quarta-feira, 31 de julho de 2024

Virusaperiódico (23)


 

Virusaperiódico (23)

 

A metade “útil” do dia 29 de julho foi passada na Courela a cuidar das bananeiras. No dia seguinte voltei a estar por Vila Franca do Campo onde um dos pneus da carrinha teve um furo, tendo conseguido de lá sair após a ajuda de um guarda da PSP e de um mecânico.

 

No dois dias referidos, dediquei algum tempo à leitura da polémica entre Antero de Quental e os “jornais católicos”, surgida após as Conferências do Casino (https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Conferencias-do-Casino-1871.aspx) que foram proibidas por portaria assinada pelo marquês de Ávila e Bolama.

 

No dia 31, de manhã, voltei a Vila Franca do Campo, à Courela. Qualquer dia estrarei de regresso à Vila, quem sabe se para Santo Amaro. A tarde foi quase toda passada a ler sobre as Conferências do Casino, nomeadamente várias cartas de Antero de Quental a Teófilo de Braga.

 

Nos últimos tempos tenho andado a consultar o livro “Poder Local nos Açores, 40 anos-1 000 presidentes”.  Tenho encontrado vários (muitos) nomes que vieram da política do final do Estado Novo.

 

Amanhã começam as férias. Reformado tem férias?

 

31 de julho de 2024

domingo, 28 de julho de 2024

Virusaperiódico (22)

 





Virusaperiódico (22)

 

O dia 27 foi passado na Courela e na Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, a cuidar das plantas. Fiquei satisfeito com a boa produção de algumas fruteiras e com a recuperação das bananeiras que estão no seu auge da produção, mas que surge numa altura em que baixou o consumo de bananas. A solução tem sido a sua desidratação e a oferta.

 

Do Canadá, recebi, entre outras ofertas, dois desdobráveis sobre árvores e aves do Canadá. Pena que para as várias espécies não sejam mencionados os seus nomes científicos.

 

O domingo, dia 28, foi passado a descansar para ganhar forças para voltar a trabalhar na terra na segunda e para pôr em dia as leituras, com destaque para o livro, de João Medina, “As Conferências do Casino e o Socialismo em Portugal”. Não me canso de aprender com o que escreveu Antero de Quental e sobre o que sobre escreveram alguns autores, infelizmente não nascidos na sua e minha terra natal.

 

Hoje fui presentado com uma zamioculca (Zamioculcas zamiifolia), planta originária da Tanzânia.

 

28 de julho de 2024

Na Revista Açores

 




sexta-feira, 26 de julho de 2024

Alice Moderno: Fonte de Inspiração

 


Alice Moderno: Fonte de Inspiração

 

Ao longo da sua vida, Alice Moderno (Paris, 11 de agosto de 1867-Ponta Delgada, 20 de fevereiro de 1946), para além de ter trabalhado arduamente para poder viver com independência e dignamente, dedicou muito do seu tempo a lutar por várias causas em que acreditava, com destaque para a igualdade entre homens e mulheres perante a lei e na vida real, as melhores condições de trabalho para todos, a defesa dos animais e um melhor ambiente para todos os seres que vivem na Terra.

 

Se há batalhas que foram vencidas por ela e por todas as mulheres e homens que com ela labutaram ou cujas vitórias só foram alcançadas após o seu falecimento, como o direito ao divórcio ou o direito ao voto, há outras que ainda permanecem e em que se empenham milhares de lutadores, alguns dos quais inspirados no seu pensamento e ação.

 

No que diz respeito à causa animal, houve alguns avanços em relação aos animais de companhia, mas a luta de Alice Moderno contra os espetáculos tauromáquicos continua,  sendo de destacar a vitória alcançada a nível internacional, através da abolição das touradas na Colômbia a partir de 2027.

 

Alice Moderno foi precursora da defesa do ambiente, mais propriamente das árvores e florestas, quer através dos seus escritos, quer, na prática, nas suas propriedades, onde apenas cortava uma árvore depois de morta.

