segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

SANTO NATAL E FELIZ ANO NOVO

Exmo. Senhor Presidente da República,

Os professores portugueses vêm, por este meio, desejar a Vossa Excelência e família um Santo Natal e um Feliz Ano Novo.
Certos da importância que representamos para a sociedade portuguesa e para o desenvolvimento harmonioso do País, endereçamos-lhe o nosso veemente apelo para que interceda junto do Governo no sentido de o alertar para as profundas alterações que a recente legislação introduziu no funcionamento interno das escolas e consequente mal-estar generalizado no ambiente de trabalho dos respectivos corpos docentes.
Assim, os professores solicitam a Vossa Excelência a formalização do nosso profundo descontentamento junto do Governo em aspectos que condicionam negativamente o funcionamento das escolas publicas, designadamente a divisão do corpo docente entre professores titulares e professores não titulares com base em critérios discriminatórios, sem validade coerente em termos científicos e pedagógicos, bem como a avaliação de desempenho sujeita a quotas, também aqui forçosamente acima dos já referidos critérios de natureza científica e pedagógica.
Porque somos todos professores, independentemente do número de anos que leccionamos, da nossa idade e do vínculo laboral que mantemos com o Ministério da Educação, solicitamos a Vossa Excelência que faça chegar junto do Governo todo o nosso empenho e interesse por uma avaliação do nosso desempenho profissional justa e séria, baseada em critérios científicos e pedagógicos, tendo em conta toda a nossa experiência profissional, sem quaisquer discriminações e colocando todos os professores em situação de igualdade, sem qualquer divisão da carreira docente.
Senhor Presidente, os professores efectuaram uma longuíssima preparação e formação para o desempenho das suas funções, tendo prescindido de muitas coisas, ao longo de anos, para poderem dar o seu melhor. Não queremos agora, depois de tão difícil e enorme esforço, ver defraudadas as nossas expectativas de realização socioprofissional.
Senhor Presidente, precisamos agora, mais que nunca, que exerça a sua influência junto do Governo, no sentido de dar voz ao nosso descontentamento generalizado face às políticas ignóbeis seguidas pelo actual Governo e que, em ultima análise, apenas e tão-só estão a descaracterizar e a minar a escola pública portuguesa, com a consequente perda de qualidade, colocando assim em risco a formação das futuras gerações em Portugal e o desenvolvimento do País.
Com votos de Boas Festas,

Nome: Teófilo José Soares de Braga

Escola: Escola Secundária das Laranjeiras

Localidade: Ponta Delgada, São Miguel (Açores)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Acerca da proposta da SREF de Alteração do ECDRAA


Em primeiro lugar, queriamos mencionar o facto de este não ser um bom momento político para a negociação de um Estatuto da Carreira Docente em virtude de, tal como acontece a nível nacional, termos na região um governo suportado por um parlamento onde um só partido, o socialista, tem maioria absoluta.
Em segundo lugar, importa registar a fragilidade do movimento sindical e a falta de tradição de luta por parte da classe docente, que se têm alheado da discussão das questões profissionais. Esta atitude tem-se traduzido na culpabilização dos sindicatos por tudo o que não está bem, esquecendo-se que aqueles devem ser o que os seus associados quiserem.
Neste momento, é com amargura que não vemos avançar qualquer iniciativa com vista à criação de uma plataforma sindical que una não só os dois sindicatos mais representativos da Região, mas também outras associações sindicais, com vista à luta comum por um digno Estatuto da Carreira Docente na Região Autónoma dos Açores.
Assim, colegas, temos que, com os sindicatos que quiserem estar com os professores, continuar a denunciar esta proposta que nos é apresentada. Com efeito, ela não serve porque:
1- Mantém uma duração e progressão na carreira, 35 anos, muito superior ao da média dos países da OCDE que é de 24 anos;
2- Continua a inibir do direito de escolha de serviços prestadores de cuidados de saúde;
3- Não altera, com a profundidade necessária, o modelo de avaliação.

Pela institucionalização de um Dia D, no inicio do 2º Período, onde em todas as escolas, ou em plenários de Ilha, os professoras possam discutir a proposta da SREF e apresentar as suas propostas. Caso se opte pelos Plenários de Ilha, estes deverão terminar com concentrações e manifestações públicas.

Ponta Delgada, 16 de Dezembro de 2008
José Soares

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

NOVO ECDRAA E NOVA GRELHA



Depois de uma leitura rápida ao ECDRAA, a conclusão é que o esqueleto mantém-se. Algumas melhorias, mas muito longe do que era desejável.

Em relação à grelha de avaliação diria que apesar das alterações gostava de saber como um observador de aulas consegue avaliar os parâmetros lá referidos. Acho que nem numa semana de observações, a não ser que sejam super homens/mulheres.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Apelo à CGTP e à UGT

Solicita-se a divulgação e subscrição do Apelo aos dirigentes da CGTP e da UGT, o qual pode ser acedido através do link:

http://www.petitiononline.com/CGTPUGT/petition.html

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Escola Secundária das Laranjeiras- Moção aprovada em Reunião Geral apela à suspensão da avaliação


No passado dia 5 de Dezembro uma moção aprovada pela esmagadora maioria dos professores da Escola Secundária das Laranjeiras, dirigida à Secretária Regional da Educação e Formação solicita a revisão do ECDRRA e a suspensão do actual modelo de avaliação.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Adesão à Greve

Nos Açores não houve guerra de números. Será que houve greve ontem?


Fonte: http://antero.wordpress.com/

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Não Queremos Remendos!

Fotos da Manifestação de hoje, 3 de Dezembro, em Ponta Delgada, que contou c0m a presença de mais de 600 professores que por diversas vezes gritaram: A Luta é Regional.
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

SPRA Satisfeito

Depois do almoço, o SPRA ficou satisfeito, embora tenha saído do dito cujo com uma mão vazia e a outra com coisa nenhuma.

Abaixo vai o comunicado daquele sindicato:

Presidente do Governo Regional e Secretária da Educação e Formação, em reunião com os Sindicatos de Professores, manifestam disponibilidade política para rever aspectos do Estatuto da Carreira Docente na RAA e reapreciar o modelo de avaliação em vigor

O Sindicato dos Professores da Região Açores, ao reunir com o Presidente do Governo e com a Secretária Regional da Educação e Formação, levou ao seu conhecimento as principais reivindicações dos docentes, com ênfase na avaliação, horários de trabalho e condicionalismos impostos às faltas por doença, tendo entregue a Moção aprovada por mais de um milhar de Professores e Educadores, nos Plenários Sindicais realizados em todas as ilhas dos Açores, acompanhada de um Memorando Reivindicativo, que consubstancia os aspectos que mais os preocupam.

O Presidente do Governo afirmou que, nesta reunião, realizada hoje, 2/12/08, pretendeu dar um sinal político da disponibilidade do novo Governo para procurar soluções consensualizadas, que vão ao encontro das preocupações dos docentes e dos Sindicatos que os representam, no sentido de promover as melhores condições de aprendizagem dos alunos e garantir a estabilidade necessária ao desempenho da profissão docente, que, no seu entender, deve ser revalorizada.

Desta reunião não saíram propostas concretas, apesar da nossa insistência. O Presidente do Governo comprometeu-se, no entanto, a apresentar, no prazo de duas semanas, uma Proposta aos Sindicatos, contendo os aspectos que o Governo pretende alterar, no imediato, relativamente ao ECD na RAA, tendo em conta a auscultação aos parceiros sociais e aos docentes.

O SPRA aguarda pela Proposta do Governo, a qual será analisada e debatida, em Plenários Sindicais, com os Professores e Educadores, a fim de decidirem quais as posições a tomar.

Avaliar a Avaliação

S.Miguel - Açores, 1 de Dezembro de 2008


Às/aos Colegas,
Auxiliares de Educação,
Alunas e Alunos.
Ao Conselho Executivo.
À Assembleia de Escola.
À Associação de Estudantes.
À Associação de Pais e Encarregados de Educação.
Da Escola Secundária Antero de Quental.


Uma pessoa para quem qualquer argumento serve para justificar qualquer decisão devia alguma vez dirigir um ministério, muito mais o da Educação, e, dirigindo-o, devia ou não de imediato ser demitida?
Um primeiro ministro que chama uma pessoa dessas para tal ministério e em todas as circunstâncias aplaude o seu desempenho, devia alguma vez ter sido primeiro ministro, e, sendo-o, devia ou não devia ser imediatamente demitido?
Se tantos têm em pensamento o que nem para si dizem, como explicam que tal demissão não tenha já ocorrido?
Mera desatenção dos portugueses? Masoquismo generalizado? Sadismo colectivo? Estóica demanda de argumentos verbais à altura da fraudulenta alocução institucional? Impossibilidade interna ao fenómeno?
Impossibilidade? Como? Se tudo se reune para que o fenómeno decorra!
Demanda de argumentos verbais? Como? Se a mais singela exposição é por demais elucidativa!
Sadismo colectivo? Como? Se tantos clamam contra a extorsão, contra a violência, contra a exploração, contra a prepotência, contra a mentira, contra a iniquidade, contra o abuso!
Masoquismo generalizado? Como? Se tantos tanto se insurgem contra quanto sofrem!
Mera desatenção? Como? Se o olhar é cada vez mais crítico e mais exigentes todos quanto a tudo!
Como ainda assim continuam a actuar semelhantes empossados?
Actuam porque a preclaridade e a exigência estão apesar de tudo aquém do suficiente para que a sua actuação seja anulada.
Actuam porque apesar de tudo ainda muitos não sofrem o que muitos já sofrem.
Actuam porque o abuso, a exploração, a violência, a extorsão, a mentira, a fraude, o erro grosseiro, são mais visíveis na vista do outro do que na vista do próprio.
Actuam, ainda, porque há um Presidente da República unha com carne com aqueles supinos emprazados.

Eu pergunto aos meus concidadãos: a soberania está nos que recebem o voto ou a soberania está nos que, com o voto, ou com a recusa do voto, legitimamente decidem?

Na Escola Secundária Antero de Quental põe-se identicamente a questão: o conselho executivo e os outros órgãos legitimados por actos eleitorais, respondem e prestam contas a quê? Ao correspondente quadro eleitoral escolar? Ou é à administração pública - e as eleições internas à escola não passam de mera fraude?
Pergunto, a propósito de fraude: uma fraude, justificada por outra fraude, deixa por isso de ser fraude?
E ainda: o defraudado, por defraudar também, anula a fraude ou mais soma à fraude?
E mais uma questão ainda: faz-se, e faz-se bem, e por bem fazer-se honra-se quem não fez, e o que fez bem ainda honrado se sente porque quem não fez lhe deu a honra de, sem o ter feito, ter a honra e o proveito da realização?!

