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quinta-feira, 5 de setembro de 2024
sábado, 4 de abril de 2020
A Pandemia de 1918 em Vila Franca do Campo
A Pandemia de 1918 em Vila Franca do Campo
Estou a escrever este texto, onde darei a conhecer
alguns dados sobre uma pandemia que atingiu Vila Franca do Campo, em 1918, a
pensar em meu avô Manuel Soares que a viveu enquanto estava cumprir o serviço
militar e em minha tia Zélia Soares que
hoje, 27 de março de 2020, faz 90 anos e que está a viver a pandemia do
coronavírus (COVID.19), sem compreender por que não pode sair de casa e ir para
o Centro de Dia, na Casa do Povo do Pico da Pedra.
Antes de ir ao assunto, queria referir que é urgente
uma nova relação entre o homem e a natureza, mais respeitadora desta, o que só
será possível quando o motor da vida na Terra não for o lucro a qualquer preço
e a ânsia de produzir e consumir desenfreadamente, mas a solidariedade entre as
pessoas e uma melhor utilização dos recursos naturais.
De acordo com alguns especialistas, 75% das doenças infeciosas
têm origem na vida selvagem e a procura, em todo o mundo, de produtos de origem
animal “pode colocar os seres humanos em risco de surtos como a pandemia de
coronavírus”.
Em 1918, meu avô estava a cumprir o
serviço militar no Regimento de Infantaria RI 26 e durante a gripe espanhola (pandemia de influenza), teve que
transportar “mortos” do hospital para o cemitério. Contava ele, com alguma
vaidade que, na altura, comia e bebia alimentos que eram destinados aos doentes
e que estes recusavam, dizendo que tinha de comer bem para ficar forte e não
ser atingido pela doença. Também contou que uma ou duas vezes terá deixado os
corpos na capela do cemitério e que no dia a seguir tinha verificado que os
mesmos não estavam na mesma posição.
Confinado
em casa, não tendo, portanto, acesso a muita bibliografia, para descrever o que
terá acontecido em Vila Franca do Campo em 1918, vou recorrer, apenas, a um
artigo publicado no jornal “Autonómico”, no dia 9 de novembro de 1918.
Depois de
referir que “a epidemia que, por infelicidade, não nos poupou, vai-se
alastrando consideravelmente por todo o concelho, de dia para dia, sendo já
grande o número de pessoas atacadas; porém atualmente, mercê de Deus, nenhuma
com sintomas de gravidade”, o autor contradiz-se ao afirmar que “até agora,
apenas dois óbitos se registaram: um, por falta de mais cautela d’um rapaz
novo, casado, deixando viúva e três filhinhos, e outro, por a epidemia bater à
porta d’um doente, já adiantado em anos e cansado bastante das grandes lutas
pela vida”.
Pela
leitura do texto, verifica-se que, em 1918, o que valeu aos mais desfavorecidos
foi a caridade dos que mais possuíam, ricos e remediados, e que os tratamentos se
resumiam a ir à cama por alguns dias e passar a leite e a caldos.
O jornal
também relata as condições sub-humanas em que viviam algumas pessoas em 1918,
como se pode constatar através do seguinte extrato:
“E já que falamos do hospital, permitam-nos os
leitores que lhe contemos a miséria que pela nossa terra vai e que ali mais se
vai descobrindo agora!
Alguns doentes nem camisa têm par se mudarem!...
…
Estamos certos, até, que muitas pessoas
honestas, com vergonha, a forças do coração teimarão em ficar em casa, por
carecerem de roupas que se apresentem no hospital.
Ah! Quantas?!!!”
Depois de
mencionar um conjunto de pessoas que se ofereceram para fazer serviço de
enfermagem, de referir o trabalho incansável das comissões locais de
assistência e vigilância, de enaltecer o trabalho dos médicos que “não se
poupam a sacrifícios e esforços no cumprimento dos seus deveres profissionais”,
o jornal faz um apelo “aos corações generosos da nossa terra” para contribuírem
para uma subscrição destinada a “socorrer a pobreza enferma”.
Teófilo
Braga
(Correio
dos Açores, 32098, 4 de abril de 2020, p.17)
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Pandemia,
Vila Franca do Campo
sábado, 2 de setembro de 2017
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Sobre o “canil” de Vila Franca do Campo
Sobre o “canil” de Vila Franca do Campo
“O grau de civilização de uma sociedade pode ser medido pela forma como trata os seus animais” (Ghandi)
Se é verdade que não adianta chorar sobre o leite derramado, não é menos certo que devemos tirar lições dos erros cometidos, no passado, e isto só pode acontecer se os conhecermos e sem preconceitos refletirmos sobre os mesmos, sem qualquer necessidade de cruxificarmos os envolvidos.