 

Numa altura em que os efeitos das alterações climáticas cada vez se fazem sentir mais e que, segundo Stefano Mancuso, só as plantas “são capazes de repor a concentração de CO2 em níveis inofensivos”, a defesa das florestas é uma batalha que está longe ser ganha, não bastando plantações avulsas sem o cuidado das plantas ao longo dos anos.

 

Julho de 2024

 

Teófilo Braga


Virusaperiódico (21)



 


Virusaperiódico (21)

 

No dia 21, domingo, continuei a leitura da vida de D. Afonso Henriques e comecei a leitura do livro “Vidas e Mortes de Abel Chivukuvuku que terminei no dia 22.

 

No dia 22, passei pela Livraria Letras Lavadas, tendo assistido a eventos relacionados com o seu quinto aniversario. Passei pela Biblioteca Pública de Ponta Delgada, onde deixei para o seu acervo 9 números da revista “Letra a Letra”, de que sou colaborador.

 

No dia 24, estive reunido com duas jovens que estão a fazer investigações sobre o movimento de defesa das lagoas que esteve bem ativo no final do século passado. O seu empenho mostra que nem tudo está perdido.

 

No dia 26, acabei a leitura da biografia de D. Afonso Henriques. Uma vida com vitórias e derrotas. Ao ver imagens sobre as guerras lembrei-me de uma sua frase que ainda é seguida hoje, por terroristas e por “democratas”: “Vós a nenhuma pessoa não perdoeis, nem deis a vida a homem nem mulher, nem moços nem velhos, de qualquer idade e qualidade que sejam.” Por outras palavras, matem tudo o que se mexer, crianças e idosos.

 

26 de julho de 2024

sábado, 20 de julho de 2024

Virusaperiódico (20)



 

Virusaperiódico (20)

 

O dia 17 foi preenchido com pesquisas na Biblioteca Pública de Ponta Delgada. Recolhi muita informação que vai ser trabalhada nos próximos dias. Passei por um alfarrabista, onde comprei 9 boletins da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores e 5 livros, biografias, memórias e um sobre Antero de Quental. Visitei uma exposição sobre o 25 de Abril da responsabilidade da URAP- União dos Resistentes Antifascistas Portugueses.

 

Nos dias 18 e 19, para além de trabalhos domésticos e de uma ida à Courela para colher bananas, li um livro sobre o polémico “político” Carlos Antunes, escrito pela jornalista Isabel Lindin. Comecei a leitura de uma biografia sobre D. Afonso Henriques escrita por Diogo Freitas do Amaral, um político que seguiu um rumo contrário ao da maioria dos políticos portugueses, isto é, rumou um pouco para a “esquerda”.

 

No dia 20, guiei uma visita à Ribeira Nova e à Courela, iniciativa do Núcleo Regional dos Açores da IRIS-Associação Nacional de Ambiente. Verifiquei que o Poço da Viola estava completamente seco e vi pela primeira vez abelhas a “trabalhar” nas flores do trevo-amarelo (Lotus pedunculatus).

 

20 de julho de 2024

quinta-feira, 18 de julho de 2024

ENERGIA: PROPOSTA DE AUDITORIA A UM EDIFÍCIO ESCOLAR






 


ENERGIA: PROPOSTA DE AUDITORIA A UM EDIFÍCIO ESCOLAR (1)

Teófilo Braga

 

Resumo

Propõe-se neste artigo uma proposta de auditoria energética para edifícios escolares e apresentam-se sugestões para exploração dos resultados da mesma, nomeadamente em termos de sensibilização para as questões ambientais.

Palavras-chave: energia, escola, auditoria

 

1-    Introdução

 

A energia é um recurso indispensável à vida, ao bem-estar dos cidadãos e ao desenvolvimento socioeconómico, de todas as sociedades, mas é, também, um forte factor global de pressão ambiental (Fernandes, 2007).