Grato por eventual atenção,

Pedro Albergaria Leite Pacheco

Greve, Por que não?


(clique para ampliar)

Recebido por mail

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O FADO PORTUGUÊS... ATÉ UM DIA!

Caros colegas,

Sou militante do PS desde 1989 e estive ontem na sede do PS, Largo do Rato. Não tive a oportunidade de intervenção porque houve bastante participação. Inscrevi-me, mas confesso que abdiquei da minha intervenção pois iria repetir-me. Em resumo: insistência e muita propaganda para validar o modelo a qualquer custo. A divisão da carreira é para continuar, sendo que foi demonstrado cabalmente que não corresponde ao mérito mas sim a redução de custos e que mais de 2/3 dos professores jamais a atingem. Quero deixar a mensagem que só muito poucos é que tiveram a coragem de dizer as verdades. Enfim, a pressão é muita e o satus presente não permitiu que todos nos sentissemos "livres".
Porque sou socialista, porque acredito num verdadeiro PS e não neste, porque quero e luto por um PS mais justo, mais digno, mais fraterno... irei fazer greve assim como muito dos colegas presentes. Quero ainda dizer-vos: Este PS está aflito. Vai recorrer a tudo o que puder para levar por diante toda esta maquinação. Dizem que não podem perder a face.
Nós professores também não! Se ganharmos agora, ganhamos todos! Se perdermos neste momento, jamais nos levantaremos! O PS de Sócrates e não dos socialistas tudo irá fazer para nos vergar. Isto é uma certeza. Cabe-nos a nós resistir, porque resistir é vencer!
Aguardo melhores dias para o meu verdadeiro PS.
PS: Foi dito por um colega que neste momento o PS já tinha perdido a maioria e que se arriscava mesmo a perder as eleições com esta luta contra os professores. Este PS não está mesmo preocupado... e todos nós julgamos saber porquê. Quem vier a seguir que feche a porta, pois estes já têm lugar de estadia e vôo marcado para destinos definidos e bem remunerados.

Professor socialista que não vota neste PS.

Este comentário encontra-se no blogue Profavaliação.

domingo, 30 de novembro de 2008

Professores da Escola Secundária Manuel de Arriaga subscrevem abaixo-assinado

Os professores da Escola Secundária Manuel de Arriaga subscreveram um abaixo-assinado, dirigido à Secretária Regional da Educação e Formação, a exigir a suspensão do actual modelo de avaliação do desempenho dos professores e educadores, e a revogação do Estatuto da Carreira Docente. A referida acção contou com a participação massiva dos docentes em funções no estabelecimento de ensino - o correspondente a 80%, o que revela um profundo desacordo face a uma série de medidas impostas pela tutela que agravam a situação profissional dos professores.

sábado, 29 de novembro de 2008

Executivo da Antero de Quental admite suspensão da avaliação

A Escola Antero de Quental volta a abrir-se à comunidade exibindo uma exposição sobre brinquedos, em parceria com o Museu Carlos Machado. Porque é que surgiu esta ideia?
Resulta de um protocolo entre a Escola e o Museu e é a primeira vez que esta instituição expõe a sua colecção de brinquedos numa escola. Acresce que esta exposição insere-se numa das vertentes que a escola deve promover, neste caso a cultura.
Porquê o brinquedo?
Porque faz parte da nossa vivência e do nosso crescimento. Todos nós guardamos uma imagem de um brinquedo favorito, da importância que ele teve num determinado momento ou do seu carácter lúdico. O que nós queremos é transmitir aos alunos, e a quem nos visitar, a ideia de que temos memória e sabemos preservá-la num contexto muito especial que é o das instalações onde estamos: um palácio com um enorme valor patrimonial que tem vindo a merecer um restauro cuidado.
Como é que foi desenvolvida e equacionada a exposição?
Foi uma iniciativa do departamento de artes, nomeadamente através do Professor José Manuel Cruz. Os alunos ajudaram na concepção de todo o material promocional da exposição e a assessoria técnica é do próprio Museu.
A Escola Antero de Quental tem tido dias difíceis, com as obras. Como é que tem sido o dia a dia desta comunidade escolar, ampliada este ano com mais 300 alunos?
Cada dia esperamos que as coisas melhorem e penso que têm melhorado. Gostaria de deixar aqui uma palavra para toda a comunidade escolar, em especial docentes e pessoal auxiliar, que têm manifestado uma compreensão enorme face a este processo.
Como é que tem corrido o processo de avaliação de professores?
Há uma tendência para as pessoas pedirem a suspensão do processo de avaliação. Mas ao nível dos órgãos superiores da escola ainda não há uma decisão formal.Pessoalmente, acho que o processo tem coisas boas, que podem ser aproveitadas. Admito que haja aspectos que tenham que ser adequados à realidade escola. A avaliação é essencial numa sociedade organizada.
Isso quer dizer que a avaliação na Antero de Quental vai ser levada até ao fim?
Há uma tendência natural para pedir a suspensão por parte dos docentes que ainda não envolveu 50% dos departamentos, mas os órgãos da escola ainda não a decidiram. Julgo que o trabalho que temos pela frente é agilizar procedimentos e ver o que é que será possível concretizar até ao fim do ano. O Estatuto da carreira Docente é um documento muito denso que tem muitos aspectos positivos e sugere muitas soluções.
Os problemas surgem é na aplicação da grelha, porque avaliação sempre existiu.
Quando há exames nacionais, os docentes são confrontados com os resultados dos alunos e depois analisados pelos conselhos pedagógicos e pelos departamentos. Portanto há avaliação.
Com que regularidade?
Com alguma regularidade, embora não o façamos tantas vezes porque as exigências da escola são muitas. O nosso objectivo nas escolas é promover o ensino e a aprendizagem. É isso também que o legislador exige.
Não sente que muitas vezes está a trabalhar para as estatísticas?
Isso não é totalmente verdade. Os conselhos de turma têm muita autonomia e a Direcção regional não se intromete aí. Não há directiva nenhuma que imponha esta ou aquela avaliação.
A escola que dirige está sempre envolvida em questões de segurança e de toxicodependência. Adoptaram medidas concretas para lutar contra isso. Que resultados obtiveram?
Hoje a escola é mais segura. Está tudo mais controlado.Há males que vêm por bem e o último ano de vida, em função dos condicionalismos a que nos vimos obrigados, também fomos forçados a andar mais pela escola e a condicionar mais o acesso a determinados lugares.
Penso que aquilo que é um constrangimento acabou por dar outros frutos, melhorando as condições de segurança.
Mas continua a haver problemas e a polícia vai com alguma regularidade à escola?
Só quando há algum aluno envolvido em situações de tráfico. A acção da polícia deixe-me dizer tem sido discreta mas eficaz e muito valiosa. A escola está definitivamente mais segura. ||

Grelha de avaliação em causa

Os prazos e a ambição das grelhas são o “calcanhar de Aquiles” da avaliação a que os professores estão a ser sujeitos este ano lectivo, pela primeira vez.
Em causa estão os artigos 72 e 92 do diploma da avaliação. O primeiro prevê que a entrega das avaliações seja feita em Julho, quando há maior sobrecarga de trabalho com exames e matrículas. No caso do artigo 92º a “excessiva ambição” nos critérios da grelha de avaliação, quando por exemplo, se prevê a “necessidade do docente elaborar e executar, de forma sustentada e generalizada procedimentos de avaliação congruentes com as normas definidas”, ou seja, um trabalho de investigação aturado, pode prejudicar uma avaliação correcta que apenas prevê o medíocre ou o muito bom.
Algumas escolas admitem a suspensão do processo.
Outras estudam a possibilidade de implementação de alguns aspectos, “apenas os mais urgentes”, que no limite pode significar a avaliação de contratados e dos quadros de zona pedagógica.||

SPRAfaz exigências

O Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA) fez ontem um alerta à nova secretária regional da Educação e Formação, afirmando que “não pode partir do pressuposto de que tudo está bem na Região, ao nível da Educação, só por existir um Estatuto diferente do que está em vigor no continente”.
Assim, o sindicato exige “o fim dos horários de trabalho pedagogicamente inadequados”, “dos condicionalismos que cerceiam os direitos de protecção na doença do docente”, e da desconsideração de “parte do tempo de serviço prestado pelos docentes contratados”.
O SPRA considera também ser urgente a reconsideração do sistema de avaliação dos docentes, “que não pode ser assumido como um instrumento da administração educativa para fins de gestão financeira”, mas sim como “um processo regulador da actividade docente, visando, em primeira instância, a melhoria do seu desempenho, a fim de garantir a qualidade de educação”. ||JC
Carmo Rodeia, Açoriano Oriental

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Protesto de professores

Os professores da Escola Básica e Integrada Roberto Ivens assinaram um abaixo-assinado, dirigido a Carlos César, presidente do Governo Regional dos Açores, a exigir a suspensão do actual modelo de avaliação do desempenho dos professores e educadores, e a revogação do Estatuto da Carreira Docente.
O referido abaixo-assinado contou com a participação em massa de todos os docentes ao serviço da escola. Foram enviadas cópias do documento ao presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, secretária regional da Educação e Formação e a todos os grupos parlamentares. ||
LPS (Açoriano Oriental, 27 de Novembro de 2008)

Para uma educação livre ou ministeriada?

Prometeu agrilhoado é uma imagem terrífica e espantosa para permanecer solidamente à entrada de uma Universidade. Trata-se da escultura que supervisiona o campus da U. do Minho, mas poderia estar em qualquer outro centro de ensino.

Mensagem insidiosa? Metáfora escultural da velha palmatória? Bicada-Punição ministerial? O que pode pensar o aluno do (deste) sistema de educação? A escola e a universidade estão pensadas hoje em dia para que o aluno se liberte do pesadelo prometeico?

Os professores do ensino básico e secundário enfrentam actualmente não o pesadelo, mas a realidade política de uma mentalidade preocupada não com o ensino, os alunos, as escolas, os professores, mas com os números, as estatísticas, os índices, a produtividade. Esta visão mercantilista da educação dificilmente pode ter como finalidade estimular a criatividade, a independência, a capacidade crítica e o desenvolvimento global dos alunos. Fazer da escola um comércio passa por cima da possibilidade de imaginar sujeitos livres, cidadãos autónomos, conscientes socialmente e capazes de ver além do estreito funil de tornar cada aluno um mero grão na engrenagem de um sistema de produção em série.

