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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Ladrões em Vila Franca do Campo e não só



Através de um texto publicado no jornal “A Crença”, no passado dia 24 de fevereiro, fiquei a saber que infelizmente não sou o único a ser vítima de roubos de fruta. Com efeito, segundo Pedro Costa, autor do texto referido, muitos agricultores o têm procurado no sentido de se juntarem e agirem contra os amigos do alheio.

No que me diz respeito tenho duas situações que denuncio: o roubo de fruta em quantidades que creio que não seja para consumo próprio e a destruição de plantações sobretudo de fruteiras por parte de cabras cujos donos, sem terrenos para as pastar, usam e abusam da propriedade alheia, sem que, até hoje, todas as denúncias efetuadas tenham feito com que a situação se alterasse.

No passado, todas as denúncias feitas às autoridades resultaram em represálias, como destruição de ordenhas, roubo de rolos de erva e morte de animais, pela calada da noite, pelo que o apelo de Pedro Costa para que as pessoas apresentem queixa, embora correto, pois ninguém deve fazer justiça pelas próprias mãos, poderá não ser seguido por muitos que já conhecem bem a impunidade que têm gozado os larápios. Igualmente é de repudiar o dito medo dos compradores de fruta roubada em denunciarem os vendedores da mesma pois nalguns casos trata-se de conivência com o roubo, pois dá-lhes jeito comprar fruta mais barata ou quase dada.

No que diz respeito aos prejuízos causados pelas cabras, estamos perante a ausência de medidas por parte das entidades oficiais conducentes à proibição da existência de rebanhos por parte de pessoas que, não tendo terrenos para as mesmas pastarem, vivem à margem da lei. Com efeito, não respeitando o trabalho dos outros colocam os rebanhos em pastagens ou em quintas, onde comem a erva destinada às manadas dos proprietários e rendeiros ou destroem pequenas árvores, quer comendo as folhagens quer roendo as cascas das mesmas.

A situação que se vive não é inédita, tendo, em 1999, sido denunciada pela Associação Agrícola de São Miguel e pelo extinto Partido Democrático do Atlântico. De acordo com o PDA, naquele ano, as explorações caprinas onde existia qualidade sanitária não atingiam 5 por cento da produção de queijo de cabra produzido em São Miguel.

Para Joaquim Cabral, dirigente do referido partido, a forma de resolver o problema passava pelo seguinte: “Basta procurar junto dos pastores qual é o seu efetivo de cabras, quanto pasto é necessário para alimentá-las durante o ano e quantos alqueires possuem seus ou de renda. Depois, procurar junto dos lavradores e proprietários de terras ou quintais as razões das queixas. Por fim, obrigar ao abate de todas as cabras cujos cabreiros não tenham possibilidade de as alimentar nos seus pastos”.

No início de 1928, o Correio dos Açores denunciava situações semelhantes às de hoje e nos seguintes termos: “Com uma inaudita audácia, os cabreiros a tudo chamam seu, destruindo os tapumes, fazendo comer as ervas e as arvorezinhas, ameaçando aqueles que pretendem velar pelo que lhes pertence, exercendo represálias sobre quanto respeite àqueles que promoveram o justo castigo…”

Hoje, embora não tenha dados oficiais, penso que haverá muito menos rebanhos ilegais, o mesmo acontecendo com produtores de queijo desrespeitadores das leis em vigor, pelo que bastava que fossem punidos severamente e pagassem todos os prejuízos causados para pensarem duas vezes antes de colocarem os animais, que não têm culpa nenhuma das bestas dos donos que têm, em terrenos que não lhes pertencem.

Mas, tão ou mais grave do que a destruição do património vegetal é a persistência no fabrico e venda de queijo, desconhecendo-se as condições higiénicas em que o mesmo é feito e se os animais estão ou não saudáveis.

Espero que este texto seja lido por quem de direito e que sejam tomadas as devidas providências para bem de todos.
Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 31204, 12 de abril de 2017, p. 14)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A propósito de bananas


A propósito de bananas

“Quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem.”

Nos Açores cultivam-se várias espécies de bananeiras. O arquiteto-paisagista José Marques Moreira num livro cuja leitura se recomenda “Alguns aspectos de intervenção humana na evolução da paisagem da Ilha de S. Miguel (Açores)”, editado, em 1987, pelo Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, menciona a Musa paradisíaca L. e a Musa ensete Gmel.

Em 1925, de acordo com um texto publicado no Correio dos Açores, os Açores ainda não possuíam bananas “para vendê-las ao freguês exótico; mas como aos açorenses {…] não lhes sofre o ânimo deixarem de cultivar tudo quanto aos outros agricultores de qualquer parte do globo cultivam, brevemente produzirão bananas todos os dias para o consumo continental”. Através do mesmo texto, fica-se a saber que estava empenhada na concretização daquele objetivo a “Sociedade Corretora Limitada”.

Através de outro livro interessante, “Agricultura Açoriana…um caminho para a Europa. Os handicaps açorianos na directiva 75/268/CEE”, do Eng. Fernando Monteiro da Câmara Pereira, fica-se a saber que as plantações de bananeiras ocupavam, nos Açores, no indício da década de 60 do século passado, 950 hectares e que a produção estimada para 1980 era de 5000 toneladas.

Em 2007, nos Açores, a área cultivada com bananeiras era de 324 hectares e a produção foi de 5800 toneladas, o que representou 21% da produção total nacional. Em 2011, a área de cultivo de bananeira era de 297 hectares e a produção atingiu o total de 5 108 toneladas. Dois anos depois, em 2013, verificou-se um ligeiro decréscimo, tanto na área ocupada como na produção. Assim, nesse ano a área cultivada passou a ser de 290 hectares e a produção foi de 5030 toneladas.

Não temos dados estatísticos para Vila Franca do Campo, mas temos a sensação, pela observação da ocupação dos terrenos, que deverá ter havido um ligeiro aumento da área ocupada com bananeiras nos últimos anos.

Se por acaso estivermos errados no que diz respeito à afirmação anterior, não faltaremos à verdade se afirmarmos que cresceu a confiança dos produtores na cooperativa, desde que sangue novo, competente, honesto e dedicado chegou à sua direção.

Um problema com que alguns produtores se debatem e que não é de agora é o do furto de bananas, o qual infelizmente não é para matar a fome, mas para o comércio fortemente lucrativo, já que os comerciantes ladrões não arcam com os custos de produção.

Temos conhecimento de pelo menos meia dúzia de produtores da freguesia da Ribeira Seca que, ao longo dos anos, têm sido vítimas dos amigos do alheio.

Um deles, depois de quantias avultadas de bananas furtadas e desconfiando de um produtor/comerciante que colocava bananas num determinado espaço comercial, decidiu fazer umas pinturas dificilmente visíveis nos cachos e passou a seguir os passos do amigo do alheio. Ao fim de algum tempo, a sua desconfiança deixou de o ser, tendo apanhado o gatuno.

Apesar de ter ficado a saber quem lhe furtava, as burocracias com as várias entidades com vista ao merecido castigo de quem gostava de viver à custa do trabalho alheio foram tantas que, desgostoso, acabou por vender a sua propriedade.

Os outros dois, desesperados com os furtos de quantias avultadas de bananas roubadas, num dos casos cerca de 500 kg em três meses, para evitar que aqueles continuassem decidiram pintar as bananas, perdendo estas todo o seu valor comercial.

Teófilo Braga
(Correio dos Açores, 30831, 13 de janeiro de 2016, p.14)