 

Embora os conteúdos programáticos do ensino básico e ensino secundário abordem as aplicações das energias renováveis e apresentem recomendações para o uso eficiente de energia, a ênfase é dada ao estudo da produção e não são suficientemente exploradas as actividades que, em contexto de projecto escolar ou clube de ciência (não formal), possam levar a uma reflexão sobre “a importância da gestão conservativa dos recursos energéticos e respectivo uso racional, indispensável ao desenvolvimento da espécie humana” (Caldeira, Bello, Santos & Pina, 2002, p.1)

 

Face ao exposto, com este pequeno texto, apresenta-se uma proposta de auditoria energética, primeiro passo para a tomada de medidas conducentes a um uso mais racional da energia nas escolas.

2-    A nossa proposta de Auditoria Energética

Hoje, as escolas dos Açores, nomeadamente as que integram a rede de Eco-escolas, como a Escola Secundária das Laranjeiras, utilizam como instrumento para a realização de auditorias energéticas o Guia da Auditoria Ambiental do Programa Eco-Escolas (Gomes, s/d) que é disponibilizado pela ABAE/FEE Portugal- Associação Bandeira Azul da Europa.

Com a nossa proposta (guião em anexo), pretende-se ir um pouco mais além do sugerido pela ABAE/FEE Portugal, quantificando os consumos, permitindo identificar as melhores opções para a melhoria do desempenho energético das escolas.

Pretende-se, também, contribuir para avaliar objectivamente o desempenho ambiental das escolas, monitorizando os seus progressos, quer em termos globais quer per capita.

Intencionalmente, optou-se, por não apresentar quaisquer questões relativas às características construtivas dos edifícios (tipos de paredes, coberturas, vãos envidraçados, etc.).

Por último, no questionário são apresentados exemplos de equipamentos e instalações, podendo cada docente, que o aplique, acrescentar outros de modo a que, em cada escola, não fique nenhum de fora.

3-    A exploração dos resultados da auditoria

Através do tratamento dos resultados obtidos, para além de pretendermos sensibilizar e informar as crianças e jovens estudantes, e restantes membros da comunidade educativa, é nossa intenção por em evidência o facto de a escola ser, também, responsável por impactos ambientais, nomeadamente os resultantes do consumo de energia.

A partir da análise dos resultados obtidos é possível ficar-se a conhecer alguns indicadores, como os consumos específicos (kWh/aluno) para o estabelecimento de ensino. Este indicador poderá ser útil para comparar consumos específicos entre escolas de características semelhantes e, mais do que isso, para medir a eficácia de eventuais medidas de poupança/ eficiência energética (alteração de comportamentos ou substituição de equipamentos).

Para além do referido, é também possível a apresentação de propostas para a implementação de medidas de poupança de energia, nomeadamente eléctrica, que pode ser feita através da alteração de comportamentos (e.g. desligar as luzes quando não são necessárias) ou substituição dos equipamentos mais “energívoros” (papões de energia) (e.g. frigoríficos de classe C por outros de classe A) por outros mais eficientes e calcular ao fim de quanto tempo haverá retorno do investimento, etc.

Por último, se pretendermos “saltar os muros da escola” e proporcionar uma visão mais alargada das questões energéticas, é relativamente fácil quantificar a contribuição da escola para as emissões de GEE, bastando para tal utilizar as metodologias de contabilidade básicas de GEE apresentadas por Aguiar (2002) e algumas instruções do projecto Carbon Force (http://www.carbonforce.net).

4-    Considerações finais

O guia de auditoria proposto para além de permitir um tratamento do tema energia na óptica da Física permite uma abordagem no âmbito da educação ambiental, sobretudo para alunos do 9º ano e do ensino secundário.

Tal como foi referido anteriormente, a proposta apresentada, poderá e deverá ser alterada tendo em conta as características dos edifícios escolares e a exploração dos resultados deverá ser adaptada ao nível de escolaridade dos alunos.

 

8- Bibliografia

 

Aguiar, R. (2002, Setembro). O enquadramento das emissões de gases com efeito de estufa como ferramenta pedagógica e quantificadora nas relações escola- ambiente. Comunicação apresentada no XI Congresso Ibérico e VI Ibero-Americano de energia solar.