Perante a política educativa das últimas décadas que argumentos temos à vista para refutar que, na sua essência, ela está orientada de tal modo que à medida que o aluno avança do básico à universidade ele passa a ser uma mera mercadoria?

E, suprema ironia deste sistema de educação, à vista estão os factos: quantos alunos que cumpriram o seu percurso escolar vieram parar à linha de caixas do Jumbo? Ao call-center da PT? Ao fato-de-treino da Ikea? Aos subúrbios de Londres ou ao aeroporto de Barcelona? Ou, simplesmente, ao desemprego com canudo. E quem poderá avaliar esta concepção ministerial falhada da Educação?

Além das reivindicações conjunturais e da luta unida dos professores contra as decisões do governo actual, não devemos – professores, alunos, pais, cidadãos – reflectir sobre a orientação geral do sistema educativo? Se os professores não querem uma ministra a vigiar e punir o seu desempenho quotidiano, pode um aluno continuar com um prometeu agrilhoado no seu imaginário?


Debate - Para uma educação livre ou ministeriada?

Domingo, 30 de Novembro, 17h30

Convidados: António Magalhães (professor universitário/Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U. do Porto)

António José Silva (professor do ensino secundário e autor do blogue Pimenta Negra)

Gato Vadio, rua do Rosário 281

Porto


Nota: o texto é apenas um ponto de vista para estimular a reflexão e vincula apenas os Vadios…

http://gatovadiolivraria.blogspot.com/

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

CADEP

O CADEP- Colectivo Açoriano para a Defesa da Escola Pública é um movimento de professores que tem como principais fins a defesa de uma escola pública democrática, de qualidade e de sucesso e a dignidade da profissão docente.

O CADEP não pretende substituir as organizações já existentes, sejam elas de carácter cívico, sindical ou partidário. Pelo contrário, é seu objectivo promover a união de todos os que estejam disponíveis para a defesa da Escola Pública e da qualidade do ensino.

Em profundo desacordo com o ECDRAA- Estatuto da Carreira Docente na Região Autónoma dos Açores, publicado no Diário da República no dia 30 de Agosto de 2007, o qual agravou a situação profissional de todos os docentes, prolongando a sua carreira, introduzindo um regime de faltas atentatório dos direitos de todos os trabalhadores e um inaceitável sistema de avaliação, o CADEP elege como tarefas imediatas a luta:

- pela revogação do Estatuto da Carreira Docente nos Açores (ECDRAA), publicado pelo Decreto Legislativo Regional nº 21/2007/A, de 30 de Agosto.

- em defesa de um sistema de avaliação formativo e participativo que valorize o efectivo desempenho dos docentes e pela imediata suspensão do modelo actual.

Teófilo Braga, Escola Secundária das Laranjeiras
Lúcia Ventura, Escola Secundária de Lagoa
Victor Medina, Escola Básica Integrada dos Biscoitos
Luís Filipe Fernandes Bettencourt, Escola Secundária Vitorino Nemésio
João Pacheco, Escola Básica Integrada da Ribeira Grande
Filipe Sancho, Escola Básica Integrada da Praia da Vitória
Rui Soares Alcântara, Escola Secundária de Ribeira Grande
Pedro Pacheco, Escola Secundária Antero de Quental
Mário Furtado, Escola Secundária Manuel de Arriaga
Célia Figueiredo, Escola Secundária das Laranjeiras
Helena Primo, Escola Básica Integrada Canto da Maia

domingo, 23 de novembro de 2008

sábado, 22 de novembro de 2008

O SPRA e a Manifestação

Armando Dutra, Presidente do SPRA em declarações ao Correio dos Açores, no dia 15 de Novembro afirmou que "é prematuro tomar qualquer posição sobre um processo que ainda está no início e que não terá efeitos este ano na carreira dos professores açorianos"

Manuel Francisco, conhecido sindicalista do SPRA disse no passado dia 19, na Escola Secundária da Ribeira Grande, que não havia razão para haver manifestação e que o Sindicáto Democrático queria era aparecer.

Mais do que guerra entre sindicatos, o que está em causa é a nossa carreira e devemos ser nós professores com a ajuda dos sindicatos que nos quiserem apoiar a exigir a revogação do Estatuto da Carreira Docente dos Açores e a suspensão da avaliação.

21 de Novembro- Manifestação de Professores


Os professores açorianos manifestaram-se contra o modelo de avaliação que está a ser implementado na Região, tendo organizado uma manifestação com cerca de trezentos docentes em frente à Igreja Matriz de Ponta Delgada.
O encontro dos professores ocorreu ontem à noite, a partir das 21h00, sendo convocado através de mensagens telefónicas entre os docentes e recebeu o apoio dos sindicatos de professores da Região.
Armando Dutra, presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores, sublinhou que os professores consideram que o modelo de avaliação “não corresponde aos interesses dos docentes e da escola pública”.
O sindicato dos professores defende que a observação das aulas apenas deverá acontecer “quando existir indícios de más práticas pedagógicas”. Fernando Fernandes, presidente do Sindicato Democrático dos Professores, também criticou o modelo de desempenho nos Açores, “porque é modelo de avaliação anual, com maior pressão sobre os professores”. O sindicalista adverte que os professores “vão continuar a lutar por um melhor modelo de avaliação”, defendendo a suspensão do actual modelo de avaliação para “reflectir e avançar-se para um bom modelo de avaliação”.
Sá Couto, presidente da comissão de avaliação dos professores, comentou que as avaliações “devem ser efectuadas por equipas técnicas de avaliação, enquanto o actual modelo defende uma avaliação inter-pares”, concluiu. ||
LPS
(Açoriano Oriental, 22 de Novembro de 2008)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Na Escola Domingos Rebelo assinaturas contra avaliação

Mais de 90 por cento dos professores da Escola Secundária Domingos Rebelo, em Ponta Delgada, subscreveram de acordo com um comunicado, um abaixo assinado, manifestando o seu desacordo com o Estatuto da Carreira Docente na Região Autónoma dos Açores (ECDRAA), nomeadamente com o modelo de avaliação dele decorrente. "Não questionando a avaliação de desempenho, como instrumento que também concorre para a valorização das suas práticas docentes", os signatários exigem a revogação do ECDRAA e a suspensão imediata do modelo de avaliação "até ao estabelecimento de outro normativo que tenha carácter formativo e valorize a componente lectiva". A avaliação foi ontem reavaliada no Continente e nos Açores, sendo um diploma distinto, prevê-se que o assunto seja brevemente debatido com a nova tutela.||
OG
(Açoriano oriental, 21 de Novembro de 2008)

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Continuar a luta

Gostei da prestação de Graça Menezes, do SPRA, no programa televisivo estação de serviço. Sobretudo apreciei o facto de ela estar em contradição com algumas recentes afirmações do presidente do seu sindicato.

Entretanto, nas escolas os professores exigem a Revogação do Estatuto e um novo sistema de avaliação.

Para além da Secundária das Laranjeiras, tomamos conhecimento que na Escola Secundária de Lagoa está a circular um abaixo-assinado que já conta com a adesão da maioria dos professores.

Na Escola Básica Integrada Canto da Maia, os professores também já andam a recolher assinaturas.

Pena é que alguns delegados sindicais andem distraídos...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Manifestação 21 de Novembro


Correio dos Açores, 19 de Novembro de 2008

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Carta ao Presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores

16-11-2008


Exmo. Sr. Presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores

(Com conhecimento a professores associados e não associados)



Foi com profundo espanto e a maior indignação que li uma transcrição do
"Diário Insular" de 14 Nov 08, em que se citam como afirmações suas "é
prematuro tomar qualquer posição sobre um processo que ainda está no
início e que não terá efeitos este ano na carreira dos professores
açorianos" e "Vamos aguardar para ver como o processo vai decorrer para
depois tomar uma posição"!

Será que tem consciência do que significa o que vem acima exposto, quer
quanto à lógica interna do discurso, quer quanto à irresponsabilidade
que o mesmo contém?

Então este processo que "ainda está no início" não tem já repercussões
na carreira dos docentes? Vossa Excia. é cego e surdo ao que se passa
em todas as escolas dos Açores, provavelmente sem qualquer excepção, em
consequência directamente da fraude e da violência perpetradas pela
SREC/ME? Acha que não há professores com assaz dignidade científica,
com assaz ética e deontologia profissionais, para não verem em sério
risco, não só a carreira, não só a vida profissional, mas também a
esperança de cidadania e respeito por si e pelos outros?

Então Vossa Excia., Presidente de um Sindicato de Professores, tem
tanta dificuldade assim de leitura e de interpretação que tem de ver
para crer nas consequências da instauração da aberrante, intimidatória
e fraudulenta "avaliação docente" que ostensiva e despudoradamente
teimam a administração regional e nacional em fazer aplicar?

Peço explicações a Vossa Excia. quanto à exactidão dessas afirmações.



Grato pela melhor atenção,


Pedro Albergaria Leite Pacheco

(Sócio do Sindicato dos Professores da Região Açores)

PS- Vamos pressionar os nossos sindicatos para uma a implementação de formas de luta contra o actual Estatuto da Carreira Docente / Sistema de Avaliação. Caso aqueles não estejam disponíveis, sejamos nós professores de todos os sindicatos ou não sindicalizados a manifestar a nossa discordância.

Espero que as afirmações atribuidas ao Presidente do SPRA não passem de uma deturpação do jornalista, caso contrário o que Armando Dutra deveria fazer era regressar à escola...

Teófilo Braga ( membro do SDPA, mas que pensa pela sua cabeça)

APELO AOS PAIS E ENCARREGADOS DA EDUCAÇÃO

Caros pais e encarregados de educação,

É chegada a hora de caminharmos juntos em defesa da Escola Pública e da qualidade do ensino, pelo futuro dos nossos filhos e por uma escola de todos e para todos.

Queremos uma Escola de sucesso, mas um sucesso ao serviço da sociedade e da cidadania, não um sucesso meramente estatístico, que é um logro e uma ameaça ao desenvolvimento futuro do nosso país. Muito mais do que certificar, queremos qualificar e formar!

