A propósito de
uma planta venenosa: a trombeteira
Fui
contactado por um jornalista para me pronunciar sobre uma planta que uma pessoa
tinha observado e relativamente à qual considerava estranho não existir
qualquer aviso a alertar para o facto de ser venenosa.
Através
de uma fotografia que me foi enviada, verifiquei tratar-se de uma espécie do
género Brugmansia, nativo da América Central e da América do Sul.
Algumas
espécies deste género são utilizadas para provocar alterações da consciência ou
como droga recreativa.
Na
ilha de São Miguel, sobretudo em espaços ajardinados privados, existem algumas
espécies deste género, uma vez que as suas flores são muito vistosas.
Não
tenho conhecimento de que tenha ocorrido, até hoje, nos Açores qualquer caso de
intoxicação resultante do uso indevido destas plantas, conhecidas pelo nome de
trombeteiras.
Conheço
apenas um caso de um jovem que morreu na ilha da Madeira, em 2006, alegadamente
por ter ingerido uma infusão preparada com flores de uma trombeteira.
Tenho
dúvidas de que a colocação de avisos junto destas plantas seja uma medida
eficaz. Poderá, inclusivamente, provocar algum alarmismo desnecessário.
De
qualquer modo, será útil que as pessoas conheçam algumas medidas destinadas a
evitar problemas. Assim, recomenda-se que os trabalhadores utilizem luvas e
que, caso tenham contacto com a planta, lavem cuidadosamente as mãos. Também
não devem queimar os ramos resultantes das podas, uma vez que os fumos
libertados são tóxicos.
As
crianças merecem especial atenção e devem ser alertadas para não colocarem
folhas ou flores na boca. Uma posição mais cautelosa será a de não cultivar
trombeteiras em espaços frequentados por crianças.
Teófilo
Braga
Membro
da Direção da IRIS – Associação Nacional de Ambiente
Nota:
Não sou especialista em botânica. Sou apenas um estudioso dos diversos usos que
as pessoas fazem das plantas.
(Até ao presente não
foi publicado qualquer texto sobre o assunto. 1 de julho de 2026)
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