 

Caldeira, M., Bello, A., Santos, C. & Pina, E. (2002, Setembro). A energia solar no novo programa de física do ensino secundário português. Comunicação apresentada no XI Congresso Ibérico e VI Ibero-Americano de energia solar.

 

Fernandes, E., (2007). A eficiência energética: simples no conceito e complexa na aplicação. Acedido em 10 de Julho, de http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=4034&Itemid=64.

 

Gomes, M. (s/d). Guia de Auditoria Ambiental. Acedido em 10/05/ 10, de http://www.epatv.pt/v1/dados/downloads/guiaauditoriaambiental.pdf

 

 

 

(1)    A proposta de auditoria energética a edifícios escolares foi apresentada inicialmente no âmbito do projecto “Educar para a Energia”, do Mestrado de Educação Ambiental da Universidade dos Açores.

terça-feira, 16 de julho de 2024

Virusaperiódico (19)



 


Virusaperiódico (19)

 

Confirmo que o número 13 é de azar. Hoje, 13 de julho, fui obrigado a regressar a casa mais cedo, pois a chuva impediu-me de trabalhar na Ribeira Nova. Aproveitei o resto do dia para ler o jornal “MAPA”, nº 42. Embora não consiga ler tudo, valeu a pena ter feito a sua assinatura.

 

Nos dias 14 e 15, fiz pequenos trabalhos domésticos e li muito, sobretudo o romance de Isabel Allende, “O vento conhece o meu nome”. Embora seja uma obra de ficção, deverá ter por base acontecimentos relacionados com a perseguição aos judeus pelos nazis, os massacres ocorridos na América Latinas por governos “democráticos” e a perseguição e maus-tratos de que eram (já não são?) alvo os migrantes que procuram uma vida melhor nos EUA.

 

Hoje, voltei à Ribeira Nova com o Max, onde rocei e arranquei alguma erva. Observei o Poço da Viola com pouca água. Fui verificar e vi que a ribeira continua a correr, mas a água desaparece num pequeno poço situado a meia dúzia de metros acima.

 

16 de julho de 2024

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Amoreira-do-papel

 


Amoreira-do-papel

 

Numa visita que fiz à casa de uma pessoa amiga, localizada na Fajã de Cima, vi pela primeira vez, no dia 2 de julho de 2020, uma planta com folhas com uns recortes estranhos.

 

Com recurso ao meu amigo Raimundo Quintal, um madeirense que, desde 1983, tem estudado a fitodiversidade dos parques e jardins do nosso arquipélago, nomeadamente os da ilha de São Miguel, fiquei a saber que a planta era uma amoreira-da-china, também conhecida por amoreira-do-papel (Broussonetia papyrifera (L.) L’Hér. ex Vent.).

 

A amoreira-do-papel é uma árvore de folha caduca e dioica pertencente à família Moraceae, nativa da China, Japão, Coreia, Taiwan e Polinésia. Com um crescimento rápido, atinge uma altura que varia entre os 6 e os 15 metros.

 

A amoreira-do-papel, cujo nome específico está associado ao facto de a fibra da casca ser usada na produção de papel de grande qualidade, é utilizada em várias partes do mundo essencialmente como planta ornamental.

 

De acordo com algumas fontes, os seus frutos são muito agradáveis ao paladar, podendo ser comidos frescos ou em compotas, tendo propriedades diuréticas. As suas folhas, para além de induzirem a transpiração e evitarem a diarreia, são usadas como cataplasma para combater problemas de pele e associados a picadas de insetos.

 

Na ilha de Fiji a casca da amoreira-do-papel é usada para o fabrico de tecidos que são usados em várias cerimónias tradicionais, que vão do nascimento ao casamento.

 

Identificada a planta, o passo seguinte foi tentar saber a sua abundância na ilha de São Miguel, recorrendo à bibliografia, a pesquisas no campo e ouvindo pessoas amigas que conhecem bem as plantas da nossa terra.

