manhã, estive numa consulta de fisioterapia e espero em breve estar em condições de participar numa maratona. De tarde, descansei, porque o tempo não me deixou ir trabalhar no quintal.

 

No dia 30 continuei as minhas pesquisas na Biblioteca Pública de Ponta Delgada, sobre Jaime Brasil e Alice Moderno.

 

No dia 31, de manhã estive a reler alguns textos de Alice Moderno para averiguar se houve algum contacto entre ela e Jaime Brasil. De tarde, destaco a ida a Rabo de Peixe comprar plantas ornamentais e aromáticas.

 

O primeiro dia de agosto foi passado, de manhã no Pico da Pedra a fazer alguns trabalhos no quintal e de tarde, na Courela a limpar bananas e bananeiras. Depois de uma tarde cansativa, no final do dia, no meu quintal, estive a apanhar açafroa.

 

Comecei o dia 2 a ler cartas de Jaime Brasil e depois dediquei algum tempo a divulgar mais uma planta melífera, a açafroa, que também é uma planta medicinal, tintureira e usada como condimento.

 

Como este mês é o de férias para grande parte das pessoas, o meu dia-a-dia não vai sofrer grandes alterações, mas o rimo de trabalho será outro, isto é, vai passar a ser “devagar e devagarinho” e o vírus aparecerá quando achar por bem.

 

2 de agosto de 2026

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Virusaperiódico (194)

 


Virusaperiódico (194)

 

No dia 20 andei pela Maia, tendo verificado que os moradores também enfeitam as ruas com urtigas ou cóleos (Coleus scutellarioides).

 

Verifiquei que a açafroa que semeei no quintal já começou a florir. Amanhã penso já começar a colheita.

 

Hoje, recebi a oferta de dois livros. Um sobre Daniel de Sá, intitulado “Rememorando Daniel de Sá: escritor dos Açores e do Mundo” e o Deus dos últimos”, a autoria daquele escritor outro da sua autoria. Chegará o dia em que serão lidos!

 

O dia 21 foi um dia muito triste. Morreu o Rex, que também era conhecido por Barriga.

 

No dia 22 andei pelo Jardim dos Frades na Lagoa a apreciar duas árvores que merecem ser classificadas como de interesse público e pela Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, onde fiz algumas mondas e li alguns textos publicados na revista “Seara Nova” à sombra de uma critpoméria.

 

Comecei o dia 23 a escrever sobre a araucária do Jardim dos Frades e voltei à Lagoa para tirar algumas medidas da araucária referida. Voltei à Ribeira Seca de Vila Franca para visitar o bananal, tendo antes passado pela Vinha da Areia. O mar estava calmíssimo.

 

No dia 24, depois de uma curta caminhada na Lagoa, andei por casa a divagar. Li que a população de milhafres está a diminuir. Consequência do desenvolvimento sustentável açoriano?

 

Telefonicamente recebi uma proposta, que para concretizar me vai dar muito trabalho. Não aceitei de imediato. Adiei a resposta até ao dia 12 de agosto.

 

No sábado, dia 25, ao contrário do habitual, não trabalhei na terra. Descansei e li o livro, de Felícia Cabrita, intitulado “A comunista e o PIDE”, sobre a vida de Carolina Loff, que se apaixonou por um PIDE. Ela traiu o PCP e ele, Júlio Almeida, abandonou a polícia política.

 

Recebi várias fotografias de uma planta herbácea de nome comum margarida-de-são-miguel (Symphyotrichum novi-belgii), oriunda da América do Norte, que neste momento está em flor. Mais uma espécie que nunca tinha visto.

 

Comecei o dia 26 a ler os títulos dos jornais e num deles é referido que a alga invasora poderá ter vários usos. Felizmente não referiram que poderia se uma fonte de riqueza para os Açores tal como no passado foi afirmado para o lagostim de água doce que apareceu na Lagoa do Peixe, em São Miguel.

 

De manhã, depois de divulgar mais uma planta melífera, desta vez a couve, estive a fazer pesquisas sobre o escritor Jaime Brasil.

 

De tarde, fiz algumas mondas no quintal e li algumas páginas de um livro de Edgar Rodrigues.

 

26 de julho de 2026

domingo, 19 de julho de 2026

Virusaperiódico (193)

 


Virusaperiódico (193)

 

No dia 13, de manhã,  terminei a leitura do livro “Temas de História Açoriana, volume II”, de Carlos Enes. Pelos temas tratados gostei mais do 1º volume, que também recomendo, e retomei a leitura do livro “Terras do Espírito Santo”, de Teresa Tomé.

 

Para além de ter feito uma pesquisa sobre uma planta que está presente no Jardim José do Canto e que já existia no tempo do seu criador, estive a derreter cera das abelhas e passeei com os dois cães, o Rex e o Max.

 

No dia 14, de manhã estive no Jardim José do Canto e de tarde voltei a pesquisar sobre árvores.