Para isso é necessário que os professores se sintam motivados, valorizados, e tenham as condições necessárias para desenvolver o seu trabalho junto dos alunos. Esta é a luta de todos nós, e é chegado o momento de termos ao nosso lado, solidários com o nosso esforço e justíssimas reinvidicações, os pais e encarregados de educação dos nossos alunos.

Não estamos preocupados apenas com as injustiças e burocracias relacionadas com a nossa avaliação de desempenho. Também a Lei de Gestão, já aprovada e em fase de instalação nas escolas, assim como a entrega de muitos aspectos da gestão escolar aos poderes discricionários dos presidentes de Câmara, merecem o nosso repúdio.
As pseudo-reformas impostas pelo governo são convidativas a compadrios, poderão em breve desencadear processos (semelhantes aos que hoje são contestados na Itália), onde se permite que as ATL (Actividades de Tempos Livres), dentro da escola pública, sejam privatizadas e pagas pelas famílias, em lugar do ensino básico gratuito preconizado pela Lei de Bases do Sistema Educativo, cuja qualidade deveria ser garantida pelo Ministério da Educação.

É por todos estes motivos que vos convidamos a juntarem-se a nós, docentes dos vossos filhos, promovendo e participando em reuniões conjuntas, onde encarregados de educação e docentes debaterão o que melhor acharem para promover a verdadeira qualidade nas nossas escolas e no Sistema Público de Educação.

Apelamos igualmente às Associações locais de Pais e aos núcleos locais de Sindicatos, para facilitarem estes encontros, propondo junto dos órgãos executivos das escolas a realização destas reuniões.

Os nossos filhos e o futuro do país bem merecem que façamos este esforço conjunto!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Avaliação do desempenho nos Açores: SDPA é o único Sindicato a exigir a sua suspensão

Na sequência de uma entrevista dada pelo Presidente do SDPA, Fernando Marques Fernandes, ao Diário Insular, eis o texto integral da notícia hoje publicada nesse jornal, esclarecedora sobre as posições dos Sindicatos e de Álamo de Meneses, quanto à avaliação do desempenho dos docentes nos Açores.

Centenas de professores subscreveram uma moção do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores que apela ao Governo Regional a suspensão da avaliação dos docentes.
O presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores, Fernando Marques Fernandes, disse ontem ao DI que a moção deverá ser entregue ao titular da pasta da Educação do próximo Governo Regional que será empossado terça-feira na Assembleia Legislativa.
De acordo com o texto da moção com a entrada em vigor do Estatuto da Carreira Docente dos Açores “foi imposto um modelo de avaliação do desempenho normativo, anual, burocratizado e que parte do princípio da desconfiança do trabalho dos educadores de infância e dos professores”.
Segundo o documento elaborado pela referida estrutura sindical, “este modelo de avaliação, que não passa de um sistema de notação funcional, realizada após o ano lectivo estar finalizado, sem qualquer cunho colegial e formativo e sem impacto na melhoria efectiva da prática docente, constitui-se como um instrumento administrativo de gestão das carreiras e das progressões dos docentes, penalizador e punitivo”.
Ainda de acordo com a moção, não houve formação dos avaliados e avaliadores e também não existe uma uniformização de procedimentos.
Adianta que o processo de avaliação “é burocrático e de uma imensa complexidade documental” e que os instrumentos utilizados “não contemplam a diversidade das funções docentes”.
Por seu turno, o presidente do Sindicato dos Professores da Região Açores, Armando Dutra, considera que “é prematuro tomar qualquer posição sobre um processo que ainda está no início e que não terá efeitos este ano na carreira dos professores açorianos.
“Vamos aguardar para ver como o processo vai decorrer para depois tomar uma posição”, afirmou.
Entretanto, o secretário regional da Educação e Ciência, Álamo Meneses, destacou o facto de a avaliação dos professores nos Açores ser diferente da que está a ser efectuada no continente.
Álamo Meneses referiu que o processo de avaliação não terá reflexos na progressão da carreira docente.
“É pena que haja sindicatos que em vez de olharem para o que de bom se passa nos Açores estejam mais interessados em seguir o que acontece no continente”, afirmou.


in Diário Insular
14/11/2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Manifestação de 15 de Novembro de 2008

Carta à Directora Regional da Educação

Ponta Delgada, 10 de Novembro de 2008


Exma Sra Directora Regional da Educação

(Com conhecimento aos professores, alunos, pais e encarregados de educação)

Fui, juntamente com outros docentes, convocado por VªExcia para uma “Acção de Formação”, hoje, todo o dia, sobre a “Avaliação do Desempenho do Pessoal Docente”. Vou lá, vou informar-me mais o melhor que possa.
Mas, para já, não deixo de ficar surpreendido pelo tão cínico quanto ingénuo atrevimento da administração regional e nacional de levarem por diante a “avaliação docente” que propugnam e não menos fico surpreso com a impunidade com que a si próprios os responsáveis por esta fraude se figuram.
Acredita VªExcia que aquilo que se ensina e que se aprende nas escolas têm tão irrisória natureza que podem mudar-se por simples decreto a belo prazer não se sabe bem de quem nem porquê? As leis internas dos fenómenos e a ordem intrínseca a qualquer discurso são folhos e rendas a entreterem ócios, engodo e isco para desprevenidos, meros artifícios para acumularem alguns aquilo que alguns dizem que faz cantar o ceguinho?
Então acha V.Excia que um docente pode ser bem avaliado num processo sumário instaurado por entidades formalmente administrativas, procedendo administrativamente, administrativamente compelidas ao arbítrio duma não menos administrativa hierarquia?
Acha que são métodos e critérios desse teor justificação capaz para se fazer tábua rasa de cinco, dez, vinte ou trinta anos de trabalho documentado de profissão, e, ao invés, é com 90 ou 45 minutos de uma ou duas pseudo aulas assistidas, preenchimento dos formulários normalizados, uma entrevista, e a incisiva ou displicente, mas sempre decisiva, benevolência ou hostilidade do presidente do executivo e ou do coordenador de departamento, que se avalia – VªExcia acredita? - toda uma vida profissional ou mesmo um ano de trabalho?
Então V.Excia superintende currículos e programas científicos, obrigando, para efeitos de ingresso na carreira, e aliás muito bem, a formação pedagógica, e depois impõe aos professores actuações contrárias, aberrantes, atentatórias da qualificação intelectual, da idoneidade científica, da ética e da deontologia profissionais? E acha que um sinistro, obscuro e aleatório “perfil” consagrado num não menos obscuro e sinistro “Estatuto da Carreira Docente” pode fazer apagar o que atrás afirmo? Julga que as águas bentas sindicais são passaporte garantido para absolvição de quantos abusos nesse “Estatuto” se licenciam? Acredita que lá porque “Deus escreve direito por linhas tortas” que o melhor é abraçar as “linhas tortas” para que tudo fique direito?
Não é por acaso que esta avaliação docente está a ser objecto de tanta atenção e tanta luta em todo o país. Não sou só eu que estou contra ela, assim como não sou eu só a estar contra o ECD que a enforma e informa.
É que não são só valores de democracia, de bom senso e de bom gosto, de lisura, de honestidade e de partilha, é também a esperança de vida que a vossa avaliação e o vosso ECD afrontam!
De vida ou de morte por isso esta luta.
VªExcia pode não saber, mas eu sei por que é que quem lhe paga o mercenato a obriga a tão abjectos actos contra natura e contra cultura. É que o figurino actual da assalariatura que tantos aplaudem ignaramente e tantos babosamente sustentam, precisa, por paradoxal que pareça, de cada vez menos qualificados e de cada vez mais desqualificados - cada vez mais transpirantes (e ou excluídos, acrescento) e cada vez menos pensantes, para usar a expressiva frase de um Colega meu. A uns cada vez mais poucos tudo se dá e tudo se investe, aos cada vez mais outros tira-se-lhes quanto se lhes pode – pudera! pois se a sua função económica e social é estrita e exactamente a de enriquecer quem aposta no negócio da compra e da venda da força de trabalho!
É imprescindível para o cada vez mais brutal modo de produção e de distribuição vigentes a máxima alienação e a rápida desqualificação da massa da população. É por isso que na análise de risco tudo aponta exactamente para a classe docente, pois esta está tradicionalmente habituada a ter como valores a educação, a instrução e a qualificação. É por isso ainda que se identifica os professores como os pontos críticos a controlar, a monitorizar, a fichar, a envolver, a expulsar ou a neles intervir correcionalmente.

O professor,

Pedro Albergaria Leite Pacheco

domingo, 9 de novembro de 2008

Manifestação de 8 de Novembro de 2008



E nos Açores, temos um bom Estatuto?

Não seria necessária uma manifestação a mostrar o nosso desagrado?

Não está na altura de começarmos a contestar a avaliação burocrática que temos?

Não está na hora de dizermos, deixem-nos ensinar?

sábado, 8 de novembro de 2008

RESOLUÇÃO DA MANIFESTAÇÃO DE PROFESSORES E EDUCADORES REALIZADA EM 8 DE NOVEMBRO DE 2008


Os Professores e Educadores presentes na grandiosa Manifestação Nacional realizada em 8 de Novembro, movidos pelo superiores interesses da defesa da Escola Pública, da melhoria das aprendizagens dos seus alunos e da defesa da dignidade da profissão docente, declaram:

Agir para que, em cada uma das suas escolas, todos os professores se comprometam com a decisão de suspender a avaliação de desempenho e recusem concretizar qualquer actividade que conduza à instalação ou desenvolvimento do modelo imposto pelo ME, tornando pública a sua decisão;


Apoiar a decisão da Plataforma Sindical dos Professores de suspender a participação na comissão paritária de acompanhamento da aplicação da avaliação;


Apoiar a antecipação do processo negocial de alteração do modelo de avaliação do desempenho, que deverá ter lugar no âmbito de um processo mais amplo de revisão do ECD que garanta, entre outros objectivos:


Eliminar a divisão dos professores em categorias hierarquizadas, bem como todos os constrangimentos administrativos à progressão na carreira;


Acabar com a prova de ingresso na profissão;


Estabelecer regras pedagogicamente relevantes para organização dos horários dos professores;


Fixar regras excepcionais para a aposentação dos docentes, tendo em conta o elevado desgaste físico e psicológico provocado pelo exercício continuado da profissão;


Rejeitar as propostas apresentadas pelo Ministério da Educação para revisão da legislação de concursos. Estas, a serem aprovadas, provocariam situações de ainda maior instabilidade dos docentes, para além de, não prevendo qualquer mecanismo para a vinculação dos professores, se destinarem a satisfazer necessidades permanentes das escolas recorrendo a professores contratados;