 

Desconhecendo-se a data da sua introdução na ilha de São Miguel, apenas podemos afirmar que a amoreira-do-papel já era conhecida em São Miguel, em 1851, data em que “O Agricultor Micaelesnse”, órgão mensal da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, publicou um texto intitulado “Broussonetia”. Nele, a dada passo pode-se ler o seguinte: “é uma elegante árvore, da qual crescem prosperamente n’esta Ilha alguns indivíduos”.

 

O texto referido no parágrafo anterior, para além de dar uma explicação sobre o modo como era produzido o papel a partir da casca da amoreira-do-papel, termina com um (quase) apelo à sua plantação na ilha, do seguinte modo: “Quantas árvores que não tem serventia alguma, não roubam o lugar, que poderá ser ocupado por esta, e inúmeras outras árvores de útil préstimo!”

 

Desconhecendo-se o nome da pessoa que a introduziu na ilha de São Miguel, tudo leva a crer que terá sido um dos membros da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense. Também se sabe que a amoreira-do-papel era uma das plantas existentes no Jardim de José do Canto, em Ponta Delgada, na primavera de 1856.

 

No século passado, a amoreira-do-papel não devia ser muita rara nos Açores, pois o Regente Agrícola Silvano Pereira incluiu-a numa listagem das “Principais Plantas Cultivadas e Espontâneas nos Açores”, publicada no Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, nº 18, de 1953.

 

Até ao momento, nenhum dos meus conhecidos indicou a presença da amoreira-do-papel na nossa ilha, pelo que atualmente, para além da árvore já mencionada, tenho observado duas no Pico da Pedra, uma nas Capelas e duas na Ribeira Nova, na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo.

 

13 de julho de 2024

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Virusaperiódico (18)

 


Virusaperiódico (18)

 

No dia 8 de manhã, andei por Vila Franca do Campo, onde fui colocar uma meia alça numa das colmeias que estava quase sem espaço e verifiquei que as abelhas estão a procurar muito o trevo amarelo. Aproveitei a oportunidade para acompanhar uma pessoa conhecida que está a colocar num aquário plantas das nossas zonas húmidas, tendo visitado um charco já situado na freguesia da Maia, onde fotografei lentilhas-de-água (Callitriche stagnalis).

 

Ainda no dia 8, comecei a escrever um texto sobre as amoreiras que foram introduzidas nos primeiros tempos do povoamento, terminei-o no dia seguinte.

 

No dia 10, na companhia do Rex estive na Ribeira Nova, onde mondei algumas ervas e li algumas páginas do romance “A Malnascida”, de Beatrice Salvioni.

 

Li um dia destes um texto sobre os problemas causados pela água na freguesia dos Arrifes. Parece-me que estão bem identificadas as causas, desorganização do território, desflorestação, pecuária intensiva, etc., porém não é apontada uma única medida para acabar com elas, pelo contrário só li sugestões de “construção civil” para minimizar ou acabar com os efeitos. Que falta de visão!

 

Tenho andado por aí e observado o trabalho árduo que está a ser feito, em vários Serviços, pelos jovens do programa OTLJ: jogar às cartas ou ao dominó, também cansa!  Para não haver mal-entendidos, aqui fica registado que os mesmos não têm culpa nenhuma.

 

Está cada vez mais difícil viver nesta T(t)erra!

 

11 de julho de 2024

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Em defesa das plantas, em defesa da Vida

 



Em defesa das plantas, em defesa da Vida

 

No passado dia 20 de maio, comemorou-se o Dia Internacional da Abelha, um dos polinizadores de grande importância para a conservação da biodiversidade e para a agricultura. A propósito, o mundialmente famoso físico Albert Einstein escreveu o seguinte: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.”

 

Entre as principais ameaças às abelhas e restantes polinizadores destacamos a degradação dos habitats naturais, a agricultura intensivo e o uso de herbicidas.