 

No dia 15, com o D., estive no Porto Formoso e nas Furnas a fotografar e a tirar medidas de árvores que merecem ser classificadas como de interesse público. Recebi a oferta de uma interessante publicação sobre as urtigas de Nossa Senhora da Graça, padroeira do Porto Formoso.

 

 Comecei o dia 16 a fazer pesquisas sobre as urtigas (Coleus soutellarioides) de que tenho algumas variedades no quintal e no viveiro. Depois estive a fazer alterações num texto que não há maneira de ficar em condições de estar em condições de ser tornado público.

 

De tarde, estive algum tempo no quintal a arrancar algumas ervas ditas daninhas e dediquei algum tempo ao ativismo ambiental. Li vários disparates em jornais regionais que mostram que o jornalismo anda pelas ruas da amargura e que alguns textos para além de serem mera propaganda governamental são boas peças de deseducação ambiental. Ler jornais por vezes é saber menos!

 

Impedido de trabalhar no quintal, devido à chuva miudinha, descansei e li algumas páginas do livro, de Stefano Mancuso, “A Cidade Viva”.

 

No dia 17, esperei sentado pela saída dos resultados dos exames nacionais. Nunca assisti a uma trapalhada tão grande.

O dia 18 foi passado na Ribeira Nova a trabalhar na terra. Cansei o corpo e descansei a alma.

 

Comecei o dia 19 a divulgar nas redes sociais mais uma planta que para além de ser ornamental e medicinal é melífera, a bonina (Calendula officinalis).

 

O que mais me espantou neste domingo foi o facto de algumas escolas estarem abertas, por causa do reformismo do ministro e do desgoverno de Portugal. Espero que não tenha afetado a afluência às missas.

 

Durante a tarde, voltei à leitura do livro  “A Cidade Viva”. Maravilhoso!

 

19 de julho de 2026

quinta-feira, 16 de julho de 2026

É possível salvar as araucárias gémeas de Santa Maria?

 

É possível salvar as araucárias gémeas de Santa Maria?

 

 

Na ilha de Santa Maria existem várias araucárias introduzidas nos Açores durante o século XIX. A maioria pertence à espécie Araucaria heterophylla, originária da ilha de Norfolk. No entanto, da espécie Araucaria columnaris (araucária-colunar ou pinheiro-da-Nova-Caledónia) existem apenas dois exemplares na ilha, ambos localizados na Baía de São Lourenço.

 

Estas duas árvores possuem um valor natural, paisagístico e patrimonial excecional. Com uma idade centenária, apresentam um porte notável, atingindo 33,7 e 34,7 metros de altura, respetivamente, e exibem a inclinação característica da espécie. Sendo os únicos exemplares de Araucaria columnaris existentes em Santa Maria, constituem um elemento singular e emblemático da paisagem da Baía de São Lourenço.

 

Importa ainda recordar que estas araucárias foram retratadas, em 1939, num quadro do pintor Domingos Rebelo, atualmente exposto no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada. Acresce que ambas integram a Rede de Árvores Singulares da Macaronésia, reconhecimento que reforça o seu elevado valor histórico, cultural e ambiental.

 

Recentemente, tivemos conhecimento da intenção de proceder ao abate destes dois exemplares, alegadamente por representarem um risco para um edifício construído nas proximidades e para a segurança dos seus ocupantes. Simultaneamente, fomos contactados por diversos marienses, incluindo antigos residentes da Baía de São Lourenço e visitantes habituais daquele local, que manifestaram profunda preocupação e tristeza perante a possibilidade de desaparecerem duas árvores que fazem parte da memória coletiva de várias gerações.

 

É evidente que a segurança das pessoas e dos bens deve constituir a prioridade absoluta. Contudo, precisamente por estarmos perante exemplares de elevado valor patrimonial, entendemos que a decisão de os abater só deverá ser tomada depois de esgotadas todas as alternativas viáveis.

Assim, defendemos que seja realizada uma avaliação técnica independente e rigorosa do estado fitossanitário e estrutural das árvores, bem como um estudo das soluções que possam compatibilizar a sua preservação com a segurança pública. Entre essas soluções poderão incluir-se intervenções de estabilização, poda especializada, monitorização contínua, criação de zonas de segurança ou outras medidas de engenharia e arboricultura que permitam minimizar o risco.

 

O abate deverá constituir apenas o último recurso, caso fique inequivocamente demonstrado, com base em pareceres técnicos fundamentados, que não existe qualquer alternativa capaz de garantir a segurança das pessoas e a preservação destas árvores singulares.

 

Salvar as araucárias gémeas da Baía de São Lourenço é preservar uma parte da história, da identidade e da paisagem de Santa Maria para as gerações futuras.

 

16 de julho de 2026

 

Núcleo Regional dos Açores da IRIS- Associação Nacional de Ambiente