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segunda-feira, 8 de junho de 2026

A Ponte da Ribeira Seca de Cima

 



A Ponte da Ribeira Seca de Cima

 

No dia 7 de novembro de 1862, o semanário “O Villa-Franquense”, publicou um texto onde chama a atenção para a utilidade de se construir uma ponte na “Ribeira Seca de Cima”. O autor do texto alude à possibilidade de a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo obter o donativo de “rs. 350$000” dos habitantes da Ribeira Seca e de outros vila-franquenses.

 

No dia 28 de novembro de 1862, o referido jornal apresenta uma lista dos primeiros benfeitores que foram: Nuno Gusmão, Álvaro Pereira Bittencourt Lopes, João Borges Botelho de Gusmão, Arcenio Botelho de Gusmão, José Gomes Machado, D. Antónia Maria de Mello, Miguel da Costa Rapozo, Francisco da Costa Brum, Manoel Jacintho de Andrade, Nicolão Teixeira Brazil, João da Motta, José Ignacio, Bernardo José Ferreira, Manoel Tavares Soares, José Furtado de Medeiros Salema, José Jacintho da Costa, Antonio Soares de Oliveira, João Correia Calouro, Manoel Borges Assafrôa, Antonio Jacintho da Camara, Luiz. José Rapozo, Antonio José Rapozo, Francisco da Costa Fofo, José Pereira da Luz, Miguel de Medeiros, José Furtado, José de Amaral, Manoel de Araujo, Manoel Genipero, José de Medeiros, Manoel Luiz Barbeiro, João Furtado Augueiro, Joaquim Soares, Antonio Jacintho Tinxão, Nicolão Padre Cura e João Manoél Estrella.

 

A 5 de dezembro de 1862, o jornal mencionado continua a publicar uma lista de donativos, apresentando pela primeira vez os nomes de alguns habitantes da Ribeira Seca. Aqui vai a listagem: Fulgencio José do Couto, José da Camara, Antonio de Andrade, Francisco de Mattos Amarello, Manoel Valerio e Padre Miguel Furtado do Couto. Da Ribeira  Seca constam os seguintes nomes: Manoel de Andrade, José de Andrade, José de Pimentel, Antonio do Couto, Francisco de Andrade, Manoel Furtado Vinhateiro, Miguel Furtado Formiga, João do Couto, José Gomes, Francisco da Costa Piadura, Manoel de Amaral, Feliciano Rapozo, João Francisco Verdadeiro, Miguel Furtado Salema, João Faial, João Carreiro Violanta, João da Costa Estevão, Francisco da Costa Estevão, Manoel Carvalho, Francisco Ignacio, Manoel de Mattos, Duarte Ferreira, Antonio Furtado Vinhateiro, Manoel da Costa, João Furtado Lima, Manoel Cabral Capote, José Furtado Salema, Manoel Furtado Lima, Manoel de Souza, Manoel Furtado Salema Junior, Antonio Furtado Salema, Manoel de Medeiros Quarquez, Antonio de Souza, Francisco Escaler, Manoel Carreiro, João de Medeiros, Francisco Carreiro, Manoel Furtado Salema, João Escaler, Francisco Carreiro Braga e João Ignacio.

 

A 12 de dezembro do mesmo ano, “O Villa-Franquense” publica a última lista de donativos, agora com habitantes na Ribeira Seca e da Ribeira das Tainhas.  Da Ribeira Seca: Agostinho José, Manoel João Carreiro, Bento d’Andrade, João de Medeiros Bolota, Luiz Carreiro, João Carreiro Filho, Manoel Gomes Pimentel, Manoel de Souza Salgado, Antonio Vicente Rendeiro, José Caetano, José Carreiro, José Botelho, Miguel Botelho, Manoel Ferreira, Francisco Bento, Francisco de Souza Salgado, Manoel Furtado Garoupa, Jacintho Martins, Manoel Martins, Manoel Gomes, Manoel João Furtado, Francisco Botelho, Antonio de Lima Carvalho, Francisco Branco, José Branco, João Branco Filho, José da Costa, Antonio Carreiro Braga, Antonio Ferreira, Manoel Pacheco, Francisco Pacheco, Manoel Liborio, Manoel José de Souza, Manoel Pacheco, Manoel Furtado Feitor, José Ferreira, Antonio Galego, Antonio Sargo, Antonio d’Oliveira, Francisco de Souza Leite e Francisco Ferreira. Da Ribeira das Tainhas, contribuíram: Francisco da Carreira Piquete, Jacintho José Rapozo, Arcenio Moniz Furtado, Manoel Moniz Furtado, Manoel Furtado Lourença, Antonio Furtado Bragoim, Manoel Matheos, Antonio Furtado Duque, Antonio Furtado Lourença, Francisco Pacheco, José Furtado Fontes, Francisco Moniz Furtado, Exm.º Barão das Laranjeiras, Antonio Jacintho Jorge e Luiz Freitas da Silva Junior.