Na nossa freguesia e em quase toda a ilha, os espaços verdes precisam de ter mais flores e menos relva, necessitam de serem preenchidos com espécies vegetais melíferas e nos terrenos agrícolas é urgente serem deixados junto às suas divisórias, mesmo em bandas estreitas, plantas silvestres. Não pode acontecer o que tenho observado, isto é, as plantas existentes nas bandas referidas são queimadas com herbicidas que são prejudiciais às abelhas e aos outros seres vivos.

Acredito que é por ignorância ou por desinformação que não se valoriza o nosso património natural e este texto é apenas um modesto contributo para o conhecimento do mundo que nos rodeia.

Para um melhor conhecimento da flora do Pico da Pedra, decidi dar a conhecer as plantas existentes nos muros de pedra existentes na Rua Capitão Manuel Cordeiro (1º e 2ª partes), fazendo um primeiro inventário.

No dia 22 de abril, Dia da Terra, identifiquei 23 espécies que podem ter usos diversos, para além de serem procuradas pelas abelhas, como a fura-capa (Bidens pilosa), a Cymbalaria muralis, e o dente-de-leão (Taraxacum officinale).

 

Usadas na medicina popular encontrei, entre outras, as seguintes plantas: fura-capa, erva-de-são-roberto (Geranium robertianum), Perpétua-silvestre (Helichrysum luteoalbum), fava-da-cova (Parietaria judaica), dente-de-leão, coucelos (Umbilicus rupestres), língua-de-vaca (Plantago lanceolata) e urtiga (Urtica membranaceae).

 

Com possível uso (ou mesmo usadas) na alimentação humana ou de animais encontrei as seguintes espécies: alhinhos (Allium triquetrum), tomate-de-capucho (Physalis peruviana), chagas (Tropaeolun majus), urtiga e serralha (Sonchus oleraceus), esta última muito usada na alimentação de coelhos.

 

Para quem quiser aprofundar o assunto, para além do recurso à internet, aconselho a consulta dos seguintes livros.

- As Plantas na Medicina Popular dos Açores, da minha autoria, editado em 2023, pelas Letras Lavadas, edições;

- Algumas plantas medicinais dos Açores, de Yolanda Corsépius, editada pela autora em 1997;

- Flora Terrestre dos Açores, de Virgílio Vieira, Mónica Moura e Luís Silva, editado em 2020, pelas letras Lavadas, edições;

- Ervas que se comem-silvestres e saborosas, de Fernanda Botelho, editado em 2022, pela Dinalivro.

 

Pico da Pedra, 21 de maio de 2024

 

Teófilo Braga

(A VOZ POPULAR, nº 208, junho de 2024)

sábado, 6 de julho de 2024

Virusaperiódico (17)

 


Virusaperiódico (17)

 

Nos três primeiros dias da semana, fui convidado a estar numa ação de formação de professores que decorreu muito bem.

 

No dia um fui surpreendido pela morte do cantor e poeta Fausto que conheci a propósito de um 1º de Maio na ilha Terceira. Dele recordo:

 

Em Ferrel lá p'ra Peniche

vão fazer uma central

que para alguns é nuclear

mas para muitos é mortal

os peixes hão-de vir à mão

um doente outro sem vida

 não tem vida o pescador

morre o sável e o salmão

isto é civilização

assim falou um senhor

tem cuidado

 

No dia 2, faleceu a minha colega Nélia Melo que havia visto há pouco mais de um mês e parecia-me que estava muito bem. Muito triste!

 

"tudo o que for vivente tem

uma queixa que o percorre

e quando um dia a vida morre

a morte morre também"

António Joaquim Lança

 

No dia 6 estive a trabalhar na Terra, na Courela e na Ribeira Nova. No âmbito do núcleo regional da IRIS- Associação Nacional de Ambiente em breve organizarei uma visita aos dois locais.

7 de julho de 2024

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Lucena

 


Leucena

 

Leucena, Ipil-ipil ou aroma-branco (Leucaena leucocefala (Lam.) De Wit) é uma espécie, da família Fabaceae, oriunda da América Central.