Vem esta introdução a propósito da situação desumana e terceiro-mundista existente, até há pouco tempo, em Vila Franca do Campo, relativamente aos animais de companhia, mais concretamente aos cães.
Como era do conhecimento geral, em Vila Franca do Campo existia um espaço, sem quaisquer condições, que para os responsáveis não era um canil mas que na realidade funcionava como canil de abate.
Uma pessoa que conhecia bem o local, pois visitava-o com muita frequência para salvar animais, denunciou o facilitismo com que eram recebidos os animais sem qualquer penalização para os donos e a situação degradante em que esperavam a morte certa que se traduzia na sua colocação em cubículos minúsculos, por vezes mais do que um e o facto de viverem durante muito tempo sobre as próprias fezes.
Em 2011, o deputado da Assembleia da República do CDS-PP, João Rebelo, questionou as 308 Câmaras Municipais existentes em Portugal, perguntadno se as mesmas possuíam canis, qual a lotação das instalações, quanto tempo é que os animais ficavam nos canis, qual a percentagem de animais que acabavam por ser adotados, quantos regressavam aos seus donos, etc.
Tivemos acesso às respostas de várias autarquias, umas mais pormenorizadas, demonstrando transparência e preocupação com a situação que tinha tendência a agravar-se, pois os abandonos estavam a crescer ano após ano e outras nem tanto, procurando tapar o sol com uma peneira.
No caso de Vila Franca do Campo, a resposta da autarquia, datada de 12 de agosto de 2011, assinada pelo seu presidente, foi bastante elucidativa do modo como as questões do bem-estar animal eram tidas em consideração na altura.
Para memória futura, transcreve-se na íntegra o texto enviado, ao deputado João Rebelo, pela Câmara Municipal de Vila Franca do Campo:
“Em resposta ao vosso ofício, tenho a honra de comunicar a Vexas que este Município nunca teve nenhum gatil ou canil”.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30819, 29 de dezembro de 2015, p.13)
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
SOS eucalipto-limão de Vila Franca
A 18 de junho de 2014, num texto intitulado Jardins de Vila Franca do Campo, chamei a atenção para o estado de alguma degradação em que se encontravam os jardins Antero de Quental e Dr. António da Silva Cabral, que se traduzia, sobretudo, na existência de placas identificativas sem planta associada, a presença de plantas sem os azulejos com a identificação, a plantação de espécies em locais inapropriados e sinais de algumas podas mal executadas.
Hoje, apenas irei fazer referência ao Jardim Dr. António da Silva Cabral, localizado em frente à Igreja dos Frades que deve o seu nome ao presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo que “revolucionou” o concelho, tendo sido ele o responsável por muitos melhoramentos, com destaque para o traçado da entrada poente da Vila, com a Avenida da Liberdade e o Jardim, o mercado de peixe, o cemitério e a primeira instalação da luz elétrica pública nos Açores.
Das várias espécies presentes nesse jardim, distingue-se pelo seu porte monumental o eucalipto-limão (Corymbia citriodora) que infelizmente se encontra doente, precisando de ser devidamente tratado para que a incúria humana não seja responsável pelo seu desaparecimento prematuro.
Originário de regiões de clima temperado e subtropical do nordeste da Austrália, o eucalipto-limão encontra-se hoje espalhado pelas mais diversas regiões do mundo, estando presente em África, no Brasil, na China, na Índia, nos Estados Unidos e em Portugal, onde a sua presença é residual e quase circunscrita a jardins.
Não sabemos quem terá fornecido o eucalipto-limão à Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, nem temos dados suficientes para apontar o nome de José do Canto como o introdutor da espécie na ilha de São Miguel. Contudo, sabe-se que José do Canto plantou-o no seu jardim, em Ponta Delgada, em 1867, vindo de França.
O eucalipto-limão adaptou-se bem, em São Miguel, de modo que em 1868 já fazia parte de uma listagem de plantas existentes no Jardim José do Canto para doação ou permuta. Esta questão suscita-nos uma interrogação: por que razão hoje o eucalipto-limão quase desapareceu em São Miguel?
O eucalipto-limão também conhecido por eucalipto-cheiroso é uma árvore de médio a grande porte, podendo atingir, atendendo às condições dos solos e climas, 50 metros de altura e 1,2 m de diâmetro à altura do peito, apresentando uma folhagem rala, com folhas estreitas e com um forte aroma a limão, daí uma das suas designações comuns.
A sua madeira, dura mas fácil de trabalhar, é muito utilizada na construção civil, no fabrico de móveis, na arborização de caminhos e estradas em áreas rurais, como combustível e no fabrico de carvão. As suas flores são melíferas e o óleo essencial dele extraído tem muito interesse em virtude de possuir um teor elevado em citronedal que é utilizado, tanto em perfumaria como repelente de insetos.