Exigir a correcção de todas as irregularidades e ilegalidades cometidas na elaboração dos horários de trabalho e o pagamento de serviço docente extraordinário em todas as situações em que, por impossibilidade comprovada, não seja possível respeitar o disposto na legislação em vigor;


Exigir, no âmbito de uma revisão da legislação relativa à direcção, gestão e administração das escolas, que se determinem condições que viabilizem a concretização dos princípios da autonomia, da participação e do funcionamento democrático dos órgãos;


Considerar inaceitáveis as medidas aprovadas pelo Governo que visam limitar a organização e o exercício da actividade sindical.
Face a este quadro tão negativo, os Professores e Educadores presentes na Manifestação de 8 de Novembro, que voltou a reunir em Lisboa mais de dois terços dos docentes portugueses, concordam envolver-se empenhadamente na concretização das seguintes iniciativas e acções de luta, caso o Ministério da Educação e o Governo mantenham, perante os Professores e a Escola Pública, a mesma atitude:

Novo protesto nacional, descentralizado pelas capitais de distrito, de acordo com o seguinte calendário:


25 de Novembro - Norte;
26 de Novembro - Centro;
27 de Novembro - Grande Lisboa;
28 de Novembro - Sul;


Aprovação, antes, ou após, cada reunião de conselho de turma, conselho de docentes ou de qualquer outra estrutura intermédia de gestão das escolas, de posições de exigência de mudança profunda do rumo da actual política educativa;


Distribuição, a todos os pais e encarregados de educação, de um texto que explique as razões da luta dos professores e as consequências extremamente negativas, para os alunos, das políticas educativas do Governo;


Encerramento de todas as escolas e jardins de infância no dia 19 de Janeiro de 2009, Dia Nacional de Luto dos Professores e Educadores Portugueses, em que se completam dois anos sobre a publicação do Estatuto da Carreira Docente, com a realização de uma Greve Nacional de todos os Professores e Educadores, em protesto contra o ECD do ME e pela sua imediata revisão.
Para além destas acções, os Professores e Educadores não excluem o recurso a outras formas de luta, ainda no primeiro período lectivo, designadamente o recurso à Greve, caso o Ministério da Educação não suspenda a aplicação da avaliação de desempenho e não recue em matéria de concursos.

Finalmente, os professores, disponibilizam-se para, ainda este ano lectivo, participarem numa Marcha Nacional pela Educação que envolva, para além dos professores, pessoal não docente das escolas, estudantes, pais e encarregados de educação, bem como todos os que considerem indispensável a profunda alteração do rumo da actual política educativa, para o que mandatam a Plataforma Sindical para desenvolver, desde já, os contactos necessários.

Os professores e educadores mandatam também a Plataforma Sindical dos Professores para solicitar reuniões a todos os Grupos Parlamentares e à Comissão Parlamentar de Educação e Ciência para que sejam expostas as razões dos professores e educadores e a necessidade de a Assembleia da República intervir neste processo suspendendo a avaliação, caso o governo não tome essa iniciativa.

Lisboa, 8 de Novembro de 2008

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Não ao Estatuto da Carreira Docente

Na Escola Secundária das Laranjeiras está a circular o Abaixo-assinado que se transcreve.



Abaixo-assinado

Exmo. Senhor
Secretário Regional da Educação e Ciência

Os Professores da Escola Secundária das Laranjeiras, abaixo assinados, manifestam o seu profundo desacordo com o ECDRAA- Estatuto da Carreira Docente na Região Autónoma dos Açores, publicado no Diário da República no dia 30 de Agosto de 2007, o qual agravou a sua situação profissional, prolongando a sua carreira e introduzindo um sistema de avaliação cuja única finalidade é dificultar a progressão.
Não questionando a avaliação de desempenho como instrumento conducente à valorização das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotor do desenvolvimento profissional, exigem a revogação do ECDRAA e consequentemente a suspensão imediata do modelo de avaliação vigente até ao estabelecimento de outro que tenha carácter formativo e que valorize a componente lectiva.

sábado, 1 de novembro de 2008

Assine a Moção

Cara(o) colega,
O ME dividiu os professores e educadores em duas categorias: os titulares e "os outros".
A verdadeira unidade dos docentes só pode ser conseguida com a revogação do ECD.
A verdadeira unidade dos docentes só pode conseguida com base na democracia, o que implica a revogação do novo processo de avaliação dos docentes e de gestão escolar.
Tal como a verdadeira unidade dos docentes com as suas organizações sindicais e movimentos só pode ser conseguida com a retirada da assinatura no "Memorando de entendimento" com o ME.
Foram estas as conclusões aprovadas, por unanimidade, na reunião de Algés do passado dia 28 de Outubro, e que estão expressas na moção que propomos que a(o) colega subscreva, através da Internet, em:
http://www.PetitionOnline.com/mocaoecd/petition.html
É claro que será muito importante, também, a divulgação da moção em papel para a sua subscrição pelos colegas (a quem se deve igualmente pedir que a subscrevam através da Internet).
Saudações fraternas,
Carmelinda Pereira

Escola secundária Antero de Quental -Suspensão da Avaliação Docente

Escola Secundária Antero de Quental, 29 de Outubro de 2008


SUSPENSÃO IMEDIATA DA AVALIAÇÃO DOCENTE PRETENDIDA PELA SREC/ME

À medida que no Departamento de Artes Visuais e Informática os professores foram consciencializando a natureza, trâmites e implicações da avaliação docente pretendida pela Secretaria Regional da Educação e Ciência e Ministério da Educação foi-se-lhes tornando evidente o quanto a mesma atenta contra a idoneidade científica e princípios deontológicos e éticos da profissão, pelo que solicitam a imediata suspensão da mesma.

O Departamento de Artes Visuais e Informática

ESTE ANO SALVE UM CAGARRO


Este ano salve um cagarro*

As associações Amigos dos Açores e Amigos do Calhau proclamam, este ano, o dia 1 de Novembro como o dia do cagarro.

O Cagarro (*Calonectris diomedea borealis*) é uma ave marinha muito abundante nos Açores, e é nestas ilhas que esta espécie nidifica. No fim de Outubro os cagarros juvenis, ao atingirem a plumagem e o tamanho adulto, são abandonados nos ninhos pelos progenitores e, movidos pela fome, lançam‐se ao mar, enfrentando vários perigos. Vamos ajudar o cagarro a seguir a sua rota.
Este ano salve um cagarro!

*Como salvar um cagarro*

Se encontrar um cagarro ferido ou desorientado:

- Prepare uma caixa de papelão e faça-lhe alguns furos.

- Aproxime-se lentamente do cagarro, usando luvas;

- Com uma camisola, casaco ou manta cubra o cagarro;

- Apanhe o cagarro, segurando-o pelo pescoço e cauda;

- Coloque o cagarro na caixa de papelão;

- Mantenha-o na caixa durante a noite, em local tranquilo e escuro;

- Na manhã seguinte, dirija-se a um local perto do mar;

- Solte o cagarro, deixando-o pousado no chão e afaste-se do local;

- Ao fim de pouco tempo, o cagarro começará a voar e encontrará o seu caminho.

*Atenção:*

- Não alimente o cagarro, para que ele não se habitue;

- Não se aproxime da ave quando não sabe exactamente como proceder;

- Não segure a ave pelas asas, nem permita que ela abra as asas enquanto a manipula, pois esta ficará cada vez mais agitada;

- Não force a ave a ir para o mar, ela seguirá a sua viagem quando se sentir em condições.


No caso de querer participar alguma situação ou a localização de aves mortas pode ligar para:

- Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da Guarda Nacional Republicana (GNR) Da sua área de reisdência (296306350 ou 961196202 - Ilha de São Miguel)

- Serviço de Ambiente da sua área de residência (296 206 785)

- Amigos dos Açores - Associação Ecológica (296498004 ou 9699866372)

- Associação Amigos dos Calhau (919978026 ou 9699866372)

domingo, 26 de outubro de 2008

(J)aulas de substituição



São um martírio para os professores.

Basta ver a mudança de humor logo após lerem no placard da escola que foram escalonados para substituir um colega.

Estragado fica o dia quando são recebidos "a pontapé" por alunos que nunca viram.

Proveito nem para professores nem para alunos.

Satisfeitos ficam os governantes e alguns pais, os primeiros porque o que lhes interessa é "vergar" os professores e os segundos porque o que querem é que os filhos fiquem fora de casa e ocupados, não lhes interessa muito saber o que estão a fazer.

sábado, 25 de outubro de 2008

TEMOS DE DEFINIR OBJECTIVOS DE LUTA EM CADA ESCOLA DESTE PAÍS

A população ignora a gravidade do que se passa nas escolas portuguesas.

Os docentes não estão a conseguir quebrar o isolamento em que foram colocados por uma campanha governamental denegrindo a sua imagem. São bons comunicadores com os seus alunos, mas estão demasiado envolvidos nas teias absurdas de um processo de avaliação que nasceu torto e que não se pode endireitar. Se ele não for para onde merece, o caixote de lixo, é a ESCOLA PÚBLICA PORTUGUESA que estará liquidada, na prática.

As implicações da política do Ministério da Educação e do Governo PS, devem ser conhecidas de toda a cidadania:

- No domínio da qualidade das aprendizagens: ela está em risco de descer e de não se conseguir sequer diagnosticar a grave falência do ensino. Porquê? Porque é forçar a inflacção de notas querer (segundo modelo imposto pelo ME) que a avaliação do desempenho dos professores seja feita em função dos resultados dos seus alunos.

- No domínio da democracia, a escola pública vai ser autocraticamente dirigida por um director, com uma corte de acessores nomeados por ele, à revelia das pessoas que na escola trabalham. Será o reino da prepotência, do arbítrio, do compadrio. Podemos esperar o pior, incluindo perseguições políticas e ideológicas.
É difícil de imaginar algo mais importante do que a escola: uma sociedade sem escola democrática, não poderá manter a democracia nos restantes domínios da vida pública.

- Tudo o que acontecer dentro deste contexto é previsível. Já se verifica agora uma hemorragia dos professores com mais experiência. Uns preferem a reforma antecipada, mesmo com reduções (penalizações) significativas no montante da pesnão. Outros conseguirão transitar para outras profissões.
Os mais novos, com vocação para docentes, mas afastados do ensino por uma política de contenção de custos ultra-neo-liberal, irão para outras profissões e muitos irão emigrar, dando o seu valor (e o saber adquirido em escolas portuguesas) noutros países, onde o seu talento é reconhecido.