 

Atingidos os “rs. 350$000”, valor que não sabemos se foi suficiente para a construção da ponte, esta terá sido inaugurada em 1873, como indica uma inscrição existente na mesma gravada em pedra.

 

25 de maio de 2026

 

Teófilo Braga

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 


Inaceitável esgoto a céu aberto na ribeira da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo

 

Em 2004, a associação ecológica Amigos dos Açores denunciou a presença de águas poluídas por esgotos na foz da ribeira da Ribeira Seca, em Vila Franca do Campo. Na altura, a Câmara Municipal informou que iria “providenciar no sentido da sua resolução, estando a respetiva intervenção programada no âmbito do próximo plano”.

 

Volvidos quase 22 anos, uma visita ao local permitiu constatar que a ribeira continua significativamente poluída, recebendo águas provenientes de um esgoto ali canalizado. A persistência desta situação é motivo de séria preocupação: para além dos maus odores, a presença de águas contaminadas num curso de água favorece a proliferação de vetores de doenças e representa um risco evidente para a saúde pública e para o ambiente.

 

A gravidade é acrescida pelo facto de estas águas desaguarem na denominada Praia da Leopoldina, colocando em causa a qualidade balnear e a segurança dos utilizadores.

 

Face a este cenário, o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional de Ambiente exige uma intervenção urgente por parte da Junta de Freguesia da Ribeira Seca da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, da GNR-SEPNA e da Direção Regional do Ambiente no sentido de porem termo a esta situação inaceitável e salvaguardar a saúde pública e o equilíbrio ambiental.

 

Açores, 14 de abril de 2026

 

P’lo Núcleo Regional dos Açores da IRIS-Associação Nacional de Ambiente

 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Memória de 1980

 No dia 28 de setembro, durante a campanha eleitoral para as eleições legislativas de 1980, como candidato da UDP-União Democrática Popular, organizei uma sessão de esclarecimento na sala da Escola Primária da Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, onde frequentei a terceira e quarta classe.

A sala encontrava-se cheia, essencialmente com muitos jovens da localidade e estava a correr muito bem quando foi invadida por pessoas desconhecidas, separatistas, que haviam sido avisado por alguns seus correligionários de Vila Franca do Campo [foram identificados dois].

A sessão teve de ser interrompida e ao chegar cá fora perguntei aos jovens da Ribeira Seca que estavam no exterior onde estavam os desconhecidos. Como eles não te deixaram falar e estavam a dizer que te iam bater, corremos com eles à pancadaria.




terça-feira, 22 de outubro de 2024

Moinhos da Ribeira Seca




 Moinhos da Ribeiira Seca de Vila Franca do Campo: o passado (daqui: https://www.facebook.com/AcoresQuaseEsquecidos) e o presente /21 de outubro de 2024)

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A propósito de Burros na Ribeira Seca



A propósito de Burros na Ribeira Seca

De vez em quando, minha tia Zélia Soares que tem 87 anos pergunta se me recordo de meu avô, Manuel Soares, que morava na rua do Jogo, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, ter uma burra.

A burra referida pernoitava no rés-do-chão da casa até que uma doença que atingiu vários membros da família levou a que, por conselho médico, meu avô a retirasse de lá.

À semelhança de meu avô outras pessoas na localidade, também, usaram burros para transporte de cargas, nomeadamente canados de leite, lenha para os fornos ou sacas de milho para os moinhos.

Se bem me lembro, lá na rua possuíam burros o senhor Ernesto que era dono meia dúzia de cabeças de gado e que para reforçar o seu orçamento familiar também se dedicava ao comércio de alguns produtos agrícolas, tendo ficado com a alcunha de “Ernesto das mónicas” por as (nêsperas) ter vendido e o senhor José Cabral que foi o último moleiro da Ribeira Seca, cuja moagem elétrica foi musealizada e encontra-se aberta ao público.

Para além das pessoas já mencionadas, também me recordo de terem possuído burros, na Ribeira Seca, três outros moleiros: José Estevão, Manuel Verdadeiro e Ângelo Verdadeiro.