 

Atualmente está espalhada por vários países do mundo, figurando na lista das piores plantas com comportamento invasor, causando prejuízo à biodiversidade. Na ilha da Madeira, onde foi introduzida como ornamental e possivelmente como forrageira, no início do século XIX, encontra-se naturalizada em algumas zonas, sobretudo próximas do litoral.

 

É um arbusto ou árvore perene que em condições ideais de clima e solo pode atingir 20 m de altura. As folhas são bipenadas, as flores são brancas, agrupadas em capítulos globulares e os frutos são vagens planas, contendo 15 a 30 sementes.

 

Não é possível afirmar a data exata da sua introdução nos Açores. Em São Miguel, sabe-se que uma das chegadas terá ocorrido no final da década de 80 ou no início da de 90 do século XX.

 

Numa comunicação sobre o aproveitamento das energias renováveis nos Açores, apresentada por Francisco Botelho, da EDA, nas Primeiras Jornadas de Proteção do Meio Ambiente”, realizadas em 1988, em Angra do Heroísmo, afirma-se o seguinte:

 

“Das possibilidades consideradas que incluem também o eucalipto  e a acácia, mostra-se com especial interesse a Leucaena (Ipil-Ipil), árvore frondosa e de pequeno porte que, para além de apresentar um dos mais rápidos crescimentos, se não o mais rápido conhecido (cerca de 4 metros em seis meses, pelo menos em zonas de floresta tropical) e bom poder calorífico, tem ainda entre outras vantagens, poder de fixação de nitrogénio  no solo e folhagem rica em proteínas, permitindo o seu aproveitamento para alimentação de animais, bem como características adequadas para fixação de taludes. Está actualmente em curso um estudo acerca da sua adaptação às características climáticas da nossa Região, encontrando-se em crescimento exemplares de alguns tipos de Leucaena, de sementes originárias o Hawai.”

 

Em 1989, tivemos a oportunidade de observar nos viveiros dos Serviços Florestais, nas Furnas, pequenas plantas obtidas a partir de sementes vindas dos EUA para a EDA que estava a investigar a possibilidade do seu aproveitamento para a produção de energia elétrica a partir da queima da sua madeira.

 

Na altura, sabendo que a espécie no Havai e no Japão era uma terrível ameaça à flora nativa, os Amigos dos Açores manifestaram publicamente a sua preocupação.

 

A inquietação dos Amigos dos Açores não caiu em saco roto, pois, a 11 de março de 1992, o deputado regional do PS, Victor Ramos, em requerimento enviado ao Secretário Regional da Agricultura e Pescas, solicitou uma resposta à seguinte questão: “Que motivações e que estudos levaram à introdução da referida espécie nos Açores?”

 

A resposta, que deu entrada na ALRA a 21 de julho de 1992, foi assinada por Rui Nina da Silva Lopes, secretário-geral da Presidência do Governo e foge à questão levantada, isto é, apenas menciona que “não foram efectuadas quaisquer plantações de leucaena na ilha de S. Miguel”

 

Mas, como em quase tudo nesta vida, nem tudo é negativo na leucaena, pois há usos que não podem ser esquecidos. Assim, ela já foi considerada como a “árvore milagre”, sobretudo para alguns países do chamado Terceiro Mundo, onde a desflorestação e o empobrecimento dos solos atinge grandes dimensões.

 

A madeira de leucaena pode ser usada como combustível, na alimentação e aquecimento e em centrais de produção de eletricidade.

 

As folhas da leucaena podem ser usadas na alimentação humana e na do gado. Na alimentação humana podem ser utilizadas em sopas e em saladas. As folhas são também muito apreciadas pelo gado, nomeadamente bovinos, suínos e caprinos, podendo ser usadas também em silagens. As sementes de leucena, depois de torradas e moídas podem ser usadas como substituto do café.

 

Plantada em fileiras alternadas com outras espécies a leucaena pode estimular o crescimento daquelas.

 

A leucena é também usada em várias regiões do mundo como planta ornamental, o que já acontece em Ponta Delgada, num dos seus grandes jardins.

 

2 de julho de 2024