- A escola vai perder qualidade; os orçamentos vão sempre ser menores do que as necessidades. Tirando uma ou outra escola «modelo», a imensa maioria das escolas vai degradar-se, pois a componente humana (fundamental no processo educativo) vai ficar diminuída. Haverá maior conflitualidade interna, instigada por uma concorrência artificial entre docentes, haverá uma degradação das relações humanas. Haverá um acentuar do autoritarismo. Haverá um atirar com deficientes profundos para a escola pública, sem os meios correspondentes de atendimento e acompanhamento. Isso tudo somado com uma sobrecarga de alunos por turma
O governo gaba-se de ter extinto ou destinar à extinção, mais de 3 000 escolas públicas do 1º ciclo, agrupando crianças de baixa idade em grandes centros, com crianças de idades mais avançadas, longe de suas freguesias, em muitos casos.

As medidas publicitárias, como a distribuição de computadores «Magalhães» são apenas isso, medidas publicitárias, sem nenhum efeito real, a não ser levar alguns incautos a votar ps nas próximas eleições.
A regra deste governo tem sido privatizar as universidades e institutos superores com interesse para a indústria e os negócios. Fazer baixar a qualidade nas escolas públicas não-superiores, levando muitos pais a retirar seus filhos da escola pública e colocá-los nos colégios privados, onde vão gastar milhares de euros por ano, para obter o ensino que o Estado tem obrigação de lhes dar.

É preciso portanto fazer campanha nas escolas, junto dos pais e encarregados de educação e formar -com eles- comissões de defesa da escola pública, para conseguir derrotar os intuitos deste governo. Os docentes são perfeitamente capazes de esclarecer a população; é na medida em que ganhem a população que poderão derrotar esta política contrária à escola pública e à dignidade da sua função.

Manuel Baptista (grupo de discussão Ecola Pública- para enviar mensagens para este grupo, envie um email para escola-publica@googlegroups.com)

Sindicato de Professores quer avaliação suspensa por falta de formação


O Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA) exigiu a suspensão do modelo de avaliação dos docentes, que entrou este ano em vigor, alegando falta de formação de avaliadores e avaliados.
Além de um Estatuto de Carreira específico, os professores que trabalham nos Açores dispõem de um processo próprio de avaliação de desempenho, proposto pela Secretaria Regional da Educação.

“Estamos a defender que, enquanto não houver formação generalizada de todos os professores da região, este modelo de avaliação não possa prosseguir”, salientou o presidente do SDPA, que hoje se reuniu em plenário, na cidade de Ponta Delgada.

Segundo Fernando Fernandes, nos Açores “não foi feito nenhum trabalho” para a formação generalizada dos avaliados e avaliadores, razão pela qual este processo, neste primeiro ano, deve ter, apenas, um carácter experimental.

Além disso, o processo de avaliação, no ano que entra em vigor, não deve repercutir efeitos negativos nas carreiras, defendeu o dirigente sindical.

“Esta avaliação deve ser presidida, no que diz respeito à sua concepção e implementação, por uma comissão científica de avaliação de desempenho”, preconizou Fernando Fernandes, que se mostrou disponível para dialogar com o novo Governo Regional, que tomará posse na sequência das eleições de domingo passado.

O presidente do SDPA salientou, também, que esta avaliação de desempenho em vigor nos Açores “parte do princípio que todo o professor é mau, até prova em contrário”.

Caso o novo Governo Regional não aceite as pretensões do SDPA, os docentes dos Açores “partirão para todos os meios de luta ao seu alcance para que os professores tenham direito a uma avaliação justa”, alertou Fernando Fernandes.

No plenário de hoje, o sindicato analisou, ainda, a distribuição do serviço docente nas escolas das ilhas, tendo chegado à conclusão que se está a verificar uma “burocratização” da profissão.

“Os professores estão a deixar de ter tempo para serem professores”, alegou o presidente do sindicato, para quem os docentes estão cada vez menos centrados nos “alunos, na preparação das aulas e nas actividades lectivas”.

Lusa/AOonline, 24-10-2008

PS- O principal não foi dito ou não foi transcrito. Com efeito, o mal começa no Estatuto que não serve os professores, prolonga-se pelo modelo de avaliação que serve apenas para impedir/dificultar a progressão e acaba nas grelhas de avaliação que são de uma subjectividade tal que ou dão para tudo ou irão "grelhar-nos" no final do ano.

As exigências principais deverão ser Revogação do Estatuto e a Alteração do Modelo de Avaliação. Até lá deverá vigorar o medelo anterior.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A propósito da avaliação nos Açores

Escola Secundária Antero de Quental, 21 de Outubro de 2008


Colegas

Escrevia o outro dia ao nosso colega, sem me sair do olhar, em pleno bosque, no Conselho Pedagógico, o Sambuco (nome fictício) de entre os vários personagens do “Sonho de Uma Noite de Verão” de Shakespeare. Se era com Nick Bottom de focinho de burro que a rainha das fadas, Titany, se embeiçava de amores, não estava Sambuco embeiçado por figura menos caricata e menos virtual:

Sambuco
(A propósito da supina avaliação docente)

Amante assim tão forte
Sambuco?
Amante assim tão cego
Em diurna celebração?
Que mago, que flor,
Que floresta,
Te embrenha em tão estrénua ternura
Por corpo tão desconforme,
Por objecto tão indiscreto,
Por tão impúdico serviço,
Da legal mancomunação?
Sem fim,
Sambuco,
A tua noite de verão?

Pedro
16 Out 08

Não já no bosque, mas no meu carro eléctrico, a caminho da escola, ouvi o outro dia um excerto da ópera cujo teor de fina crítica ao regime do fuhrer, não caindo bem aos SS de serviço, deu livre trânsito aos dois notáveis músicos da tolerada prisão de artistas directamente para o eficaz campo de extermínio.
Não sou notável, muito menos músico.
No entanto aos olhos dos meus colegas poderei estar a exorbitar na licença de vida que me dão os guardas do regime.
Reparem bem no figurino de escola que se tem vindo a desenhar e no carácter, ou falta de carácter, como queiram assumir, da lei de avaliação docente, e digam-me se ao abrir-lhe a boca lhe não vêem dentes iguais em iniquidade, em cinismo, em despudor, em desrespeito, aos dos de muitos comandantes de castelo e de chefes de quina da insidiosamente chamada “Mocidade Portuguesa”? (Falo para os que têm idade para se lembrarem disto e para aqueles que, sendo mais novos, não têm da história só a memória da sebenta que, devidamente decorada, ou passada no pente fino da cábula, lhes abriu as portas do desejado bom desempenho). É forte demais tal comparação? Ou é forte demais o que se desenha - e o medo, o atentismo, o dolo, a cobardia rasteira, o fazer de conta, batem à porta?
É bom que não haja dúvidas quanto ao carácter político desta avaliação dos docentes. É requintadamente nazi. Como naqueles breves treze anos de eternidade de terror para quem neles viveu, os nazis, “democraticamente” alcandorados ao poder, tinham nos outros, na massa da população docente, discente, operária, camponesa, etc., os instrumentos de acção e de coacção que eles por si sós nunca teriam possibilidade de garantir e de impôr.
Se politicamente esse é o coração de aço da avaliação docente da ministra em exercício e desiderato decisivo do libreto da opereta na qual afina Sócrates a voz que o mantém em cena, esta avaliação docente, tecnicamente, é uma verdadeira fraude.
Tecnicamente é tão fraudulenta, que são os próprios promotores dela os primeiros a tentar adoçar o amargo de boca que a sua operacionalização já está a causar.
Argumentam já alguns, a defender a sua dama, que a coisa pode não ser exactamente com o rigorismo da lei. Que uma aula não tem necessariamente de ser entendida em bloco, e que bem podem bastar 45 minutos de observação: há é que cumprir a observação, há é que cumprir o processo administrativo, com entrevista e tudo - e está feito!
Não contem comigo para isto.
Prefiro lutar, tal como preferi há dois anos arrostar a prisão do que demitir-me do direito de exercer, forte, é certo, mas alicerçada, a minha crítica à acção governativa. Tive na altura a boa sorte de deparar com uma Juíza de carácter e de coragem, advogados de excelência, e generosos cidadãos a depor, não propriamente a meu favor, mas a favor do direito de opinião e de lídima luta.
Prefiro lutar, tal como preferi há cinco anos arrostar o iníquo processo disciplinar na Escola Canto da Maia. Tive na altura defesa pelo advogado do Sindicato que me tem aceite como sócio mas me abandona no fim da acção, depoimentos de colegas, e o perjuro do Presidente do Executivo que me levantou o processo.
Por que é que afirmo que é politicamente nazi o processo de avaliação em curso?
É porque se alicerça, tal como aconteceu nos anos trinta e quarenta na Alemanha - com simpatizadas releituras em praticamente todos os países europeus e até nos EUA - num castelo de teoria edificado com o cimento do preconceito e a armadura do estereótipo elevados a campo duma realidade quotidiana tão mais virtual nas impostas representações quanto mais subjugadamente, ferozmente, cruamente, duramente, redutoramente vivida. É o paraíso da propaganda e a ocultação do inferno.
E por que é que afirmo que é tecnicamente uma fraude?
Dou a este respeito uma simples referência para os que dizem que gostam de falar uma mesma linguagem de profissionalismo e eficiência: HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Point).
Por qualquer ponta por onde queiram pegar no processo de avaliação, que o governo de Sócrates tem como indispensável e decisivo para o cumprimento do seu exaltante desempenho governativo, constatarão que 1) a análise de risco incide na classe docente, 2) identificam os professores como pontos críticos a controlar, 3) os limites críticos para cada ponto crítico e a 4) monitorização requerida para cada ponto crítico, são estabelecidos para a pessoa de cada docente, 5) as acções correctivas são estabelecidas para a pessoa de cada professor, 6) o arquivo de registos estabelece-se com a fichagem docente a docente e 7) os procedimentos estabelecidos para garantir que o HACCP está funcionando como deve ser passa pelo envolvimento dos próprios professores no processo.
Como se evidencia, esta avaliação docente prima logo à partida pela unilateralidade da evidência, pela descontextualização da acção, pela arbitrariedade da conclusão, pela promoção do abuso, pela exaltação do absurdo.
Não conduz a melhoria qualquer do ensino, visto que não é esse o objecto em avaliação (longe disso! Que o HACCP tem de ficar bem longe de tão inoportuna fantasia!).
Destrói, sim, desorganiza, sim, perturba, sim, o processo de ensino/aprendizagem e a própria avaliação do ensino/aprendizagem. Como já está a acontecer há muito, aliás, pois este figurino curricular, que já se passou a ferro e ora se impõe ao corpo incomodado da nação, foi começado a executar na segunda metade de oitenta do século passado pelo 1º Ministro Cavaco com o Ministro Carneiro na pasta da Educação, logo após a mordomia do Dr. Mário Soares ter dado entrada da CEE em Portugal.
Mas não são tão ilustres antecessores razão para deixar de perguntar se o Sr. 1º Ministro José Sócrates mais a sua colega Sra. Ministra Maria de Lurdes Rodrigues se não terão equivocado nas funções, dado que, apesar de tudo, a avaliação docente mais parece saída da António Maria Cardoso do que de S.Bento.