Para além do tratamento adequado que merece o eucalipto-limão, consideramos que à semelhança de outros exemplares existentes na Região Autónoma dos Açores, é urgente a sua classificação em virtude do seu porte e raridade e por constituir um monumento vivo que enriquece o património natural e paisagístico de Vila Franca do Campo.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30804, 10 de dezembro de 2015, p.15)
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Vila Franca do Campo e o pedestrianismo
Vila Franca do Campo e o pedestrianismo
No passado sábado participei numa ação de formação sobre pedestrianismo e percursos pedestres, realizada na freguesia de Ponta Garça, que teve como promotores a AVIPAA- Associação Vilafranquense de Proteção dos Animais e do Ambiente e a Junta de Freguesia de Ponta Garça.
Infelizmente, não foi uma iniciativa que contou com muita adesão por parte dos habitantes da localidade, mas mesmo assim valeu a pena a sua realização e posso dizer que foi um sucesso dado o interesse pelo tema manifestado pelos participantes e o entusiasmo que manifestaram em melhor conhecer o nosso património natural e, no caso da Junta de Freguesia e dos seus colaboradores, em dotar a freguesia de mais percursos pedestres devidamente balizados e sinalizados para oferecer aos locais e aos turistas.
Aproveito a oportunidade para elogiar o que está a ser feito pela Junta de Freguesia de Ponta Garça no caminho de acesso à Praia da Amora (do Simas) e para dar os parabéns à Junta de Freguesia da Maia pelo notável trabalho feito no percurso que liga o porto daquela freguesia à Praia da Viola, onde a par da limpeza e recuperação do trilho não foi esquecida a plantação de espécies da flora açoriana.
De momento não sei se mais alguma Junta de Freguesia de Vila Franca do Campo está a trabalhar nesta área, mas se não o estiver é uma pena pois o nosso concelho é um dos que mais potencialidades têm na ilha de São Miguel.
Mas, como os meios das juntas de freguesia são limitados, só através de uma parceria com a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo é possível ir mais longe e colocar a nossa vila em lugar de destaque no contexto regional. Neste caso não se pode alegar falta de meios, pois em termos de custos o investimento é ridículo quando comparado com outros e por via dos vários programas regionais a mão-de-obra é abundante.
Com a chegada de muitos mais visitantes através da redução dos custos dos transportes, Vila Franca do Campo não pode deixar de aproveitar a oportunidade para atraí-los para o concelho e, para além do que já existe, há que apostar num espaço que está completamente desaproveitado, para não dizer ao abandono, que é a Lagoa do Congro, que poderia ser transformado em Jardim Botânico e integrado numa rede de Jardins de São Miguel e na recuperação de alguns trilhos pedestres, integrando-os na rede de trilhos pedestres recomendados da Região Autónoma dos Açores.
A minha participação em Ponta Garça na mencionada formação fez-me recordar que há dez anos, numa sessão realizada na Povoação, no âmbito do projeto comunitário TURMAC, apresentei uma comunicação intitulada “A prática do pedestrianismo na Região Autónoma dos Açores” onde fiz um balanço aos primeiros anos da atividade nos Açores, que oficialmente terá dado os primeiros passos com a publicação a 14 de Abril de 2004, do Decreto Legislativo Regional nº 16/2004/A que criou o regime jurídico dos percursos pedestres classificados da RAA.
Na mesma comunicação, também, fiz o ponto de situação relativamente ao número de trilhos recomendados que era o seguinte: Nos Açores existiam 36 percursos recomendados, 12 dos quais na ilha de São Miguel, seguindo-se as ilhas Terceira, São Jorge, Pico e Flores com 4, Santa Maria e Faial com 3 e, por último Graciosa com 2.
Hoje, a situação alterou-se, na maioria das ilhas aumentou o número de percursos recomendados, tendo em São Miguel o seu número quase duplicado. No que diz respeito a Vila Franca do Campo, apenas se mantém o trilho “Praia Lagoa do Fogo”, já que o “Monte Escuro- Vila Franca do Campo” encontra-se fechado (informação recolhida a 14 de junho na página http://trilhos.visitazores.com/pt-pt/trilhos-dos-acores/sao-miguel/monte-escuro-vila-franca-do-campo) e o “Ponta Garça- Ribeira Quente” foi eliminado da lista.
No caso deste último trilho não se percebe a sua eliminação, pois o mesmo não necessita de passar pela Praia da Ribeira da Amora ou dos Moinhos, bastando para isso, pelo menos enquanto não estiver transitável o percurso junto à costa, voltar a ser feito a partir da Gaiteira, mais propriamente da zona dos Tufos, o que corresponde ao primitivo percurso pedestre sinalizado pela Direção Regional de Turismo.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30655, 17 de junho de 2015, p.19)
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domingo, 8 de setembro de 2013
Jogo Sujo
Vejam as tabelas constantes do texto publicado pelo Diário dos Açores.
