No âmbito das comemorações do Dia Mundial da Floresta, que se assinala a 21 de março de 2026, os Amigos dos Açores – Associação Ecológica e o Núcleo Regional dos Açores da IRIS – Associação Nacional do Ambiente elaboraram uma posição conjunta na qual destacam a importância das florestas na mitigação das alterações climáticas e defendem a valorização do património arbóreo do arquipélago.
Sete anos após o lançamento da petição que conduziu à aprovação, por unanimidade, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, do Decreto Legislativo Regional n.º 27/2022/A, de 28 de novembro, que estabelece o regime jurídico de classificação de arvoredo de interesse público na região, as duas associações sublinham que esta data constitui uma oportunidade para reforçar a importância da proteção das árvores e das florestas açorianas.
As associações subscrevem as declarações do cientista Stefano Mancuso, uma referência mundial na área da neurobiologia vegetal, que alertou que “sem um número suficiente de florestas não existe nenhuma possibilidade real de inverter a tendência de crescimento do CO₂”, defendendo mesmo que a desflorestação deveria ser considerada um crime contra a humanidade. Neste contexto, defendem que os Açores devem apostar num aumento substancial das áreas florestadas, dando prioridade à plantação de espécies nativas e endémicas, de forma a contribuir para a mitigação dos efeitos das alterações climáticas, como cheias e derrocadas.
As organizações saúdam também os voluntários que, ao longo dos anos, têm participado em ações de plantação e restauro ecológico no arquipélago, destacando o trabalho desenvolvido pelos Amigos dos Açores numa parcela do Pinhal da Paz, cedida pela Direção Regional dos Recursos Florestais para projetos de recuperação ecológica, o qual ocorre durante todo o ano e pode ser entendido com um projeto piloto para outras localizações.
Na mesma nota, felicitam todos os peticionários, entidades e deputados regionais que contribuíram para a elaboração e aprovação da legislação que regula a classificação de arvoredo de interesse público nos Açores.
As associações apelam ainda para que seja revista, com a maior brevidade possível, a classificação anteriormente atribuída ao arvoredo de interesse público, de acordo com as categorias e critérios definidos no Decreto Legislativo Regional n.º 27/2022/A.
Apesar de aguardarem a disponibilização do modelo de requerimento previsto no artigo 15.º do Decreto Regulamentar Regional n.º 2/2026/A, necessário para a apresentação formal de propostas de classificação, as duas entidades aproveitarão o Dia Mundial da Floresta para sugerir que seja dada especial atenção a um conjunto de árvores consideradas dignas de classificação no arquipélago.
Entre os exemplares destacados encontram-se um cedro-do-mato (Juniperus brevifolia) no campo de golfe das Furnas, um metrosídero (Metrosideros excelsa) no Jardim do Palácio de Santana, um dragoeiro (Dracaena draco) na Escola Secundária Antero de Quental, e uma orelha-de-elefante (Enterolobium cyclocarpum) no Jardim António Borges.
A lista inclui ainda um eucalipto-limão (Corymbia citriodora) no Jardim Dr. António da Silva Cabral, em Vila Franca do Campo, um pinheiro-da-nova-caledónia (Araucaria columnaris) no Jardim da Universidade dos Açores, um eucalipto (Eucalyptus robusta) no Pinhal da Paz, e uma palmeira-do-chile (Jubaea chilensis) também no Jardim António Borges.
Entre os exemplos mencionados figura igualmente uma sumaúma (Ceiba speciosa) situada no parque de estacionamento da Rua São Francisco Xavier, em frente à Pousada da Juventude, em Ponta Delgada, bem como a proposta de classificação da alameda de plátanos (Platanus acerifolia) na Povoação e o conjunto de dragoeiros (Dracaena draco) do Museu do Vinho, na Madalena do Pico. |
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