Grato por eventual atenção,

Pedro Albergaria Leite Pacheco
(Professor do Quadro de Nomeação Definitiva)

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Magalhães

A Escola Pública e o Fordismo

Luís Filipe Torgal,retirado de Educare.pt

A nova escola pública é hoje uma empresa gerida por muitos tecnocratas alinhados com a actual ordem política e equipada por operários que se desejam amanuenses servis e catequizados na alegada única ideologia vigente.



A escola pública morreu, enquanto espaço democrático multifacetado (e idealista) de instrução científica e artística e de formação cívica - já o proclamei aqui algumas vezes. Foi abruptamente estilhaçada pelo maremoto das desconexas e demagógicas ordenações socratistas de 2008: novo estatuto do aluno, nova lei sobre o ensino especial, novo regulamento de avaliação de desempenho docente e novo modelo de gestão escolar. Foi desacreditada pela propaganda do Ministério e da ministra que a tutelam e caiu em desgraça junto da opinião pública. Foi tomada por demasiados candidatos a futuros directores escolares embevecidos pelos decálogos de José Sócrates e inebriados pelas cartilhas sobre as dinâmicas de gestão empresarial no mundo neoliberal - afinal, as mesmas cartilhas que agora puseram o mundo à beira do caos. Foi pervertida pela imposição, por parte do Ministério da Educação, de um sistema burocrático kafkiano que visa obrigar os professores a fabricarem um sucesso educativo ilusório. Foi adulterada por alguns professores pragmáticos ou desprovidos de consciência crítica, os quais exibem a sua diligente e refinada burocracia como arma de arremesso para camuflar as suas limitações científicas, pedagógicas e culturais. E, neste momento, quando estão a constituir-se nas escolas os conselhos gerais transitórios, está a ser vítima de um já previsível mas intolerável processo de politização (no sentido mais pejorativo da palavra). Tal processo é dirigido por forças que em muitos casos se mantiveram durante anos alheados dos grandes problemas das escolas, mas que na actual conjuntura encaram estas instituições (outrora) educativas como tribunas privilegiadas para servirem maquiavélicos interesses de poder pessoal e/ou de carácter político-partidário.

A nova escola pública que está a emergir é uma farsa. Tornou-se um território deveras movediço, onde reina uma desmedida conflitualidade (e competitividade) social e política e uma grotesca e insuperável contradição entre os conceitos de "escola inclusiva" e de "pedagogia diferenciada". Nesta instituição naufragaram, entretanto, num conspurcado lamaçal, os nobres ideais instrutivos e formativos. O prodigioso computador portátil "Magalhães", ofertado em grande escala, numa operação de marketing à americana, a alunos do 1.º ciclo que cada vez sabem menos de Português ou Matemática e utilizam os computadores somente para simples divertimento, é, de resto, o mais recente exemplo do sentido irreal e burlesco das prioridades deste sistema educativo.

A nova escola pública é hoje uma empresa gerida por muitos tecnocratas alinhados com a actual ordem política, e equipada por operários que se desejam amanuenses servis e catequizados na alegada única ideologia vigente (a qual - agora já todos o sabemos - se encontra manifestamente em crise de final de ciclo). A verdadeira função desta espécie de mal engendrada e desalmada linha de montagem é produzir, automaticamente, em massa, de forma acelerada, e a baixos custos, duvidosos produtos estandardizados. Esta nova escola é, afinal, um hino ao velho fordismo. O tal sistema aplicado por Henry Ford em 1908 que venerou o dinheiro como deus supremo do Homo sapiens sapiens e que projectou um mundo sublime, onde o Homem é castrado da sua capacidade cognitiva e coagido a demitir-se das suas quotidianas obrigações familiares bem como de outros cívicos desígnios sociais em nome do lucro desenfreado (de uns poucos), da sobrevivência, do consumismo e do hedonismo desregrados. Aquele sistema perfeito superiormente ironizado por Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo) ou por Charlie Chaplin (Tempos Modernos), nos anos 30 do século XX, que está agora no epicentro de mais um superlativo "tsunami" económico e financeiro de consequências imprevisíveis para a humanidade; "tsunami" esse cujas causas são reincidentes e estão bem diagnosticadas. Enfim, aquele implacável sistema materialista mecanicista e "darwinista", que hoje transcende o sector secundário para atingir muitos serviços do sector terciário, e cujo modo de vida o escritor americano de ascendência portuguesa John dos Passos também satirizou, numa obra datada dos mesmos anos 30 (O Grande Capital), com estas antológicas palavras: "quinze minutos para almoçar, três para ir à casa de banho; por toda a parte a aceleração taylorizada: baixar, ajustar o berbequim, acertar a porca, apertar o parafuso. Baixar-ajustar o berbequim-acertar a porca-apertar o parafuso. Baixarajustaroberbequimacertaraporcaapertaroparafuso, até que a última parcela de vida tenha sido aspirada pela produção e que os operários voltem à noite a casa, trémulos, lívidos e completamente extenuados".

"Porreiro pá!" Mas, pá, será esta a escola e o mundo que nós desejamos para os nossos alunos, para os nossos filhos?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Selvajaria na Escola Secundária da Ribeira Grande


Pai de aluna e namorado agridem professor da Escola Secundária da Ribeira Grande.

Segundo apuramos, o professor depois de ter sido socado, foi pontapeado pelo pai e namorado da aluna.

Ao que isto chegou.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Abaixo-Assinado Por uma outra Avaliação



Notícia publicada no Açoriano Oriental de 13 de Outubro de 2008

sábado, 11 de outubro de 2008

Hino da Indignação.

Professores de Portugal
Gente nobre e dedicada
Força fértil e vital
Desta Pátria sufocada
Acorrei todos à praça
Resgatar a Educação
Perdida na nevoaça
Do Outono da Nação

Está na hora de lutar
Com a nossa indignação
Está na hora de bradar
É preciso dizer NÃO

NÃO à condição servil
NÃO à vã mediocridade
NÃO à demissão de Abril
Aos chacais da liberdade
NÃO ao sonho amordaçado
NÃO ao silêncio da voz
NÃO à perda do legado
Da Escola de todos nós

Está na hora de lutar
Com a nossa indignação
Está na hora de bradar
É preciso dizer NÃO

Luís Costa

(recebido por mail)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Professores reformam-se à média de 400 por mês

Quatro mil pediram a reforma nos 10 primeiros meses.Carga burocrática excessiva retira tempo para os alunos

TIAGO RODRIGUES ALVES

Em 2008 já se reformaram quase quatro mil professores e educadores de infância. E, apesar de perderem regalias, cada vez mais optam pela reforma antecipada. Só no mês passado houve 510 docentes a reformar-se.

Das duas uma: os professores portugueses estão a ficar velhos ou cansados. O JN comparou as listas de aposentados da função pública e constatou que, de um ano para o outro, estão a reformar-se, todos os meses, duas vezes mais professores e educadores de infância.

Por exemplo, comparando o mês de Setembro deste ano com o do ano anterior verifica-se que o número de aposentados mais que duplicou: de 249 passou para 510. Esta é uma tendência que parece estar a ganhar forma porque o número de professores e educadores de infância que se reformaram este mês de Outubro (322) é bem maior do que os reformados no conjunto de Outubro e Novembro de 2007 (272).

Ao todo e ainda com dois meses para contabilizar, este ano já pediram a reforma 3821 professores e educadores de infância. Sendo que os meses com mais reformas concretizadas foram Setembro (510) e Agosto (485) e o com menos foi o mês deMaio (126).

Como parece pouco crível que de um ano para o outro a população docente tenha envelhecido brutalmente e atendendo a que muitos pedem a reforma antecipadamente, sujeitando-se às respectivas penalizações (ver caixa), a resposta mais provável é que eles andam mesmo cansados e fartos. De quê, só os próprios poderão responder.

"Os professores estão saturados e desmotivados e, por mais que tentemos que não saiam prejudicados querem a reforma de qualquer maneira e com qualquer idade", diz Teresa Maia Mendes, do Sindicato de Professores do Norte. Esta docente auxilia os professores a calcularem quais os termos em que se poderão reformar e, por isso, conhece bem os motivos. Na sua opinião, "muitos professores, especialmente os que estão em topo de carreira, não estão a conseguir aguentar o ritmo da escola e dizem que mais vale sair com qualquer coisa porque, com o desgaste que estão a ter, vão acabar é no cemitério antes da idade da reforma".

A professora tem visto no Diário da República vários professores com pensões baixas o que significa que "muitos não estão a aguentar ir até ao fim". E comprova isso todos os dias pessoalmente. "Temos muitos pedidos de ajuda para a reforma antecipada e, mesmo avisando que vão ter uma quebra enorme com a aposentação, eles dizem que o clima nas escolas está impraticável e que não há maneira de dar a volta. Por isso, raramente mudam de opinião e fogem em frente", explicou ao JN.