Permitir candidaturas independentes que nunca poderão concorrer com os meios usados pelos partidos é fomentar uma "fraude".
É tudo um nojo.
Permitir candidaturas independentes que nunca poderão concorrer com os meios usados pelos partidos é fomentar uma "fraude".
É tudo um nojo.
sábado, 3 de agosto de 2013
terça-feira, 30 de julho de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
O assalto

O assalto aos Paços do Concelho de Vila Franca do Campo
A 25 de Abril de 1974 era presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo o professor primário Orlando Augusto Borges Brandão que durante alguns anos foi presidente da Comissão Concelhia da Ação Nacional Popular, organização política que resultou da União Nacional, e dirigente da Legião Portuguesa”, organização criada, em 1936, para “defender o património espiritual da Nação e combater a ameaça comunista e o anarquismo".
Como seria de esperar, com o derrube de Marcelo Caetano, os adeptos do Estado Novo não se renderam e nalguns casos resistiram o mais que lhes foi possível para se manterem nos cargos que antes ocupavam. Por outro lado, os adversários da ditadura começaram a organizar-se e a mobilizar as pessoas com vista à substituição daqueles.
Com quase 17 anos de idade, sem nenhuma formação política a não ser as aulas de Organização Política e Administrativa da Nação que estavam a ser ministradas pelo Dr. Álvaro Dâmaso, no Liceu Nacional de Ponta Delgada, fui assistindo com atenção ao que se passava e participando de forma passiva em alguns acontecimentos, como ocorreu na primeira manifestação do Dia do Trabalhador, em Vila Franca do Campo, e no processo de substituição dos “inquilinos” da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo.
No final de Maio, os partidários da democracia elaboraram um abaixo-assinado que, para além de contestar o aumento da taxa da água, solicitava a destituição da administração municipal. Este abaixo-assinado, que teve 1056 subscritores, foi enviado à comissão do Movimento Democrático Português de Ponta Delgada que por sua vez remeteu um telegrama ao Ministério da Administração Interna, dando conhecimento do conteúdo do mesmo.
Os adeptos do antigo regime não permaneceram quietos e começaram a pressionar algumas pessoas para reagir à iniciativa dos democratas, tendo um grupo de cidadãos, de que faziam parte Eduardo Manuel Mendes Araújo, Eduíno Manuel Simas Couto, José Lopes e Manuel da Costa Braga, enviado uma Declaração aos jornais onde afirmavam que haviam assinado um texto a pedir a redução da taxa da água e não a solicitar a demissão da Edilidade de que não tinham razão de queixa.
Na mesma altura, o professor Orlando Brandão reagiu violentamente, tendo, numa nota datada de 5 de Junho de 1974, afirmado que o referido abaixo-assinado era “um documento reconhecidamente falso, onde até crianças inocentes ainda em idade escolar, irresponsavelmente apuseram a sua assinatura” e aproveitado a ocasião para denunciar o facto da Comissão do Movimento Democrático estar a “ser manobrada pelos fascistas que forjaram o abaixo-assinado, um dos quais foi presidente da Comissão de Freguesia de São Miguel de Vila Franca do Campo, até ao dia 25 de Abril e em cuja casa a Comissão de Concelho da extinta ANP se reuniu e planeou a ação a desenvolver”.
A 11 de Junho do mesmo ano, pelas 10 horas, algumas centenas de pessoas reuniram-se junto à Câmara Municipal de Vila Franca do Campo e elegeram uma comissão administrativa composta por Raul Eduardo Vale Raposo Borges, licenciado em direito, Armando Botelho Henrique, lavrador, Alfredo Moniz Gago da Câmara, industrial, João José Sardinha, lavrador, e Elias Pimentel Costa, comerciante.
De acordo com a ata da eleição, o povo de Vila Franca reuniu em frente aos Paços do Concelho e de forma “espontânea e conscientemente manifestou o seu desejo aberto e claro de deixar de ter na sua administração municipal as pessoas que a executavam há muito tempo”.
Não satisfeitos com o rumo dos acontecimentos, os partidários do antigo regime convocaram uma concentração, para o dia 14 de Junho, em frente aos Paços do Concelho, com vista à escolha de uma outra Comissão Administrativa para a Câmara Municipal. A iniciativa não resultou e transformou-se num “assalto” ao edifício da Câmara Municipal e na queima de alguns documentos.
Assisti à eleição da comissão administrativa e ao “assalto” à Câmara junto ao muro do jardim, em frente ao estabelecimento comercial “A Construtora”, tendo presenciado a situação caricata por que passou o Dr. Raúl Borges que, por não querer ser levado em “triunfo” para a escadaria da Câmara Municipal, esteve, durante muito tempo aos ombros de duas pessoas, agarrado aos ramos de uma árvore.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, nº 2782, 24 de Abril de 2013, p.16)
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