O senhor José Estevão, que foi último moleiro que usou um moinho movido pela água da ribeira que atravessa a localidade, era um grande conhecedor da história de Portugal, tal como foi transmitida pelo Estado Novo.

Manuel Verdadeiro, irmão de minha avó Maria Verdadeiro, primeiro teve um moinho de água, localizado nos Moinhos, hoje em ruínas, e depois um movido a eletricidade, localizado na rua Nova, também possuía uma burra que depois foi herdada, tal como o moinho, pelo seu filho Ângelo que morou na rua da Cruz.

Este meu primo Ângelo era o que se pode chamar um doente pelo futebol, mais propriamente pelo Sport Lisboa e Benfica. Assim, sobretudo às segundas-feiras, sempre que o “glorioso” ganhava os jogos no dia anterior, quando ele ia buscar mais milho para moer, para além de muitos vivas ao Benfica que ia distribuindo pelas ruas, a burra apresentava-se bem aperaltada e com as unhas pintadas de vermelho.


Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31224, 9 de maio de 2017, p.17)

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Coisas do Ponta Delgada


Coisas do Ponta Delgada

O senhor António Ponta Delgada era uma pessoa que tinha uma lata muito grande, tanto para enganar os seus concidadãos como para convencer os juízes de que a razão estava sempre de um lado, que por acaso era sempre o dele.

Ainda hoje, as pessoas, sobretudo as de idade mais avançada da freguesia onde vivia, lembram-se de episódios da sua vida atribulada e quando se encontram recordam alguns deles.

Assim aconteceu, no passado dia 26 de março, quando, por acaso, encontraram-se quatro pessoas cuja idade anda por volta dos 60 anos, tendo na ocasião recordado antigos habitantes da localidade, sobretudo os que emigraram e os que pela sua vida deixaram histórias que ainda não caíram no esquecimento.

No texto de hoje vou tentar reproduzir duas das histórias que poderão ser ou não invenção das mentes dos que as contaram. À primeira decidi atribuir o título de “Cega para andar” e à segunda “No Tribunal”.

1- Cega para andar

O senhor António Ponta Delgada era um negociante famoso no que toca a enganar quem tinha a ousadia de comprar-lhe seja o que for.

Certo dia, uma pessoa queria comprar uma égua que lhe servisse para os seus trabalhos na lavoura e decidiu falar com o senhor António Ponta Delgada que possuia um animal à venda.

Alguns dias depois, ao encontrar o António. Ponta Delgada perguntou-lhe: António., já sei que tu és capaz de enganar meio mundo, mas quero que sejas sincero comigo e diz-me lá se essa água que tu tens para vender e que tem bom aspeto anda bem.

A resposta não tardou: Oh Manuel, já me conheces há muitos anos, mas a ti que és meu amigo não te engano. Podes levar esta égua à vontade pois ela é cega para andar.

No dia seguinte, o senhor Manuel encontrou o senhor António Ponta Delgada e disse-lhe: Lá me enganaste, esta égua anda aos trambolhões, não se desvia de nada e se me distraio bate contra tudo o que lhe aparece pela frente.

Resposta pronta de António Ponta Delgada: Com os outros minto, contigo falei a verdade, então não te disse que a égua era cega.

Antes de contar a segunda história, quero explicar que na localidade, não sei se noutras também, cego para andar significava andava bem e ou depressa.

2- No Tribunal

O senhor António. Ponta Delgada comprou um carro de bois numa freguesia da costa norte da ilha de São Miguel e como não havia maneira de pagar ao antigo dono, este apresentou queixa e o caso foi levado a tribunal.

No dia do julgamento o senhor António. Ponta Delgada dirigiu-se à casa do vendedor do carro e alegando que não estava bem vestido pediu-lhe, a título de empréstimo, uma camisa, o que veio a acontecer.

No julgamento, a situação parecia não sair do impasse com o senhor António. Ponta Delgada a dizer que já havia saldado a dívida e o vendedor a dizer o contrário.

Até que o senhor Antonio Ponta Delgada para convencer o juiz afirmou. “Senhor doutor juiz, este senhor é um grande mentiroso, saiba Vossa Excelência que, se continuarmos aqui, daqui a pouco ele vai ter o descaramento de dizer que esta camisa que trago vestida é dele”.

Diz-se que terá convencido o juiz e não teve de pagar nada a quem realmente devia.

Teófilo Braga

(Correio dos Açores, 30931, 11 de maio de 2016, p. 13)