(in Jornal de Notícias, 8 de Outubro de 2008)

domingo, 5 de outubro de 2008

FNE repudia Estatuto da Carreira Docente e exige um novo modelo de avaliação dos professores

Sábado, Outubro 04, 2008

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) aprovou hoje, em Coimbra, uma resolução que repudia o Estatuto da Carreira Docente e que exige um modelo de avaliação de desempenho "que respeite os professores".
O documento foi aprovado no decorrer da conferência nacional subordinada ao tema "Professores de Qualidade em Escolas de Qualidade", para assinalar o Dia Mundial do Professor, que se realizou durante todo o dia de hoje em Coimbra, e será enviado aos grupos parlamentares na Assembleia da República. João Dias da Silva, líder da FNE, afirmou à agência Lusa que é "inaceitável a existência de uma prova de ingresso na carreira docente, a divisão dos professores em duas categorias, que é desnecessária, inútil e incompreensível," e um modelo de avaliação baseado em quotas para acesso aos níveis superiores de avaliação. O dirigente federativo critica o estatuto de carreira docente por este impedir que dois terços dos professores acedam automaticamente ao topo da carreira, não pela qualidade do trabalho, mas "porque burocraticamente se lhes impede, por muita qualidade que tenham", e denuncia atropelos nas escolas na marcação de trabalhos e reuniões. O secretário-geral da FNE garantiu ainda que aquele organismo vai construir uma proposta alternativa ao modelo de desempenho dos professores e "contribuir seriamente para uma solução que seja exequível e mobilize as pessoas". "Nós vamos já começar a discutir com os professores várias modalidades com vários intervenientes, vários critérios e vários instrumentos até sermos capazes de encontrar uma solução final", reiterou João Dias da Silva, adiantando que, em Abril de 2009, altura em que vai decorrer o período de negociação com o Governo, a FNE terá uma proposta para apresentar. "É um estudo que vai ser feito ao longo dos próximos tempos com os professores. Aquilo que nós queremos é um modelo que seja simples, que não seja burocrático, mas que seja sobretudo percebido pelas pessoas", acrescentou o responsável. O líder da FNE denunciou ainda situações de "autoritarismos e excessos que estão a campear" nas escolas, afirmando que o Ministério da Educação "tem obrigação de intervir para evitar que a avaliação de desempenho se torne no centro da preocupação dos professores, desviando a sua atenção daquilo que deve ser o seu motivo mais importante de atenção: o seu trabalho com os alunos". "Isto significa que o processo de avaliação tem de ser despido de tudo o que é excesso em burocracia, em papelada, em reuniões inúteis, que só servem para criar stress e medo", frisou.

(extraído de Luta Social)

sábado, 27 de setembro de 2008

O Clima piorou


O que se previa está a acontecer.

O silêncio da maioria dos professores em relação ao estatuto regional da carreira docente, a cumplicidade de algumas associações sindicais com o governo e a arrogância deste fizeram com que tenhamos um ECD pior do que o anterior.

Na sequência das primeiras reuniões de Departamento realizadas nas escolas, embora a maioria dos professores continue adormecida, algumas pessoas cairam em si.

A partir de agora vamos todos participar em actividades, mesmo de interesse duvidoso, vamos, por via das dúvidas, registar todas as evidências, vamos elaborar portfolios, vamos fazer planos para tudo, mesmo que sejam desnecessários, e vamos teatrializar duas aulas.

De uma coisa estou certo, não vou ter tempo para dedicar-me aos alunos.

Esta não é a escola com que sonhei, vou fazer com que a escola apenas seja o local onde vou buscar o que preciso para sobreviver. A Vida passou a estar do lado de fora dos portões...

Teófilo Braga

Comentário 1


Texto notável de denúncia da situação grotesca a que se permitiram os professores deixar chegar-se! Treze anos, um nada em tempo histórico, mas uma eternidade para quem viveu a tragédia nazi - ou para quem se debruce sobre a brutalidade conceptual e de acção nazis.
Foi um povo ordeiro, cumpridor e multiplicador das aberrantes ordens dos chefes o ninho onde os monstros se criaram. Não deixemos que os ovos de tais feras tenham calor suficiente para deles eclodir renovada geração!

Pedro

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A ESCOLA PARAÍSO NUM INFERNO DE CONCELHO

Novo ano na Secundária da Lagoa: Dar a volta aos alunos desinteressados

A Escola Secundária de Lagoa arranca hoje o ano lectivo com 960 alunos divididos por 44 turmas. O estabelecimento de ensino vive o “choque” do grande desinteresse de alunos dos 14 aos 16 anos e o “orgulho” em outros que conseguem excelentes resultados nos exames nacionais. Graça Teixeira, directora do estabelecimento de ensino, considera que a “desmotivação e a ausência de projectos de vida” de alunos “é mais desgastante” do que a questão “dos comportamentos violentos”.

Correio dos Açores – Que distingue a Escola Secundária de Lagoa de outras escolas que têm as mesmas características, nomeadamente em Ponta Delgada?

Graça Teixeira - Provavelmente, o que mais distingue a Escola Secundária de Lagoa será o seu Projecto Educativo que, estando assente nos princípios da exigência, do rigor, da competência, do diálogo, da inovação e da partilha, tem como metas a valorização da formação integral do aluno e do conhecimento, a promoção da formação e do desenvolvimento profissional e o envolvimento da comunidade onde nos inserimos. Sabemos que somos conhecidos principalmente pela qualidade dos nossos recursos materiais, mas o que há de verdadeiramente especial na Escola Secundária de Lagoa são os profissionais que aqui trabalham, pois só com eles é que conseguimos implementar um projecto de escola ambicioso.

Como caracteriza o ano escolar que se avizinha?
Parece-nos que o próximo ano escolar será marcado pelas alterações que se introduziram na avaliação do desempenho dos docentes, o que obrigará a novas rotinas e nem sempre é fácil adaptarmo-nos à mudança, principalmente quando essa adaptação é tão frequentemente pedida aos professores. Em relação aos alunos, julgamos que será um ano tranquilo, e procuraremos proporcionar-lhes experiências enriquecedoras, não só para o seu desenvolvimento académico, mas também pessoal e cívico.

Este será um ano em que as aulas se iniciam com algumas obras em curso?

A nossa escola não tem obras em curso. Apenas pequenas adaptações, que não interferem com as actividades escolares. Esperamos ter a curto prazo uma intervenção no espaço desportivo exterior, mas este é um projecto ainda embrionário.

E o último ano escolar. Como decorreu?


Fazemos um balanço positivo, pois o abandono escolar foi de 1,5% e as retenções no 3º ciclo atingiram os 12,6%. Estes números dizem-nos muito, porque desceram bastante em relação aos primeiros anos de trabalho com este ciclo, quando as retenções ultrapassavam os 30%. Além disso, a nossa grande batalha tem sido combater o abandono, combater a desistência da formação escolar ao longo do terceiro ciclo e diminuir o insucesso. Julgamos que se proporcionarmos um ensino básico de qualidade, teremos mais possibilidade de contribuir para um concelho mais qualificado, seja através do ensino secundário, seja do ensino profissional. Um dos maiores problemas do concelho de Lagoa é o precoce abandono da escola, e estamos a ganhar essa batalha de forma consistente.

Que razões levam os alunos e pais a optar pela Escola Secundária de Lagoa?
Principalmente a proximidade da zona de residência. O número de alunos de outros concelhos não tem qualquer relevância e ocorre por não haver o curso pretendido na Escola Secundária de Vila Franca do Campo, ou por o encarregado de educação trabalhar neste concelho.

Têm ocorrido situações de violência escolar entre alunos?
Como em qualquer escola, temos casos de indisciplina, mas nada de grave e que a intervenção assertiva de um professor ou funcionário não controle. Nos casos mais problemáticos, o Conselho Executivo tem uma intervenção firme, como lhe compete. Procuramos agir de forma integradora e construtiva, mas por vezes é necessário optar por decisões mais penalizadoras. Parece-nos, no entanto, que se vive num ambiente de tranquilidade. Desgasta-nos muito mais a luta contra a desmotivação e a ausência de projectos de vida, do que os comportamentos violentos.

Qual o número de alunos que a escola tem neste ano lectivo. Este número cresceu ou diminuiu?
Este ano, temos 960 alunos divididos por 44 turmas. Aumentámos ligeiramente, principalmente porque recebemos mais alunos para o 7º ano e conseguimos que mais

A Secundária de Lagoa tem os meios financeiros necessários? Que faria se tivesse mais meios financeiros?
Temos os meios financeiros necessários para implementar o nosso Projecto Educativo. Claro que qualquer organização gostaria de ter um orçamento maior, porque nunca nos satisfazemos com o que temos e poderíamos melhorar a Escola Secundária de Lagoa, não só nas suas características físicas, como em muitas outras dimensões. Mas julgamos que temos conseguido gerir o nosso orçamento de modo a garantirmos qualidade nas condições de trabalho que oferecemos a todos os que aqui exercem a sua profissão ou estudam na nossa escola

Quais os principais problemas e dificuldades que enfrenta
?
Penso que qualquer profissional da Escola Secundária de Lagoa identificará os problemas sociais do concelho de Lagoa como a principal dificuldade do seu trabalho. Metade da população estudantil é apoiada pelos Serviços de Acção Social, o que significa muitas famílias com carência económica. Muitos alunos trazem uma história de vida complexa, que justifica a desmotivação, o desinteresse e a recusa em trabalhar. Choca-nos muito que jovens com 14, 15 e 16 não tenham qualquer projecto de vida, não se sintam capazes de fazer nada do que a escola lhes pede e por isso se neguem, sequer, a tentar. A baixa-autoestima e o abandono a que muitos estão sujeitos exige muitíssimo dos professores, que cada vez mais não são apenas especialistas nas suas áreas de docência, mas têm de ser psicólogos e assistentes sociais. Por outro lado, sentimos muito orgulho nos bons alunos que daqui saem bem como dos resultados obtidos nos exames nacionais. Continuaremos a trabalhar no sentido de obtermos cada vez mais e melhores resultados, apostando nas pessoas que connosco trabalham!

Autor: João Paz

(In Correio dos Açores, 9 de Setembro de 2008)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Retorno ao Serviço



1- 5 cêntimos foi a quantida que os professores da minha escola pagaram por um impresso que tiveram que preencher para declarar o retorno ao serviço. Haverá algum trabalhador, do sector público ou privado, que pague para trabalhar?

2- Logo pela matina e na escola disseram-me que a presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária da Lagoa, em Conselho Pedagógico, se havia despedido dos colegas em virtude de a partir de Outubro passar a exercer um cardo político. Qualquer que seja o lugar, espero que seja uma defensora dos professores. A maioria dos nossos colegas que conheço facilmente se esqueceram da sua profissão original.

Será que Graça Almeida vai-se esquecer ou já terá esquecido?

3- Em várias cidades do país houve manifestações de professores desempregados convocadas por sindicatos da FENPROF. Será que nos Açores não há sindicatos ou não há professores desempregados?